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sexta-feira, 25 de março de 2022

Por que o dólar está caindo tanto mesmo com guerra e crise econômica

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Juro alto, força das commodities, bolsa barata e saída de investimentos da Rússia ajudam a explicar a queda da moeda americana. Mas alta de juros nos EUA e eleições podem frear a valorização do real.
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TOPO
Por BBC

Postado em 25 de março de 2022 às 08h35m

Post. N. =  0.450

Dólar — Foto: REUTERS/Rick Wilking
Dólar — Foto: REUTERS/Rick Wilking

O dólar tem surpreendido nos últimos dias, com uma forte queda em relação ao real, mesmo em meio à guerra na Ucrânia e à alta de juros nos Estados Unidos. Normalmente, esses dois fatores levariam o real brasileiro a perder força, devido à aversão ao risco e à maior atração de recursos para a economia americana.

Mas a combinação de Selic em dois dígitos, commodities em alta, bolsa brasileira barata e saída de investimentos da Rússia e leste europeu rumo a outros mercados emergentes ajuda a explicar como o dólar, que chegou próximo dos R$ 5,80 em 2021, é negociado agora abaixo dos R$ 5, tendo chegado aos R$ 4,84 nesta quarta-feira (23/3), menor patamar desde março de 2020.

Analistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que, com a perspectiva de commodities em alta por mais tempo e de o Banco Central subir ainda mais os juros no Brasil, o real pode continuar se fortalecendo no curto prazo e o dólar atingir novos patamares de baixa.

No entanto, os economistas acreditam que esse movimento não deve se sustentar num prazo mais longo. Com a perspectiva de uma alta mais forte dos juros nos EUA e as eleições em outubro, eles avaliam que o dólar pode voltar a ganhar força mais à frente.

Cotação do dólar comercial cai para R$ 4,84Cotação do dólar comercial cai para R$ 4,84

Entenda em 4 pontos a queda recente do dólar em relação ao real.

1. Por que o dólar está em queda?

Segundo Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, dois fatores principais explicam a recente queda do dólar em relação ao real.

São eles: a alta das commodities, das quais o Brasil é um grande produtor e exportador mundial, e a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) atualmente em 11,75%, com perspectiva de novas altas nos próximos meses.

"O real vinha muito desvalorizado, mas não havia nenhuma grande expectativa de correção no curto prazo, então a queda recente do dólar de fato surpreende", diz Campos Neto.

"O primeiro fator que explica isso é o fato de esse ser um ano muito favorável às commodities, movimento que foi reforçado pelo conflito no leste europeu. Isso deu um gás nos preços de uma série de itens e o real é uma moeda liquidamente beneficiada por esse fator, por ser o Brasil um grande exportador", afirma.

O segundo ponto é a forte alta de juros no Brasil, que levou o país a ter atualmente a segunda maior taxa de juros reais do mundo, atrás apenas da Rússia (os juros reais consideram a taxa de juros nominal, menos a inflação), e a quarta maior taxa de juros nominal, atrás somente de países com graves problemas econômicos, como Argentina (42,5%), Rússia (20%) e Turquia (14%).

"O reposicionamento da taxa de juros para um patamar mais condizente com a nossa realidade permitiu um olhar dos investidores para cá, com isso temos visto um redirecionamento de fluxos [de investimentos] já desde o início do ano", completa.

Soma-se a esses dois fatores uma bolsa brasileira que estava muito barata na comparação internacional e com diversos papéis ligados ao setor de commodities, como Vale, Petrobras e as empresas do setor agrícola.

Por fim, há o fluxo de investidores que deixaram a Rússia e o leste europeu em meio à instabilidade naquela região, e que encontraram no Brasil uma alternativa de investimento em países emergentes.

"Os dados de fluxo cambial do Banco Central mostram uma entrada de um pouco mais de US$ 10 bilhões para o Brasil no acumulado do ano", observa Marcela Rocha, economista-chefe da Claritas Investimentos.

"Isso indica que o investidor estrangeiro volta a olhar o Brasil com atratividade: um país que estava barato, com moeda desvalorizada. Agora, com juros altos e commodities em alta, ele se torna uma referência para países emergentes, num momento em que outros emergentes são abalados, caso da Rússia e todos os países do leste europeu."

2. O dólar vai cair mais? Até onde ele pode chegar?

Segundo Rocha e Campos Neto, o dólar ainda pode cair mais sim, no horizonte próximo.

"Olhando todos os vetores que estão puxando o dólar para baixo, não temos ainda perspectiva de uma mudança de cenário. Os preços de commodities continuarão pressionados e a Selic, por mais que o Banco Central queira já apontar para um fim do ciclo de alta, ainda não dá para escrever em pedra qual vai ser o nível final da taxa de juros", observa a economista da Claritas.

Na última ata do Copom (Comitê de Política Monetária), o BC indicou que pode levar a Selic acima de 12,75%, a depender do que vai acontecer com o valor do barril de petróleo, que impacta os preços dos combustíveis no Brasil e, consequentemente, a inflação.

Nesta quarta-feira, o barril de petróleo chegou aos US$ 120, num sinal de que a autoridade monetária brasileira pode de fato ter que levar a taxa de juros acima dos 13%.

Mas até onde o dólar pode ir, é difícil de prever. A analista da Claritas fala em um limite de R$ 4,70 ou R$ 4,65. Já o economista da Tendências vê um limite de R$ 4,50 ou R$ 4,40, mas avalia que esse não é o cenário mais provável, pois há outros fatores em jogo que devem por um freio na valorização do real no horizonte mais longo.

3. A queda do dólar é sustentável?

Num horizonte mais longo, os economistas avaliam que não. Provavelmente, com a aproximação da eleição e a alta mais forte de juros nos EUA, esse movimento deve estancar.

"Estamos falando de um real valorizado num momento em que o Fed [banco central americano] está subindo juros e o dólar se aprecia globalmente. Esse aumento de juros lá fora vai ser mais intenso e isso deve trazer condições mais complicadas para fluxo de investidor estrangeiro em emergentes", diz Rocha.

Já as eleições devem trazer volatilidade ao câmbio, pois nenhum dos candidatos favoritos à Presidência é percebido pelo mercado como comprometido com uma agenda econômica ortodoxa e com reformas para reduzir o gasto público.

"Claro que, se tivermos um novo governo indicando uma agenda econômica mais ortodoxa e responsável, temos condições de o câmbio terminar o ano no patamar atual ou até um pouco abaixo disso. Mas, diante das possiblidades que estão atualmente colocadas, há no mínimo uma grande incerteza sobre como vai ser a condução da economia a partir do ano que vem", diz Campos Neto.

Por fim, a guerra segue no horizonte como um fator de incerteza e alguma piora na crise no leste europeu também poderia levar a um quadro de aversão ao risco que tire dinheiro dos mercados emergentes, rumo a investimentos mais seguros, o que enfraqueceria o real.

5. Qual o efeito do dólar em queda para a economia?

A queda do dólar, caso fosse sustentável, poderia trazer algum alívio para a inflação, ao compensar parte do efeito da alta das commodities e baratear a importação de insumos.

Mas Marcela Rocha avalia que não é esse o caso.

"Para ter um repasse dessa queda do dólar para a inflação, seria necessário ter visibilidade de que esse quadro vai durar por algum tempo, mas não é isso que vemos hoje", diz ela.

Na balança comercial, Campos Neto acredita que o efeito deve ser pouco para os exportadores — que se beneficiam dos altos preços das commodities —, mas pode ser favorável para a importação de bens industrias, diante da perspectiva de que a economia brasileira ainda deve ter algum crescimento este ano, mesmo que baixo.

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quarta-feira, 23 de março de 2022

Economia argentina cresce mais que o esperado, e desemprego cai

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Crescimento de 10,3% em 2021 foi o maior em pelo menos 17 anos, segundo o governo local.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 23 de março de 2022 às 19h35m

Post. N. =  0.449

A economia da Argentina cresceu 10,3% no ano passado, ligeiramente acima das previsões, enquanto a taxa de desemprego e os números do comércio do país sul-americano também superaram as expectativas, à medida que a atividade continua a se recuperar após a pandemia de coronavírus.

O governo disse que o crescimento em 2021, que veio acima de uma previsão de 10%, foi o maior em pelo menos 17 anos, impulsionado pela flexibilização das restrições impostas durante a pandemia da Covid-19.

"Esse é o maior crescimento desde o início da série, em 2004, superando a maior variação anterior, registrada em 2010", disse o Ministério da Economia em comunicado.

Argentina corre contra o tempo para aprovar renegociação com o FMIArgentina corre contra o tempo para aprovar renegociação com o FMI

A economia cresceu 8,6% no último trimestre do ano frente ao mesmo período de 2020, um pouco abaixo da previsão de alta de 8,7% em uma pesquisa da Reuters.

Desemprego em queda

Enquanto isso, a taxa de desemprego caiu para 7% no quarto trimestre de 2021, disse a agência oficial de estatísticas, bem abaixo das expectativas do mercado de 8,5% e o sexto trimestre consecutivo de queda. Foi a leitura mais baixa desde 2015.

A Argentina, um grande produtor de grãos, está lutando contra baixas reservas em moeda estrangeira, inflação galopante acima de 50% e uma crise cambial que forçou o país a impor rígidos controles de capital.

O maior exportador mundial de soja e segundo maior exportador de milho também registrou superávit comercial de US$ 809 milhões em fevereiro, informou o governo, novamente acima das previsões.

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terça-feira, 22 de março de 2022

Bovespa ultrapassa os 117 mil pontos e tem maior pontuação em 6 meses

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Nesta terça-feira, o principal índice da bolsa subiu 0,96%, a 117.272 pontos.
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Por g1

Postado em 22 de março de 2022 às 12h10m

Post. N. =  0.448

O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores de São Paulo, a B3, fechou em alta nesta terça-feira (22), acompanhando os mercados externos e avaliando a ata do Copom, divulgada mais cedo pelo Banco Central.

O Ibovespa subiu 0,96%, a 117.272 pontos. A bolsa renovou, assim, a maior pontuação desde setembro de 2021 (117.868 pontos no dia 6). Veja mais cotações.

Na segunda-feira, a bolsa fechou em alta de 0,73%, a 116.155 pontos. Com o resultado de hoje, passou a acumular alta de 3,65% na parcial do mês. No ano, o avanço é de 11,88%.

Guerra na Ucrânia impacta estoque brasileiro de trigo, que deve durar apenas três mesesGuerra na Ucrânia impacta estoque brasileiro de trigo, que deve durar apenas três meses

O que está mexendo com os mercados?

As acções europeias subiram, impulsionadas pelas ações das empresas de energia, que prolongaram um 'rally' que tem como pano de fundo os preços mais altos do petróleo e ganhos dos bancos, na sequência de comentários aguerridos da presidência da Reserva Federal dos Estados Unidos.

O pan-europeu STOXX 600 subiu 0,2%, após um início de semana sem brilho. O índice europeu do sector do petróleo e gás ganhou 0,8%, enquanto que os bancos subiram 1,1%.

Nos EUA, o S&P 500 ganhou 1,15%, para 4.512,56 pontos. O Nasdaq avançou 1,96%, para 14.109,37 pontos. O Dow Jones subiu 0,76%, para 34.816,62 pontos.

O dólar americano se valorizava frente a outras moedas pós comentários do presidente do Federal Reserve dos EUA, Jerome Powell, que sinalizou um aperto mais agressivo da política de juros para combater a inflação em alta.

O banco central dos Estados Unidos aumentou as taxas de juro na semana passada em 25 pontos-base, o primeiro aumento desde finais de 2018. Até o final de 2023, as autoridades do banco central esperam que a taxa de juros esteja em 2,8%. A maioria dos membros do Fed vê o nível "neutro" como algo entre 2,25% e 2,5%.

Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central avaliou que o conflito entre Rússia e Ucrânia pode ter consequências de longo prazo para a inflação, o que pode exigir uma alta ainda maior da taxa básica de juros brasileira. As observações constam na ata da última reunião do comitê, quando a Selic foi elevada de 10,75% ao ano para 11,75% ao ano.

Na noite de segunda-feira, o governo federal anunciou que vai zerar o imposto de importação do etanol e de 6 itens da cesta básica em mais uma tentativa de frear a alta de preços aos consumidores.

Governo decide zerar imposto de importação sobre etanol até dezembroGoverno decide zerar imposto de importação sobre etanol até dezembro
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segunda-feira, 21 de março de 2022

Dólar a R$ 5: entenda por que a moeda está caindo este ano e saiba se é hora de comprar

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Movimento é resultado do alto volume de investimento estrangeiro no Brasil em razão da trajetória de alta da Selic e com o diferencial de juros em relação a outras economias.
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Por Patricia Basilio, g1

Postado em 21 de março de 2022 às 11h15m

Post. N. =  0.447

Cédulas de dólar  — Foto: Divulgação
Cédulas de dólar — Foto: Divulgação

O dólar está perdendo força em 2022. No ano, a moeda norte-americana acumulou queda de 10,7% e fechou a sexta-feira (18) a R$ 5,0157. Nesta segunda-feira, é negociado abaixo de R$ 5.

Movimento é resultado do alto volume de investimento estrangeiro no Brasil em razão da trajetória de alta da Selic e com o diferencial de juros em relação a outras economias, mesmo com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Das 25 economias acompanhadas pelo Economatica, o dólar perde valor em dez países, e se valoriza em 15.

O alívio na pressão cambial, no entanto, exige cautela, já que as eleições devem entrar no radar dos investidores nos próximos meses, segundo especialistas consultados pelo g1. De acordo com o último boletim Focus, a previsão é que o dólar termine o ano em R$ 5,30.

Confira abaixo os motivos que levaram o dólar ficar abaixo dos R$ 5:

Volume de investimento estrangeiro

O alto volume de investimento estrangeiro que o Brasil vem recebendo é um dos fatores que impulsiona a valorização do real frente ao dólar. A bolsa de valores de São Paulo, a B3, registra uma alta de 7,70% nesses investimentos em 2022.

De forma simples, a regra segue a lei da oferta e demanda: se o investidor de fora coloca mais dólares na economia brasileira, haverá um volume maior da moeda por aqui. E quanto maior a oferta, menor o preço.

Neste ano, o investimento estrangeiro na bolsa passa dos US$ 50 bilhões.

Estados Unidos fazem mudança histórica no dólarEstados Unidos fazem mudança histórica no dólar

Aumento dos preços das commodities

O aumento dos preços das commodities no mercado internacional também fortalece o real, uma vez que há um forte ingresso de dólares no país com a venda de produtos, como soja, minério de ferro e petróleo, explicou André Perfeito, economista-chefe da Necton.

O preço do barril de petróleo teve média de US$ 44 em 2020 e chegou a US$ 70 no ano seguinte. O agravamento do conflito na Rússia deu novo impulso aos preços do insumo, que agora passam de US$ 100.

Brasil é o país com maior queda do dólar em 2022; entenda por quêBrasil é o país com maior queda do dólar em 2022; entenda por quê

Taxas de juros

A alta da Selic também atrai estrangeiros para o Brasil, via investimentos em renda fixa. Depois da última decisão do Copom, o Brasil voltou a ter o maior juro real (descontada a inflação) do mundo – pagando, assim, um retorno atrativo ao capital externo.

Segundo Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, os juros dos EUA, que subiram pela primeira vez em cinco anos, também ajudam a cotação do dólar a baixar por aqui: diante da postura mais agressiva do Federal Reserve, o BC dos EUA, para combater a inflação por lá (que atingiu o maior nível em 40 anos), os investidores norte-americanos estão se desfazendo de suas aplicações na bolsa, já prevendo o crescimento mais tímido da economia do país e das próprias empresas em que investem.

"Os investidores passaram a ver o Brasil como um mercado interessante entre os emergentes", explicou o sócio da Tendências.


O dólar deve continuar em queda?

Na avaliação dos especialistas, será preciso ter cautela a partir do segundo trimestre, quando as eleições no Brasil entrarão no foco dos investidores, fazendo com que o dólar volte a subir, afirmou Silvio Campos Neto, da Tendências.

"Temos riscos consideráveis no Brasil. E o processo eleitoral deste ano vai gerar muito ruído", alertou o economista.

Movimentação de passageiros que buscam realizar exame para detecção da Covid-19 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP — Foto: AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Movimentação de passageiros que buscam realizar exame para detecção da Covid-19 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP — Foto: AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

É hora de comprar dólares?

Para quem tem dinheiro guardado ou tem de viajar a trabalho, os especialistas recomendam comprar dólares o quanto antes para aproveitar a cotação atual – já que ela pode não durar muito.

"A queda do dólar não deve ser muito duradoura por conta do risco Brasil, principalmente em ano de eleição. Temos muitas coisas importantes acontecendo no exterior e aqui [no Brasil] temos um processo eleitoral carregado de incertezas", conclui o sócio da Tendências. 
E de viajar ao exterior?

Segundo os especialistas, não. E para explicar a negativa, é necessário fazer uma ponderação: apesar de o dólar ter alcançado R$ 5, em 10 de fevereiro de 2020, ela valia R$ 4,32. Ou seja, a moeda norte-americana ainda está bastante valorizada no Brasil — encarecendo o custo de viagens internacionais e de compras no exterior.

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quinta-feira, 17 de março de 2022

Copom eleva Selic para 11,75% ao ano; juro básico da economia está no maior patamar desde 2017

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Nono aumento seguido na taxa é medida para conter a inflação. Processo de elevação da Selic teve início em março do ano passado.
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Por Ana Paula Castro, g1 — Brasília

Postado em 17 de março de 2022 às 06h20m

Post. N. =  0.446

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (16), por unanimidade, elevar a taxa Selic de 10,75% ao ano para 11,75% ao ano – alta de um ponto percentual.

É o nono aumento consecutivo na taxa. Com isso, a Selic alcançou o maior nível desde abril de 2017, quando estava em 12,25% ao ano. Ou seja, o maior nível em quase cinco anos.

Antes desse ciclo de altas, entre agosto de 2020 e fevereiro de 2021, a Selic tinha ficado estacionada no mínimo histórico de 2% ao ano. Veja a trajetória no gráfico abaixo:

A evolução da taxa Selic
Desde 2017, em % ao ano
131312,2512,2511,2511,2510,2510,259,259,258,258,257,57,5776,756,756,56,56,56,56,56,56,56,56,56,5665,55,5554,54,53,753,75332,252,25222222222,752,753,53,54,254,255,255,256,256,257,757,759,259,2510,7510,7511,7511,75jan/17abr/17jul/17out/17fev/18mai/18ago/18out/18fev/19mai/19jul/19out/19fev/20mai/20ago/20out/20jan/21mai/21ago/21out/21fev/2202,557,51012,515
Fonte: Banco Central

De acordo com projeções de analistas do mercado financeiro, a Selic deve voltar a subir nos próximos meses. A previsão é de que o juro básico suba para 12,5% ao ano no começo de maio e para 12,75% ao ano em meados de junho, permanecendo neste patamar até o fim de 2022.

O aumento da taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para enfrentar a inflação. A sequência de altas na Selic, portanto, é uma tentativa do Copom de conter o movimento de alta de preços registrado nos últimos meses.

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Guerra e incerteza fiscal

Em comunicado, o comitê avaliou que o conflito entre a Rússia e a Ucrânia aumentou as incertezas em relação ao cenário econômico em todos os países.

“O choque de oferta decorrente do conflito tem o potencial de exacerbar as pressões inflacionárias que já vinham se acumulando tanto em economias emergentes quanto avançadas”, explicou em nota.

Um dos fatores que podem intensificar a alta de preços, de acordo com o Copom, são as políticas fiscais do governo.

“Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que a incerteza em relação ao arcabouço fiscal mantém elevado o risco de desancoragem das expectativas de inflação”, afirmou.

O comitê também reforçou que continuará a adotar as medidas necessárias para conter a inflação.

“O momento exige serenidade para avaliação da extensão e duração dos atuais choques. Caso esses se provem mais persistentes ou maiores que o antecipado, o Comitê estará pronto para ajustar o tamanho do ciclo de aperto monetário”, defendeu o Copom.

Segundo a nota, o comitê já prevê um “ajuste da mesma magnitude” na próxima reunião.

Um ano de juros em alta

Com a decisão desta quarta, o atual ciclo de alta dos juros completa um ano. O processo de elevação da taxa Selic teve início em março do ano passado.

Uma das consequências da alta dos juros é o aumento das taxas bancárias. No ano passado, a elevação do juro bancário foi o maior em seis anos.

Ao encarecer os empréstimos, a alta da Selic influencia negativamente no consumo da população e nos investimentos produtivos. Dessa maneira, impacta negativamente o Produto Interno Bruto (PIB), o emprego e a renda.

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