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domingo, 5 de abril de 2026

Colapso do turismo: lojas de luxo em Dubai sentem baque da guerra no Oriente Médio

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A imagem de refúgio seguro para ricos e de paraíso das compras de luxo que Dubai havia construído levou um duro golpe quando mísseis e drones iranianos atingiram o país.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 05 de Abril de 2.026 às 06h00m
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Shopping pouco baixo movimento em Dubai — Foto: Reprodução/TV Globo
Shopping pouco baixo movimento em Dubai — Foto: Reprodução/TV Globo

Louis Vuitton, Dior, Louboutin... No 'Mall of the Emirates', em Dubai, as lojas de luxo estão alinhadas umas ao lado das outras, quase idênticas. Mas, após um mês de guerra no Oriente Médio, seus corredores estão longe da agitação habitual e seus vendedores passam as horas quase sem clientes.

"Não se deve vir para Dubai neste momento. É perigoso, estamos em guerra. Para mim é diferente, eu sou daqui; se eu morrer, morro com minha família", diz uma das poucas clientes da Chanel, que prefere não se identificar.

Os vendedores, impecavelmente vestidos com ternos, garantem que receberam a ordem de não falar. Ainda assim, um deles descreve brevemente o ambiente geral. "Claro que há menos clientes, mas isso se nota sobretudo nos turistas; os locais continuam vindo. E, por sorte, temos muita clientela local, aqui ninguém está em pânico".

A imagem de refúgio seguro para ricos expatriados e de paraíso das compras de luxo que Dubai havia construído levou um duro golpe quando mísseis e drones iranianos atingiram alguns de seus locais mais emblemáticos no início do conflito desencadeado pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Os turistas fugiram, mas a indústria do luxo tenta se manter positiva. "O sentimento predominante", passado o "espanto" dos últimos dias, "é de que a situação é temporária, de que tudo será resolvido rapidamente", afirma um agente do setor sob condição de anonimato.

Veja o momento em que hotel de luxo de Dubai é atingido por retaliação iraniana
Veja o momento em que hotel de luxo de Dubai é atingido por retaliação iraniana

Queda nas vendas

Entre 6% e 8% do faturamento mundial das grandes marcas de luxo vem do Oriente Médio, segundo analistas da consultoria Bernstein.

Os especialistas estimam que as vendas de artigos de luxo em março podem cair pela metade nesta região, sobretudo devido ao colapso do turismo, tanto o de visitantes quanto o de passageiros em trânsito, com os grandes aeroportos de Dubai, Doha e Abu Dhabi fechados ou operando de forma reduzida.

Mais da metade das boutiques de luxo da região está localizada na Arábia Saudita e nos Emirados. Entre elas, as que registram as melhores vendas estão concentradas no Dubai Mall, outro gigantesco centro comercial da cidade.

Com suas cascatas internas, seu aquário gigante, 1.200 lojas e mais de 110 milhões de visitantes por ano, este colosso da opulência ostenta o título de lugar mais frequentado do planeta. Mas, em plena guerra, o local perdeu seu ritmo frequente. Não se veem grupos de turistas, mas os clientes habituais continuam ali.

Para não "gerar preocupações inúteis" ou prejudicar a "reputação" dos Emirados, a incorporadora imobiliária Emaar proibiu as lojas de fechar ou reduzir os horários de funcionamento.

Segundo analistas da Bernstein, os níveis de visitação "despencaram" e várias marcas realocaram seus vendedores para tarefas de prospecção on-line, uma estratégia que se mostrou eficaz, garantem, um cenário semelhante como "durante a pandemia de Covid".

De acordo com um profissional do setor, o pior cenário seria que o conflito se prolongasse com ataques esporádicos no Golfo, algo que poderia comprometer de forma duradoura a atratividade de Dubai.

Cerca de 20 milhões de turistas visitaram Dubai no ano passado – uma das principais atrações do emirado é o Burj Khalifa, edifício mais alto do mundo — Foto: David Davies/empics/PA Wire/picture alliance via DW
Cerca de 20 milhões de turistas visitaram Dubai no ano passado – uma das principais atrações do emirado é o Burj Khalifa, edifício mais alto do mundo — Foto: David Davies/empics/PA Wire/picture alliance via DW

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sábado, 4 de abril de 2026

Como o tarifaço de Trump remodelou o comércio global

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Um ano após os anúncios do "Dia da Libertação", os fluxos de transações pelo planeta não são os mesmos. Dados comerciais mostram quais países ganharam, quais perderam — e quem está pagando a conta.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 04 de Março de 2.026 às 06h00m
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Trump durante anúncio do tarifaço em abril de 2025 — Foto: Carlos Barria/Reuters
Trump durante anúncio do tarifaço em abril de 2025 — Foto: Carlos Barria/Reuters

Em 2 de abril de 2025, Donald Trump surpreendeu o mundo ao anunciar a "independência econômica" dos Estados Unidos, com a imposição de tarifas de importação a todos os países.

Desde então, o presidente americano tem se mostrado disposto a manter a medida, mesmo com a Suprema Corte questionando a legalidade do tarifaço.

A DW analisou dados comerciais sobre a origem das importações dos EUA ao longo do último ano para entender os efeitos das tarifas de Trump.

Como o mundo vem se ajustando a essa nova ordem econômica? E quem está se beneficiando dessas mudanças?

2 de abril de 2025: Casa Branca anuncia as tarifas do "Dia da Libertação"

No anúncio do tarifaço, no chamado "Dia da Libertação", a Casa Branca informou que todos os países — com algumas exceções devido a sanções e acordos comerciais pré-existentes — seriam submetidos a uma sobretaxa básica de 10% sobre todas as importações.

Além disso, 85 países que exportam mais para os EUA do que importam seriam alvo de tarifas mais altas, que chegavam a até 50%.

"Não acho que as pessoas esperavam que o governo dos EUA basicamente declarasse uma guerra comercial contra o mundo inteiro", afirma Haishi Li, economista da Universidade de Hong Kong, cuja pesquisa se concentra em como tarifas e sanções afetam o comércio global.

O impacto foi imediato, e os mercados financeiros globais despencaram. Enquanto Trump insistia publicamente que "as grandes empresas não estão preocupadas com tarifas", o governo americano decidiu, em 9 de abril, fazer uma pausa de 90 dias em todas as tarifas acima da taxa básica de 10%.

Durante essa suspensão, diversos parceiros comerciais, como União Europeia, Vietnã e Reino Unido, correram para negociar acordos comerciais na tentativa de reduzir as tarifas anunciadas. As negociações com a China permaneceram tumultuadas nos meses seguintes, com rodadas de ameaças de tarifas recíprocas que chegaram a até 125%.

Após múltiplas extensões de última hora da pausa de 90 dias, as tarifas específicas por país entraram em vigor em 7 de agosto de 2025.

O Brasil acabou sendo penalizado com uma tarifa adicional de 40%. Isso elevou para 50% a alíquota extra imposta às exportações brasileiras a partir de 6 de agosto. A sobretaxa, porém, foi revertida por decisão do próprio Trump no fim de novembro.

Início de 2025: importadores dos EUA fazem estoques prevendo tarifas

Mesmo antes de abril, já era claro que mudanças estavam a caminho. "As tarifas vão nos deixar ricos pra caramba", declarou Trump ao iniciar seu segundo mandato, em janeiro de 2025.

As empresas americanas entenderam o recado. Em uma corrida para encher armazéns antes do aumento de custos, ampliaram drasticamente os pedidos e trouxeram para o país, entre janeiro e março, um volume de bens 20% maior do que a média de 2022 a 2024 — um salto equivalente a cerca de 184 bilhões de dólares (R$ 949 milhões).

Prevendo tarifas mais altas sobre barras de ouro, por exemplo, os EUA importaram cerca de 50 vezes o volume habitual no início de 2025, totalizando aproximadamente 72 bilhões de dólares (R$ 371 bilhões) — principalmente da Suíça, mas também de fornecedores menos tradicionais, como Uzbequistão, Filipinas e Zimbábue.

Grandes fabricantes em toda a Ásia também registraram fortes altas, com Taiwan, Vietnã e Índia exportando volumes acima do normal para os Estados Unidos nesse período.

Abril a julho de 2025: empresas americanas migram para países com tarifas mais baixas

O período de suspensão implementado em 9 de abril deu aos importadores americanos uma janela de três meses para se adaptar à nova situação.

Um estudo de Haishi Li e colegas constatou que as empresas tentaram deslocar suas cadeias de suprimentos para países com menor risco tarifário. "As importações se comportaram como a água, fluindo de países com tarifas altas para países com tarifas baixas", disse Li à DW.

Nenhum país sofreu uma redução maior do que a China, que enfrentou as ameaças tarifárias mais altas e voláteis. Entre abril e julho de 2025, os EUA importaram 66 bilhões de dólares a menos da China do que nos anos anteriores.

O Canadá, que enfrentou ameaças de tarifas de 25%, também registrou uma queda significativa de 24 bilhões de dólares. No entanto, o país parece ter compensado essa redução ao ajustar seu comércio com outros parceiros: no total, as exportações canadenses em 2025 ficaram apenas 1,6 bilhão abaixo das de 2024.

"Os países que mais se beneficiaram do tarifaço foram os 'países dos 10%', como Austrália e várias nações da América Latina", aponta Haishi Li.

Mas algumas nações sujeitas a taxas elevadas também registraram forte aumento nas exportações para os EUA: Vietnã, Tailândia e Taiwan enfrentaram algumas das chamadas "tarifas recíprocas" mais altas — 46%, 36% e 34%, respectivamente — e, ainda assim, os EUA registraram um acréscimo de 34 bilhões de dólares em importações de Taiwan apenas entre abril e julho.

"Os importadores americanos buscaram países que pudessem servir como substitutos para a China", explica o economista da Universidade de Hong Kong.

Muitos fabricantes em Taiwan e no Vietnã já mantinham laços fortes com empresas dos EUA, reforçados durante a disputa comercial com a China no primeiro mandato de Trump, o que já havia deslocado parte da produção e das cadeias de suprimentos para essas e outras economias asiáticas.

Americanos arcam com maior parte dos custos

Até agora, a medida não trouxe a produção de volta para os Estados Unidos, afirma Alex Durante, economista-sênior do think tank americano Tax Foundation, que analisou o impacto doméstico do tarifaço de Trump.

"O último ano foi bastante ruim para a indústria e para o emprego", diz ele à DW. "Os setores que estão crescendo tendem a ser aqueles relativamente protegidos das tarifas, devido a isenções como as concedidas a computadores e produtos ligados à inteligência artificial."

Mesmo com a mudança na origem das compras, o valor total das importações voltou ao normal pouco depois do anúncio do "Dia da Libertação", em 2 de abril.

Um dos números que mais cresceram foi a arrecadação alfandegária dos EUA. Em 2025, o Tesouro americano recolheu 287 bilhões de dólares em tarifas e impostos, aproximadamente o triplo do registrado em anos anteriores. Dados preliminares indicam que 2026 deve ultrapassar esse total.

Essa arrecadação representou cerca de 5% de todos os impostos coletados nos Estados Unidos em 2025. Estudos mostram que as tarifas mais altas têm sido pagas quase integralmente pelos importadores americanos, e não por exportadores estrangeiros.

Como resultado, os consumidores dos EUA acabaram arcando com a maior parte dos custos.

"Estimamos que as tarifas custaram, na prática, cerca de mil dólares por domicílio americano em 2025", afirma Alex Durante, da Tax Foundation. "Esse é o efeito cumulativo de as empresas aumentarem preços, reduzirem investimentos, cortarem empregos ou diminuírem salários para se ajustar às tarifas."

Incerteza assombra exportadores

No cenário internacional, os meses desde agosto de 2025 têm sido marcados por acordos comerciais fechados às pressas — e desfeitos com a mesma rapidez —, além de novas rodadas de ameaças tarifárias direcionadas a países ou grupos específicos de produtos.

O comércio global, afirma Haishi Li, tornou-se muito mais incerto. "Se você perguntar a acadêmicos, formuladores de políticas nos EUA ou a qualquer pessoa o que vai acontecer neste ano, acredito que ninguém saiba responder", diz o economista.

O choque mais recente nesse equilíbrio já frágil do sistema tarifário dos EUA veio com a decisão da Suprema Corte, em fevereiro, que derrubou a base legal das tarifas do "Dia da Libertação".

Com uma nova alíquota geral de 15% em vigor e o governo americano aparentemente determinado a encontrar outras formas de aplicar tarifas mais altas, exportadores e importadores tentam prever o que os próximos meses trarão.

Para se adaptar a essa incerteza, diz Haishi Li, os governos podem priorizar o apoio a empresas que busquem novos mercados fora dos EUA. "Se conseguirem diversificar suas cadeias de suprimentos, isso as tornará mais resilientes — o que pode ser um ponto positivo em meio a esse cenário", finaliza.

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Dólar cai e fecha a R$ 5,15 com otimismo por trégua na guerra; Ibovespa sobe

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A moeda americana recuou 0,43%, cotada a R$ 5,1566. Já o principal índice da bolsa de valores brasileira avançou 0,26%, aos 187.953 pontos.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 01 de Abril de 2.026 às 10h00m
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O dólar fechou em queda de 0,43% nesta quarta-feira (1º), cotado a R$ 5,1566. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,26%, aos 187.953 pontos.

Sinais de uma possível redução das tensões na guerra no Oriente Médio aumentaram o otimismo dos investidores, com impacto positivo nos mercados.

▶️ O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o conflito com o Irã pode chegar ao fim em duas a três semanas, mesmo sem um acordo formal com Teerã. O republicano também disse, na terça-feira, que o país deixará o território persa “muito em breve”.

  • 🔎 Com a possibilidade de redução dos conflitos, os preços do petróleo recuam no mercado internacional. Por volta das 17h (horário de Brasília), os contratos do barril do Brent para junho caíam 2,90%, a US$ 100,95.

▶️ No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo fará esforços para evitar uma alta no preço do diesel, combustível que influencia o custo dos alimentos. Ele também disse que a guerra no Irã não pode prejudicar os brasileiros.

▶️ Entre as medidas, o governo federal e os estados anunciaram uma subvenção a importadores. O incentivo será de R$ 1,20 por litro, sendo metade bancada pela União e metade pelos estados.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -1,62%;
  • Acumulado do mês: -0,43%;
  • Acumulado do ano: -6,05%.
📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +3,52%;
  • Acumulado do mês: +0,26%;
  • Acumulado do ano: +16,65%.
Trump sinaliza saída da guerra no Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que a participação americana no conflito pode terminar em breve.

Na terça-feira (31), ele afirmou que os EUA devem deixar o Irã muito em breve e disse que Teerã não precisa necessariamente assinar um acordo formal para que os ataques sejam interrompidos.

Uma reportagem publicada na segunda-feira (30) pelo "The Wall Street Journa", citando fontes do governo americano, afirmou que Trump teria dito a assessores que está disposto a encerrar a guerra mesmo que o Estreito de Ormuz continue fechado.

Segundo o jornal, o presidente e seus conselheiros avaliam que uma operação militar para reabrir completamente a rota marítima poderia prolongar o conflito além do prazo de seis semanas prometido por Trump.

A estratégia discutida pelo governo seria concentrar os ataques em alvos militares considerados centrais, como a marinha iraniana e a capacidade de lançamento de mísseis do país. Depois dessa fase, os ataques seriam reduzidos, em uma tentativa de pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz.

As declarações do presidente também vieram acompanhadas de críticas a aliados dos EUA. Trump afirmou que outros países deveriam buscar seu próprio petróleo e reclamou da falta de maior envolvimento desses governos no esforço militar.

Ele também voltou a ameaçar reduzir o apoio militar a aliados europeus, citando especialmente o Reino Unido.

Segundo Trump, o governo britânico poderia ter de lidar sozinho com eventuais confrontos no Estreito de Ormuz — embora o país não tenha participado diretamente da guerra.

O presidente ainda sugeriu que países europeus passem a comprar petróleo dos EUA, afirmando que o país tem bastante.

Os efeitos do conflito também começam a aparecer em alguns mercados.

Nos EUA, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão na terça-feira, o nível mais alto desde 2022. O aumento dos combustíveis pode trazer pressão adicional para a economia americana em um ano de eleições para o Congresso.

Mercados globais

Em Wall Street, os principais índices fecharam em alta. O Dow Jones subiu 0,48%, aos 46.565,86 pontos, enquanto o S&P 500 avançou 0,69%, aos 6.573,89 pontos, e o Nasdaq teve ganhos de 1,16%, aos 21.840,95 pontos.

Na Europa, as bolsas fecharam com ganhos generalizados. O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 2,41%, aos 597,19 pontos.

Entre os principais mercados, o FTSE 100, de Londres, avançou 1,85%, aos 10.364,79; o DAX, de Frankfurt, teve alta de 2,73%, aos 23.298,89; e o CAC 40, de Paris, ganhou 2,10%, aos 7.981,27.

Na Ásia, os mercados fecharam em alta. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 2,2%, para 25.339,45 pontos, enquanto o índice composto de Xangai terminou o dia com alta de 1,5%, aos 3.948,55 pontos. Já o Nikkei, de Tóquio, subiu 5,2%, para 53.739,68 pontos.

* Com informações da agência de notícias Reuters.

Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik
Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik

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terça-feira, 31 de março de 2026

O que foi a crise do petróleo dos anos 1970 - situação atual pode ser pior?

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Embora ambas as crises envolvam o petróleo, especialistas afirmam que há diferenças importantes entre o que ocorreu nos anos 1970 e o cenário atual.
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TOPO
Por Rachel Clun

Postado em 31 de Março de 2.026 às 16h20m
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O colapso do petróleo nos anos 1970 desencadeou uma crise econômica e financeira global — Foto: James Pozarik/Liaison via Getty Images
O colapso do petróleo nos anos 1970 desencadeou uma crise econômica e financeira global — Foto: James Pozarik/Liaison via Getty Images

O fechamento por quase um mês de uma via crucial para o fornecimento global de energia, o Estreito de Ormuz, tem levado a alertas de que o mundo está caminhando em direção a problemas piores do que aqueles causados na crise do petróleo dos anos 1970.

Lars Jensen, especialista em transporte marítimo e ex-diretor da Maersk, uma das maiores companhias marítimas do mundo, afirmou à BBC que o impacto da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pode, aliás, ser "substancialmente maior" do que o caos econômico de 50 anos atrás.

A opinião de Jensen se segue ao alerta feito pelo diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, no início deste mês, de que o mundo estava "enfrentando a maior ameaça da história à segurança energética global".

A AIE é um organismo internacional que coordena a política energética e as reservas estratégicas de petróleo de 32 países industrializados.

"É muito maior do que o que tivemos nos anos 1970, com os choques do preço do petróleo. É também muito maior do que o choque do preço do gás natural que tivemos com a invasão russa na Ucrânia", disse Jensen à BBC.

Mas, ainda que o fechamento do Estreito de Ormuz cause a ruptura das cadeias globais de suprimentos, alguns especialistas afirmam que o mundo hoje é mais resiliente a impactos desse tipo do que aquele dos anos 1970.

O que aconteceu na crise do petróleo dos anos 1970?

A crise do petróleo dos anos 1970 foi "fundamentalmente diferente" da atual. O primeiro choque do petróleo naquela época foi "resultado de uma decisão política deliberada", explicou a economista e chefe executiva da Crystol Energy, Carole Nakhle, em entrevista à BBC.

Em outubro de 1973, os produtores árabes de petróleo impuseram um embargo a um grupo de países liderados pelos EUA por causa do apoio a Israel durante a Guerra do Yom Kippur. O embargo foi acompanhado de uma ação coordenada para reduzir a produção de petróleo.

A Guerra do Yom Kippur teve início em 6 de outubro de 1973, quando uma coalizão árabe liderada pelo Egito e pela Síria lançou um ataque combinado contra Israel, coincidindo com o feriado do Yom Kippur, um dia sagrado para os judeus.

O então presidente egípcio, Mohamed Anwar el-Sadat, e o mandatário sírio, Hafez al-Assad, queriam recuperar territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias de 1967.

Em meio à Guerra Fria, aparatos militares começaram a chegar da União Soviética para seus aliados sírios e egípcios, enquanto os EUA começaram a enviar material militar para Israel, o que irritou o mundo árabe.

Com o embargo e o corte da produção de petróleo no Oriente Médio, "o preço do petróleo quase quadruplicou em poucos meses", conta Nakhle.

A explosão dos preços levou a racionamentos nos países que eram grandes consumidores de petróleo e seus derivados, levando a uma "crise econômica e financeira global" com consequências duradouras.

Tiarnán Heaney, pesquisador da Queen's University Belfast, na Irlanda do Norte, explica que o aumento do preço do petróleo elevou a inflação, "resultando em cortes nos negócios e alta do desemprego".

"Isso levou a uma reação em cadeia que atingiu o tecido social de muitos países com greves, tumultos e aumento da pobreza, já que muitas pessoas sofreram para fechar a conta", afirma Heaney.

Tanto os EUA quanto o Reino Unido tiveram recessões de 1973 a 1975, com a crise contribuindo para a queda do governo do conservador britânico Ted Heath em 1974.

O Brasil, que vivia o chamado "milagre econômico", havia aumentado seu PIB (soma de todas as riquezas produzidas) em 14% em 1973. Mas, com o choque do petróleo, a alta anual do PIB caiu para 9% no ano seguinte e 5,2% em 1975. O crédito, que antes era farto, ficou de repente escasso.

A economia brasileira, tão dependente de empréstimo estrangeiro, passou a enfrentar dificuldade. A rolagem da dívida externa teve de ser feita a juros mais elevados, o que deteriorou as contas públicas do país.

Um segundo choque do petróleo veio em 1979, com a Revolução Islâmica do Irã.

O que está acontecendo na atual crise do petróleo?

Desde que os EUA e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã, em 28/2, o Estreito de Ormuz foi praticamente fechado para o tráfego de navios cargueiros.

Esse fechamento levou a interrupções nas cadeias de fornecimento de petróleo, gás e outros produtos essenciais a partir de países do Golfo, que normalmente exportam cerca de 20% do petróleo global.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tentou várias táticas para reativar o tráfego pelo Estreito de Ormuz, incluindo pedir a nações aliadas que enviassem embarcações militares para escoltar os cargueiros e ameaçar ampliar os ataques ao Irã se o país persa não permitisse a passagem segura de embarcações pelo Estreito de Ormuz.

Mas Jensen, especialista em transporte que agora atua na consultoria Vespucci Maritime, afirmou ao programa Today, da BBC, que muito do petróleo que deixou o Golfo há mais de um mês ainda está chegando às refinarias ao redor do mundo. Mas esse fluxo vai parar em breve.

"A falta de petróleo que temos visto vai piorar, mesmo se o Estreito de Ormuz for magicamente reaberto amanhã", disse Jensen. "Nós vamos enfrentar preços de energia massivos não apenas enquanto a crise continuar, mas também por 6 a 12 meses depois que ela acabar." 
A crise atual poderia ser pior do que a dos anos 1970?

Nakhle, executiva da Crystol Energy e secretária-geral do Clube Árabe de Energia, ressalta dois pontos: o mercado do petróleo é mais diversificado do que o dos anos 1970 e o seu peso relativo ao tamanho da economia global caiu bastante.

Para Nakhle, ainda que os preços estejam altos, a crise atual não é tão grave quanto a dos anos 1970.

"Ainda que o tamanho dos impactos seja significante, sem dúvida os maiores da história recente, o mercado é muito mais resiliente do que o dos anos 1970", afirma. "Ele é mais diverso, menos ligado ao petróleo, e mais bem equipado com 'para-choques' e mecanismos emergenciais de resposta."

Heaney, pesquisador da Queen's University Belfast, afirma que algumas diferenças entre as duas crises podem favorecer o mundo hoje, incluindo um melhor entendimento sobre as economias e mais países além do Oriente Médio com reservas de petróleo.

"O melhor cenário é o conflito acabar o mais rápido possível e uma certa estabilidade ser restaurada, diz Heaney.

Alicia Garcia Herrero, economista-chefe para Ásia-Pacífico da Natixis CIB, afirma que os choques de petróleo dos anos 1970 levaram os preços às alturas com o corte de 5% a 7% do fornecimento global. Por outro lado, afirma Garcia Herrero, a crise atual afeta 20% dos suprimentos globais de petróleo.

"A crise da guerra no Irã pode acabar sendo um choque maior [do que o dos anos 1970] se a situação não melhorar logo", diz ela, acrescentando que a crise também afeta o suprimento de gás e outros produtos refinados.

"As consequências disso é que podemos vivenciar aumentos acentuados dos preços, uma inflação mais ampla e maiores riscos de recessão, especialmente em países da Ásia que importam bastante desse petróleo", afirma Garcia Herrero. "Reservas e eficiência oferecem certa margem que os episódios dos anos 1970 não tiveram, mas a escala da perda de suprimentos torna isso muito pior, sem solução rápida à vista."

Reportagem adicional de Luis Barrucho

Trump sugere que aliados busquem petróleo no Esteiro de Ormuz à força
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