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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Desemprego sobe a 6,1% no trimestre até março, mas mantém mínima histórica para o período

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A taxa avançou no trimestre, com aumento do número de desocupados, mas segue abaixo do nível de um ano antes; renda e ocupação mostram desempenho positivo na comparação anual.

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Por Janize Colaço, g1 — São Paulo

Postado em 01 de Maio de 2.026 às 18h00m
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Desemprego sobe para 6,1% no 1º trimestre
Desemprego sobe para 6,1% no 1º trimestre

A taxa de desocupação ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, segundo a PNAD Contínua divulgada nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. O resultado veio em linha com as expectativas do mercado e é o menor nível já registrado para esse período do ano desde o início da série, em 2012.

Apesar disso, o número de pessoas sem trabalho aumentou no curto prazo. Ao todo, 6,6 milhões estavam desocupadas, alta de 19,6% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a mais 1,1 milhão de pessoas.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, houve queda de 13%, com 987 mil pessoas a menos nessa condição.

Já o total de ocupados somou 102 milhões. Esse contingente recuou 1,0% no trimestre, mas avançou 1,5% em relação ao ano anterior, indicando uma recuperação ao longo de períodos mais longos.

Esse movimento também aparece no nível de ocupação, que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada. O indicador ficou em 58,2%, com queda de 0,7 ponto percentual frente ao trimestre anterior e alta de 0,4 ponto na comparação anual.

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, a variação está associada a fatores típicos do início do ano, quando alguns setores passam por ajustes no número de trabalhadores.

No comércio, por exemplo, a perda de pessoal se concentrou principalmente em ocupações como vendedores, balconistas e atendentes. Houve também um movimento na educação fundamental, especialmente na rede pública municipal, ligado ao ciclo de contratos temporários, explicou.

Para a pesquisadora, esse padrão costuma se repetir nesse período e ajuda a entender os resultados. Esse é um comportamento que, de modo geral, ocorre nos primeiros trimestres de cada ano, e este não foi diferente.

Já a taxa composta de subutilização ficou em 14,3% no trimestre encerrado em março. O indicador subiu 0,9 ponto percentual em relação ao período anterior, mas recuou 1,6 ponto na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

Ao todo, 16,3 milhões de pessoas estavam nessa condição. Esse contingente aumentou 6,6% no trimestre, com mais 1 milhão de pessoas, mas caiu 10,1% em um ano, o equivalente a 1,8 milhão a menos.

Veja os destaques da pesquisa

  • Taxa de desocupação: 6,1%
  • População desocupada: 6,6 milhões de pessoas
  • População ocupada: 102 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,5 milhões
  • População desalentada: 2,7 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 39,2 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,3 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 26 milhões
  • Trabalhadores informais: 38,1 milhões
  • Taxa de informalidade: 37,3%

Entre os grupos que compõem esse indicador, o número de pessoas que trabalham menos horas do que gostariam ficou em 4,4 milhões, sem variações relevantes nas duas comparações.

Já a população fora da força de trabalho somou 66,5 milhões, estável no trimestre e com alta de 1,3% em um ano, o que representa mais 841 mil pessoas.

população desalentada, que reúne aqueles que desistiram de procurar emprego, ficou em 2,7 milhões. Esse grupo não apresentou mudança significativa no trimestre, mas recuou 15,9% na comparação anual, com 509 mil pessoas a menos.

  • 🔎 Os desalentados são pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acharem que não encontrariam, por falta de qualificação ou de oportunidades na região onde moram, por exemplo.
Vínculos, informalidade e renda

número de trabalhadores no setor privado somou 52,4 milhões no trimestre encerrado em março. Esse total recuou 1,0% em relação ao período anterior, com menos 527 mil pessoas, mas avançou 1,1% na comparação anual, o equivalente a 583 mil a mais.

Dentro desse grupo, o emprego com carteira assinada permaneceu estável no trimestre, em 39,2 milhões, e cresceu 1,3% em um ano. Já os sem carteira, de 13,3 milhões, caiu 2,1% no trimestre e não apresentou variação relevante na comparação anual.

No setor público, o número de ocupados ficou em 12,7 milhões, com queda de 2,5% no trimestre e alta de 3,7% em um ano. Entre os trabalhadores por conta própria, o total chegou a 26,0 milhões, estável no trimestre e com crescimento de 2,4% na comparação anual.

A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores. O índice recuou em relação ao trimestre anterior e também na comparação com o mesmo período do ano passado.

Os rendimentos seguiram em alta. O ganho médio habitual chegou a R$ 3.722, com avanço de 1,6% no trimestre e de 5,5% em um ano, atingindo o maior valor da série.

Esse movimento também se refletiu no total de rendimentos pagos à população. A massa de renda somou R$ 374,8 bilhões, estável no trimestre e 7,1% maior na comparação anual, também no maior nível já registrado.

Renda avança em alguns setores

O rendimento médio mensal apresentou aumento em poucos setores na comparação com o trimestre anterior. As altas ficaram concentradas em comércio e em atividades ligadas ao setor público, enquanto os demais segmentos não registraram mudanças relevantes.

Entre os destaques do trimestre:

  • 🛒 Comércio e reparação de veículos: alta de 3,0% (mais R$ 86)
  • 🏛️ Administração pública, educação e saúde: alta de 2,5% (mais R$ 127)

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço da renda foi mais disseminado e atingiu diferentes áreas da economia. Nesse caso, seis grupos apresentaram crescimento, enquanto os demais permaneceram sem variação significativa.

Os principais aumentos foram registrados em:

  • 🏗️ Construção: alta de 4,5% (mais R$ 124)
  • 🛒 Comércio e reparação de veículos: alta de 3,9% (mais R$ 113)
  • 💻 Informação, comunicação e atividades financeiras e profissionais: alta de 5,9% (mais R$ 291)
  • 🏛️ Administração pública, educação e saúde: alta de 4% (mais R$ 198)
  • 🧰 Outros serviços: alta de 11,4% (mais R$ 320)
  • 🏠 Serviços domésticos: alta de 4,9% (mais R$ 66)
Sinais de acomodação no mercado de trabalho

Apesar da alta do desemprego no trimestre, economistas avaliam que alguns indicadores sugerem uma leve perda de fôlego.

Para André Valério, economista sênior do Inter, a leitura exige cautela. Ele reforça que o resultado reflite a sazonalidade do período e, ao retirar esses efeitos, ele identifica uma desaceleração gradual.

Vemos a continuidade da tendência de moderação do mercado de trabalho, com a taxa alcançando 5,7% em março, o maior valor desde setembro de 2025 nessa métrica, afirmou.

Na avaliação do economista, o cenário segue positivo, mas com sinais mistos: a renda continua em alta, com avanço de 1,6% no trimestre e novo recorde, enquanto o número de desempregados cresce e a população ocupada recua.

Já Maykon Douglas ressalta que a alta do desemprego no início do ano é comum, sobretudo após o fim de contratos temporários. Ao mesmo tempo, destaca que a ocupação segue em expansão e a renda mantém ritmo consistente.

A massa salarial voltou a se acelerar, com crescimento real próximo de 6,4% em base anual, disse.

Para os próximos meses, a expectativa é de desaceleração gradual, sem uma reversão brusca. Segundo Douglas, mesmo com fatores que podem limitar o crescimento, como o cenário externo e a política de juros, o mercado de trabalho deve seguir resiliente, ainda que em ritmo mais moderado.

Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió — Foto: Jonathan Lins
Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió — Foto: Jonathan Lins

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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Dólar cai a R$ 4,95 e fecha no menor valor em mais de dois anos, com juros e petróleo no radar

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Moeda americana caiu 0,99%, cotada a R$ 4,95 — menor patamar desde março de 2024, quando fechou em R$ 4,9336. A bolsa fechou em alta de 1,39%, aos 187.318 pontos.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 30 de Abril de 2.026 às 11h00m
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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar fechou em queda de 0,99% nesta quinta-feira (30), cotada a R$ 4,9518 — o menor patamar desde 7 de março de 2024, quando encerrou a R$ 4,9336. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,39%, aos 187.318 pontos.

Indicadores econômicos no Brasil e no exterior foram os principais destaques do dia. Investidores também avaliaram as decisões de juros do Banco Central e do Federal Reserve (Fed), e seguiram atentos ao conflito no Oriente Médio.

▶️ As decisões de juros no Brasil e nos EUA vieram de acordo com o esperado pelo mercado financeiro. A guerra no Oriente Médio foi um fator comum de preocupação para os bancos centrais, que indicaram que as taxas podem permanecer mais altas para conter os efeitos da inflação.

🔎 Juros mais altos no Brasil tendem a desvalorizar o dólar no país, pois atraem investidores estrangeiros em busca de aplicações mais seguras e com maior retorno.

▶️ O mercado também avalia o impasse nas negociações de paz entre os EUA e o Irã. A expectativa é que o governo iraniano apresente um novo plano para encerrar a guerra, após Trump rejeitar a última proposta do país.

  • O bloqueio aos portos iranianos e o fechamento do Estreito de Ormuz seguem pressionando os preços do petróleo. O barril do Brent (referência internacional) fechou a US$ 118,03 na véspera, no maior patamar desde 2022.

▶️ Entre os indicadores econômicos, a inflação anual dos EUA, medida pelo PCE, registrou alta de 0,7% em março, no maior avanço desde junho de 2022. Os preços mais altos da gasolina puxaram o índice, que é um dos preferidos do Fed para análise de preços e decisão de juros.

▶️ No Brasil, o destaque é a taxa de desemprego, que ficou em 6,1% no trimestre até março de 2026, segundo o IBGE. O resultado veio em linha com o esperado e é o menor para esse período desde 2012.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,92%;
  • Acumulado do mês: -4,38%;
  • Acumulado do ano: -9,78%.
📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: -1,78%;
  • Acumulado do mês: -0,06%;
  • Acumulado do ano: +16,28%.
Petróleo toca os US$ 125

A tensão no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado de energia e levou o petróleo a níveis elevados nesta quinta-feira, chegando a ultrapassar os US$ 125 nas primeiras horas do dia, em meio à falta de avanço nas negociações entre EUA e Irã.

Os preços arrefeceram ao longo do dia, mas as dúvidas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e sobre uma solução para o conflito continuam a pairar sobre o mercado.

  • Ao final da sessão, o barril do Brent (referência internacional) fechou em queda de 3,41%, cotado a US$ 114,01 o barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estaods Unidos, caiu 1,23% na sessão, a US$ 105,57 o barril.

A volatilidade recente está diretamente ligada ao impasse geopolítico, que segue sem sinais claros de resolução:

  • a guerra já entra na nona semana, sem avanço significativo nas negociações;
  • os EUA mantêm restrições aos portos iranianos;
  • a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz permanece comprometida, afetando a oferta global.

Vale lembrar que, nos últimos dias, declarações do presidente Donald Trump ampliaram o grau de incerteza. O governo americano avalia diferentes caminhos, que vão desde intensificar a pressão até reduzir sua presença militar na região.

Do outro lado, o Irã indica que pode reagir a novos ataques e tem usado o período de cessar-fogo para reorganizar sua estrutura militar.

Mercados globais

Em Wall Street, os principais índices americanos fecharam em alta nesta quinta-feira, registrando os maiores ganhos mensais em anos. O avanço veio apoiado em resultados corporativos positivos, que acabaram compensando as preocupações com a oferta global de petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio.

Enquanto o Dow Jones subiu 1,62% na sessão, para 49.652,14, o S&P 500 avançou 1,02%, para 7.209,01 pontos e o Nasdaq Composite teve ganhos de 0,89%, aos 24.892,31 pontos.

Na Europa, o desempenho foi majoritariamente positivo. O STOXX 600 avançou 0,35%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, subiu 1,03%. O DAX, da Alemanha, teve alta de 0,28%. Na contramão, o CAC 40, da França, caiu 0,59%.

Na Ásia, os mercados fecharam em direções opostas. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 1,3%, aos 25.772,50 pontos. Já o Shanghai Composite, de Xangai, subiu 0,1%, aos 4.109,99 pontos. Em Tóquio, o Nikkei 225 caiu 1,1%, enquanto, em Seul, o KOSPI teve baixa de 1,38%.

Dólar — Foto: Heloise Hamada/G1
Dólar — Foto: Heloise Hamada/G1

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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Brasil cria 228,2 mil vagas de emprego formal em março, quase três vezes mais que 2025

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Setor de serviços foi o que mais criou emprego com carteira assinada no mês passado, com 152.391 empregos criados, seguido por construção civil, com 38.316. Dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
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Por Thiago Resende, g1 e TV Globo — Brasília

Postado em 29 de Abril de 2.026 às 17h00m
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O Ministério do Trabalho divulgou nesta quarta-feira (29) a criação de mais de 228 mil empregos com carteira assinada em março.

O resultado é quase três vezes maior que o saldo registrado em março do ano passado, quando foram registrados 79.994 empregos, e o segundo melhor desempenho para o mês na série histórica, iniciada em 2020.

O setor de serviços foi o que mais criou emprego com carteira assinada no mês passado (152.391 vagas), seguido por construção civil (38.316 vagas).

Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que o país criou menos emprego formal neste ano do que em 2025 por causa das altas taxas de juros.

"Confirmando o que estamos falando, desde 2024, que entraríamos diminuição da velocidade de crescimento. [...] O juro está muito alto e isso reduz a geração de emprego", afirmou.

Saldo para meses de março:

  • 2020: - 294.960 (negativo, fechamento de vagas)
  • 2021: 154.226
  • 2022: 99.168
  • 2023: 195.028
  • 2024: 245.599
  • 2025: 79.994

Saldo para o acumulado de janeiro a março:

  • 2020: 34.471
  • 2021: 806.569
  • 2022: 620.072
  • 2023: 537.605
  • 2024: 726.578
  • 2025: 675.119
  • 2025: 613.373
Emprego por estados

  • Em março, as unidades da federação que tiveram maior número de vagas formais criadas foram São Paulo, com 67.876 postos criados; Minas Gerais, com 38.845; e Rio de Janeiro, com 23.914 postos.
  • No acumulado do ano, o resultado foi maior em São Paulo, com 183,1 mil vagas criadas; Minas Gerais, com 70,6 mil; e Santa Catarina, com 59,4 mil.
Aplicativo da Carteira de Trabalho Digital — Foto: Agência Brasil
Aplicativo da Carteira de Trabalho Digital — Foto: Agência Brasil
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terça-feira, 28 de abril de 2026

China dobra venda de carro para Brasil e engole rivais

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País vira terceiro maior mercado para veículos do gigante asiático no 1º trimestre
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Por Marta Watanabe e Álvaro Fagundes — De São Paulo
28/04/2026 05h02 Atualizado há 0 horas 
Postado em 28 de Abril de 2.026 às 07h00m
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Lia Valls: “China tem dificuldade de elevar consumo doméstico e desova produção de carros para outros países” — Foto: Leo Pinheiro/Valor

De janeiro a março de 2026 a China exportou ao Brasil US$ 2,16 bilhões em veículos, quase o triplo dos US$ 763,8 milhões de iguais meses de 2025, o que inclui carros a combustão que, apesar de ainda serem menos representativos, dobraram de valor, mostrando que o apetite chinês pelo mercado brasileiro não se restringe aos eletrificados. O valor total de carros exportados pela China ao Brasil no primeiro trimestre deste ano também foi maior que o US$ 1,17 bilhão de igual período de 2024, até então recorde para o período.

Com o desempenho, o Brasil saltou de sétimo para o terceiro maior destino de veículos de 2025 para 2026, ainda de janeiro a março, atrás apenas de Rússia e Reino Unido. Nos eletrificados, o que inclui os elétricos puros ou os híbridos, o Brasil saiu do quinto para o terceiro lugar, atrás de Bélgica e Reino Unido. No ranking dos carros a combustão, o Brasil também ganha mais destaque, subindo da 16ª para a sétima posição. 

Os dados são da Alfândega chinesa e consideram o que foi embarcado no primeiro trimestre. Parte dos veículos está em trânsito e ainda vai aportar no Brasil. As cargas de automóveis demoram, em média, de 40 a 60 dias para o trajeto desde a China até o desembaraço em terras brasileiras. 








Agenda de elevação de tarifas de importação,câmbio favorável e período de lançamentos de modelos são alguns fatores que explicam o ritmo mais intenso de chegada de veículos chineses ao Brasil, segundo especialistas. Eles ressaltam que o espaço conquistado pelo automóvel chinês nas ruas brasileiras mostram a consolidação de marcas num contexto olítico de maior protecionismo combinado com incertezas globais e a dificuldade de Pequim para acelerar a demanda doméstica chinesa, fatores que têm contribuído para a maior aproximação das relações comerciais sino-brasileiras. 

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), que registram o que já foi desembaraçado no Brasil, mostram parte do impacto dos carros chineses. No primeiro trimestre as importações brasileiras de automóveis origem China atingiram US$ 1,5 bilhão, 552,5% a mais que iguais meses de 2025. Os chineses forneceram 65,6% dos carros que o Brasil  importou. Os argentinos vieram em segundo, com 11,3% e US$ 253,2 milhões, com queda de 25,5%, sempre de janeiro a março. 

Para Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o movimento é uma antecipação em relação ao que será o último aumento estabelecido pelo governo brasileiro no atual cronograma de elevação de taxas para importação de veículos elétricos ou híbridos. As alíquotas, lembra, devem atingir 35% em julho desteano, ante os atuais 28% para híbridos plug-in e 25% para veículos elétricos.

Os relatórios divulgados pela indústria automotiva, destaca André Valério, economista do Inter, mostram que as importações de veículos aceleraram em 2021, mas houve forte inflexão em meados de 2023, quando o debate sobre a atual agenda de elevação de tarifas de cados se intensificou. O calendário foi definido em 2023 e é aplicado desde janeiro de 2024, com alta gradativa de tarifas de importação. As alíquotas começaram em 10% e chegarão ao teto de 35% em julho. Antes disso a importação de elétricos e híbridos era livre da tarifa. Valério destaca que, além desse calendário, o movimento de aumento embarques de veículos da China ao Brasil também reflete um momento de campanha mais agressiva de vendas, em razão do ciclo da indústria automotiva, com lançamento de modelos 2026/2027.

O aumento do volume de importação de carros made in China também reflete, paralelamente, a elevação pela demanda do perfil de carro que os chineses oferecem, diz Cariello,  do CEBC. Muita gente quer comprar carro elétrico, que hoje é sinônimo de carro chinês. As pessoas veem o carro chinês rodando na rua e veem que é um produto de alta tecnologia. Cariello destaca que a China foi, de longe, o principal fornecedor de carros elétricos do Brasil, com participação de 97%, de janeiro a março. No caso dos híbridos in, o país também liderou com folga, respondendo por 89% das importações.

Segundo a Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE), 74,1% das vendas de eletrificados no Brasil em 2025 foram de fabricantes chineses. A liderança foi da BYD, com 50,4% do mercado. As vendas totais de eletrificados somaram 223,9 mil no ano passado, com alta de 26%  ante 2024.

Há uma percepção boa sobre o produto chinês, diz Cariello, que também se aplica a carros a combustão.Os chineses miram o mercado de carros elétricos, mas isso beneficia a China em outros mercados no Brasil também.

Dados da Anfavea, que reúne a indústria automotiva brasileira, mostram que de janeiro a março deste ano o nto somou 625,2 mil autoveículos, 13,3% a mais que igual período de 2025. Somando 119,1 mil, o emplacamento de importados cresceu 5,6%. Os made in China rodaram em ritmo maior. O emplacamento alcançou 54,3 mil autoveículos e subiu 68,9%. Ao divulgar os dados do primeiro trimestre, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, lembrou que no ano passado, em agosto, a China ultrapassou a Argentina no fornecimento externo de carros ao Brasil e em março completaram-se oito meses consecutivos em que os chineses são os maiores exportadores de veículos ao Brasil.

Nós diminuímos bastante as compras de veículos da Argentina, que era de onde buscávamos os importados. "Parte dos consumidores tem preferido os carros elétricos, e a China é muito competitiva e é a grande provedora, globalmente, diz Valério, do Inter. E ela entrega um pacote muito bom, um carro tecnológico por preço competitivo. E com a promessa de menor custo com combustível. Caiu por terra a imagem que o carro chinês tinha há dez, 15 anos, de carro barato, mas com problemas de peças de reposição.

Os dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), mostram que o volume de importações brasileiras de bens de consumo duráveis chineses cresceu 204,8% de janeiro a março deste ano ante iguais meses de 2025. Só em março a alta foi de 330,7%. Os eços médios, porém, mostra o Icomex, foram em sentido contrário, com queda de 9,6% de janeiro a março contra igual período de 2025. Pelos dados da Secex, os automóveis representaram 71% do que o Brasil importou em bens de consumo duráveis da China no primeiro trimestre de 2026. Na importação total brasileira de bens chineses a fatia foi de 8,2%.

Os dados da China contrastam com os da Argentina. O volume da importação brasileira de bens de consumo duráveis argentinos caiu 25,8% no primeiro trimestre enquanto os preços médios ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,3%, sempre ante igual período de 2025. As tarifas impostas pelo Brasil na importação de automóveis não foram suficientes para deter os veículos chineses, porque a China tem grande economia de escala e o preço deles acaba compensando, diz Lia Valls, professora da UERJ e pesquisadora do FGV Ibre.

O câmbio mais favorável às importações também ajudou a criar um ambiente mais propício às compras externas neste ano, diz Valls. No primeiro trimestre de 2025 o dólar custava, em média, entre R$ 5,80 e R$ 5,90. Em igual período deste ano a média ficou entre R$ 5,20 e R$ 5,30.

Para Welber Barral, sócio da BMJ, os dados do governo chinês mostram que em alguns casos houve também desvio de comércio. Ele destaca o México, que muitas vezes é via para atingir o mercado americano. De janeiro a março de 2025 as exportações chinesas de veículos aos mexicanos somaram US$ 1,4 bilhão. O México era, então, o terceiro maior destino de automóveis chineses. O lugar foi ocupado pelo Brasil e o México caiu para o 12º lugar no ranking. A exportação chinesa de veículos aos mexicanos caiu praticamente à metade de janeiro a março deste ano, para US$ 750,8 milhões.

Para outros destinos, porém, os chineses elevaram ainda mais a exportação de veículos este ano. Para os belgas, no topo do ranking de eletrificados chineses, a exportação total de automóveis do país asiático somou US$ 2,1 bilhões de janeiro a março de 2026, com alta de 47,6% ante iguais meses de 2025. Para o Reino Unido, segundo no ranking, o valor foi de US$ 2,2 bilhões, com alta de 104,3%.

Valls, do FGV Ibre, lembra o contexto geopolítico, com a rivalidade comercial entre Estados Unidos e China, acirrada na gestão do presidente americano, Donald Trump. Há também, diz, ambiente de políticas protecionistas de vários países, ao mesmo tempo em que a China tem grande produção de veículos. Isso precisa ser absorvido por outros países porque a China está com dificuldade para elevar o consumo doméstico.

Os automóveis, aponta Valls, ajudam a China a manter a posição de maior origem das importações totais brasileiras. Segundo a Secex, 26,3% de tudo o que o Brasil importou no primeiro trimestre deste ano veio do país asiático. Ao mesmo tempo, alta Valls, as relações comerciais entre Brasil e China estão se estreitando, com parcela da exportação brasileira cada vez maior para os chineses. Isso, lembra, se intensificou com a política tarifária de Trump e também com a guerra no Oriente Médio, com um embarque maior de petróleo para a China.

Para Cariello, do CEBC, o atual fluxo de os chineses ao Brasil deve continuar intenso nos próximos meses, para aproveitar a janela de oportunidade com tarifas de importação um pouco mais baixas. À frente, em prazo mais longo, diz, a expectativa é que as importações caiam porque deve haver produção mais forte das montadoras chinesas no Brasil. Ao menos cinco delas confirmaram produção local. Além de GWM e BYD, com fábricas próprias, Geely e Leapmotor têm parcerias com Renault e Stellantis, respectivamente. A GAC divulgou que começará a produzir carros no Brasil em 2027. 

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