---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
A taxa avançou no trimestre, com aumento do número de desocupados, mas segue abaixo do nível de um ano antes; renda e ocupação mostram desempenho positivo na comparação anual.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Por Janize Colaço, g1 — São Paulo
Postado em 01 de Maio de 2.026 às 18h00m
$.# Postagem - Nº 1.217 #.$

Desemprego sobe para 6,1% no 1º trimestre
A taxa de desocupação ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, segundo a PNAD Contínua divulgada nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. O resultado veio em linha com as expectativas do mercado e é o menor nível já registrado para esse período do ano desde o início da série, em 2012.
Apesar disso, o número de pessoas sem trabalho aumentou no curto prazo. Ao todo, 6,6 milhões estavam desocupadas, alta de 19,6% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a mais 1,1 milhão de pessoas.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, houve queda de 13%, com 987 mil pessoas a menos nessa condição.
Já o total de ocupados somou 102 milhões. Esse contingente recuou 1,0% no trimestre, mas avançou 1,5% em relação ao ano anterior, indicando uma recuperação ao longo de períodos mais longos.
Esse movimento também aparece no nível de ocupação, que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada. O indicador ficou em 58,2%, com queda de 0,7 ponto percentual frente ao trimestre anterior e alta de 0,4 ponto na comparação anual.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, a variação está associada a fatores típicos do início do ano, quando alguns setores passam por ajustes no número de trabalhadores.
“No comércio, por exemplo, a perda de pessoal se concentrou principalmente em ocupações como vendedores, balconistas e atendentes. Houve também um movimento na educação fundamental, especialmente na rede pública municipal, ligado ao ciclo de contratos temporários”, explicou.
Para a pesquisadora, esse padrão costuma se repetir nesse período e ajuda a entender os resultados. “Esse é um comportamento que, de modo geral, ocorre nos primeiros trimestres de cada ano, e este não foi diferente.”
Já a taxa composta de subutilização ficou em 14,3% no trimestre encerrado em março. O indicador subiu 0,9 ponto percentual em relação ao período anterior, mas recuou 1,6 ponto na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.
Ao todo, 16,3 milhões de pessoas estavam nessa condição. Esse contingente aumentou 6,6% no trimestre, com mais 1 milhão de pessoas, mas caiu 10,1% em um ano, o equivalente a 1,8 milhão a menos.
Veja os destaques da pesquisa
- Taxa de desocupação: 6,1%
- População desocupada: 6,6 milhões de pessoas
- População ocupada: 102 milhões
- População fora da força de trabalho: 66,5 milhões
- População desalentada: 2,7 milhões
- Empregados com carteira assinada: 39,2 milhões
- Empregados sem carteira assinada: 13,3 milhões
- Trabalhadores por conta própria: 26 milhões
- Trabalhadores informais: 38,1 milhões
- Taxa de informalidade: 37,3%
Entre os grupos que compõem esse indicador, o número de pessoas que trabalham menos horas do que gostariam ficou em 4,4 milhões, sem variações relevantes nas duas comparações.
Já a população fora da força de trabalho somou 66,5 milhões, estável no trimestre e com alta de 1,3% em um ano, o que representa mais 841 mil pessoas.
A população desalentada, que reúne aqueles que desistiram de procurar emprego, ficou em 2,7 milhões. Esse grupo não apresentou mudança significativa no trimestre, mas recuou 15,9% na comparação anual, com 509 mil pessoas a menos.
- 🔎 Os desalentados são pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acharem que não encontrariam, por falta de qualificação ou de oportunidades na região onde moram, por exemplo.
O número de trabalhadores no setor privado somou 52,4 milhões no trimestre encerrado em março. Esse total recuou 1,0% em relação ao período anterior, com menos 527 mil pessoas, mas avançou 1,1% na comparação anual, o equivalente a 583 mil a mais.
Dentro desse grupo, o emprego com carteira assinada permaneceu estável no trimestre, em 39,2 milhões, e cresceu 1,3% em um ano. Já os sem carteira, de 13,3 milhões, caiu 2,1% no trimestre e não apresentou variação relevante na comparação anual.
No setor público, o número de ocupados ficou em 12,7 milhões, com queda de 2,5% no trimestre e alta de 3,7% em um ano. Entre os trabalhadores por conta própria, o total chegou a 26,0 milhões, estável no trimestre e com crescimento de 2,4% na comparação anual.
A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores. O índice recuou em relação ao trimestre anterior e também na comparação com o mesmo período do ano passado.
Os rendimentos seguiram em alta. O ganho médio habitual chegou a R$ 3.722, com avanço de 1,6% no trimestre e de 5,5% em um ano, atingindo o maior valor da série.
Esse movimento também se refletiu no total de rendimentos pagos à população. A massa de renda somou R$ 374,8 bilhões, estável no trimestre e 7,1% maior na comparação anual, também no maior nível já registrado.
Renda avança em alguns setores
O rendimento médio mensal apresentou aumento em poucos setores na comparação com o trimestre anterior. As altas ficaram concentradas em comércio e em atividades ligadas ao setor público, enquanto os demais segmentos não registraram mudanças relevantes.
Entre os destaques do trimestre:
- 🛒 Comércio e reparação de veículos: alta de 3,0% (mais R$ 86)
- 🏛️ Administração pública, educação e saúde: alta de 2,5% (mais R$ 127)
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço da renda foi mais disseminado e atingiu diferentes áreas da economia. Nesse caso, seis grupos apresentaram crescimento, enquanto os demais permaneceram sem variação significativa.
Os principais aumentos foram registrados em:
- 🏗️ Construção: alta de 4,5% (mais R$ 124)
- 🛒 Comércio e reparação de veículos: alta de 3,9% (mais R$ 113)
- 💻 Informação, comunicação e atividades financeiras e profissionais: alta de 5,9% (mais R$ 291)
- 🏛️ Administração pública, educação e saúde: alta de 4% (mais R$ 198)
- 🧰 Outros serviços: alta de 11,4% (mais R$ 320)
- 🏠 Serviços domésticos: alta de 4,9% (mais R$ 66)
Apesar da alta do desemprego no trimestre, economistas avaliam que alguns indicadores sugerem uma leve perda de fôlego.
Para André Valério, economista sênior do Inter, a leitura exige cautela. Ele reforça que o resultado reflite a “sazonalidade do período” e, ao retirar esses efeitos, ele identifica uma desaceleração gradual.
“Vemos a continuidade da tendência de moderação do mercado de trabalho, com a taxa alcançando 5,7% em março, o maior valor desde setembro de 2025 nessa métrica”, afirmou.
Na avaliação do economista, o cenário segue positivo, mas com sinais mistos: a renda continua em alta, com avanço de 1,6% no trimestre e novo recorde, enquanto o número de desempregados cresce e a população ocupada recua.
Já Maykon Douglas ressalta que a alta do desemprego no início do ano é comum, sobretudo após o fim de contratos temporários. Ao mesmo tempo, destaca que a ocupação segue em expansão e a renda mantém ritmo consistente.
“A massa salarial voltou a se acelerar, com crescimento real próximo de 6,4% em base anual”, disse.
Para os próximos meses, a expectativa é de desaceleração gradual, sem uma reversão brusca. Segundo Douglas, mesmo com fatores que podem limitar o crescimento, como o cenário externo e a política de juros, o mercado de trabalho deve seguir resiliente, ainda que em ritmo mais moderado.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/u/0/PzwSEQSb20EVlWg9caaA/carteira-de-trabalho.jpeg)
Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió — Foto: Jonathan Lins

/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2016/09/05/e29ef028-19ba-414a-8c99-bf2607dc0092.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/f/A/0sUBTTT4Onaju0BF4icw/carteira-de-trabalho-agencia-brasil.jpg)