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sábado, 22 de agosto de 2026

As 10 empresas em que os jovens mais sonham em trabalhar; veja ranking e o que eles valorizam

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Estudo do CIEE mostra que 54% dos jovens consideram a possibilidade de crescer na carreira o principal fator para escolher onde trabalhar
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Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Postado em 22 de Agosto de 2.026 às 07h00m

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Pesquisa do CIEE e Instituto Locomotiva revela que jovens priorizam crescimento profissional ao escolher empresas para trabalhar — Foto: g1 

Para os jovens brasileiros, o emprego dos sonhos vai além do salário. A oportunidade de crescer na carreira é o principal critério na escolha de uma empresa, e grandes marcas estão entre os lugares em que essa geração mais deseja trabalhar.

É o que aponta um levantamento do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), realizado em parceria com o Instituto Locomotiva. O estudo ouviu 8.881 jovens de 14 a 24 anos de todas as regiões do país.

Na categoria "Meu Match Perfeito", os primeiros colocados aparecem em situação de empate técnico. O ranking indica que a preferência da nova geração se concentra em grandes marcas e empresas já consolidadas no mercado.

1º lugar (empate técnico)

  • Google
  • Banco do Brasil
  • Itaú
  • Petrobras

2º lugar (empate técnico)

  • Coca-Cola
  • Bradesco
  • Caixa Econômica Federal
  • Sicoob
  • Microsoft
  • Mercado Livre
Como se identifica o adoecimento mental no trabalho
Como se identifica o adoecimento mental no trabalho

A preferência por grandes empresas está alinhada a outro resultado da pesquisa: na hora de escolher onde trabalhar, os jovens valorizam mais as oportunidades de crescimento profissional do que a remuneração. Salário e benefícios aparecem em segundo lugar entre os critérios mais mencionados.

Os principais fatores citados foram:

  • 54%: oportunidade de crescimento profissional;
  • 43%: boa remuneração e benefícios;
  • 31%: ambiente de trabalho agradável;
  • 24%: empresa tradicional ou renomada;
  • 20%: flexibilidade de trabalho;
  • 20%: localização próxima de casa;
  • 19%: estabilidade e segurança no emprego;
  • 18%: identificação com valores e cultura organizacional;
  • 18%: admiração pela marca ou pelos produtos.

O resultado mostra que o salário continua sendo importante, mas, sozinho, não é suficiente para definir onde os jovens desejam trabalhar. A possibilidade de aprender, se desenvolver e crescer profissionalmente surge como uma prioridade ainda maior.

Essa expectativa também aparece quando os entrevistados falam sobre o que esperam das empresas. Segundo a pesquisa, 98% consideram importante trabalhar em organizações que incentivem o crescimento profissional. O mesmo percentual afirma que é importante que os profissionais mais jovens sejam reconhecidos e valorizados.

A identificação com a empresa também influencia essa escolha. Cerca de sete em cada 10 jovens afirmam que não trabalhariam em organizações cujos valores e princípios sejam diferentes dos seus. O dado reforça a importância de aspectos como propósito, responsabilidade social e ambiente de trabalho na relação com o empregador.

Segundo a pesquisa, 98% consideram muito importante trabalhar em empresas que valorizem a saúde mental dos funcionários. A expectativa, portanto, envolve não apenas crescimento profissional, mas também qualidade de vida e boas condições de trabalho.

Ao mesmo tempo, o porte da empresa continua associado à segurança. Segundo a pesquisa, 90% dos entrevistados acreditam que trabalhar em uma grande companhia oferece mais estabilidade.

Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Espírito Santo — Foto: Divulgação/CIEE
Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Espírito Santo — Foto: Divulgação/CIEE

Quem mais contratou jovens em 2026

A pesquisa também revela outro aspecto da relação dos jovens com o mercado de trabalho: quais empresas mais abriram oportunidades para esse público no primeiro trimestre de 2026.

Os dados foram obtidos junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e incluem contratações pelo regime da CLT, vagas de aprendizagem e oportunidades de estágio.

Na contratação pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o Mercado Livre ficou na primeira posição do ranking nacional.

Ranking de contratação CLT

  1. Mercado Livre
  2. AEC Centro de Contatos S/A
  3. Almaviva
  4. Vulcabras
  5. Atento Brasil S/A
  6. Teleperformance CRM S.A
  7. Concentrix Brasil
  8. Hospital Israelita Albert Einstein
  9. Grendene S.A
  10. Lar Cooperativa Agroindustrial

Na modalidade de aprendizagem, a liderança ficou com a Sendas Distribuidora S/A, responsável pelo Assaí Atacadista.

Ranking nacional de contratação de aprendizes

  1. Sendas Distribuidora S/A (Assaí Atacadista)
  2. Arcos Dourados (McDonald's)
  3. AEC Centro de Contatos S/A
  4. Seara Alimentos Ltda
  5. MBRF S.A
  6. Supermercados BH Comércio de Alimentos S/A
  7. Correios
  8. Raia Drogasil S/A
  9. Vale S.A
  10. SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina)

Já no estágio, o setor público aparece com força. Tribunais de Justiça e órgãos governamentais ocupam boa parte das primeiras posições.

Ranking nacional de contratação de estagiários

  1. Tribunal de Justiça de São Paulo
  2. Tribunal de Justiça de Minas Gerais
  3. Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
  4. Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
  5. Itaú Unibanco
  6. Prefeitura do Recife
  7. Tribunal de Justiça do Paraná
  8. Prefeitura de Curitiba
  9. Defensoria Pública do Estado de São Paulo
  10. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná
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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Ibovespa quase 2% com melhora no exterior e expectativa por corte de juros; dólar cai

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A bolsa brasileira avançou 1,84%, aos 171.015 pontos. Já a moeda americana recuou 0,93%, cotada a R$ 5,1443.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 21 de Agosto de 2.026 às 10h00m
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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em alta nesta sexta-feira (21), com um avanço de 1,84%, aos 171.015 pontos. Já o dólar teve queda de 0,93%, cotado a R$ 5,1443.

A melhora do cenário externo ajudou a bolsa brasileira nesta sexta-feira. A queda dos juros dos títulos do governo dos Estados Unidos aumentou a disposição dos investidores para colocar dinheiro em ativos de maior risco, como ações. No Brasil, a expectativa de que o Banco Central reduza novamente a taxa básica de juros, a Selic, em setembro também favorece a bolsa. (veja mais abaixo

 ▶️ Entre os destaques no Ibovespa estiveram ações de empresas de grande peso no índice, como B3 (+5%), Banco do Brasil (+2%) e Vale (+1,3%). A Minerva também subia mais de 4%, após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que flexibilizará por 90 dias as cotas de importação de carne moída.

▶️ Por aqui, com a agenda econômica esvaziada, as atenções ficaram com o quadro eleitoral. Nesta sexta-feira, o Datafolha divulga a primeira pesquisa com intenções de voto da eleição presidencial após o início das campanhas. A expectativa é que a divulgação aconteça após o fechamento dos mercados.

▶️ No exterior, a guerra econômica anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, ao Irã, ficou no centro das atenções. Nesta semana, o republicano anunciou que intensificaria a pressão sobre o país do Oriente Médio e ameaçou países que ofereçam "qualquer tipo de apoio ao Irã". A expectativa é que novas sanções sejam anunciadas nos próximos dias.

  • Sem avanços diplomáticos, permanecem as incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. O barril do Brent, referência internacional, subiu 0,51%, cotado a US$ 94,26, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, teve alta de 0,09%, a US$ 86,91.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -1,44%;
  • Acumulado do mês: +1,47%;
  • Acumulado do ano: --6,27%.
  • 📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +2,45%;
  • Acumulado do mês: -3,92%;
  • Acumulado do ano: +6,14%.
Ibovespa se recupera após sequência de quedas

A alta do Ibovespa nesta sexta-feira (21) foi puxada principalmente pela melhora do cenário externo e pela queda dos juros dos títulos de longo prazo dos Estados Unidos, segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.

O movimento aumentou a disposição dos investidores para comprar ações e outros ativos considerados mais arriscados, permitindo que a bolsa brasileira acompanhasse a recuperação dos mercados americanos.

Para Araújo, a reação também foi favorecida pela redução dos juros futuros no Brasil — taxas que indicam as expectativas do mercado para os juros nos próximos meses.

"A expectativa por novo corte da Selic em setembro, sustentada pela desaceleração da atividade econômica, seguiu dando suporte às ações mais sensíveis ao ciclo doméstico, especialmente os bancos, que figuraram entre os principais altas do dia."

A recuperação desta semana, porém, ocorre depois de um período de forte queda. Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, afirma que o Ibovespa chegou a acumular 11 pregões consecutivos de baixa, pressionado pela saída de investidores estrangeiros, pelas incertezas eleitorais e pela alta do petróleo.

"Até o dia 19, os saques somavam cerca de R$ 22 bilhões no mês, refletindo tanto a rotação global para ativos de tecnologia quanto o aumento da sensibilidade ao risco eleitoral e fiscal doméstico. Já a recuperação dos últimos pregões foi um movimento mais técnico."

Sene avalia que a alta dos últimos pregões representa principalmente uma recuperação após a sequência de quedas, e não uma mudança definitiva no cenário.

Segundo ela, o movimento também foi favorecido pelo vencimento de contratos que dão aos investidores o direito de comprar ou vender ações por um preço determinado, além da melhora do ambiente internacional.

Trump anuncia guerra econômica ao Irã

Nos últimos dias, o presidente americano, Donald Trump, anunciou que intensificaria a pressão econômica sobre o Irã, com novas sanções previstas para a próxima semana. Além disso, o republicano também ameaçou punir qualquer país que ajudar a manter a economia iraniana funcionando.

Em uma publicação na Truth Social, Trump afirmou que irá promover a "operação econômica mais devastadora já adotada contra qualquer país". Segundo ele, a campanha será uma forma de "guerra econômica" e de isolamento do Irã em uma escala sem precedentes.

"QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam qualquer tipo de apoio ao Irã também enfrentará CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS ENORMES", publicou.

"Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada — tudo isso precisa parar AGORA. Vocês sabem quem são."

  • 🔎 O presidente não detalhou como a ofensiva vai funcionar nem afirmou como irá punir países que colaboram com o Irã.

Trump afirmou ainda esperar que todos os aliados dos Estados Unidos trabalhem para "isolar" e "derrotar" a "ameaça iraniana".

O presidente disse que a medida está sendo adotada por causa da falta de um acordo com o Irã. Os dois países começaram a negociar a interrupção do programa nuclear iraniano no início do ano. O fracasso nas conversas provocou uma guerra.

Na quarta-feira, o porta-aviões USS George Washington chegou ao Oriente Médio para atuar na guerra contra o Irã, pouco menos de uma semana após ter saído de sua base no Japão, onde geralmente fica estacionado.

As afirmações voltam a trazer preocupações para o mercado internacional de petróleo, em meio aos sinais de que o tráfego pelo Estreito de Ormuz continuará interrompido.

O fechamento da rota, por onde passava cerca de 20% de todo o comércio global da commodity antes da guerra, segue a trazer impactos nos preços de energia pelo mundo e a afetar a inflação e o crescimento global.

Em Wall Street, os três principais índices americanos fecharam em alta, recuperando parte das perdas da sessão anterior. Os mercados, no entanto, ainda caminham para fechar a semana em queda.

O Dow Jones subiu 0,98%, enquanto o S&P 500 avançou 0,43% e o Nasdaq Composite teve ganhos de 0,43%.

O dia também foi positivo na Europa, onde os mercados operavam em alta generalizada. O DAX, da Alemanha, subiu 0,59%, enquanto o CAC-40, da França, avançou 0,37% e o FTSE 100, do Reino Unido, ganhou 0,56%.

Na Ásia, os mercados fecharam mistos nesta sexta-feira, conforme investidores avaliavam a possibilidade de apoio fiscal em Hong Kong e avaliavam a recente onda de vendas de títulos globais.

O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,6%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, fechou praticamente estável. Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 1,21% e o Nikkei,, do Japão, teve perdas de 0,30%. O Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,88%.

* Com informações da agência de notícias Reuters.

Dólar — Foto: freepik
Dólar — Foto: freepik

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Enquanto Trump promete cortar gastos, dívida dos EUA bate recorde de US$ 40 trilhões e preocupa investidores

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Endividamento americano cresceu US$ 2 trilhões em menos de um ano, enquanto alta dos juros aumenta o custo para o governo financiar a dívida e pressiona as contas públicas.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 20 de Agosto de 2.026 às 12h00m
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A dívida nacional dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões pela primeira vez
A dívida nacional dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões pela primeira vez

A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez US$ 40 trilhões nesta quarta-feira (19), um marco histórico em meio ao aumento dos gastos com defesa, programas sociais e ao custo crescente dos juros no país.

O valor foi alcançado apenas cinco meses depois de a dívida americana superar US$ 39 trilhões, em março.

Outros US$ 1 trilhão haviam sido acrescentados cerca de cinco meses antes, em outubro, quando a dívida chegou a US$ 38 trilhões, segundo dados do Departamento do Tesouro americano.

O avanço da dívida ocorre enquanto o governo dos Estados Unidos mantém gastos superiores à arrecadação.

⚔️ Os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 954 bilhões em defesa em 2025, segundo o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI), o equivalente a aproximadamente 37% de todo o gasto militar do mundo. Para 2026, a expectativa é que os gastos americanos ultrapassem US$ 1 trilhão.

Além disso, a guerra contra o Irã já havia custado US$ 37,5 bilhões aos Estados Unidos até 21 de julho de 2026, segundo o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth. O Pentágono também pediu ao Congresso mais US$ 67,1 bilhões para financiar a guerra e outras despesas militares.

O presidente americano Donald Trump tem prometido reduzir despesas e vem concentrando os cortes na máquina pública, com redução de funcionários, de programas de agências federais e da ajuda externa.

Ao mesmo tempo, o governo também busca cortar gastos em algumas áreas e eliminar despesas que considera desnecessárias.

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo enquanto responde a perguntas da imprensa após assinar uma ordem executiva que estabelece a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, que será presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 3 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo enquanto responde a perguntas da imprensa após assinar uma ordem executiva que estabelece a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, que será presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 3 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

➡️ Para cobrir a diferença, o Tesouro emite títulos públicos e toma dinheiro emprestado de investidores, com a promessa de devolver o valor acrescido de juros. Quanto maior a dívida e os juros cobrados, maior o custo para o governo.

Essa pressão aumentou nos últimos dias. Na terça-feira (18), o rendimento do título do Tesouro americano de 30 anos chegou a 5,34%, o maior nível desde 2007. O indicador representa o retorno exigido pelos investidores para emprestar dinheiro ao governo por um período de 30 anos.

  • 🔎 O que são títulos públicos? São papéis emitidos pelo governo para "pegar dinheiro emprestado com investidores". Quem compra um título recebe o dinheiro de volta no futuro, com juros. É uma das formas usadas pelo governo para financiar seus gastos.
Como o Tesouro tenta conter pressão no mercado

Foi nesse cenário que o Departamento do Tesouro anunciou na quarta-feira (19) que vai mais que dobrar o tamanho de algumas operações de recompra de títulos de longo prazo, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.

A recompra é uma ferramenta de gestão da dívida. O Tesouro compra de volta títulos que estão nas mãos dos investidores, em uma tentativa de melhorar o funcionamento e a liquidez do mercado, ou seja, facilitar a compra e a venda desses papéis.

A medida foi anunciada após a alta dos juros dos títulos de longo prazo, em meio às preocupações dos investidores com a situação fiscal americana e os efeitos da guerra com o Irã sobre a inflação e os gastos do governo. Após o anúncio, o rendimento do Treasury de 30 anos recuou para cerca de 5,18%.

O objetivo é reduzir a pressão sobre o mercado de títulos públicos e facilitar a negociação desses papéis.

Por que a dívida está crescendo?

A dívida americana resulta de décadas de déficits. Quando o governo gasta mais do que arrecada, precisa buscar recursos no mercado para cobrir o rombo.

O endividamento aumentou fortemente durante a pandemia de Covid-19, quando o governo ampliou os gastos para sustentar a economia. Nos últimos anos, também houve aumento de despesas e cortes de impostos aprovados durante o governo Trump.

Desde 2017, a dívida americana mais que dobrou. Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025, o estoque aumentou cerca de US$ 3,8 trilhões, segundo a Reuters.

Juros da dívida já são uma das maiores despesas

O crescimento do endividamento aumenta também o valor que o governo precisa desembolsar para pagar os juros dos títulos emitidos anteriormente.

➡️ Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, os gastos com juros da dívida já superaram as despesas com o Medicare, programa de saúde voltado principalmente para idosos. Os juros se tornaram a segunda maior despesa federal, atrás apenas da Previdência Social, segundo a Reuters.

Juros mais altos também podem afetar consumidores e empresas. Os títulos do Tesouro americano servem de referência para outras taxas de juros da economia. Quando seus rendimentos sobem, financiamentos imobiliários, empréstimos para compra de carros e crédito empresarial podem ficar mais caros.

Dívida pode se aproximar do limite legal

Os Estados Unidos têm um limite para o total que o governo federal pode tomar emprestado. O teto é definido pelo Congresso e pode ser elevado, suspenso ou abolido pelos parlamentares.

O limite atual é de US$ 41,1 trilhões. Segundo estimativa do Bipartisan Policy Center, o governo americano pode atingir esse valor entre o fim do inverno e meados do verão de 2027.

A marca de US$ 40 trilhões, portanto, deixa o país mais próximo de um novo debate sobre o limite da dívida no Congresso.

O número, por si só, não significa que os Estados Unidos estejam próximos de uma crise. Economistas acompanham principalmente a trajetória do endividamento, a capacidade do governo de pagar os juros e a disposição dos investidores de continuar financiando o país.

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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Crise do varejo? Por que algumas gigantes enfrentam dificuldades e outras seguem crescendo

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Juros altos, crédito restrito e famílias endividadas pressionam redes tradicionais, enquanto grandes plataformas digitais ganham espaço. Especialistas veem uma espécie de “seleção empresarial” nos próximos anos.
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Por Isabela Bolzani, g1 — São Paulo

Postado em 19 de Agosto de 2.026 às 07h05m
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Crise das Casas Bahia pode limitar crédito
Crise das Casas Bahia pode limitar crédito

Os pedidos de recuperação judicial da Casas Bahia e da Marabraz, anunciados no último domingo (16), são novos capítulos da crise enfrentada por parte do varejo brasileiro.

As dificuldades atingem principalmente as empresas que atendem consumidores de renda média e baixa. Pagar dívidas e gerar caixa se tornaram desafios em um cenário de juros elevados, crédito restrito, endividamento das famílias e consumo enfraquecido.

Para especialistas do mercado financeiro, a situação força o setor a passar por uma transformação estrutural, que inclui a revisão das operações, o fechamento de lojas e a definição de novas prioridades estratégicas para manter a competitividade.

Por outro lado, empresas que chegaram a esse período com balanços mais equilibrados e operações mais eficientes podem aproveitar a reorganização do setor para ganhar espaço sobre concorrentes em dificuldade.

Há uma crise sistêmica no varejo nacional?

Embora grandes varejistas tenham recorrido à recuperação judicial nos últimos anos, o mercado financeiro não vê sinais de uma crise sistêmica no setor.

"Falar em uma crise generalizada do varejo seria um erro", afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.

A especialista vê uma espécie de "seleção empresarial", já que algumas companhias atravessam o atual cenário econômico com estruturas financeiras e operacionais mais sólidas do que outras.

O problema está concentrado principalmente nas companhias que combinaram endividamento elevado, margens de lucro mais estreitas, necessidade intensa de capital de giro e modelos operacionais custosos, explica.

Na prática, varejistas são naturalmente mais dependentes de crédito. Além de financiar estoques, operações e planos de expansão, muitas empresas do setor dependem do poder de compra dos consumidores, do acesso ao crédito e ao parcelamento.

Os casos da Casas Bahia, da Marabraz e do Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly) são exemplos dos impactos do crédito mais caro e da redução do consumo das famílias.

É o mesmo cenário que atingiu outros grandes nomes, como Ricardo Eletro, Americanas, Casa & Video, Le Biscuit, MMartan, Artex, Saraiva e Livraria Cultura. São empresas que também passaram por processos de recuperação judicial, falência ou outras formas de reestruturação financeira.

Há uma dicotomia entre o avanço das grandes plataformas digitais — como Mercado Livre, Amazon e Shopee — que continuam ganhando participação, com eficiência logística e tecnológica, e parte do varejo tradicional, que sofre com lojas físicas custosas e vendas mais fracas, diz Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Para a especialista, esse movimento também reflete a maior variedade de produtos oferecidos pelas plataformas digitais e o menor valor médio gasto em cada compra.

Como o consumidor continua comprando itens essenciais, segmentos ligados a bens básicos e grandes plataformas digitais seguem operando com margens saudáveis e em expansão, acrescenta Nossig.

Reestruturação do varejo

Parte dessa readequação já começa a aparecer entre as grandes varejistas. Como o g1 já mostrou, várias dessas empresas começaram a rever seus modelos de crescimento, fechando lojas ou desacelerando a expansão física para reduzir custos.

Ainda assim, o mercado não espera uma recuperação rápida dos resultados nem das ações das grandes varejistas tradicionais, principalmente enquanto os juros permanecerem elevados.

Ainda há preocupação com a saúde financeira e a sobrevivência de algumas empresas do setor. Claro que não deixarão de existir lojas, mas é um mercado bastante instável, diz o economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano.

Para Brás, da Magno Investimentos, no entanto, a queda dos juros não funcionará como um botão de reset. O consumidor ainda precisa recuperar renda disponível, a inadimplência precisa ceder e o crédito precisa chegar à ponta em condições melhores, explica.

Também existe uma defasagem: uma redução da Selic não aparece instantaneamente no carnê, no financiamento ou no capital de giro. Para companhias já fragilizadas, alguns meses podem representar uma eternidade financeira.

Segundo os especialistas, esse cenário pode fazer com que empresas mais fragilizadas se tornem alvos de fusões, aquisições ou parcerias estratégicas. Ao mesmo tempo, o e-commerce tende a ganhar ainda mais espaço e consolidar sua participação no mercado.

O futuro do médio prazo do setor pertencerá às operações verdadeiramente integradas, em que a loja física deixa de ser apenas uma grande vitrine e passa a funcionar de forma inteligente como um centro de distribuição rápido e ponto de apoio para o comércio eletrônico, diz Nossig, da Nomad. 
Como fica a carteira de investimentos?

Embora o mercado não veja uma crise generalizada no varejo, as dificuldades enfrentadas por algumas empresas do setor também têm reflexos para investidores.

Um exemplo é o caso das ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3), que protagonizam uma das maiores quedas da bolsa brasileira dos últimos anos, passando de mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, para centavos.

Com isso, especialistas esperam uma redução da presença do varejo nas carteiras de investimentos, já que os sinais de desaceleração da economia tendem a aumentar a incerteza sobre o setor. Isso, no entanto, não significa uma completa extinção do varejo entre os investimentos.

Empresas com caixa robusto, baixa alavancagem, geração consistente de fluxo de caixa, marcas fortes e capacidade de ganhar participação podem até sair fortalecidas desse processo, diz Brás.

Nesse contexto, Nossig, da Nomad, afirma que o mercado tende a ser mais rigoroso na seleção das empresas em que investir.Essa prátuica permite que empresas com fundamentos mais sólidos continuem ocupando posições relevantes nas carteiras, explica, destacando o varejo alimentar e as redes de farmácias.

Os próximos vencedores provavelmente serão definidos menos pela velocidade de abertura de lojas e mais pela capacidade de gerar caixa, girar estoques, controlar o endividamento, integrar canais de venda e fidelizar consumidores sem depender continuamente de incentivos para sustentar essa relação, completa Brás.

Varejo. — Foto: Steve Buissinne para Pixabay
Varejo. — Foto: Steve Buissinne para Pixabay

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