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O preço do barril de Brent chegou a subir quase 14%; o conflito afeta o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
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Por Redação g1 — São Paulo
Postado em 02 de Março de 2.026 às 07h40m
$.# Postagem - Nº 1.183 #.$
Os preços do petróleo e do gás dispararam e as principais Bolsas do mundo operavam em queda nesta segunda-feira (2), após a escalada do conflito no Oriente Médio, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e pela resposta de Teerã.
Segundo a France Presse, o setor mais afetado nos mercados acionários foi o de aviação e turismo, com quedas expressivas nas ações das companhias.
Em meio ao conflito, os preços do petróleo já chegaram a subir 13%, ultrapassando os US$ 82 por barril, o valor mais alto desde janeiro de 2025.
- 🔎 Na abertura dos mercados, o barril do Brent subiu quase 14%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou cerca de 12%. Por volta das 10h18 (horário de Brasília), o Brent subia 8,30%, cotado a US$ 78,92, e o WTI ganhava 7,74%, negociado a US$ 72,19.
Antes mesmo da escalada do conflito, o petróleo já vinha subindo por causa das tensões políticas e terminou a semana em US$ 72.
- 🔥 A guerra também elevou fortemente os preços do gás na Europa. O contrato do TTF (Title Transfer Facility), principal referência para o preço do gás natural na Europa, subia mais de 41% por volta das 10h28 (horário de Brasília), cotado a 45,3 euros por megawatt-hora (MWh).
O temor é de que o conflito afete as exportações de gás natural liquefeito (GNL) da região do Golfo, especialmente do Catar.
Na Ásia, a maioria dos mercados de ações caiu, refletindo a preocupação dos investidores com o conflito no Oriente Médio. Tóquio (1,4%) e Hong Kong (2,1%) tiveram quedas mais fortes, enquanto Xangai foi exceção e fechou em leve alta (veja mais detalhes do dia no mercado).
Na Europa, as Bolsas também abriram em queda, com perdas generalizadas. Paris caía 1,96%, Frankfurt recuava 1,99%, Milão perdia 2,13%, Londres cedia 0,55% e Madri registrava queda de 2,58%, segundo a AFP.
✈️ As empresas aéreas foram as mais prejudicadas, uma vez que a alta do petróleo encarece o combustível dos aviões. Em contraste, companhias de energia se valorizaram, já que o aumento dos preços do petróleo e do gás tende a elevar seus lucros.
Produção interrompida em vários países
De acordo com a Reuters, o Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito após uma instalação da QatarEnergy ser atingida por drones iranianos.
A Arábia Saudita também fechou, por precaução, sua maior refinaria doméstica, em Ras Tanura, com capacidade para 550 mil barris por dia.
No Curdistão iraquiano, a maior parte da produção de petróleo foi interrompida. Empresas como DNO, Gulf Keystone Petroleum, Dana Gas e HKN Energy paralisaram suas operações preventivamente, embora não tenham sido relatados danos diretos.
Em fevereiro, a região exportava cerca de 200 mil barris por dia por meio de um oleoduto até o porto turco de Ceyhan.
Em Israel, o governo determinou que a Chevron suspendesse temporariamente as operações no campo de gás Leviatã, um dos maiores do país e estratégico para as exportações ao Egito.
A empresa também opera o campo de Tamar. A Energean desligou sua plataforma que atendia campos menores, segundo a Reuters.
No Irã, explosões foram registradas na ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do país. Ainda não há informações precisas sobre o impacto nas instalações, de acordo com a Reuters.
O Irã é o terceiro maior produtor da Opep e responde por cerca de 4,5% do fornecimento global de petróleo. Sua produção é estimada em 3,3 milhões de barris por dia, além de 1,3 milhão de barris de condensados e outros líquidos.
Estreito de Ormuz e risco de disparada nos preços
Segundo a Reuters, o conflito praticamente paralisou a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
Com isso, os preços do petróleo subiram cerca de 13% e ultrapassaram US$ 82 por barril, o maior nível desde janeiro de 2025.
Após ataques a navios na região do Golfo, a Organização Marítima Internacional recomendou que empresas evitassem a área. O preço dos seguros disparou e grandes companhias confirmaram a suspensão de rotas pelo estreito, informou a France Presse.
Embora países importadores mantenham estoques estratégicos — membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) são obrigados a ter reservas equivalentes a 90 dias de consumo —, analistas não descartam que o barril supere os US$ 100.
“Se houver uma interrupção prolongada no fornecimento por Ormuz, o petróleo pode subir rapidamente para US$ 100 por barril, especialmente se ocorrerem ataques a instalações da região”, afirmou o Eurasia Group à AFP.
A última vez que o petróleo ultrapassou esse patamar foi no início da guerra na Ucrânia, quando a alta da energia contribuiu para um ciclo prolongado de inflação.
Em resposta ao conflito, Arábia Saudita, Rússia e outros seis integrantes da Opep+ decidiram aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, volume acima do inicialmente previsto, segundo a France Presse.
Ouro e dólar em alta
O encarecimento da energia pode pressionar ainda mais a inflação e prejudicar a atividade econômica.
“A geopolítica e a situação envolvendo Irã, Estados Unidos e o Oriente Médio devem dominar os mercados financeiros nesta segunda-feira”, disse Kathleen Brooks, da corretora XTB, à AFP.
O ouro, considerado um ativo de proteção em períodos de instabilidade, subiu 2%, enquanto o dólar também se valorizou.
“Com o envio de tropas, aviões e navios de guerra dos Estados Unidos para a região nas últimas semanas, os metais preciosos já vinham se recuperando: o ouro subiu 3,3% e a prata, 10,8% na semana passada”, afirmou Brooks. “Eles continuam sendo vistos como reserva de valor.”
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Navio passa pelo estreito de Ormuz — Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo



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