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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Häagen-Dazs, Walmart e mais: veja marcas famosas que encerraram atividades no Brasil

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Casos incluem o fim da distribuição, da produção e de operações físicas; algumas marcas, porém, continuaram ou voltaram ao mercado brasileiro.
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Por Ismael Jales, g1 — São Paulo

Postado em 25 de Agosto de 2.026 às 11h45m
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Häagen-Dazs, Walmart, Forever 21: algumas empresas que encerraram operações no Brasil — Foto: Divulgação
Häagen-Dazs, Walmart, Forever 21: algumas empresas que encerraram operações no Brasil — Foto: Divulgação


Algumas empresas que encerraram operações no Brasil — Foto: Divulgação
Algumas empresas que encerraram operações no Brasil — Foto: Divulgação

A General Mills anunciou o fim da distribuição da Häagen-Dazs no Brasil, encerrando a presença da marca de sorvetes no país após quase três décadas.

Segundo a empresa, a decisão faz parte de um plano de reformulação de portfólio.

A saída da Häagen-Dazs não é um caso isolado de mudança na operação de marcas internacionais no Brasil.

Ao longo dos anos, empresas de diferentes setores adotaram estratégias distintas para seus negócios no país.

➡️ Algumas encerraram totalmente operações, outras fecharam fábricas ou lojas físicas, mudaram de controlador ou passaram a atuar por outros canais.

🔍 Mudanças que podem fazer parte de decisões específicas de cada empresa, como revisão de portfólio (conjunto de marcas e produtos), mudança no modelo de operação ou reorganização dos negócios em diferentes mercados. Veja abaixo uma lista de empresas que deixaram de produzir, vender ou operar no Brasil em determinados segmentos nos últimos anos: D

Häagen-Dazs

Começando pelo caso quente da semana, a Häagen-Dazs chegou ao Brasil em 1997 e manteve lojas próprias no país por parte de sua trajetória.

Em 2018, a General Mills, dona da marca, encerrou as lojas próprias que ainda mantinha no Brasil. Os produtos continuaram sendo comercializados no mercado brasileiro por outros canais.

Agora, a General Mills encerrou as atividades da marca no Brasil. Como motivos, a empresa disse que a marca não seria mais distribuída no Brasil devido a um plano de reformulação de portfólio, anunciado pela companhia em março deste ano. Não informou um motivo específico adicional para a saída da marca

Haribo

A Haribo, fabricante alemã de doces conhecida pelas balas de gelatina em formato de ursinho, já era comercializada no Brasil por meio de produtos importados antes da instalação de uma fábrica no país.

Em 2016, a empresa iniciou a produção local em uma fábrica em Bauru, no interior de São Paulo. A unidade foi a primeira fábrica da companhia fora da Europa.

Em abril deste ano, a empresa anunciou o encerramento das atividades fabris no Brasil. A fábrica permaneceu em operação até julho, dentro do cronograma de encerramento.

A empresa afirmou que sua avaliação da operação brasileira ficou mais difícil diante de cenário de competitividade e de fatores externos que impactaram o ambiente de negócios. Também disse que avalia continuamente as operações considerando ambiente de negócios, competitividade e sustentabilidade da operação no longo prazo.

Ford

A Ford começou a operar no Brasil em 1919, quando instalou uma unidade em São Paulo. Ao longo das décadas, a montadora ampliou sua presença no país e passou a produzir veículos em diferentes fábricas

Em janeiro de 2021, a empresa anunciou o encerramento da produção de veículos no Brasil. As fábricas de Camaçari (BA) e Taubaté (SP) tiveram a produção encerrada naquele ano. A fábrica da Troller, em Horizonte (CE), também foi fechada em 2021.

A Ford atribuiu o encerramento da produção no Brasil à capacidade ociosa das fábricas, à redução das vendas e a anos de perdas. A empresa também citou o ambiente econômico desfavorável e os efeitos da pandemia.

A montadora, no entanto, manteve operações comerciais no país e passou a atender o mercado brasileiro com veículos importados de outros mercados.

Mercedes-Benz

A Mercedes-Benz iniciou sua trajetória industrial no Brasil com a produção de caminhões e ônibus, em 1956. Décadas depois, a empresa também passou a fabricar automóveis no país.

Em 2020, a montadora alemã anunciou o encerramento da produção na fábrica de Iracemápolis, no interior de São Paulo. A unidade, inaugurada em 2016, produzia os modelos Classe C e GLA.

A montadora atribuiu a decisão à situação econômica difícil do Brasil, agravada pela pandemia, que provocou queda nas vendas de carros premium. A empresa também citou a reestruturação de sua rede global de produção e a busca por maior eficiência.

A decisão não significou a saída da Mercedes-Benz do Brasil. Assim como a Ford, a companhia manteve a produção de caminhões e chassis de ônibus no país e continuou vendendo automóveis importados.

Forever 21

A Forever 21 chegou ao Brasil em 2014 e abriu suas primeiras lojas no país naquele ano. A rede americana de moda chegou a ter 15 unidades brasileiras.

Em 2022, a marca encerrou sua operação de lojas no país. As unidades foram fechadas ao longo daquele ano, após liquidações para a venda dos estoques.

A Forever 21 atribuiu a saída do Brasil às dificuldades financeiras da companhia e ao cenário desfavorável para a operação no país, que enfrentava custos elevados, baixa escala e forte concorrência de varejistas asiáticas.

Fnac

A rede francesa Fnac chegou ao Brasil em 2000, com lojas que combinavam livros, música, filmes, eletrônicos e outros produtos culturais. A marca chegou a ter 12 lojas no país.

Em 2017, a Livraria Cultura comprou a operação brasileira da Fnac. No ano seguinte, a rede fechou suas lojas no país. Em outubro de 2018, a última unidade, em Goiânia, encerrou as atividades.

A Fnac afirmou que a operação brasileira precisava atingir um tamanho crítico para ser relevante e reforçar sua posição no mercado. A controladora também citou a queda das vendas e o contexto de maior competitividade e crise econômica.

Walmart

O Walmart chegou ao Brasil em 1995 e construiu uma operação com lojas em diferentes regiões do país.

Em 2018, o fundo Advent International comprou 80% da operação brasileira do Walmart. A partir da mudança de controle, o negócio passou por uma reestruturação e a marca Walmart começou a ser substituída por outras bandeiras.

O Walmart atribuiu a decisão a uma revisão de seu portfólio internacional. A empresa afirmou que a parceria com a Advent International buscava fortalecer a operação brasileira e criar condições para o crescimento do negócio no longo prazo.

A partir de 2019, a operação passou a utilizar a marca Grupo BIG, enquanto a marca Walmart deixou de ser utilizada nas lojas brasileiras.

Sony

A Sony está presente no Brasil desde 1972 e construiu uma operação conhecida principalmente por televisores, câmeras e equipamentos de áudio.

Em 2020, a empresa anunciou o fechamento de sua fábrica em Manaus e o fim da produção de TVs, câmeras e equipamentos de áudio no país. Em março de 2021, confirmou que deixaria de vender esses produtos no mercado brasileiro.

A Sony atribuiu a decisão ao ambiente de mercado e às perspectivas para os negócios no Brasil naquele momento. A empresa afirmou que a medida fazia parte de uma revisão de suas operações e buscava fortalecer a estrutura e a sustentabilidade dos negócios diante das mudanças no ambiente externo.

A saída foi parcial: a Sony manteve no Brasil negócios como PlayStation, soluções profissionais, música e entretenimento. A empresa também manteve serviços de suporte e assistência técnica para os produtos vendidos anteriormente.

Nikon

A Nikon, fabricante japonesa de câmeras e equipamentos fotográficos, anunciou em 2017 que deixaria de comercializar diretamente no Brasil câmeras, lentes e acessórios fotográficos.

Em setembro de 2018, a companhia anunciou o encerramento de suas atividades no Brasil. A Nikon atribuiu a decisão a uma reestruturação global da companhia, que incluía a otimização das estruturas de pesquisa e desenvolvimento, vendas e fabricação. A empresa afirmou que o processo buscava fortalecer suas bases para o crescimento sustentável no longo prazo.

Roche

A Roche mantém presença no Brasil desde 1931 e chegou a produzir medicamentos em sua fábrica no Rio de Janeiro. A unidade, localizada em Jacarepaguá, fabricava medicamentos como Bactrim, Lexotan e Rivotril.

Em 2019, a companhia anunciou que fecharia a fábrica diante da redução dos volumes de produção e de uma mudança na estratégia global. O processo de encerramento das atividades produtivas foi concluído em 2024, segundo relatório de sustentabilidade da própria Roche.

A Roche atribuiu o encerramento da fábrica no Rio de Janeiro à estratégia global de inovação da companhia e às transformações em seu portfólio de medicamentos. A empresa manteve as operações comerciais no Brasil e afirmou que segue comprometida com o mercado brasileiro.

A Roche, porém, continua operando no Brasil. A companhia mantém atividades comerciais e continua trazendo medicamentos para o mercado brasileiro.

Topshop

A marca britânica de moda Topshop chegou ao Brasil em 2012, com uma loja no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. A marca chegou a ter quatro endereços no estado de São Paulo.

Em 2016, a Topshop anunciou o fechamento de sua última loa no país, no JK Iguatemi, encerrando a operação física da marca no Brasil.

A Topshop não apresentou uma justificativa detalhada para o encerramento da operação brasileira. A marca vinha enfrentando dificuldades no país, incluindo problemas relacionados ao pagamento de aluguéis e desempenho das lojas, mas até hoje, a empresa não atribuiu oficialmente a saída a esses fatores.

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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Brasil Soberano: governo define plano para aplicar R$ 13,5 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifaço e conflitos

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Resolução do Conselho do Plano Brasil Soberano foi publicada nesta segunda. Fiscalização e o acompanhamento das operações ficarão a cargo do BNDES.
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Por g1 — Brasília

Postado em 24 de Agosto de 2.026 às 13h50m
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O governo publicou, no "Diário Oficial da União" (DOU) desta segunda-feira (24) uma resolução que aprova a aplicação de R$ 13,5 bilhões em linhas de financiamento para socorrer empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros e por conflitos internacionais.

A a alocação dos recursos foi aprovada pelo Conselho Interministerial do Plano Brasil Soberano, um pacote de medidas anunciado pelo governo em julho.

Do montante total de R$ 13,5 bilhões, a maior fatia, de R$ 5 bilhões, será destinada especificamente ao apoio de exportadores e de cadeias de fornecimento afetados pelo aumento das alíquotas de tarifas aplicadas pelo governo norte-americano.

Outros R$ 3,5 bilhões serão alocados para companhias e fornecedores que comercializam com países do Golfo Pérsico, com o objetivo de amortecer os reflexos econômicos decorrentes do conflito no Oriente Médio

Lula diz a Trump que alegações para o tarifaço são infundadas
Lula diz a Trump que alegações para o tarifaço são infundadas

Em relação aos demais recursos:

  • R$ 2 bilhões vão para projetos industriais e tecnológicos nas etapas de lavra associadas a beneficiamento, refino ou transformação de minerais;
  • R$ 2 bilhões serão direcionados à produção e fabricação de fertilizantes ou de intermediários para o setor;
  • R$ 1 bilhão vai para setores industriais de relevância para a balança comercial brasileira.

Poderão ter acesso às linhas de crédito do Brasil Soberano:

  • empresas, cooperativas e associações exportadoras de bens industriais, bem como seus respectivos fornecedores
  • produtores e exportadores de produtos da agricultura, pecuária e pesca
  • empresas e fornecedores ligados à exportação de recursos minerais

Os beneficiários poderão utilizar os recursos para aquisição de máquinas, reforço do capital de giro, inovação tecnológica, entre outras finalidades.

A fiscalização e o acompanhamento das operações ficarão a cargo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O banco deverá enviar relatórios mensais ao Conselho Interministerial do Plano Brasil Soberano, detalhando o volume de propostas aprovadas, contratos firmados e valores efetivamente desembolsados.

Empresas exportadoras de São Carlos (SP) temem impacto do tarifaço de Trump — Foto: Reprodução/EPTV
Empresas exportadoras de São Carlos (SP) temem impacto do tarifaço de Trump — Foto: Reprodução/EPTV

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Ela ouviu que moda afro não dava dinheiro e começou negócio com R$ 300

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Marca criada por uma empreendedora paulistana transforma referências da ancestralidade africana em acessórios usados por artistas e personagens de uma novela da TV Globo.
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Por PEGN

Postado em 24 de Agosto de 2.026 às 05h00m
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Ela começou com R$ 300 e levou suas joias para uma novela
Ela começou com R$ 300 e levou suas joias para uma novela

Os búzios são muito mais do que elementos decorativos para a empreendedora Aline Neumann. Presentes em praticamente todas as suas criações, eles representam ancestralidade, espiritualidade e conexão com as raízes africanas.

Foi a partir desse símbolo que ela construiu uma marca de afrojoias que hoje conquista clientes em todo o Brasil e ganhou destaque em uma novela da TV Globo.

Formada em Moda, Aline sempre desenvolveu projetos inspirados na cultura afro-brasileira. Apesar do reconhecimento acadêmico, ouviu de um professor que deveria abandonar a ideia porque "moda afro não dava dinheiro".

O comentário, em vez de desanimá-la, serviu como combustível para seguir em frente. A trajetória empreendedora começou de forma simples.

Com investimento inicial de apenas R$ 300, ela produziu os primeiros brincos e passou a vendê-los na Avenida Paulista, em São Paulo.

Ela ouviu que moda afro não dava dinheiro e começou negócio com R$ 300 — Foto: Reprodução/PEGN
Ela ouviu que moda afro não dava dinheiro e começou negócio com R$ 300 — Foto: Reprodução/PEGN

O dinheiro arrecadado foi reinvestido na produção até que surgiu a oportunidade de participar da Feira Preta, considerado um dos maiores eventos de cultura e empreendedorismo negro da América Latina. Lá, vendeu todas as peças que levou.

No início, os acessórios eram feitos com materiais simples, mas carregavam uma identidade visual forte. A receptividade dos clientes e os elogios de personalidades conhecidas ajudaram a consolidar a confiança da empreendedora no potencial do negócio.

Com o tempo, ela aprendeu sozinha a confeccionar peças com búzios e ampliou o catálogo para incluir colares, pulseiras e anéis.

Hoje, os brincos da marca custam, em média, R$ 150, enquanto os colares são vendidos por cerca de R$ 250. Parte dos materiais utilizados é importada de países africanos, e algumas peças em latão são produzidas por um artesão do Quênia.

Ela ouviu que moda afro não dava dinheiro e começou negócio com R$ 300 — Foto: Reprodução/PEGN
Ela ouviu que moda afro não dava dinheiro e começou negócio com R$ 300 — Foto: Reprodução/PEGN

Para profissionalizar a empresa, Aline buscou cursos e mentorias voltados à gestão, finanças e marketing. O aprendizado ajudou a estruturar a operação e preparar a marca para novos desafios.

O reconhecimento ganhou ainda mais força quando as joias passaram a integrar o figurino da novela "A Nobreza do Amor". As peças são usadas pelos personagens do núcleo africano da trama, reforçando elementos de identidade, realeza e ancestralidade presentes na história.

Além da novela, as criações da empreendedora também já foram usadas por artistas como Taís Araújo, Lázaro Ramos e IZA.

Para clientes como a historiadora e influenciadora Preta Rara, os acessórios representam mais do que estilo: simbolizam pertencimento, autoestima e valorização da cultura negra.

Agora, a empreendedora planeja ampliar suas referências por meio de viagens ao continente africano, em busca de novas inspirações para as próximas coleções.

Para ela, o sucesso da marca é resultado da combinação entre coragem, propósito e fidelidade às próprias raízes.

Ela ouviu que moda afro não dava dinheiro e começou negócio com R$ 300 — Foto: Reprodução/PEGN
Ela ouviu que moda afro não dava dinheiro e começou negócio com R$ 300 — Foto: Reprodução/PEGN

AfrotiK (Acessórios – Novela “Nobreza do Amor”)

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domingo, 23 de agosto de 2026

IA pode estar freando salários antes de cortar empregos; veja profissões mais expostas e rankings

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Pesquisa com 321 ocupações nos EUA encontrou crescimento salarial 6,7 pontos percentuais menor entre profissionais mais expostos à tecnologia, mas não identificou efeito significativo sobre o emprego.
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Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Postado em 23 de Agosto de 2.024 às 06h00m
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Veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia
Veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia

O receio mais comum sobre a inteligência artificial é que ela elimine empregos. Mas um novo estudo sugere que o primeiro grande impacto da tecnologia pode estar acontecendo de forma mais discreta: os trabalhadores continuam empregados, mas seus salários passam a crescer mais devagar.

A conclusão é de uma pesquisa da gestora americana Apollo Global Management. O estudo analisou dados de salários, emprego e uso real de inteligência artificial em 321 ocupações dos Estados Unidos.

Segundo os pesquisadores, profissionais de áreas mais expostas à IA tiveram crescimento salarial 6,7 pontos percentuais menor do que trabalhadores de ocupações menos expostas após a popularização de ferramentas como ChatGPT e Claude.

O levantamento não encontrou evidências estatisticamente significativas de destruição de empregos nas ocupações mais expostas. O impacto aparece, até agora, na evolução dos salários e é ainda mais forte entre os trabalhadores de menor renda. Nesse grupo, a perda relativa no crescimento salarial chegou a 10,7%.

  • 🔎 O estudo não afirma que os salários dessas profissões necessariamente diminuíramO que os pesquisadores identificaram foi que eles passaram a crescer em ritmo menor do que os salários observados em ocupações menos expostas à inteligência artificial.

Essas não são necessariamente as profissões que mais perderam vagas, mas aquelas em que a inteligência artificial já é usada para executar uma parcela relevante das tarefas do dia a dia. Ou seja: são ocupações nas quais a IA já passou a fazer parte da rotina de trabalho.

A pesquisa identificou 11 ocupações com índice de exposição igual ou superior a 0,5, patamar considerado de alta exposição pelos pesquisadores.

São elas:

  1. Programadores (0,75)
  2. Atendentes de customer service (0,70)
  3. Digitadores e profissionais de entrada de dados (data entry) (0,67)
  4. Especialistas em prontuários médicos (0,67)
  5. Analistas de mercado e marketing (0,65)
  6. Transcritores médicos (0,64)
  7. Representantes de vendas não técnicas (0,63)
  8. Arquitetos de banco de dados (0,58)
  9. Analistas financeiros e de investimentos (0,57)
  10. Analistas e testadores de qualidade de software (QA) (0,52)
  11. Assistentes estatísticos (0,51)

📎 A exposição foi calculada a partir do Anthropic Economic Index, indicador criado com base em milhões de interações reais de usuários com o Claude, modelo de IA desenvolvido pela Anthropic. Quanto maior a pontuação, maior a proporção de tarefas daquela profissão que já aparece sendo realizada com auxílio da tecnologia.

O ranking revela um padrão claro: quase todas essas ocupações trabalham predominantemente com informações, documentos, textos, análise de dados, atendimento ou produção de conhecimento. São atividades nas quais ferramentas de IA conseguem auxiliar diretamente na execução das tarefas.

Isso ajuda a explicar por que ocupações baseadas em processamento de informação aparecem muito acima de profissões ligadas a atividades físicas, como construção civil, indústria, manutenção ou serviços manuais.

Exposição não significa perda de emprego

Embora as ocupações acima liderem o ranking de exposição, isso não significa que sejam as mais prejudicadas pelo avanço da inteligência artificial.

O desempenho do emprego e dos salários depende de uma combinação muito mais ampla de fatores, como produtividade, demanda por trabalhadores, escassez de mão de obra, crescimento do setor e qualificação exigida.

Entre as ocupações mais expostas, algumas registraram aumento de emprego, outras perderam trabalhadores. Algumas tiveram crescimento salarial e outras apresentaram queda.

  • Os analistas financeiros e de investimentos, por exemplo, aparecem entre as profissões mais expostas à IA, mas tiveram crescimento de 16,9% no emprego entre 2022 e 2024.
  • Já os programadores lideram o ranking de exposição e registraram queda de 17,2% no número de trabalhadores e redução salarial real de 6,1% no período.

Quando a análise passa dos níveis de exposição para os salários efetivamente observados, o ranking muda completamente.

As maiores perdas salariais registradas entre 2022 e 2024 foram:

  1. Locutores de rádio e DJs (-52,1%)
  2. Técnicos de radiodifusão (-29,5%)
  3. Diretores musicais e compositores (-17,8%)
  4. Técnicos de instrumentos de precisão (-15,0%)
  5. Árbitros e mediadores (-14,1%)
  6. Artesãos (-14,1%)
  7. Psicólogos organizacionais (-13,4%)
  8. Juízes e magistrados (-13,3%)
  9. Escritores e autores (-12,7%)
  10. Legisladores (-11,7%)

É importante destacar que esses números não significam que a IA foi responsável pelas perdas salariais. A queda pode ter sido influenciada por fatores específicos de cada setor, mudanças econômicas, transformações tecnológicas ou alterações na demanda por profissionais.

O mesmo acontece quando a análise considera apenas a variação no emprego.

As maiores reduções observadas foram:

  1. Vendedores porta a porta e jornaleiros (-46,9%)
  2. Fabricantes de moldes em madeira (-45,5%)
  3. Artistas de efeitos especiais e animadores (-40,9%)
  4. Legisladores (-38,2%)
  5. Técnicos de instrumentos de precisão (-37,8%)
  6. Coreógrafos (-36,5%)
  7. Técnicos de radiodifusão (-36,2%)
  8. Operadores de telemarketing (-31,2%)
  9. Entrevistadores de crédito (-28,7%)
  10. Astrônomos (-27,8%)
Então o que a pesquisa conclui, de fato?

A principal conclusão dos autores não veio da análise individual de cada profissão, mas de um modelo estatístico que comparou grupos de ocupações mais e menos expostas antes e depois da popularização da IA generativa.

Foi nessa comparação que os pesquisadores encontraram evidências de que ocupações altamente expostas apresentaram crescimento salarial mais fraco do que o restante do mercado de trabalho.

O efeito foi particularmente intenso nas ocupações de menor remuneração, enquanto trabalhadores do topo da distribuição salarial não apresentaram resultado estatisticamente significativo. Já para emprego, não foi identificado efeito significativo associado à exposição à IA.

Por isso, os autores argumentam que o primeiro impacto mensurável da inteligência artificial pode estar sendo a chamada "compressão salarial" — situação em que os ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia não se traduzem necessariamente em aumentos equivalentes para os trabalhadores.

Apesar dos resultados, os próprios autores fazem uma série de ressalvas.

  • A medida de exposição foi construída com base nos dados da Anthropic, e não inclui necessariamente todo o uso de ferramentas como ChatGPT, Gemini ou sistemas corporativos próprios.
  • Além disso, apenas 321 ocupações puderam ser cruzadas entre as bases utilizadas, e o período analisado após o surgimento da IA generativa ainda é relativamente curto.
programador de sistemas — Foto: Sora Shimazaki/Pexels
programador de sistemas — Foto: Sora Shimazaki/Pexels

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