Organização elevou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento do país neste ano, mas reduziu de 2,1% para 1,9% a estimativa para 2027. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por Ismael Jales, g1 — São Paulo Postado em 23 de Setembro de 2.024 às 14h10m .$.# Postagem - Nº 1.317#.$.
Crescimento das cidades impulsiona economia e traz novos desafios
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou para cima a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026.
A entidade agora estima uma alta de 2%, contra 1,6% projetados em junho. Para 2027, porém, a previsão foi reduzida: passou de 2,1% para 1,9%.
O novo relatório, divulgado nesta quarta-feira (23), mostra que oBrasil está entre as economias emergentes do G20que vêm conseguindo sustentar o crescimento apesar dos choques provocados pela guerra no Oriente Médio e pela alta dos preços de energia.
💰 O PIB brasileiro somou R$ 3,4 trilhões no 2º trimestre de 2026. Esse é o valor de todos os bens e serviços finais produzidos no país no período. Na comparação com o 1º trimestre, a economia cresceu 0,5%. Em relação ao 2º trimestre de 2025,a alta foi de 2%. No acumulado de 12 meses, o PIB cresceu 1,9%. Agora a OCDE estima um crescimento de 2% no acumulado do ano em relação a 2025.
O que explica a revisão para o Brasil
Segundo a OCDE, o crescimento de países como Brasil, Índia e Indonésia tem sido sustentado por uma “demanda doméstica resiliente”.
Na prática, isso significa que a economia continuou girando mesmo diante dos choques externos, com consumo e investimentos mantendo força.
No caso brasileiro, a organização também cita políticas de Estado que ajudaram a amortecer o impacto dos preços mais altos da energia sobre famílias e empresas.
A OCDE destacou ainda o comportamento dos juros. O Brasil é uma exceção entre os países do G20: desde março, a taxa básica caiu mais de 1 ponto percentual, enquanto vários outros países elevaram seus juros no mesmo período.
Tabela mostra crescimento do PIB de economias globais — Foto: g1
E o crescimento mundial?
Para a economia global, a OCDE também melhorou a previsão para 2026. A estimativa passou de 2,8% para 2,9%.
A entidade afirma que a economia mundial conseguiu absorver melhor do que o esperado os efeitos do conflito no Oriente Médio. Estoques de petróleo, aumento da oferta de energia fora da região do Golfo e medidas de apoio dos governos ajudaram a limitar o impacto do choque.
Outro fator citado foi o avanço dos investimentos relacionados à inteligência artificial.
Nos Estados Unidos, Canadá e Austrália, por exemplo, investimentos em data centers e equipamentos de tecnologia ajudaram o resultado do PIB no segundo trimestre. O aumento da produção desses equipamentos também beneficiou países como China, Japão e Coreia do Sul, que são importantes fornecedores de componentes tecnológicos.
Mas há riscos pela frente
Apesar da melhora na previsão para 2026, a organização vê riscos para o crescimento nos próximos meses.
A alta dos preços de energia deve continuar pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra das famílias. A OCDE também prevê que o crescimento mundial perca força no fim de 2026 e no início de 2027, antes de uma recuperação gradual caso o conflito no Oriente Médio seja resolvido.
No caso da inteligência artificial, a organização alerta que os investimentos atuais estão baseados em expectativas de ganhos elevados no futuro. Se esses retornos demorarem mais do que o esperado ou forem menores, o ritmo dos investimentos pode perder força.
Bandeira do Brasil hasteada em máquina agrícola na Agrishow 2023 em Ribeirão Preto, SP — Foto: Érico Andrade/g1
Pesquisa mostra diferenças por sexo, região, escolaridade e atividade econômica; Sul tem maior proporção de trabalhadores com CNPJ. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por Rayane Moura, g1 — São Paulo 23/09/2026 10h00 Atualizado há 21 minutos Postado em 23 de Setembro de 2.026 às 10h25m .$.# Postagem - Nº 1.316#.$.
O autônomo pode exercer atividade por conta própria, sem relação de trabalho com empresas. — Foto: Reprodução/Unsplash
A formalização entre empregadores e trabalhadores por conta própria atingiu recorde em 2025: 35% tinham empreendimento registrado no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), ante 24% em 2012, primeiro ano da série histórica.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (23).
O avanço foi puxado principalmente pelos trabalhadores por conta própria. Nesse grupo, a cobertura de CNPJ passou de 15% em 2012 para 27,1% em 2025, o maior percentual da série histórica.
O levantamento mostra ainda que, pela primeira vez, mais da metade (50,8%) dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo possuía CNPJ.
Entre os empregadores, a taxa de formalização também cresceu, passando de 75,6% para 81,1% no mesmo período. Os dados revelam diferenças importantes por sexo, região, atividade econômica e nível de instrução.(veja os comparativos abaixo)
➡️ Os comparativos históricos desconsideram 2020 e 2021, já que a pandemia de Covid-19 comprometeu a coleta e a divulgação dos dados nesses anos.
Trabalhadores por conta própria e empregadores com CNPJ — Foto: Arte g1
Mulheres têm maior cobertura de CNPJ que homens
Em 2025, 36,7% das mulheres ocupadas como empregadoras ou trabalhadoras por conta própria tinham CNPJ, contra 34,2% dos homens.
A diferença de 2,5 pontos percentuais aumentou em relação ao início da série. Em 2012, 24,4% das mulheres e 23,8% dos homens tinham empreendimento registrado, diferença de 0,6 ponto percentual.
A maior distância entre os sexos foi registrada em 2022, quando a cobertura chegou a 36,1% entre as mulheres e 33,1% entre os homens, diferença de 3 pontos percentuais.
Trabalhadores por conta própria e empregadores com CNPJ por sexo — Foto: Arte g1
Sul tem maior proporção de trabalhadores com CNPJ
A cobertura de CNPJ também varia entre as regiões do país. Em 2025, o Sul apresentou a maior taxa, de 46,7%, seguido por Sudeste e Centro-Oeste, ambos com 41,6%.No Brasil, o percentual foi de 35%. As menores taxas foram registradas no Nordeste (20,1%) e no Norte (15,6%).
O Centro-Oeste teve o maior crescimento desde 2012: a proporção passou de 27,3% para 41,6%, alta de 14,3 pontos percentuais. No Sudeste e no Sul, o avanço foi de 11,2 pontos; no Nordeste, de 8,3 pontos; e no Norte, de 3,6 pontos.
➡️Brasil: de 24,0% para 35,0% (+11,0 p.p.)
➡️Centro-Oeste: de 27,3% para 41,6% (+14,3 p.p.), maior crescimento do período
➡️Sul: de 35,5% para 46,7% (+11,2 p.p.), maior proporção do país em 2025
➡️Sudeste: de 30,4% para 41,6% (+11,2 p.p.)
➡️Nordeste: de 11,8% para 20,1% (+8,3 p.p.)
➡️Norte: de 12,0% para 15,6% (+3,6 p.p.)
Comércio e serviços têm maiores taxas
Entre os trabalhadores por conta própria, a maior cobertura de CNPJ em 2025 foi registrada no comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, com 36,7%.
Na sequência aparecem os serviços (33,5%), a indústria geral (22,8%) e a construção (14,8%). A menor taxa foi registrada na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 6,5%.
A construção apresentou um dos maiores avanços no período. A proporção de trabalhadores por conta própria com CNPJ passou de 3,9% em 2012 para 14,8% em 2025, alta de 10,9 pontos percentuais.
Trabalhadores por conta própria com CNPJ, por atividade (%)
Atividade
2012 (%)
2016 (%)
2019 (%)
2024 (%)
2025 (%)
Total
15
18,8
20,2
25,7
27,1
Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura
4,3
4,1
7,1
7,2
6,5
Indústria geral
13,8
17,1
18,1
23,4
22,8
Construção
3,9
7,4
10
15,2
14,8
Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas
25,8
28,3
28,7
33,2
36,7
Serviços
21,4
26,8
25,1
31,5
33,5
Entre os empregadores, o comércio também apresentou a maior cobertura, de 88,2%, seguido por serviços (86,4%) e indústria (84,3%). Na construção, a taxa foi de 58,2%.
A agricultura teve novamente a menor proporção, com 32,7% dos empregadores registrados no CNPJ.
A construção foi o segmento que mais avançou entre os empregadores: passou de 36,4% em 2012 para 58,2% em 2025, alta de 21,8 pontos percentuais.
Empregadores com CNPJ, por atividade (%)
Atividade
2012 (%)
2016 (%)
2019 (%)
2024 (%)
2025 (%)
Total
75,6
82,1
80,5
80
81,1
Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura
28,1
35,5
35
32,1
32,7
Indústria geral
80,7
88,9
83,1
83,4
84,3
Construção
36,4
57,8
54
55,7
58,2
Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas
88,9
89,5
89,7
88,9
88,2
Serviços
80,9
85,8
84,7
84,5
86,4
A cobertura também aumenta conforme o nível de instrução. Em 2025, 50,8% dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo tinham CNPJ, o maior percentual da série histórica e a primeira vez em que a taxa ultrapassou 50%.
Entre aqueles com ensino médio completo e superior incompleto, a proporção foi de 29,7%. Já entre os que tinham ensino fundamental completo e médio incompleto, ficou em 18,6%.
A menor taxa foi registrada entre trabalhadores sem instrução ou com ensino fundamental incompleto: 11,1%. A diferença entre os grupos de maior e menor escolaridade chegou a 39,7 pontos percentuais.
O crescimento também foi maior entre os trabalhadores com ensino superior. Em 2012, 42,5% desse grupo tinha CNPJ. Em 2025, eram 50,8%, avanço de 8,3 pontos percentuais.
Veja abaixo a evolução da formalização entre trabalhadores por conta própria, por escolaridade (2012-2025):
🎓 Superior completo: de 42,5% para 50,8% (+8,3 p.p.), maior crescimento entre os níveis de instrução.
📚 Ensino médio completo e superior incompleto: de 23,3% para 29,7% (+6,4 p.p.).
🎒 Ensino fundamental completo e médio incompleto: de 13,2% para 18,6% (+5,4 p.p.).
➡️ Sem instrução e fundamental incompleto: de 7,2% para 11,1% (+3,9 p.p.).
Trabalhadores por conta própria com CNPJ, por escolaridade (%)
Nível de instrução
2012 (%)
2019 (%)
2022 (%)
2024 (%)
2025 (%)
Total
15
20,2
26,2
25,7
27,1
Sem instrução e fundamental incompleto
7,2
9,9
12,9
11
11,1
Ensino fundamental completo e médio incompleto
13,2
15,8
19,5
18,9
18,6
Ensino médio completo e superior incompleto
23,3
24,8
30,8
29
29,7
Superior completo
42,5
42,3
49,3
48,4
50,8
Entre os empregadores, o padrão também aparece. Em 2025, 91,8% daqueles com ensino superior completo tinham CNPJ, contra 81,8% entre os que tinham ensino médio completo e superior incompleto.
A taxa foi de 70,7% entre empregadores com ensino fundamental completo e médio incompleto e de 52,7% entre aqueles sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.
Empregadores com CNPJ, por escolaridade (%)
Nível de instrução
2012 (%)
2019 (%)
2022 (%)
2024 (%)
2025 (%)
Total
75,6
80,5
80,8
80
81,1
Sem instrução e fundamental incompleto
49,4
56
56,8
51,9
52,7
Ensino fundamental completo e médio incompleto
69,1
75,7
73,3
69,2
70,7
Ensino médio completo e superior incompleto
80,5
83,1
82,4
81,9
81,8
Superior completo
90,5
90,4
90,8
90,2
91,8
Segundo William Kratochwill, analista de pesquisas do IBGE, a relação entre escolaridade e registro no CNPJ está ligada ao próprio processo de estruturação dos negócios.
“Quanto maior o nível de instrução, mais preparada a pessoa está para o mercado e mais ela entende as vantagens e as dificuldades de ter ou não ter um registro. Isso pode facilitar as operações, a compreensão dos custos, a precificação e o funcionamento do negócio.”
Para ele, a baixa cobertura entre trabalhadores por conta própria também reflete o perfil de parte desse grupo, formado por pessoas que estão começando um empreendimento ou que passaram a trabalhar por conta própria após perder uma ocupação.
“À medida que essas pessoas adquirem conhecimento e o negócio se estrutura, elas podem passar da condição de conta própria para a de empregador, contratando outras pessoas e mudando de patamar”, afirma.
Kratochwill ressalta que, apesar do avanço, a proporção de trabalhadores por conta própria com CNPJ ainda é baixa.
“É óbvio que 27,1% é um valor baixo. O que se espera são valores bastante elevados, porque há uma série de benefícios e contribuições para a economia que o registro pode trazer.”
O pesquisador também afirma que a PNAD Contínua não permite identificar se o avanço dos registros está relacionado ao fenômeno da pejotização.
Na PNAD ainda não temos informações sobre pejotização que possam dar subsídio para uma afirmação desse tipo. É possível que o registro seja uma forma utilizada pelas empresas para reduzir custos, mas não temos elementos, nesta pesquisa, para afirmar que isso está acontecendo.
— William Kratochwill, analista de pesquisas do IBGE
Os dados do IBGE mostram que o crescimento da cobertura de CNPJfoi mais expressivo entre os trabalhadores por conta própria.
Nesse grupo, a taxa aumentou 12,1 pontos percentuais, de 15% em 2012 para 27,1% em 2025. Ainda assim, 72,9% dos trabalhadores por conta própria não tinham CNPJ no ano passado.
Entre os empregadores, a cobertura já era elevada no início da série e avançou 5,5 pontos percentuais, passando de 75,6% para 81,1%.
Empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ (%) — Foto: Arte g1
Os números mostram que o registro no CNPJ se tornou mais comum entre diferentes grupos de trabalhadores ao longo dos últimos 13 anos, mas permanece desigual conforme a região, a atividade econômica, o sexo e o nível de escolaridade.
A pesquisa mostra, portanto, um avanço do registro no CNPJ entre trabalhadores por conta própria e empregadores, mas também revela que a cobertura ainda é bastante desigual entre os diferentes perfis de trabalhadores.
Sair durante atestado ou gravar trend no trabalho pode dar justa causa? Entenda
Ministério também revisou para baixo a projeção de inflação para 2026, citando resultados recentes do IPCA e melhora das expectativas inflacionárias. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por Mariana Assis, g1 — Brasília 22/09/2026 14h30 Atualizado há uma hora Postado em 22 de Setembro de 2.026 às 15h30m .$.# Postagem - Nº 1.315#.$.
O Ministério da Fazendarevisou para baixo a projeção de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,3% para 2,0%, refletindo principalmente a desaceleração do setor de serviços, influenciada pelo comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas.
"A projeção para o setor de serviços caiu de 2,4% para 1,8% e a da indústria, de 2,1% para 1,7%, movimentos parcialmente compensados pela agropecuária, revisada de 1,8% para 2,8%. Nos serviços, a revisão decorre do carrego mais fraco deixado pelo primeiro semestre e da transmissão defasada da política monetária sobre a demanda doméstica", explica o governo no Boletim Macrofiscal, divulgado nesta terça-feira (22).
A publicação, divulgada bimestralmente, reúne projeções de curto e médio prazo para indicadores de atividade econômica e inflação utilizados no processo orçamentário da União.
"Ainda que o endividamento das famílias siga estável em proporção da renda, o comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo", explica o ministério.
A pasta menciona ainda o desempenho da indústria, pressionada pelo custo do crédito e pela demanda mais fraca por bens de consumo, enquanto a atividade extrativa continua sustentando o setor.
Em sentido contrário, o mercado de trabalho segue amparando os segmentos ligados ao consumo das famílias, e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física eleva a renda disponível ao longo do segundo semestre, atenuando a desaceleração projetada.
As estimativas para a inflação em 2026 também foram revistas para baixo, passando de 5,1% para 4,9%.
🔎Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
Entre os fatores para a revisão, o ministério cita os resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, que ficaram abaixo do projetado anteriormente, especialmente no grupo de alimentação no domicílio e, em menor medida, no de serviços.
"A revisão também incorpora a melhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026", acrescenta o documento.
Por outro lado, a projeção incorpora fatores de pressão inflacionária, como o fenômeno El Niño. A estimativa, porém, ainda não considera as medidas recentes relacionadas aos combustíveis.
No caso da gasolina, as alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins foram reduzidas em R$ 0,63 por litro, em substituição à subvenção de R$ 0,44 por litro. Para o etanol hidratado, as duas contribuições foram zeradas, resultando em uma redução da carga tributária de R$ 0,19 por litro.
Segundo o ministério, a desoneração da gasolina e do etanol hidratado, sem considerar a subvenção ao diesel, tem potencial para reduzir o IPCA em aproximadamente 0,15 ponto percentual.
Economia brasileira. — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Projeções para 2027
Já para 2027, a projeção de crescimento da economia foi revisada de 2,5% para 2,3%, refletindo os efeitos da política monetária contracionista.
"O resultado apoia-se sobretudo nos efeitos defasados do ciclo de flexibilização monetária e na continuidade da expansão da indústria extrativa e das exportações associadas. A queda da Selic iniciada em 2026 transmite-se gradualmente ao crédito e à demanda doméstica, estimulando a indústria de transformação, a construção e os serviços mais cíclicos, segmentos mais sensíveis ao ciclo de juros."
A projeção para a inflação, por sua vez, foi revisada para cima, de 3,6% para 3,8%, refletindo os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano.
"Além dos efeitos de segunda ordem do El Niño sobre as carnes, a possível reversão do ciclo pecuário, com maior retenção de fêmeas, gera um risco ainda maior de elevação dos preços desse item. Adicionalmente, foram incorporados ao cenário a recente aceleração do IPA-DI agropecuário, que aumenta o risco de repasse dos preços do atacado ao consumidor, além dos riscos associados ao choque de fertilizantes sobre a safra de 2027, decorrentes da intensificação do conflito no Oriente Médio. Para os anos seguintes, projeta-se a convergência da inflação para a meta", explica o ministério.
Conflito EUA x Irã
Em relação ao conflito entre Estados Unidos e Irã, o governo avalia que o choque deixou de ser pontual e passou a operar como condição persistente do cenário de energia.
Isso porque o acordo provisório não evoluiu para um acordo formal e o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz permaneceu abaixo dos níveis anteriores ao conflito, ao mesmo tempo em que ataques no Mar Vermelho mantêm riscos sobre o estreito de Bab el-Mandeb.
Nesse cenário, a cotação para o petróleo Brent apresentou volatilidade expressiva, ultrapassando o patamar de U$100 por barril na primeira semana de setembro, em um momento em que os estoques mundiais têm se reduzido.
Esse é um dos motivos pelos quais a projeção para o preço médio do barril passou de US$ 79,2 para US$ 87,7 por barril, neste ano. Para 2027, também houve elevação, passando de US$ 71,0 para US$ 79,5.