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sábado, 28 de fevereiro de 2026

União Europeia vai aplicar provisoriamente acordo com o Mercosul

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Medida busca garantir vantagem comercial ao bloco europeu enquanto avança o processo de ratificação do tratado.
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Por Redação g1 — São Paulo
27/02/2026 07h51 
Postado em 28 de Fevereiro de 2.026 às 07h30m
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Câmara aprova acordo Mercosul - União Europeia

Câmara aprova acordo Mercosul - União Europeia

União Europeia aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul para garantir a chamada vantagem do pioneirismo, afirmou na sexta-feira (27) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A decisão foi anunciada após Argentina e Uruguai concluírem a ratificação do tratado na quinta-feira (26) e ocorre apesar da forte oposição da França.

A Comissão dará agora seguimento à aplicação provisória, disse von der Leyen, ao destacar que o acordo só será plenamente concluído após a aprovação do Parlamento Europeu.

No Mercosulo Uruguai foi o primeiro país a ratificar o texto, após aprovação na Câmara e no Senado.

A Argentina tornou-se o segundo, com aval do Senado. Brasil e Paraguai também já iniciaram seus trâmites legislativos: no Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que agora segue para o Senado; no Paraguai, o processo está em andamento e deve ser concluído nos próximos dias.

Segundo a Comissão Europeia, cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações do bloco serão eliminados.

Alemanha e outros defensores do pacto, como a Espanha, afirmam que o tratado é essencial para compensar perdas provocadas pelas tarifas dos Estados Unidos e para reduzir a dependência da China no fornecimento de minerais estratégicos.

Já os críticos, liderados pela França — maior produtor agrícola da União Europeia —, alertam que o acordo pode ampliar significativamente as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, prejudicando agricultores locais, que vêm promovendo protestos recorrentes.

Acordo UE-Mercosul na Justiça

A medida foi aprovada por margem estreita, em meio à pressão de produtores rurais e à resistência francesa. O envio do tratado à Corte tende a impedir sua entrada em vigor por vários meses.

A Comissão Europeia criticou a decisão e reiterou a defesa da aplicação provisória, argumentando que o bloco precisa ampliar o acesso a novos mercados.

Enquanto o tribunal analisa o texto — um processo que pode levar meses ou até anos —, o acordo segue politicamente travado, apesar do apoio de países como a Alemanha e do interesse do Brasil em acelerar a ratificação.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 23 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Yves Herman
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 23 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Yves Herman

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Nvidia projeta US$ 78 bilhões em vendas no 1º trimestre e reduz temor de bolha na IA

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Fortes investimentos de gigantes de tecnologia em infraestrutura de inteligência artificial sustentam a projeção da fabricante de chips.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 25 de Fevereiro de 2.025 às 19h20m
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Pessoa passa por painel com logomarca da Nvidia na Computex em Taiwan em junho de 2024 — Foto: Ann Wang/Reuters
Pessoa passa por painel com logomarca da Nvidia na Computex em Taiwan em junho de 2024 — Foto: Ann Wang/Reuters

Nvidia projetou nesta quarta-feira (25) receita acima das previsões do mercado para o primeiro trimestre, impulsionada pelos fortes investimentos de grandes empresas de tecnologia em seus processadores de inteligência artificial.

Em seu balanço financeiro, a fabricante de chips informou que espera vendas de US$ 78 bilhões no primeiro trimestre fiscal, com variação de 2% para mais ou para menos — acima da média das estimativas de analistas compiladas pela LSEG, de US$ 72,60 bilhões.

Os resultados do quarto trimestre fiscal (novembro a janeiro) também ficaram acima das projeções dos analistas. No período, a receita da Nvidia cresceu 73% na comparação com o ano anterior, para US$ 68,1 bilhões, enquanto o lucro quase dobrou, para cerca de US$ 43 bilhões, ou US$ 1,76 por ação.

🚨 Investidores aguardavam os resultados da Nvidia para avaliar se as centenas de bilhões de dólares que as grandes empresas de tecnologia vêm investindo em infraestrutura de data centers estão gerando retorno.

Nesse contexto, ganhou força o debate sobre uma possível bolha da IA — o temor de que o entusiasmo com a tecnologia esteja inflando as ações do setor além do que os resultados efetivamente justificam.

O cenário levou investidores das bolsas dos EUA a buscar sinais de demanda firme pelos chips de inteligência artificial da Nvidia, diante dos elevados investimentos anunciados por Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta, que devem somar ao menos US$ 630 bilhões em 2026.

A maior parte desses recursos será destinada a data centers e processadores.

Enquanto isso, empresas e governos intensificam investimentos na corrida para desenvolver tecnologias de inteligência artificial cada vez mais sofisticadas, sob o risco de ficarem para trás.

No entanto, começam a surgir sinais de que a longa hegemonia da Nvidia na fabricação de chips de inteligência artificial pode estar ameaçada. A AMD deve lançar ainda este ano um novo servidor de IA de ponta e já fechou acordos com clientes importantes da Nvidia, incluindo a Meta.

O Google, por sua vez, desponta como um dos principais concorrentes após fechar um acordo para fornecer à Anthropic — criadora do chatbot Claude — seus próprios chips, conhecidos como TPUs.

A empresa, controlada pela Alphabet, também negocia o fornecimento desses processadores à Meta, segundo relatos da imprensa.

As grandes empresas de tecnologia também têm investido cada vez mais no desenvolvimento de chips próprios para ampliar seu poder computacional, destinando esses processadores a seus centros de dados.

* Com informações das agências Reuters e Associated Press

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Dólar cai e fecha em R$ 5,15 pela 1ª vez desde 2024, com tarifas no foco; Ibovespa tem novo recorde 

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A moeda americana caiu 0,26%, cotada a R$ 5,1553. Já o principal índice da bolsa brasileira encerrou com um avanço de 1,40%, aos 191.490 pontos, uma nova máxima histórica.
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Por Redação g1 — São Paulo
24/02/2026 09h00 
Postado em 24 de Fevereiro de 2.026 às 11h00m
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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar inverteu o sinal positivo visto na primeira metade do pregão e fechou em queda de 0,26% nesta terça-feira (24), cotado a R$ 5,1553 — renovando o menor patamar desde 28 de maio de 2024, quando fechou em R$ 5,1534. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,1424.

Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou com um avanço de 1,40% e bateu os 191.490 pontos, em um novo recorde de fechamento.

▶️ Nos Estados Unidosas incertezas sobre o tarifaço continuam a trazer cautela para os mercados. Nesta terça-feira, a tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções entrou em vigor, conforme aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras. A taxa corresponde ao percentual anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (20) — e não aos 15% indicados pelo republicano no último sábado.

  • Segundo o jornal britânico Financial Times, a expectativa é que o aumento de 15% venha posteriormente, com um decreto formal. No Brasil, apesar de vários itens constarem na lista de isenção, outros seguem bastante taxados — no caso do aço e do alumínio, por exemplo, a alíquota de 50% continua e se soma aos 10% recentemente anunciados.
  • Ainda assim, segundo o estudo da Global Trade Alert, o Brasil está entre os países mais beneficiados pelas mudanças nas tarifas, com uma redução de 13,6 pontos percentuais das tarifas médias.

▶️ O noticiário americano ainda contou com discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). As falas foram acompanhadas de perto pelos investidores, que seguem atentos a eventuais sinais sobre os próximos passos da instituição na condução dos juros dos EUA.

  • De acordo com a ferramenta Fedwatch, do CME Group, a maior parte do mercado (98%) espera uma manutenção das taxas pelo Fed na reunião de março. Em geral, juros mais altos nos EUA costumam atrair o capital de investidores para o país e fortalecer o dólar. Para o Brasil, isso pode se traduzir em um real mais fraco e uma inflação mais alta, o que tende a fazer com que o Banco Central também aumente os juros por aqui.

▶️ No Brasila representação brasileira no Parlamento do Mercosul aprovou, nesta terça-feira, o acordo de livre comércio entre o bloco sul-americano e a União Europeia (UE). Na prática, o tratado pode criar a maior zona de livre comércio do mundo. Agora, o texto segue para o Plenário da Câmara.

  • No último sábado, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PBafirmou que a proposta deve ser votada pelos deputados nesta semana. A expectativa é que o acordo dê condições melhores ao Brasil para defender e desenvolver setores produtivos.
  • O acordo já é negociado há mais de 25 anos e prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

▶️ Na agenda econômicaas transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões no mesmo mês de 2025. Nos 12 meses até janeiro, o déficit caiu para US$ 67,6 bilhões (2,92% do PIB).

▶️ No campo políticoa Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado ouve o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, em reunião do grupo de trabalho que acompanha as investigações sobre o Banco Master.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,40%;
  • Acumulado do mês: -1,76%;
  • Acumulado do ano: -6,07%.
📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +0,50%;
  • Acumulado do mês: +5,58%;
  • Acumulado do ano: +18,85%.
Tarifas dos EUA entram em vigor

Os EUA passaram a aplicar, a partir de hoje, uma tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos que não estejam cobertos por isenções.

A medida foi informada em um aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) e corresponde à taxa inicialmente anunciada pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (20) — e não aos 15% mencionados por ele no dia seguinte.

Após a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas anteriores, justificadas por motivos de emergência, Trump anunciou uma nova taxa global temporária de 10%. No sábado (21), afirmou que elevaria esse percentual para 15%.

Em comunicado destinado a fornecer orientações sobre a Proclamação Presidencial de 20 de fevereiro de 2026, a CBP informou que, exceto os produtos listados como isentos, as importações estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%.

A decisão ampliou a incerteza em torno da política comercial dos EUA, sem esclarecer por que foi adotado o percentual mais baixo.

Em meio às incertezas geradas pela entrada em vigor das tarifas comerciais, Trump fará o discurso anual do Estado da União no Capitólio, às 23h (horário de Brasília). A cerimônia é uma tradição da política americana. Nela, o presidente apresenta ao Congresso um balanço do governo e as prioridades para o ano.

  • Estatísticas do setor externo

Agenda Econômica

As transações correntes do balanço de pagamentos — que resumem quanto o país recebe e paga ao exterior com comércio, serviços, rendas e transferências — registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026. As informações foram divulgadas nesta terça-feira pelo Banco Central.

O resultado veio pior do que o esperado por economistas ouvidos pela Reuters, que projetavam um déficit de US$ 6,4 bilhões, mas ainda assim menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões registrado em janeiro de 2025.

Na comparação anual, a melhora foi explicada principalmente pelo aumento do superávit na balança comercial de bens, que cresceu US$ 2,1 bilhões, e pela redução do déficit na conta de serviços, em US$ 581 milhões.

Segundo o BC, esses avanços foram parcialmente compensados por um aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária, que inclui pagamentos de juros e lucros ao exterior.

No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o déficit em transações correntes recuou para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB. Em dezembro de 2025, o déficit era de US$ 69,0 bilhões (3,03% do PIB), e em janeiro de 2025, de US$ 72,4 bilhões (3,35% do PIB).

A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 1,4 bilhão de janeiro de 2025.

As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 21,8 bilhões. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, as exportações caíram 1,2%, e as importações recuaram 10,0%.

  • De olho no Federal Reserve

Os investidores também avaliam novos discursos de dirigentes do banco central americano, conforme seguem na expectativa por novos sinais a respeito da condução dos juros por parte da instituição.

Nesta terça-feira, a diretora do Fed Lisa Cook, afirmou que a inteligência artificial tem provocado uma mudança geracional no mercado de trabalho dos EUA e pode levar a um possível aumento na taxa de desemprego.

"Parece que estamos nos aproximando da reorganização mais significativa do trabalho em gerações", afirmou a diretora em comentários preparados para uma conferência da Associação Nacional de Economia Empresarial.

"Em um boom de produtividade como este, um aumento no desemprego pode não indicar um aumento na folga. Assim, nossa política monetária normal do lado da demanda pode não ser capaz de amenizar um período de desemprego causado pela IA sem também aumentar a pressão inflacionária", disse Cook.

Além da diretora, o presidente da distrital do Fed em Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que o Fed pode voltar a cortar os juros se a inflação começar a cair, mas reiterou que seria arriscado usar o crescimento esperado da produtividade para flexibilizar a condução das taxas.

"Estou otimista de que, até o final de 206, seria apropriado que [a taxa básica de juros] sofresse mais alguns cortes", afirmou durante o mesmo evento da Associação Nacional de Economia Empresarial.

Goolsbee afirmou, no entanto, que está preocupado de que o Fed acabe antecipando demais o momento de corte de juros sem ter evidências suficientes de que a inflação está voltando para a meta do Fed, de 2%.

Mercados globais

Em Wall Street, os três principais índices americanos fecharam em alta, conforme investidores avaliavam o anúncio da Anthropic sobre novas ferramentas de inteligência artificial. A nova política de tarifas de Trump também continuava no radar.

Dow Jones avançou 0,76%, o S&P 500 subiu 0,78% e a Nasdaq ganhou 1,05%.

A maior busca por ativos de risco vista em Wall Street também se refletiu na Europa, embora os investidores continuassem aguardando uma maior clareza sobre a política comercial dos EUA.

O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,23%, a 629,14 pontos. Entre os demais índices da região, o FTSE 100, de Londres, caiu 0,04%; o DAX, de Frankfurt, recuou 0,02%; e o CAC 40, de Paris, ganhou 0,26%.

Na Ásia, o clima foi mais positivo, especialmente após o retorno dos investidores chineses de um feriado prolongado.

A expectativa de que uma revisão das tarifas dos EUA beneficie a economia chinesa impulsionou os mercados, fortalecendo o iuan e estimulando compras em várias bolsas da região.

Na China, o índice de Xangai subiu 0,9% e o CSI300 avançou 1%. Em Tóquio, o Nikkei cresceu 0,9%, para 57.321 pontos. O Kospi, na Coreia do Sul, subiu 2,11%, e o Taiex, em Taiwan, ganhou 2,75%.

Cédulas de dólar — Foto: John Guccione/Pexels
Cédulas de dólar — Foto: John Guccione/Pexels

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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Como o Irã pode retaliar caso sofra um ataque dos Estados Unidos?

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Fechamento do Estreito de Ormuz é a principal ameaça, o que pode fazer com que o preço do petróleo dispare e cause uma recessão mundial
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Mostafa Salem, da CNN
21/02/26 às 12:40 | Atualizado 21/02/26 às 12:40
Postado em 21 de Fevereiro de 2.026 às 13h40m
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Pessoas caminham por Teerã, no Irã  • 02/01/2026 Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

Por quase meio século, o Irã se preparou para uma guerra com os Estados Unidos. Incapaz de igualar o poderio militar americano, Teerã concentrou-se em maneiras de impor custos elevados que poderiam abalar o Oriente Médio e a economia global.

Mesmo com as negociações com o Irã em andamento, os militares dos EUA estão prosseguindo com um significativo aumento de recursos aéreos e navais no Oriente Médio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, insinuou uma mudança de regime e alertou que poderia atacar o Irã, alimentando temores de uma guerra mais ampla.

Apesar de ter sido significativamente enfraquecido pelos ataques israelenses e americanos no ano passado e pela crescente agitação interna recente, o regime iraniano mantém uma série de opções de retaliação, segundo especialistas.

Dentre elas, o país considera desde atacar interesses dos EUA e de Israel até mobilizar grupos aliados e buscar perturbações econômicas que poderiam desencadear uma crise global.

A forma como Teerã escolherá usar as ferramentas à sua disposição dependerá do nível de ameaça que perceber estar enfrentando.

O regime tem muitas capacidades para usar se encarar isso como uma guerra existencial, disse Farzin Nadimi, pesquisador sênior do Washington Institute especializado em segurança e defesa do Irã.

"Se eles encararem isso como uma guerra final, poderão usar todos os seus recursos", completou.

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Acredita-se que o Irã possua milhares de mísseis e drones ao alcance das tropas americanas estacionadas em diversos países do Oriente Médio e ameaçou atacá-las, assim como Israel.

Em junho do ano passado, após Israel lançar um ataque surpresa contra o Irã, a República Islâmica retaliou disparando onda após onda de mísseis balísticos e drones contra o país, causando danos ao contornar as sofisticadas defesas aéreas israelenses.

Autoridades iranianas afirmam que grande parte dos estoques usados ​​naquela guerra foi reabastecida, e autoridades americanas acreditam que essas armas testadas em combate, assim como os antigos caças russos e americanos, continuam a representar uma ameaça.

O drone suicida Shahed do Irã, por exemplo, provou ser uma ferramenta destrutiva na guerra da Rússia na Ucrânia. O regime iraniano também desenvolveu, testou ou implantou mais de 20 tipos de mísseis balísticos, incluindo sistemas de curto, médio e longo alcance capazes de atingir alvos até mesmo no sul da Europa.

Drones de ataque Shahed em um caminhão sem identificação em uma exposição da Guarda Revolucionária Iraniana em Teerã, Irã, em 1º de maio de 2024 • Fred Pleitgen/CNN
Drones de ataque Shahed em um caminhão sem identificação em uma exposição da Guarda Revolucionária Iraniana em Teerã, Irã, em 1º de maio de 2024 • Fred Pleitgen/CNN

Temos de 30 a 40 mil soldados americanos estacionados em oito ou nove instalações naquela região, disse o secretário de Estado americano, Marco Rubio, no mês passado. Todos estão ao alcance de uma série de milhares de drones iranianos e mísseis balísticos iranianos (de curto alcance) que ameaçam nossa presença militar.

Dois oficiais americanos disseram à CNN que as capacidades militares de Teerã, mesmo que em número muito inferior e muito mais antigas do que os modernos sistemas americanos, tornam um ataque decisivo dos EUA contra o país muito mais difícil.

Teerã tem repetidamente alertado que retaliaria contra os aliados dos EUA na região caso fosse atacada.

Quando bombardeiros americanos atacaram instalações nucleares iranianas no verão, o Irã lançou um ataque com mísseis sem precedentes no Catar, visando a Base Aérea de Al-Udeid, a maior instalação militar americana no Oriente Médio.

Mobilizando grupos de apoio

Nos últimos dois anos, Israel tem atacado a rede regional de grupos apoiados pelo Irã, reduzindo significativamente a capacidade do regime de projetar poder além das fronteiras.

Ainda assim, esses grupos juraram defender a República Islâmica. Grupos iraquianos como o Kataeb Hezbollah e o Harakat al-Nujaba — milícias que já atacaram forças americanas no passado —, bem como o libanês Hezbollah, afirmaram que prestarão auxílio ao Irã caso seja atacado.

No mês passado, Abu Hussein al-Hamidawi, comandante do Kataeb Hezbollah, convocou os lealistas do Irã em todo o mundo… a se prepararem para uma guerra total em apoio à República Islâmica.

Apesar das ameaças, os grupos apoiados pelo Irã enfrentam limitações. No Líbano, o outrora formidável Hezbollah foi significativamente enfraquecido após 13 meses de conflito com Israel e agora enfrenta uma campanha interna de desarmamento.

No Iraque, as milícias apoiadas pelo Irã são poderosas, mas também enfrentam obstáculos impostos por um governo central que sofre crescente pressão dos EUA para conter a influência iraniana.

Os Houthis no Iêmen tem sido alvo tanto de Israel quanto dos EUA, mas continua sendo um dos representantes mais destrutivos do Irã e já indicou que defenderá seu patrono.

No final de janeiro, os Houthis divulgaram um vídeo mostrando imagens de um navio em chamas, acompanhado da simples legenda: "Em breve".

Com o apoio iraniano nos últimos anos, o grupo atacou a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e Israel, bem como navios americanos no Mar Vermelho.

Guerra econômica

O Irã alertou repetidamente que uma guerra contra ele não se limitaria ao Oriente Médio, mas enviaria ondas de choque por todo o mundo. Embora militarmente inferior, Teerã tem vantagem em sua capacidade de perturbar os mercados de energia e o comércio global a partir de uma das regiões mais estrategicamente sensíveis do mundo.

O Irã, um dos maiores produtores de energia do mundo, está situado no Estreito de Ormuz, uma passagem marítima por onde fluem mais de um quinto do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito.

Estreito de Ormuz - Irã • Arte: CNN Brasil
Estreito de Ormuz - Irã • Arte: CNN Brasil

O regime ameaçou fechá-lo caso seja atacado — uma perspectiva que, segundo especialistas, poderia fazer os preços dos combustíveis dispararem muito além das fronteiras do Irã e desencadear uma recessão econômica global.

Especialistas afirmam que atacar a economia global através do estreito pode ser uma das opções mais eficazes do Irã. É também a mais perigosa devido ao seu amplo impacto.

Um fechamento prolongado do estreito representaria um cenário perigoso, disse Umud Shokri, estrategista de energia baseado em Washington, D.C. e pesquisador visitante sênior da Universidade George Mason.

Mesmo interrupções parciais poderiam provocar aumentos acentuados nos preços, interromper as cadeias de suprimentos e amplificar a inflação mundial. Em tal cenário, uma recessão global seria um risco real", acrescentou Shokri.

Tal medida provavelmente seria o último recurso do Irã, pois prejudicaria gravemente o próprio comércio e o de países árabes vizinhos, muitos dos quais pressionaram Trump contra um ataque e prometeram não permitir que Washington acesse seu território para um ataque iraniano.

O Irã afirma ter bases navais subterrâneas ao longo da costa do país, com dezenas de lanchas de ataque rápidas prontas para serem mobilizadas nas águas do Golfo Pérsico.

As forças armadas passaram três décadas construindo sua própria frota de navios e submarinos, com a produção intensificada nos últimos anos em antecipação a um possível confronto naval.

O vice-almirante aposentado Robert Harward, ex-SEAL da Marinha dos EUA e vice-comandante do Comando Central dos EUA, afirmou que as capacidades navais iranianas e seus aliados representam um desafio para a navegação no Estreito de Ormuz, quepode ser resolvido muito rapidamente.

Mas ferramentas assimétricas, como minas, drones e outras táticas, podem representar um desafio para a navegação e o fluxo de petróleo, disse ele.

A capacidade do Irã de interromper o transporte marítimo global e abalar a economia mundial tem precedentes históricos.

No final de uma longa guerra com o Iraque, na década de 1980, o Irã instalou minas marítimas no Golfo Pérsico, inclusive perto do estreito, uma das quais quase afundou o navio USS Samuel B. Roberts em 1988, enquanto este escoltava petroleiros kuwaitianos durante o que ficou conhecido como a "Guerra dos Petroleiros".

Em 2019, vários petroleiros foram atingidos no Golfo de Omã durante o aumento das tensões entre o Irã e as nações árabes do Golfo, após a retirada de Trump do acordo nuclear com o Irã. Acredita-se amplamente que o Irã tenha sido o responsável.

Mais recentemente, durante a guerra entre Israel e Hamas, os houthis interromperam o transporte marítimo comercial no Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, por onde passa cerca de 10% do comércio marítimo mundial.

Juntamente com a capacidade do Irã de ameaçar o tráfego pelo Estreito de Ormuz, Teerã exerce um poder desproporcional para infligir prejuízos econômicos globais.

A próxima guerra pode começar não no centro de Teerã, mas no Estreito de Ormuz e no Golfo Pérsico, disse Nadimi, do Instituto de Washington.


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