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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Por que o petróleo não dispara mesmo com ameaças de Trump ao Irã e à Venezuela

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Analistas estimam que excesso de oferta deve manter os preços controlados, entre US$ 60 e US$ 65 neste ano. Para o Brasil, patamar é bom para inflação, mas pode prejudicar as contas públicas.
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Por Isabela Bolzani, g1 — São Paulo

Postado em 08 de Fevereiro de 2.026 às 10h00m
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Petróleo em 2026: excesso de oferta deve manter preços mais baixos
Petróleo em 2026: excesso de oferta deve manter preços mais baixos

As tensões envolvendo os Estados Unidos, o Irã e a Venezuela causaram preocupações no mercado de petróleo, mas não foram suficientes para mudar as expectativas para os preços do produto ao longo deste ano.

Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o mercado internacional de petróleo vive um momento de excesso de oferta nos países produtores, o que deve ajudar a manter os preços mais baixos nos próximos meses.

A previsão do mercado é que o preço do barril de petróleo fique entre US$ 60 e US$ 65 em 2026. Esse patamar está próximo do limite necessário para que os investimentos das empresas do setor sigam sendo viáveis, especialmente os projetos mais caros.

No Brasil, o petróleo mais barato costuma ajudar a segurar os preços da gasolina e do diesel, o que tende a aliviar a inflação. Por outro lado, também pode prejudicar as contas públicas, já que uma boa parte da arrecadação vem dos impostos das cadeias de combustíveis e exportação de petróleo. (entenda mais abaixo)

Efeito Trump?

Grande parte dos eventos geopolíticos que influenciaram o preço do petróleo está relacionada ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Nos primeiros dias de 2026, Trump ordenou um ataque contra a Venezuela, em uma ação que resultou na prisão do presidente do país, Nicolás Maduro. A operação abriu caminho para um maior acesso dos EUA ao petróleo venezuelano.

Ainda no fim de semana, Trump afirmou que os EUA passariam a administrar a Venezuela de forma temporária e assumiriam o controle das vendas de petróleo do país.

Houve impacto imediato nos mercados, mas o efeito durou pouco. Na segunda-feira, o barril do petróleo Brent — referência para o mercado — subiu 1,6%, para US$ 61,76. Na terça-feira, despencou 7%, para US$ 60,70. Os dados são da consultoria Elos Ayta.

No Irã, que enfrentava uma onda de protestos desde 28 de dezembro, as tensões também aumentaram depois que Trump sugeriu a possibilidade de atacar o país.

  • 🔎 O Irã é um dos países fundadores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e o 5º maior produtor de petróleo do mundo. Além disso, o país fica próximo ao Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado por navios no planeta.

Com a ameaça de Trump, investidores passaram a temer interrupções na produção iraniana e no tráfego pelo Estreito de Ormuz. O petróleo subiu mais de 4%, de US$ 63,87 para US$ 66,52. Mas os preços voltaram a cair após o recuo do presidente americano dois dias depois.


O vaivém do presidente americano é uma característica conhecida. Desde então, ele voltou a ameaçar o regime iraniano dos aiatolás e afirmou que o país deveria fechar um acordo para evitar um novo ataque. Agora, Trump diz querer negociar o programa nuclear iraniano.

Representantes dos dois países chegaram a se encontrar na última sexta-feira (6), em uma "atmosfera muito positiva", segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi.

“Em um clima muito positivo, nossos argumentos foram trocados e os pontos de vista da outra parte nos foram apresentados”, disse Araqchi à TV estatal iraniana, acrescentando que as duas partes “concordaram em continuar as negociações, mas decidiremos posteriormente sobre as modalidades e o cronograma”.

Segundo o diretor-geral da ANP, Artur Watt, apesar de as incertezas geopolíticas terem provocado o sobe e desce no curto prazo, ainda não está claro se elas vão afetar a oferta de petróleo no futuro.

“O preço do petróleo já vinha em trajetória de baixa. Mas é normal que as notícias tragam oscilações”, diz.

Sem pânico

Apesar das tensões geopolíticas, analistas acreditam que a dinâmica de oferta e demanda ainda prevalece nas análises do mercado. E a oferta segue elevada.

“O mercado tem uma expectativa de baixa para os preços do petróleo. Há um consenso de que os balanços de oferta e demanda para 2026 indicam excesso de oferta”, diz o responsável pela cobertura de óleo e gás da XP, Régis Cardoso.

O especialista acrescenta que a situação envolvendo o Irã aumenta o risco para produtores que dependem do Estreito de Ormuz, mas ressalta que esse risco já está incorporado aos preços. Mesmo que algo aconteça, o impacto tende a ser limitado.

"Isso ainda é uma discussão sobre riscos futuros. O que aconteceu até o momento não teve efeito sobre os balanços de oferta e demanda do mercado", completa.

No caso da Venezuela, mesmo que os EUA passem a controlar as vendas de petróleo do país, os efeitos tendem a ser apenas de curto prazo. Como mostrou o g1, seriam necessários investimentos bilionários das petroleiras e um aumento consistente da produção para que houvesse mudanças duradouras.

Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), lembra ainda que o tipo de petróleo produzido na Venezuela é mais pesado e mais difícil de processar.

“Algumas refinarias conseguem processar, mas isso exige tecnologia e conhecimento técnico. E essa é uma capacidade que a Venezuela hoje não tem”, diz.

Segundo estudos do IBP, seriam necessários cerca de dois anos para iniciar projetos de retomada da produção no país e pelo menos oito anos para recuperar os níveis que a Venezuela já teve no passado — o país chegou a produzir mais de 3 milhões de barris de petróleo por dia nos anos 1970.

E o Brasil?

Caso os preços do petróleo realmente fiquem entre US$ 60 e US$ 65 neste ano, o Brasil encara dois efeitos principais.

1️⃣ Por um lado, uma parte relevante das contas públicas depende do petróleo. Quando o preço cai, a arrecadação também diminui.

Isso afeta:

  • Royalties e participações especiais: quanto menor o preço do barril no mercado internacional, menor é a arrecadação para a União, os estados e os municípios produtores;
  • Dividendos da Petrobras: preços mais baixos reduzem os lucros da empresa e, consequentemente, os dividendos distribuídos. Isso afeta o governo, acionista controlador.

Além disso, preços mais baixos tendem a reduzir o número de projetos das petroleiras, já que o retorno deixa de compensar o volume de investimento necessário.

2️⃣ Em contrapartida, preços mais baixos ajudam a conter a inflação ao reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis.

  • 🤔 Mas, se os preços do petróleo estão mais baixos, por que a gasolina continua cara?

Segundo especialistas consultados pelo g1, parte da explicação está na política de preços da Petrobras.

“A Petrobras tem buscado reduzir a volatilidade nos preços da gasolina e do diesel, e por isso existe a impressão de que a queda dos preços não se reflete na bomba”, explica Cardoso, da XP.

Ele acrescenta que o preço final pago pelo consumidor depende de vários fatores, e não apenas do preço do petróleo. “De modo geral, os preços da Petrobras têm oscilado em torno da paridade com o preço internacional”, afirma.

No fim de janeiro, a Petrobras anunciou uma redução de R$ 0,14 no preço médio da gasolina A, após três meses sem alterações. A última mudança havia sido anunciada em outubro de 2025.

Segundo a companhia, os preços praticados pela empresa representam apenas um terço do valor final pago pelos consumidores nos postos.

Exploração de petróleo em Sergipe — Foto: Agência Sergipe
Exploração de petróleo em Sergipe — Foto: Agência Sergipe

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PIX movimenta R$ 35,4 trilhões em 2025 e bate recorde; BC promete novidades para este ano

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Com mais de cinco anos de existência, ferramenta de transferência de recursos do Banco Central é reconhecida internacionalmente. PIX permitiu bancarização da população, novos modelos de negócios e promete novidades para os próximos anos.
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Por Alexandro Martello, Janize Colaço, g1 — Brasília e São Paulo

Postado em 08 de Fevereiro de 2.026 às 09h00m
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Começam a valer novas regras do PIX para combater fraudesComeçam a valer novas regras do PIX para combater fraudes

O Banco Central (BC) registrou R$ 35,36 trilhões em transferências via PIX em 2025. Um recorde.

O volume de valores transferidos cresceu 33,6% na comparação com 2024 — quando as movimentações totalizaram R$ 26,46 trilhões.

A quantidade de transações também superou a registrada no ano anterior. Em 2025, foram 79,8 bilhões de operações. Em 2024, o Banco Central contabilizou 63,5 bilhões de transferências.

O Banco Central também prevê novidades no principal meio de pagamento dos brasileiros para 2026 (veja mais abaixo nessa reportagem).

MOVIMENTAÇÕES DE RECURSOS PELO PIX
EM R$ TRILHÕES






Em novembro de 2025, quando o PIX fez aniversário de cinco anos, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, comentou que o país estava próximo, naquele momento, de ter toda a população adulta utilizando a ferramenta.

"É essencialmente quase todo adulto no país", disse o diretor do BC, na ocasião.

Ele também afirmou que a velocidade da adoção massiva do PIX pelo povo brasileiro surpreendeu, e que a ferramenta foi responsável por incluir milhares de pessoas no sistema financeiro.

Muita gente não usava as contas que tinha. Ou apenas recebia o salário, sacava tudo e só utilizava dinheiro. Depois do PIX, as pessoas perceberam a conveniência de se pagar as contas pelo celular e mudaram esse comportamento, passando, de fato, a usar suas contas, afirmou o diretor do BC, Renato Gomes, em novembro do ano passado. 
Evolução nos últimos anos

Reconhecido internacionalmente, a ferramenta de transferência em tempo real do Banco Central evoluiu nos últimos cinco anos. Entre elas:

  • 📩 PIX Cobrança: passou a cumprir o papel do boleto, permitindo que empresas e prestadores de serviço emitam e recebam pagamentos de forma mais rápida, com conciliação automática e comunicação direta com o cliente.
  • 💵 PIX Saque e PIX Troco: lojas e outros estabelecimentos passaram a funcionar como pontos de saque, o que descentraliza o acesso ao dinheiro e ainda reduz custos para o comércio ao incentivar o uso de pagamentos eletrônicos.
  • 📅 PIX Agendado: facilitou pagamentos periódicos e transferências com datas fixas, ganhando relevância entre empregadores, autônomos e profissionais liberais pela previsibilidade e organização financeira.
  • 📱 PIX por Aproximação: disponível inicialmente apenas para Android, trouxe a experiência de pagamentos por contato físico, semelhante aos cartões por aproximação, para o ambiente digital.
  • 🔄 PIX Automático: transforma os pagamentos recorrentes ao democratizar o equivalente ao débito automático, antes concentrado em grandes instituições, e facilitar cobranças de serviços contínuos.
  • 🌐 Integração com o Open Finance: ampliou o alcance das transações digitais, permitindo iniciar pagamentos por diferentes plataformas, especialmente em compras online e via celular.
Golpes, fraudes e a corrida pela segurança

A evolução do sistema de pagamentos também trouxe a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de segurança da ferramenta. Só em 2024, por exemplo, o BC registrou R$ 6,5 bilhões em perdas por fraudes pelo PIX, um aumento de 80% em relação ao ano anterior.

Já neste ano, o BC registrou o maior ataque hacker do país, que desviou R$ 800 milhões de bancos e empresas ligadas ao sistema PIX.

Uma das medidas mais recentes é a chamada coincidência cadastral, que exige que os dados das chaves coincidam com as informações da Receita Federal, reduzindo a abertura de contas com identidades falsas.

"O manual de penalidades também foi reforçado, tornando mais severas as sanções para instituições que não seguem as regras de segurança. Intermediários tecnológicos passaram a operar com limites restritos até cumprirem todas as exigências de credenciamento, e novos mecanismos de alerta para transações suspeitas estão em desenvolvimento", afirmou o diretor do BC, Renato Gomes.

➡️Mais recentemente, o BC passou a exigir que os bancos sigam novas regras para viabilizar a restituição de recursos em casos de fraude e de falha operacional.

Antes, a devolução só podia ser feita a partir da conta usada na fraude. No entanto, os golpistas costumam sacar ou transferir rapidamente o dinheiro para outras contas, perdendo a possibilidade de rastreio.

Novidades em estudo

➡️O Banco Central também prevê novidades para o PIX neste ano.

  • Cobrança Híbrida: inserção no regulamento do PIX da possibilidade de pagamento, por meio do QR code, de uma cobrança que também apresenta a possibilidade de pagamento por meio do arranjo de boleto. Isso já é oferecido de forma facultativa, mas a previsão é de que seja obrigatória a partir de novembro deste ano.
  • Duplicata: funcionalidade para permitir o pagamento de duplicatas escriturais (títulos de crédito) via PIX, facilitando a antecipação de recebíveis, com informações atualizadas em tempo real, reduzindo custos operacionais. Objetivo é que sirva de alternativa aos boletos bancários.
  • Split tributário: adequar a ferramenta, até o fim do ano, ao sistema de pagamento de impostos em tempo real que vem sendo desenvolvido pela Receita Federal no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. De 2027 em diante, a CBS (tributo federal sobre o consumo) será paga no ato da compra, desde que seja feita por meio eletrônico.

➡️Previstas para 2027, a depender de recursos disponíveis no Banco Central:

  • PIX internacional: modalidade que já é aceita em alguns países, como Argentina, Estados Unidos (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o formato atual de utilização do PIX, em outros países, é "parcial", focada em estabelecimentos específicos. A ideia é que os pagamentos transfronteiriços possam ser feitos de forma definitiva, entre países, no futuro. A ideia é interligar sistemas de pagamento instantâneos.
  • PIX em garantia: será um tipo crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A ideia é que esses trabalhadores possam dar, em garantia de empréstimos bancários, "recebíveis futuros", ou seja, transferências que irão receber por meio do PIX - possibilitando a liberação dos recursos e juros mais acessíveis.
  • PIX por aproximação (modelo offline): ideia é permitir o pagamento por aproximação mesmo que o usuário não esteja com seu dispositivo conectado, ou seja, ligado à rede por Wi-Fi ou 5G.

➡️Ao mesmo tempo, o Banco Central segue discutindo o lançamento, no futuro, das regras para o chamado PIX Parcelado, que será uma alternativa para 60 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso ao cartão de crédito.

💵O parcelamento por meio do PIX já é ofertado por várias instituições financeiras, uma linha de crédito formal, mas o BC quer padronizar as regras — o que tende a favorecer a competição entre os bancos e queda dos juros. Essa padronização não tem prazo definido.

— Foto: Divulgação
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