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Investimentos globais chegam a US$ 13 bilhões, com salto de 30% no segundo semestre do ano passado. Alemanha mira tecnologia, mas ainda está atrás de outras potências.
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Por Deutsche Welle
Postado em 05 de Julho de 2.026 às 14h10m
$.# Postagem - Nº 1.251 #.$

Crise do clima: a nova corrida dos EUA por energia nuclear
O mundo vive uma corrida pela liderança tecnológica da fusão nuclear, defendida por alguns como potencial fonte de energia massiva e livre de gases de efeito estufa. Embora a viabilidade econômica de uma eventual usina seja incerta, cada vez mais bilhões de dólares vêm sendo aplicados por governos, empresas e investidores privados.
No segundo semestre de 2025, os investimentos privados no setor cresceram num ritmo sem precedentes, com 85% do financiamento concentrado na China e nos Estados Unidos. O aumento global foi de 30%, alcançando US$ 13 bilhões (R$ 67 bilhões), segundo relatório da organização Fusion for Energy (F4E), da União Europeia (UE).
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Energia nuclear — Foto: GloboNews
Até 2050, o setor de energia de fusão poderia atingir um volume de mais de US$ 350 bilhões, estima a Agência Internacional de Energia (IEA). A demanda por energia cresce continuamente — impulsionada, entre outros fatores, pela eletrificação da economia. E os centros de dados necessários para a inteligência artificial (IA) aumentaram significativamente esse apetite.
- O princípio por trás da tecnologia é: núcleos atômicos leves se fundem, formando novos elementos e liberando energia na forma de calor. Esse calor pode ser utilizado para gerar eletricidade, de forma independente do clima, com segurança no fornecimento, sem combustíveis fósseis e sem emissão de gases de efeito estufa.
Ao contrário da energia nuclear convencional, na qual a energia é obtida pela fissão de núcleos atômicos, o risco de acidente na fusão é mais baixo. Os resíduos radioativos apresentam risco menor para a saúde humana e o meio ambiente.
Parte dos especialistas argumenta que mesmo um desenvolvimento tecnológico bem-sucedido não seria veloz o bastante para que a Europa alcance suas metas para proteger o clima.
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EUA anunciam avanço na produção de energia limpa baseada na fusão
nuclear — Foto: Reprodução/ Lawrence Livermore National Laboratory
Startups apostam na fusão
Durante décadas, o foco no tema da fusão nuclear esteve principalmente em grandes projetos financiados pelo Estado, como o ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor). Neste projeto, 35 países participam da construção de um reator experimental no sul da França, incluindo os países da UE, os Estados Unidos, a Rússia e a China.
Desde o início das obras em 2007, os custos aumentaram enormemente, enquanto a conclusão foi repetidamente adiada. Atualmente, a entrada em operação está prevista para o período entre 2034 e 2036.
Em todo o mundo, também foram fundadas muitas empresas que buscam avançar na construção de reatores de fusão nuclear. Atualmente, 77 companhias trabalham para levar a fusão nuclear à maturidade de mercado, segundo a F4E.
A maioria (42) está nos Estados Unidos, contra 8 na China e 6 no Reino Unido. Também na Alemanha 4 startups se posicionam no mercado.
Investimentos concentrados em EUA e China
A fusão nuclear não só exige muita pesquisa, como também a injeção de recursos. Excluindo os fundos públicos, cerca de € 13 bilhões foram investidos até o fim de 2025 na pesquisa privada em fusão.
A maior parte (53%) vai para empresas dos EUA e cerca de um terço para empresas chinesas. "De fato, nesses dois mercados já existem alguns 'unicórnios' com avaliações superiores a um bilhão de dólares", afirma a F4E. O restante, pouco mais de € 700 milhões, vai para oito empresas europeias.
Enquanto na China o Estado investe fortemente na fusão nuclear, nos Estados Unidos o setor é impulsionado principalmente por investidores privados, inclusive das grandes empresas de tecnologia. Por exemplo, o Google apoia a empresa americana TAE Technologies há mais de dez anos, não apenas com centenas de milhões de dólares, mas também com engenheiros da própria empresa trabalhando diretamente no desenvolvimento tecnológico.
Além disso, o Google investiu na maior empresa de fusão dos EUA, a Commonwealth Fusion Systems (CFS), e assinou um contrato para compra de eletricidade. Já a empresa americana Helion Energy é apoiada por Sam Altman, CEO da OpenAI. A Microsoft também firmou um contrato de compra de eletricidade com a Helion Energy.
Alemanha mira mesmo objetivo
Para Markus Roth, professor da TU Darmstadt que fundou em 2021 a startup Focused Energy, a Alemanha tem um ecossistema competitivo para o desenvolvimento da fusão nuclear, em razão da ampla presença de instituições de pesquisa, startups e empresas industriais.
Ao contrário da maioria dos concorrentes, a sua startup aposta em tecnologia a laser. A viabilidade do método foi demonstrada em 2022, quando pesquisadores nos Estados Unidos conseguiram, pela primeira vez, obter mais energia de uma reação de fusão em escala de laboratório do que foi necessário para iniciá-la.
Mas um dos grandes obstáculos no caminho para um reator de fusão é o rápido desenvolvimento de cadeias de fornecimento, ele aponta. "Precisamos aprender, na Alemanha, a construir sistemas a laser como construímos carros — em linha de produção, mas com alta precisão."
O governo alemão também vê grande potencial na fusão nuclear e a define como uma das seis tecnologias-chave para o futuro da Alemanha. Mais de dois bilhões de euros em investimentos públicos foram prometidos para a fusão nuclear nesta legislatura.
No entanto, ainda levará tempo até a geração efetiva de eletricidade, e as startups afirmam que estão longe de ter os recursos necessários para o longo prazo.