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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

'Frango não tem partido': por que o agro defende equilíbrio entre China e EUA após eleição

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Especialistas dizem que alinhamento político com os EUA não pode afastar o país de Pequim. China é a maior compradora do agro brasileiro e tem investimentos em infraestrutura estratégica para as exportações.
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Por Paula Salati, g1 — São Paulo

Postado em 08 de Outubro de 2.026 às 18h00m
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Post do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China sobre o Brasil — Foto: X / Reprodução
Post do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China sobre o Brasil — Foto: X / Reprodução

"A China tem olhado para a América Latina com muita cautela, buscando observar onde o seu investimento é bem-vindo, onde as suas relações comerciais são bem-vindas e onde não são."

A análise é da especialista em China Larissa Wachholz, que foi assessora especial do Ministério da Agricultura entre 2019 e 2021. Ela participou de um evento no Insper, em São Paulo, sobre o futuro da segurança alimentar no país e os impactos para o agronegócio brasileiro, na quarta-feira (7).

Questionada pelo g1, ela analisou como Pequim vê o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Os Estados Unidos têm deixado cada vez mais claro em seus documentos internos que eles veem a América Latina como uma região de influência norte-americana", disse ela.

"Eles [os chineses] não querem se estabelecer em locais de confronto porque isso impõe um risco muito grande. Os investimentos precisam fazer sentido econômico e eles só vão fazer se houver estabilidade jurídica", destacou Wachholz, que coordena o Programa Ásia, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

Os presidentes da América do Sul alinhados com Donald Trump. — Foto: Elaboração g1
Os presidentes da América do Sul alinhados com Donald Trump. — Foto: Elaboração g1

Para o agronegócio brasileiro, os investimentos chineses têm ajudado a superar gargalos de infraestrutura e a tornar os produtos nacionais mais competitivos no exterior. Um exemplo está na estrutura necessária para exportar carnes: a carga precisa ser mantida refrigerada durante o transporte, o que exige contêineres especiais e portos preparados para operá-los.

"Hoje, nós temos investimentos importantes da China nessa área, que é o que acaba viabilizando a nossa exportação tão competitiva", ressalta.

"Por isso, se é de interesse do Brasil continuar atraindo investimentos chineses, é importante fazer uma sinalização positiva para a China e não sinalizar confronto. Mesmo que a gente tenha, eventualmente, um governo mais alinhado com os Estados Unidos,", afirma.

Um exemplo é a participação da chinesa Cofco no terminal STS11, no Porto de Santos (SP), usado para a exportação de produtos agrícolas.

Já em Paranaguá (PR), a TCP, controlada pela chinesa China Merchants Port, ampliou a estrutura de tomadas para contêineres refrigerados, usados no transporte de carnes e outros alimentos congelados. Concluída em 2024, a expansão aumentou a capacidade de armazenar essas cargas e mantê-las na temperatura adequada até o embarque.

'Frango não tem partido'

A avaliação de Wachholz é compartilhada por Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, e Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que também participaram do debate.

"Vou dar a mesma resposta que eu dei quando o [Jair] Bolsonaro saiu do governo. Frango não tem partido nem ideologia. Não dá para misturar isso. Isso é muito importante. O agronegócio trabalha para a segurança alimentar brasileira e de 170 países. Então não tem não tem governo que vai atrapalhar um negócio que representa 35% do PIB brasileiro", afirmou o presidente da ABPA.

Para ele, o peso do Brasil no abastecimento mundial exige que qualquer governante preserve as relações comerciais com os países compradores. Santin afirmou ainda que não espera mudanças nas exportações de carnes para a China por causa do resultado eleitoral.

Já Marcos Jank destacou que a política comercial de Trump, marcada pela imposição de tarifas a outros países, tornou o ambiente internacional mais complexo para os negócios nos últimos anos.

Para ele, esse cenário exige que o Brasil preserve as relações com as duas potências: uma maior afinidade política com Washington ou Pequim não deveria significar o afastamento do outro parceiro.

“Nós temos que nos dar bem com os Estados Unidos e com a China, ou seja, isso é obrigatório”, afirmou.

A China é a maior compradora de produtos agropecuários do Brasil, seguida da União Europeia e dos Estados Unidos, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Ministro da Indústria aposta em superávit comercial de US$ 90 bilhões em 2026, acima da previsão oficial

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Apesar de reduzir a projeção para US$ 84,4 bilhões, governo ainda prevê o segundo maior saldo da série histórica; ministro afirma que resultado pode chegar a US$ 90 bilhões.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 08 de Outubro de 2.026 às 17h35m
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Balança comercial brasileira tem, em setembro, saldo positivo de US$ 7,7 bilhões
Balança comercial brasileira tem, em setembro, saldo positivo de US$ 7,7 bilhões

O Brasil deve registrar um superávit comercial de pelo menos US$ 90 bilhões (R$ 450 bilhões) em 2026, apesar da revisão para baixo da previsão oficial do governo, disse nesta quinta-feira (8) o ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

O superávit comercial é o resultado positivo entre as exportações e as importações, quando o país vende mais ao exterior do que compra.

“Continuo apostando em US$ 90 bilhões, se não passar de US$ 90 bilhões”, afirmou o ministro a jornalistas na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Na terça-feira (6), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) havia reduzido sua projeção para o saldo da balança comercial em 2026 de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões (R$ 422 bilhões).

A revisão considera uma expectativa de crescimento menor das exportações e de desaceleração dos preços internacionais.

Mesmo com a redução da estimativa oficial, o saldo projetado pelo governo ainda seria 24% maior que o registrado em 2025, quando o Brasil teve superávit de US$ 68,1 bilhões (R$ 340,5 bilhões). Se confirmado, o resultado de 2026 seria o segundo maior da série histórica, atrás apenas do registrado em 2023.

Segundo Rosa, a estratégia do governo para sustentar as exportações é ampliar a presença dos produtos brasileiros em diferentes mercados.

A medida busca compensar os efeitos de fatores que dificultam as vendas para alguns destinos, como o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos e o embargo da União Europeia à carne bovina e de aves brasileiras.

O ministro também afirmou que as negociações com os Estados Unidos para flexibilizar as tarifas estão avançando. Segundo ele, o governo brasileiro espera receber uma nova proposta americana dentro de três ou quatro semanas.

“Nós podemos constituir um grupo de trabalho, se for o caso, enquanto isso as equipes técnicas podem dialogar”, disse.

  • 🔎 As tarifas são impostos cobrados sobre produtos importados. Quando um país aumenta essas taxas, os produtos estrangeiros ficam mais caros no mercado local, o que pode reduzir as vendas de outros países para aquele destino.

* Com informações da Reuters.

Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — Foto: GloboNews
Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — Foto: GloboNews