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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Libra esterlina registra menor valor em relação ao dólar em 37 anos

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Aumento dos preços do gás provocado pela guerra na Ucrânia ameaça afundar o Reino Unido na recessão por sua dependência desta fonte de energia.
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Por g1

Postado em 07 de setembro de 2022 às 13h35m

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Libra esterlina — Foto: Joe Giddens / Reuters
Libra esterlina — Foto: Joe Giddens / Reuters

A libra esterlina registrou nesta quarta-feira (7) o menor valor em relação ao dólar desde 1985. A moeda britânica operava em queda de 0,96% por volta das 11h no horário de Brasília, a US$ 1,1409.

A libra chegou ao menor nível de comparação em 37 anos pois tem sido afetada nas últimas semanas pelos temores de recessão no Reino Unido. Contribuíram para a desconfiança do mercado a disparada da inflação e a procura pela moeda americana como valor refúgio em meio ao contexto de aceleração da economia global.

Como vários países desenvolvidos, o Reino Unido passa por um forte aumento dos preços, mas é afetado em especial pelo gás natural. A guerra na Ucrânia fez os preços do insumo subirem no mercado internacional e o país tem alta dependência desta fonte de energia.

Este será um dos desafios da nova primeira-ministra, Liz Truss, para recuperar a economia britânica. Ela foi empossada nesta terça-feira (6) pela rainha Elizabeth II em um castelo da família real da Escócia.

Truss foi escolhida pelo Partido Conservador, que comanda o país, para substituir Boris Johnson, que renunciou em julho e saiu oficialmente do cargo nesta semana.

A primeira-ministra listou três prioridades iniciais: dar um impulso inicial para o crescimento econômico cortando impostos, ajudar as famílias com as contas de luz, e melhorar o serviço de saúde pública.

"Vou tratar da crise de energia nesta semana para lidar com as contas de luz", disse Truss em seu discurso de posse.

O que se sabe é que ela terá dificuldades para convencer os mercados sobre a eficácia de suas medidas de estímulo à economia. Os planos devem ser anunciados na quinta-feira e podem incluir o congelamento das tarifas de energia.

A possibilidade de que o país continue a fazer dívida para financiar as medidas, após o endividamento recorde devido à pandemia, torna os ativos britânicos menos atraentes.

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segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Mercado reduz estimativa de inflação para 6,61% em 2022 e vê alta maior do PIB

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Informação consta do relatório 'Focus', divulgado pelo Banco Central; esta é a décima queda consecutiva. Meta fixada pelo CMN é de 3,5%; BC já admitiu que vai estourar teto da meta (5%).
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 05 de setembro de 2022 às 10h35m

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Os economistas do mercado financeiro reduziram de 6,70% para 6,61% a estimativa de inflação para este ano e também elevaram a previsão de crescimento da economia.

A informação consta do relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central. Foram ouvidas mais de 100 instituições financeiras na semana passada.

Esta foi a décima queda seguida da estimativa do mercado financeiro para a inflação deste ano.

Inflação
Expectativa do mercado para o IPCA de 2022

Em %31/12/202114/01/202228/02/202211/02/202225/02/202211/03/202225/03/202208/04/202222/04/202206/05/202220/05/202203/06/202217/06/202201/07/202215/07/202229/07/202212/08/202226/08/202245678910

31/12/2021
● : 5,03
Fonte: Banco Central

A meta de inflação para este ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,5% e será considerada cumprida se oscilar entre 2% e 5%. No entanto, o Banco Central já admitiu que vai estourar o teto da meta, assim como aconteceu em 2021.

Quanto maior é a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente as que recebem salários menores. Isso porque os preços dos produtos aumentam sem que o salário necessariamente acompanhe esse crescimento.

Para atingir a meta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumenta ou diminui a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, o maior percentual dos últimos seis anos.

Para o próximo ano, a meta central de inflação foi fixada em 3,25% e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%. De acordo com o boletim Focus, a previsão para 2023 passou de 5,30% para 5,27%.

ICMS sobre itens essenciais

A nova redução da estimativa de inflação em 2022 coincide com o corte de impostos sobre itens essenciais, como combustíveis e energia elétrica. Esses produtos por si só já impactam a inflação. Além disso, influenciam indiretamente os preços de outros itens.

Por exemplo, se o preço do diesel aumenta, o transporte de um determinado produto fica mais caro. O dono da loja que revende esse produto, então, repassa o aumento para o consumidor, que acaba pagando mais caro pelo mesmo item.

A diminuição dos impostos, em ano eleitoral, foi uma estratégia adotada pelo governo e pelo Congresso. No entanto, apesar de segurarem a inflação em 2022, essas medidas pressionam os preços para 2023, conforme já alertaram diversos economistas.

Diante disso, o Banco Central já tem admitido que o foco é controlar a inflação em 2024.

Produto Interno Bruto

O mercado financeiro também passou a prever uma alta maior do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022.

A previsão dos economistas dos bancos é que a economia brasileira cresça 2,26% em 2022, contra 2,10% previsto anteriormente.

Já para 2023, a previsão de alta avançou de 0,37% para 0,47%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Ao sancionar a lei que prevê as diretrizes do orçamento de 2023, o governo informou que a previsão é o PIB crescer 2,5% no ano que vem.

Taxa de juros

O mercado financeiro manteve a expectativa para a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano no fim de 2022.

Já para o fechamento de 2023, a expectativa do mercado para a taxa Selic avançou de 11% para 11,25% ao ano. Mesmo assim, o mercado financeiro segue estimando queda dos juros no ano que vem.

Outras estimativas

Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2022 permaneceu estável em R$ 5,20. Para 2023, continuou inalterada também em R$ 5,20.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção permaneceu em US$ 68 bilhões de resultado positivo em 2022. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado ficou estável em US$ 60 bilhões de superávit.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano subiu de US$ 58 bilhões para US$ 60 bilhões. Para 2023, a estimativa avançou de US$ 65,5 bilhões para US$ 66 bilhões de ingresso.
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sábado, 3 de setembro de 2022

Rússia corta gás à Europa em meio a guerra e disputa por preços

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O anúncio ocorre logo após o G7 concordar em limitar o preço do petróleo russo em apoio à Ucrânia.
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TOPO
Por BBC

Postado em 03 de setembro de 2022 às 12h15m

#         Post. N. =  0.514        #

A sede da Gazprom em São Petersburgo vista de um oleoduto — Foto: EPA/Via BBC
A sede da Gazprom em São Petersburgo vista de um oleoduto — Foto: EPA/Via BBC

Ao contrário do anunciado, o gasoduto que liga Rússia e Alemanha não será reaberto neste sábado (3), segundo a Gazprom, empresa estatal de energia russa.

A companhia disse que encontrou um vazamento de óleo em uma das turbinas do gasoduto Nord Stream 1, o que significa que ele ficará fechado por tempo indeterminado.

Grupo de países mais ricos do mundo decide colocar teto no preço do gás vendido pela RússiaGrupo de países mais ricos do mundo decide colocar teto no preço do gás vendido pela Rússia

Os dutos já estavam interditados nos últimos três dias para, segundo a Gazprom, a realização de serviços de manutenção.

De acordo com o jornal "Financial Times", a Gazprom já estava reduzindo o envio de gás pelo Nord Stream 1 desde junho. Nesses meses, o suprimento de gás chegou a ficar em apenas 20% do volume normal.

A notícia mais recente surge em meio a temores crescentes de que os moradores da União Europeia (UE) não poderão arcar com os custos do aquecimento durante o próximo inverno.

A Gazprom divulgou uma foto do vazamento de óleo — Foto: Reprodução/Gazprom/Via BBC
A Gazprom divulgou uma foto do vazamento de óleo — Foto: Reprodução/Gazprom/Via BBC

Os preços da energia dispararam desde que a Rússia invadiu a Ucrânia — e a escassez de suprimentos pode aumentar ainda mais as contas de energia.

Antes da invasão da Ucrânia, a Rússia fornecia 40% do gás utilizado no resto do continente europeu.

A Europa está tentando encontrar novas alternativas à energia russa em um esforço para reduzir a capacidade de Moscou de financiar a guerra.

Mas a transição para outros fornecedores pode não ocorrer com a rapidez necessária.

O presidente do Conselho da UE, Charles Michel, disse que o recente anúncio "infelizmente não é uma surpresa".

"O uso do gás como arma não mudará a determinação da UE. Vamos acelerar o caminho para a independência energética. Nosso dever é proteger os cidadãos e apoiar a liberdade da Ucrânia", escreveu no Twitter.

O governo russo nega usar o fornecimento de energia como uma espécie de arma econômica em retaliação às sanções impostas após a invasão da Ucrânia.

Moscou aponta que as sanções econômicas atrasaram a manutenção de rotina do Nord Stream 1. A UE, por sua vez, entende que essa justificativa é apenas um pretexto.

O regulador de rede da Alemanha, o Bundesnetzagentur, disse que o país está agora mais preparado para o fim do fornecimento de gás russo, mas pediu que cidadãos e empresas reduzam o consumo de energia nos próximos meses.

O anúncio da Gazprom veio logo depois que as nações do G7 concordaram em limitar o preço do petróleo russo como uma forma de apoio à Ucrânia.

O corte no suprimento de gás acontece logo após o G7 anunciar uma política que limita o preço de venda do petróleo russo — Foto: Getty Images/Via BBC
O corte no suprimento de gás acontece logo após o G7 anunciar uma política que limita o preço de venda do petróleo russo — Foto: Getty Images/Via BBC

O G7 (Grupo dos Sete) é composto por Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão.

A introdução de um teto de preços nesse setor significa que os países que adotarem essa política poderão comprar apenas produtos petrolíferos russos transportados por via marítima que sejam vendidos no limite do valor estipulado (ou abaixo dele).

A Rússia diz que não exportará petróleo para países que participarem dessa nova política.

O gasoduto Nord Stream 1 se estende da costa russa perto da cidade de São Petersburgo até o nordeste da Alemanha e pode transportar 170 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

Essa imensa estrutura é operada pela empresa Nord Stream AG, cujo acionista majoritário é a Gazprom.

A Alemanha também já havia apoiado a construção de um gasoduto paralelo — o Nord Stream 2 — mas o projeto foi interrompido depois que a Rússia invadiu a Ucrânia.

A Gazprom disse que a falha foi detectada na estação de compressores do terminal de Portovaya e a avaliação do problema aconteceu em parceria com técnicos da empresa Siemens.

Os representantes da estatal informaram que a correção de vazamentos de óleo nos principais motores só pode ser feita em oficinas especializadas, que foram prejudicadas pelas sanções econômicas anunciadas por vários países durante a guerra.

No entanto, a Siemens contrapôs que "tais vazamentos normalmente não afetam o funcionamento de uma turbina e podem ser vedados no próprio local".

"É um procedimento de rotina dentro do escopo dos trabalhos de manutenção", divulgou a empresa.

Esta não é a primeira vez desde a invasão da Ucrânia que o gasoduto Nord Stream 1 foi fechado.

Em julho, a Gazprom cortou completamente o fornecimento, alegando "uma pausa para manutenção".

Os trabalhos foram reiniciados novamente dez dias depois, mas em um nível muito reduzido.

Falando à BBC de Berna, na Suíça, a economista e analista de energia Cornelia Meyer avalia que a paralisação do suprimento de gás terá um grande impacto econômico.

"Esse anúncio tem enormes repercussões para o gás na Europa, que está cerca de quatro vezes mais caro do que era há um ano. A crise do custo de vida piorará, porque não é apenas o gás que aumenta de preço", disse.

"O gás vira fertilizante e é usado em muitos processos industriais, então isso afetará os custos e os empregos."

Análise de Theo Leggett, correspondente de Negócios da BBC News

O fluxo de gás pelo Nord Stream 1 já havia sido reduzido a um "gotejamento relativo". Agora, mais uma vez, foi interrompido completamente.

Tudo está relacionado a um vazamento de óleo, afirma a Gazprom — que anteriormente atribuiu os fluxos reduzidos nos meses anteriores a questões técnicas relacionadas às sanções econômicas.

A Europa, no entanto, acredita que o presidente Vladimir Putin utiliza o fornecimento de gás e limita deliberadamente os fluxos através do gasoduto para aumentar os preços, a fim de testar a determinação dos críticos da Rússia.

O resultado, como já vimos, é o aumento dos custos de energia — com empresas e consumidores pagando um preço muito alto.

O momento de mudança na Gazprom é certamente interessante. Ele ocorre no mesmo dia em que o G7 anunciou medidas para limitar o preço das exportações de petróleo da Rússia.

O anúncio também acontece logo após a Alemanha — que depende fortemente do gás russo — revelar que os estoques de inverno estavam enchendo mais rápido do que o esperado.

Um cínico poderia interpretar que esta era a última oportunidade de apertar o parafuso, com o objetivo de infligir o máximo de dano nos meses mais frios que virão pela frente.

Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62779458

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quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Indústria tem forte alta no PIB no trimestre, mas setor ainda amarga perdas e desemprego

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De seus 25 subsetores, 16 ainda não conseguiram registrar mesmo nível de atividade de janeiro de 2020. Empresas e trabalhadores sentiram o baque do aumento dos preços e da diminuição da renda dos brasileiros.
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Por Thaís Matos, g1

Postado em 01 de setembro de 2022 às 12h45m

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Indústria tem alta de 2,2% no PIB
Indústria tem alta de 2,2% no PIB

A economia brasileira cresceu 1,2% no segundo trimestre – mas a recuperação vem marcada pela desigualdade entre os setores.

O resultado da indústria, com crescimento de 2,2% sobre o trimestre anterior, surpreendeu positivamente.

Mas, vindo de uma série de trimestres com resultados fracos (veja no gráfico abaixo), o setor ainda patina: é o único dentro do PIB (Produto Interno Bruto) que ainda não recuperou as perdas da pandemia. De seus 25 subsetores, 16 ainda registravam, em junho, desempenho abaixo do que tinham em janeiro de 2020.

Os dados dos setores usados nesta reportagem são das pesquisas mensais de cada um deles, divulgadas pelo IBGE, e que são usadas, juntamente com outros dados coletado pelo instituto, para o cálculo do PIB.

Os números apenas consolidam o que vivem empresas e funcionários: prejuízos financeiros, cortes de pessoal, trabalhadores desempregados há meses e pouca perspectiva de melhora.

Desigualdade dentro da indústria

Mesmo dentro da indústria, há gente sofrendo de maneira muito mais intensa que outros: quatro setores registravam, em junho, perdas nos dois dígitos em relação ao período pré-pandemia.

As maiores quedas de junho em relação a janeiro de 2020 foram:

  • Fabricação de móveis: -21,2%
  • Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos: -19,4%
  • Fabricação de outros equipamentos de transporte: -16,8%

Já na comparação entre o segundo e o primeiro trimestres deste ano, quem mais sofreu foi o setor de fabricação de alimentos. Com o aumento do custo de produção de um lado e a diminuição do poder de compra do outro, a indústria precisou reduzir a atividade.

"A queda de renda faz com que as pessoas migrem para alimentos mais baratos. Elas procuram alimentos como batata e arroz, e as opções mais industrializadas, de maior valor agregado, perdem demanda", explica o economista Juan Jensen, sócio da consultoria 4i.

  • Na realidade, as fábricas tiveram que diminuir a quantidade de produtos disponíveis para venda, principalmente aqueles que custam mais para serem feitos e são mais caros no mercado.
  • Queijo Santo Casamenteiro da Cruzília: produção de queijos finos premiados até internacionalmente atrai turistas para a cidade de Cruzília — Foto:  Crédito: Divulgação Comercial UltraCheese
  • Queijo Santo Casamenteiro da Cruzília: produção de queijos finos premiados até internacionalmente atrai turistas para a cidade de Cruzília — Foto: Crédito: Divulgação Comercial UltraCheese

Setor de laticínios sofre

Detentora das marcas Cruzília, Lac Lélo, Búfalo Dourado e Itacolomy, a Ultracheese parou de vender cortes maiores e mais caros de queijos, como o brie e o gruyère, além de ter diminuído e zerado algumas ofertas de queijos sem lactose.

Ela também passou a apostar mais nos produtos mais baratos como forma de ganhar com "eficiência", conta o diretor de operações Edson Martins, porque o custo de produzir um tipo só em grande quantidade é menor que o de fazer vários tipos de queijo em quantidades menores.

A empresa também teve que aceitar um pouco de prejuízo e precisou renegociar todos os seus contratos.

"Negociamos descontos com fornecedores de insumos e embalagens. E tivemos que pensar como fazer para repassar o mínimo possível ao consumidor. No nosso caso em específico, a gente teve um aumento da matéria-prima de 35 a 40% e a gente passou 18% para o consumidor. Para o restante, a gente buscou a eficiências dentro de casa, mas tivemos que comprometer a margem da companhia."

A dificuldade da indústria se ancora em vários fatores. Segundo Jensen, o principal deles é o redirecionamento do consumo de bens para serviços, após a reabertura, o que levou à queda do varejo e da produção de bens.

"Temos também um quadro de mercado de trabalho e de preços que também afetam a dinâmica dos mais diversos setores. De um lado, o número de pessoas empregadas aumentou, mas a renda delas não voltou ao mesmo patamar por causa da inflação. Os preços aumentaram devido à demanda aquecida e diante da conjuntura internacional de retração de oferta em função da dificuldade das cadeias produtivas e falta de insumo. Então tivemos um aumento de preços muito forte que corrói renda", explica.

Alta dos juros e inflação acima dos dois dígitos, falta de peças e matérias-primas também contribuem para o fraco desempenho da indústria, explica Fabio Fares, especialista em análise macro da Quantzed.

Outros setores

Mesmo que o comércio e os serviços já tenham superado o patamar de antes na pandemia no geral, quando se olha especificamente por subsetor, 12 das 28 subdivisões ainda não haviam se recuperado em junho.

Os setores que, em junho, mantinham as maiores distâncias do patamar da pandemia entre os serviços eram:

  • Serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias: -9,8%
  • Serviços de alojamento e alimentação: -7,2%
  • Telecomunicações: -6,8%

E entre os setores do comércio:

  • Livros, jornais, revistas e papelaria: -33,2%
  • Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação: -13,1%
  • Móveis e eletrodomésticos: - 12,9%

Apesar de o comércio ter se recuperado, a atividade vem registrando queda mês a mês desde abril. Também aqui, inflação e juros estão na raiz do problema.

"As pessoas evitam gastar dinheiro à toa. Com medo, procuram gastar com o básico porque o salário não fecha a conta. A migração de investimentos para renda fixa é muito grande porque as pessoas estão evitando gastar dinheiro agora", explica Fares, da Quantzed. 
  • Como empresários e trabalhadores sentiram o impacto
  • Raquel Teles dos Santos, ex-funcionária da Pettit Sachet — Foto: Arquivo pessoal
  • Raquel Teles dos Santos, ex-funcionária da Pettit Sachet — Foto: Arquivo pessoal

A recuperação lenta também impacta a oferta de empregos, que segue lenta.

A empresa onde Raquel Teles dos Santos trabalhava alegou que estava "no vermelho, com muita dificuldade" para dispensá-la, em março deste ano – 10 meses depois de contratá-la. Antes da demissão, ela já estava com salários e vales atrasados há dois meses.

Santos ainda não conseguiu se recolocar no mercado. "Já me inscrevi em 50 vagas nesse período", conta. Além da crise do setor, ela sente que a idade, 43 anos, a coloca em desvantagem.

A Ultracheese não demitiu, mas precisou fechar vagas quando as pessoas saíam da empresa por conta própria nos primeiros meses do ano. Agora que o preço do leite do leite está se normalizando, eles já voltaram a abrir algumas das vagas fechadas.

Carlos Vicente é presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Laticínios e Alimentação de São Paulo. Ele diz que precisou fazer 6 greves e paralisações este ano para garantir pelo menos a reposição da inflação nos salários, mas todos os casos foram parar na Justiça por falta de acordo.

Para os economistas ouvidos pela reportagem, a persistência dos juros altos vai ser uma pedra no sapato da indústria brasileira. Agora, se a inflação continuar a cair, o cenário fica mais favorável.

“Com Selic alta desse jeito, ninguém quer saber de investir ainda mais em tempos de volatilidade com eleições. Incertezas políticas não ajudam na recuperação. Isso tende a se recuperar quando tivermos a perspectiva de que a Selic irá cair, por volta do meio do ano que vem. E isso também depende do resto do mundo, que também precisa voltar ao normal”, avalia Fares.

Quando isso passar, a indústria brasileira vai precisar voltar a olhar para seus problemas, como as "discussões de desindustrialização e questões de vantagem competitiva que afetam especificamente o setor", explica Jensen.

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