Aumento dos preços do gás provocado pela guerra na Ucrânia ameaça afundar o Reino Unido na recessão por sua dependência desta fonte de energia. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por g1 Postado em 07 de setembro de 2022 às 13h35m #Post. N. =0.516 #
Libra esterlina — Foto: Joe Giddens / Reuters
A libra esterlina registrou nesta quarta-feira (7) o menor valor em relação ao dólar desde 1985. A moeda britânica operava em queda de 0,96% por volta das 11h no horário de Brasília, a US$ 1,1409.
A libra chegou ao menor nível de comparação em 37 anos pois tem sido afetada nas últimas semanas pelos temores de recessão no Reino Unido.
Contribuíram para a desconfiança do mercado a disparada da inflação e a
procura pela moeda americana como valor refúgio em meio ao contexto de
aceleração da economia global.
Como vários países desenvolvidos, o Reino Unido
passa por um forte aumento dos preços, mas é afetado em especial pelo
gás natural. A guerra na Ucrânia fez os preços do insumo subirem no
mercado internacional e o país tem alta dependência desta fonte de
energia.
Truss foi escolhida pelo Partido Conservador, que comanda o país, para substituir Boris Johnson, que renunciou em julho e saiu oficialmente do cargo nesta semana.
A primeira-ministra listou três prioridades iniciais: dar um impulso
inicial para o crescimento econômico cortando impostos, ajudar as
famílias com as contas de luz, e melhorar o serviço de saúde pública.
"Vou tratar da crise de energia nesta semana para lidar com as contas de luz", disse Truss em seu discurso de posse.
O que se sabe é que ela terá dificuldades para convencer os mercados
sobre a eficácia de suas medidas de estímulo à economia. Os planos devem
ser anunciados na quinta-feira e podem incluir o congelamento das
tarifas de energia.
A possibilidade de que o país continue a fazer dívida para financiar as
medidas, após o endividamento recorde devido à pandemia, torna os
ativos britânicos menos atraentes.
Informação consta do relatório 'Focus', divulgado pelo Banco Central; esta é a décima queda consecutiva. Meta fixada pelo CMN é de 3,5%; BC já admitiu que vai estourar teto da meta (5%). <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Alexandro Martello, g1 — Brasília 05/09/2022 08h32 Atualizado há 02 horas Postado em 05 de setembro de 2022 às 10h35m #Post. N. =0.515 #
Os economistas do mercado financeiro reduziram de 6,70% para 6,61% a
estimativa de inflação para este ano e também elevaram a previsão de
crescimento da economia.
A informação consta do relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central. Foram ouvidas mais de 100 instituições financeiras na semana passada.
Esta foi a décima queda seguida da estimativa do mercado financeiro para a inflação deste ano.
Inflação
Expectativa do mercado para o IPCA de 2022
Em %31/12/202114/01/202228/02/202211/02/202225/02/202211/03/202225/03/202208/04/202222/04/202206/05/202220/05/202203/06/202217/06/202201/07/202215/07/202229/07/202212/08/202226/08/202245678910
31/12/2021 ● : 5,03
Fonte: Banco Central
A meta de inflação para este ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,5% e será considerada cumprida se oscilar entre 2% e 5%. No entanto, o Banco Central já admitiu que vai estourar o teto da meta, assim como aconteceu em 2021.
Quanto maior é a inflação, menor é o poder de compra das pessoas,
principalmente as que recebem salários menores. Isso porque os preços
dos produtos aumentam sem que o salário necessariamente acompanhe esse
crescimento.
Para o próximo ano, a meta central de inflação foi fixada em 3,25% e
será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%. De
acordo com o boletim Focus,aprevisão para 2023 passou de 5,30% para 5,27%.
ICMS sobre itens essenciais
A nova redução da estimativa de inflação em 2022 coincide com o corte de impostos sobre itens essenciais,
como combustíveis e energia elétrica. Esses produtos por si só já
impactam a inflação. Além disso, influenciam indiretamente os preços de
outros itens.
Por exemplo, se o preço do diesel aumenta, o transporte de um
determinado produto fica mais caro. O dono da loja que revende esse
produto, então, repassa o aumento para o consumidor, que acaba pagando
mais caro pelo mesmo item.
A diminuição dos impostos, em ano eleitoral, foi uma estratégia adotada
pelo governo e pelo Congresso. No entanto, apesar de segurarem a
inflação em 2022, essas medidas pressionam ospreços para 2023, conforme já alertaram diversos economistas.
Já para o fechamento de 2023, a expectativa do mercado para a taxa
Selic avançou de 11% para 11,25% ao ano. Mesmo assim, o mercado
financeiro segue estimando queda dos juros no ano que vem.
Outras estimativas
Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:
Dólar:a
projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2022 permaneceu estável em
R$ 5,20. Para 2023, continuou inalterada também em R$ 5,20.
Balança comercial:para
o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos
as importações), a projeção permaneceu em US$ 68 bilhões de resultado
positivo em 2022. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do
mercado ficou estável em US$ 60 bilhões de superávit.
Investimento estrangeiro:a
previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros
diretos no Brasil neste ano subiu de US$ 58 bilhões para US$ 60 bilhões.
Para 2023, a estimativa avançou de US$ 65,5 bilhões para US$ 66 bilhões
de ingresso.
O anúncio ocorre logo após o G7 concordar em limitar o preço do petróleo russo em apoio à Ucrânia. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 03/09/2022 09h57 Atualizado há 2 horas Postado em 03 de setembro de 2022 às 12h15m #Post. N. =0.514 #
A sede da Gazprom em São Petersburgo vista de um oleoduto — Foto: EPA/Via BBC
Ao contrário do anunciado, o gasoduto que liga Rússia e Alemanha não será reaberto neste sábado (3), segundo a Gazprom, empresa estatal de energia russa.
A companhia disse que encontrou um vazamento de óleo em uma das
turbinas do gasoduto Nord Stream 1, o que significa que ele ficará
fechado por tempo indeterminado.
Grupo de países mais ricos do mundo decide colocar teto no preço do gás vendido pela Rússia
Os dutos já estavam interditados nos últimos três dias para, segundo a Gazprom, a realização de serviços de manutenção.
De acordo com o jornal "Financial Times", a Gazprom já estava reduzindo
o envio de gás pelo Nord Stream 1 desde junho. Nesses meses, o
suprimento de gás chegou a ficar em apenas 20% do volume normal.
A notícia mais recente surge em meio a temores crescentes de que os
moradores da União Europeia (UE) não poderão arcar com os custos do
aquecimento durante o próximo inverno.
A Gazprom divulgou uma foto do vazamento de óleo — Foto: Reprodução/Gazprom/Via BBC
Os preços da energia dispararam desde que a Rússia invadiu a Ucrânia — e a escassez de suprimentos pode aumentar ainda mais as contas de energia.
Antes da invasão da Ucrânia, a Rússia fornecia 40% do gás utilizado no resto do continente europeu.
A Europa está tentando encontrar novas alternativas à energia russa em
um esforço para reduzir a capacidade de Moscou de financiar a guerra.
Mas a transição para outros fornecedores pode não ocorrer com a rapidez necessária.
O presidente do Conselho da UE, Charles Michel, disse que o recente anúncio "infelizmente não é uma surpresa".
"O uso do gás como arma não mudará a determinação da UE. Vamos acelerar
o caminho para a independência energética. Nosso dever é proteger os
cidadãos e apoiar a liberdade da Ucrânia", escreveu no Twitter.
O governo russo nega usar o fornecimento de energia como uma espécie de
arma econômica em retaliação às sanções impostas após a invasão da Ucrânia.
Moscou aponta que as sanções econômicas atrasaram a manutenção de
rotina do Nord Stream 1. A UE, por sua vez, entende que essa
justificativa é apenas um pretexto.
O regulador de rede da Alemanha, o Bundesnetzagentur, disse que o país
está agora mais preparado para o fim do fornecimento de gás russo, mas
pediu que cidadãos e empresas reduzam o consumo de energia nos próximos
meses.
O anúncio da Gazprom veio logo depois que as nações do G7 concordaram
em limitar o preço do petróleo russo como uma forma de apoio à Ucrânia.
O corte no suprimento de gás acontece logo após o G7 anunciar uma
política que limita o preço de venda do petróleo russo — Foto: Getty
Images/Via BBC
O G7 (Grupo dos Sete) é composto por Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão.
A introdução de um teto de preços nesse setor significa que os países
que adotarem essa política poderão comprar apenas produtos petrolíferos
russos transportados por via marítima que sejam vendidos no limite do
valor estipulado (ou abaixo dele).
A Rússiadiz que não exportará petróleo para países que participarem dessa nova política.
O gasoduto Nord Stream 1 se estende da costa russa perto da cidade de
São Petersburgo até o nordeste da Alemanha e pode transportar 170
milhões de metros cúbicos de gás por dia.
Essa imensa estrutura é operada pela empresa Nord Stream AG, cujo acionista majoritário é a Gazprom.
A Alemanha também já havia apoiado a construção de um gasoduto paralelo
— o Nord Stream 2 — mas o projeto foi interrompido depois que a Rússia invadiu a Ucrânia.
A Gazprom disse que a falha foi detectada na estação de compressores do
terminal de Portovaya e a avaliação do problema aconteceu em parceria
com técnicos da empresa Siemens.
Os representantes da estatal informaram que a correção de vazamentos de
óleo nos principais motores só pode ser feita em oficinas
especializadas, que foram prejudicadas pelas sanções econômicas
anunciadas por vários países durante a guerra.
No entanto, a Siemens contrapôs que "tais vazamentos normalmente não
afetam o funcionamento de uma turbina e podem ser vedados no próprio
local".
"É um procedimento de rotina dentro do escopo dos trabalhos de manutenção", divulgou a empresa.
Esta não é a primeira vez desde a invasão da Ucrâniaque o gasoduto Nord Stream 1 foi fechado.
Em julho, a Gazprom cortou completamente o fornecimento, alegando "uma pausa para manutenção".
Os trabalhos foram reiniciados novamente dez dias depois, mas em um nível muito reduzido.
Falando à BBC de Berna, na Suíça, a economista e analista de energia
Cornelia Meyer avalia que a paralisação do suprimento de gás terá um
grande impacto econômico.
"Esse anúncio tem enormes repercussões para o gás na Europa, que está
cerca de quatro vezes mais caro do que era há um ano. A crise do custo
de vida piorará, porque não é apenas o gás que aumenta de preço", disse.
"O gás vira fertilizante e é usado em muitos processos industriais, então isso afetará os custos e os empregos."
Análise de Theo Leggett, correspondente de Negócios da BBC News
O fluxo de gás pelo Nord Stream 1 já havia sido reduzido a um
"gotejamento relativo". Agora, mais uma vez, foi interrompido
completamente.
Tudo está relacionado a um vazamento de óleo, afirma a Gazprom — que
anteriormente atribuiu os fluxos reduzidos nos meses anteriores a
questões técnicas relacionadas às sanções econômicas.
A Europa, no entanto, acredita que o presidente Vladimir Putin utiliza o
fornecimento de gás e limita deliberadamente os fluxos através do
gasoduto para aumentar os preços, a fim de testar a determinação dos
críticos da Rússia.
O resultado, como já vimos, é o aumento dos custos de energia — com empresas e consumidores pagando um preço muito alto.
O momento de mudança na Gazprom é certamente interessante. Ele ocorre
no mesmo dia em que o G7 anunciou medidas para limitar o preço das
exportações de petróleo da Rússia.
O anúncio também acontece logo após a Alemanha — que depende fortemente
do gás russo — revelar que os estoques de inverno estavam enchendo mais
rápido do que o esperado.
Um cínico poderia interpretar que esta era a última oportunidade de
apertar o parafuso, com o objetivo de infligir o máximo de dano nos
meses mais frios que virão pela frente.
De seus 25 subsetores, 16 ainda não conseguiram registrar mesmo nível de atividade de janeiro de 2020. Empresas e trabalhadores sentiram o baque do aumento dos preços e da diminuição da renda dos brasileiros. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Thaís Matos, g1 01/09/2022 09h39 Atualizado há 03 horas Postado em 01 de setembro de 2022 às 12h45m #Post. N. =0.513 #
O resultado da indústria, com crescimento de 2,2% sobre o trimestre anterior, surpreendeu positivamente.
Mas,
vindo de uma série de trimestres com resultados fracos (veja no gráfico
abaixo), o setor ainda patina: é o único dentro do PIB (Produto Interno
Bruto) que ainda não recuperou as perdas da pandemia. De seus 25 subsetores, 16 ainda registravam, em junho, desempenho abaixo do que tinham em janeiro de 2020.
Os dados dos setores usados nesta reportagem são das pesquisas mensais de cada um deles, divulgadas pelo IBGE, e que são usadas, juntamente com outros dados coletado pelo instituto, para o cálculo do PIB.
Os
números apenas consolidam o que vivem empresas e funcionários:
prejuízos financeiros, cortes de pessoal, trabalhadores desempregados há
meses e pouca perspectiva de melhora.
Desigualdade dentro da indústria
Mesmo dentro da indústria, há gente sofrendo de maneira muito mais
intensa que outros: quatro setores registravam, em junho, perdas nos
dois dígitos em relação ao período pré-pandemia.
As maiores quedas de junho em relação a janeiro de 2020 foram:
Fabricação de móveis:-21,2%
Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos:-19,4%
Fabricação de outros equipamentos de transporte:-16,8%
Já na comparação entre o segundo e o primeiro trimestres deste ano, quem mais sofreu foi o setor de fabricação de alimentos.
Com o aumento do custo de produção de um lado e a diminuição do poder
de compra do outro, a indústria precisou reduzir a atividade.
"A queda de renda faz com que as pessoas migrem para alimentos mais baratos.
Elas procuram alimentos como batata e arroz, e as opções mais
industrializadas, de maior valor agregado, perdem demanda", explica o
economista Juan Jensen, sócio da consultoria 4i.
Na realidade, as fábricas tiveram que diminuir a quantidade de produtos
disponíveis para venda, principalmente aqueles que custam mais para
serem feitos e são mais caros no mercado.
Queijo Santo Casamenteiro da Cruzília: produção de queijos finos
premiados até internacionalmente atrai turistas para a cidade de
Cruzília — Foto: Crédito: Divulgação Comercial UltraCheese
Setor de laticínios sofre
Detentora das marcas Cruzília, Lac Lélo, Búfalo Dourado e Itacolomy, a
Ultracheese parou de vender cortes maiores e mais caros de queijos, como
o brie e o gruyère, além de ter diminuído e zerado algumas ofertas de
queijos sem lactose.
Ela
também passou a apostar mais nos produtos mais baratos como forma de
ganhar com "eficiência", conta o diretor de operações Edson Martins,
porque o custo de produzir um tipo só em grande quantidade é menor que o
de fazer vários tipos de queijo em quantidades menores.
A empresa também teve que aceitar um pouco de prejuízo e precisou renegociar todos os seus contratos.
"Negociamos descontos com fornecedores de insumos e embalagens. E
tivemos que pensar como fazer para repassar o mínimo possível ao
consumidor. No nosso caso em específico, a gente teve um aumento da
matéria-prima de 35 a 40% e a gente passou 18% para o consumidor. Para o
restante, a gente buscou a eficiências dentro de casa, mas tivemos que
comprometer a margem da companhia."
A dificuldade da indústria se ancora em vários fatores. Segundo Jensen,
o principal deles é o redirecionamento do consumo de bens para
serviços, após a reabertura, o que levou à queda do varejo e da produção
de bens.
"Temos também um quadro de mercado de trabalho e de preços que também
afetam a dinâmica dos mais diversos setores. De um lado, o número de
pessoas empregadas aumentou, mas a renda delas não voltou ao mesmo
patamar por causa da inflação. Os preços aumentaram devido à demanda
aquecida e diante da conjuntura internacional de retração de oferta em
função da dificuldade das cadeias produtivas e falta de insumo. Então
tivemos um aumento de preços muito forte que corrói renda", explica.
Alta dos juros e inflação acima dos dois dígitos, falta de peças e
matérias-primas também contribuem para o fraco desempenho da indústria,
explica Fabio Fares, especialista em análise macro da Quantzed.
Outros setores
Mesmo que o comércio e os serviços já tenham superado o patamar de
antes na pandemia no geral, quando se olha especificamente por subsetor,
12 das 28 subdivisões ainda não haviam se recuperado em junho.
Os setores que, em junho, mantinham as maiores distâncias do patamar da pandemia entre os serviços eram:
Serviçosaudiovisuais, de edição e agências de notícias: -9,8%
Serviços de alojamento e alimentação:-7,2%
Telecomunicações:-6,8%
E entre os setores do comércio:
Livros, jornais, revistas e papelaria:-33,2%
Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação:-13,1%
Móveis e eletrodomésticos:- 12,9%
Apesar de o comércio ter se recuperado, a atividade vem registrando queda mês a mês desde abril. Também aqui, inflação e juros estão na raiz do problema.
"As
pessoas evitam gastar dinheiro à toa. Com medo, procuram gastar com o
básico porque o salário não fecha a conta. A migração de investimentos
para renda fixa é muito grande porque as pessoas estão evitando gastar
dinheiro agora", explica Fares, da Quantzed.
Como empresários e trabalhadores sentiram o impacto
Raquel Teles dos Santos, ex-funcionária da Pettit Sachet — Foto: Arquivo pessoal
A recuperação lenta também impacta a oferta de empregos, que segue lenta.
A empresa onde Raquel Teles dos Santos trabalhava alegou que estava "no
vermelho, com muita dificuldade" para dispensá-la, em março deste ano –
10 meses depois de contratá-la. Antes da demissão, ela já estava com
salários e vales atrasados há dois meses.
Santos ainda não conseguiu se recolocar no mercado. "Já me inscrevi em
50 vagas nesse período", conta. Além da crise do setor, ela sente que a
idade, 43 anos, a coloca em desvantagem.
A Ultracheese não demitiu, mas precisou fechar vagas quando as pessoas
saíam da empresa por conta própria nos primeiros meses do ano. Agora que
o preço do leite do leite está se normalizando, eles já voltaram a
abrir algumas das vagas fechadas.
Carlos Vicente é presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias de Laticínios e Alimentação de São Paulo. Ele diz que
precisou fazer 6 greves e paralisações este ano para garantir pelo menos
a reposição da inflação nos salários, mas todos os casos foram parar na
Justiça por falta de acordo.
Para os economistas ouvidos pela reportagem, a persistência dos juros
altos vai ser uma pedra no sapato da indústria brasileira. Agora, se a inflação continuar a cair, o cenário fica mais favorável.
“Com
Selic alta desse jeito, ninguém quer saber de investir ainda mais em
tempos de volatilidade com eleições. Incertezas políticas não ajudam na
recuperação. Isso tende a se recuperar quando tivermos a perspectiva de
que a Selic irá cair, por volta do meio do ano que vem. E isso também
depende do resto do mundo, que também precisa voltar ao normal”, avalia
Fares.
Quando
isso passar, a indústria brasileira vai precisar voltar a olhar para
seus problemas, como as "discussões de desindustrialização e questões de
vantagem competitiva que afetam especificamente o setor", explica
Jensen.