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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Mercado financeiro sobe para 8% a estimativa de inflação em 2021 e vê alta menor do PIB

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Previsão do crescimento da economia passou para 5,04%. Mercado também estima uma alta maior dos juros básicos, para 8% ao ano no fim de 2021.
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Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

Postado em 13 de setembro de 2021 às 11h00m

  .*  Post. N. =  0.329   *.  

O mercado financeiro subiu a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, para 8% neste ano. Ao mesmo tempo, reduziu a previsão de crescimento da economia,.

As previsões do mercado constam no relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada, em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Para a inflação, a expectativa do mercado para o ano de 2021 avançou pela vigésima terceira seguida, passando de 7,58% para 8%.

Expectativa do mercado para o IPCA de 2021


Fonte: Banco Central

O centro da meta de inflação, em 2020, é de 3,75%. Pelo sistema vigente no país, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Com isso, a projeção do mercado já está acima do dobro da meta central de inflação (7,5%).

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.

Em 2020, pressionado pelos preços dos alimentos, o IPCA ficou em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Para 2022, o mercado financeiro subiu de 3,98% para 4,03% a estimativa de inflação. Foi a oitava alta seguida no indicador. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

Ex-diretor do Banco Central comenta perspectivas para a inflação e para a economia
Ex-diretor do Banco Central comenta perspectivas para a inflação e para a economia

PIB

Os economistas do mercado financeiro reduziram a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,15% para 5,04% em 2021.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Para 2022, o mercado baixou a previsão de alta do PIB de 1,93% para 1,72%.

Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que o "barulho político" dos últimos dias, resultado do discurso de caráter golpista do presidente Jair Bolsonaro nas manifestações de 7 de Setembro, poderia afetar o ritmo de crescimento da economia brasileira, gerando uma desaceleração.

Taxa básica de juros

O mercado financeiro também subiu de 7,63% para 8% ao ano a previsão para a Selic no fim de 2021. Com isso, os analistas seguem estimando alta nos juros neste ano.

Em março, na primeira elevação em quase seis anos, a taxa básica da economia foi aumentada pelo BC para 2,75% ao ano. Em maio, o Copom elevou o juro para 3,5% ao ano e, em junho, a taxa avançou ara 4,25% ao ano. Na semana passada, a taxa subiu para 5,25% ao ano.

Para o fim de 2022, os economistas do mercado financeiro elevaram a expectativa para a taxa Selic de 7,75% para 8% ao ano, o que pressupõe estabilidade do juro básico da economia no ano que vem.

Outras estimativas

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2021 subiu de R$ 5,17 para R$ 5,20. Para o fim de 2022, ficou estável em R$ 5,20 por dólar.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2021 subiu de US$ 70,8 bilhões para US$ 71 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado ficou estável em US$ 63 bilhões de superávit.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano recuou de US$ 54 bilhões para US$ 51,1 bilhões. Para 2022, a estimativa permaneceu em US$ 65 bilhões.

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sábado, 11 de setembro de 2021

Frango 40% mais caro: como a alta da conta de luz aumentou preço da ave em 2021

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Alternativa mais barata à carne bovina, frango também se torna bem mais caro em meio ao avanço da inflação. Café e açúcar também registram forte alta.
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TOPO
Por BBC

Postado em 11 de setembro de 2021 às 08h45m

  .*  Post. N. =  0.328   *.  

Segundo Associação Paulista de Supermercados, frango ficou 8,6% mais caro em agosto nos supermercados paulistano — Foto: Getty Images via BBC
Segundo Associação Paulista de Supermercados, frango ficou 8,6% mais caro em agosto nos supermercados paulistano — Foto: Getty Images via BBC

Sob efeito da séria crise hídrica enfrentada pelo Brasil, o preço da energia elétrica residencial já acumula alta de 10,6% em 2021 e de 21% em 12 meses até agosto, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O brasileiro já sentiu essa alta na hora de pagar a conta de luz nos últimos meses. Mas o aumento de preço da energia elétrica está batendo num outro lugar mais inusitado: no preço do frango que compramos no supermercado.

Segundo dados da Apas (Associação Paulista de Supermercados), divulgados em primeira mão à BBC News Brasil, o frango ficou 8,6% mais caro nos supermercados paulistanos apenas em agosto. Desde janeiro, a alta acumulada é de 21,42% e, em 12 meses, de 40,44%.

Com isso, o frango supera em aumento de preços a carne bovina, que teve alta de 0,15% em agosto e de 36% no acumulado de 12 meses.

E o aumento de custos chega também aos ovos de galinha, com alta de 1,46% em agosto e de mais de 20% em 12 meses.

"O caso do frango exemplifica o efeito dominó causado pelos aumentos da bandeira tarifária, já que a energia elétrica é fundamental para a criação de aves", explica Diego Pereira, economista da Apas.

A bandeira mais cara das contas de luz já foi reajustada em 127% desde dezembro de 2020, com a cobrança adicional passando de R$ 6,24 a cada 100 kWh (quilowatt-hora) ao fim do ano passado, para R$ 14,20 em setembro deste ano.

Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifarias visa indicar para os consumidores que os reservatórios hidrelétricos estão em baixa e que está sendo necessário o acionamento de usinas termelétricas, que produzem energia mais cara. Além disso, o valor adicional pago pelos usuários serve para bancar essa geração mais custosa.

"A indústria do frango utiliza energia elétrica 24 horas por dia, para acelerar o processo de maturação das aves para abate e de produção de ovos", explica o economista. "Então esse incremento de preços da energia em decorrência do acionamento das usinas termelétricas está sendo repassado para toda a cadeia."

Brasil tem inflação mais alta para um mês de agosto em 21 anos
Brasil tem inflação mais alta para um mês de agosto em 21 anos

Segundo Pereira, os sucessivos reajustes da bandeira de energia a partir de julho se somaram a um outro efeito que já vinha impactando o preço da aves e seus derivados desde o início do ano: a alta global das commodities, particularmente do milho e da soja, ingredientes da ração usada na alimentação de pintos, frangos e galinhas

"Soja e milho compõem cerca de 70% da ração animal", explica o analista, acrescentando que os produtores também têm sido afetados pela alta no preço dos combustíveis utilizados no transporte dos alimentos.

E tem mais más notícias à frente: a alta de preços do frango não vai parar, já que a bandeira foi reajustada novamente em setembro, impacto ainda não captado pelos dados da Apas, que vão só até agosto. "A gente aguarda um novo reajuste, que já está contratado em decorrência desses ajustes tarifários da energia que a gente vêm acompanhando", diz o economista.

Assim, a proteína que costumeiramente serve de alternativa para os brasileiros nos momentos em que a carne bovina fica mais cara, também deve se tornar cada vez mais proibitiva.

Uma alternativa é a carne de porco, que ao contrário do frango e da carne de bovina, registrou queda de preços de 1,61% em agosto e de 6,76% no acumulado deste ano, segundo os dados da Apas, referentes aos preços praticados nos supermercados de São Paulo. 
Café adoçado mais caro

Outros dois produtos indispensáveis na cesta básica do brasileiro se destacaram em alta de preços em agosto: o café (+8,05% no mês e +25% em 12 meses) e o açúcar (+2,48% e +47%, nas mesmas bases).

"A safra de cana deste ano é 4,3% menor em relação à do ano passado e as geadas prejudicaram aproximadamente 30% do cultivo no Estado de São Paulo, maior produtor brasileiro", destaca Pereira.

"Já a safra do café deve ser 22,6% menor em relação a 2020, forçando a utilização de estoques privados. A safra menor, que já era prevista pelo mercado, foi impactada pela geada e ligou o alerta para os preços futuros, já que o auge da colheita foi em julho", afirma.

Geada prejudica safra do café e valor do grão deve subir, diz Apas
Geada prejudica safra do café e valor do grão deve subir, diz Apas

Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o custo médio da cesta básica de alimentos aumentou em 13 de 17 cidades pesquisadas em agosto. As maiores altas foram registradas em Campo Grande (3,48%), Belo Horizonte (2,45%) e Brasília (2,10%). Em São Paulo, a alta foi de 1,56%.

A cesta mais cara em agosto era a de Porto Alegre (R$ 664,67), seguida pelas de Florianópolis (R$ 659,00), São Paulo (R$ 650,50) e Rio de Janeiro (R$ 634,18). Considerando a média das 17 capitais analisadas, o custo da cesta básica representava em agosto 55,9% do salário mínimo. Em São Paulo, esse percentual chegou a 63,9%.

A crise política e o preço dos alimentos

As perspectivas para o preços dos alimentos não são favoráveis, por três motivos principais.

O primeiro deles é a crise hídrica, que tem se mostrado mais severa do que o inicialmente previsto pelo governo e já compromete safras de produtos que abastecerão os supermercados no próximo ano.

O segundo é que não há perspectiva de que as commodities agrícolas voltem a um patamar de preços muito mais baixo do que o atual.

"Desde março de 2020, com a crise do coronavírus, diversos países fizeram uma expansão monetária, que contribuiu para a supervalorização dessas commodities", explica Pereira.

A expansão monetária é um instrumento utilizado pelos governos para estimular a economia em momentos de crise, por exemplo, baixando os juros ou comprando títulos no mercado para estimular a circulação de dinheiro, com efeito positivo no consumo e no investimento.

A recuperação das economias mundiais - particularmente da China - com a contenção da pandemia e o avanço da vacinação também contribuiu para a maior demanda por commodities e para a alta de preços.

"Em março de 2020, a saca de soja estava valendo em torno de R$ 94 e hoje está em torno de R$ 170", diz Pereira. "E a China já sinalizou que está em movimento de reposição de estoques de todas as commodities dela, então a gente vai sofrer um pouco esse impacto."

Por fim, a crise política constante tende a mantar o real desvalorizado em relação ao dólar. E um real desvalorizado contribui para mais exportações, o que, apesar de ajudar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), reduz a oferta de produtos no mercado interno e, consequentemente, também pressiona os preços dos alimentos.

Na quinta-feira (9/9), o IBGE divulgou o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto. A inflação oficial do país teve alta de 0,87% no mês, acima do esperado pelos analistas e maior aumento para agosto em 21 anos.

Com o resultado, diversos economistas revisaram para cima suas expectativas de inflação para o ano, como o Bank of America, que aumentou sua previsão para o IPCA em 2021 de 7,75% para 8%, e a MCM Consultores, que reajustou sua estimativa de 7,8% para 8,2%. A meta para a inflação este ano é de 3,75%.

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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Vendas do comércio crescem 1,2% em julho e setor recupera nível recorde

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Resultado negativo de junho foi revisado para alta, formando uma trajetória de quatro taxas de crescimento seguidas. Perdas provocadas pela pandemia, porém, foram recuperadas apenas por parte das atividades.
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Por Daniel Silveira e Darlan Alvarenga, G1

Postado em 10 de setembro de 2021 às 13h00m

  .*  Post. N. =  0.327   *.  

Movimentação de consumidores e vendedores na região da Rua 25 de março, em São Paulo, em imagem de julho. — Foto: CRIS FAGA/ESTADÃO CONTEÚDO
Movimentação de consumidores e vendedores na região da Rua 25 de março, em São Paulo, em imagem de julho. — Foto: CRIS FAGA/ESTADÃO CONTEÚDO

As vendas do comércio varejista cresceram 1,2% em julho, na comparação com junho. Com o resultado, o setor alcançou nível recorde. É o que apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Foi o quarto crescimento consecutivo desse indicador, fazendo com que o volume de vendas do comércio chegasse ao patamar recorde da série histórica da pesquisa, iniciada em 2000", destacou o IBGE.

O resultado de junho, que apontava uma queda de 1,7% na comparação com maio, foi revisado para alta de 0,9%, fazendo com que o setor passasse a registrar quatro crescimentos seguidos. De acordo com o IBGE, a revisão foi realizada pelo algoritmo de dessazonalização aplicado sobre as pesquisas, ou seja, não houve entrada de novos dados das vendas realizadas no mês.
Com a revisão do resultado de junho, comércio registrou quarta alta seguida em julho — Foto: Economia/G1
Com a revisão do resultado de junho, comércio registrou quarta alta seguida em julho — Foto: Economia/G1

Frente a julho do ano passado, o setor registrou alta de 5,7%, a quinta taxa positiva consecutiva nesta base de comparação.

No ano, o avanço chegou a 6,6% e no acumulado nos últimos 12 meses a alta permaneceu em 5,9%.

Os resultados superaram as expectativas dos analistas. Em pesquisa da Reuters, as projeções apontavam alta de 0,7% na comparação mensal e de 3,45% sobre um ano antes.

Indicador se manteve estável na passagem de junho para julho — Foto: Economia/G1
Indicador se manteve estável na passagem de junho para julho — Foto: Economia/G1

Alta em 5 das 8 atividades

Cinco das oito atividades pesquisadas tiveram alta na passagem de junho para julho. O destaque positivo ficou com a de outros artigos de uso pessoal e doméstico, cujas vendas cresceram 19,1% no período.

“Vemos uma trajetória de recuperação dessa atividade, que acaba por fazer grandes promoções e aumentar a sua receita bruta de revenda, num novo momento de abertura e maior flexibilização do isolamento social, o que gera maior aumento da demanda”, explicou o gerente da pesquisa Cristiano Santos.

No lado oposto, o destaque negativo ficou com a atividade de livros, jornais e papelaria, que registrou o pior resultado, enquanto as vendas de hiper e supermercados ficaram praticamente estagnadas.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e material de construção, as vendas cresceram 1,1% na passagem de junho para julho e 7,1% na comparação interanual.

Veja o desempenho de cada um dos segmentos em junho:

  • Combustíveis e lubrificantes: -0,3%
  • Móveis e eletrodomésticos: -1,4%
  • Livros, jornais, revistas e papelaria: -5,2%
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 0,1%
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 0,2%
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: 0,6%
  • Tecidos, vestuário e calçados: 2,8%
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 19,1%
  • Veículos, motos, partes e peças: 0,2% (varejo ampliado)
  • Material de construção: -2,3% (varejo ampliado)
Recuperação desigual

Na comparação interanual, o crescimento de 5,7% das vendas do setor foi puxado pelas atividades de tecidos, vestuário e calçados (42,0%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (36,8%), combustíveis e lubrificantes (6,4%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (4,8%).

O gerente da pesquisa apontou que estas foram as atividades mais prejudicadas pela pandemia em 2020 e que, agora, voltou a apresentar taxas positivas.

As outras quatro atividades, porém, apresentaram quedas na comparação com julho do ano passado: livros, jornais, revistas e papelaria (-23,2%), móveis e eletrodomésticos (-12,0%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-5,6%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,8%).

“Apesar do avanço, o movimento intrasetorial do comércio é muito heterogêneo. Algumas atividades ainda não conseguiram recuperar as perdas na pandemia, como é o caso de equipamentos e material para escritório, que ainda está 26,7% abaixo do patamar pré-pandemia, ou combustíveis e lubrificantes, que está 23,5% abaixo”, analisa o gerente da PMC, Cristiano Santos.

O comércio varejista como um todo terminou julho superando em 5,9% o patamar de vendas pré-pandemia, enquanto a recuperação do varejo ampliado foi de 3,2%.

Das dez atividades comerciais, incluindo o varejo ampliado, apenas quatro conseguiram recuperar o patamar de vendas observado antes da pandemia.

Quatro das 10 atividades comerciais recuperaram, em julho, o patamar de vendas pré-pandemia — Foto: Economia/G1
Quatro das 10 atividades comerciais recuperaram, em julho, o patamar de vendas pré-pandemia — Foto: Economia/G1

Vendas crescem em 19 unidades da federação

De junho para julho, o comércio varejista cresceu em 19 das 27 unidades da federação, com destaque para Rondônia (17,5%), Santa Catarina (12,5%) e Paraná (11,1%). Já as maiores quedas foram em Minas Gerais (-2,1%), Rio Grande do Norte (-1,5%) e Amazonas (-1,4%).

Perspectivas

A recuperação da economia brasileira segue desigual em um cenário de aumento das incertezas e de piora das expectativas em razão da tensão política, de agravamento da crise hídrica e de inflação de quase dois dígitos no acumulado em 12 meses.

Na semana passada, o IBGE mostrou que a produção industrial brasileira caiu 1,3% em julho, voltando a ficar no patamar pré-pandemia.

Na última pesquisa Focus, que reúne as projeções dos analistas, a inflação esperada para este ano já chegava a 7,58%. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de alta foi reduzida para 5,15% em 2021 e para 1,93% em 2022.

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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Alta da gasolina pesa, e inflação oficial fica em 0,87% em agosto, maior taxa para o mês desde 2000

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Combustível exerceu o principal impacto de alta sobre o IPCA do mês passado, com alta de 2,80%. No ano, gasolina acumula alta de 31,09% e o etanol, de 40,75%.
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Por Daniel Silveira e Laura Naime, G1

Postado em 09 de setembro de 2021 às 10h25m

  .*  Post. N. =  0.326   *.  

Disparada do preço da gasolina puxam alta da inflação em agosto — Foto: Ronaldo Ragali/RPC
Disparada do preço da gasolina puxam alta da inflação em agosto — Foto: Ronaldo Ragali/RPC

A inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, ficou em 0,87% em agosto, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Puxada pelo aumento do preço da gasolina, esta foi a maior taxa para um mês de agosto desde 2000, embora levemente abaixo dos 0,96% registrados em julho.


Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 9,68%, a mais alta desde fevereiro de 2016, quando ficou em 10,36%. No ano, o IPCA acumula alta de 5,67%.

Desde março, o indicador acumulado em 12 meses tem ficado cada vez mais acima do teto da meta estabelecida pelo governo para a inflação deste ano, que é de 5,25%.

O IBGE destacou que, em agosto, o indicador acumulado em 12 meses ficou acima de 10% em 8 das 16 regiões pesquisadas.

Inflação acumulada em 12 meses se distancia cada vez mais do teto da meta do governo — Foto: Economia/G1
Inflação acumulada em 12 meses se distancia cada vez mais do teto da meta do governo — Foto: Economia/G1

Inflação fica em 0,87%, maior taxa para agosto desde o ano 2000
Inflação fica em 0,87%, maior taxa para agosto desde o ano 2000

Inflação disseminada

A inflação está cada vez mais disseminada, ou seja, atingindo cada vez mais itens de consumo do brasileiro. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE para a composição do IPCA, oito registraram aumento de preços em agosto.

O único grupo com deflação em agosto foi o de saúde e cuidados pessoais. Segundo o IBGE, esse índice foi puxado pela queda de 0,43% nos itens de higiene pessoal e pelos planos de saúde, que recuaram 0,10%.

A disseminação da inflação fica ainda mais evidente quando se observa o índice de difusão do IPCA, que passou de 64% em julho para 72% em agosto - desde dezembro do ano passado ele não superava o patamar de 70%, destacou o IBGE.

O índice de difusão é um indicador que reflete o espalhamento da alta de preços entre os 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE. Ou seja, em agosto a inflação impactou 271 itens daquela cesta.

Veja o resultado para cada um dos grupos pesquisados:

  • Alimentação e bebidas: 1,39%
  • Habitação: 0,68%
  • Artigos de residência: 0,99%
  • Vestuário: 1,02%
  • Transportes: 1,46%
  • Despesas pessoais: 0,64%
  • Educação: 0,28%
  • Comunicação: 0,23%
  • Saúde e cuidados pessoais: -0,04%
Gasolina é a 'vilã' da inflação em agosto

Os combustíveis foram os 'vilões' da inflação em agosto, com destaque para a gasolina. Segundo o IBGE, a alta foi de 2,96%, acima dos 1,24% do mês anterior.

Só a gasolina, com alta de 2,80%, foi responsável por 0,17 ponto percentual da inflação mensal, sendo o item com o maior impacto individual sobre o índice. Etanol (4,50%), gás veicular (2,06%) e óleo diesel (1,79%) também ficaram mais caros no mês.

“O preço da gasolina é influenciado pelos reajustes aplicados nas refinarias de acordo com a política de preços da Petrobras", disse em nota o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

Almeida destacou que "o dólar, os preços no mercado internacional e o encarecimento dos biocombustíveis são fatores que influenciam os custos, o que acaba sendo repassado ao consumidor final".

No ano, a gasolina acumula alta de 31,09%, o etanol 40,75% e o diesel 28,02%.

"Em oito meses, o preço da gasolina sofreu alta em sete deles. Somente em abril houve queda no preço dela, de 0,44%", destacou o pesquisador.

O que faz os preços da gasolina e diesel subirem?
O que faz os preços da gasolina e diesel subirem?

Peso dos transportes volta a superar o da alimentação

Puxado pelos combustíveis, o grupo dos transportes teve alta de 1,46% em agosto, exercendo a maior influência sobre o IPCA entre os grupos pesquisados.

Tiveram alta também, aqui, veículos próprios (1,16%), com alta de 1,98% nos automóveis usados, 1,79% nos novos, e 1,01% em motocicletas. Já os transportes públicos tiveram queda média de 1,21%, sob influência de uma queda de 10,69% nos preços das passagens aéreas.

A pressão dos preços dos combustíveis tem sido tamanha que, em agosto, o peso do grupo de transportes voltou a superar o da alimentação na composição do IPCA e, por isso, o de maior impacto no orçamento doméstico.

De acordo com o analista da pesquisa, os transportes tiveram o maior peso entre os nove grupos pesquisados entre outubro de 2019 a maio de 2020. Desde então, a alimentação vinha sendo a de maior impacto na inflação, representando 19,97% do IPCA, enquanto os transportes respondiam por 19,85%.

Em agosto, porém, os transportes passaram a responder por 20,87% do IPCA, enquanto a alimentação, 20,83%.

Alimentos seguem em alta

Os preços dos alimentos não deram trégua para os consumidores em agosto. Com alta de 1,39% (mais que o dobro da alta de 0,60% registrada em julho), o grupo de alimentação e bebidas foi o segundo de maior impacto sobre a inflação do mês.

Veja os alimentos que mais encareceram em agosto:

  • batata-inglesa: 19,91%
  • café moído: 7,51%
  • frango em pedaços: 4,47¨
  • frutas: 3,90%
  • carnes: 0,63%

Com a pressão destes alimentos, muito consumidos na mesa dos brasileiros, mais que dobrou, também, a inflação sobre a alimentação no domicílio, que passou de 0,78% em julho para 1,63% em agosto.

No lado oposto, a cebola e o arroz se destacaram entre os produtos que registraram queda de preços em agosto - respectivamente, de -3,71% e -2,09%.

Já inflação sobre a alimentação fora do domicílio acelerou ainda mais, ficando em 0,76% em agosto - cerca de 5 vezes maior que a de julho, de 0,14%. Essa alta se deve, sobretudo, ao aumento no preço médio do lanche (1,33%) e da refeição (0,57%), cujos preços haviam subido, respectivamente, 0,16% e 0,04% no mês anterior.

Alta da conta de luz perde força, mas ainda pressiona

Vilã da inflação do mês passado, a alta da energia perdeu força em agosto, subindo 1,10% (em julho, a alta foi de 7,88%) – mas seguiu pressionando as contas.

“O resultado é consequência dos reajustes tarifários em Vitória, Belém e em uma das concessionárias em São Paulo. Além disso, a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adiciona R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos, vigorou nos meses de julho e agosto”, afirmou André Filipe Almeida.

Os preços do gás encanado (2,70%) e do gás de botijão (2,40%) também subiram.

Inflação dos serviços desacelera em agosto

O IPCA calculado especificamente sobre os serviços no país desacelerou de 0,67% em julho para 0,39% em agosto.

Segundo o analista da pesquisa, André Almeida, essa desaceleração se deu por conta das passagens aéreas, cujos preços médios tiveram queda de 10,69% em agosto, depois de terem subido 35,22% no mês anterior.

Entre os principais aumentos de preços no mês destacam-se o aluguel de veículos (6,61%), os serviços de streaming (6,39%).

Em 12 meses, o IPCA de serviços acumula alta de 3,93%.

Inflação em alta em todas as regiões

A pesquisa mostra ainda que todas as 16 regiões do país pesquisadas pelo IBGE tiveram inflação em agosto. Em seis delas, o indicador ficou acima da média nacional.

A maior taxa foi registrada em Brasília, de 1,40%, influenciada pelas altas nos preços da gasolina (7,76%) e da energia elétrica (3,67%).

Já a menor taxa foi observada na região metropolitana de Belo Horizonte (0,43%), por conta da queda nos preços das passagens aéreas (-20,05%) e da taxa de água e esgoto (-13,73%).

Brasília registrou, em agosto, a maior taxa de inflação entre as regiões pesquisadas pelo IBGE — Foto: Economia/G1
Brasília registrou, em agosto, a maior taxa de inflação entre as regiões pesquisadas pelo IBGE — Foto: Economia/G1

Para calcular o IPCA de agosto, O IBGE comparou os preços coletados no período de 29 de julho a 27 de agosto de 2021 com os preços vigentes no período de 29 de junho a 28 de julho de 2021.

Meta de inflação e perspectivas

A meta central do governo para a inflação em 2021 é de 3,75%, e o intervalo de tolerância varia de 2,25% a 5,25%. Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que foi elevada no início de agosto para 5,25% ao ano.

As estimativas do mercado financeiro já estão longe das metas do BC: na última pesquisa Focus, que reúne as projeções dos analistas, a inflação esperada para este ano já chegava a 7,58%.

Já a expectativa dos analistas para a taxa Selic no fim do ano está atualmente em 7,63%, o que pressupõe que haverá novas altas nos próximos meses.

Na ata de sua última reunião, o Comitê de Política Monetária do Banco Central avaliou que a inflação ao consumidor continua se revelando "persistente", indicando uma nova alta de um ponto percentual no juro básico da economia em sua próxima reunião, marcada para 21 e 22 de setembro.

Para 2022, a inflação também dá mostras de estar fora do esperado: o mercado financeiro estima uma taxa de 3,94%. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,5% e será oficialmente cumprida se oscilar de 2% a 5%.

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