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quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Brasil compra mais vinho do Chile e compensa impacto do tarifaço para exportadores do país vizinho

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Compras brasileiras cresceram quase 10% em 2025, compensando queda de importação dos EUA após tarifa de 10% de Donald Trump aos chilenos.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 02 de Outubro de 2.025 às 12h30m
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Garrafas de vinho — Foto: Júlia Reis/g1
Garrafas de vinho — Foto: Júlia Reis/g1

As exportações de vinho do Chile para o Brasil, seu principal mercado, aumentaram em 2025 e estão ajudando a compensar a queda nas vendas do país para os Estados Unidos, na esteira do tarifaço de Donald Trump.

Os produtos chilenos estão taxados em 10% desde abril, quando Trump anunciou as chamadas "tarifas recíprocas" para a maior parte dos países. Diferentemente do Brasil, tarifado em 50% desde agosto, o Chile não foi alvo de sobretaxas.

Dados da Wines of Chile, associação de produtores, mostram que os EUA, segundo maior mercado chileno, reduziram em 13% as compras nos primeiros sete meses do ano.

“Passamos de tarifa zero para 10%”, disse Angelica Valenzuela, diretora comercial da Wines of Chile. “Sempre que há uma tarifa ou obstáculo, ocorre congelamento ou desaceleração [nas vendas].”

Ela explicou que, no início, produtores e importadores absorveram o custo das tarifas. Com a manutenção do tarifaço, o valor começou a ser repassado ao consumidor americano. “O que vemos agora é um mercado americano menos dinâmico e em declínio”, acrescentou.

Em compensação, o Brasil aumentou as compras e se consolidou como principal destino das exportações chilenas, com crescimento de quase 10% no período.

O Chile representa quase metade do mercado de importação de vinhos do Brasil, disse Valenzuela, acrescentando que há “um enorme potencial de expansão.”

De onde vem o vinho
De onde vem o vinho

O número de consumidores regulares de vinho no Brasil está crescendo, especialmente entre mulheres e pessoas com maior renda disponível, segundo a diretora do Wines of Chile.

Já as exportações chilenas para a China caíram quase 23% no mesmo período. Segundo Valenzuela, no entanto, isso ocorreu devido à redução do consumo local, que afetou vários exportadores.

No geral, as exportações de vinho do Chile se mantiveram estáveis em 2025. Canadá, Japão, Irlanda e Coreia do Sul registraram crescimento, enquanto México, Holanda e Reino Unido apresentaram queda.

Valenzuela afirmou que a estratégia de marketing do Chile agora se concentra em reforçar a imagem do país como fornecedor de vinhos premium e sustentáveis.

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quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Após aumento, arrecadação do IOF bate recorde e atinge maior valor da história em um mês

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Arrecadação recorde acontece na contramão do geral dos impostos, que tiveram retração em agosto com a desaceleração da economia, fruto da maior taxa de juros em quase 20 anos.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 01 de Outubro de 2.025 às 15h50m
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— Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
— Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A arrecadação do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) bateu recorde e atingiu o maior valor da história para o período de um mês em agosto. O aumento ocorre após a batalha judicial que terminou com o aumento do imposto em diversas operações.

O valor é recorde para todos os meses, segundo números da Secretaria da Receita Federal. A série histórica do órgão começa em 1995.

🔎O IOF é um imposto que o governo cobra sobre algumas transações financeiras que as pessoas e empresas fazem no dia a dia, como pegar um empréstimo, comprar moeda estrangeira ou fazer certos tipos de investimentos em seguros. O valor da alíquota varia de acordo com a operação.

👉🏽 Segundo a Receita, a arrecadação do IOF somou R$ 8,45 bilhões no mês retrasado, com impressionante crescimento de 42,5% na comparação com agosto de 2024. Com os valores corrigidos pela inflação, a alta também foi expressiva: de 35,6%. 

A equipe econômica anunciou o aumento do IOF no fim de maio como estratégia para tentar atingir as metas fiscais deste ano e, também, de 2026 - diante da necessidade de atingir os objetivos fixados em lei (déficit zero em 2025 e superávit no próximo ano, com intervalo de tolerância). Entre idas e vindas, a alta foi confirmada em julho (veja mais abaixo nessa reportagem).

Questionada pelo g1, a Receita Federal não soube dimensionar quanto do aumento da arrecadação do IOF, em agosto, está relacionada com a alta de tributos e quanto está vinculado ao comportamento da economia.

"Não é possível fazer esta segregação", informou o órgão.

Aumentos do IOF confirmados

  • Compras internacionais com cartão de crédito e débito: alíquota do IOF sobe de 3,38% para 3,5%.
  • Compra de moeda em espécie e remessas ao exterior: passa de 1,1% para 3,5%.
  • Empréstimos a empresas: alíquota diária de IOF dobra, de 0,0041% para 0,0082%.
  • Seguros VGBL (voltados às pessoas de alta renda): de 0% para 5% de IOF.
  • Fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs): passam a ter cobrança de 0,38%.
Mercado financeiro criticou aumento

➡️O anúncio de aumento do IOF, em maio deste ano, gerou repercussão negativa nos agentes do mercado financeiro, que criticaram o foco do governo em novos aumentos de tributos — deixando em segundo plano cortes de gastos.

Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio, avaliou, naquele momento, que governo busca arrecadar recursos com o aumento do IOF sem mexer nos fundamentos da economia.

"Aumentar o IOF significa elevar custos operacionais, especialmente para empresas que dependem de crédito rotativo e financiamento. Em vez disso, deveríamos estar discutindo como reduzir custos estruturais do Estado, incentivar eficiência na gestão pública e promover compliance fiscal como mecanismo de equilíbrio entre arrecadação e competitividade empresarial", disse.

Theo Braga, CEO da SME The New Economy, por sua vez, apontou que o aumento de imposto é um desincentivo direto à inovação e ao crescimento empresarial.

"O empreendedor brasileiro já lida com uma carga tributária pesada e uma série de incertezas. O IOF mais alto desestimula operações de crédito e investimento, justamente em um momento em que o país precisa impulsionar a nova economia. O foco deveria estar em simplificar, digitalizar e desburocratizar, não em criar novos custos", afirmou.

Veja no JG: Mercado financeiro reage mal ao aumento do IOF
Veja no JG: Mercado financeiro reage mal ao aumento do IOF

Briga com o Congresso Nacional

➡️A proposta também enfrentou forte rejeição no Legislativo, mesmo com o governo tendo recuado parcialmente em alguns pontos.

Parlamentares apontaram descontentamento com aumentos de tributos e com a demora na liberação de emendas parlamentares, além de terem feito críticas à condução da política econômica pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Diante das discordâncias, o Congresso Nacional derrubou o aumento do tributo no fim de junho. A última vez que o Legislativo tinha rejeitado um decreto presidencial havia sido em 1992, na gestão Fernando Collor.

Congresso derruba alta do IOF
Congresso derruba alta do IOF

O governo não aceitou a derrota e, no início de julho, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para restabelecer o aumento do IOF. O argumento foi de que a Constituição Federal conferiu ao presidente da República a prerrogativa de alterar o tributo.

➡️Mesmo com o retorno parcial da alta do IOF, as medidas de aumento de arrecadação foram mantidas e estão nas previsões do orçamento para tentar fechar as contas em 2026. Elas sofrem, porém, forte resistência do setor produtivo. O governo anunciou que negocia ajustes com o Legislativo, e a votação está prevista para ter início nesta semana.

Mercado depois da alta do IOF

Além de contribuir para frear mais o crédito bancário, com impacto na economia real, analistas apontam que o aumento do IOF também mudou a dinâmica do mercado ao passar a tributar os FIDCs.

Para Walter Fritzke, Head de Mercado de Capitais no Martinelli Advogados, a arrecadação recorde do IOF em agosto é um dado fiscal, mas também um sinal regulatório que expõe a necessidade de empresas e investidores repensarem o uso de instrumentos de crédito e de mercado de capitais.

"Diante deste cenário de crescimento do IOF, a tendência é que fundos e estruturas de securitização se tornem ainda mais relevantes como alternativa ao crédito bancário tradicional, já que não sofrem incidência do imposto por não se enquadrarem em operação de crédito, mas como cessão de recebíveis", avaliou Walter Fritzke, do Martinelli Advogados.

De acordo com ele, a agenda de empresas e investidores passou a incluir não apenas custo financeiro, mas também uma arquitetura jurídica e tributária conjunta, para que a busca por liquidez não resulte em carga fiscal desproporcional.

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terça-feira, 30 de setembro de 2025

UE aprova aquisição da Versace pela Prada para criar gigante italiana do luxo

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Negócio dará origem a conglomerado com faturamento de US$ 7 bilhões, capaz de disputar espaço com LVMH e Kering
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TOPO
Por France Presse

Postado em 30 de Setembro de 2.025 às 15h25m
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Economia criativa transforma lixo em arte e moda
Economia criativa transforma lixo em arte e moda

A União Europeia aprovou, nesta terça-feira (30), a compra da grife italiana Versace pela compatriota Prada, após concluir que a operação não levanta problemas em matéria de concorrência.

A Prada anunciou em abril a aquisição da Versace por 1,4 bilhão de dólares (R$ 7,7 bilhões na cotação atual) ao grupo americano Capri Holdings.

A união entre as duas marcas lendárias dará origem a um grupo de luxo italiano com um faturamento superior a 7 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 37,4 bilhões na cotação atual), capaz de competir melhor com gigantes do setor, como LVMH e Kering.

A Versace foi fundada em 1978 pelo italiano Gianni Versace e ficou famosa pelo trabalho da diretora de criação Donatella Versace, irmã de Gianni. Ela deixou o cargo em março de 2025, depois de 30 anos na função.

Em 2018, a Versace foi vendida para a Capri Holdings, que é o grupo controlador, também, de outras marcas famosas no mundo de luxo, como Michael Kors e Jimmy Choo. Na época do negócio, a Capri pagou mais pela compra da grife italiana do que vai receber com a venda para a Prada: US$ 2 bilhões.

A Prada, que também é proprietária da marca jovem e transgressora Miu Miu, espera concluir a compra da Versace antes do final do ano.

Gigante italiano

A compra da Versace pela Prada dá forças à Itália no cenário de luxo global, dominado, principalmente, por grupos dos Estados Unidos e pela gigante francesa LVMH, dona da Louis Vuitton e Dior.

Apesar de a Itália representar de 50% a 55% da produção global de bens de luxo pessoais, segundo estimativas da consultoria Bain, o país carece de um grupo com escala comparável às empresas do mesmo segmento de outros países.

A capitalização de mercado da Prada é de cerca de 14 bilhões de euros (US$ 15 bilhões), o que o torna o maior grupo italiano de moda de luxo em receita.

Mas, em comparação com empresas como a LVMH, o valor é bem menos relevante. O grupo francês, por exemplo, tem um valor de mercado estimado em cerca de US$ 259 bilhões.

A longo prazo, os olhos estão voltados para empresas como a Armani e a Dolce & Gabbana, sediadas em Milão, entre as poucas na Itália que ainda são totalmente familiares e não listadas em bolsa.

Neste mês, com a morte do estilista Giorgio Armani, aos 91 anos, o império do italiano deve tomar novos rumos. Segundo o testamento deixado por ele, a fundação que herdará a Giorgio Armani SpA terá de vender 15% da empresa para outros grupos — incluindo LVMH, EssilorLuxottica e L'Oreal.

Seus destinos finais podem ser decisivos em qualquer esforço para criar uma verdadeira potência italiana na moda global.

Donatella Versace no desfile de Primavera-Verão da Versace, na Semana de Moda de Milão — Foto: Marco Bertorello/AFP
Donatella Versace no desfile de Primavera-Verão da Versace, na Semana de Moda de Milão — Foto: Marco Bertorello/AFP

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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Brasil cria 147 mil empregos formais em agosto; queda de 38% frente ao mesmo mês de 2024

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Esse também foi pior resultado para meses de agosto desde início da série histórica em 2020, ou seja, em cinco anos. Na parcial do ano, foram abertas 1,5 milhão de vagas formais, com queda de 13,8%.
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Por Alexandro Martello, Thiago Resende, g1 e TV Globo — Brasília

Postado em 29 de Setembro de 2.025 às 16h30m
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A economia brasileira gerou 147,4 mil empregos formais em agosto deste ano, informou nesta segunda-feira (29) o Ministério do Trabalho e do Emprego.

Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas em agosto:

  • ➡️2,29 milhões de contratações;
  • ➡️2,09 milhões de demissões.

O resultado representa queda de 38,3% em relação a agosto do ano passado, quando foram criados cerca de 239 mil empregos com carteira assinada.

Emprego com carteira assinada perdeu força e teve o pior julho em cinco anos
Emprego com carteira assinada perdeu força e teve o pior julho em cinco anos

Criação de empregos formais no Brasil
Dados ajustados


Fonte: Ministério do Trabalho

Esse também foi o pior resultado para meses de agosto desde o início da série histórica em 2020, ou seja, em cinco anos.

Veja os resultados para os meses de agosto:

  • 2020: 214,6 mil vagas fechadas;
  • 2021: 387,8 mil empregos criados;
  • 2022: 288,9 mil vagas abertas;
  • 2023: 219,8 mil vagas abertas.

A comparação dos números com anos anteriores a 2020, segundo analistas, não é mais adequada porque o governo mudou a metodologia.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que o resultado mostra desaceleração do mercado de trabalho formal. “Cresce menos, mas continua crescendo”, afirmou.

Segundo ele, há um pequeno impacto do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em setores do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, como nas empresas de calçados e de madeira.

“Mas o impacto maior é dos juros”, concluiu o ministro, que tem reclamado do patamar da taxa básica de juros, definida pelo Banco Central, em 15% ao ano, a mais alta em quase 20 anos.

Empregos com carteira assinada tem saldo positivo registrados nos primeiros quatro meses de 2024. — Foto: Arquivo
Empregos com carteira assinada tem saldo positivo registrados nos primeiros quatro meses de 2024. — Foto: Arquivo

Parcial do ano

De acordo com o Ministério do Trabalho, 1,5 milhão de empregos formais foram criados no país de janeiro a agosto deste ano.

O número representa queda de 13,8% na comparação com o mesmo período de 2024, quando foram abertas 1,74 milhão de vagas com carteira assinada.

Essa foi a menor geração de empregos para os seis primeiros meses de um ano desde 2023, quando foram abertas 1,39 milhão de vagas formais.

  • Ao fim de agosto de 2025, ainda conforme os dados oficiais, o Brasil tinha saldo de 48,68 milhões de empregos com carteira assinada.
  • O resultado representa aumento na comparação com julho deste ano (48,55 milhões) e com relação a agosto de 2024 (47,35 milhões).
Empregos por setor

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto de 2025 mostram que foram criados empregos formais em quatro dos cinco setores da economia.

O maior número absoluto foi no setor de serviços. A agropecuária foi o setor que registrou perda de vagas no mês passado.

Empregos por setor
Abertura de vagas em agosto de 2025


Fonte: Ministério do Trabalho - Caged

Regiões do país

Os dados também revelam que foram abertas vagas em quatro das cinco regiões do país no mês passado.

Empregos por região
Vagas criadas em agosto de 2025


Fonte: Ministério do Trabalho

Salário médio de admissão

O governo também informou que o salário médio de admissão foi de R$ 2.295,01 em agosto deste ano, o que representa alta real (descontada a inflação) em relação a junho de 2025 (R$ 2.282,31).

Na comparação com agosto do ano passado, também houve aumento no salário médio de admissão. Naquele mês, o valor foi de R$ 2.275,42.

Caged x Pnad

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados consideram os trabalhadores com carteira assinada, ou seja, não incluem os informais.

Com isso, os resultados não são comparáveis com os números do desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coletados por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad).

Segundo dados oficiais, a taxa de desemprego no Brasil foi de 5,6% no trimestre encerrado em julho. De acordo com o IBGE, essa foi a menor taxa da série histórica iniciada em 2012.

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