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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

IOF: como o aumento de imposto pode afetar o seu bolso

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Medida vai encarecer o custo do crédito, com impactos no cheque especial, cartão de crédito e empréstimos para famílias e empresas. Veja simulações.
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Por Darlan Alvarenga, G1

Postado em 17 de setembro de 2021 às 15h40m

  .*  Post. N. =  0.331   *.  

O aumento do IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários) anunciado pelo governo para financiar o novo Bolsa Família vai encarecer o custo do crédito para empresas e famílias e pode ter impactos também na inflação e na atividade econômica.

Entre as operações de crédito que passarão a cobrar mais imposto estão o cheque especial, o cartão de crédito, o crédito pessoal e os empréstimos para empresas.

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O decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro eleva a alíquota do IOF nas operações de crédito efetuadas por pessoas jurídicas (empresas) da atual alíquota anual de 1,50% para 2,04%, e para pessoas físicas dos atuais 3,0% anuais para 4,08%.

A mudança vigorará entre a próxima segunda (20) e valerá até 31 de dezembro. De acordo com o governo, a alta do IOF permitirá uma arrecadação extra de R$ 2,14 bilhões para custear o novo Bolsa Família.

Veja abaixo os impactos da medida na economia e simulações de como o aumento do IOF pode afetar o seu bolso.

NOVAS ALÍQUOTAS DO IOF

Alíquota diária atual Alíquota anual atual Nova alíquota diária Nova alíquota anual
PESSOA JURÍDICA 0,0041% 1,50% 0,00559% 2,04%
PESSOA FÍSICA 0,0082% 3,0% 0,01118% 4,08%

A elevação do IOF irá encarecer o custo de empréstimos e financiamentos. Isso porque, além das taxas de juros cobradas pelos bancos, o imposto cobrado pelo governo sobre as operações vai subir.

Veja abaixo o impacto do IOF nas principais modalidades de crédito, segundo simulações feitas pelo tributarista Lucas Ribeiro, CEO da ROIT.

Simulações do IOF para operações de crédito de R$ 1 mil

Operação Prazo pagamento* IOF Até 19/09 (R$) IOF a partir de 20/09 (R$) % aumento efetivo
Crédito pessoal 12 meses 33,73 44,61 32,25%
Rotativo do cartão de crédito 2 meses 8,72 10,51 20,50%
Cheque especial pessoa física 3 meses 11,18 13,86 23,99%
Capital de giro para empresas 12 meses 18,77 24,2 28,98%
Cheque especial pessoa jurídica 3 meses 7,49 8,83 17,90%
Rotativo do cartão de crédito PJ 2 meses 6,26 7,15 14,28%

No crédito pessoal, por exemplo, além dos juros cobrados pelos bancos, o consumidor paga atualmente R$ 33,73 de IOF num empréstimo de R$ 1.000, com prazo de pagamento de 12 meses. Com a nova alíquota, passará a pagar R$ 44,61 – R$ 10,88 ou 32,25% a mais de imposto.

Para a pessoa jurídica, o IOF num empréstimo de R$ 10 mil para capital de giro para pagamento em 12 meses subirá de R$ 187 para R$ 242, uma alta de 28,98%, de acordo com a simulação.

Ribeiro explica que o aumento do IOF impactará não só novas contratações de crédito como também refinanciamentos, ou seja, rolagem de dívidas, e operações de antecipação de recebíveis.

"Os juros já estão subindo por conta a subida da Selic e agora temos o aumento do IOF. Ou seja, o custo Brasil se multiplica significativamente", afirma o CEO da ROIT. 

A taxa básica de juros, que no início do ano ainda estava na mínima histórica de 2% ao ano, já sofreu 4 elevações e está atualmente em 5,25% ao ano. Para os próximos meses são esperadas novas altas e parte o mercado já projeta uma taxa de 8% na virada do ano.

Ilan Goldfajn sobre aumento do IOF: 'É uma solução ruim e ineficiente'
Ilan Goldfajn sobre aumento do IOF: 'É uma solução ruim e ineficiente'

Mais pressão na inflação e no PIB

Economistas e tributaristas criticaram a solução encontrada pelo governo para elevar o benefício médio paga aos beneficiários do Bolsa Família. O governo prevê elevar o valor dos atuais R$ 189 para cerca de R$ 300.

"A solução é ruim pois dificulta mais o crescimento do país. Precisamos sim de políticas sociais como Bolsa Família ou Auxílio Brasil, mas que precisam ser perenes. Precisamos de planejamento na área social e não de medidas que funcionem por pouco tempo", afirma Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco Modalmais.

"Os mais afetados são as empresas que foram afetadas pela pandemia e que estavam descapitalizadas, e pessoas físicas sem trabalho e com dívidas", acrescenta.

A alta do IOF também deve pressionar ainda mais a inflação – que chegou a 9,68% no acumulado em 12 meses até agosto –, uma vez que as empresas que precisarem fazer financiamentos terão que pagar mais caro imposto e provavelmente repassarão esse aumento ao consumidor final.

"As empresas estão passando por dificuldades e, como se diz, empresa não paga imposto, empresa repassa. Isso certamente vai ter efeito no aumento valor de serviços, valor de mercadorias, leia-se inflação", afirma a tributarista Elisabeth Libertuci, sócia de Lewandowski Libertuci.

Febraban diz que alta do IOF dificulta retomada

Em nota, a Febraban afirmou que o aumento de impostos sobre o crédito, mesmo que temporário, agrava o custo dos empréstimos, em um momento em que o Banco Central precisará subir ainda mais a taxa básica de juros para conter a alta da inflação.

"O resultado é o desestímulo aos investimentos e mais custos para empresas e famílias que precisam de crédito. Esse aumento do IOF é um fator que dificulta o processo de recuperação da economia. Para enfrentar as dificuldades fiscais, evitar impactos negativos no custo do crédito e propiciar a retomada consistente da economia, só há um caminho: perseverarmos na aprovação da agenda de reformas estruturais em tramitação no Congresso", destacou a federação dos bancos. 
'O certo era fazer corte de despesas', diz Acrefi

A Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento) também criticou a solução encontrada pelo governo para bancar o seu novo programa social, destacando que o encarecimento do crédito acontece em meio a um cenário de inflação persistente e de piora das expectativas de crescimento para 2022.

"É mais um ônus. A essa altura, com o atual cenário econômico, e com uma carga tributária já elevada, o certo era fazer corte de despesas", afirma Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi.

Sem impacto nas operações de câmbio

O especialista em direito tributário e econômico Gabriel Quintanilha explica o aumento do IOF atinge apenas operações de crédito, sem efeitos em operações de câmbio.

"Não há nenhum impacto no mercado internacional, pois o câmbio não foi afetado pelo aumento do IOF. É uma medida que demonstra a necessidade do governo em aumentar a arrecadação para que possa financiar um programa social com possíveis reflexos nas eleições do próximo ano", diz.

Onde é cobrado? Quais operações são isentas?

O IOF é cobrado em operações de crédito, como empréstimos, câmbio, seguro ou operações relacionadas a títulos ou valores mobiliários. O valor da alíquota varia de acordo com a operação. O imposto é recolhido pelos bancos e repassado ao governo.

O IOF é apurado diariamente. Pelas regras atualmente em vigência, a cobrança máxima do tributo é de 3% ao ano para pessoa jurídica e de 6% para pessoa física.

Estão isentas de IOF operações de financiamento imobiliário residencial, empréstimos em moeda estrangeira entre duas pessoas físicas e pagamento de dividendos a um investidor internacional.

Levantamento da tributarista Elisabeth Libertuci mostra que o aumento do IOF anunciado pelo governo afetará as seguintes operações:

  • empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito
  • operação de desconto, inclusive na de alienação a empresas de factoring de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo: base de cálculo é o valor líquido obtido
  • adiantamento a depositante: base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês
  • empréstimos, inclusive sob a forma de financiamento, sujeitos à liberação de recursos em parcelas, ainda que o pagamento seja parcelado: base de cálculo é o valor do principal de cada liberação
  • excessos de limite, ainda que o contrato esteja vencido
  • financiamento para aquisição de imóveis não residenciais, em que o mutuário seja pessoa física
Miriam sobre aumento do IOF: ‘Mostra o desespero do governo’
Miriam sobre aumento do IOF: ‘Mostra o desespero do governo’

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terça-feira, 14 de setembro de 2021

Apple reduz preços de iPhones antigos após lançar iPhone 13

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Descontos chegam a 18% e variam de acordo com o espaço de armazenamento de celular. Site da fabricante deixou de oferecer iPhone 12 Pro e 12 Pro Max, bem como versões anteriores do iPad.
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Por G1

Postado em 14 de setembro de 2021 às 19h00m

  .*  Post. N. =  0.330   *.  

Tim Cook, CEO da Apple, em evento do iPhone 12 — Foto: Brooks Kraft/Apple Inc./Handout via Reuters
Tim Cook, CEO da Apple, em evento do iPhone 12 — Foto: Brooks Kraft/Apple Inc./Handout via Reuters

Com o lançamento das quatro versões do iPhone 13 nesta terça-feira (15), a Apple baixou os preços dos modelos de gerações anteriores. Os descontos no iPhone 11 e iPhone 12 variam de acordo com o espaço de armazenamento escolhido.

A redução no preço das versões com 64 GB de armazenamento do iPhone 12 e 12 Pro é de 18%. Os modelos com 128 GB desta geração ficaram 17% mais baratos, enquanto os com 256 GB tiveram redução de 15%.

Os descontos no iPhone 11 são de 12% na versão com 64 GB e de 11% na versão com 128 GB.

Novos preços dos iPhones 11 e 12

Modelo Preço Antigo Preço Novo
iPhone 11 (64 GB) R$ 5.699 R$ 4.999
iPhone 11 (128 GB) R$ 6.199 R$ 5.499
iPhone 12 mini (64 GB) R$ 6.999 R$ 5.699
iPhone 12 mini (128 GB) R$ 7.499 R$ 6.199
iPhone 12 mini (256 GB) R$ 8.499 R$ 7.199
iPhone 12 (64 GB) R$ 7.999 R$ 6.499
iPhone 12 (128 GB) R$ 8.499 R$ 6.999
iPhone 12 (256 GB) R$ 9.499 R$ 7.999

As comparações foram feitas entre o que era exibido no site da Apple na segunda-feira (13) e o que passou a ser anunciado pela empresa após o lançamento do iPhone 13.

O iPhone 12 Pro e 12 Pro Max, que eram vendidos por a partir de R$ 9.999 e R$ 10.999, não estão mais disponíveis no site da fabricante.

O mesmo vale para os novos iPad e iPad mini, que estão disponíveis apenas na nova versão. As gerações anteriores, que eram vendidas até segunda-feira, não podem ser compradas pelo site da Apple.

Preços do iPhone 13

A Apple já divulgou os preços dos modelos do iPhone 13 no Brasil. O mais barato da linha é o iPhone 13 mini de 128 GB, que será comercializado por R$ 6.599.

Por outro lado, o iPhone 13 Pro Max, celular mais avançado da empresa, será vendido por até R$ 15.499 na versão com 1 TB de armazenamento.

A fabricante também divulgou os preços dos novos modelos do iPad. Eles serão comercializados no Brasil por a partir de R$ 3.999.

Apple apresenta o iPhone 13; veja novidades
Apple apresenta o iPhone 13; veja novidades

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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Mercado financeiro sobe para 8% a estimativa de inflação em 2021 e vê alta menor do PIB

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Previsão do crescimento da economia passou para 5,04%. Mercado também estima uma alta maior dos juros básicos, para 8% ao ano no fim de 2021.
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Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

Postado em 13 de setembro de 2021 às 11h00m

  .*  Post. N. =  0.329   *.  

O mercado financeiro subiu a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, para 8% neste ano. Ao mesmo tempo, reduziu a previsão de crescimento da economia,.

As previsões do mercado constam no relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada, em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Para a inflação, a expectativa do mercado para o ano de 2021 avançou pela vigésima terceira seguida, passando de 7,58% para 8%.

Expectativa do mercado para o IPCA de 2021


Fonte: Banco Central

O centro da meta de inflação, em 2020, é de 3,75%. Pelo sistema vigente no país, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Com isso, a projeção do mercado já está acima do dobro da meta central de inflação (7,5%).

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.

Em 2020, pressionado pelos preços dos alimentos, o IPCA ficou em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Para 2022, o mercado financeiro subiu de 3,98% para 4,03% a estimativa de inflação. Foi a oitava alta seguida no indicador. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

Ex-diretor do Banco Central comenta perspectivas para a inflação e para a economia
Ex-diretor do Banco Central comenta perspectivas para a inflação e para a economia

PIB

Os economistas do mercado financeiro reduziram a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,15% para 5,04% em 2021.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Para 2022, o mercado baixou a previsão de alta do PIB de 1,93% para 1,72%.

Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que o "barulho político" dos últimos dias, resultado do discurso de caráter golpista do presidente Jair Bolsonaro nas manifestações de 7 de Setembro, poderia afetar o ritmo de crescimento da economia brasileira, gerando uma desaceleração.

Taxa básica de juros

O mercado financeiro também subiu de 7,63% para 8% ao ano a previsão para a Selic no fim de 2021. Com isso, os analistas seguem estimando alta nos juros neste ano.

Em março, na primeira elevação em quase seis anos, a taxa básica da economia foi aumentada pelo BC para 2,75% ao ano. Em maio, o Copom elevou o juro para 3,5% ao ano e, em junho, a taxa avançou ara 4,25% ao ano. Na semana passada, a taxa subiu para 5,25% ao ano.

Para o fim de 2022, os economistas do mercado financeiro elevaram a expectativa para a taxa Selic de 7,75% para 8% ao ano, o que pressupõe estabilidade do juro básico da economia no ano que vem.

Outras estimativas

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2021 subiu de R$ 5,17 para R$ 5,20. Para o fim de 2022, ficou estável em R$ 5,20 por dólar.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2021 subiu de US$ 70,8 bilhões para US$ 71 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado ficou estável em US$ 63 bilhões de superávit.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano recuou de US$ 54 bilhões para US$ 51,1 bilhões. Para 2022, a estimativa permaneceu em US$ 65 bilhões.

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sábado, 11 de setembro de 2021

Frango 40% mais caro: como a alta da conta de luz aumentou preço da ave em 2021

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Alternativa mais barata à carne bovina, frango também se torna bem mais caro em meio ao avanço da inflação. Café e açúcar também registram forte alta.
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TOPO
Por BBC

Postado em 11 de setembro de 2021 às 08h45m

  .*  Post. N. =  0.328   *.  

Segundo Associação Paulista de Supermercados, frango ficou 8,6% mais caro em agosto nos supermercados paulistano — Foto: Getty Images via BBC
Segundo Associação Paulista de Supermercados, frango ficou 8,6% mais caro em agosto nos supermercados paulistano — Foto: Getty Images via BBC

Sob efeito da séria crise hídrica enfrentada pelo Brasil, o preço da energia elétrica residencial já acumula alta de 10,6% em 2021 e de 21% em 12 meses até agosto, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O brasileiro já sentiu essa alta na hora de pagar a conta de luz nos últimos meses. Mas o aumento de preço da energia elétrica está batendo num outro lugar mais inusitado: no preço do frango que compramos no supermercado.

Segundo dados da Apas (Associação Paulista de Supermercados), divulgados em primeira mão à BBC News Brasil, o frango ficou 8,6% mais caro nos supermercados paulistanos apenas em agosto. Desde janeiro, a alta acumulada é de 21,42% e, em 12 meses, de 40,44%.

Com isso, o frango supera em aumento de preços a carne bovina, que teve alta de 0,15% em agosto e de 36% no acumulado de 12 meses.

E o aumento de custos chega também aos ovos de galinha, com alta de 1,46% em agosto e de mais de 20% em 12 meses.

"O caso do frango exemplifica o efeito dominó causado pelos aumentos da bandeira tarifária, já que a energia elétrica é fundamental para a criação de aves", explica Diego Pereira, economista da Apas.

A bandeira mais cara das contas de luz já foi reajustada em 127% desde dezembro de 2020, com a cobrança adicional passando de R$ 6,24 a cada 100 kWh (quilowatt-hora) ao fim do ano passado, para R$ 14,20 em setembro deste ano.

Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifarias visa indicar para os consumidores que os reservatórios hidrelétricos estão em baixa e que está sendo necessário o acionamento de usinas termelétricas, que produzem energia mais cara. Além disso, o valor adicional pago pelos usuários serve para bancar essa geração mais custosa.

"A indústria do frango utiliza energia elétrica 24 horas por dia, para acelerar o processo de maturação das aves para abate e de produção de ovos", explica o economista. "Então esse incremento de preços da energia em decorrência do acionamento das usinas termelétricas está sendo repassado para toda a cadeia."

Brasil tem inflação mais alta para um mês de agosto em 21 anos
Brasil tem inflação mais alta para um mês de agosto em 21 anos

Segundo Pereira, os sucessivos reajustes da bandeira de energia a partir de julho se somaram a um outro efeito que já vinha impactando o preço da aves e seus derivados desde o início do ano: a alta global das commodities, particularmente do milho e da soja, ingredientes da ração usada na alimentação de pintos, frangos e galinhas

"Soja e milho compõem cerca de 70% da ração animal", explica o analista, acrescentando que os produtores também têm sido afetados pela alta no preço dos combustíveis utilizados no transporte dos alimentos.

E tem mais más notícias à frente: a alta de preços do frango não vai parar, já que a bandeira foi reajustada novamente em setembro, impacto ainda não captado pelos dados da Apas, que vão só até agosto. "A gente aguarda um novo reajuste, que já está contratado em decorrência desses ajustes tarifários da energia que a gente vêm acompanhando", diz o economista.

Assim, a proteína que costumeiramente serve de alternativa para os brasileiros nos momentos em que a carne bovina fica mais cara, também deve se tornar cada vez mais proibitiva.

Uma alternativa é a carne de porco, que ao contrário do frango e da carne de bovina, registrou queda de preços de 1,61% em agosto e de 6,76% no acumulado deste ano, segundo os dados da Apas, referentes aos preços praticados nos supermercados de São Paulo. 
Café adoçado mais caro

Outros dois produtos indispensáveis na cesta básica do brasileiro se destacaram em alta de preços em agosto: o café (+8,05% no mês e +25% em 12 meses) e o açúcar (+2,48% e +47%, nas mesmas bases).

"A safra de cana deste ano é 4,3% menor em relação à do ano passado e as geadas prejudicaram aproximadamente 30% do cultivo no Estado de São Paulo, maior produtor brasileiro", destaca Pereira.

"Já a safra do café deve ser 22,6% menor em relação a 2020, forçando a utilização de estoques privados. A safra menor, que já era prevista pelo mercado, foi impactada pela geada e ligou o alerta para os preços futuros, já que o auge da colheita foi em julho", afirma.

Geada prejudica safra do café e valor do grão deve subir, diz Apas
Geada prejudica safra do café e valor do grão deve subir, diz Apas

Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o custo médio da cesta básica de alimentos aumentou em 13 de 17 cidades pesquisadas em agosto. As maiores altas foram registradas em Campo Grande (3,48%), Belo Horizonte (2,45%) e Brasília (2,10%). Em São Paulo, a alta foi de 1,56%.

A cesta mais cara em agosto era a de Porto Alegre (R$ 664,67), seguida pelas de Florianópolis (R$ 659,00), São Paulo (R$ 650,50) e Rio de Janeiro (R$ 634,18). Considerando a média das 17 capitais analisadas, o custo da cesta básica representava em agosto 55,9% do salário mínimo. Em São Paulo, esse percentual chegou a 63,9%.

A crise política e o preço dos alimentos

As perspectivas para o preços dos alimentos não são favoráveis, por três motivos principais.

O primeiro deles é a crise hídrica, que tem se mostrado mais severa do que o inicialmente previsto pelo governo e já compromete safras de produtos que abastecerão os supermercados no próximo ano.

O segundo é que não há perspectiva de que as commodities agrícolas voltem a um patamar de preços muito mais baixo do que o atual.

"Desde março de 2020, com a crise do coronavírus, diversos países fizeram uma expansão monetária, que contribuiu para a supervalorização dessas commodities", explica Pereira.

A expansão monetária é um instrumento utilizado pelos governos para estimular a economia em momentos de crise, por exemplo, baixando os juros ou comprando títulos no mercado para estimular a circulação de dinheiro, com efeito positivo no consumo e no investimento.

A recuperação das economias mundiais - particularmente da China - com a contenção da pandemia e o avanço da vacinação também contribuiu para a maior demanda por commodities e para a alta de preços.

"Em março de 2020, a saca de soja estava valendo em torno de R$ 94 e hoje está em torno de R$ 170", diz Pereira. "E a China já sinalizou que está em movimento de reposição de estoques de todas as commodities dela, então a gente vai sofrer um pouco esse impacto."

Por fim, a crise política constante tende a mantar o real desvalorizado em relação ao dólar. E um real desvalorizado contribui para mais exportações, o que, apesar de ajudar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), reduz a oferta de produtos no mercado interno e, consequentemente, também pressiona os preços dos alimentos.

Na quinta-feira (9/9), o IBGE divulgou o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto. A inflação oficial do país teve alta de 0,87% no mês, acima do esperado pelos analistas e maior aumento para agosto em 21 anos.

Com o resultado, diversos economistas revisaram para cima suas expectativas de inflação para o ano, como o Bank of America, que aumentou sua previsão para o IPCA em 2021 de 7,75% para 8%, e a MCM Consultores, que reajustou sua estimativa de 7,8% para 8,2%. A meta para a inflação este ano é de 3,75%.

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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Vendas do comércio crescem 1,2% em julho e setor recupera nível recorde

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Resultado negativo de junho foi revisado para alta, formando uma trajetória de quatro taxas de crescimento seguidas. Perdas provocadas pela pandemia, porém, foram recuperadas apenas por parte das atividades.
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Por Daniel Silveira e Darlan Alvarenga, G1

Postado em 10 de setembro de 2021 às 13h00m

  .*  Post. N. =  0.327   *.  

Movimentação de consumidores e vendedores na região da Rua 25 de março, em São Paulo, em imagem de julho. — Foto: CRIS FAGA/ESTADÃO CONTEÚDO
Movimentação de consumidores e vendedores na região da Rua 25 de março, em São Paulo, em imagem de julho. — Foto: CRIS FAGA/ESTADÃO CONTEÚDO

As vendas do comércio varejista cresceram 1,2% em julho, na comparação com junho. Com o resultado, o setor alcançou nível recorde. É o que apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Foi o quarto crescimento consecutivo desse indicador, fazendo com que o volume de vendas do comércio chegasse ao patamar recorde da série histórica da pesquisa, iniciada em 2000", destacou o IBGE.

O resultado de junho, que apontava uma queda de 1,7% na comparação com maio, foi revisado para alta de 0,9%, fazendo com que o setor passasse a registrar quatro crescimentos seguidos. De acordo com o IBGE, a revisão foi realizada pelo algoritmo de dessazonalização aplicado sobre as pesquisas, ou seja, não houve entrada de novos dados das vendas realizadas no mês.
Com a revisão do resultado de junho, comércio registrou quarta alta seguida em julho — Foto: Economia/G1
Com a revisão do resultado de junho, comércio registrou quarta alta seguida em julho — Foto: Economia/G1

Frente a julho do ano passado, o setor registrou alta de 5,7%, a quinta taxa positiva consecutiva nesta base de comparação.

No ano, o avanço chegou a 6,6% e no acumulado nos últimos 12 meses a alta permaneceu em 5,9%.

Os resultados superaram as expectativas dos analistas. Em pesquisa da Reuters, as projeções apontavam alta de 0,7% na comparação mensal e de 3,45% sobre um ano antes.

Indicador se manteve estável na passagem de junho para julho — Foto: Economia/G1
Indicador se manteve estável na passagem de junho para julho — Foto: Economia/G1

Alta em 5 das 8 atividades

Cinco das oito atividades pesquisadas tiveram alta na passagem de junho para julho. O destaque positivo ficou com a de outros artigos de uso pessoal e doméstico, cujas vendas cresceram 19,1% no período.

Vemos uma trajetória de recuperação dessa atividade, que acaba por fazer grandes promoções e aumentar a sua receita bruta de revenda, num novo momento de abertura e maior flexibilização do isolamento social, o que gera maior aumento da demanda, explicou o gerente da pesquisa Cristiano Santos.

No lado oposto, o destaque negativo ficou com a atividade de livros, jornais e papelaria, que registrou o pior resultado, enquanto as vendas de hiper e supermercados ficaram praticamente estagnadas.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e material de construção, as vendas cresceram 1,1% na passagem de junho para julho e 7,1% na comparação interanual.

Veja o desempenho de cada um dos segmentos em junho:

  • Combustíveis e lubrificantes: -0,3%
  • Móveis e eletrodomésticos: -1,4%
  • Livros, jornais, revistas e papelaria: -5,2%
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 0,1%
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 0,2%
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: 0,6%
  • Tecidos, vestuário e calçados: 2,8%
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 19,1%
  • Veículos, motos, partes e peças: 0,2% (varejo ampliado)
  • Material de construção: -2,3% (varejo ampliado)
Recuperação desigual

Na comparação interanual, o crescimento de 5,7% das vendas do setor foi puxado pelas atividades de tecidos, vestuário e calçados (42,0%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (36,8%), combustíveis e lubrificantes (6,4%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (4,8%).

O gerente da pesquisa apontou que estas foram as atividades mais prejudicadas pela pandemia em 2020 e que, agora, voltou a apresentar taxas positivas.

As outras quatro atividades, porém, apresentaram quedas na comparação com julho do ano passado: livros, jornais, revistas e papelaria (-23,2%), móveis e eletrodomésticos (-12,0%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-5,6%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,8%).

Apesar do avanço, o movimento intrasetorial do comércio é muito heterogêneo. Algumas atividades ainda não conseguiram recuperar as perdas na pandemia, como é o caso de equipamentos e material para escritório, que ainda está 26,7% abaixo do patamar pré-pandemia, ou combustíveis e lubrificantes, que está 23,5% abaixo, analisa o gerente da PMC, Cristiano Santos.

O comércio varejista como um todo terminou julho superando em 5,9% o patamar de vendas pré-pandemia, enquanto a recuperação do varejo ampliado foi de 3,2%.

Das dez atividades comerciais, incluindo o varejo ampliado, apenas quatro conseguiram recuperar o patamar de vendas observado antes da pandemia.

Quatro das 10 atividades comerciais recuperaram, em julho, o patamar de vendas pré-pandemia — Foto: Economia/G1
Quatro das 10 atividades comerciais recuperaram, em julho, o patamar de vendas pré-pandemia — Foto: Economia/G1

Vendas crescem em 19 unidades da federação

De junho para julho, o comércio varejista cresceu em 19 das 27 unidades da federação, com destaque para Rondônia (17,5%), Santa Catarina (12,5%) e Paraná (11,1%). Já as maiores quedas foram em Minas Gerais (-2,1%), Rio Grande do Norte (-1,5%) e Amazonas (-1,4%).

Perspectivas

A recuperação da economia brasileira segue desigual em um cenário de aumento das incertezas e de piora das expectativas em razão da tensão política, de agravamento da crise hídrica e de inflação de quase dois dígitos no acumulado em 12 meses.

Na semana passada, o IBGE mostrou que a produção industrial brasileira caiu 1,3% em julho, voltando a ficar no patamar pré-pandemia.

Na última pesquisa Focus, que reúne as projeções dos analistas, a inflação esperada para este ano já chegava a 7,58%. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de alta foi reduzida para 5,15% em 2021 e para 1,93% em 2022.

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