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sábado, 3 de setembro de 2022

Rússia corta gás à Europa em meio a guerra e disputa por preços

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O anúncio ocorre logo após o G7 concordar em limitar o preço do petróleo russo em apoio à Ucrânia.
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TOPO
Por BBC

Postado em 03 de setembro de 2022 às 12h15m

#         Post. N. =  0.514        #

A sede da Gazprom em São Petersburgo vista de um oleoduto — Foto: EPA/Via BBC
A sede da Gazprom em São Petersburgo vista de um oleoduto — Foto: EPA/Via BBC

Ao contrário do anunciado, o gasoduto que liga Rússia e Alemanha não será reaberto neste sábado (3), segundo a Gazprom, empresa estatal de energia russa.

A companhia disse que encontrou um vazamento de óleo em uma das turbinas do gasoduto Nord Stream 1, o que significa que ele ficará fechado por tempo indeterminado.

Grupo de países mais ricos do mundo decide colocar teto no preço do gás vendido pela RússiaGrupo de países mais ricos do mundo decide colocar teto no preço do gás vendido pela Rússia

Os dutos já estavam interditados nos últimos três dias para, segundo a Gazprom, a realização de serviços de manutenção.

De acordo com o jornal "Financial Times", a Gazprom já estava reduzindo o envio de gás pelo Nord Stream 1 desde junho. Nesses meses, o suprimento de gás chegou a ficar em apenas 20% do volume normal.

A notícia mais recente surge em meio a temores crescentes de que os moradores da União Europeia (UE) não poderão arcar com os custos do aquecimento durante o próximo inverno.

A Gazprom divulgou uma foto do vazamento de óleo — Foto: Reprodução/Gazprom/Via BBC
A Gazprom divulgou uma foto do vazamento de óleo — Foto: Reprodução/Gazprom/Via BBC

Os preços da energia dispararam desde que a Rússia invadiu a Ucrânia — e a escassez de suprimentos pode aumentar ainda mais as contas de energia.

Antes da invasão da Ucrânia, a Rússia fornecia 40% do gás utilizado no resto do continente europeu.

A Europa está tentando encontrar novas alternativas à energia russa em um esforço para reduzir a capacidade de Moscou de financiar a guerra.

Mas a transição para outros fornecedores pode não ocorrer com a rapidez necessária.

O presidente do Conselho da UE, Charles Michel, disse que o recente anúncio "infelizmente não é uma surpresa".

"O uso do gás como arma não mudará a determinação da UE. Vamos acelerar o caminho para a independência energética. Nosso dever é proteger os cidadãos e apoiar a liberdade da Ucrânia", escreveu no Twitter.

O governo russo nega usar o fornecimento de energia como uma espécie de arma econômica em retaliação às sanções impostas após a invasão da Ucrânia.

Moscou aponta que as sanções econômicas atrasaram a manutenção de rotina do Nord Stream 1. A UE, por sua vez, entende que essa justificativa é apenas um pretexto.

O regulador de rede da Alemanha, o Bundesnetzagentur, disse que o país está agora mais preparado para o fim do fornecimento de gás russo, mas pediu que cidadãos e empresas reduzam o consumo de energia nos próximos meses.

O anúncio da Gazprom veio logo depois que as nações do G7 concordaram em limitar o preço do petróleo russo como uma forma de apoio à Ucrânia.

O corte no suprimento de gás acontece logo após o G7 anunciar uma política que limita o preço de venda do petróleo russo — Foto: Getty Images/Via BBC
O corte no suprimento de gás acontece logo após o G7 anunciar uma política que limita o preço de venda do petróleo russo — Foto: Getty Images/Via BBC

O G7 (Grupo dos Sete) é composto por Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão.

A introdução de um teto de preços nesse setor significa que os países que adotarem essa política poderão comprar apenas produtos petrolíferos russos transportados por via marítima que sejam vendidos no limite do valor estipulado (ou abaixo dele).

A Rússia diz que não exportará petróleo para países que participarem dessa nova política.

O gasoduto Nord Stream 1 se estende da costa russa perto da cidade de São Petersburgo até o nordeste da Alemanha e pode transportar 170 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

Essa imensa estrutura é operada pela empresa Nord Stream AG, cujo acionista majoritário é a Gazprom.

A Alemanha também já havia apoiado a construção de um gasoduto paralelo — o Nord Stream 2 — mas o projeto foi interrompido depois que a Rússia invadiu a Ucrânia.

A Gazprom disse que a falha foi detectada na estação de compressores do terminal de Portovaya e a avaliação do problema aconteceu em parceria com técnicos da empresa Siemens.

Os representantes da estatal informaram que a correção de vazamentos de óleo nos principais motores só pode ser feita em oficinas especializadas, que foram prejudicadas pelas sanções econômicas anunciadas por vários países durante a guerra.

No entanto, a Siemens contrapôs que "tais vazamentos normalmente não afetam o funcionamento de uma turbina e podem ser vedados no próprio local".

"É um procedimento de rotina dentro do escopo dos trabalhos de manutenção", divulgou a empresa.

Esta não é a primeira vez desde a invasão da Ucrânia que o gasoduto Nord Stream 1 foi fechado.

Em julho, a Gazprom cortou completamente o fornecimento, alegando "uma pausa para manutenção".

Os trabalhos foram reiniciados novamente dez dias depois, mas em um nível muito reduzido.

Falando à BBC de Berna, na Suíça, a economista e analista de energia Cornelia Meyer avalia que a paralisação do suprimento de gás terá um grande impacto econômico.

"Esse anúncio tem enormes repercussões para o gás na Europa, que está cerca de quatro vezes mais caro do que era há um ano. A crise do custo de vida piorará, porque não é apenas o gás que aumenta de preço", disse.

"O gás vira fertilizante e é usado em muitos processos industriais, então isso afetará os custos e os empregos."

Análise de Theo Leggett, correspondente de Negócios da BBC News

O fluxo de gás pelo Nord Stream 1 já havia sido reduzido a um "gotejamento relativo". Agora, mais uma vez, foi interrompido completamente.

Tudo está relacionado a um vazamento de óleo, afirma a Gazprom — que anteriormente atribuiu os fluxos reduzidos nos meses anteriores a questões técnicas relacionadas às sanções econômicas.

A Europa, no entanto, acredita que o presidente Vladimir Putin utiliza o fornecimento de gás e limita deliberadamente os fluxos através do gasoduto para aumentar os preços, a fim de testar a determinação dos críticos da Rússia.

O resultado, como já vimos, é o aumento dos custos de energia — com empresas e consumidores pagando um preço muito alto.

O momento de mudança na Gazprom é certamente interessante. Ele ocorre no mesmo dia em que o G7 anunciou medidas para limitar o preço das exportações de petróleo da Rússia.

O anúncio também acontece logo após a Alemanha — que depende fortemente do gás russo — revelar que os estoques de inverno estavam enchendo mais rápido do que o esperado.

Um cínico poderia interpretar que esta era a última oportunidade de apertar o parafuso, com o objetivo de infligir o máximo de dano nos meses mais frios que virão pela frente.

Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62779458

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quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Indústria tem forte alta no PIB no trimestre, mas setor ainda amarga perdas e desemprego

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De seus 25 subsetores, 16 ainda não conseguiram registrar mesmo nível de atividade de janeiro de 2020. Empresas e trabalhadores sentiram o baque do aumento dos preços e da diminuição da renda dos brasileiros.
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Por Thaís Matos, g1

Postado em 01 de setembro de 2022 às 12h45m

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Indústria tem alta de 2,2% no PIB
Indústria tem alta de 2,2% no PIB

A economia brasileira cresceu 1,2% no segundo trimestre – mas a recuperação vem marcada pela desigualdade entre os setores.

O resultado da indústria, com crescimento de 2,2% sobre o trimestre anterior, surpreendeu positivamente.

Mas, vindo de uma série de trimestres com resultados fracos (veja no gráfico abaixo), o setor ainda patina: é o único dentro do PIB (Produto Interno Bruto) que ainda não recuperou as perdas da pandemia. De seus 25 subsetores, 16 ainda registravam, em junho, desempenho abaixo do que tinham em janeiro de 2020.

Os dados dos setores usados nesta reportagem são das pesquisas mensais de cada um deles, divulgadas pelo IBGE, e que são usadas, juntamente com outros dados coletado pelo instituto, para o cálculo do PIB.

Os números apenas consolidam o que vivem empresas e funcionários: prejuízos financeiros, cortes de pessoal, trabalhadores desempregados há meses e pouca perspectiva de melhora.

Desigualdade dentro da indústria

Mesmo dentro da indústria, há gente sofrendo de maneira muito mais intensa que outros: quatro setores registravam, em junho, perdas nos dois dígitos em relação ao período pré-pandemia.

As maiores quedas de junho em relação a janeiro de 2020 foram:

  • Fabricação de móveis: -21,2%
  • Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos: -19,4%
  • Fabricação de outros equipamentos de transporte: -16,8%

Já na comparação entre o segundo e o primeiro trimestres deste ano, quem mais sofreu foi o setor de fabricação de alimentos. Com o aumento do custo de produção de um lado e a diminuição do poder de compra do outro, a indústria precisou reduzir a atividade.

"A queda de renda faz com que as pessoas migrem para alimentos mais baratos. Elas procuram alimentos como batata e arroz, e as opções mais industrializadas, de maior valor agregado, perdem demanda", explica o economista Juan Jensen, sócio da consultoria 4i.

  • Na realidade, as fábricas tiveram que diminuir a quantidade de produtos disponíveis para venda, principalmente aqueles que custam mais para serem feitos e são mais caros no mercado.
  • Queijo Santo Casamenteiro da Cruzília: produção de queijos finos premiados até internacionalmente atrai turistas para a cidade de Cruzília — Foto:  Crédito: Divulgação Comercial UltraCheese
  • Queijo Santo Casamenteiro da Cruzília: produção de queijos finos premiados até internacionalmente atrai turistas para a cidade de Cruzília — Foto: Crédito: Divulgação Comercial UltraCheese

Setor de laticínios sofre

Detentora das marcas Cruzília, Lac Lélo, Búfalo Dourado e Itacolomy, a Ultracheese parou de vender cortes maiores e mais caros de queijos, como o brie e o gruyère, além de ter diminuído e zerado algumas ofertas de queijos sem lactose.

Ela também passou a apostar mais nos produtos mais baratos como forma de ganhar com "eficiência", conta o diretor de operações Edson Martins, porque o custo de produzir um tipo só em grande quantidade é menor que o de fazer vários tipos de queijo em quantidades menores.

A empresa também teve que aceitar um pouco de prejuízo e precisou renegociar todos os seus contratos.

"Negociamos descontos com fornecedores de insumos e embalagens. E tivemos que pensar como fazer para repassar o mínimo possível ao consumidor. No nosso caso em específico, a gente teve um aumento da matéria-prima de 35 a 40% e a gente passou 18% para o consumidor. Para o restante, a gente buscou a eficiências dentro de casa, mas tivemos que comprometer a margem da companhia."

A dificuldade da indústria se ancora em vários fatores. Segundo Jensen, o principal deles é o redirecionamento do consumo de bens para serviços, após a reabertura, o que levou à queda do varejo e da produção de bens.

"Temos também um quadro de mercado de trabalho e de preços que também afetam a dinâmica dos mais diversos setores. De um lado, o número de pessoas empregadas aumentou, mas a renda delas não voltou ao mesmo patamar por causa da inflação. Os preços aumentaram devido à demanda aquecida e diante da conjuntura internacional de retração de oferta em função da dificuldade das cadeias produtivas e falta de insumo. Então tivemos um aumento de preços muito forte que corrói renda", explica.

Alta dos juros e inflação acima dos dois dígitos, falta de peças e matérias-primas também contribuem para o fraco desempenho da indústria, explica Fabio Fares, especialista em análise macro da Quantzed.

Outros setores

Mesmo que o comércio e os serviços já tenham superado o patamar de antes na pandemia no geral, quando se olha especificamente por subsetor, 12 das 28 subdivisões ainda não haviam se recuperado em junho.

Os setores que, em junho, mantinham as maiores distâncias do patamar da pandemia entre os serviços eram:

  • Serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias: -9,8%
  • Serviços de alojamento e alimentação: -7,2%
  • Telecomunicações: -6,8%

E entre os setores do comércio:

  • Livros, jornais, revistas e papelaria: -33,2%
  • Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação: -13,1%
  • Móveis e eletrodomésticos: - 12,9%

Apesar de o comércio ter se recuperado, a atividade vem registrando queda mês a mês desde abril. Também aqui, inflação e juros estão na raiz do problema.

"As pessoas evitam gastar dinheiro à toa. Com medo, procuram gastar com o básico porque o salário não fecha a conta. A migração de investimentos para renda fixa é muito grande porque as pessoas estão evitando gastar dinheiro agora", explica Fares, da Quantzed. 
  • Como empresários e trabalhadores sentiram o impacto
  • Raquel Teles dos Santos, ex-funcionária da Pettit Sachet — Foto: Arquivo pessoal
  • Raquel Teles dos Santos, ex-funcionária da Pettit Sachet — Foto: Arquivo pessoal

A recuperação lenta também impacta a oferta de empregos, que segue lenta.

A empresa onde Raquel Teles dos Santos trabalhava alegou que estava "no vermelho, com muita dificuldade" para dispensá-la, em março deste ano – 10 meses depois de contratá-la. Antes da demissão, ela já estava com salários e vales atrasados há dois meses.

Santos ainda não conseguiu se recolocar no mercado. "Já me inscrevi em 50 vagas nesse período", conta. Além da crise do setor, ela sente que a idade, 43 anos, a coloca em desvantagem.

A Ultracheese não demitiu, mas precisou fechar vagas quando as pessoas saíam da empresa por conta própria nos primeiros meses do ano. Agora que o preço do leite do leite está se normalizando, eles já voltaram a abrir algumas das vagas fechadas.

Carlos Vicente é presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Laticínios e Alimentação de São Paulo. Ele diz que precisou fazer 6 greves e paralisações este ano para garantir pelo menos a reposição da inflação nos salários, mas todos os casos foram parar na Justiça por falta de acordo.

Para os economistas ouvidos pela reportagem, a persistência dos juros altos vai ser uma pedra no sapato da indústria brasileira. Agora, se a inflação continuar a cair, o cenário fica mais favorável.

Com Selic alta desse jeito, ninguém quer saber de investir ainda mais em tempos de volatilidade com eleições. Incertezas políticas não ajudam na recuperação. Isso tende a se recuperar quando tivermos a perspectiva de que a Selic irá cair, por volta do meio do ano que vem. E isso também depende do resto do mundo, que também precisa voltar ao normal, avalia Fares.

Quando isso passar, a indústria brasileira vai precisar voltar a olhar para seus problemas, como as "discussões de desindustrialização e questões de vantagem competitiva que afetam especificamente o setor", explica Jensen.

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quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Com Selic alta, pessoas físicas 'correm' para renda fixa e saldo investido chega a R$ 1,3 trilhão

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Número de investidores em renda variável, no entanto, também cresceu, e B3 vê diversificação da carteira das pessoas físicas.
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Por Laura Naime, g1

Postado em 31 de agosto de 2022 às 10h00m

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A disparada da Selic – que passou de 2% no início de 2021 para os atuais 13,75% – segue impulsionando a entrada de investidores pessoa física na renda fixa, segundo dados antecipados ao g1 pela B3. A renda fixa costuma se tornar mais atraente para os investidores em momentos de juros elevados – em especial os investimentos atrelados à própria Selic.

No segundo trimestre deste ano, a renda fixa chegou a 11,9 milhões de investidores pessoa física – uma alta de 27% em relação ao mesmo período de 2021. O valor em custódia também disparou: com um crescimento de 48% na mesma comparação, atingiu R$ 1,325 trilhão.

O saldo mediano por investidor, no entanto, teve queda: recuou de R$ 8,4 mil para R$ 8 mil (-5%).


Renda variável segue atrativa

Os dados da B3, no entanto, mostram que os investidores não saíram da renda variável: o número de investidores pessoa física cresceu 40% na comparação entre os primeiros trimestres de 2021 e 2022, para 4,4 milhões. Mas o valor em custódia levou um tombo de 17%, para R$ 453 bilhões – pouco mais de um terço da renda fixa.

Segundo aponta o estudo feito pela bolsa, o investidor tendeu a manter suas posições em renda variável, buscando diversificar seus investimentos.

"Mais informados, eles têm preferido manter um portfólio diversificado, combinando ativos de renda fixa e renda variável, de olho no longo prazo", afirma em nota Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3.

O levantamento da bolsa mostra que a diversificação das carteiras das pessoas físicas vem crescendo: em 2016, 75% desses investidores detinham somente ações; em 2022, essa fatia caiu para 33%.


Tesouro Direto

Entre os produtos de renda fixa, a quantidade de investidores do Tesouro Direto cresceu 29% na comparação entre primeiros trimestres, para 2 milhões. O valor total em custódia subiu 30% – mas o saldo mediano (saldo por CPF) caiu 3%, para R$ 2,4 mil.

Houve altas expressivas também nos números de investidores em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), de 20%; Certificados de Operações Estruturadas (COEs), de 34%; e de Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), de 39%.

"Mas os grandes destaques foram as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), que dispararam 111% na quantidade de CPFs e 104% no volume investido", apontou a B3.

Número de investidores em BDR disparou 422%

Para quem busca a renda variável, no entanto (considerada um investimento de risco maior), os BDRs (sigla para Brazilian Depositary Receipts) têm se mostrado atrativos. Esses papeis, que são recibos de ações de empresas estrangeiras que podem ser adquiridos no Brasil, passaram de 299 mil para 1,6 milhão de investidores em 12 mesesum crescimento de 422% frente a um ano antes.

Na mesma comparação, o valor em custódia subiu 21%, para R$ 6,7 bilhões. Mas o saldo mediano investido levou um tombo: passou de R$ 1,9 mil para R$ 71.

De acordo com a B3, os BDRs com mais investidores pessoa física são (em ordem alfabética):

  • Apple
  • Amazon
  • Walt Disney
  • Alphabet (Google)
  • Inter & Co
  • Meta (Facebook)
  • Mercado Livre
  • Nubank
  • Tesla
  • XP
  • B3
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terça-feira, 30 de agosto de 2022

País bate novo recorde de pedidos de demissão em 12 meses

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Foram 6,467 milhões de pedidos de demissão nos 12 meses até julho – 32,4% do total de desligamentos de trabalhadores com carteira assinada no período.
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Por Marta Cavallini, g1

Postado em 30 de agosto de 2022 às 18h05m

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Apesar de desemprego, pedidos de demissão batem recorde — Foto: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Apesar de desemprego, pedidos de demissão batem recorde — Foto: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O país registrou 6,467 milhões de pedidos de demissão nos últimos 12 meses até julho, entre os trabalhadores com carteira assinada. Trata-se de um novo recorde, apesar do desemprego ainda elevado e da dificuldade dos profissionais de voltar ao mercado de trabalho.

Esse número equivale a 32,4% do total de desligamentos de trabalhadores no período (19,984 milhões). Ou seja, 1 de cada 3 desligamentos foram voluntários (a pedido do trabalhador).

O levantamento é da LCA Consultores e leva em conta os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que contabiliza as vagas com carteira assinada no país. O recorde leva em conta o período a partir de janeiro de 2020, início da série histórica do Caged com a metodologia atual de contagem de vagas.

Em relação a julho de 2021 (4,539 milhões), houve aumento de 42,5% no número de demissões dentro do acumulado de 12 meses.

Veja abaixo:

Dados mensais

Já no mês de julho foram 588.807 demissões voluntárias, 35,3% do total de demissões registradas pelo Caged em julho (1.667.635) – o número só menor que o registrado no mês de março (603.136).

Comparando o mês de julho de 2021 com o deste ano, o aumento no pedido de demissões foi de 32% (de 446.928 para 588.807).

Tanto no acumulado de 12 meses quanto em julho, São Paulo se manteve no topo dos estados com maior número de pedidos de demissão. Isso se deve ao fato de o estado ser o que mais emprega no país.


Estados

Todas as unidades da Federação tiveram seu maior número de pedidos de demissão desde janeiro de 2020 no acumulado em 12 meses.

em julho a maioria dos estados bateu recorde nos pedidos de demissão, à exceção de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Amapá.

Ainda na comparação com janeiro de 2020, o número de demissões em julho chegou a mais que dobrar em alguns estados nas duas bases de comparação.

De acordo com Bruno Imaizumi, responsável pela pesquisa, os números mantêm o movimento de continuidade de normalização do mercado de trabalho.

O economista lembra ainda que no começo da pandemia muita gente acabou aceitando emprego sem ter afinidade com suas formações. Com a diminuição dos efeitos da pandemia no mercado de trabalho, os profissionais pedem demissão para serem admitidos dentro de cargos mais adequados a suas qualificações.

Muitas pessoas permaneceram em trabalhos que não eram condizentes com suas qualificações devido à necessidade de alguma recomposição de renda durante a pandemia. Mas muitas delas passaram a se desligar de empregos para se admitirem em outros mais adequados, diz.

A volta ao trabalho presencial é outro fator que influencia, principalmente em empregos específicos, mais voltados para o setor de serviços em que seja possível trabalhar de casa.

"Com isso, para os trabalhadores que viram que essa modalidade não é benéfica em termos de qualidade de vida, essa volta ao ambiente de trabalho acaba pesando na escolha do profissional, que prefere trabalhar de casa em vez de pegar trânsito todos os dias", aponta.

Imaizumi explica que o acumulado de 12 meses tem batido recordes sucessivos de pedidos de demissão, e isso deve continuar ocorrendo, porque no levantamento têm entrado mais meses de 2022, que é um ano de normalização do mercado de trabalho, e têm saído os meses de 2021, que foi um momento ainda de incertezas e com trabalhadores em empregos não condizentes com suas formações.

Atividades com mais pedidos de demissão

Em relação ao estoque de vagas, ou seja, o total de empregos com carteira assinada, o setor de alojamento e alimentação foi o que mais registrou pedidos de demissão em julho.

Já os setores de Atividades Administrativas e Serviços Complementares; Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas; Informação e Comunicação vêm em seguida na maior proporção de pedidos de demissão dentro do total de vagas. Com isso, mostra-se um movimento de pedidos de demissão vindo principalmente de profissionais mais qualificados e de setores mais aquecidos, como de TI. Veja no gráfico abaixo:

Para obter os dados por setores, Imaizumi fez o ajuste pelo total de trabalhadores dentro de cada atividade (estoque de vagas) para obter maior precisão nas informações, já que no caso do comércio, a quantidade de trabalhadores é significativa.

Segundo Bruno Imaizumi, o setor de alojamento e alimentação tem permanecido em primeiro lugar porque foi uma atividade muito prejudicada pela pandemia.

Agora, com a recuperação desse setor, muitos trabalhadores, com a abertura de novos restaurantes, pousadas e hotéis, estão se demitindo porque estão recebendo ofertas melhores de outros lugares, explica.

Já os outros três setores com maior proporção de pedidos de demissão estão relacionados a vagas mais técnicas que permitem a realização de trabalho remoto.

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