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segunda-feira, 13 de junho de 2022

Dólar fecha em alta e chega a R$ 5,11, maior valor em um mês

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A moeda norte-americana fechou em alta de 2,56%, a R$ 5,1146. Este é o maior valor de fechamento desde 12 de maio.
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Por g1

Postado em 13 de junho de 2022 às 11h05m

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Notas de dólar — Foto: Reuters
Notas de dólar — Foto: Reuters

O dólar manteve a trajetória de alta nesta segunda-feira (13), em meio a apostas de aumento mais agressivo de juros nos Estados Unidos, em semana que terá como destaques as reuniões de política monetária dos bancos centrais de Brasil e Estados Unidos.

A moeda norte-americana subiu 2,56%, a R$ 5,1146. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,1374. Veja mais cotações.

Na sexta-feira, o dólar fechou em alta de 1,44%, a R$ 4,9871. Com o resultado de hoje, passou a acumular alta de 7,64% no mês. No ano, tem desvalorização de 8,26% frente ao real.

Entenda o que faz o dólar subir ou descerEntenda o que faz o dólar subir ou descer

O que está mexendo com os mercados?

No exterior, os mercados eram pressionados pelos temores de altas mais agressivas nas taxas de juros nos Estados Unidos após a publicação na sexta-feira de dados da inflação americana mais elevados que o previsto.

O Federal Reserve (Fed) anuncia na quarta-feira a nova taxa de juros nos EUA. Os mercados esperam ao menos um novo juste de 0,5 ponto percentual. Mas, diante do avanço da inflação, alguns analistas questionam se o Fed não aumentará ainda mais o aperto monetário com um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa de juros.

Juros mais altos nos EUA tendem a valorizar o dólar, já que elevam a atratividade da dívida norte-americana, considerada a mais segura do mundo.

A curva de rendimentos dos títulos norte-americanos (treasuries) de dois e 10 anos inverteu-se pela primeira vez desde abril, um movimento visto por muitos como sinal de que uma recessão pode acontecer no próximo ano ou dois.

As criptomoedas iniciaram a semana com fortes perdas, seguindo a instabilidade dos demais mercados de risco. O bitcoin registrava queda de 10%, sendo negociado abaixo de US$ 25 mil, um nível que não era observado desde dezembro de 2020.

As principais bolsas recuavam e o petróleo era negociado em queda, mas o barril do Brent permanecia orbitando os US$ 120.

Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também anuncia na quarta-feira a nova taxa básica de juros da economia brasileira. A expectativa é de elevação de 0,50 ponto percentual, para 13,25% após a inflação ter desacelerado em maio e o BC ter sinalizado na ata da reunião de maio um ajuste adicional de menor magnitude em relação ao ritmo de elevação de 1 ponto percentual adotado até então.

IPCA: inflação fica em 0,47% em maio e desacelera para 11,73% em 12 mesesIPCA: inflação fica em 0,47% em maio e desacelera para 11,73% em 12 meses
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quarta-feira, 8 de junho de 2022

Fome no Brasil: número de brasileiros sem ter o que comer quase dobra em 2 anos de pandemia

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Cerca de 33,1 milhões de brasileiros vivem em situação de fome, 14 milhões a mais que em 2020. Quadro é equivalente ao da década de 1990.
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Por Daniel Silveira, g1 — Rio de Janeiro

Postado em 08 de junho de 2022 às 06h45m

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Fome em São Paulo: pessoa revira lixo em busca de alimento em registro feito em outubro de 2021.  — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Fome em São Paulo: pessoa revira lixo em busca de alimento em registro feito em outubro de 2021. — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

A fome avança cada vez mais rápido pelo Brasil. Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (8) mostra que o país soma atualmente cerca de 33,1 milhões de pessoas sem ter o que comer diariamente, quase o dobro do contingente em situação de fome estimado em 2020.

Em números absolutos, são 14 milhões de pessoas a mais passando fome no país.

Os dados são do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN).

O 1º inquérito, divulgado em abril do ano passado, estimava em 19 milhões o total de brasileiros que não tinham nada para comer em 2020, cerca de 9 milhões a mais que em 2018, quando essa população somava 10,3 milhões de pessoas.

A crise provocada pela pandemia do coronavírus está diretamente relacionada ao avanço, ainda maior, da fome nos últimos dois anos.

A pandemia surge neste contexto de aumento da pobreza e da miséria, e traz ainda mais desamparo e sofrimento. Os caminhos escolhidos para a política econômica e a gestão inconsequente da pandemia só poderiam levar ao aumento ainda mais escandaloso da desigualdade social e da fome no nosso país, apontou Ana Maria Segall, médica epidemiologista e pesquisadora da Rede PENSSAN.

Miriam Leitão sobre o aumento da fome no Brasil: 'É preciso que o governo tenha políticas efetivas’
Miriam Leitão sobre o aumento da fome no Brasil: 'É preciso que o governo tenha políticas efetivas’

‘Quadro perverso’: três décadas de retrocesso

O país regrediu para um patamar equivalente ao da década de 1990, destacou a rede PENSSAN ao divulgar o resultado de seu segundo inquérito. O levantamento anterior havia apontado que o cenário da fome no país remontava ao que era observado em 2004.

A continuidade do desmonte de políticas públicas, a piora no cenário econômico, o acirramento das desigualdades sociais e o segundo ano da pandemia da Covid-19 tornaram o quadro desta segunda pesquisa ainda mais perverso, enfatizou a entidade.

De acordo com a rede PENSSAN, a pesquisa foi realizada entre novembro de 2021 e abril de 2022, a partir de entrevistas feitas em 12.745 domicílios, distribuídos em áreas urbanas e rurais de 577 municípios das 27 unidades da federação – 26 estados mais o Distrito Federal.

A metodologia da pesquisa considerou a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), a mesma utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para mapear a fome no país.

A Ebia classifica a segurança alimentar como sendo o acesso pleno e regular aos alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. Já a insegurança alimentar é classificada em três níveis - leve, moderada e grave – da seguinte maneira:

  • Insegurança alimentar leve: há preocupação ou incerteza quanto acesso aos alimentos no futuro, além de queda na qualidade adequada dos alimentos resultante de estratégias que visam não comprometer a quantidade de alimentação consumida.
  • Insegurança alimentar moderada: há redução quantitativa no consumo de alimentos entre os adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação.
  • Insegurança alimentar grave: há redução quantitativa de alimentos também entre as crianças, ou seja, ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre todos os moradores do domicílio. Nessa situação, a fome passa a ser uma experiência vivida no lar.
Insegurança alimentar

A pesquisa mostrou que 125,2 milhões de brasileiros vivem com algum grau de insegurança alimentar, número que corresponde a mais da metade (58,7%) da população do país.

Na comparação com 2020, a insegurança alimentar aumentou em 7,2%. Já em relação a 2018, o avanço chega a 60%.

De acordo com o coordenador da Rede PENSSAN, a perda da segurança alimentar no Brasil está diretamente relacionada à atuação governamental.

As medidas tomadas pelo governo para contenção da fome hoje são isoladas e insuficientes, diante de um cenário de alta da inflação, sobretudo dos alimentos, do desemprego e da queda de renda da população, com maior intensidade nos segmentos mais vulnerabilizados, apontou.

Maluf enfatizou que as políticas públicas de combate à extrema pobreza desenvolvidas entre 2004 e 2013 restringiram a fome a apenas 4,2% dos domicílios brasileiros.

Retrato da fome no Brasil

De acordo com a pesquisa, na média, cerca de 15% das famílias brasileiras enfrentam a fome atualmente. Fatores regionais e sociais, no entanto, agravam a situação.

As estatísticas apontam que a fome:

  • é mais presente entre as famílias que vivem no Norte (25,7%) e no Nordeste (21%);
  • é maior nas áreas rurais, onde atinge 18,6% dos domicílios;
  • é realidade na casa de 21,8% de agricultores e pequenos produtores;
  • saltou de 10,4% em 2020 para 18,1% em 2022 entre os lares comandados por pretos e pardos;
  • atinge 19,3% dos lares sustentados por mulheres e 11,9% dos chefiados por homens;
  • em relação a 2020, mais que dobrou entre os domicílios com crianças menores de 10 anos de idade;
  • é maior nos domicílios em que a pessoa responsável está desempregada (36,1%);
  • saltou de 14,9% para 22,3% nos domicílios sustentados por pessoa com baixa escolaridade;
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sábado, 4 de junho de 2022

Anatel vai punir telemarketing que usar robôs para fazer mais de 100 mil chamadas por dia

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Serão consideradas abusivas chamadas não completadas ou que caiam em até 3 segundos. Operadoras terão de bloquear linhas de telemarketing abusivo por 15 dias.
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Por Jamile Racanicci, TV Globo — Brasília

Postado em 04 de junho de 2022 às 13h55m

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Anatel anuncia medidas para bloquear o telemarketing abusivo
Anatel anuncia medidas para bloquear o telemarketing abusivo

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou nesta sexta-feira (3) que vai punir as empresas que usarem robôs automáticos para fazer mais de 100 mil chamadas abusivas de telemarketing por dia.

Serão consideradas chamadas abusivas aquelas que não chegam a ser completadas quando o consumidor atende o celular ou que sejam desligadas automaticamente em até três segundos.

De acordo com a agência, a medida cautelar que formaliza as medidas de combate ao telemarketing abusivo será publicada no "Diário Oficial da União" na próxima segunda-feira (6). A medida terá validade de três meses.

Segundo a agência, esse tipo de disparo em massa de chamadas sobrecarga as redes de telecomunicação sem promover efetivamente a comunicação entre pessoas e empresas.

Veja, na reportagem abaixo, o desrespeito das empresas de telemarketing a outra regra definida pela Anatel – a obrigação de usar o prefixo 0303 nas chamadas:

Empresas de telemarketing não respeitam determinação da AnatelEmpresas de telemarketing não respeitam determinação da Anatel

O conselheiro Emmanoel Campelo considerou que a cautelar é uma das medidas mais duras adotadas pela agência até hoje.

"Vai ser nesse tom que a Anatel tratará esse problema até que seja resolvido", afirmou.

O superintendente-executivo da Anatel, Abraão Balbino e Silva, afirmou que a agência verificou linhas telefônicas usadas para realizar mais de um milhão de chamadas por dia, quantidade que um ser humano não seria capaz de discar em 24 horas.

"Essas chamadas geram sobrecarga na rede, custo para as empresas, perturbação para os usuários e não geram benefício algum. [...] São um milhão de pessoas sendo incomodadas por uma linha", afirmou.

Operadoras farão bloqueio

A partir da terça-feira (7), as empresas que fazem mais de 100 mil chamadas por dia – que não se completam ou são desligadas em até 3 segundos – terão 15 dias para cessar essa prática.

Também a partir de terça, as operadoras terão dez dias para enviar à Anatel uma lista das empresas que tenham feito mais de 100 mil chamadas abusivas por dia nos últimos 30 dias.

Ao final desse prazo, as operadoras serão obrigadas a bloquear todas as linhas associadas às empresas da lista. Essas empresas serão impedidas de fazer chamadas por quinze dias.

O bloqueio vai valer para todas as linhas telefônicas da empresa. "Pode ter um usuário com dez linhas telefônicas e que só comete abuso em uma só. O usuário é passível de bloqueio, então todas as dez linhas serão bloqueadas", afirmou Balbino e Silva.

A punição poderá ser revertida caso a empresa que faz o telemarketing considerado abusivo procure a Anatel, assine um termo de adequação e pare de fazer esse tipo de chamada.

As operadoras ainda precisarão enviar relatórios quinzenais à Anatel sobre as empresas bloqueadas, quais linhas foram impossibilitadas de fazer chamadas, o volume do tráfego e as datas do bloqueio de chamadas.

Segundo a Anatel, as empresas que descumprirem a medida cautelar poderão ser multadas em um valor que pode chegar a R$ 50 milhões. O valor será definido pela agência de acordo com o porte da empresa e a gravidade da infração.

De acordo com o conselheiro Emmanoel Campelo, a Anatel definiu a validade de três meses para a medida cautelar por entender que o período será suficiente para a agência reunir dados sobre o telemarketing abusivo e elaborar uma definição mais precisa para a prática.

Números sem dono

Em até 30 dias contados a partir da terça-feira (7), as operadoras também deverão bloquear chamadas feitas a partir de números "sem dono", que não tenham sido vinculados a uma pessoa física ou a uma pessoa jurídica.

Quando a operadora vende uma linha telefônica para uma pessoa ou uma empresa, a Anatel considera esse número de telefone como "atribuído". Os números "não atribuídos" são aqueles que a operadora pode vender para alguém no futuro, mas que por ora não têm um dono específico.

De acordo com a agência, algumas empresas usam esse tipo de linha telefônica para fazer o telemarketing abusivo. A Anatel afirma que usar números "não atribuídos" é ilegal e causa problemas no sistema de telecomunicações.

Além disso, esses números são comumente usados para cometer fraudes contra os consumidores.

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sexta-feira, 3 de junho de 2022

Produção industrial cresce 0,1% em abril, terceira alta seguida, mas segue abaixo do patamar pré-pandemia

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No ano, a indústria acumula perda de 3,4%. Derivados do petróleo puxam crescimento no mês, enquanto a produção de veículos impõe freio ao setor.
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Por Daniel Silveira, g1 — Rio de Janeiro

Postado em 03 de junho de 2022 às 12h00m

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Refinaria da Petrobras, Replan, localizada em Paulínia, interior de São Paulo  — Foto: Agência Petrobras
Refinaria da Petrobras, Replan, localizada em Paulínia, interior de São Paulo — Foto: Agência Petrobras

A produção industrial brasileira cresceu 0,1% em abril, na comparação com março, conforme divulgado nesta sexta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a abril do ano passado, no entanto, houve queda de 0,5%.

Foi a terceira alta mensal seguida, com crescimento de 1,4% acumulado no período, mas ainda insuficiente para recuperar a perda de janeiro – no ano, o setor industrial acumula queda de 3,4%.

Com o resultado, a produção industrial do país ainda se encontra 1,5% abaixo do patamar pré-pandemia e 18% abaixo do nível recorde, alcançado em maio de 2011.

"Essas duas comparações dão a dimensão de um setor industrial que, embora venha mostrado um maior dinamismo nos últimos três meses, está muito aquém de dois anos atrás e com muito espaço para crescer", avaliou o gerente da pesquisa, André Macedo.

Embora próximo da estabilidade, o resultado foi o melhor para um mês de abril, na comparação com março, desde 2019, quando houve crescimento de 0,3% – em abril de 2020, houve queda recorde de 19,7%, e em 2021 foi registrado recuo de 1,8%.

Já o indicador acumulado em 12 meses, que vinha desacelerando desde setembro do ano passado, despencou para -0,3% em abril, primeira variação negativa desde março do ano passado, quando ficou em -3,1%.

O IBGE revisou os resultados anteriores. A queda de janeiro foi 1,9%, menos intensa que o recuo de 2% divulgado inicialmente. Já o crescimento de março foi revisado para cima, passando de 0,3% para 0,6%.


Estagnação frente à conjuntura econômica

De acordo com o gerente da pesquisa do IBGE, a atual conjuntura econômica do país segue sendo entrave para a retomada da indústria brasileira. O aumento do custo de produção e a escassez de algumas matérias-primas são os principais fatores que justificam, a menor intensidade do ritmo da produção industrial no país.

Pelo lado da demanda doméstica, os juros elevados dificultam o acesso ao crédito e inibem os investimentos, a inflação em patamares elevados diminui a renda das famílias, o mercado de trabalho ainda não se recuperou e a massa de rendimentos não avança. Assim, há menor recurso por parte das famílias para que a demanda doméstica alavanque o consumo e a produção, explicou Macedo.

Ao divulgar o Produto Interno Bruto (PIB) do 1º trimestre, que cresceu 0,1% na comparação com o 4º trimestre do ano passado, o IBGE apontou para a estagnação da indústria do país, que avançou apenas 0,1% em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas recuou 1,5% ante igual período do ano passado.

Predomínio de taxas positivas

Macedo apontou que os três últimos resultados denotam uma melhora no comportamento do setor industrial, que vem apresentando predomínio de taxas positivas.

Em abril, 16 das 26 atividades industriais investigadas pelo IBGE apresentaram crescimento frente a março.

O destaque ficou por conta da atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que avançou 4,6% após dois meses seguidos no campo negativo e respondeu pela principal influência positiva no resultado do mês.

Também se destacaram as atividades de bebidas e outros produtos químicos, com alta de 5,2% e 2,8%, respectivamente.

Já dentre as dez atividades com queda na produção na passagem de março para abril, se destacam a de produtos alimentícios e a de veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuaram 4,1% e 4,2%, respectivamente, respondendo pelos principais impactos negativos no resultado geral.

Dentre as grandes categorias econômicas, duas tiveram variação positiva frente a março, enquanto duas apresentaram queda:

  • Bens intermediários: 0,8%
  • Bens semi e não duráveis: 2,3%
  • Bens duráveis: -5,5%
  • Bens de capital: -9,2%

Já na comparação interanual, há predomínio de taxas negativas: 18 das 26 atividades investigadas tiveram queda na produção.

A atividade de veículos automotores, reboques e carrocerias, com queda de 7,6% na comparação com abril do ano passado, foi a que exerceu a maior influência negativa, seguida pela queda de 4,7% na atividade de produtos alimentícios.

Também se destacaram negativamente as atividades de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-16,7%) e de produtos de metal (-11,3%).

Já no grupo dos oito setores que cresceram, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (19,9%) exerceu a maior influência. Outros impactos positivos importantes foram registrados por outros produtos químicos (11,0%), bebidas (13,2%) e celulose, papel e produtos de papel (2,8%).

Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis e bens de capital registraram queda na comparação com abril do ano passado – respectivamente de -13,2% e -5,1%. Já bens de consumo semi e não duráveis e de bens intermediários avançaram nesta base de comparação, com altas respectivas de 3,3% e 0,1%.

Produção de veículos freia indústria nacional

Após ter crescido em março (6,7% na comparação com fevereiro e 2,3% ante março do ano passado), a produção de veículos voltou a ter queda em abril – de -4,3% e de -7,6%, respectivamente.

De acordo com o gerente da pesquisa, além de ter sido a segunda influência negativa no resultado de abril ante março e o principal impacto negativo na comparação com abril do ano passado, a produção de veículos é a que exerce maior influência negativa no acumulado do ano para o setor industrial.

A atividade de veículos automotores é um exemplo de atividade com dificuldade de acesso a matérias-primas e componentes eletrônicos, levando a menor intensidade do ritmo de produção e interrupções nas jornadas de trabalho, analisou Macedo.

Dentre as 26 atividades industriais investigadas pelo IBGE, a de veículos é a terceira com patamar de produção mais distante do que era observado antes da pandemia – em abril, operava 16,9% abaixo de nível de fevereiro de 2020.

Apenas dez das 26 atividades operavam em patamar superior ao período pré-pandemia. Dentre as 16 que não recuperaram o nível de produção, metade registra variação negativa de dois dígitos.

Perspectivas

A indústria brasileira continua sendo impactada pela alta dos preços das matérias-primas, falta de insumos e restrições de oferta. O ambiente ainda é de custos elevados por conta da energia e logística, e esse cenário deve manter o setor com baixo dinamismo ao longo do ano.

"Ainda há problemas de desabastecimento para bens, os custos seguem elevados, temos juros em elevação que encarecem o crédito, a inflação mais alta afeta a renda disponível bem como fatores ligados ao mercado de trabalho, com milhões de desempregados e renda comprometida, enfatizou o pesquisador do IBGE André Macedo.

Apesar deste cenário, a confiança da indústria no Brasil alcançou, em maio, o maior patamar em cinco meses, conforme levantamento divulgado na semana passada pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Os dados mostraram que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 2,3 pontos na comparação com o mês passado, para 99,7, máxima desde dezembro de 2021 (100,1 pontos).

"Houve aumento da satisfação em relação à situação corrente dos negócios, com avaliações bastante favoráveis quanto ao nível atual da demanda externa", explicou o economista do FGV IBRE Aloisio Campelo Jr. em nota.

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quarta-feira, 1 de junho de 2022

Taxa de investimento do Brasil deve ser menor que a de 82% dos países em 2022, aponta FGV

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Levantamento mostra que indicador segue há anos bem abaixo da média observada em economias emergentes. Taxa projetada para este ano no Brasil é de 18,4% do PIB, contra 19,2% em 2021.
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Por Darlan Alvarenga, g1

Postado em 01 de junho de 2022 às 10h05m

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A taxa de investimentos no Brasil segue há anos em patamar baixo e deve ficar menor que a de 82% dos países em 2022, segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), antecipado com exclusividade para o g1.

O estudo da pesquisadora Juliana Trece mostra que 139 de um total de 170 países devem apresentar um nível de investimento em proporção ao PIB (Produto Interno Bruto) maior do que o Brasil neste ano – uma piora frente a 2021, quando 132 países, ou 77%, tiveram um desempenho melhor que o brasileiro.

O estudo foi feito com base nas últimas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia global e nas estimativas do Monitor do PIB-FGV para o 1º trimestre.

Veja no quadro abaixo:

A taxa de investimentos apura tudo o que se investe em máquinas, bens duráveis, aumento da capacidade produtiva, construção civil, infraestrutura, além de pesquisa e desenvolvimento

O avanço deste componente do PIB é considerado fundamental para abertura de novas empresas, geração de mais empregos e, consequentemente, um maior crescimento potencial de uma economia.

A taxa de investimento prevista para o Brasil em 2022 é de 18,4% do PIB, contra 19,2% em 2021. Se confirmada, será a primeira queda após 5 anos de recuperação. Já a taxa de investimento média no mundo no ano é projetada em 27,3% para a lista de 170 países, o que representaria um avanço ante os 26,7% do ano passado.

Para a China, a previsão é de uma taxa de 42,5% do PIB neste ano. Entre os países do topo do ranking de investimento, destaque também para outros emergentes como Coreia (33,5%), Índia (32,11%) e Turquia (31,7%). Na América do Sul, a taxa deve chegar a 26,7% do PIB no Chile e a 25,1% no Peru. Até a Argentina, que enfrenta há anos uma forte crise econômica, deve apresentar um índice maior que a do Brasil, com taxa prevista de 19,6% do PIB.

"Mesmo quando a gente olha América Latina e Caribe, que têm um retrato mais próximo do nosso, a taxa de investimento do Brasil é mais baixa. Historicamente, o Brasil tem mesmo uma taxa de investimento abaixo da maioria dos países, só que a proporção subiu a partir de 2000", afirma a pesquisadora, destacando que até as décadas de 70 e 80 o percentual de países com desempenho melhor que o brasileiro no indicador continuava na casa dos 70%.

"Uma taxa de investimento mais alta ajudaria a quebrar esse ciclo de baixo crescimento e alto desemprego", acrescenta.

Com base nas estimativas do FMI até 2027, o estudo afirma que, mantido o padrão atual, o Brasil deve permanecer como um dos países com as menores taxas de investimento em proporção do PIB. "Para esses próximos cinco anos, em média, 83% dos países devem apresentar uma taxa de investimento (% do PIB) maior do que o Brasil", diz Trece.

"Uma taxa de investimento mais elevada tem uma relação direta com o crescimento da economia e com o emprego. Quando a gente olha o cenário internacional e vê que o Brasil está com um nível muito mais baixo, isso mostra problemas também para a geração de novas vagas", explica.

O resultado oficial do PIB do 1º trimestre será divulgado na quinta-feira (2) pelo IBGE. A expectativa dos analistas é de um crescimento superior a 1% na comparação com os 3 últimos meses de 2021, impulsionado pelo normalização do setor de serviços e pela alta nos preços das commodities. A expectativa, porém é de desaceleração da economia e de maior fraqueza no segundo semestre.

O que explica o patamar baixo dos investimentos?

A taxa de investimento, medida pela formação bruta de capital fixo (FBCF) cresceu nos últimos 4 anos e fechou 2021 em de 19,2% do PIB em 2021, acima dos 16,6% registrados em 2020.

Apesar de surpreender no ano passado, o nível de investimentos ainda se manteve abaixo do patamar de 2013 (20,9%) e longe do pico de 26,9% registrado no final dos anos 80.

Entre os fatores que explicam o patamar mais baixo estão os impactos da forte recessão dos anos 2014-2016 e a piora da situação fiscal do país, que derrubou os investimentos do setor público. Já são 10 anos seguidos de contas do governo no vermelho.

De acordo com o estudo do Ibre, o componente da taxa de investimentos que mais encolheu no país nos últimos anos foi a construção, que inclui também as grandes obras de infraestrutura nas áreas de energia, transportes e saneamento.

Historicamente, a construção sempre apresentou um peso maior nos investimentos, porém, vem perdendo representatividade desde a década de 2000.

Veja gráfico no abaixo:

"A construção teve uma melhora em 2021, mas não chega nem perto do que já foi. Isso é o que mais preocupa", afirma Trece, destacando que o segmento chegou a representar 75% da taxa de investimentos na década de 40.

Segundo a pesquisadora, a melhora da taxa de investimentos em 2021 foi impulsionada pelo segmento de máquinas e equipamentos, que é um componente mais volátil e já voltou a mostrar perda de força neste começo de ano. "2021 foi muito mais algo fora da curva do que uma volta da taxa de investimento ao patamar pré-crise de 2014-2016".

Tombo dos investimentos públicos

Levantamento recente do economista Manoel Pires, coordenador do Observatório de Política Fiscal do Ibre/FGV, mostrou que a taxa de investimentos públicos, somando União, estados, municípios e as estatais federais, caiu de 4,72% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2010 para 2,05% do PIB em 2021. Foi o segundo pior índice da série histórica, iniciada em 1947, atrás apenas de 2017 (1,94% do PIB).

Mesmo com os esforços do governo federal em avançar a agenda de concessões e de privatizações, os investimentos em infraestrutura seguem abaixo do desejado. Diversos estudos têm alertado que o investimento em infraestrutura teria que ao menos dobrar para o Brasil poder dar um salto de competitividade e sair do atual padrão de baixo crescimento.

A consultoria Inter.B estima que os investimentos no setor ficaram em 1,73% em 2021 e projeta taxa de 1,71% em 2021, frente a uma necessidade de um patamar mínimo de 3,6% "para ensejar um processo de modernização ao longo das próximas duas décadas".

Guedes vem defendendo saída da crise pela via do investimento privadoGuedes vem defendendo saída da crise pela via do investimento privado

Ou seja, o nível de investimento privado não tem sido suficiente para garantir uma retomada da taxa de investimentos e da atividade econômica como um todo ao nível pré-crises.

"Está muito difícil aumentar os investimentos só com o setor privado e o setor público realmente está realmente sem muito margem para aumentar os gastos. Então fica travado mesmo, o que mostra que se trata de um problema estrutural do qual o país não consegue sair", alerta.

Entre os fatores que pressionam os investimentos no curto e médio prazo, os analistas destacam as incertezas políticas intensificadas pelo ano de eleições presidenciais e a taxa básica de juros elevada e ainda em ciclo de alta, o que encarece o crédito e reduz o apetite empresarial por projetos que dependem de financiamento e de desembolsos mais robustos.

Segundo os economistas, a atração de maior volume de investimentos passa pelo avanço da agenda de reformas, melhoria do ambiente de negócios no país e modernização da governança dos investimentos públicos e da gestão dos apertados orçamentos dos governos.

"O véu de incerteza e a destruição reputacional do país afastaram entrantes no setor. Atrair novo capital privado irá demandar a reconstrução da nossa imagem, adesão à OCDE, estabilidade macroeconômica e uma melhoria sustentada na classificação de risco", destacou a Inter.B, ao divulgar no início de maio sua projeção para os investimentos em infraestrutura no país em 2022.

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