Total de visualizações de página

segunda-feira, 21 de março de 2022

Dólar a R$ 5: entenda por que a moeda está caindo este ano e saiba se é hora de comprar

--------===-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------===---------


Movimento é resultado do alto volume de investimento estrangeiro no Brasil em razão da trajetória de alta da Selic e com o diferencial de juros em relação a outras economias.
--------+++-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------+++---------
Por Patricia Basilio, g1

Postado em 21 de março de 2022 às 11h15m

Post. N. =  0.447

Cédulas de dólar  — Foto: Divulgação
Cédulas de dólar — Foto: Divulgação

O dólar está perdendo força em 2022. No ano, a moeda norte-americana acumulou queda de 10,7% e fechou a sexta-feira (18) a R$ 5,0157. Nesta segunda-feira, é negociado abaixo de R$ 5.

Movimento é resultado do alto volume de investimento estrangeiro no Brasil em razão da trajetória de alta da Selic e com o diferencial de juros em relação a outras economias, mesmo com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Das 25 economias acompanhadas pelo Economatica, o dólar perde valor em dez países, e se valoriza em 15.

O alívio na pressão cambial, no entanto, exige cautela, já que as eleições devem entrar no radar dos investidores nos próximos meses, segundo especialistas consultados pelo g1. De acordo com o último boletim Focus, a previsão é que o dólar termine o ano em R$ 5,30.

Confira abaixo os motivos que levaram o dólar ficar abaixo dos R$ 5:

Volume de investimento estrangeiro

O alto volume de investimento estrangeiro que o Brasil vem recebendo é um dos fatores que impulsiona a valorização do real frente ao dólar. A bolsa de valores de São Paulo, a B3, registra uma alta de 7,70% nesses investimentos em 2022.

De forma simples, a regra segue a lei da oferta e demanda: se o investidor de fora coloca mais dólares na economia brasileira, haverá um volume maior da moeda por aqui. E quanto maior a oferta, menor o preço.

Neste ano, o investimento estrangeiro na bolsa passa dos US$ 50 bilhões.

Estados Unidos fazem mudança histórica no dólarEstados Unidos fazem mudança histórica no dólar

Aumento dos preços das commodities

O aumento dos preços das commodities no mercado internacional também fortalece o real, uma vez que há um forte ingresso de dólares no país com a venda de produtos, como soja, minério de ferro e petróleo, explicou André Perfeito, economista-chefe da Necton.

O preço do barril de petróleo teve média de US$ 44 em 2020 e chegou a US$ 70 no ano seguinte. O agravamento do conflito na Rússia deu novo impulso aos preços do insumo, que agora passam de US$ 100.

Brasil é o país com maior queda do dólar em 2022; entenda por quêBrasil é o país com maior queda do dólar em 2022; entenda por quê

Taxas de juros

A alta da Selic também atrai estrangeiros para o Brasil, via investimentos em renda fixa. Depois da última decisão do Copom, o Brasil voltou a ter o maior juro real (descontada a inflação) do mundo – pagando, assim, um retorno atrativo ao capital externo.

Segundo Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, os juros dos EUA, que subiram pela primeira vez em cinco anos, também ajudam a cotação do dólar a baixar por aqui: diante da postura mais agressiva do Federal Reserve, o BC dos EUA, para combater a inflação por lá (que atingiu o maior nível em 40 anos), os investidores norte-americanos estão se desfazendo de suas aplicações na bolsa, já prevendo o crescimento mais tímido da economia do país e das próprias empresas em que investem.

"Os investidores passaram a ver o Brasil como um mercado interessante entre os emergentes", explicou o sócio da Tendências.


O dólar deve continuar em queda?

Na avaliação dos especialistas, será preciso ter cautela a partir do segundo trimestre, quando as eleições no Brasil entrarão no foco dos investidores, fazendo com que o dólar volte a subir, afirmou Silvio Campos Neto, da Tendências.

"Temos riscos consideráveis no Brasil. E o processo eleitoral deste ano vai gerar muito ruído", alertou o economista.

Movimentação de passageiros que buscam realizar exame para detecção da Covid-19 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP — Foto: AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Movimentação de passageiros que buscam realizar exame para detecção da Covid-19 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP — Foto: AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

É hora de comprar dólares?

Para quem tem dinheiro guardado ou tem de viajar a trabalho, os especialistas recomendam comprar dólares o quanto antes para aproveitar a cotação atual – já que ela pode não durar muito.

"A queda do dólar não deve ser muito duradoura por conta do risco Brasil, principalmente em ano de eleição. Temos muitas coisas importantes acontecendo no exterior e aqui [no Brasil] temos um processo eleitoral carregado de incertezas", conclui o sócio da Tendências. 
E de viajar ao exterior?

Segundo os especialistas, não. E para explicar a negativa, é necessário fazer uma ponderação: apesar de o dólar ter alcançado R$ 5, em 10 de fevereiro de 2020, ela valia R$ 4,32. Ou seja, a moeda norte-americana ainda está bastante valorizada no Brasil — encarecendo o custo de viagens internacionais e de compras no exterior.

--------+++-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------+++---------

quinta-feira, 17 de março de 2022

Copom eleva Selic para 11,75% ao ano; juro básico da economia está no maior patamar desde 2017

--------===-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------===---------


Nono aumento seguido na taxa é medida para conter a inflação. Processo de elevação da Selic teve início em março do ano passado.
--------+++-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------+++---------
Por Ana Paula Castro, g1 — Brasília

Postado em 17 de março de 2022 às 06h20m

Post. N. =  0.446

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (16), por unanimidade, elevar a taxa Selic de 10,75% ao ano para 11,75% ao ano – alta de um ponto percentual.

É o nono aumento consecutivo na taxa. Com isso, a Selic alcançou o maior nível desde abril de 2017, quando estava em 12,25% ao ano. Ou seja, o maior nível em quase cinco anos.

Antes desse ciclo de altas, entre agosto de 2020 e fevereiro de 2021, a Selic tinha ficado estacionada no mínimo histórico de 2% ao ano. Veja a trajetória no gráfico abaixo:

A evolução da taxa Selic
Desde 2017, em % ao ano
131312,2512,2511,2511,2510,2510,259,259,258,258,257,57,5776,756,756,56,56,56,56,56,56,56,56,56,5665,55,5554,54,53,753,75332,252,25222222222,752,753,53,54,254,255,255,256,256,257,757,759,259,2510,7510,7511,7511,75jan/17abr/17jul/17out/17fev/18mai/18ago/18out/18fev/19mai/19jul/19out/19fev/20mai/20ago/20out/20jan/21mai/21ago/21out/21fev/2202,557,51012,515
Fonte: Banco Central

De acordo com projeções de analistas do mercado financeiro, a Selic deve voltar a subir nos próximos meses. A previsão é de que o juro básico suba para 12,5% ao ano no começo de maio e para 12,75% ao ano em meados de junho, permanecendo neste patamar até o fim de 2022.

O aumento da taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para enfrentar a inflação. A sequência de altas na Selic, portanto, é uma tentativa do Copom de conter o movimento de alta de preços registrado nos últimos meses.

‘Taxa de juros vai subir mais do que já subiria’, diz Miriam Leitão sobre impactos da guerra da Ucrânia‘Taxa de juros vai subir mais do que já subiria’, diz Miriam Leitão sobre impactos da guerra da Ucrânia

Guerra e incerteza fiscal

Em comunicado, o comitê avaliou que o conflito entre a Rússia e a Ucrânia aumentou as incertezas em relação ao cenário econômico em todos os países.

O choque de oferta decorrente do conflito tem o potencial de exacerbar as pressões inflacionárias que já vinham se acumulando tanto em economias emergentes quanto avançadas, explicou em nota.

Um dos fatores que podem intensificar a alta de preços, de acordo com o Copom, são as políticas fiscais do governo.

Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que a incerteza em relação ao arcabouço fiscal mantém elevado o risco de desancoragem das expectativas de inflação, afirmou.

O comitê também reforçou que continuará a adotar as medidas necessárias para conter a inflação.

O momento exige serenidade para avaliação da extensão e duração dos atuais choques. Caso esses se provem mais persistentes ou maiores que o antecipado, o Comitê estará pronto para ajustar o tamanho do ciclo de aperto monetário, defendeu o Copom.

Segundo a nota, o comitê já prevê um ajuste da mesma magnitude na próxima reunião.

Um ano de juros em alta

Com a decisão desta quarta, o atual ciclo de alta dos juros completa um ano. O processo de elevação da taxa Selic teve início em março do ano passado.

Uma das consequências da alta dos juros é o aumento das taxas bancárias. No ano passado, a elevação do juro bancário foi o maior em seis anos.

Ao encarecer os empréstimos, a alta da Selic influencia negativamente no consumo da população e nos investimentos produtivos. Dessa maneira, impacta negativamente o Produto Interno Bruto (PIB), o emprego e a renda.

Taxa Selic: entenda o que é a taxa básica de juros da economia brasileiraTaxa Selic: entenda o que é a taxa básica de juros da economia brasileira
--------+++-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------+++---------

terça-feira, 15 de março de 2022

Aneel aprova novo empréstimo bancário de R$ 10,5 bi ao setor elétrico; consumidor paga

--------===-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------===---------


Recursos vão cobrir custos extras gerados pela crise energética do ano passado. Empréstimo será pago com dinheiro de um novo encargo aplicado à conta de luz a partir de 2023.
--------+++-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------+++---------
Por Jéssica Sant'Ana, g1 — Brasília

Postado em 15 de março de 2022 às 12h30m

Post. N. =  0.445

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu nesta terça-feira (15) que o novo empréstimo ao setor elétrico para cobrir os custos da crise energética do ano passado será de até R$ 10,5 bilhões, dividido em duas partes.

O dinheiro será levantado junto a bancos públicos e privados. O financiamento, com cobrança de juros, será pago pelos consumidores de energia através de um novo encargo aplicado à conta de luz a partir de 2023 (leia mais abaixo).

A primeira parte do empréstimo foi regulamentada nesta terça e será de até R$ 5,3 bilhões, à vista. O valor deverá cobrir:

  • o saldo negativo das bandeiras tarifárias que não arrecadaram o suficiente (R$ 540 milhões);
  • o custo do bônus pago aos consumidores que economizaram energia no fim do ano passado (R$ 1,68 bilhão),
  • a postergação de cobranças pelas distribuidoras (R$ 2,33 bilhões); e
  • a importação de energia, entre julho e agosto do ano passado (R$ 790 milhões).

Já a segunda parte – estimada, até o momento, em outros R$ 5,2 bilhões – será para cobrir parte do custo da contratação emergencial de energia, realizada em leilão simplificado no ano passado e com período de fornecimento a partir de 1º de maio deste ano.

A segunda parte do empréstimo, porém, ainda será avaliada pela agência e passará por consulta pública. Não há previsão de quando isso ocorrerá.

Consumidor paga

Ana: empréstimo para distribuidoras deve aumentar conta de luzAna: empréstimo para distribuidoras deve aumentar conta de luz

O prazo total do financiamento e a taxa de juros ainda serão definidos junto aos bancos que vão emprestar o dinheiro. A previsão da Aneel é que a operação saia até a primeira quinzena de abril. O prazo total do financiamento será de 54 meses.

O financiamento será direcionado às distribuidoras de energia porque elas são consideradas o "caixa" do setor elétrico, ou seja, arrecadam os valores junto aos consumidores através da conta de luz e pagam os geradores e transmissores de energia.

Uma medida provisória e um decreto editados pelo governo deram suporte legal ao novo empréstimo ao setor elétrico. Somente a regulamentação ficou a cargo da Aneel.

O objetivo do governo com o empréstimo é diluir ao longo do tempo o custo ainda não pago da crise energética de 2021.

Na prática, o empréstimo dilui o pagamento dos custo adicional gerado pela escassez hídrica do ano passado, ou seja, evita que a cobrança se concentre nas contas de luz em 2022, nos reajustes tarifários anuais das distribuidoras.

Apesar de permitir o parcelamento desse custo a partir de 2023, o empréstimo implica na cobrança de juros, o que significa que, ao final do empréstimo, os consumidores terão pago um valor mais alto.

Equilíbrio

A medida também visa garantir o equilíbrio econômico-financeiro das distribuidoras de energia, que alegam "carregar os custos" das medidas adicionais adotadas durante a situação de escassez hídrica.

"Os custos para enfrentamento da crise hídrica aumentaram significativamente no segundo semestre [de 2021], abrindo um fosso entre as despesas que as distribuidoras tinham para enfrentamento dessa crise e a cobertura tarifária, mesmo com a bandeira tarifária", afirmou Ricardo Brandão, diretor regulatório da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee).

Segundo Brandão, a medida é importante tanto para as distribuidoras quanto para os consumidores.

"Não é desejável que se tenha uma volatilidade tão grande da tarifa, então um programa como esse, que suaviza essa curva, é benéfico tanto para as distribuidoras quanto para os consumidores."

Outros empréstimos

Em 2014, o governo Dilma Rousseff também recorreu ao mecanismo de emprestar dinheiro ao setor elétrico para segurar o reajuste imediato na conta de luz. O empréstimo foi de R$ 34 bilhões, operação que ficou conhecida como Conta-ACR, encargo que também foi cobrado dos consumidores na conta de luz. Dos R$ 34 bilhões, R$ 12,8 bilhões foram juros pagos aos bancos.

Já em 2020, um novo empréstimo foi feito para socorrer o setor elétrico dos efeitos da pandemia de Covid-19. Cerca de 60 distribuidoras aderiram ao financiamento, que totalizou R$ 14,8 bilhões.

O valor está sendo pago pelos consumidores, através de um encargo embutido na conta de luz. As parcelas da chamada "Conta Covid" serão cobradas mensalmente até dezembro de 2025. A taxa de juros total da operação foi de 3,79% + CDI (Certificado de Depósito Interbancário, que acompanha a taxa Selic).

O coordenador do Programa de Energia e Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Anton Schwyter, critica os sucessivos empréstimos ao setor.

O fato é que esses empréstimos não resolvem problemas estruturais e conjunturais, pelo contrário, eles contribuem para ampliação dos custos finais aos consumidores devido à incidência de juros, diz Schwyter.

O diretor da Aneel Efrain Cruz, relator do processo que trata do novo empréstimo, afirmou que a medida foi a "possível".

"Talvez não seja a solução 100% do setor elétrico, mas é o que temos para o momento. É uma estruturação de uma conta que ainda o Brasil vai experimentar tarifas elevadas, mas foi o mecanismo possível", afirmou.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

sexta-feira, 11 de março de 2022

IPCA: inflação acelera para 1,01% em fevereiro, maior taxa para o mês desde 2015

--------===-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------===---------


No acumulado em 12 meses, taxa subiu para 10,54%. Alta no mês foi generalizada, mas puxada pelo aumento das mensalidades escolares e alimentos; preço da cenoura disparou 55,41%.
--------+++-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------+++---------
Por Darlan Alvarenga, g1

Postado em 11 de março de 2022 às 12h00m

Post. N. =  0.444

IBGE: Inflação em fevereiro fica em 1,01%, maior para o mês desde 2015IBGE: Inflação em fevereiro fica em 1,01%, maior para o mês desde 2015

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, acelerou para 1,01% em fevereiro, após ter registrado taxa de 0,54% em janeiro, segundo divulgou nesta sexta-feira (11) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

IPCA mensal - fevereiro/22 — Foto: Economia g1
IPCA mensal - fevereiro/22 — Foto: Economia g1

Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 10,54%, acelerando frente aos 12 meses até janeiro (10,38%), se mantendo acima do dobro do teto da meta para o ano.

O resultado veio um pouco acima do esperado. Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,95% em fevereiro, acumulando em 12 meses alta de 10,50%.

Todos os grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em fevereiro, mas os principais impactos vieram dos preços dos grupos Educação (5,61%) e Alimentação e Bebidas (1,28%). Juntos, os dois grupos representaram cerca de 57% da inflação de fevereiro.

Em fevereiro, são incorporados no IPCA os reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. Portanto esse foi o item que teve o maior impacto no mês, contribuindo com 0,31 ponto percentual. O outro grupo que pesou bastante no mês foi o de Alimentação e bebidas, que acelerou para 1,28% e contribuiu com 0,27 ponto percentual, explicou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

IPCA em 12 meses - fevereiro de 2022 — Foto: Economia g1
IPCA em 12 meses - fevereiro de 2022 — Foto: Economia g1

Veja a inflação de fevereiro para cada um dos grupos pesquisados

  • Alimentação e bebidas: 1,28%
  • Habitação: 0,54%
  • Artigos de residência: 1,76%
  • Vestuário: 0,88%
  • Transportes: 0,46%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,47%
  • Despesas pessoais: 0,64%
  • Educação: 5,61%
  • Comunicação: 0,29%

A inflação foi também mais disseminada em fevereiro do que em janeiro. O índice de difusão passou de 73% para 75%. O indicador reflete o espalhamento da alta de preços entre os 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE.

Todos os locais pesquisados tiveram alta de preços, sendo a maior taxa registrada em São Luís (1,35%) e a menor na região metropolitana de Porto Alegre.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que calcula a inflação para famílias de baixa renda e é usado como referência para reajustes salariais, subiu 1% em fevereiro, acima do percentual de 0,67% de janeiro, acumulando alta de 10,8% nos últimos 12 meses.

O que mais subiu

No grupo Educação, o maior impacto na inflação do mês veio dos cursos regulares (6,67%), com destaque para o ensino fundamental (8,06%), a pré-escola (7,67%) e o ensino médio (7,53%). Os preços dos cursos de ensino superior e de pós-graduação subiram 5,82% e 2,79%, respectivamente. Os cursos diversos, por sua vez, tiveram alta de 3,91%, sendo que o maior aumento foi verificado nos cursos de idioma (7,29%).

Com a alta dos custos de Educação, a inflação média dos serviços que vinha apresentando uma trajetória descolada acelerou para 1,36% em fevereiro, atingindo 5,94% em 12 meses, a maior variação desde abril de 2017.

Já a inflação dos preços do grupo de Alimentação e Bebidas foi pressionada pela alta mais intensa dos alimentos para consumo no domicílio (1,65%), com destaque para itens como batata-inglesa (23,49%), cenoura (55,41%), hortaliças e verduras (15,42%) e frutas (3,55%). Por outro lado, houve queda nos preços do frango inteiro (-2,29%) e do frango em pedaços (-1,35%).

Preço da cenoura subiu 55,41% no mês. — Foto: Reprodução/EPTV
Preço da cenoura subiu 55,41% no mês. — Foto: Reprodução/EPTV

Em fevereiro, o grupo de alimentação sofreu impactos dos excessos de chuvas e também de estiagens que prejudicaram a produção em diversas regiões de cultivo no Brasil, destacou Kislanov.

Os preços dos automóveis novos (1,68%) subiram pelo 18º mês consecutivo, acumulando alta de 18,49% em 12 meses. Os preços dos automóveis usados (1,51% no mês e 16,97% em 12 meses) e das motocicletas (1,72% em fevereiro e 15,61% em 12 meses) também seguiram em trajetória de alta.

Entre os Artigos de residência, pesaram as altas de eletrodomésticos e equipamentos (3,18%) e de mobiliário (2,43%). Nos últimos 12 meses, os itens acumulam variações de 17,85% e 18,31%, respectivamente.

Diesel acumula alta de 40,54% em 12 meses

No grupo Transportes, os combustíveis (-0,92%) se destacaram com queda pelo terceiro mês consecutivo, sendo a mais acentuada a do etanol (-5,04%). Já o preço da gasolina recuou 0,47% em fevereiro. Por outro lado, foram verificadas altas nos preços do óleo diesel (1,65%) e do gás veicular (2,77%).

Vale lembrar, porém, que nesta quinta-feira (10), a Petrobras anunciou reajuste de 18,8% no preço da gasolina nas refinarias e de 24,9% no valor do diesel, o que deve manter sob pressão o IPCA de março. O último reajuste tinha sido feito em 11 de janeiro.

Em 12 meses, a gasolina acumula avanço de 32,62% no país, o diesel, de 40,54%, e o do etanol, de 36,17%. Já o gás de botijão acumula alta de 27,63%.

"Quando se tem uma alta no diesel e na gasolina, isso acaba tendo um efeito disseminado na economia como um todo, afetando transporte e frete, e também de outros setores, e isso acaba gerando uma alta de preços em vários produtos e serviços que compõem o IPCA. Mas a magnitude desse impacto vamos ter que aguardar os próximos meses para ver", destacou o pesquisador do IBGE, acrescentando que os combustíveis tem um peso de 7,73% na composição do índice de inflação do país.

Para tentar conter a alta, o Senado aprovou na véspera projeto que cria uma conta de estabilização para os preços dos combustíveis, que ainda será analisada pela Câmara dos Deputados. Já a Câmara aprovou na madrugada desta sexta proposta que altera as normas de cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis e a medida irá à sanção do presidente Jair Bolsonaro.

Projeção e meta para o ano

Apesar da queda do dólar nas últimas semanas, os preços mais altos das commodities em meio à guerra na Ucrânia e o novo aumento nos preços dos combustíveis no país pressionam para um quadro inflacionário ainda pouco confortável.

Em 2021, a inflação oficial foi de 10,06%, sendo a maior alta desde 2015.

A média das expectativas do mercado para a inflação fechada de 2022 está em 5,65%, mas vários analistas já projetam um IPCA acima de 6% no ano. Com isso, a tendência é de estouro do teto do sistema de metas pelo segundo ano seguido.

"A manutenção deste cenário desafiador reforça nossa perspectiva de elevação de 1 ponto percentual a Selic na próxima semana. Nossa projeção preliminar para o IPCA de março é de 1,10%", avaliou Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco Modalmais.

A meta central para o IPCA deste ano é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar entre 2% e 5%. O objetivo foi fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-lo, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia, que está atualmente em 10,75% ao ano. A projeção do mercado é de Selic em 12,25% ao ano ao fim 2022.

Para 2023, os economistas estimam em 3,51% a taxa de inflação. Para o próximo ano, a meta foi fixada 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Nova alta dos combustíveis causa corrida e filas em postosNova alta dos combustíveis causa corrida e filas em postos
------++-====-----------------------------------------------------------------------=================--------------------------------------------------------------------------------====-++-----