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sexta-feira, 9 de abril de 2021

IPCA: inflação oficial acelera em março, chega a 6,10% em 12 meses e supera teto da meta para 2021

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Taxa ficou em 0,93% em março, maior alta para o mês desde 2015. Principais impactos vieram dos aumentos nos preços de combustíveis (11,23%) e do gás de botijão (4,98%).
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira — São Paulo e Rio de Janeiro

Postado em 09 de abril de 2021 às 10h00m

 .*  Post. N. = 0.248  *. 

IPCA de março é o maior para o mês desde 2015

IPCA de março é o maior para o mês desde 2015

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,93% em março, acima da taxa de 0,86% registrada em fevereiro. Com essa aceleração, o indicador acumulado em 12 meses estourou o teto da meta do governo para a inflação no ano, algo que não acontecia há quatro anos. É o que apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de 0,93% "é o maior resultado para um mês de março desde 2015, quando foi registrada inflação de 1,32%", destacou o IBGE.

Os principais impactos na inflação do mês vieram dos aumentos nos preços de combustíveis (11,23%) e do gás de botijão (4,98%).

Inflação foi a maior para um mês de março desde 2015 — Foto: Economia/G1
Inflação foi a maior para um mês de março desde 2015 — Foto: Economia/G1

Salto de 6,10% em 12 meses

No ano, o IPCA acumula alta de 2,05%. Já em 12 meses, a inflação acumula alta de 6,10%, acima dos 5,20% observados nos 12 meses imediatamente anteriores e a maior para esse intervalo de tempo desde dezembro de 2016, quando ficou em 6,29%.

A taxa em 12 meses ficou pela primeira vez no ano acima do limite superior da meta de inflação estabelecida para este ano – o centro da meta é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

Segundo o IBGE, a última vez que o indicador ultrapassou o teto da meta do Banco Central foi em novembro de 2016, quando ficou em 6,99%. Naquele ano, o teto da meta era de 6,5%.

Indicador da inflação acumulada em 12 meses superou, em março, o teto da meta estabelecida pelo Banco Central — Foto: Economia/G1
Indicador da inflação acumulada em 12 meses superou, em março, o teto da meta estabelecida pelo Banco Central — Foto: Economia/G1

Apesar de estourar o teto da meta para o ano, o IPCA veio abaixo das expectativas. Pesquisa da Reuters apontou que a projeção de analistas era de alta de 1,03% em março, acumulando em 12 meses alta de 6,20%.

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 6 tiveram avanço nos preços em março. Os Transportes tiveram a maior alta (3,81%) e o maior impacto 0,77 ponto percentual (p.p.) no índice do mês. Veja o resultado para cada um deles:

  • Alimentação e bebidas: 0,13%
  • Habitação: 0,81%
  • Artigos de residência: 0,69%
  • Vestuário: 0,29%
  • Transportes: 3,81%
  • Saúde e cuidados pessoais: -0,02%
  • Despesas pessoais: 0,04%
  • Educação: -0,52%
  • Comunicação: -0,07%
Gasolina tem alta de 23% em 12 meses

Segundo o IBGE, a gasolina (11,26%) foi o item que exerceu o maior impacto sobre o índice do mês, respondendo sozinha por 0,60 ponto percentual (p.p.) do IPCA de março, com variações que foram desde 6,32% em São Luís até 14,45% no Rio de Janeiro.

Os preços do etanol (12,59%) e do óleo diesel (9,05%) também subiram, contribuindo conjuntamente com mais 0,11 p.p. para a taxa de inflação de março.

No acumulado em 12 meses, o etanol tem alta de 25,19%, a gasolina de 23,48% e o diesel de 17,10%.

“Foram aplicados sucessivos reajustes nos preços da gasolina e do óleo diesel nas refinarias entre fevereiro e março e isso acabou impactando os preços de venda para o consumidor final nas bombas. A gasolina nos postos teve alta de 11,26%, o etanol, de 12,59% e o óleo diesel, de 9,05%. O mesmo aconteceu com o gás, que teve dois reajustes nas refinarias nesse período, acumulando alta de 10,46%, e agora o consumidor percebe esse aumento”, afirmou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

O segundo maior impacto sobre o IPCA do mês veio do grupo Habitação (0,81%), principalmente devido ao gás de botijão (4,98%), que acumula alta de 20,01% nos últimos 12 meses, e da energia elétrica (0,76%).

Alta nos preços de alimentos desacelera

A boa notícia para o consumidor, segundo o IBGE, é que a inflação do grupo Alimentação e bebidas continuou em desaceleração. Em março, a alta foi de 0,13%, após variações de 1,74% em dezembro, 1,02% em janeiro e de 0,27% em fevereiro. Vale lembrar que, em 2020, os alimentos tiveram alta de 14,09%.

Segundo o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, a desaceleração dos preços dos alimentos está relacionada à queda da demanda e pode, inclusive, ter influência da suspensão do auxílio emergencial, que não foi pago nos primeiros meses do ano, que impactou na redução da renda da população.

“Mas há, em alguns casos, também uma retenção de consumo. Nesse momento em que a pandemia se agravou e voltaram a ser estabelecidas medidas de restrição à circulação de pessoas e funcionamento do comércio, as pessoas compram menos alimentos perecíveis, dando preferência aos alimentos que podem ser estocados. O fechamento de restaurantes também provoca a redução do consumo desses alimentos”, apontou.

Entre os preços que caíram em março, destaque para o tomate (-14,12%), batata-inglesa (-8,81%), arroz (-2,13%) e leite longa vida (-2,27%). Por outro lado, o preço das carnes voltou a subir (0,85%), após alta de 1,72% em fevereiro.

Entre todos os subitens pesquisados pelo IBGE, os preços que mais subiram no acumulado em 12 meses foram os do óleo de soja (81,73%), arroz (63,56%) e do limão (62,29%).

Inflação de serviços sobe bem abaixo do IPCA

Em direção contrária, a inflação de serviços desacelerou para 0,12% em março, após subir 0,55% em fevereiro, evidenciando a recuperação mais lenta do setor, que tem se mostrado o mais impactado pela pandemia de coronavírus e pelas medidas de restrição.

O aluguel de veículo, por exemplo, teve deflação de 14,02%. Também houve queda nos preços de transporte por aplicativo (-3,42%), de pacote turístico (-2,93%), de passagem aérea (-1,96%) e de hospedagem (-1,38%).

Inflação por regiões

No que diz respeito aos índices regionais, todas as áreas pesquisadas pelo IBGE registraram altas em março. A maior inflação foi verificada em Goiânia (1,46%), enquanto que o menor índice foi observado na região metropolitana do Recife (0,62%).

Apesar da aceleração em março, a inflação se espalhou menos pelos produtos e serviços que compõem o IPCA. O chamado Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e atividades que tiveram aumento de preços, caiu, de 63,4% em fevereiro, para 62,6% no mês passado, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta.

Custos da construção sobem 1,45% em março

O IBGE também divulgou que o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), subiu 1,45% em março. No primeiro trimestre do ano, acumulou aumento de 4,84% e, nos últimos 12 meses, teve um salto de 14,46%, com destaque para o acumulado das parcelas dos materiais, que em 12 meses atingiu 24,61%.

INPC sobe 0,86% em março

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado como referência para reajustes salariais e benefícios previdenciários, subiu 0,86%, resultado levemente acima do de fevereiro (0,82%) e também o maior índice para um mês de março desde 2015, quando o INPC variou 1,51%. No ano, o indicador acumula alta de 1,96% e, em 12 meses, de 6,94%.

Perspectivas e meta de inflação

"Está claro que há um processo inflacionário de custos no Brasil e não há o que fazer no curto prazo, no entanto o Banco Central está querendo ancorar mais o longo prazo e para isso está jogando contra eventos importantes como a questão fiscal e a alta dos IGPs", avaliou o economista da Necton, André Perfeito.

A meta central do governo para a inflação em 2021 é de 3,75%, e o intervalo de tolerância varia de 2,25% a 5,25%. Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que agora está em 2,75% ao ano.

Os analistas das instituições financeiras projetam uma inflação de 4,81% no ano, acima da meta central do governo, mas abaixo do teto, conforme aponta a última pesquisa Focus do Banco Central. O mercado mantém a expectativa para a taxa Selic em 5% ao ano, o que pressupõe novas altas do juro básico.

"Vemos as pressões de alta ainda em curso, por conta da depreciação cambial e da interrupção da cadeia produtiva", comentou Tatiana Nogueira, economista da XP, que projeta inflação de 4,9% no ano.

Em 2020, a inflação fechou em 4,52%, acima do centro da meta do governo, que era de 4%. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1
Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1


Petrobras eleva preços de venda do gás natural para as distribuidoras
Petrobras eleva preços de venda do gás natural para as distribuidoras

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quinta-feira, 8 de abril de 2021

Índice de confiança dos pequenos negócios despencou em março, aponta estudo

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A confiança no comércio caiu 21,6 pontos e a confiança no setor de serviços recuou 6,1 pontos, de acordo com o Sebrae e a FGV.
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Por G1

Postado em 08 de abril de 2021 às 20h25m

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Índice de confiança dos pequenos negócios despencou em março, aponta estudo — Foto: Reprodução/PEGN
Índice de confiança dos pequenos negócios despencou em março, aponta estudo — Foto: Reprodução/PEGN

A confiança dos micro e pequenos empreendedores despencou em março, de acordo com estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O Índice de Confiança do Comércio de Micro e Pequenas Empresas (ICOM-MPE) caiu 21,6 pontos, passando de 89,9 pontos em fevereiro para 68,3 em março. Já o Índice de Confiança de Serviços de Micro e Pequenas Empresas (ICS-MPE) recuou 6,1 pontos passando de 81,2 para 75,1 pontos.

Os índices estão no mesmo patamar da recessão econômica de 2014 e com níveis semelhantes aos registrados em maio e julho de 2020, interrompendo uma melhora que acontecia desde o segundo semestre do ano passado.

A queda no índice de confiança pode ter sido causada pelo fim de programas emergenciais e pela adoção de medidas mais restritivas para controlar a pandemia do coronavírus em muitos estados brasileiros, segundo o Sebrae.

Esse resultado pode ser ainda pior em abril, mas existe a expectativa de que a nova rodada do auxílio emergencial e a vacinação atenuem esse impacto, de acordo com o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

Setores muito afetados pela pandemia

As micro e pequenas empresas do comércio são as que sofreram perdas mais expressivas por conta da pandemia, quando comparadas com médias e grandes empresas do setor.

Em março, as médias e grandes empresas apresentaram uma queda de 18,5 do ICOM.

“Esse é mais um sinal de alerta para os pequenos negócios, que não têm capital de giro suficiente para se manter durante tanto tempo. Além disso, os consumidores estão mais retraídos, pensam mais antes de gastar e estão se preocupando em poupar para evitar impactos mais profundos no futuro”, explica Melles.

As micro e pequena empresas de serviços também fazem parte do setor mais afetado pela pandemia, com segmentos como o de turismo, hotéis, bares e restaurantes e academias de ginástica.

O estudo mostra que a maior dificuldade do setor de serviços em relação ao comércio está nas limitações de circulação impostas pela pandemia, levando consumidores a gastar relativamente mais com produtos comprados pela internet, do que em serviços onde a presença física é indispensável.

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terça-feira, 6 de abril de 2021

Ranking de bilionários da Forbes tem 11 'estreantes' do Brasil

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Ao todo, são 57 residentes no Brasil na lista de bilionários da Forbes.
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Por G1

Postado em 06 de abril de 2021 às 16h35m

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O ano da pandemia viu disparar a pobreza e a desigualdade no Brasil – assim como em boa parte do mundo. Para os muito ricos, no entanto, a crise passou ao largo. A lista de bilionários da Forbes mostrou que o número de bilionários 'explodiu' e chegou a 2.755 – 660 a mais que um ano atrás. Entre os 'novatos', há 11 residentes no Brasil.

Os mais ricos entre os estreantes são os irmãos Safra – os quatro filhos de Joseph Safra, dono do Banco Safra falecido em dezembro, e até então o homem mais rico do país: Jacob, David, Alberto e Esther, com uma fortuna combinada estimada em US$ 7,1 bilhões, ocupando a 358º posição no ranking dos maiores bilionários.

O segundo entre os brasileiros estreantes é David Velez, do Nubank, com US$ 5,2 bilhões e 539º no ranking geral. Velez, no entanto, é nascido na Colômbia. O terceiro, Guilherme Benchimol, da XP, aparece em 1205º na lista geral, com estimados US$ 2,6 bilhões.

Veja a lista completa dos brasileiros estreantes na lista de bilionários da Forbes:

1) Irmãos Safra

  • Posição no ranking geral: 358ª
  • Fortuna estimada: US$ 7,1 bilhões
  • Setor: bancário (banco Safra)

2) David Velez

  • Posição no ranking geral: 539ª
  • Fortuna estimada: US$ 5,2 bilhões
  • Setor: fintech (Nubank)

3) Guilherme Benchimol

  • Posição no ranking geral: 1.205ª
  • Fortuna estimada: US$ 2,6 bilhões
  • Setor: financeiro (XP)

4) André Street

  • Posição no ranking geral: 1.249ª
  • Fortuna estimada: US$ 2,5 bilhões
  • Setor: fintech (Stone)

5) Eduardo de Pontes

  • Posição no ranking geral: 1.299ª
  • Fortuna estimada: US$ 2,4 bilhões
  • Setor: processamento de pagamentos (Stone)

6) Fabricio Garcia

  • Posição no ranking geral: 1.517ª
  • Fortuna estimada: US$ 2,1 bilhões
  • Setor: varejo (Magazine Luiza)

7) Flavia Bittar Garcia Faleiros

  • Posição no ranking geral: 1.517ª
  • Fortuna estimada: US$ 2,1 bilhões
  • Setor: varejo (Magazine Luiza)

8) Fernando Trajano

  • Posição no ranking geral: 2.035ª
  • Fortuna estimada: US$ 1,5 bilhão
  • Setor: varejo (Magazine Luiza)

9) Ilson Mateus

  • Posição no ranking geral: 2.141ª
  • Fortuna estimada: US$ 1,4 bilhão
  • Setor: supermercado (Grupo Mateus)

10) Anne Werninghaus

  • Posição no ranking geral: 2.524ª
  • Fortuna estimada: US$ 1,1 bilhão
  • Setor: indústria de máquinas (WEG)

11) Maria Pinheiro

  • Posição no ranking geral: 2.674ª
  • Fortuna estimada: US$ 1 bilhão
  • Setor: supermercado (Grupo Mateus)
Brasileiros no topo da lista

Ao todo, são 57 residentes no Brasil na lista de bilionários da Forbes. Marcel Herrmann Telles, um dos donos da Ambev, encabeça o ranking, com uma fortuna estimada em US$ 11,5 bilhões, o que o coloca em 191º no ranking geral – e 39 posições acima do lugar que ocupava em 2020.

Como a lista da Forbes destaca o país de residência, ficaram de fora entre os brasileiros Jorge Paulo Lemann (114º) e Eduardo Saverin (140º), entre outros.

Veja a lista dos cinco mais ricos do Brasil:

  1. Marcel Herrmann Telles, da Ambev, na 191ª posição, com US$ 11,5 bilhões
  2. Jorge Moll Filho, da rede de hospitais D'Or, na 194ª posição, com US$ 11,3 bilhões
  3. Irmãos Safra, herdeiros do Banco Safra, na 358ª posição, com US$ 7,1 bilhões
  4. Dulce Pugliese de Godoy Bueno, fundadora da Amil, na 451ª posição, com US$ 6 bilhões
  5. Alceu Elias Feldmann, fundador da Fertipar, na 520ª posição, com US$ 5,4 bilhões

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FMI melhora projeções para a economia global, mas condiciona otimismo ao ritmo de vacinação

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Enquanto campanhas avançam, órgão pede continuidade de estímulos monetários para retomada da atividade, mas pede prudência e focalização de políticas públicas; Brasil segue abaixo da média global de crescimento.
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Por G1

Postado em 06 de abril de 2021 às 12h30m

 .*  Post. N. = 0.245  *. 

Uma pessoa ficou ferida após a explosão de uma carta-bomba no escritório do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Paris — Foto: Mandel Ngan/AFP
Uma pessoa ficou ferida após a explosão de uma carta-bomba no escritório do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Paris — Foto: Mandel Ngan/AFP

A economia global poderia ter queda três vezes maior, não fossem os estímulos monetários injetados pelos bancos centrais durante a pandemia do coronavírus, mas a persistência de números surpreendentes depende da vacinação em massa. A conclusão está na nova edição do relatório "World Economic Outlook", do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado nesta terça-feira (6).

Com esses estímulos monetários ainda irrigando as economias, o FMI revisou para cima as projeções de crescimento global para 2021 e 2022. A alta deve ser de 6% neste ano e 4,4% no próximo. O aumento é de 0,8 e 0,2 ponto percentual em relação ao relatório de outubro, respectivamente.

O Brasil está abaixo da média, com crescimento previsto de 3,7% neste ano e 2,6% no próximo. Comparado à edição de outubro, houve alta de 0,9 e 0,3 ponto percentual para a projeção do país em cada ano, respectivamente.

Por outro lado, o país tem desempenho melhor que a região onde está inserido, da América Latina e Caribe. Com queda de 4,1% em 2020, o país sofreu menos que os 7% da zona a que pertence. As altas de 4,6% e 3,1% previstas para a região, portanto, vem de uma base de queda mais intensa.

Em carta publicada no relatório, a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, reforça que as incertezas continuam no ambiente econômico global, mas uma saída passa a ser "cada vez mais visível".

O FMI ressalta, entretanto, que a vacinação contra a Covid-19 é fator primordial para que os números se tornem realidade. A variável é tão importante que o fundo avisa que um desempenho melhor que o esperado pode dar vigor à recuperação em todo mundo, mas novas variantes que coloquem em xeque a efetividade das vacinas causariam uma severa revisão para baixo.

Desempenho esperado do PIB global do FMI — Foto: G1 Economia
Desempenho esperado do PIB global do FMI — Foto: G1 Economia

O FMI fez uma série de revisões para cima ao longo de 2020, conforme as economias reagiram à pandemia do coronavírus. O maior otimismo do órgão um ano adentro da pandemia tem como plano de fundo, além da ação monetária e das vacinas, uma certa adaptação à "vida em pandemia".

O tombo previsto para a economia global em 2020 é de 3,3%, com impacto desigual a depender do perfil de cada país e de sua força de trabalho. As consequências serão particularmente agudas em países dependentes do turismo, com dívida pública mais alta e menor capacidade de vasto atendimento de saúde.

"Jovens, mulheres, trabalhadores com nível de escolaridade relativamente baixo e os empregados informais foram atingidos com mais força", diz o órgão. 
Desigualdade em pauta
Gita Gopinath, economista-chefe do FMI: "As políticas monetárias terão que se tornar mais direcionadas para manter a capacidade de sustentar a atividade econômica durante este período incerto." — Foto: REUTERS/Rodrigo Garrido
Gita Gopinath, economista-chefe do FMI: "As políticas monetárias terão que se tornar mais direcionadas para manter a capacidade de sustentar a atividade econômica durante este período incerto." — Foto: REUTERS/Rodrigo Garrido

No relatório, Gita Gopinath reconhece que o vigor de retomada é mais claro em economias desenvolvidas. Exceto a China, que já recuperou seus níveis de PIB pré-pandemia ainda em 2020, a economista lembra que os Estados Unidos estão em estágio avançado de recuperação e devem atingir o marco ainda em 2021.

Além de pacotes de estímulos históricos, que despejaram mais de US$ 5 trilhões na economia, os americanos têm a mais abrangente e veloz vacinação do mundo.

Outras economias importantes, como as europeias, que têm vacinação em atraso, só retomarão o patamar em 2022, diz o FMI. Emergentes só devem chegar nesse marco em 2023.

Gopinath lembra que a renda per capita é outro fator de preocupação do FMI, com impacto em toda a cadeia global. No biênio 2020-2022, a expectativa é de perda de 20% do PIB per capita em países emergentes – excluída novamente a China – e de 11% nas economias desenvolvidas.

"Isso reverteu os ganhos na redução da pobreza, com mais 95 milhões de pessoas previstas para entrar nas categorias de extrema pobreza em 2020, e 80 milhões a mais subnutridos do que antes", diz ela.

O quadro é ainda mais grave, pois o mercado de trabalho está punindo mais o trabalhador sem experiência prévia ou com baixa capacitação, grupos que já têm como característica uma renda menor.

"As políticas, portanto, terão que se tornar mais direcionadas para manter a capacidade de sustentar a atividade econômica durante este período incerto à medida que a corrida entre o vírus e as vacinas se desenrola", afirma a economista.

A cooperação internacional, diz o FMI, também será vital para garantir que as economias emergentes e países em desenvolvimento possam diminuir a distância entre seus padrões de vida comparados aos de alta renda.

PIB do G-20 cresce 2,1% nos últimos três meses de 2020
PIB do G-20 cresce 2,1% nos últimos três meses de 2020

Prudência

Com os olhos atentos ao caminhar das vacinações ao redor do mundo, o FMI sugere que os governantes tenham prudência nos próximos passos. A entidade, inclusive, indica alguns pontos de atenção para que a tomada de decisão seja certeira enquanto persistem os efeitos da pandemia mundo afora.

  • Prioridade aos gastos com saúde, incluindo atendimento hospitalar, tratamento para a Covid-19, produção e aplicação de vacinas;
  • Fortalecer políticas de proteção social, desde trabalhadores informais até ampliação dos critérios para acesso ao seguro-desemprego;
  • Com normalização do mercado de trabalho, arrefecer possíveis impactos nas empresas, investir em capacitação da mão de obra, dar subsídios para contratação e criação de vagas de emprego;
  • Políticas de facilitação de falências, com objetivo de acelerar a alocação eficiente de capital;
  • Investimento em educação para compensar as perdas da formação de crianças durante a pandemia.

Resolvida a crise de saúde, o FMI recomenda ainda um foco especial em um direcionamento para o desenvolvimento sustentável.

"As prioridades devem incluir o investimento em infraestrutura verde para ajudar a mitigar as mudanças climáticas, o fortalecimento da assistência social e da seguridade social para conter o aumento da desigualdade, a introdução de iniciativas para aumentar a capacidade produtiva e se adaptar a uma economia mais digitalizada e resolver os excessos da dívida", diz a carta de Gita Gopinath.

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segunda-feira, 5 de abril de 2021

Google muda regra da Play Store para limitar acesso à lista de aplicativos instalados em celulares

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Android Recurso do sistema que permite obter a lista de apps instalados só poderá ser usado para finalidades específicas e não comerciais.
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TOPO
Por Altieres Rohr
É fundador de um site especializado na defesa contra ataques cibernéticos

Postado em 05 de abril de 2021 às 18h45m

 .*  Post. N. = 0.244  *. 

Google recompensa quem relata falha em seus produtos. No Android, prêmio pode passar de R$ 6 milhões. — Foto: Altieres Rohr/G1
Google recompensa quem relata falha em seus produtos. No Android, prêmio pode passar de R$ 6 milhões. — Foto: Altieres Rohr/G1

Uma mudança nas políticas da Play Store vai limitar os cenários em que aplicativos podem obter a lista de todos os apps presentes no aparelho do usuário.

A regra entra em vigor no dia 5 de maio. Apps que não respeitarem as novas restrições podem ser excluídos da loja do Google e, em casos mais graves, a conta do desenvolvedor poderá ser suspensa.

O Android possui funções específicas para que apps solicitem uma lista completa com todos os programas instalados no telefone. Essa lista tem alto valor comercial, pois permite direcionar anúncios com base no uso do telefone.

Um usuário com muitos apps de jogos, por exemplo, pode receber mais anúncios referentes a games, enquanto outro usuário com apps de investimentos poderia receber propagandas sobre produtos financeiros.

Com a nova regra, só aplicativos que realmente precisam da lista por motivos técnicos devem ter permissão para obtê-la. É o caso de programas que ajudam a limitar o uso de determinados apps ou que controlam o acesso a aplicativos, como antivírus.

O anúncio do Google também destaca que a lista de apps não pode ser obtida para ser compartilhada ou vendida.

Além da finalidade comercial, a lista de apps instalados também é muito útil em fraudes. Ela pode ser usada para identificar a presença de algum antivírus específico, e assim adaptar o comportamento da praga digital para não levantar suspeitas.

Porém, as regras do Google não terão efeito para apps fora da Play Store. É muito comum que aplicativos maliciosos sejam distribuídos fora do canal oficial, embora o serviço do Google não esteja totalmente livre de problemas.

A regra, porém, pode aumentar a fiscalização sobre aplicativos suspeitos. Apps que usam as chamadas "permissões restritas" precisam ser acompanhados de um formulário para facilitar a revisão do software. Sem a documentação, o app não é publicado na Play Store.

O acesso a SMS, chamadas e recursos de acessibilidade também fazem parte da lista de permissões restritas, que agora foi novamente ampliada.

A mudança deixa o Android mais parecido com o iOS, da Apple. No sistema do iPhone, a lista de apps instalados não é considerada uma informação acessível a qualquer programa. A Apple também já tomou medidas para coibir certos mecanismos que fornecem acesso indireto a essa lista.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com

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