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sexta-feira, 9 de agosto de 2024

IPCA: preços sobem 0,38% em julho, com destaque para gasolina e passagem aérea

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Com isso, o país tem uma inflação acumulada de 4,50% em 12 meses, e chega ao teto da meta. Resultado veio acima das expectativas do mercado financeiro (0,35%).
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Por Raphael Martins, g1

Postado em 09 de agosto de 2024 às 11h00m

  Postagem -  Nº     0.866  

IPCA: preços sobem 0,38% em julho

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, mostra que os preços subiram 0,38% em julho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O maior impacto do mês veio do grupo Transportes, com alta de 1,82% e peso de 0,37 ponto percentual (p.p.) no índice geral. Quem mais influenciou foi a gasolina, que teve alta de 3,15% no mês e impacto de 0,16 p.p. A passagem aérea subiu 19,39% em julho, e peso de 0,11 p.p. no IPCA cheio.

O resultado geral de julho também representa uma aceleração contra o mês anterior, já que o IPCA havia fechado de junho teve alta de 0,21%. Em julho de 2023, os preços haviam subido 0,12%.

Com isso, o país tem uma inflação acumulada de 4,50% em 12 meses, e chega ao teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No acumulado do ano, a alta é de 2,87%.

O resultado de julho veio acima das expectativas do mercado financeiro, que esperavam aumento de 0,35% dos preços. No acumulado, era esperada uma alta de 4,47%.

Entre os nove principais grupos do IPCA, sete apresentaram altas em julho. Além dos Transportes, houve alta relevante em Habitação, com aumento de 0,77% no mês, representando 0,12 p.p. do índice.

Já o grupo Alimentação e bebidas apresentou deflação de 1%, além de contribuição negativa de 0,22 p.p. Foi a primeira queda do grupo em nove meses.

Veja o resultado dos grupos do IPCA:

  • Alimentação e bebidas: -1,00%;
  • Habitação: 0,77%;
  • Artigos de residência: 0,48%;
  • Vestuário: -0,02%;
  • Transportes: 1,82%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,22%;
  • Despesas pessoais: 0,52%;
  • Educação: 0,08%;
  • Comunicação: 0,18%.
Alimentos têm recuo de preços

A queda de 1% no grupo Alimentação e bebidas teve um papel importante de segurar o choque de preços causados pelo grupo Transportes. Segundo o IBGE, houve melhora de oferta de alimentos in natura com as safras de inverno.

"É a maior queda mensal desde agosto de 2017, quando havia caído 1,07%. Os alimentos vinham puxando as altas nos últimos meses, mas ajudaram a controlar os preços neste mês", diz André Almeida, gerente de pesquisa de IPCA.

De outubro de 2023 a junho de 2024, a alta acumulada do grupo havia sido de 6,87%. Os meses de calor já são de dificuldade com as safras de alimentos, mas houve um agravamento dos problemas por conta do fenômeno climático El Niño.

As principais quedas em julho foram do tomate (-31,24%), da cenoura (-27,43%), cebola (-8,97%), batata inglesa (-7,48%) e das frutas (-2,84%). Assim, o subgrupo de Alimentação no domicílio, que engloba esses produtos, caiu 1,51% em julho, após alta de 0,47% em junho.

Já a Alimentação fora do domicílio teve resultado próximo a do mês anterior, passando de 0,37% para 0,39%. O subitem lanche acelerou de 0,39% para 0,74%, mas a refeição desacelerou de 0,34% para 0,24%.

Gasolina sobe forte

No dia 8 de julho, a Petrobras anunciou um aumento nos preços da gasolina e do gás de cozinha para as distribuidoras. O litro da gasolina terá uma alta de R$ 0,20, chegando a R$ 3,01.

O último reajuste da gasolina feito pela Petrobras havia sido em outubro de 2023, um redução. A petroleira anunciou em maio de 2023 uma mudança em sua política de preços. Desde então, a estatal não segue mais a política de paridade internacional (PPI), que reajustava o preço dos combustíveis com base nas variações do dólar e da cotação do petróleo no exterior.

Os valores praticados pela petroleira não são os mesmos dos postos de combustíveis. Os preços nas bombas também levam em conta os impostos e a margem de lucro das distribuidoras e revendedoras. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) faz a sondagem nas bombas e mostra que o valor médio para o consumidor passa dos R$ 6.

Assim, o IPCA mostra a gasolina com alta de 3,15% no mês e impacto de 0,16 p.p. O etanol sobe 5,90% no mês, e o óleo diesel, 1,03%. O gás veicular registrou queda 0,20%. O subgrupo combustíveis, que reúne os produtos, subiu 3,31%.

Gasolina, combustível — Foto: Reuters
Gasolina, combustível — Foto: Reuters

Serviços e monitorados

Os dois puxadores da inflação neste mês, a gasolina e passagem aérea, trouxeram impacto forte para a inflação de serviços e nos monitorados.

Na janela de 12 meses, a inflação de serviços passou de 4,49% em junho para 5,01% em julho. A aceleração tem relação com o mês de férias escolares, que pressiona os preços do setor de turismo.

"As famílias costumam viajar mais. Nas demais atividades de serviços relacionadas ao turismo também tivemos altas, como hospedagem, aluguel de veículos, entre outros", diz André Almeida, do IBGE.

Pelo lado dos monitorados, itens cujos preços são definidos pelo setor público ou por contratos, a gasolina puxou a alta junto com a energia elétrica.

Pela primeira vez desde abril de 2022, o governo acionou a bandeira amarela para tarifas de energia elétrica para este mês de julho. Houve cobrança adicional de R$ 1,88 a cada 100 kilowatt-hora (kWh), deixando o preço da energia elétrica mais caro para famílias e empresas.

Nos últimos 26 meses, a bandeira permaneceu verde. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a previsão de chuvas abaixo da média no segundo semestre (cerca de 50% menos que o normal) e de temperaturas acima da média no inverno foram os motivos para a cobrança extra.

Por isso, o IPCA mediu aumento da energia elétrica residencial neste mês, de 1,93%. O impacto no índice geral foi de 0,08 p.p.

Assim, na janela de 12 meses, o acumulado dos monitorados passou de 6,38% em junho para 7,04% em julho.

INPC tem alta de 0,26% em julho

Por fim, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — usado como referência para reajustes do salário mínimo, pois calcula a inflação para famílias com renda mais baixa — teve alta de 0,26% em julho. Em junho, a alta foi de 0,25%.

Assim, o INPC acumula alta de 2,95% no ano e de 4,06% nos últimos 12 meses. Em junho de 2023, a taxa foi de -0,09%.Banco Central do Brasil

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quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Dólar engata 3ª queda seguida e fecha em R$ 5,57, após novos dados de emprego nos EUA; Ibovespa sobe

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A moeda norte-americana recuou 0,90%, cotada a R$ 5,5741. Já o principal índice de ações da bolsa encerrou em alta de 0,90%, aos 128.661 pontos.
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Por g1

Postado em 08 de agosto de 2024 às 09h45m

  Postagem -  Nº     0.865  

 — Foto: Karolina Grabowska/Pexels
— Foto: Karolina Grabowska/Pexels

O dólar não conseguiu sustentar a alta vista pela manhã e encerrou a sessão desta quinta-feira (8) em queda, conforme investidores repercutiam os novos dados de emprego nos Estados Unidos.

Na última semana, o país registrou 233 mil pedidos iniciais por seguro-desemprego, abaixo das expectativas e mostrando uma desaceleração em relação à semana anterior. Os pedidos contínuos, porém, acumulam quase 1,9 milhão, acima das projeções.

Os dados foram observados com atenção ao longo do dia e contribuíram para reduzir as preocupações dos agentes financeiros sobre uma eventual recessão econômica nos Estados Unidos. Esses temores ganharam força após o payroll, principal relatório de emprego norte-americano, ter vindo mais fraco do que o esperado na semana passada.

Já o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, encerrou em alta.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

Ao final da sessão, o dólar recuou 0,90%, cotado a R$ 5,5741. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,5635. Veja mais cotações.

Com o resultado, acumulou:

  • queda de 2,36% na semana;
  • recuo de 1,41% no mês;
  • alta de 14,87% no ano.

No dia anterior, a moeda norte-americana teve queda de 0,55%, vendida a R$ 5,6249. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,5977.

Ibovespa

Já o Ibovespa encerrou em alta de 0,90%, aos 128.661 pontos.

Na véspera, o índice fechou em alta de 0,99%, aos 127.514 pontos.

Com o resultado, o Ibovespa acumulou:

  • alta de 1,32% na semana;
  • recuo de 0,11% no mês;
  • perdas de 4,97% no ano.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O que está mexendo com os mercados?

O mercado de trabalho norte-americano voltou a fazer preço nos mercados nesta quinta-feira (8). Segundo dados do Departamento do Trabalho dos EUA, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego recuaram para 233 mil na semana encerrada em 3 de agosto.

Além de representar uma desaceleração em comparação aos 250 mil pedidos registrados nos sete dias anteriores, o resultado também veio abaixo do esperado pelo mercado, contribuindo para amenizar as preocupações dos agentes financeiros com uma eventual recessão econômica nos Estados Unidos.

Esses temores ganharam força na última sexta-feira, quando o payroll, um dos principais relatórios de emprego do país, reportou 114 mil vagas não agrícolas criadas em julho, bem abaixo das 175 mil vagas que eram esperadas pelo mercado financeiro.

O resultado bem mais fraco do que o previsto aumentou a perspectiva no mercado de que a maior economia do mundo pudesse estar prestes a enfrentar um período de recessão, já que os números de emprego começaram a ceder em um momento em que os juros no país continuam elevados.

Em sua última reunião, também na semana passada, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve os juros norte-americanos inalterados entre 5,25% e 5,50% ao ano, mas abriu a porta para um eventual corte das taxas em sua próxima reunião, em setembro.

Juros altos encarecem processos de tomada de crédito e financiamento para pessoas e empresas, o que tende a diminuir o consumo da população e frear os investimentos das companhias em seu próprio crescimento — o que pode afetar ainda mais o mercado de trabalho.

A crescente preocupação com a maior economia do mundo trouxe um derretimento dos mercados acionários de todo o mundo na última segunda-feira. Nos EUA, os principais índices acionários recuaram cerca de 3%, enquanto Europa, Ásia e Oceania seguiram a mesma tendência. No Japão, a queda foi de 12,40%.

No Japão, as ações despencaram também por conta de uma valorização do iene, a moeda oficial do país. O BC japonês elevou suas taxas de juros pela segunda vez em 17 anos.

A manobra do BC pegou investidores de surpresa. Eles se aproveitavam para pegar dinheiro emprestado a juros baixos no Japão e aplicar em outros países com taxas mais altas. A diferença de juros entre um país e outro dá um lucro garantido para a operação, chamada de "carry trade".

Quando os juros subiram, a vantagem do "carry trade" diminui, e os investidores passaram a vender suas aplicações ao redor do mundo para quitar a dívida no Japão. Assim, o iene ganhou força contra moedas de outros países e as bolsas derreteram.

Nesta quarta, após os movimentos de aversão, o vice-presidente do banco central japonês Shinichi Uchida comentou que as chances de um aumento dos juros no curto prazo, acalmando as preocupações dos investidores de que um novo salto da moeda japonesa poderia novamente abalar os mercados globais.

"Como estamos observando uma forte volatilidade nos mercados financeiros nacionais e internacionais, é necessário manter os níveis atuais de afrouxamento monetário por enquanto", disse Uchida.

Já no noticiário nacional, as atenções continuaram voltadas para as últimas sinalizações de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC). Em ata divulgada no início da semana, o colegiado sinalizou que os juros podem voltar a subir caso o Comitê considere necessário para controlar a inflação.

De acordo com o BC, os movimentos recentes dos fatores que contribuem para a dinâmica da inflação, tais como as expectativas de inflação e a taxa de câmbio, com o dólar subindo fortemente nas últimas semanas, foram amplamente debatidos na reunião da semana passada, que manteve a taxa Selic em 10,50% ao ano.

"Observou-se que, se tais movimentos se mostrarem persistentes, os impactos inflacionários decorrentes podem ser relevantes e serão devidamente incorporados pelo Comitê. Em função disso, o Comitê avaliou que o momento é de acompanhamento diligente dos condicionantes da inflação e de maior vigilância perante um cenário mais desafiador", diz a ata.

Uma expectativa de juros mais altos por mais tempo ou, até mesmo, de uma alta na taxa Selic, impacta diretamente nas projeções de rendimentos dos títulos do Tesouro Direto, que passam a entregar mais rentabilidade.

Isso atrai mais investidores para o país, já que as expectativas são de uma queda nas taxas de juros americanos já na próxima reunião do Fed.

Os investidores também seguem na expectativa pela divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, considerado a inflação oficial do país), prevista para amanhã (9).

* Com informações da agência de notícias Reuters

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quarta-feira, 7 de agosto de 2024

'Golpes do PIX' podem causar perdas de R$ 3 bilhões até 2027; saiba como se proteger

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Maior parte dos golpes acontece por meio da 'engenharia social', que é quando um criminoso usa influência ou persuasão para manipular a vítima a fornecer suas senhas ou realizar transferências. Conheça as fraudes mais comuns abaixo.
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Por Isabela Bolzani, g1

Postado em 07 de agosto de 2024 às 06h30m

  Postagem -  Nº     0.864  

PIX — Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS
PIX — Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O total de perdas com golpes aplicados por meio do PIX deve ultrapassar os US$ 635,6 milhões (aproximadamente R$ 3,7 bilhões) no Brasil até 2027, indicou o Relatório de Fraude Scamscope, desenvolvido pela ACI Worldwide em parceria com a GlobalData.

São considerados "golpes do PIX" aqueles em que os criminosos coagem os usuários a realizarem uma ou mais transferências para uma conta de destino controlada por golpistas.

Normalmente, o dinheiro da vítima passa por uma — ou várias — "contas-mula", que servem para dividir e transferir os recursos, dificultando o rastreio por parte das instituições financeiras. De lá, chegam aos fraudadores ou são convertidos em ativos digitais. Veja abaixo como se proteger.

Segundo o vice-presidente global de inteligência de pagamentos e soluções de risco da ACI Worldwide, Cleber Martins, parte do que explica o crescimento desse tipo de crime é a opção dos golpistas pelo uso da engenharia social — que é quando um criminoso usa influência ou persuasão para manipular a vítima a fornecer suas senhas ou realizar transferências.

"O que vemos dos bancos é que eles têm todo o controle de quem está começando a transação, qual a conta ou o celular, por exemplo, e tudo mais. Mas o problema é que agora temos uma situação grave, onde os próprios clientes iniciam a transação", disse.

Golpe do 'PIX errado': saiba como os criminosos agem e como não ser enganado

Como a fraude acontece?

Segundo Cleber Martins, da ACI Worldwide, há dois principais caminhos para que as técnicas de engenharia social se tornem um golpe de sucesso.

São eles:

  • Convencimento — quando o criminoso tenta convencer a vítima de que aquele é um bom negócio ou que aquele pagamento precisa ser feito; e
  • Confiança herdada — quando o golpista clona WhatsApp de familiares ou amigos da vítima e pede dinheiro, por exemplo, ou se dedica a estabelecer algum vínculo de confiança com a vítima.

"Já vemos até criminosos usando inteligência artificial para ter uma conversa mais alinhada com o que a vítima espera", explicou o executivo, reiterando que o tipo de crime via confiança herdada é o que mais cresce.
Quais as principais fraudes que acontecem no Brasil?

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as principais tentativas de golpes praticadas no país com uso do PIX como meio de pagamento são:

  • 🏦 Golpe do falso funcionário de banco

Nesses casos, o fraudador entra em contato com a vítima e se passa por um falso funcionário de banco. Ele pode oferecer ajuda para que o cliente cadastre uma chave PIX ou afirmar que precisa fazer um teste para regularizar um suposto cadastro.

"Outro golpe é quando a vítima recebe um SMS falso em nome do banco sobre uma operação suspeita, solicitando que o cliente entre em contato com uma suposta central (falso '0800'), onde a vítima é levada a digitar seus dados bancários e senha", alertou a federação.

Com os dados, o golpista acessa a conta da vítima e consegue ver informações do extrato bancário — muitas vezes dando detalhes precisos das operações para ganhar a sua confiança. Depois, o criminoso fala de supostos depósitos ou transações de alto valor feitos pela conta, citando os nomes dos destinatários, desconhecidos do cliente.

"Com pretexto de regularizar a conta, o golpista, então, pede para que as operações sejam feitas para os mesmos destinatários, para cancelar ou estornar as operações. Neste momento, o golpista está induzindo a pessoa a realizar uma transação para contas associadas ao criminoso", disse a Febraban.

  • 🧾Golpe do falso recibo

Nesses casos, os fraudadores forjam um recibo do PIX em um aplicativo criminoso, utilizando de dados como conta bancária, destinatário e chave do sistema de pagamento que aparentam ser legítimos.

"Entretanto, quando o recebedor do recurso vai checar sua conta, descobre que o dinheiro nunca foi transferido e que foi vítima de um golpe", afirmou a federação.

  • 📱 Golpe do falso WhatsApp

Aqui, o criminoso envia uma mensagem pelo aplicativo de mensagens fingindo ser uma empresa em que a vítima tem cadastro. Nesses casos, os fraudadores solicitam o código de segurança, que já foi enviado por SMS pelo aplicativo, afirmando se tratar de uma atualização, manutenção ou confirmação de cadastro.

Uma vez com essa informação, os criminosos conseguem replicar a conta de WhatsApp da vítima em outro celular e passam a enviar mensagens para os contatos da pessoa, fazendo-se passar por ela e pedindo dinheiro emprestado via PIX.

  • 💻 Golpe do falso leilão

Golpistas criam sites falsos de leilão, anunciando uma série de produtos por preços bem abaixo do mercado. Depois, pedem transferências e depósitos para assegurar a compra.

"Geralmente, apelam para a urgência em fechar o negócio, dizendo que você pode perder os descontos, mas nunca entregam as mercadorias", disse a Febraban.

  • 🖱️Golpe do acesso remoto

Nesse golpe, também conhecido como "Golpe da Mão Fantasma", o fraudador pode entrar em contato com a vítima se passando por um falso funcionário de banco. Ele normalmente usa uma série de abordagens para enganar o cliente, dizendo que vai enviar um link para a instalação de um aplicativo que vai solucionar o suposto problema.

"[Os criminosos] ainda podem mandar um SMS, e-mails falsos ou links em aplicativos de mensagens que induzem o usuário a clicar em links suspeitos, que instalam um malware (um software maligno) que dará acesso a todos os dados que estão no celular", informou a federação.

Banco Central anuncia mudanças no PIX

De acordo com a pesquisa da ACI, as principais formas de golpe que acontecem no Brasil são:

  • Pedidos para fazer transferência como adiantamento do pagamento por um produto ou serviço (27%);
  • Pedidos para comprar um produto (20%);
  • Pedidos para investir em um produto ou empresa (17%);
  • Pedidos para pagar uma fatura ou saldo devedor (10%);
  • Pedidos de transferências por alguém que fingiu estar em um relacionamento romântico com a vítima (7%);
  • Pedidos de pagamentos alegando ser uma pessoa ou organização confiável, como a polícia ou o serviço postal (7%); e
  • Outros (13%).

De acordo com a pesquisa, mais de 60% das fraudes no Brasil em 2023 envolveram perdas de baixas e médias quantias — faixas de valor que são o principal alvo dos golpistas, que procuram ocultar sua atividade em meio ao volume e velocidade de transações que acontecem.

O que o sistema financeiro tem feito para prevenir fraudes?

Segundo a Febraban, os bancos têm investido de "maneira massiva" em campanhas de conscientização e esclarecimento com a população por meio de ações de marketing em TVs, rádios e redes sociais, para que o cliente possa se proteger e evitar golpes via engenharia social.

"Pare, pense e desconfie. O cliente sempre deve suspeitar quando recebe uma mensagem de algum contato dizendo estar em alguma situação de emergência", alertou o membro do Comitê de Prevenção a Fraudes da Febraban Adriano Volpini.

"Também alertamos que os dados pessoais do cliente jamais são solicitados ativamente pelas instituições financeiras, tampouco funcionários de bancos ligam para clientes para fazer testes com o PIX, testes de transações, pagamentos ou estornos de lançamentos", acrescentou.

Para Martins, da ACI, no entanto, são necessárias novas iniciativas por parte das instituições financeiras e que não dependam tanto da ação do Banco Central.

"Quanto mais dinâmico o PIX fica e quanto mais produtos você conseguir usar, maior acaba sendo o espaço também para o criminoso. Você cria oportunidades para os clientes, mas também para os fraudadores", disse.

Em junho, a Febraban e o Banco Central do Brasil (BC) iniciaram os debates para trazer melhorias no Mecanismo Especial de Devolução (MED), um recurso do PIX criado para facilitar as devoluções em casos de fraude. Veja aqui como usar o MED.

A ideia é que as melhorias aumentem as possibilidades de reaver recursos em transações feitas pela ferramenta de pagamento instantâneo. O projeto foi proposto pela federação e seu desenvolvimento deve acontecer ao longo do segundo semestre deste ano.

A implementação do sistema, batizado de MED 2.0, deve acontecer apenas no final de 2025.

"A tendência é que o PIX se torne o meio de pagamento mais seguro que já existiu, porque toda a tecnologia dele foi construída em um padrão de comunicação que permite a troca de informações e de sinais de risco durante a transação. Mas é preciso trabalhar com novas tecnologias", acrescentou Martins, da ACI. 
Como se proteger?

Mesmo em meio à maior quantidade de informação sobre prevenções à fraude, os executivos destacam, ainda, algumas dicas de como o consumidor pode se proteger. São elas:

  • Nunca realize ligações para números de telefone (0800) recebidos em SMS ou outras mensagens. Ligue sempre para o número da central de atendimento do seu banco ou para o seu gerente para confirmar transações.
  • Os bancos ligam para os clientes para confirmar transações suspeitas, mas nunca pedem informações como senhas, tokens e outros dados pessoais nessas ligações. Os bancos também nunca ligam e pedem para que clientes façam transferências, PIX ou qualquer tipo de pagamento.
  • Se for algo fácil ou bom demais, desconfie. Cuidado com o senso de urgência que os criminosos querem passar.
  • Em uma transação comercial com o uso do Pix, o recebedor sempre deve checar se o dinheiro realmente caiu em sua conta bancária para posteriormente entregar o produto da venda.
  • Habilite a opção “Verificação em duas etapas” no WhatsApp. Configure esse tipo de verificação também em outros aplicativos bancários e que contenham informações importantes.
  • Cuidado com a exposição de dados nas redes sociais, como por exemplo em sorteios e promoções que pedem número de telefone do usuário e outras informações pessoais.
  • Ao receber uma mensagem de algum contato com número novo, certifique-se de que a pessoa realmente mudou o número de telefone. Não faça PIX ou qualquer tipo de transferência até falar com a pessoa que está solicitando dinheiro.
  • Sempre pesquisa sobre a empresa de leilões em sites de reclamação e confira o CNPJ do leiloeiro. Nunca faça transações em sites que não tenham o cadeado de segurança no navegador nem transferências para contas de pessoas físicas.
  • O banco nunca contacta cliente via ligações ou mensagens e pede para que ele instale algum aplicativo. Se isso acontecer, desconfie.
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