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quarta-feira, 6 de março de 2024

Dólar volta a cair e fecha a R$ 4,94, após Powell e dados econômicos dos EUA; Ibovespa sobe

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A moeda norte-americana recuou 0,21%, cotada a R$ 4,9452. Já o principal índice de ações da bolsa de valores brasileira encerrou em alta de 0,62%, aos 128.890 pontos.
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Por g1

Postado em 06 de março de 2024 às 10h35m

             Post. N. =  0.784          

Dólar opera em baixa — Foto: Karolina Grabowska
Dólar opera em baixa — Foto: Karolina Grabowska

O dólar fechou em baixa nesta quarta-feira (6), após dados de emprego nos Estados Unidos terem vindo abaixo do esperado no relatório ADP Employment.

Investidores ainda monitoraram o discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos e repercutiram a divulgação do Livro Bege, um documento do Fed com os principais dados econômicos do país.

O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, encerrou em alta.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

Dólar

Ao final da sessão, o dólar recuou 0,21%, cotado a R$ 4,9452. Veja mais cotações.

Com o resultado, acumulou:

  • retração de 0,19% na semana;
  • queda de 0,55% no mês;
  • e avanço de 1,91% no ano.

No dia anterior, a moeda norte-americana teve alta de 0,16%, cotado a R$ 4,9556.

Ibovespa

Já o Ibovespa encerrou em alta de 0,62%, aos 128.890 pontos.

Com o resultado, acumulou quedas de:

  • 0,22% na semana;
  • 0,10% no mês;
  • e 3,95% no ano.

Na véspera, o índice teve queda de 0,19%, aos 128.098 pontos.

Entenda o que faz o dólar subir ou descer

O que está mexendo com os mercados?

Sem grandes destaques na agenda doméstica, as atenções dos investidores mais uma vez ficaram com o quadro internacional.

O Livro Bege, divulgado pelo Fed nesta quarta-feira, apontou que a atividade econômica dos Estados Unidos aumentou ligeiramente do início de janeiro até o final de fevereiro, enquanto a inflação e o mercado de trabalho apresentaram um quadro misto sobre a rapidez com que desacelerarão.

Os dados reforçam o quadro complicado para as autoridades do BC norte-americano, que buscam conter as pressões no preço.

Nesse cenário, o foco dos investidores também esteve com o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, no Congresso dos Estados Unidos.

O banqueiro central afirmou que a próximas decisões sobre quando e com que rapidez o Fed deve reduzir as taxas de juros norte-americanas serão baseadas exclusivamente em dados econômicos.

"Nosso foco é pleno emprego e a estabilidade de preços, e os dados afetam as perspectivas. São essas coisas que estaremos analisando", afirmou em seu discurso. Ele disse, no entanto, que o progresso contínuo na redução da inflação "não está garantido", fato que tem impedido que autoridades do Fed se comprometam com qualquer cronograma ou ritmo de redução de juros.

Atualmente, os juros no país estão entre 5,25% e 5,50% ao ano e há muita expectativa sobe o início dos cortes.

Antes da última reunião do Fed, muitos analistas acreditavam que a primeira redução poderia acontecer em março. Mas, com a instituição avisando que não vê espaço para um corte tão em breve, as projeções mudaram e, agora, a maioria acredita que essas reduções devem começar no meio do ano, entre junho e julho.

Nesse sentido, outro foco do dia fica com os dados de emprego do relatório ADP Employment, com números dos empregos privados nos Estados Unidos. A criação de vagas de trabalho ficou um pouco abaixo do esperado em fevereiro, com 140 mil postos de trabalho no setor privado. Em janeiro, foram 111 mil, em dado revisado para cima.

Economistas consultados pela Reuters previam abertura de 150 mil vagas no mês passado, em comparação com os 107 mil relatados anteriormente em janeiro.

Na sexta (8), sai o payroll, o mais importante relatório do mercado de trabalho do país. De acordo com uma pesquisa da Reuters com economistas, a estimativa é que o Departamento do Trabalho informe a abertura de 160 mil vagas de emprego no setor privado no mês passado, depois de 317 mil em janeiro.

A projeção ainda é que a abertura total de postos de trabalho fora do setor agrícola seja de 200 mil, contra 353 mil no mês anterior, enquanto a expectativa é que a taxa de desemprego permaneça em 3,7% e que o crescimento anual dos salários diminua de 4,5% em janeiro para 4,4%.

Esses dados são observados com atenção porque um mercado de trabalho ainda muito aquecido pode continuar gerando pressão inflacionária sobre a economia.

Por outro lado, se os números vierem abaixo do esperado ou mostrarem uma desaceleração da geração de empregos, é sinal de que as taxas elevadas estão pressionando a economia e isso pode servir de incentivo para que o Fed inicie seu ciclo de corte nos juros em breve.

*Com informações da Reuters

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terça-feira, 5 de março de 2024

Dólar fecha em alta, com expectativa por falas de Powell e dados dos EUA; Ibovespa cai

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A moeda norte-americana subiu 0,16%, cotada a R$ 4,9556. Já o principal índice de ações da bolsa de valores brasileira encerrou em queda de 0,19%, aos 128.098 pontos.
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Por g1

Postado em 05 de março de 2024 às 13h20m

             Post. N. =  0.783          

Notas de 1 dólar — Foto: Rafael Holanda/g1
Notas de 1 dólar — Foto: Rafael Holanda/g1

O dólar fechou em alta nesta terça-feira (5), após passar boa parte da sessão oscilando entre altas e baixas. Investidores seguem à espera de pistas sobre a decisão de juros nos Estados Unidos e na Europa.

Na agenda da semana, as expectativas são pelos dados de emprego norte-americanos e pelas falas do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, que deve discursar no Congresso do país nos próximos dias.

O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, encerrou em queda.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

Dólar

Ao final da sessão, o dólar avançou 0,16%, cotada a R$ 4,9556. Veja mais cotações.

Com o resultado, acumulou:

  • alta de 0,02% na semana;
  • queda de 0,34% no mês;
  • e avanço de 2,12% no ano.

Na véspera, a moeda norte-americana teve queda de 0,15%, cotado a R$ 4,9475.

Ibovespa

Já o Ibovespa encerrou em queda de 0,19%, aos 128.098 pontos.

Com o resultado, acumulou quedas de:

  • 0,84% na semana;
  • 0,71% no mês;
  • e 4,54% no ano.

Na véspera, o índice teve queda de 0,65%, aos 128.341 pontos.

Entenda o que faz o dólar subir ou descer

O que está mexendo com os mercados?

Na agenda de indicadores desta terça-feira, o Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) informou que o crescimento do setor de serviços dos Estados Unidos desacelerou em fevereiro, para 52,6, após ter atingido 53,4 em janeiro. A estimativa dos analistas era que o índice ficasse em 53,0.

Apesar da queda, no entanto, uma leitura acima de 50 indica crescimento no setor de serviços, que responde por mais de dois terços da economia no país.

Além disso, o Departamento do Comércio norte-americano divulgou que as novas encomendas de bens fabricados no país também caíram mais do que o esperado, pressionados por uma queda acentuada nos pedidos de aeronaves comerciais. A demanda por computadores e produtos eletrônicos, por outro lado, acelerou.

Esses dados paralelos de atividade e confiança, no entanto, são apenas coadjuvantes do interesse real do mercado, que é o rumo das taxas de juros nos EUA. Para isso, as expectativas seguem voltadas para os dados de empregos que devem sair nos próximos dias.

Na quarta-feira (6), sai o relatório ADP, com números dos empregos privados nos Estados Unidos, enquanto na sexta (8) tem o payroll, o mais importante relatório do mercado de trabalho do país.

Esses dados são observados com atenção, principalmente em um momento em que as taxas de juros americanas já estão os maiores patamares em décadas — entre 5,25% e 5,50% ao ano. Isso porque um mercado de trabalho ainda muito aquecido pode continuar gerando pressão inflacionária sobre a economia.

Por outro lado, se os números vierem abaixo do esperado ou mostrarem uma desaceleração da geração de empregos, é sinal de que as taxas elevadas estão pressionando a economia e isso pode servir de incentivo para que o Fed inicie seu ciclo de corte nos juros em breve.

Ainda no cenário de juros, o presidente do Fed, Jerome Powell, deve falar no Congresso americano na quarta e quinta-feira (7). Investidores aguardam o discurso, à espera de mais sinalizações sobre quando os cortes nas taxas devem começar.

Na Europa, o BCE anuncia sua decisão sobre as taxas de juros também na quinta-feira. A expectativa é que a instituição mantenha os juros no nível recorde de 4%, mas é provável que reduza sua perspectiva para a inflação, em um aceno para eventuais cortes.

Na China, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, anunciou na terça-feira uma meta ambiciosa de crescimento econômico para 2024, de cerca de 5%, prometendo medidas para transformar o modelo de desenvolvimento do país e neutralizar os riscos alimentados por incorporadoras imobiliárias falidas e cidades endividadas.

Ao estabelecer uma meta de crescimento semelhante à do ano passado, que será mais difícil de ser alcançada, já que a recuperação pós-Covid está perdendo força, Pequim sinaliza que está priorizando o crescimento em detrimento de quaisquer reformas, mesmo com Li prometendo novas políticas ousadas, disseram analistas.

"É mais difícil atingir 5% este ano do que no ano passado porque o número base ficou mais alto, indicando que os principais líderes estão comprometidos em apoiar o crescimento econômico", afirmou Tao Chuan, analista-chefe de macro da Soochow Securities à agência Reuters.

O crescimento irregular do ano passado evidenciou os profundos desequilíbrios estruturais da China, desde o fraco consumo das famílias até os retornos cada vez mais baixos sobre os investimentos, o que levou a pedidos de um novo modelo de crescimento.

Na agenda interna, o boletim Focus mostra que os economistas do mercado financeiro elevaram a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, ao mesmo tempo em que reduziram as expectativas de inflação para 2024.

Para este ano, a estimativa de crescimento da economia brasileira subiu de 1,75% para 1,77%. Já para 2025, a previsão de alta do PIB do mercado financeiro ficou estável em 2%.

Para o comportamento da inflação, os analistas das instituições financeiras baixaram a expectativa para 2024 – que recuou de 3,80% para 3,76%. Para 2025, a estimativa de inflação ficou estável em 3,51% na última semana.

Outro destaque para os preços ao produtor, que recuaram 0,31% em janeiro, no terceiro mês seguido de deflação, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

O resultado levou o índice acumulado em 12 meses a uma retração de 5,56%. No mês anterior, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) havia caído 0,20%. Entre as 24 atividades analisadas, o IBGE apontou que somente oito tiveram queda de preços na comparação mensal.

"Esta sequência de resultados negativos do IPP vem após uma série de três meses seguidos de altas, entre agosto e outubro do ano passado. Apesar do índice de -0,31% em janeiro, não há uma queda disseminada por toda a indústria, pois 15 setores tiveram aumento de preços", destacou Murilo Alvim, analista do índice.

As maiores influências no resultado de janeiro partiram de refino de petróleo e biocombustíveis (-0,51 ponto percentual), indústrias extrativas (0,23 p.p.), alimentos (-0,18 p.p.) e metalurgia (0,07 p.p.). O setor de refino de petróleo e biocombustíveis apresentou queda no mês de (4,77%), marcando a segunda variação negativa seguida.

Já o setor de alimentos apresentou queda de 0,74% dos preços em janeiro, após quatro resultados positivos consecutivos. De acordo com o analista do IBGE, isso se deve a preços menores do açúcar e dos derivados de soja. Considerando as grandes categorias econômicas, bens de capital tiveram alta de 0,55% em janeiro, bens intermediários recuaram 0,88% e bens de consumo subiram 0,37%.

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Jeff Bezos volta a ser o homem mais rico do mundo em lista da Bloomberg, desbancando Elon Musk

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A diferença de riqueza entre Bezos e Musk já chegou a ser de US$ 142 bilhões, mas a trajetória das ações da Amazon e Tesla se movem em direções opostas.
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Por g1

Postado em 05 de março de 2024 às 12h30m

             Post. N. =  0.782          

Jeff Bezos sofreu perdas bilionárias após prejuízo da Amazon — Foto: Paul Ellis/Pool Photo via AP
Jeff Bezos sofreu perdas bilionárias após prejuízo da Amazon — Foto: Paul Ellis/Pool Photo via AP

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, voltou a ser o homem mais rico do mundo, segundo cálculo do índice de bilionários da Bloomberg. Ele desbancou o fundador da Tesla, Elon Musk, que passou nove meses na primeira posição do ranking.

Bezos chegou a uma fortuna de US$ 200 bilhões, enquanto Musk viu seu patrimônio cair a US$ 197,7 bilhões após um tombo de 7,2% no valor de mercado da Tesla nesta segunda-feira (4).

A Bloomberg destaca que a diferença de riqueza entre Bezos e Musk já chegou a ser de US$ 142 bilhões, mas a trajetória das ações da Amazon e Tesla se movem em direções opostas. Desde o fim de 2022, as ações da Amazon mais do que duplicaram, e estão próximas da máxima histórica. Por outro lado, a Tesla teve desvalorização de 50% em relação ao pico, em novembro de 2021.

O momento é tão bom para a Amazon que o próprio Bezos chegou a se desfazer de cerca de US$ 8,5 bilhões em ações da empresa. Ainda assim, a parte mais relevante de seu patrimônio é a fatia de 9% na varejista.

​Quem completa o pódio da Bloomberg é o francês Bernard Arnault, presidente do grupo de luxo LVMH. com patrimônio na casa dos US$ 197 bilhões. Na lista de bilionários da Forbes, que adota outra metodologia de cálculo de riqueza, a fortuna de Arnault passa dos US$ 220 bilhões — o que faz dele o homem mais rico do mundo.

Veja abaixo a lista de bilionários da Bloomberg

  1. Jeff Bezos: US$ 200 bilhões
  2. Elon Musk: US $198 bilhões
  3. Bernard Arnault: US$ 197 bilhões
  4. Mark Zuckerberg: US$ 179 bilhões
  5. Bill Gates: US$ 150 bilhões
  6. Steve Ballmer: US$ 143 bilhões
  7. Warren Buffett: US$ 133 bilhões
  8. Larry Ellison: US$ 129 bilhões
  9. Larry Page: US$ 122 bilhões
  10. Sergey Brin: US$ 116 bilhões

Veja que são os bilionáris que mais enriqueceram em 2023

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domingo, 18 de fevereiro de 2024

Despesas com juros no Orçamento de 2023 superaram Saúde, Educação e Assistência Social juntos, diz governo

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Gastos com juros foram superados somente pelas despesas com o pagamento de aposentados, pensionistas em 2023. Secretário da ONU, António Guterres, pediu reformas da arquitetura financeira global.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 18 de fevereiro de 2024 às 07h05m

             Post. N. =  0.781           

As despesas com juros superaram os gastos juntos, em 2023, dos Ministérios da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento e Assistência Social -- responsável pelo Bolsa Família.

Os números, que incluem o pagamento de servidores de cada ministério, foram obtidos no Painel do Orçamento, alimentado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, e também nas estatísticas das contas públicas divulgadas pelo Banco Central.

Segundo informações oficiais, as despesas pagas pelo Ministério da Saúde somaram R$ 170,26 bilhões no ano passado, enquanto aquelas dos Ministérios da Educação e do Desenvolvimento Social, respectivamente, totalizaram R$ 142,57 bilhões e R$ 265,291 bilhões. Um total de R$ 578,13 bilhões.

As despesas com juros da dívida pública do Governo Central somaram R$ 614,55 bilhões em 2023, contra R$ 503 bilhões em 2022. Elas perderam apenas para o Ministério da Previdência Social - responsável pelo pagamento dos benefícios de aposentados, pensionistas e de programas sociais, como o BPC, que totalizaram R$ 861,6 bilhões no último ano.

GASTOS EM 2023
EM R$ BILHÕES
861,56861,56578,13578,13614,55614,55PREVIDÊNCIASAÚDE, EDUCAÇÃO E…JUROS DA DÍVIDA P…01000250500750
Fonte: MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO E BANCO CENTRAL

Contas públicas têm rombo de quase R$ 250 bilhões

Críticas aos juros altos

O patamar da taxa de juros brasileira, que eleva o volume de despesas com juros, foi criticado durante boa parte do primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva pelo próprio presidente da República, assim como por ministros da área econômica.

As críticas começaram a cessar somente quando o Banco Central, autônomo e com diretores com mandato fixo, iniciou em agosto de 2023 o ciclo de corte de juros.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, argumentou, abril do último ano, que a taxa de juros é alta no Brasil por conta do atual nível de endividamento, e não o contrário.

"Na parte dos juros, a gente não pode confundir causa e efeito. A dívida não e alta porque os juro é alto. É o contrário, o juro é alto porque a dívida é alta. Quando você endividado vai ao banco, e o banco faz uma análise que você é endividado e não paga a dívida, o juro é alto", declarou ele, na ocasião.

Em junho do ano passado, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, calculou que se a taxa básica de juros estivesse em 10% ao ano, em vez dos 13,75% ao ano que vigoravam naquele momento, a economia nos gastos com juros da dívida pública permitiria o pagamento anual de quase um Bolsa Família. O orçamento do Bolsa Família é de cerca de R$ 170 bilhões por ano.

Gastos com juros

O Banco Central lembra que, dentro das despesas classificadas como "juros" da dívida pública, não estão somente gastos com a Selic propriamente dita.

Isso porque, além da taxa básica da economia, também há outros indexadores que impactam na despesa com juros, como, por exemplo, a inflação. Se a inflação sobe, também aumenta a despesa com juros, e vice-versa.

Além disso, existem ainda operações com derivativos, que o BC executa pontualmente para conter uma eventual pressão sobre a taxa de câmbio. Tendo por base o passivo dessas operações, quando o dólar sobe, o BC perde, e quando a moeda norte-americana cai, ganha. O resultado também é incorporado aos gastos com juros.

Na semana passada, o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, explicou que, apesar da queda da inflação e do início dos cortes dos juros em agosto de 2023, as despesas com juros subiram porque a taxa Selic começou a recuar mais para o fim do ano.

"Quando a gente for ver a Selic que conta, tem de ver a Selic efetiva. Se tem uma que cresce ao longo do ano, a média vai estar em algum ponto intermediário. Ficou muito tempo parada [em 13,75% ao ano, até agosto de 2023], e depois começou a diminuir. A gente pega a Selic efetiva diária", disse Fernando Rocha, do BC.

Além disso, ele lembrou que o estoque (volume total) da dívida também estava maior durante o ano de 2023 do que em 2022, pressionando as despesas com juros, e que os ganhos do BC nas operações de derivativos foram menores no último ano.

Organização das Nações Unidas

Nesta semana, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que os países em desenvolvimento enfrentam custos de empréstimos até oito vezes mais altos do que os países desenvolvidos, o que ele classificou como uma "armadilha da dívida".

"E um em cada três países do mundo está agora em alto risco de uma crise fiscal. Quase metade das pessoas em situação de extrema pobreza vivem em países com graves problemas de endividamento", acrescentou, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, por meio de rede social.

De acordo com a entidade, cerca de 4️0% dos países em desenvolvimento sofrem com "graves problemas de endividamento", com dificuldades para financiar o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

"Está claro que os problemas sistêmicos de financiamento para o desenvolvimento sustentável exigem uma solução sistêmica: reformas da arquitetura financeira global", acrescentou Guterres.

Para a ONU, aumentar o financiamento para o Desenvolvimento Sustentável exigirá "abordagens inovadoras, decisões políticas ousadas e novas fontes de financiamento".

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