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terça-feira, 5 de maio de 2026

Dólar cai a R$ 4,91 e tem menor valor em mais de dois anos, com ata do Copom e conflito no Irã

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Moeda americana caiu 1,12%, cotada a R$ 4,9121. A bolsa encerrou em alta de 0,62%, aos 186.754 pontos.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 05 de Maio de 2.026 às 11h00m
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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar caiu 1,12% nesta terça-feira (5), cotado a R$ 4,9121, o menor valor desde 26 de janeiro de 2024 (R$ 4,9105). O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em alta de 0,62%, aos 186.754 pontos.

▶️ O Banco Central divulgou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que detalha a decisão de reduzir a taxa básica de juros de 14,75% para 14,50% ao ano. Segundo o BC, a guerra no Oriente Médio elevou as projeções de inflação para o ano, mas não deve interromper a trajetória de queda dos juros.

▶️ O mercado também avalia o impasse entre Estados Unidos e Irã, que mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz e pressiona os preços do petróleo. Por volta das 17h, o barril Brent (referência internacional) caía 3,74%, cotado a US$ 110,16.

▶️ Na bolsa, o destaque foi a Ambev, com alta de mais de 15% — segunda maior alta em um dia desde a criação da companhia em 1999. A empresa reportou lucro líquido de R$ 3,9 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a companhia, o resultado foi impulsionado pelo Carnaval no Brasil.

Além disso, o presidente-executivo da empresa, Carlos Lisboa, afirmou que o ano deve ser positivo para o setor, impulsionado pela sequência de feriados prolongados e pela Copa do Mundo.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,80%;
  • Acumulado do mês: -0,80%;
  • Acumulado do ano: -10,51%.
📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: -0,30%;
  • Acumulado do mês: -0,30%;
  • Acumulado do ano: +15,91%.
Resultado da Ambev

A Ambev divulgou mais cedo lucro líquido de R$ 3,89 bilhões no primeiro trimestre, além da distribuição de cerca de R$ 700 milhões em juros sobre capital próprio, a serem pagos até dezembro.

Analistas do Itaú BBA afirmaram mais cedo que a Copa pode sustentar o momento positivo da Ambev e que a melhora dos fundamentos neste ano pode destravar o potencial de valorização das ações da companhia.

O desempenho da companhia nos três primeiros meses de 2026 ocorre após a empresa ter citado, no fim do ano passado, problemas com o clima desfavorável ao consumo de cerveja como um dos principais fatores de preocupação.

Lisboa afirmou nesta terça-feira, durante conferência com analistas sobre os resultados, que a companhia espera um arrefecimento de custos a partir do segundo trimestre e que está confiante no cumprimento das estimativas para as operações de cerveja no Brasil ao longo deste ano.

A Ambev projeta crescimento do custo dos produtos vendidos por hectolitro da operação de cerveja no Brasil entre 4,5% e 7,5% em 2026, excluindo depreciação, amortização e o marketplace do grupo.

Tensão no Oriente Médio

A frágil trégua na guerra no Oriente Médio está ameaçada nesta terça-feira (5), um dia após Estados Unidos e Irã trocarem agressões no Golfo Pérsico, em meio à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou em uma postagem nas redes sociais nesta terça-feira que as violações do cessar-fogo de quatro semanas pelos EUA "e seus aliados" colocaram em risco o transporte marítimo e o fluxo de energia pela hidrovia.

Apesar da declaração, foi Teerã quem fechou o Estreito de Ormuz e atacou navios comerciais durante a guerra.

"Sabemos bem que a continuação da situação atual é insuportável para os Estados Unidos, enquanto nós ainda nem começamos", afirmou Qalibaf.

As Forças Armadas dos EUA informaram na segunda-feira que destruíram seis pequenos barcos iranianos, além de mísseis de cruzeiro e drones, após o presidente Donald Trump enviar a Marinha para escoltar navios-tanque retidos no estreito, em uma operação chamada de "Projeto Liberdade".

A tensão no mar e nas declarações continuou na tarde desta terça-feira, quando Trump fez novas ameaças ao Irã e disse que o país "será varrido da face da Terra" caso ataque navios dos EUA. A fala foi dada em entrevista à emissora americana Fox News.

O republicano também afirmou, na Truth Social, que o Irã atacou embarcações de países não relacionados à operação militar liderada pelos EUA no Estreito de Ormuz, incluindo um cargueiro sul-coreano.

Talvez seja hora de a Coreia do Sul vir e se juntar à missão, escreveu Trump ao comentar o episódio.

Segundo o presidente, além do navio sul-coreano, não houve danos a outras embarcações que passaram pelo estreito até o momento.

Mercados globais

Os mercados globais operavam alta nesta terça-feira, mesmo com o aumento das tensões no Oriente Médio.

Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta. O Dow Jones subiu 0,73%, o S&P 500 avançou 0,81% e o Nasdaq tinha ganho de 1,03%.

Na Europa, o movimento também foi de recuperação. O Stoxx 600 fechou em alta de 0,7%, após registrar, na véspera, sua maior queda em um mês.

Entre as principais bolsas, o CAC 40, de Paris, avançou 1,08% e o DAX, de Frankfurt, teve alta de 1,71%, enquanto o FTSE 100, de Londres, seguiu na contramão, e fechou em queda de 1,40%.

Na Ásia, os mercados da China, Japão e Coreia do Sul permaneceram fechados por conta de feriados locais, o que reduz o volume de negociações na região.

Dólar opera em baixa — Foto: Freepik
Dólar opera em baixa — Foto: Freepik

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Salão de Pequim: conheça o GAC Aion UT, lançamento confirmado para o Brasil

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Modelo é hatch 100% elétrico que chega ao país já nas próximas semanas, com objetivo de rivalizar com o BYD Dolphin GS.
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Por André Fogaça, g1 — Pequim, China

Postado em 04 de Maio de 2.026 às 07h00m
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GAC Aion UT — Foto: divulgação/GAC
GAC Aion UT — Foto: divulgação/GAC

A GAC revelou ao g1, durante o Salão do Automóvel de Pequim, que o próximo veículo a ser lançado no Brasil será o Aion UT. O modelo é um hatchback totalmente elétrico e deve ser anunciado oficialmente no país nas próximas semanas.

O Aion UT chega com a missão de disputar espaço com o BYD Dolphin, atualmente o segundo carro elétrico mais vendido do Brasil, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

No ranking da ABVE, o modelo teve 4.577 unidades emplacadas no primeiro trimestre de 2026. A liderança é do Dolphin Mini, com 14.767 registros no mesmo período.

Na comparação com o Dolphin GS — e não com a versão Plus —, o modelo da GAC é 15 centímetros mais comprido, com 4,27 metros de comprimento, ante 4,12 metros do concorrente. A distância entre os eixos, que influencia diretamente no espaço interno, também é 5 centímetros maior.

GAC Aion UT com adesivos e acessórios vendidos na China — Foto: André Fogaça/g1
GAC Aion UT com adesivos e acessórios vendidos na China — Foto: André Fogaça/g1

(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)

Com isso, o Aion UT oferece mais espaço para os passageiros e para a bagagem: são 440 litros de porta-malas, contra 250 litros do Dolphin GS.

A GAC ainda não informou quais serão o motor e as versões do Aion UT no Brasil. A fabricante adiantou apenas que o modelo passará por adaptações para o mercado nacional, como já aconteceu com o GS3, que recebeu uma central multimídia maior por aqui em relação à versão vendida na China.

Na China, o Aion UT é oferecido com duas opções de motor. A mais potente entrega 204 cv, enquanto a segunda é mais simples, com 136 cv. Ainda assim, mesmo a versão menos potente supera os 95 cv do Dolphin GS.

A configuração mais potente do Aion UT, portanto, fica no mesmo nível dos 204 cv do Dolphin Plus, versão topo de linha da BYD.

Em relação à bateria, também há duas opções para o mercado chinês. A versão menor tem 44,1 kWh, enquanto a maior chega a 60 kWh. O Aion UT conta ainda com a tecnologia V2L, que permite usar a energia do carro para alimentar outros equipamentos, como uma TV, um ventilador, iluminação ou até um videogame.

No interior, o Aion UT segue a tendência dos carros chineses ao oferecer uma lista generosa de equipamentos. Entre os destaques estão a central multimídia de 14,6 polegadas, o painel de instrumentos digital de 8 polegadas e o uso de materiais macios ao toque, que reduzem a presença de plástico rígido.

GAC Aion UT — Foto: André Fogaça/g1
GAC Aion UT — Foto: André Fogaça/g1

O modelo também traz sistemas de assistência ao motorista, como controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência e carregador de celular por indução. Por outro lado, repete um ponto negativo comum em carros chineses: a concentração de muitos comandos na central multimídia e a ausência de alguns botões físicos no volante.

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domingo, 3 de maio de 2026

'Visto de Ouro' de Trump para atrair estrangeiros ricos é um fracasso

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Programa que prevê residência nos EUA para quem pagar US$ 1 milhão só atraiu 338 interessados – e só uma pessoa pagou o valor até o momento. Ao lançar programa em 2025, Casa Branca esperava arrecadar US$ 1 trilhão.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 03 de Maio de 2.026 às 16h30m
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O presidente dos EUA, Donald Trump,  participa de um evento na Flórida, EUA, em 1º de maio de 2026. — Foto: REUTERS/Nathan Howard
O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de um evento na Flórida, EUA, em 1º de maio de 2026. — Foto: REUTERS/Nathan Howard

O número de candidatos ao visto "Gold Card" (Cartão de Ouro), lançado pelo presidente Donald Trump para atrair milionários para os EUA, tem ficado muito aquém das expectativas do governo americano. Muito aquém mesmo.

Anunciado em fevereiro de 2025 e colocado em prática em setembro, o programa prevê que estrangeiros desembolsem US$ 1 milhão para assegurar uma permissão de residência acelerada nos EUA.

No entanto, sete meses depois da implementação, o programa só atraiu 338 interessados.

E, entre essas 338 pessoas, segundo números do governo dos EUA, apenas 165 pagaram a taxa inicial de processamento de US$ 15 mil. Destas, 59 avançaram para uma etapa subsequente de preenchimento de dados e análise do formulário pelo governo.

E, no final de abril, só uma pessoa havia efetivamente desembolsado US$ 1 milhão e sido aprovada para o "visto de ouro".

Isso foi admitido no fim de abril pelo secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, durante uma sabatina no Congresso.

A realidade exposta na sabatina contrastou com declarações anteriores de Lutnick. No início do ano passado, o secretário chegou a alardear um potencial de venda de 200 mil vistos. Posteriormente, em junho, ele afirmou que o programa já havia atraído "70 mil interessados".

Há um ano, Lutnick também afirmou que o Gold Card poderia arrecadar US$ 1 trilhão em receita e que ajudaria a "equilibrar o Orçamento" dos EUA. A dívida pública do país é de US$ 31,3 trilhões.

Mesmo diante de números muito distantes dos propagandeados no lançamento do programa, Lutnick tentou demonstrar satisfação com os resultados do programa durante a sabatina no Congresso. Embora apenas uma pessoa tenha sido aprovada, "há centenas na fila que estão sendo analisadas", disse Lutnick.

"Desbloqueie a vida na América"

O Gold Card visa substituir o EB-5, um programa que existia há décadas e que oferecia vistos americanos para pessoas que investissem cerca de US$ 1 milhão em uma empresa com pelo menos 10 funcionários. O programa de Trump também prevê que empresas paguem US$ 2 milhões para garantir a residência de um funcionário estrangeiro, juntamente com uma taxa de manutenção anual de 1%.

O site governamental do programa exibe o slogan "Desbloqueie a vida na América" e passa longe do princípio da impessoalidade: logo no topo há uma imagem de um cartão dourado que mostra o semblante de Trump, ao lado de uma águia, a Estátua da Liberdade e a assinatura do presidente.

O site também anuncia os planos de um futuro "Cartão Platina Trump" no valor US$ 5 milhões, que prevê que seu titular possa "passar até 270 dias nos EUA sem estar sujeito a impostos americanos sobre renda obtida fora dos EUA".

Não há ricos suficientes no mundo para o Gold Card

Embora Trump tenha focado sua campanha presidencial na promessa de deportação de imigrantes sem status legal, o republicano se mostrou mais favorável à imigração de pessoas de alta renda para os EUA, algo que o programa do visto dourado poderia facilitar. "Pessoas ricas virão para o nosso país comprando este cartão", disse Trump no ano passado. "Serão pessoas ricas e bem-sucedidas, que gastarão muito dinheiro, pagarão muitos impostos e empregarão muitas pessoas."

No entanto, uma reportagem de abril da revista americana Fortune, apontou que mesmo antes da implementação do programa já existiam dúvidas sobre sua viabilidade e as projeções mirabolantes de arrecadação simplesmente porque não existem tantos ricos no mundo interessados em viver nos EUA.

A reportagem cita dados da consultoria Knight Frank, que estima que existam cerca de 713 mil pessoas no mundo classificadas como indivíduos com patrimônio líquido ultra-elevado (UHNWIs, na sigla em inglês), ou pessoas com patrimônio superior a US$ 30 milhões, o público-alvo do programa de visto dourado de Trump. Só que destas, mais de 40% já vivem na América do Norte.

Imagem 'cartão ouro' da imigração americana, uma versão do 'green card' que custa um milhão de dólares. — Foto: Reprodução/trumpcard.gov
Imagem 'cartão ouro' da imigração americana, uma versão do 'green card' que custa um milhão de dólares. — Foto: Reprodução/trumpcard.gov 

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sábado, 2 de maio de 2026

O paradoxo da Noruega, país que ganha bilhões com aumento do petróleo mas o consome cada vez menos

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O próspero país nórdico tem uma das redes de energia menos poluentes do mundo, mas ganha muito dinheiro com a exportação de combustíveis fósseis.
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TOPO
Por BBC
02/05/2026 04h00 
Postado em 02 de Maio de 2.026 às 06h00m
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A Noruega produz e exporta petróleo e gás, mas seu consumo interno é baseado principalmente na energia limpa. — Foto: GETTY IMAGES
A Noruega produz e exporta petróleo e gás, mas seu consumo interno é baseado principalmente na energia limpa. — Foto: GETTY IMAGES

Noruega é considerada um dos países mais verdes do mundo.

As bicicletas são onipresentes nas suas cidades, 98% da sua eletricidade provém de fontes renováveis e nove em cada 10 carros novos vendidos em 2024 foram veículos elétricos.

Noruega é também o país membro da Agência Internacional de Energia em que a eletricidade representa a maior proporção do consumo total de energia. E foi um dos primeiros a criar impostos sobre as emissões de carbono.

Mas, ao mesmo tempo, o país não deixa de aumentar sua produção de gás e petróleo e exportar massivamente os combustíveis fósseis contaminantes.

Esses recursos representam a maior fonte de receita do Estado norueguês e formam o pilar do famoso fundo soberano, o chamado "Fundo do Petróleo", que garante a solvência do generoso sistema de aposentadorias e bem-estar do país.

Essa contradição entre a descarbonização interna e seu papel como grande exportador global de combustíveis fósseis é conhecida como "paradoxo norueguês" e gera, há anos, um intenso debate político e social.

De um lado, grupos ambientalistas e jovens ativistas exigem compromissos concretos e um calendário para reduzir a atividade petrolífera. Do outro, o setor do petróleo e gás defende sua importância para a economia e as centenas de milhares de empregos gerados por ele.

A guerra no Oriente Médio e o aumento dos preços globais do petróleo e gás causado pelo bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz geraram enormes e inesperados benefícios para a Noruega, mas também reabriram um dos seus debates internos mais incômodos.

"Para um ambientalista norueguês como eu, é claro que essa é uma situação vergonhosa", declarou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBCo presidente da associação ecologista Amigos da Terra Noruega, Truls Gulowsen.

Importância estratégica

Noruega é um dos países mais desenvolvidos do mundo, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas. E o setor de energia é a sua principal fonte de riqueza.

As exportações do setor representam mais de 60% do total dos produtos vendidos para o exterior e somam mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIBnacional.

O Estado mantém participação majoritária no conglomerado Equinor, o principal operador da plataforma continental norueguesa, e destina a maior parte dos seus benefícios ao fundo soberano.

No final de 2025, o fundo contava com ativos no valor estimado de US$ 1,9 trilhão (cerca de R$ 9,4 trilhões), o equivalente a US$ 350 mil (R$ 1,7 milhão) por cidadão do país.

As exportações de petróleo e gás desempenham papel fundamental na economia da próspera Noruega — Foto: KRISTIAN HELGESEN/GETTY IMAGES
As exportações de petróleo e gás desempenham papel fundamental na economia da próspera Noruega — Foto: KRISTIAN HELGESEN/GETTY IMAGES

No contexto atual de 2026, as tensões no Oriente Médio indicam que esses números continuarão aumentando.

O Estado norueguês recebeu US$ 5 bilhões (cerca de R$ 24,7 bilhões) a mais desde o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. E a Bolsa de Valores da capital norueguesa, Oslo, bateu recordes graças às companhias locais do setor de energia.

O governo trabalhista tentou neutralizar a ideia de que o país que concede o Prêmio Nobel da Paz vem enriquecendo com os transtornos da guerra.

O ministro das Finanças norueguês e ex-secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, destacou que esse é um paradoxo, já que a Noruega "se beneficia mais da paz".

Mas, como afirmou a colunista da rede pública norueguesa de rádio e televisão NRK, Cecilie Langum Becker, "a dura realidade é que, quando o mundo está em chamas, o dinheiro flui para o nosso orçamento estatal".

Essa dinâmica já havia ficado clara em 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia reduziu drasticamente as exportações de Moscou para a Europa. Desde então, a Noruega surgiu como o último fornecedor confiável de um continente assolado pela crise energética.

"Fornecemos, hoje, cerca de 30% do gás e 15% do petróleo que é consumido na Europa, para onde enviamos 90% das nossas exportações", explica à BBC a analista Thina Saltvedt, da empresa financeira Nordea.

O debate sobre as exportações de combustíveis fósseis está presente na Noruega há anos. — Foto: PAUL S. AMUNDSEN/GETTY IMAGES
O debate sobre as exportações de combustíveis fósseis está presente na Noruega há anos. — Foto: PAUL S. AMUNDSEN/GETTY IMAGES

A descarbonização

Apesar das suas jazidas petrolíferas, a Noruega possui, há décadas, uma das infraestruturas mais limpas da Europa, graças à sua rede hidrelétrica.

Em 1991, o governo norueguês criou um imposto ao carbono, para promover a energia limpa. Em 2005, incentivos transformaram o país no líder mundial em carros elétricos. E, em 2017, o Parlamento da Noruega aprovou a Lei do Clima, para reduzir as emissões em 50% até 2030.

Mas o atual contexto internacional parece ter freado esta tendência.

Os conflitos na Ucrânia e no Irã obrigaram até mesmo os partidos mais "verdes" a aceitar que o gás norueguês é um "mal necessário" para a segurança energética da Europa.

Para Gulowsen, a narrativa dominante, agora, é que a instabilidade global justifica a aposta nos hidrocarbonetos.

"Fala-se em abrir áreas em águas profundas do Ártico, que são ambientes vulneráveis onde não deveria haver exploração, em nenhuma hipótese."

O governo norueguês quer continuar desenvolvendo a indústria petrolífera e aprovou novas licenças de exploração. — Foto: CHRIS RATCLIFFE/GETTY IMAGES
O governo norueguês quer continuar desenvolvendo a indústria petrolífera e aprovou novas licenças de exploração. — Foto: CHRIS RATCLIFFE/GETTY IMAGES

O que acontecerá agora?

O governo do primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, ofereceu recentemente 57 novas licenças de exploração.

"Continuaremos buscando mais petróleo para fornecer à Europa, prometeu Støre. Ele aposta no "desenvolvimento" da indústria, em vez de estabelecer "fases de saída".

Apesar da pressão dos setores mais jovens do seu partido, Støre não tem intenção de defender um calendário de abandono. Pelo contrário, ele aposta na zona menos explorada do país (o mar de Barentspara compensar a queda das jazidas atuais.

Frode Alfheim, do sindicato Industri Energi, relembrou à BBC News Mundo a importância social do setor.

"Estamos falando de mais de 200 mil postos de trabalho diretos", destaca ele. "Não é o momento de deixar a Europa sem fornecimento."

Já Saltvedt conclui com uma advertência.

"Cada vez mais pessoas se dão conta de que há um pôr do sol no horizonte. Mas será doloroso."

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