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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

IPCA-15: preços sobem 0,25% em dezembro e fecham o ano com alta de 4,41%

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A prévia da inflação indica que o IPCA deve encerrar o ano dentro do intervalo da meta do Banco Central, fixada em 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.
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Por Janize Colaço, g1 — São Paulo

Postado em 23 de Dezembro de 2.025 às 10h00m
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IPCA-15 fecha 2025 em 4,41%, dentro da meta da inflação
IPCA-15 fecha 2025 em 4,41%, dentro da meta da inflação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, foi de 0,25% em dezembro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com a alta registrada em dezembro, o IPCA-15 fecha o ano com inflação acumulada de 4,41%, ainda dentro do intervalo da meta definida pelo Banco Central. No mesmo mês de 2024, o índice havia subido 0,34%.

O resultado vem 0,05 ponto percentual (p.p.) acima do registrado em novembro, quando o índice avançou 0,20%. Além disso, a variação ficou levemente abaixo das projeções do mercado, que apontavam avanço de 0,27% no mês e inflação de 4,43% no acumulado de 12 meses.

Dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA-15, sete registraram aumento de preços em dezembro. O maior avanço e também o maior impacto sobre o índice vieram do grupo Transportes, que subiu 0,69% no mês e respondeu por 0,14 ponto percentual do resultado total.

Em sentido oposto, o grupo Artigos de Residência apresentou queda de 0,64%, retirando 0,02 ponto percentual do índice, e acumulou a quarta redução consecutiva nos preços médios.

Entre os demais grupos, as variações foram mais moderadas: Saúde e Cuidados Pessoais teve leve recuo de 0,01%, enquanto Vestuário registrou alta de 0,69%, a maior depois de Transportes.

Veja abaixo a variação dos grupos em dezembro:

  • Alimentação e bebidas: 0,13%
  • Habitação: 0,17%
  • Artigos de residência: -0,64%
  • Vestuário: 0,69%
  • Transportes: 0,69%
  • Saúde e cuidados pessoais: -0,01%
  • Despesas pessoais: 0,46%
  • Educação: 0,00%
  • Comunicação: 0,01%

O que influenciou a prévia da inflação em dezembro?

No grupo Transportes, o principal impacto individual sobre o índice veio das passagens aéreas. Os preços subiram 12,71% no mês, o que respondeu por 0,09 ponto percentual do resultado total da inflação — ou seja, quase dois terços da contribuição do grupo.

transporte por aplicativo também pesou no índice, com aumento de 9,00% e impacto de 0,02 ponto percentual.

Os combustíveis, por sua vez, tiveram alta média de 0,26%, após terem recuado 0,46% em novembro. Dentro do grupo, o etanol subiu 1,70% e a gasolina avançou 0,11%. Em sentido contrário, o gás veicular apresentou queda de 0,26% e o óleo diesel recuou 0,38%, o que ajudou a conter uma alta ainda maior no grupo de Transportes.

Ainda no grupo Transportes, os preços do transporte público urbano registraram queda, influenciados por medidas pontuais adotadas em algumas capitais. Entre os principais destaques:

  • 🚌 Ônibus urbano: recuo de 0,69%, refletindo a gratuidade aos domingos e feriados em Belém (-5,93%) e Brasília (-7,43%), além da redução tarifária em Curitiba (-3,41%).
  • 🚇 Metrô: queda de 0,62%, puxada principalmente por Brasília (-7,43%); em São Paulo, a redução foi de 0,20%.
  • 🚆Trem: baixa de 0,11%.
  • 🔁 Integração do transporte público: recuo de 0,16%, em razão da liberação do pagamento da passagem nos dias de aplicação das provas do Enem, em 9 e 16 de novembro.

No grupo Vestuário, os preços subiram 0,69% em dezembro, com aumentos espalhados por diferentes tipos de roupas. As maiores altas foram observadas nas roupas infantis, que ficaram 1,05% mais caras, seguidas pelas roupas femininas (0,98%masculinas (0,70%).

Já o grupo Despesas pessoais apresentou desaceleração da inflação no fim do ano. Após subir 0,85% em novembro, o avanço foi menor em dezembro, de 0,46%. Dentro desse grupo, a hospedagem teve queda de 1,18%, revertendo a forte alta de 4,18% registrada no mês anterior.

Em sentido oposto, alguns serviços continuaram pressionando os preços, como cabeleireiro e barbeiro (1,25%), empregado doméstico (0,48%e pacotes turísticos (2,47%), contribuindo para manter o grupo em alta.

Avanço modesto em outros grupos

O grupo Habitação registrou alta de 0,17% em dezembro. Esse resultado foi influenciado principalmente pelo aluguel residencial, que subiu 0,33%, e pela taxa de água e esgoto, com aumento de 0,66% — refletindo reajustes tarifários adotados em algumas capitais, que pressionaram os preços no mês.

Ainda dentro de Habitação, a energia elétrica residencial apresentou queda de 0,22% em dezembro. Um dos fatores por trás desse recuo foi a mudança no sistema de bandeiras tarifárias, que define cobranças extras na conta de luz conforme as condições de geração de energia.

  • 🔴 Em novembro, vigorava a bandeira vermelha patamar 1, que acrescentava R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
  • 🟡 Já em dezembro, passou a valer a bandeira amarela, com um adicional menor, de R$ 1,885 para o mesmo nível de consumo.

O grupo Alimentação e bebidas, que tem o maior peso no índice de inflação, registrou alta de 0,13% em dezembro. Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio — ou seja, os alimentos comprados para consumo em casa — caiu 0,08%, marcando a sétima queda consecutiva na média de preços.

Alimentos que ficaram mais baratos em dezembro:

  • 🍅 Tomate: queda de 14,53%
  • 🥛 Leite longa vida: recuo de 5,37%
  • 🍚 Arroz: baixa de 2,37%

Alimentos que ficaram mais caros no mês:

  • 🥩 Carnes: alta de 1,54%
  • 🍎 Frutas: aumento de 1,46%

Já a alimentação fora do domicílio, que inclui gastos em bares, restaurantes e lanchonetes, apresentou alta de 0,65% em dezembro. O avanço foi influenciado principalmente pelo aumento nos preços do lanche (0,99%) e da refeição (0,62%), refletindo custos maiores nesse tipo de serviço.

O grupo Artigos de residência registrou queda de 0,64%, resultado da redução de preços em itens como eletrodomésticos e equipamentos (-1,41%) e produtos de TV, som e informática (-0,93%), que ajudaram a aliviar a inflação no mês.

Serviços no radar dos economistas

Na avaliação dos economistas, o IPCA-15 de dezembro veio em linha com as expectativas do mercado, mas a composição do resultado acendeu um sinal de alerta, especialmente por causa do comportamento dos preços de serviços — segmento considerado mais sensível ao nível de atividade econômica e ao mercado de trabalho.

Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez, explica que, embora o índice cheio tenha batido com as projeções, a abertura do indicador surpreendeu.

Segundo ele, os serviços subjacentes, que excluem itens mais voláteis e ajudam a medir a tendência estrutural da inflação, ficaram mais pressionados do que o esperado, enquanto os preços de bens industriais avançaram acima das estimativas.

De acordo com Thadeu, a aceleração dos serviços subjacentes para 0,52% refletiu pressões já identificadas nas coletas da instituição, como transporte por aplicativo, cinema e refeições fora do domicílio. Além disso, as passagens aéreas contribuíram para a maior volatilidade recente do grupo.

O número é ruim pois veio com um delta expressivo de Serviços Subjacentes em relação ao que o mercado esperava, afirma. Para ele, a atenção agora se volta ao primeiro trimestre de 2026 e ao risco de estímulos econômicos continuarem interferindo nas decisões de política monetária.

Avaliação semelhante é feita por Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, que define o resultado como em linha no headline — expressão usada para se referir ao índice cheio —, mas com piora na qualidade da inflação.

Na leitura da economista, a principal surpresa negativa foi a inflação de serviços subjacentes acima do previsto, o que reforça o cenário de reaceleração desses preços no fim do ano, mesmo com a inflação total ainda abaixo do teto da meta estabelecida pelo Banco Central.

Ao mesmo tempo, a reversão da deflação em bens industriais ocorreu mais rapidamente do que o previsto, enquanto, em alimentação no domicílio, a queda de preços perdeu força com a aceleração das carnes, influenciada por fatores sazonais típicos de dezembro.

Para Pablo Spyer, conselheiro da Ancord e economista, os dados confirmam que o processo de desinflação segue em andamento, mas de forma irregular.

Ele destaca que há sinais relevantes de alívio nos preços dos alimentos consumidos em casa e dos bens industriais, ainda influenciados por descontos e por uma demanda mais fraca.

Por outro lado, alerta que os serviços continuam sendo o principal desafio, refletindo um mercado de trabalho aquecido e pressões típicas do fim do ano.

O resultado não altera de forma relevante o cenário-base para a política monetária, reforçando uma postura prudente do Banco Central. O IPCA-15 confirma um cenário de inflação sob controle, mas ainda longe de confortável, diz.

Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos Capital, também chama atenção para a deflação observada em grupos importantes, como alimentação no domicílio, artigos de residência e educação.

Esse movimento ajudou a trazer o índice de difusão — indicador que mede a proporção de itens com aumento de preços — de volta a um patamar mais compatível com a meta de inflação de 3%.

Ainda assim, ela ressalta que a inflação de serviços, tanto a cheia quanto a subjacente, segue acima de 6% no acumulado de 12 meses, o que mantém o Banco Central em uma posição desconfortável para iniciar cortes na taxa de juros.

Será necessária uma desaceleração mais clara da inflação de serviços para que o ciclo de corte se consolide, afirma.

Passageiros no terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos. — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Passageiros no terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos. — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Petróleo sobe à medida que EUA intensificam ações contra navios-tanque da Venezuela

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Os preços do petróleo se mantêm elevados com os desdobramentos na Venezuela, enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia fica em segundo plano em um mercado que, sem esses fatores, seria claramente baixista no cenário global.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 22 de Dezembro de 2.025 às 16h40m
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Os preços do petróleo sobem nesta segunda-feira (22), após os Estados Unidos interceptarem um navio petroleiro em águas internacionais próximo à costa da Venezuela. Ao mesmo tempo, as tensões na guerra entre Rússia e Ucrânia continuaram elevadas.

Esses dois fatores aumentaram o temor de que o fornecimento global de petróleo possa ser interrompido, o que costuma pressionar os preços para cima.

  • 🔎 Os contratos futuros do petróleo Brent — referência internacional usada como base para os preços no mercado global — subiram US$ 1,55, alta de 2,56%, negociados a US$ 62,02 por barril por volta das 19h desta segunda.

Segundo Giovanni Staunovo, analista do banco UBS, os agentes do mercado passaram a enxergar um risco maior de interrupção nas exportações de petróleo da Venezuela devido ao embargo imposto pelos EUA.

Até recentemente, segundo ele, havia uma postura mais complacente em relação a esse risco.

O petróleo bruto venezuelano responde por cerca de 1% da oferta global, uma fatia relativamente pequena, mas que ganha importância em momentos de instabilidade geopolítica ou de restrições ao comércio internacional.

No segundo semestre de 2025, o aumento da produção EUA e do grupo Opep+ — aliança que reúne a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados — compensou, em grande parte, as preocupações com possíveis interrupções de oferta em outras regiões.

  • 👉 Esse equilíbrio ajudou a manter os contratos futuros do Brent próximos de US$ 65 por barril, embora os preços tenham recuado no mês passado diante do temor de excesso de petróleo disponível no mercado.

Para June Goh, analista da consultoria Sparta Commodities, os preços do petróleo vêm sendo sustentados principalmente pelos acontecimentos na Venezuela.

as tensões entre Rússia e Ucrânia têm ficado em segundo plano em um mercado que, sem esses fatores de risco, tenderia a um cenário mais baixista, ou seja, de queda nos preços.

Apreensão de petroleiro venezuelano pelos EUA

Autoridades disseram à Reuters, no domingo, que a Guarda Costeira dos Estados Unidos está perseguindo um navio petroleiro em águas internacionais próximas à Venezuela. Se a operação for concluída com sucesso, será a segunda ação desse tipo no fim de semana e a terceira em menos de duas semanas.

De acordo com Tony Sycamore, analista do IG, a recuperação recente dos preços do petróleo foi impulsionada pelo anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de um bloqueio total e completo aos petroleiros venezuelanos que estão sob sanções.

O movimento foi reforçado pelos desdobramentos dessa decisão e por relatos de um ataque com drones ucranianos a um navio da chamada frota sombra russa no Mediterrâneo — termo usado para embarcações que operam à margem das sanções internacionais.

Preço do petróleo dispara após Opep anunciar corte de mais de 1 milhão de barris por dia — Foto: JN
Preço do petróleo dispara após Opep anunciar corte de mais de 1 milhão de barris por dia — Foto: JN

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domingo, 21 de dezembro de 2025

Como o bloqueio petrolífero 'total e completo' de Trump pode afetar a economia da Venezuela - e se voltar contra os EUA

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O anúncio de Trump visa cortar as receitas do governo de Nicolás Maduro, mas alguns analistas alertam que a medida pode agravar a crise econômica na Venezuela e ter consequências negativas para Washington.
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TOPO
Por BBC

Postado em 21 de Dezembro de 2.025 às 06h00m
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EUA querem sufocar a Venezuela economicamente — Foto: Getty Images via BBC
EUA querem sufocar a Venezuela economicamente — Foto: Getty Images via BBC

Para a Venezuela, o petróleo não é simplesmente uma mercadoria de exportação.

É a pedra angular de sua economia e a principal fonte de renda e moeda estrangeira com a qual o país importa alimentos, medicamentos e outros bens essenciais.

Portanto, o bloqueio "total e completo" contra petroleiros sancionados que entram ou saem da Venezuela — anunciado na terça-feira pelos EUA — poderia afetar não apenas o governo de Nicolás Maduro, mas também amplos setores da população venezuelana.

Diversos especialistas alertam que uma medida dessa magnitude também pode ter um efeito contrário ao desejado em Washington.

Trump anunciou a decisão pelas redes sociais, onde acusou o governo Maduro de usar petróleo "roubado" para se financiar e sustentar "narcoterrorismo, tráfico de pessoas, assassinatos e sequestros".

As declarações surgiram uma semana depois de Washington ter apreendido um petroleiro na costa venezuelana, uma ação que Caracas denunciou como "roubo descarado" e "um ato de pirataria". No sábado (20), outro petroleiro foi apreendido.

O presidente dos EUA também afirmou na terça-feira, na rede social Truth Social, que a Venezuela está "completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul", acrescentando que essa presença militar "continuará a crescer" e será "algo nunca visto antes".

A Venezuela, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, condenou a ordem de bloqueio como uma "ameaça grotesca" que, segundo o governo Maduro, busca "roubar" a riqueza do país.

Desde setembro, os Estados Unidos acumularam uma presença militar significativa na costa da Venezuela, no Caribe, incluindo mais de 15 mil soldados e o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford.

As forças armadas dos EUA também têm realizado uma série de ataques aéreos contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, resultando na morte de pelo menos 99 pessoas.

O presidente Trump afirma que o objetivo desta campanha militar é combater o narcotráfico na região e acusa o presidente venezuelano Nicolás Maduro de liderar o chamado Cartel de los Soles.

No entanto, vários analistas sustentam que a estratégia também pode ter como objetivo provocar uma mudança de regime na Venezuela.

Mais de 30 petroleiros sob sanções

A Venezuela produz atualmente cerca de 1 milhão de barris de petróleo bruto por dia, o que representa aproximadamente 1% da produção mundial.

Esse número contrasta fortemente com os mais de 3 milhões de barris por dia que o país produzia em 1998, ano anterior à ascensão ao poder do mentor político e ideológico de Maduro, o ex-presidente Hugo Chávez.

O colapso na produção deve-se a uma combinação de má gestão, falta de investimento no setor, perda de pessoal qualificado, corrupção e sanções internacionais.

Portanto, o impacto de um bloqueio de petróleo no mercado global seria limitado, pelo menos a curto prazo.

No entanto, para milhões de venezuelanos, as consequências podem ser muito mais profundas e diretas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Jr. — Foto: BBC
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Jr. — Foto: BBC

Quando o presidente Donald Trump impôs um pacote de sanções econômicas rigorosas à Venezuela em 2018, durante seu primeiro mandato, a medida agravou a já severa crise econômica e humanitária que assolava o país sul-americano.

Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia venezuelana contraiu cerca de 15% apenas naquele ano, uma das maiores quedas de sua história recente.

Christopher Sabatini, pesquisador sênior para a América Latina no centro de pesquisas Chatham House, com sede em Londres, afirma que o bloqueio anunciado por Trump pode ter um "efeito ainda mais devastador se ele o mantiver e persistir nele."

"Acho que o governo Trump espera poder reverter essa medida rapidamente."

"Espera-se que a linguagem hiperbólica e inflamatória usada na (rede social) Truth Social faça com que o círculo íntimo de Maduro se volte contra ele e promova uma transição rápida", disse Sabatini à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

"Mas se isso não acontecer, espera-se uma grande crise, porque uma grande porcentagem das exportações venezuelanas viaja nesses tipos de embarcações sancionadas", acrescenta.

"E a receita dessas exportações não é usada apenas para pagar e subornar burocratas, mas também para comprar remédios e alimentos, portanto, espera-se uma grande escassez de ambos."

Um relatório recente da organização Transparência Venezuela revelou que 41% dos petroleiros (40) que operavam ao largo da costa venezuelana em novembro eram embarcações sancionadas, parte da chamada frota de navios fantasmas.

Entretanto, o serviço independente de rastreamento Tanker Trackers estima que cerca de 37 embarcações incluídas na lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), dos EUA, estavam operando em águas venezuelanas no início deste mês.

O economista venezuelano Francisco Monaldi, diretor do Programa de Energia da América Latina no Instituto Baker da Universidade Rice, em Houston, nos EUA, destaca que a medida anunciada por Trump também forçará o governo de Nicolás Maduro a oferecer descontos maiores no petróleo que vende por meio de canais informais para contornar as sanções.

"Em qualquer cenário, isso levará a uma redução na renda, o que, por sua vez, causará uma desvalorização do bolívar (moeda venezuelana) e um aumento da inflação."

"E, se a situação persistir, é provável que gere uma queda significativa no PIB", acrescenta.

O FMI projetou que a inflação na Venezuela fechará 2025 em aproximadamente 269,9%, de acordo com o relatório Perspectivas da Economia Mundial publicado em 14 de outubro de 2025.

Consequências negativas para Trump

Se pobreza aumentar na Venezuela, nova onda de imigração é esperada — Foto: Getty images via BBC
Se pobreza aumentar na Venezuela, nova onda de imigração é esperada — Foto: Getty images via BBC

Especialistas alertam que o bloqueio também pode ter consequências negativas tanto para a oposição venezuelana quanto para o próprio governo Trump.

"Se a medida não conseguir derrubar o governo de Nicolás Maduro e os venezuelanos comuns começarem a sofrer seus efeitos, muitos podem acabar culpando a oposição e Trump pela crise", destaca Sabatini.

O aumento da pobreza na Venezuela provavelmente também alimentará uma nova onda de migração para outros países da América Latina e para os Estados Unidos.

Segundo dados da ONU, quase sete milhões de venezuelanos deixaram o país desde o início da crise econômica e política, tornando-a uma das maiores crises migratórias do mundo.

O economista americano Mark Weisbrot, codiretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), acredita que o bloqueio anunciado por Trump pode, em última análise, prejudicá-lo politicamente se continuar.

"Quase 90% das divisas da Venezuela vêm das exportações de petróleo, então um bloqueio como o anunciado poderia gerar mais pobreza e mais migração", disse Weisbrot à BBC Mundo.

"É um risco considerável para Trump: se a imigração venezuelana para os Estados Unidos aumentar significativamente, é provável que seus eleitores o façam pagar o preço nas eleições de meio de mandato do ano que vem."

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