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terça-feira, 29 de julho de 2025

Por que China não é alternativa para vender produtos atingidos por tarifa de Trump

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A lista de produtos brasileiros exportados aos EUA é diversificada e tem desde produtos básicos como petróleo, suco de laranja e carne, a industrializados de alta tecnologia, como aviões. Com tarifa de 50% imposta pelo presidente americano, seria a China candidata a absorver a demanda?
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TOPO
Por BBC

Postado em 29 de Julho de 2.025 às 12h15m

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Carne bovina é um dos produtos que Brasil vende tanto aos EUA quanto à China — Foto: Getty Images via BBC
Carne bovina é um dos produtos que Brasil vende tanto aos EUA quanto à China — Foto: Getty Images via BBC

A poucos dias da data prevista para implementação da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para os EUA, o governo segue tentando interlocução com a equipe do presidente americano, Donald Trump, para negociar.

Na segunda-feira (28/7), uma comitiva de senadores brasileiros que viajou aos EUA se reuniu com membros da Câmara de Comércio do país e tenta diálogo com parlamentares americanos.

Em outra frente, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tem conversado com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, para discutir uma possível lista de exceções aos produtos que serão taxados se a medida de fato entrar em vigor após 1º de agosto.

Em meio à escalada de tensão, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou, também na segunda-feira (28/7), que o país estaria disposto a trabalhar com o Brasil para "defender conjuntamente o sistema multilateral de comércio centrado na OMC e proteger a justiça e a equidade internacional", em uma referência indireta ao tarifaço americano.

Questionado sobre a possibilidade de uma maior abertura às exportações brasileiras, Jiakun respondeu que o país estaria disposto a "promover a cooperação com base em princípios de mercado".

Nesse sentido, o Brasil poderia tentar redirecionar as exportações antes destinadas ao mercado americano para a China?

Maiores parceiros, mas pautas diferentes

Os especialistas consultados pela reportagem avaliam que as possibilidades nesse sentido são limitadas.

Isso porque, apesar de serem os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, China e Estados Unidos compram produtos bastante diferentes das empresas brasileiras.

"A nossa pauta para os Estados Unidos é muito peculiar dentro do universo de produtos que vendemos para o mundo", diz Livio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e sócio da consultoria BRCG.

A lista é diversificada, com muitos produtos manufaturados. Alguns são bens finais, como aviões, mas uma fatia considerável, segundo o economista, são os chamados bens de meio de cadeia, como lingotes de aço e outros produtos que vão ser processados em solo americano antes de chegarem ao consumidor final.

Já a pauta de exportações para a China está bastante concentrada em poucos produtos básicos. Entre janeiro e junho deste ano, 40% dos US$ 47,7 bilhões que o país vendeu para os chineses foi soja. Petróleo respondeu por outros 19% e minério de ferro, por outros 17%.

Os dados do sistema de estatísticas do comércio exterior brasileiro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) deixam claram essa diferença, como ilustrado pelos gráficos abaixo.

China critica tarifaço de Trump ao Brasil e acusa EUA de coerção
China critica tarifaço de Trump ao Brasil e acusa EUA de coerção

Entre os produtos que poderiam ser eventualmente redirecionados à China, Guilherme Klein, professor do Departamento de Economia da Universidade de Leeds, no Reino Unido, destaca o petróleo, a carne bovina e o minério de ferro, itens que o Brasil já vende hoje para os dois principais parceiros.

No caso do minério de ferro, o professor ressalta que atualmente já existe excesso de oferta da commodity no mundo, o que tem empurrado os preços para baixo.

Assim, a avaliação é de que, ainda que o Brasil consiga vender parte da produção para outros países, caso as tarifas americanas entrem de fato em vigor, poderiam ter de fazê-lo a preços ainda mais baixos.

Klein não descarta, contudo, que a China pudesse absorver parte desse excedente "por uma questão estratégica, para se mostrar um parceiro comercial importante neste momento".

"É difícil separar o que vai ser geopolítica do que vai ser por interesse econômico", comenta o economista, emendando que a imprevisibilidade de Trump, que já voltou atrás em temas relacionados a tarifas diversas vezes, e a possível retaliação do Brasil tornam difícil o exercício de se tentar fazer previsões de cenários.

Em entrevista à Rede Record em 10 de julho, Lula afirmou que tentaria negociar com o governo Trump, mas que recorreria à lei de reciprocidade e taxaria os produtos americanos também em 50% caso não houvesse acordo.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio da consultoria BMJ, lembra que uma série de produtos acabaram sendo excluídos da tarifa de 10% que os EUA impuseram ao Brasil em abril. A lista completa foi divulgada em um anexo da ordem executiva assinada por Trump na ocasião.

Ainda não está claro se essas isenções serão mantidas, mas, caso o fossem, petróleo e derivados estariam excluídos da tarifa.

Na avaliação de Barral, caso não haja acordo e a alíquota se mantenha no patamar de 50%, as commodities tenderiam a sofrer menor impacto negativo.

"Elas acabam sendo exportadas para outros destinos, mesmo que seja por um preço menor", ele pontua.

Esse seria um caminho, por exemplo, para o café, ainda que o especialista ressalte que os Estados Unidos teriam dificuldade de encontrar um fornecedor do porte do Brasil, que responde por cerca de um terço da importação americana.

Esse dado também foi destacado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), que afirmou à reportagem avaliar que os americanos teriam dificuldade para encontrar um substituto para o produto brasileiro, restando a eles pagar mais caro ou diminuir o consumo da bebida.

"Estamos na esperança de que o bom senso prevaleça, porque sabemos que quem vai ser onerado é o consumidor americano", disse o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos.

Setores potencialmente mais afetados

O setor de suco de laranja, por sua vez, desenhou um prognóstico bastante pessimista após o anúncio. A indústria tem nos EUA destino de 41,7% de todas as suas exportações.

Em uma nota, a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) afirmou que a tarifa — que se somaria a uma sobretaxa que já é cobrada do produto brasileiro por conta da proteção ao setor de suco de laranja americano —, criaria "uma condição insustentável para o setor, que não possui margem para absorver esse tipo de impacto".

"As consequências são graves: colheitas são interrompidas, o fluxo das fábricas é desorganizado, e o comércio é paralisado diante da incerteza. Trata-se de uma cadeia produtiva altamente interligada", prossegue o texto.

Ainda segundo a entidade, a Europa, que hoje é o principal mercado do suco brasileiro, com participação de 52% das exportações da última safra, provavelmente não tem capacidade "de absorver excedentes do mercado americano sem que haja grave deterioração de valor para todo o setor".

De forma geral, conforme os especialistas ouvidos pela reportagem, os produtos que teriam maior dificuldade para encontrar outros destinos seriam os industrializados.

Welber Barral destaca, por exemplo, as autopeças: "O Brasil exporta muitas autopeças, inclusive de tratores, equipamentos agrícolas. E tem muito comércio intrafirma nesse setor, é produto certificado, é um modelo específico… ainda não tem muito como transferir [esses itens] para outros mercados".

O economista Guilherme Klein chama atenção para o segmento de mais alta tecnologia, que tem nos EUA um importante mercado.

No caso da indústria de aviões, ele diz, o Brasil não apenas exporta para o mercado americano, como também compra peças e partes de empresas dos EUA. Em uma situação de guerra comercial, por exemplo, com imposição de tarifas por parte do Brasil, o custo desses produtos aumentaria.

"Isso poderia criar uma espiral que travaria um pouco investimentos nesses setores", pondera Klein.

Em relatório enviado a clientes em 10 de julho, a equipe de economistas que acompanha o setor de transporte e logística no Itaú BBA avaliava que a Embraer pode ser uma das empresas mais fortemente afetadas.

Segundo a análise, cerca de 60% da receita da fabricante vem da América do Norte. Desse total, 46% estariam potencialmente expostas aos efeitos das tarifas — redução da demanda ou diminuição das margens de lucro, por exemplo.

Outra companhia do setor que poderia sofrer impacto negativo seria a fabricante de eletroeletrônicos Weg, ainda que em escala menor. Os economistas estimam que cerca de 25% da receita da empresa venha da América do Norte e que aproximadamente 7% estaria exposta aos efeitos das tarifas.

'É quase uma sanção econômica'

Uma das razões que Trump tem apontado para as tarifas salgadas que tem anunciado, com idas e vindas, desde o início de seu segundo mandato é o déficit comercial dos Estados Unidos, que compra mais de seus parceiros comerciais do que vende para o restante do mundo.

Isso não acontece, entretanto, na relação com o Brasil. A balança comercial americana com o país é superavitária, com saldo líquido de US$ 283,8 milhões no ano passado e de US$ 1,67 bilhão entre janeiro e junho deste ano.

Nesse sentido, a tarifa de 50% foi lida por analistas como uma decisão motivada mais por fatores políticos, o que explicaria a menção ao processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe na carta enviada por Trump a Lula.

"Do ponto de vista econômico, não há muita lógica [na aplicação da tarifa]", diz Guilherme Klein, que é também pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (MADE) da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP).

"É quase uma sanção econômica. Uma situação que é, na verdade, uma tentativa de interferência no sistema político de outro país", ele completa.

Na mensagem enviada ao presidente brasileiro, Trump acusou o Brasil de promover perseguição judicial contra Bolsonaro e de cercear os "direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos", em referência às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos anos que retiraram do ar postagens e contas em redes sociais como o X com conteúdos considerados antidemocráticos.

Lula respondeu dizendo que o Brasil é um país soberano com instituições independentes e "que não aceitará ser tutelado por ninguém".

"O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais", afirmou Lula em um comunicado.

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segunda-feira, 28 de julho de 2025

Brasil dobra aposta nos Brics e desafia Trump, diz jornal britânico

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Segundo o "Financial Times", que conversou com o assessor de Relações Exteriores de Lula, Brasil estão segue reforçando relações com o bloco para diversificar suas parcerias comerciais e não depender de nenhum país.
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TOPO
Por Giulia Granchi

Postado em 28 de Julho de 2.025 às o9h35m

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Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). — Foto: Getty Images via BBC
Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). — Foto: Getty Images via BBC

O Brasil vai dobrar sua aposta no bloco Brics, desafiando as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas contra as exportações brasileiras ao país, segundo reportagem do jornal Financial Times do domingo (27/7).

O jornal conversou com o assessor de Relações Exteriores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, que disse que os ataques de Trump "estão reforçando nossas relações com os Brics, porque queremos ter relações diversificadas e não depender de nenhum país".

🔎Os Brics são formados por Brasil, Rússia, China, Índia, Irã, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Egito e representam quase a metade da população mundial e 40% da riqueza produzida globalmente. Alguns analistas veem um elemento antiocidental no bloco, dada a presença de países como o Irã.

Amorim disse ao jornal que a tentativa do republicano de interferir em assuntos internos brasileiros não tem precedentes "nem em tempos coloniais".

"Nem a União Soviética teria feito algo assim", disse, apontando que Trump está tentando agir politicamente dentro do Brasil em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro, "seu amigo".

As tarifas foram anunciadas por Trump em 9 de julho e devem passar a valer a partir de sexta-feira (1/8).

O presidente americano citou como um motivo para a taxação o tratamento dado a Bolsonaro pela Justiça brasileira no processo em que o ex-mandatário e aliado do republicano é acusado de tramar um golpe de Estado. Para Trump, trata-se de uma "caça às bruxas" contra o aliado. Já Lula disse que a ameaça é uma "chantagem inaceitável".

Na entrevista ao FT, Amorim reafirmou a decisão brasileira de aprofundar sua participação no bloco dos Brics, formado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul, apesar das pressões de Trump.

O republicano impôs uma sobretaxa de 10% sobre países alinhados aos Brics, que considera um grupo anti-EUA, e criticou as falas de Lula pregando um "desdolarização" da economia mundial durante a reunião do bloco no Rio, no começo do mês.

"O que está acontecendo está reforçando nossas relações com os Brics, porque queremos diversificar nossas relações e não depender de nenhum país só", disse Amorim, ressaltando que o Brasil também pretende fortalecer vínculos com países da Europa, Ásia e América do Sul.

Embora a China seja o maior parceiro comercial do Brasil, com importações que chegaram a US$ 94 bilhões em produtos principalmente agrícolas e minerais no ano passado, o ex-chanceler negou que o Brasil queira que Pequim seja o principal beneficiário das tarifas americanas elevadas.

Ao mesmo tempo, Amorim rejeitou que o Brics tenha caráter ideológico, defendendo o bloco como uma forma de apoiar a ordem multilateral global, especialmente diante da postura unilateral e isolacionista dos EUA sob Trump.

O conselheiro de Lula também pediu que a União Europeia ratifique rapidamente o acordo comercial com o Mercosul, destacando que a ratificação traria não só ganhos econômicos imediatos, mas também maior equilíbrio nas relações globais.

O assessor internacional mencionou ainda que o Canadá demonstrou interesse em negociar um acordo de livre comércio com o Brasil e indicou que o último ano do governo Lula terá um foco maior na integração da América do Sul, região que comercializa menos internamente do que qualquer outra do mundo.

Para Amorim, Trump é um caso incomum na diplomacia: "Países não têm amigos, têm interesses; mas Trump não tem nem amigos, nem interesses, só desejos".

Ele afirmou que a abordagem do ex-presidente americano é "uma ilustração do poder absoluto".

As declarações do assessor de Lula ao Financial Times acontecem em um momento que o governo brasileiro parece considerar inevitável a entrada em vigor do tarifaço de Trump na próxima sexta-feira.

Autoridades brasileiras e o próprio Lula tem reclamado publicamente de não ter canais de negociação com a Casa Branca.

Na sexta-feira (25), o mandatário brasileiro disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi induzido a acreditar "em uma mentira", de que o ex-presidente Jair Bolsonaro está sofrendo uma perseguição.

"O Bolsonaro não é um problema meu, é um problema da Justiça brasileira", disse o presidente durante evento em Osasco (SP).

"Se o presidente Trump tivesse ligado para mim, eu certamente explicaria para ele o que está acontecendo com o ex-presidente", afirmou.

Lula se colocou à disposição para negociar a taxação de 50% às exportações brasileiras e disse ter escalado um "exímio negociador" para a tarefa, o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin.

Já governadores de oposição, como Tarcísio de Freitas (São Paulo), Ronaldo Caiado (Goiás) e Ratinho Jr. (Paraná) criticaram a estratégia do governo federal em um evento de investidores em São Paulo.

Ratinho Jr. (PSD) chamou de "falta de inteligência" a fala de Lula sobre desdolarização do comércio. "O Bolsonaro não é mais importante que essa relação comercial entre os Estados Unidos e o Brasil", disse. Nenhum dos governadores citou a exigência de Trump sobre Bolsonaro.

Trump diz que vai acabar com o BRICS se o bloco avançar com a proposta de substituição do dólar nas negociações comerciais
Trump diz que vai acabar com o BRICS se o bloco avançar com a proposta de substituição do dólar nas negociações comerciais

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sexta-feira, 25 de julho de 2025

IPCA-15: preços sobem 0,33% em julho, puxados pela energia elétrica

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Alimentação e bebidas tem segunda queda seguida. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada da prévia da inflação é de 5,30%, acima dos 5,27% registrados até junho.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 25 de Julho de 2.025 às 11h00m

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A alta da energia elétrica residencial (3,01%) impactou o IPCA-15 de julho — Foto: TV Verdes Mares/Reprodução
A alta da energia elétrica residencial (3,01%) impactou o IPCA-15 de julho — Foto: TV Verdes Mares/Reprodução

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, aponta que os preços subiram 0,33% em julho. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos últimos 12 meses, a variação foi de 5,30%, acima dos 5,27% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho, o índice havia avançado 0,26%.

Segundo o IBGE, os principais impactos na prévia da inflação de junho vieram dos grupos habitação, com alta de 0,98% e contribuição de 0,15 ponto percentual, transportes (0,67%) e despesas pessoais (0,25%).

Por outro lado, o grupo Alimentação e bebidas registrou queda (-0,06%), assim como artigos de residência (-0,02%) e vestuário (-0,10%). O grupo de Educação (0,00%) teve variação nula.

  • ▶️ O resultado do grupo Habitação se deve a bandeira vermelha patamar 1, que foi mantida em julho e impôs uma cobrança adicional de R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos, elevando os preços da energia elétrica.
  • ▶️ No grupo Saúde e cuidados pessoais, o principal fator foi o reajuste nos planos de saúde, que subiram 0,35%.
  • ▶️ No grupo Alimentação e bebidas registrou a segunda seguida. A alimentação no domicílio caiu 0,40% em junho, com destaque para as quedas nos preços da batata-inglesa (-10,48%), da cebola (-9,08%) e do arroz (-2,69%).

Veja abaixo a variação dos grupos em junho

Neste mês, cinco dos nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram alta:

  • Habitação: 0,98%;
  • Transportes: 0,67%;
  • Despesas pessoais: 0,25%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,21%;
  • Comunicação: 0,11%.

Os três grupos que tiveram queda foram:

  • Alimentação e bebidas: -0,06%;
  • Artigos de residência: -0,02%;
  • Vestuário: -0,10%.

Já o grupo de Educação (0,00%) teve variação nula.

O que tem pesado na inflação?

A energia elétrica residencial subiu 3,01% em julho e foi o item que mais influenciou o IPCA-15 no mês, com impacto de 0,12 ponto percentual (p.p.).

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a bandeira vermelha, no patamar 1, para o mês de julho, uma cobrança adicional de R$4,46 a cada 100kwh (quilowatt-hora) consumidos.

A redução no volume de chuvas e a menor geração por hidrelétricas tornaram necessário o acionamento de usinas termoelétricas, que possuem custo de produção mais alto. Quando a geração se torna mais cara, a cobrança adicional é aplicada automaticamente nas contas de luz.

No mês anterior, a energia elétrica residencial havia variado 3,29%. Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto (0,25%) foi reajustada em 9,88% em Brasília (5,22%), a partir de 1º de junho, e em 3,83% em Curitiba (0,12%), desde 17 de maio.

Já o grupo Transportes apresentou aceleração de junho (0,06%) para julho (0,67%). A alta foi impulsionada pelas passagens aéreas (19,86% e 0,11 p.p.) e pelo transporte por aplicativo (14,55% e 0,03 p.p.).

Por outro lado, os combustíveis recuaram 0,57% em julho, com quedas nos preços do gás veicular (-1,21%), do óleo diesel (-1,09%), do etanol (-0,83%) e da gasolina (-0,50%).

Os números também é reflexo da gratuidade concedida aos domingos e feriados no metrô (-0,14%) em Brasília (-2,11%), e no ônibus urbano (-0,44%) em Brasília (-2,11%) e Belém (-5,79%), além da redução de tarifa aos domingos e feriados em Curitiba (-2,68%).

O grupo Despesas pessoais (0,25%) teve como principal destaque o reajuste de preços nos jogos de azar (3,34%), em vigor desde 09 de julho.

Em Saúde e cuidados pessoais (0,21%), o subitem plano de saúde subiu 0,35%, consequência da incorporação dos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

No caso dos planos contratados após a Lei nº 9.656/98, o percentual é de até 6,06%, valendo a partir de maio de 2025 e cujo ciclo se encerra em abril de 2026, enquanto para aqueles contratados antes da Lei, os percentuais autorizados foram de 6,47% e 7,16%, dependendo do plano.

A queda de preços de Alimentação e bebidas (-0,06%) em julho foi a segunda seguida. Em junho, esse grupo recuou 0,02%. A alimentação no domicílio teve redução de 0,40% nos preços em julho, ante a variação de -0,24% observada em junho.

As quedas da batata-inglesa (-10,48%), da cebola (-9,08%) e do arroz (-2,69%) impactaram o resultado. No lado das altas, destacou-se o tomate (6,39%), depois da queda de 7,24% no mês anterior.

Em relação à alimentação fora do domicílio, ocorreu aceleração de junho (0,55%) para julho (0,84%), em virtude dos aumentos do lanche (de 0,32% em junho para 1,46% em julho) e da refeição (de 0,60% em junho para 0,65% em julho).

Em relação aos índices regionais, a maior variação foi registrada em Belo Horizonte (0,61%), por conta das altas da gasolina (4,49%) e da energia elétrica residencial (3,89%). Já o menor resultado ocorreu em Goiânia (-0,05%), que apresentou queda nos preços do etanol (-4,23%) e da gasolina (-1,63%).

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