Total de visualizações de página

quarta-feira, 26 de março de 2025

Dólar sobe e fecha a R$ 5,73, com tarifas de Trump no radar; Ibovespa avança

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


A moeda norte-americana teve alta de 0,42%, cotada a R$ 5,7327. Já o principal índice acionário da bolsa de valores brasileira encerrou com um avanço de 0,34%, aos 132.520 pontos.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 26 de Março de 2.025 às 11h00m

$.#  Postagem  Nº     0.990  #.$

Notas de dólar. — Foto: Dado Ruvic/ Reuters
Notas de dólar. — Foto: Dado Ruvic/ Reuters

O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (26), a R$ 5,73, em reflexo à cautela que ainda paira no mercado diante das tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Além das taxas recíprocas, que começarão a ser aplicadas pelos EUA sobre vários países na próxima semana, ainda há expectativa de que Trump anuncie novas tarifas sobre a importação de automóveis nesta quarta-feira.

A ação ampliaria a guerra comercial iniciada pelo republicano e, segundo especialistas da indústria automobilística disseram à Reuters, também pode trazer um aumento de preços e inibir a produção de veículos no país.

Na agenda, a divulgação de novos dados econômicos por aqui ficou sob os holofotes. O Banco Central (BC) informou que o rombo nas contas externas do país mais que dobraram no primeiro bimestre de 2025, registrando um déficit de US$ 17,31 bilhões — o que significa que o país mais enviou dinheiro para fora, principalmente com importações, do que arrecadou.

O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, encerrou em alta.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

💲Dólar

O dólar avançou 0,42%, cotado a R$ 5,7327. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,7474. Veja mais cotações.

Com o resultado, acumulou:

  • alta de 0,27% na semana;
  • recuo de 3,10% no mês; e
  • perda de 7,23% no ano.

No dia anterior, a moeda americana teve baixa de 0,75%, cotada a R$ 5,7087.

📈Ibovespa

O Ibovespa encerrou com um avanço de 0,34%, aos 132.520 pontos.

Com o resultado, o Ibovespa acumulou:

  • alta de 0,13% na semana;
  • avanço de 7,92% no mês; e
  • ganho de 10,17% no ano.

Na véspera, o índice teve alta de 0,57%, aos 132.068 pontos.

O que está mexendo com os mercados?

Os mercados globais continuam a focar suas atenções às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Além da expectativa pelo dia 2 de abril, quando as novas taxas recíprocas devem começar a valer, os investidores continuam de olho em eventuais novos anúncios.

Nesta quarta-feira, por exemplo, Trump afirmou que planeja anunciar novas tarifas sobre automóveis importados durante um evento do qual participará no final do dia. As falas voltaram a acender o alerta sobre os eventuais efeitos que essa política tarifária pode ter na economia.

Investidores, analistas, empresários e consumidores temem que as medidas possam acelerar a inflação de uma gama de produtos e provocar uma recessão nos EUA — além de impactar preços e crescimento econômico de diversos países pelo mundo.

Diante da incerteza, os agentes financeiros têm preferido segurar suas apostas para qualquer direção, mantendo o dinheiro nos ativos mais seguros, como o dólar, o que justifica a valorização da moeda nesta quarta-feira.

Nos últimos dias, houve algum alívio nos mercados no tema das medidas comerciais, com autoridades do governo afirmando que Trump deve adiar a implementação de tarifas sobre setores específicos para além de 2 de abril.

O próprio presidente dos EUA também disse que alguns países podem receber "descontos" nas taxas a serem aplicadas na próxima semana.

"Poucos detalhes foram fornecidos pela administração sobre como pretendem implementar o plano de tarifas recíprocas, mantendo um elevado nível de incerteza... Caso o governo opte por aplicar tarifas apenas sobre produtos e países com altos diferenciais tarifários, o impacto sobre a economia americana seria mais limitado", disseram analistas do BTG Pactual em relatório.

Enquanto isso, as expectativas de consumidores seguem se deteriorando. Relatório do Conference Board mostrou na última terça-feira que seu índice de confiança do consumidor caiu pelo quarto mês consecutivo em março e de forma mais acentuada que projeção em pesquisa da Reuters.

A preocupação de economistas é que o pessimismo dos consumidores possa refletir na economia real em breve, com queda do consumo e dos investimentos nos EUA, o que poderia contribuir para uma recessão.

Ambiente interno

Os investidores também seguem de olho no noticiário doméstico. Segundo o BC, o rombo nas contas externas brasileiras mais que dobrou no primeiro bimestre do ano. Já o investimento estrangeiro direto no país registrou um pequeno aumento.

Além disso, ainda segue no radar a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, divulgada na véspera. Na semana passada, o BC voltou a elevar a Selic em 1 ponto percentual, a 14,25% ao ano, sinalizando um novo aumento de menor magnitude no próximo encontro, em maio.

Para os encontros seguintes, os membros apontam que a incerteza elevada não permite uma orientação clara. Operadores precificam 61% de chance de uma alta de 0,5 ponto percentual na taxa de juros em maio, com 39% de possibilidade de um aumento de 0,75 ponto.

O contínuo aumento da Selic tem como resultado ampliação do diferencial de juros entre o Brasil e outros países, o que tende a ser positivo para o real devido à atração de investidores estrangeiros.

*Com informações da agência de notícias Reuters

---++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========----------------------------------------------------------------------  -----------====-++--

segunda-feira, 24 de março de 2025

Dólar sobe e fecha a R$ 5,75, de olho no 'tarifaço' de Trump e em falas de Haddad; Ibovespa cai

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


A moeda norte-americana subiu 0,61%, cotada a R$ 5,7517. O principal índice da bolsa de valores recuou 0,77%, aos 131.321 pontos.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 24 de Março de 2.025 às 11h15m

$.#  Postagem  Nº     0.989  #.$

Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters
Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters

O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (24), a R$ 5,75, com o mercado repercutindo o "tarifaço" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as novas declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aqui no Brasil.

Uma reportagem do site americano Bloomberg News apurou que Trump planeja anunciar, no início de abril, novas tarifas de importação sobre determinados itens, países e blocos econômicos. A medida se junta às taxas recíprocas já prometidas pelo presidente para o próximo dia 2.

Regiões com as quais os EUA têm um superávit comercial (quando os norte-americanos vendem mais para o país do que compram dele), no entanto, podem ser poupadas dessas taxas.

Nesse sentido, nesta manhã, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, disse que "o Brasil não é um problema para os EUA" e lembrou que o país norte-americano tem superávit comercial com o Brasil.

Mesmo assim, o mercado brasileiro teme que as taxas americanas possam ser mais duras e que atinjam as indústrias brasileiras — tendo em vista que os EUA são o principal importador de produtos com alto valor agregado do país, como máquinas e aviões, por exemplo.

Por aqui, declarações de Fernando Haddad sobre o arcabouço fiscal (a regra para as contas públicas do país) pesaram para a alta do dólar em relação ao real.

O ministro da Fazenda afirmou que, quando o país tiver estabilidade da dívida pública, além de Selic e inflação comportadas, será possível mudar parâmetros que balizam o arcabouço, mas não a arquitetura baseada em limite de gasto e meta de resultado primário (diferença entre receitas e despesas).

Os comentários estressaram as cotações, com parte do mercado enxergando certo risco na declaração — ainda que Haddad não tenha sugerido, de fato, mudanças que possam enfraquecer o arcabouço.

Mais tarde, o ministro fez uma publicação no X (antigo Twitter) esclarecendo as falas, o que ajudou a aliviar, em parte, a tensão nos mercados.

Diante do cenário, o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, fechou em baixa, na contramão de Wall Street.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

💲Dólar

O dólar subiu 0,61%, cotado a R$ 5,7517. Na máxima do dia, atingiu os R$ 5,7722. Veja mais cotações.

Com o resultado, acumulou:

  • recuo de 2,78% no mês; e
  • perda de 6,93% no ano.

Na última sexta-feira (21), a moeda americana teve alta de 0,73%, cotada a R$ 5,7171.

📈Ibovespa

O Ibovespa caiu 0,77%, aos 131.321 pontos.

Com o resultado, o Ibovespa acumulou:

  • avanço de 6,94% no mês; e
  • ganho de 9,18% no ano.

Na sexta, o índice teve alta de 0,30%, aos 132.345 pontos.

O que está mexendo com os mercados?

As tarifas de Trump voltaram a ocupar um espaço central nas atenções dos mercados financeiros globais na semana seguinte à reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que manteve os juros dos EUA inalterados entre 4,25% e 4,50% ao ano.

Trump prometeu impor uma enxurrada de tarifas recíprocas na próxima semana, cujos detalhes não estão claros. O que se sabe é que as taxas devem ser calculadas para refletir o impacto das tarifas estrangeiras, bem como impostos estrangeiros de valor agregado sobre importações.

Várias reuniões diplomáticas entre os países são esperadas nas próximas semanas para entender como as tarifas vão funcionar. Nos encontros, também deverão ser negociadas isenções ou medidas mais flexíveis.

Enquanto o ambiente for marcado por incertezas, o mercado deve continuar buscando "refúgios seguros" para o dinheiro, conforme afirmou Bob Savage, chefe de estratégias macro do BNY, em uma nota enviada aos clientes.

O principal "refúgio seguro" do mercado são as Treasuries, os títulos públicos norte-americanos. Em momentos de incertezas, os investidores migram seus investimentos para esses ativos considerados seguros, o que valoriza o dólar e outras divisas tradicionais em detrimento de outras moedas, principalmente as de países emergentes.

Os temores são de que, com as tarifas, uma guerra comercial possa se acentuar. E taxas elevadas entre os países tendem a encarecer os preços dos produtos, elevando a inflação e impactando o consumo e a atividade econômica.

Nesta segunda-feira, Trump também afirmou que qualquer país que compre petróleo ou gás da Venezuela pagará uma tarifa de 25% sobre negociações feitas com os EUA. Essa "tarifa secundária" entrará em vigor em 2 de abril, informou o republicano em publicação na rede Truth Social.

O presidente declarou ainda que irá, "em um futuro muito próximo", anunciar taxas sobre automóveis, alumínio e produtos farmacêuticos.

Tarifas altas sobre a importação de produtos nos EUA podem elevar os preços de bens e serviços dentro do país, pressionando a inflação e diminuindo o consumo. Com essas perspectivas, o mercado segue mais pessimista em relação à maior economia do mundo e aos possíveis impactos globais.

Além disso, o aumento das tarifas pode reduzir o nível de exportações dos países que vendem seus produtos aos EUA, como o Brasil, o que pode impactar a força da atividade econômica do país.

Apesar dos temores, há uma expectativa de tarifas mais amenas sobre setores que podem impactar grandes empresas americanas. Assim, ações da montadora de veículos elétricos Tesla, de Elon Musk, vivem um dia de forte alta, com salto de quase 12%.

Os principais índices de ações norte-americanos tiveram ganhos nesta segunda. O S&P 500 avançou 1,76%, enquanto o Dow Jones subiu 1,42% e o Nasdaq, 2,27%.

Além das expectativas com a política tarifária de Trump, a semana é marcada por uma série de divulgações importantes, com destaque para a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC), que elevou a Selic, taxa básica de juros, a 14,25% ao ano na semana passada, e para novos números de inflação nos EUA.

Nesta segunda, também, o BC divulgou a nova edição do Boletim Focus — relatório que reúne a média das projeções de economistas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos do país.

Nesta edição, houve a segunda redução consecutiva nas expectativas para a inflação de 2025, que passaram de 5,66% para 5,65%. Mesmo com a queda, se essas projeções se concretizarem, a inflação brasileira encerrará mais um ano acima da meta, que é de 3% e pode oscilar entre 1,50% e 4,50% para ser considerada oficialmente cumprida.

As expectativas também caíram para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, passando de 1,99% para 1,98%.

Com informações da agência de notícias Reuters

---++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========----------------------------------------------------------------------  -----------====-++--

domingo, 23 de março de 2025

Por que a China está gastando bilhões para fazer as pessoas abrirem suas carteiras?

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Pequim espera que melhores salários e descontos possam encorajar os gastos e evitar maiores problemas econômicos no país.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por BBC

Postado em 23 de Março de 2.025 às 08h35m

$.#  Postagem  Nº     0.988  #.$

Governo chinês espera que medidas de promoção do bem-estar e grandes descontos incentivem as pessoas a gastar — Foto: Getty Images
Governo chinês espera que medidas de promoção do bem-estar e grandes descontos incentivem as pessoas a gastar — Foto: Getty Images

O governo chinês prometeu novos subsídios para creches, aumento de salários e das férias remuneradas numa tentativa de estimular a economia do país asiático, que está em desaceleração.

Além disso, o governo criou um programa de descontos de US$ 41 bilhões (cerca de R$ 232,1 bilhões) para todo tipo de produtos, desde lavadoras de pratos e itens de decoração até veículos elétricos e smartwatches.

Pequim está dando início a uma onda de gastos para incentivar os chineses a abrirem suas carteiras. O problema é que eles não estão gastando o suficiente.

Esta semana trouxe algumas notícias positivas. Dados oficiais divulgados na segunda-feira (17/3) indicam que as vendas no varejo cresceram 4% nos dois primeiros meses de 2025. Este é um bom sinal para o consumo.

Mas, com algumas exceções à parte, como Xangai, os preços dos imóveis novos e usados continuam a cair, em comparação com o ano passado.

Os Estados Unidos e outras grandes potências vêm enfrentando a inflação pós-covid. Mas a China sofre exatamente o oposto, a deflação — a taxa de inflação caiu abaixo de zero, ou seja, os preços estão diminuindo.

Na China, os preços caíram por 18 meses seguidos nos últimos dois anos.

A queda dos preços pode parecer boa notícia para os consumidores. Mas a contínua redução do consumo é um sinal de problemas econômicos mais profundos.

Quando as pessoas param de gastar, as empresas reduzem os preços para atrair os compradores. E, quanto mais isso acontece, menos dinheiro as firmas ganham, as contratações diminuem, os salários ficam estagnados e o crescimento econômico é interrompido.

É este ciclo que a China quer estancar. O país já enfrenta o lento crescimento econômico causado por uma crise prolongada no mercado imobiliário, alto endividamento do governo e desemprego.

O motivo da queda do consumo é simples e direto. Os consumidores chineses não têm dinheiro, ou não sentem confiança suficiente no futuro para gastar.

Esta relutância veio em um momento crítico. Com o objetivo de fazer crescer a economia em 5% este ano, incentivar o consumo é uma das principais prioridades do presidente chinês Xi Jinping.

Ele espera que o aumento do consumo doméstico possa absorver o baque causado pelas tarifas americanas sobre as exportações chinesas.

Mas será que o plano de Pequim irá funcionar?

Levando os gastos a sério

Para lidar com suas dificuldades econômicas e a fraca demanda doméstica, a China anunciou na semana passada, durante o Congresso Nacional do Povo, aumento de investimentos em programas de bem-estar social, como parte do seu plano econômico global para 2025.

Em seguida, veio o anúncio de promessas maiores, como planos de apoio ao emprego, mas com poucos detalhes.

Alguns afirmam que esta mudança é bem vinda, mas ressaltam que os líderes chineses precisam fazer mais para intensificar esse apoio.

Ainda assim, este é um sinal de que Pequim está consciente das mudanças necessárias para fortalecer o mercado de consumo da China – salários mais altos, uma rede de segurança social mais forte e políticas que façam com que as pessoas sintam segurança para gastar, em vez de poupar.

Shopping quase vazio na China mostra como os consumidores não estão gastando o suficiente para reviver a economia do país — Foto: Getty Images
Shopping quase vazio na China mostra como os consumidores não estão gastando o suficiente para reviver a economia do país — Foto: Getty Images

Um quarto da força de trabalho chinesa é composta de trabalhadores migrantes, com baixos salários. Eles não têm pleno acesso aos benefícios sociais urbanos.

Com isso, ficam particularmente vulneráveis durante períodos de incerteza econômica, como foi o caso durante a pandemia de covid-19.

O crescimento salarial dos anos 2010 mascarou alguns destes problemas, já que a renda média cresceu cerca de 10% ao ano. Mas, quando os salários começaram a aumentar menos, nos anos 2020, a poupança das famílias voltou a ser a tábua de salvação.

O governo chinês demorou para ampliar os benefícios sociais. Ele se concentrou em incentivar o consumo com medidas de curto prazo, como programas comerciais para aparelhos domésticos e eletrônicos.

Mas estas medidas não abordaram um problema fundamental: "a renda das residências diminuiu e a poupança aumentou", segundo o pesquisador Gerard DiPippo, do instituto Rand, com sede nos Estados Unidos.

A crise do mercado imobiliário, que quase chegou ao colapso, também aumentou a aversão dos consumidores chineses ao risco e os levou a reduzir gastos.

"O mercado imobiliário é importante não só para a atividade econômica real, mas também para o sentimento das famílias", explica DiPippo. "Afinal, as famílias chinesas investiram grande parte da sua receita nas suas casas."

"Não acho que o consumo da China irá se recuperar totalmente enquanto não ficar claro que o setor imobiliário superou seu pior momento e, com isso, muitos ativos primários das famílias começarem a se recuperar."

Alguns analistas estão animados com a seriedade de Pequim ao enfrentar desafios de longo prazo, como a queda da taxa de natalidade. Muitos casais jovens vêm decidindo não arcar com os custos de ter filhos.

Um estudo de 2024 do centro de pesquisa chinês YuWa estimou que criar um filho até a idade adulta custa na China 6,8 vezes o PIB per capita do país. Este é um dos índices mais altos do mundo, acima dos EUA (4,1), Japão (4,3) e Alemanha (3,6).

Toda esta pressão financeira serviu apenas para reforçar uma cultura profundamente enraizada na China: a de economizar.

Mesmo com as dificuldades econômicas, as famílias chinesas conseguiram poupar 32% da sua receita disponível em 2024 — o que não é tão surpreendente no país, onde o consumo nunca esteve particularmente em alta.

Em termos de comparação, o consumo doméstico é responsável por mais de 80% do crescimento nos EUA e no Reino Unido.

Este índice é de cerca de 70% na Índia, enquanto, na China, o percentual variou tipicamente entre 50% e 55% na última década.

Mas isso, na verdade, não era um problema — até agora.

Compras em queda e poupança em alta

Houve uma época em que os consumidores chineses brincavam sobre a atração irresistível do comércio eletrônico.

Eles se autodenominavam "cortadores de mãos" — somente cortando suas mãos, seria possível impedi-los de clicar no botão "comprar".

Quando o aumento da renda alimentou o poder de compra, o dia 11 de novembro na China passou a ser considerado o maior dia de compras do mundo.

Em 2019, a explosão das vendas atingiu mais de 410 bilhões de yuans (cerca de R$ 322,6 bilhões), em apenas 24 horas.

Mas o último 11 de novembro "foi um fracasso", segundo declarou à BBC um vendedor online de café em grãos de Pequim. "Quando muito, causou mais problemas do que lucro."

Os consumidores chineses passaram a ser mais frugais desde a pandemia. E esta cautela persistiu, mesmo após o levantamento das restrições, no final de 2022.

Naquele ano, as empresas Alibaba e JD.com pararam de publicar seus dados de vendas. Esta foi uma mudança significativa para empresas que, antes, divulgavam recordes de receita.

Uma fonte com conhecimento do assunto declarou à BBC que as autoridades chinesas alertaram as plataformas para não publicarem números.

O receio era que seus resultados decepcionantes pudessem minar ainda mais a confiança dos consumidores.

A crise de gastos atingiu até mesmo as marcas de luxo. No ano passado, as marcas LVMH, Burberry e Richemont informaram queda de vendas na China. Antes, o país era a espinha dorsal do mercado global de produtos de luxo.

Na rede social chinesa RedNote, postagens marcadas com "redução do consumo" acumularam mais de um bilhão de visualizações nos últimos meses.

Os usuários estão trocando dicas sobre como substituir compras caras por alternativas mais econômicas.

"Agora, aplico perfume entre meu nariz e os lábios – estou guardando só para mim", brinca um consumidor.

As vendas no dia 11 de novembro, 'o maior dia de compras do mundo', perderam o atrativo quando os consumidores chineses pararam de gastar dinheiro — Foto: Getty Images
As vendas no dia 11 de novembro, 'o maior dia de compras do mundo', perderam o atrativo quando os consumidores chineses pararam de gastar dinheiro — Foto: Getty Images

Mesmo no auge, o boom do consumo na China nunca foi páreo para as exportações do país.

O comércio internacional também foi objeto de generosos investimentos estatais, como estradas, portos e zonas econômicas especiais. A China dependia dos baixos salários dos trabalhadores e altos níveis de poupança das famílias, que alimentaram o crescimento, mas limitaram a renda disponível para o consumo.

Agora, com o crescimento das incertezas geopolíticas, os países estão diversificando suas cadeias de abastecimento e se afastando da China. Com isso, a confiança nas exportações chinesas diminuiu.

Os governos locais também estão sobrecarregados de dívidas, depois de anos tomando grandes empréstimos para investir, particularmente em infraestrutura.

Xi Jinping já prometeu "transformar a demanda doméstica na principal força direcionadora e âncora estabilizadora do crescimento".

A parlamentar chinesa Wang Caiyun, do Congresso Nacional do Povo, destacou que "com uma população de 1,4 bilhão, um aumento de apenas 1% da demanda cria um mercado de 14 milhões de pessoas".

Mas existe uma ressalva no plano de Pequim.

Para que o consumo dirija o crescimento, muitos analistas afirmam que o Partido Comunista Chinês precisaria restaurar a confiança dos consumidores — uma geração de formados durante a pandemia de covid que enfrentam dificuldades para comprar uma casa ou encontrar emprego. E também seria preciso gerar uma mudança cultural, de uma cultura de poupança para outra de gasto.

"O nível de consumo extraordinariamente baixo da China não existe por acaso", diz o pesquisador Michael Pettis, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional.

"Ele é fundamental para o modelo de crescimento econômico do país, que permitiu a evolução de três a quatro décadas de instituições políticas, financeiras, jurídicas e comerciais na China. Mudar isso não será fácil."

Quanto mais crescem os gastos das famílias, menos dinheiro sobra nas poupanças que os bancos estatais chineses usam para financiar indústrias importantes.

Atualmente, estes setores incluem a inteligência artificial e a tecnologia inovadora que ofereceria a Pequim uma vantagem econômica e estratégica sobre Washington.

É por isso que alguns analistas duvidam que os líderes chineses estejam dispostos a criar uma economia puxada pelo consumo.

"Uma forma de analisar isso é observar que o objetivo principal do país não é promover o bem-estar das famílias chinesas, mas sim o bem-estar da nação chinesa", escreveu o pesquisador David Lubin, da organização sem fins lucrativos Chatham House, com sede em Londres.

A mudança de poder do Estado para o indivíduo pode não fazer parte dos planos de Pequim.

Os líderes chineses fizeram isso no passado, quando começaram a fazer comércio com o mundo, incentivando as empresas e atraindo investimentos externos. Agindo assim, eles transformaram a economia do país.

A grande questão é se o presidente Xi Jinping deseja fazer isso outra vez.




China e Canadá retaliam tarifas dos Estados Unidos

---++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========----------------------------------------------------------------------  -----------====-++--