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quarta-feira, 26 de julho de 2023

Nubank passa o Banco do Brasil em número de clientes e se torna o 4º maior do Brasil

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Banco digital chegou a 77,6 milhões de clientes no 2º trimestre de 2023. Caixa Econômica Federal continua sendo a líder, com mais de 150 milhões de clientes.
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Por g1

Postado em 26 de julho de 2023 às 11h00m

            Post. N. =  0.676           

Escritório da fintech brasileira Nubank — Foto: Divulgação/Nubank
Escritório da fintech brasileira Nubank — Foto: Divulgação/Nubank

O Nubank passou a ser o quarto maior banco brasileiro em número de clientes, ao ultrapassar o Banco do Brasil no segundo trimestre de 2023. O banco digital tem 77,6 milhões de clientes contra 74,5 milhões do BB, segundo os dados no Ranking de Reclamações do Banco Central (BC).

A Caixa Econômica Federal continua sendo a líder da lista, com mais de 150 milhões de clientes. Veja abaixo a lista completa dos 10 maiores.

  1. Caixa Econômica Federal: 150.374.233 clientes
  2. Bradesco: 104.486.688 clientes
  3. Itaú Unibanco: 99.936.353 clientes
  4. Nubank: 77.665.209 clientes
  5. Banco do Brasil: 74.579.521 clientes
  6. Santander: 64.360.563 clientes
  7. Original: 50.266.862 clientes
  8. Mercado Crédito: 47.390.877 clientes
  9. AME Digital: 32.678.718 clientes
  10. Pagbank-Pagseguro: 29.451.137 clientes
Desenrola tira da lista de inadimplentes 2 milhões que tinham dívidas atrasadas de até R$ 100Desenrola tira da lista de inadimplentes 2 milhões que tinham dívidas atrasadas de até R$ 100

O relatório do BC traz ainda o ranking de reclamações feitas por clientes no 2º trimestre deste ano. O conglomerado formado pelo BTG Pactual e pelo Banco Pan, o grupo Bradesco e o Banco Inter lideram.

Para elaborar a lista, o Banco Central divide o número de reclamações pela quantidade total de clientes de cada instituição. Com isso, a autoridade monetária equilibra o volume de queixas com o tamanho do banco.

A partir desse índice, o BC elabora a lista dos mais reclamados.

O Banco Central considerou procedentes:

  • 1.004 reclamações contra o grupo BTG/Pan (que soma 23 milhões de clientes);
  • 3.229 reclamações contra o Bradesco (104,5 milhões de clientes);
  • 776 reclamações contra o banco Inter (26,4 milhões de clientes).

Em notas, os bancos informaram que buscam promover melhorias em seus sistemas para reduzir os índices de reclamações consideradas procedentes pelo Banco Central. Veja aqui.

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segunda-feira, 24 de julho de 2023

Ibovespa opera em alta e chega aos 121 mil pontos, em semana de IPCA-15 e decisão de juros nos EUA

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Na sexta-feira, o principal índice da bolsa de valores avançou 1,81%, aos 120.217 pontos.
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Por g1

Postado em 24 de julho de 2023 às 12h15m

            Post. N. =  0.675           

Ibovespa opera em baixa, puxado pelo exterior. — Foto: Freepik
Ibovespa opera em baixa, puxado pelo exterior. — Foto: Freepik

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3, opera em alta nesta segunda-feira (24), em semana de cautela antes da decisão de juros pelo Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos e de divulgação da prévia da inflação oficial no Brasil.

Às 12h13, o índice subia 0,98%, aos 121.395 pontos. Veja mais cotações.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,81%, aos 120.217 pontos. Com o resultado, o índice passou a acumular:

  • alta de 2,13% na semana;
  • alta de 1,80% no mês e;
  • ganhos de 9,55% no ano.

O que está mexendo com os mercados?

O grande evento da semana para o mercado financeiro é a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed). Será definido o novo patamar de juros dos EUA, com expectativa de um novo aumento de 0,25 ponto percentual.

O Fed havia feito uma pausa na subida de juros em sua última reunião, mas havia sinalizado que novas altas seriam necessárias para controlar a inflação americana, que arrefeceu, mas permanece acima da meta de 2%. Nesta reunião, os olhos estarão focados em acompanhar a sinalização para as próximas decisões.

Ainda nos EUA, a semana terá a publicação da primeira estimativa para o PIB dos EUA do 2º trimestre. Na sexta-feira sai o PCE, que é o índice de preços de gastos com consumo nos EUA.

Entre os indicadores nacionais, o boletim Focus desta semana foi adiado para esta terça-feira (25), em virtude do ponto facultativo para o jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de futebol feminino.

Também nesta terça será divulgado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) — considerado a prévia da inflação oficial do país. A expectativa de mercado é de uma leve deflação na comparação mensal.

Na sexta-feira, é dia de divulgação da taxa de desemprego do país, com os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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sexta-feira, 21 de julho de 2023

2,5 mil investidores com R$ 756,8 bilhões de patrimônio: entenda o que são os fundos exclusivos que o governo quer tributar

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Governo deve enviar alterações no imposto sobre fundos exclusivos no Orçamento de 2024, que deve ser avaliado pelo Congresso Nacional em agosto.
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Por Artur Nicoceli e Isabela Bolzani, g1

Postado em 21 de julho de 2023 às 08h30m

            Post. N. =  0.674           

Entenda o que são os fundos exclusivos que o governo quer tributarEntenda o que são os fundos exclusivos que o governo quer tributar

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou na quarta-feira (19) que deve enviar ao Congresso um projeto para taxar fundos exclusivos, também conhecidos como fundos dos super-ricos.

Conforme revelou a colunista Julia Duailibi em abril, a regra faz parte de uma série de medidas para elevar a arrecadação pública e viabilizar o arcabouço fiscal. A estimativa do governo é a de arrecadar cerca de R$ 10 bilhões com a tributação — 8,54% do aumento previsto com essas medidas, de R$ 117 bilhões.

Os fundos exclusivos são investimentos feitos de forma personalizada. E para ter esse modelo de investimento é preciso desembolsar no mínimo R$ 10 milhões. Isso porque o cotista — que pode ser pessoa física ou jurídica — é o único responsável por custear a criação e a manutenção dele.

O gestor desses fundos pode alocar o dinheiro em produtos como ações, multimercado ou renda fixa.

O ministro Fernando Haddad — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
O ministro Fernando Haddad — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Segundo o levantamento realizado pelo TradeMap, 2.568 fundos exclusivos com um único cotista estavam registrados até a última terça-feira (18), totalizando aproximadamente R$ 756,8 bilhões investidos — valor que representa 12,3% do patrimônio total de toda a indústria de fundos e uma média de R$ 294,7 milhões por investidor.

Além da participação significativa no total da indústria, o montante alocado nesse tipo de carteira também é mais de seis vezes maior do que o total de recursos investidos em títulos públicos.

Os últimos dados disponíveis indicam que, em maio, 2,2 milhões de investidores alocavam recursos no Tesouro Direto, totalizando R$ 116,1 bilhões — nesse caso, uma média de R$ 52,7 mil por investidor.

Na poupança, o saldo em maio era de R$ 961,5 bilhões. Segundo o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), haviam 240,3 milhões de clientes, incluindo pessoas físicas e jurídicas.

Fundos exclusivos x Tesouro Direto — Foto: g1
Fundos exclusivos x Tesouro Direto — Foto: g1

Os fundos exclusivos são tributados?

Apesar de os fundos exclusivos pagarem imposto de renda sobre os rendimentos, essa cobrança acontece apenas no momento do resgate.

A incidência do IR no fundo, por sua vez, acontece pela tabela regressiva — o que significa que quanto maior o tempo em que os recursos ficam alocados na carteira, menor é a alíquota paga pelos investidores, até chegar a um piso.

Segundo sinalizado pelo governo, a ideia é que esses fundos exclusivos sejam tributados no mesmo modelo que a maioria das carteiras abertas existentes no mercado, por meio de uma cobrança periódica semestral — também conhecida como come-cotas.

Normalmente, essa cobrança acontece sempre no último dia útil de maio e de novembro e o valor incide em 15% para os fundos de longo prazo e 20% para os de curto prazo. Nesse caso, o investidor só paga no resgate a diferença do valor do imposto devido e ainda não cobrado.

A proposta de mudar a tributação dos fundos dos super-ricosnão é nova: a discussão vem desde 2017, ainda no governo de Michel Temer, e foi incluída pelo ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, no projeto de reforma tributária enviado ao Congresso em 2021. O tema, no entanto, não avançou.

Quem são esses investidores?

Apesar de os dados sobre quem exatamente são esses investidores serem restritos, especialistas indicam que há um perfil que predomina entre aqueles que alocam recursos nessas carteiras.

[As carteiras] podem ter mais ou menos risco, mas certamente esse fundo tem características exclusivas de prazo, liquidez e rentabilidade, que são estruturadas com um objetivo específico e feitas justamente para aqueles investidores que têm uma capacidade financeira maior, afirma o professor da FIA Business School Carlos Honorato.

O especialista destaca, ainda, que o principal motivo pelo qual esses investidores optam por fundos exclusivos está relacionado à proteção de ativos e rentabilidade.

A alocação desses recursos visa basicamente a formação de uma carteira de preservação do valor [investido] e até de ganhos acima da inflação, diz o professor.

Em uma certa medida, esses fundos são feitos não só para [o investidor] repassar uma herança necessariamente, mas também criam uma forma de aquela riqueza, herança ou valor atribuído ao fundo em geral ter uma rentabilidade maior do que a média, completa Honorato.

Quando a mudança deve acontecer?

Com o anúncio do Ministério da Fazenda de aumentar a arrecadação para viabilizar o arcabouço fiscal, a pasta projetou diversas medidas para aumentar a receita. Uma delas — que ficará para o segundo semestre — é a tributação de fundos exclusivos.

Fernando Haddad afirmou nesta quarta-feira que a pasta irá submeter alterações na tributação de fundos exclusivos no Orçamento de 2024 para apreciação do Congresso Nacional em agosto.

Em entrevista a jornalistas na sede do Ministério, Haddad disse que as alterações devem ser enviadas ao Congresso por meio de um projeto de lei.

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quinta-feira, 20 de julho de 2023

'PIX dos EUA': Fed lançará serviço de pagamentos instantâneos para modernizar sistema Serviço

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"FedNow", que está em desenvolvimento desde 2019, buscará eliminar o atraso de vários dias que geralmente leva para as transferências de dinheiro.
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TOPO
Por Reuters

10h45m

            Post. N. =  0.673           

Sede do Federal Reserve em Washington, nos Estados Unidos  — Foto: Chris Wattie/Reuters
Sede do Federal Reserve em Washington, nos Estados Unidos — Foto: Chris Wattie/Reuters

O Federal Reserve lançará em breve um serviço que visa modernizar o sistema de pagamentos dos Estados Unidos, eventualmente permitindo que norte-americanos comuns enviem e recebam dinheiro em segundos, 24 horas por dia, sete dias por semana.

O serviço "FedNow", que está em desenvolvimento desde 2019, buscará eliminar o atraso de vários dias que geralmente leva para as transferências de dinheiro, colocando os EUA em linha com países como Reino Unido, Índia, Brasil e União Europeia, onde serviços similares existem há anos.

O FedNow será lançado com a certificação de 41 bancos e 15 provedores de serviços para usar o serviço, incluindo bancos pequenos e grandes credores como JPMorgan Chase, Bank of New York Mellon e US Bancorp, mas o Fed planeja integrar mais bancos e cooperativas de crédito neste ano.

O serviço competirá com os sistemas de pagamentos em tempo real do setor privado, incluindo a rede RTP da The Clearing House, e foi inicialmente contestado por grandes bancos que o consideraram redundante. Mas, desde então, muitos concordaram em participar com base no fato de que o FedNow permitirá a expansão dos serviços que podem oferecer aos clientes.

Ao contrário dos serviços de pagamento ponto a ponto, como Venmo ou PayPal, que atuam como intermediários entre os bancos, os pagamentos feitos via FedNow serão liquidados diretamente nas contas do banco central norte-americano.

O Fed também já opera um sistema de pagamentos em tempo real chamado FedWire, mas que é reservado para pagamentos corporativos em grande escala, e só funciona durante o horário comercial. Embora o novo sistema FedNow seja para todos, é provável que beneficie mais os consumidores e as pequenas empresas, disseram analistas.

Bancos menores, que geralmente se conectam ao FedWire por meio de instituições maiores, encorajaram o Fed a desenvolver o FedNow, argumentando que isso permitirá a eles acesso a pagamentos em tempo real sem ter que pagar concorrentes maiores pelo serviço.

O FedNow não cobrará dos consumidores, embora não esteja claro se ou como os bancos participantes repassarão quaisquer custos associados ao serviço.

Alguns participantes do mercado levantaram temores de que o FedNow poderia sobrecarregar um banco em potencial, facilitando saídas rápidas de instituições financeiras, um medo que foi ampliado após a falência do Silicon Valley Bank mais cedo neste ano.

Mas as autoridades do Fed minimizaram essas preocupações, argumentando que os bancos têm ferramentas disponíveis para mitigar uma onda de saídas.

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terça-feira, 18 de julho de 2023

Ibovespa fecha em queda, de olho no exterior e balanços corporativos nos Estados Unidos

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O principal índice da bolsa de valores recuou 0,32%, aos 117.841 pontos.
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Por g1

Postado em 18 de julho de 2023 às 12h15m

            Post. N. =  0.672           

Ibovespa opera em baixa, puxado pelo exterior. — Foto: Freepik
Ibovespa opera em baixa, puxado pelo exterior. — Foto: Freepik

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3 , fechou em queda nesta terça-feira (18), após passar boa parte do pregão oscilando entre leves altas e baixas. Investidores passaram o dia monitorando os mercados internacionais, de olho em dados econômicos e em resultados corporativos norte-americanos.

Por aqui, o desenrolar da reforma tributária e eventuais sinais sobre juros continuaram no radar.

Ao final do pregão, o índice recuou 0,32%, aos 117.841 pontos. Veja mais cotações.

No dia anterior, o Ibovespa fechou em alta de 0,43%, aos 118.219 pontos. Com o resultado de hoje, o índice passou a acumular:

  • altas de 0,11% na semana e de 7,39% no ano;
  • queda de 0,21% no mês.

O que está mexendo com os mercados?

Sem grandes novidades no noticiário doméstico, investidores continuaram a repercutir os dados do IBC-Br, divulgados pelo Banco Central do Brasil (BC) na véspera.

Esse indicador é considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) oficial do país e mostrou que, em maio, a atividade econômica brasileira recuou 2% em relação a abril.

Com esse resultado, especialistas do BTG Pactual destacam que o mercado passou a precificar com mais força uma sequência de quedas na Selic, taxa básica de juros. Isso porque os juros altos encarecem os custos de tomada de crédito e financiamento e geram uma desaceleração econômica.

"Um corte de juros em agosto é visto como um evento altamente provável pelo mercado. A principal incerteza é se o Copom começará com um movimento de redução de 0,25% ou 0,50%", comenta Luiz Calado, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (IBEF-SP).

No exterior, investidores seguiram de olho na temporada de balanços corporativos das empresas norte-americanas, que trazem uma sinalização de como anda a maior economia do mundo para as empresas.

Nesses primeiros dias da temporada de resultados, o Bank of America reportou um lucro de US$ 7,4 bilhões no segundo trimestre deste ano, uma alta de 19% em relação ao trimestre imediatamente anterior e acima das projeções. Analistas explicam que essa alta foi impulsionada, principalmente, pelos juros americanos, que estão entre 5,00% e 5,25% ao ano.

O Morgan Stanley, por sua vez, registrou uma queda de 18% no lucro do segundo trimestre, pressionado por uma queda nos negócios em Wall Street, que atingiu a divisão de investimentos do banco.

Na agenda de indicadores norte-americana, os dados de vendas no varejo de maio vieram abaixo das expectativas do mercado, com uma alta de 0,2% ante o 0,5% projetado.

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sábado, 15 de julho de 2023

Saiba o que é 'greedflation', a inflação gerada pela ganância de empresas, e por que a ideia é controversa

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O neologismo junta ganância e inflação, mas para os economistas, a explicação pelos altos índices dos últimos anos é mais complexa.
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Por Felipe Gutierrez

Postado em 15 de julho de 2023 às 07h15m

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Imagem de dólares em máquina de contar dinheiro — Foto: JN
Imagem de dólares em máquina de contar dinheiro — Foto: JN

De 2021 para cá, a inflação nos Estados Unidos e na Europa atingiu níveis bem mais elevados do que a média das últimas décadas: o índice nos EUA chegou a bater em 8,6%, e, na zona do euro, passou de 7%.

Nos veículos de imprensa estrangeiros surgiu uma nova explicação para esses índices de preços: a inflação estaria sendo acelerada pela ganância das empresas, que conseguiram aumentar preços sem perder margens de lucro --ou seja, as vendas não caíram.

A esse conceito se deu o nome de “greedflation”, um neologismo de composição que junta “greed” (ganância) e inflação.

A ideia é que as empresas que têm poder de mercado tiraram vantagem dessa força e aumentaram preços para além do que seria razoável. Isso, no entanto, é controverso.

Modelo de estudos econômicos

Nas aulas de economia, os modelos de estudo mais simples preveem que os mercados são plenamente competitivos –ou seja, nenhum agente econômico consegue, sozinho, estabelecer um preço; e todos, empresas e consumidores, estão sujeitos às curvas de oferta e demanda.

Nesses modelos, se o preço de um bem está muito alto, mais empresas vão começar a ofertar esse mesmo produto, e o preço vai voltar ao equilíbrio.

E o que causaria a inflação, por esses modelos? As explicações mais comuns são as seguintes:

  • Pressões de oferta (por exemplo, se uma seca destruiu a lavoura de tomate, haverá menos oferta, e o preço vai subir).
  • Pressões de demanda (se todos quiserem comprar tomates, o preço do tomate vai subir).
  • Teoria quantitativa da moeda (há excesso de dinheiro em circulação, o que faz com que o dinheiro perca valor –por exemplo, na Argentina, o governo emite muita moeda).

No entanto, no mundo real, os mercados não são plenamente competitivos. Algumas empresas têm uma fatia tão grande das vendas de um produto que conseguem, sozinhas, estabelecer os preços --isso que é a concentração de mercado.

Empresas querem ter lucros

Segundo uma reportagem do "New York Times" sobre "greedflation", há um consenso de que muitas empresas aumentaram os preços de seus produtos além das altas de seus próprios custos (isso é especialmente evidente em setores como o de transporte marítimo, mas o jornal também cita alta de preços de passagens aéreas nos EUA). A discussão entre os economistas é pelas causas e efeitos disso.

Nelson Marconi, professor da FGV, afirma que a concentração de mercado é apontada na literatura econômica como um fator que torna a inflação mais persistente.

Marconi aponta outros motivos para a alta da inflação nos EUA, mas diz que a ideia de "greedflation" faz algum sentido. As empresas testam o mercado e, se descobrem que o mercado aceita um preço mais alto, vão buscar elevar os preços, segundo ele.

"Se uma empresa tem condição aumentar margem (de lucro), vai fazer isso, e nós vemos vários mercados que estão se concentrando cada vez mais no mundo. Mas esse é somente um dos motivos que explicam o processo inflacionário, e há várias outros", afirma o professor.

Crítica da Economist

O conceito é bastante criticado --a revista “The Economist” publicou um artigo intitulado “A ideia de greedflation é uma bobagem”. Segundo a revista, a inflação atual nos países ricos é resultado de erros na política econômica e da guerra, e não da ganância corporativa. É natural que as empresas busquem maximizar seus lucros, e culpá-las pelo aumento dos preços seria misturar causa e efeito, de acordo com a publicação.

Para a “The Economist”, a inflação é alta por outros dois fatores:

  • Há muito dinheiro em circulação porque houve muitos programas de estímulo econômico (algo que remete à teoria quantitativa da moeda).
  • Houve queda de demanda pela pandemia seguida de interrupções na cadeia de suprimentos (ou seja, mudanças muito drásticas em demanda e oferta em um intervalo curto de tempo).
EUA mais fechados

O professor Luiz Roberto Cunha, da PUC do Rio de Janeiro, também cita os fatores que a "Economist" listou como explicações para a inflação nos EUA e na Europa, mas ele diz que algumas altas de preços são, sim, explicadas pela "greedflation". Ele afirma que, na verdade, o que mudou foram as condições que permitiram que isso acontecesse.

Ele aponta uma outra causa: desde o governo Trump, os EUA passaram a priorizar compras de produtos produzidos localmente. Um mercado mais fechado a importações é menos competitivo, e as empresas têm mais poder de mercado para estabelecer preços. "Mesmo antes da pandemia já havia uma redução da globalização", diz Cunha.

Índice de inflação divulgado nesta terça-feira, nos EUA, anima mercadoÍndice de inflação divulgado nesta terça-feira, nos EUA, anima mercado

Um texto da agência Bloomberg publicado na sexta-feira (14) discute se os modelos de estudos, muito baseados na inflação que ocorreu nos EUA durante os anos 1970, já não são capazes de explicar as altas de preços mais recentes.

A reportagem do "New York Times" cita um pesquisador do Economic Policy Institute que afirma que é importante revisitar a disciplina.

Ainda que o conceito de "greedflation" não seja uma unanimidade, algo mudou: a percepção sobre os conceitos clássicos de inflação, e provavelmente o tema vai ganhar mais espaço nas pesquisas acadêmicas.

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