A maior variação positiva no IPCA de agosto veio do grupo vestuário (1,69%), cujos preços haviam desacelerado no mês anterior (0,58%). As roupas femininas (1,92%), masculinas (1,84%) e os calçados e acessórios (1,77%) foram as maiores influências no avanço do grupo.
Já a alta de 1,31% no grupo de saúde e cuidados pessoais é relacionada aos aumentos dos itens de higiene pessoal (2,71%) e plano de saúde (1,13%).
No caso do plano de saúde, foi incorporada a fração mensal referente ao reajuste de 15,50% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos novos.
No grupo Educação, nos cursos regulares (0,51%), apenas os cursos de pós-graduação (-1,46%) tiveram recuo nos preços. As maiores variações foram da educação de jovens e adultos (3,68%), das creches (1,41%) e dos cursos técnicos (1,02%).
6 em cada 10 itens pesquisados ficaram mais caros em agosto
Embora a deflação tenha ficado concentrada em poucos grupos, a alta de preços teve maior espalhamento em agosto. O índice de difusão (percentual de itens com aumento no mês) acelerou de 63% em julho para 65% em agosto. Isso significa que, dos 377 produtos e serviços investigados pelo IBGE, 245 tiveram alta de preços no mês - em julho, foram 237 em alta.
Entre os impactos no IPCA de agosto, destaque para a gasolina e higiene pessoal. Veja abaixo:
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Principais impactos no índice de agosto — Foto: Reprodução/IBGE
13 das 16 áreas pesquisadas registram deflação
Regionalmente, três das 16 áreas tiveram alta em agosto. A maior variação positiva foi em Vitória (0,46%), influenciada pela alta 11,16% na energia elétrica. O menor resultado, por sua vez, ocorreu em Recife (-1,40%), puxado pela queda de 16,23% nos preços da gasolina.
INPC tem queda de 0,31% em agosto
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que calcula a inflação para famílias de baixa renda e é usado como referência para reajustes salariais e benefícios do INSS, teve queda de 0,31% em agosto. Com isso, o índice acumula alta de 4,65% no ano e de 8,83% nos últimos 12 meses. Em agosto de 2021, a taxa foi de 0,88%.
Os produtos alimentícios passaram de 1,31%, em julho, para 0,26%, em agosto. Já os não alimentícios tiveram queda menor (passando de uma retração de 1,21% em julho para -0,50% em agosto).
Inflação acima da meta em 2022 e riscos para 2023
Em 2021, a inflação fechou o ano em 10,06%, bem acima do teto da meta (5,25%), representando o maior aumento desde 2015.
Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2022 é de 3,5% e só será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 2% e 5%. O Banco Central já admitiu oficialmente, porém, que a meta de inflação será descumprida em 2022 pelo segundo ano seguido.
Para o próximo ano, a meta de inflação foi fixada em 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%. Ou seja, crescem as apostas de um estouro do teto da meta também no ano que vem.
Mesmo com a indicação de que o pior já passou para a inflação, o BC elevou a taxa Selic a 13,75% – maior patamar em 6 anos.
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Meta de inflação — Foto: Arte/g1
Preços devem subir lentamente, dizem economistas
Economistas apontam que a inflação deve encerrar o ano em um dígito, com forte redução em relação aos dois dígitos vistos na primeira metade do ano, porém, ainda acima da meta do Banco Central de 3,5%.
"A projeção de queda da inflação não significa que os preços vão cair de maneira geral. E sim, que eles passarão a subir mais lentamente. Isso porque inflação caindo é diferente de deflação – quando os preços efetivamente caem, como vimos com a gasolina nos últimos meses", explica Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos.
Gustavo Sung, economista chefe da Suno Research, destaca que, para o restante do ano, os efeitos da alta dos juros, arrefecimento dos preços das commodities, dos preços dos alimentos e de bens industriais, além dos combustíveis, podem contribuir para uma desaceleração da inflação. Porém, medidas fiscais que sustentem a demanda podem pressionar os preços.
"Para setembro, esperamos uma estabilidade dos preços ainda devido ao último reajuste nas refinarias e um menor efeito do corte de impostos sobre combustíveis", afirma.
O Itaú Unibanco prevê que o IPCA feche o ano em 7%, com previsão de novas reduções no índice para os meses de setembro e outubro. "A queda de preços de leite e derivados deve contribuir para deflação no grupo alimentação nos próximos meses", informa.