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terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Copom projeta novo estouro da meta de inflação em 2022 e indica alta menor do juro em março

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Comitê vê inflação a 5,4% neste ano; teto da meta é de 5%. Ata da reunião do Copom também avalia queda menor da Selic nos próximos meses, em razão de incertezas sobre gastos públicos.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 22 de fevereiro de 2022 às 13h15m

Post. N. =  0.426

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central estimou nesta terça-feira (8) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar acima do teto de 5% neste ano, o que representará, se confirmado, o estouro da meta de inflação pelo segundo ano consecutivo.

De acordo com o BC, a inflação deverá somar 5,4%. neste ano. A informação consta na ata da última reunião do Copom, realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros da economia foi elevada de 9,25% para 10,75% ao ano — pela primeira vez em dois dígitos em quatro anos e meio. A instituição também indicou um aumento menor da Selic em março (veja mais abaixo).

Em 2022, a meta central de inflação é de 3,5% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%. Para 2023, a meta de inflação foi fixada 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

O juro básicos, fixado a cada 45 dias nas reuniões do Copom, é o principal instrumento do Banco Central para conter o aumento de preços. Quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, pode reduzir os juros.

  • Na ata do Copom, o BC informou que uma "possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais [petróleo e alimentos, por exemplo] em moeda local produziria trajetória de inflação abaixo do cenário de referência [IPCA de 5,4% em 2022]".
  • Entretanto, acrescentou que "por outro lado, políticas fiscais que impliquem impulso adicional da demanda agregada ou piorem a trajetória fiscal futura [alta dos gastos públicos em ano eleitoral] podem impactar negativamente preços de ativos importantes [como o dólar, e impulsionar a inflação] e elevar os prêmios de risco do país".

No último ano, o IPCA somou 10,06%, o maior desde 2015 e acima do teto da meta de inflação, de 5,25%. Por conta disso, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, teve de escrever uma carta aberta, na qual avaliou que a alta nos preços de commodities (produtos básicos, como alimentos e petróleo), da energia e falta de insumos levaram país a superar a meta.

Retorno para a meta em 2023

Na ata do Copom, o BC informou que a decisão de subir o juro na semana passada para 10,75% ao ano é "compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante, que inclui o anos-calendário de 2022 e, em grau maior, o de 2023". Com isso, o BC reforçou o cenário em que a inflação retorna para a meta somente no próximo ano.

E, ao mesmo tempo, o BC avaliou que essa decisão de não aumentar mais o juro neste momento para tentar cumprir a meta de inflação já em 2022 "implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego". Ou seja, impede uma queda maior da atividade econômica e, consequentemente, melhora o cenário para a retomada do emprego.

Alta menor em março

O Copom também indicou que o próximo aumento da taxa básica de juros, em meados do mês de março, será menor.

"Em relação aos seus próximos passos, o Comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros", informou, no documento divulgado nesta terça-feira.

Na reunião da semana passada, o aumento foi de 1,5 ponto percentual, para 10,75% ao ano.

Para o próximo encontro, em meados de março, a previsão do mercado financeiro, até o momento, é de que a elevação da taxa Selic será de um ponto percentual, para 11,75% ao ano.

Próximos meses

Na ata da reunião do Copom da semana passada, divulgada nesta terça-feira, o BC diz que o risco de "desancoragem" das expectativas de inflação do mercado em relação às metas de inflação em prazos mais longos, ou seja, de 2023 em diante, por conta de eventuais aumentos nos gastos públicos, "mantém o viés altista para as projeções do seu cenário de referência".

Deste modo, o BC avalia que a inflação pode ficar mais alta ainda do que o estimado neste momento, cuja previsão é de 3,2% para o ano de 2023.

"Diante desse resultado, novamente o Copom concluiu que o ciclo de aperto monetário deverá ser mais contracionista [juro mais elevado] do que o utilizado no cenário de referência ao longo do horizonte relevante", acrescentou o Banco Central.

Segundo o economista-chefe do banco Alfa, Luis Otavio de Souza Leal, isso indica o ajuste deverá ser maior do que o estimado atualmente: que prevê a Selic acima 12% ao ano em março; em 11,75% ao ano no fim de 2022 e 8% ao ano no fechamento de 2023.

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Bovespa opera em queda após divulgação de ata do Copom

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Na segunda-feira, a bolsa fechou em queda de 0,22%, aos 111.996 pontos.
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Por g1

Postado em 08 de fevereiro de 2022 às 11h10m

Post. N. =  0.425

O principal índice de ações da bolsa de valores de São Paulo, a B3, opera em queda nesta terça-feira (8), com os investidores avaliando a ata da reunião do Copom que definiu a alta da Selic para 10,75%.

Às 16h18, o Ibovespa recuava 0,03%, a 111.957 pontos. Veja mais cotações.

Na segunda-feira, a bolsa fechou em queda de 0,22%, a 111.996 pontos. Com o resultado, o Ibovespa acumula queda de 0,13% no mês e alta de 6,84% no ano.

Taxa Selic a 10,75%: Remédio contra inflação deixa crédito mais caroTaxa Selic a 10,75%: Remédio contra inflação deixa crédito mais caro

Cenário

O Banco Central divulgou mais cedo a ata da reunião do Copom que definiu a elevação da taxa Selic a 10,75%. No documento, o comitê estima que a inflação deste ano deve ficar acima do teto de 5% ao ano, o que representará, se confirmado, o estouro da meta de inflação pelo segundo ano consecutivo. Em 2022, a meta central de inflação é de 3,5% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

O Copom também indicou que o próximo aumento da taxa básica de juros, em meados do mês de março, será menor – na reunião da semana passada, o aumento foi de 1,5 ponto percentual, para 10,75% ao ano.

Para o Itaú, a ata indica um ritmo mais lento de elevação da taxa Selic, mas sem uma pausa iminente. "Passamos a esperar agora que o ciclo de aperto monetário termine com a taxa Selic em 12,50% ao ano", destacou o banco. Até então, a projeção era de Selic terminal de 11,75%.

No exterior, o dia é positivo, apesar das continuadas tensões com a possível invasão russa à Ucrânia.

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Produção de veículos despenca em janeiro no Brasil com Ômicron e falta de peças

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Vendas foram as mais baixas para um único mês desde maio de 2020, segundo dados da Anfavea.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 07 de fevereiro de 2022 às 17h40m

Post. N. =  0.424

A produção de veículos no Brasil em janeiro foi a mais baixa para o mês desde 2003, impactada pela crise na oferta de componentes, que já dura meses, e fatores que incluem afastamento de pessoal nas fábricas por conta de infecções pela variante Ômicron da Covid-19.

Já as vendas foram as mais baixas para um único mês desde maio de 2020, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (7) pela associação de montadoras Anfavea.

Além da falta de oferta de veículos no mercado, com os estoques se mantendo em 114,4 mil unidades em concessionárias e fábricas, e da Ômicron, o setor menciona a intensa temporada de chuvas no país que tem afastado clientes de lojas e atrasos nos emplacamentos por conta da entrada de vigor de um novo sistema do Registro Nacional de Veículos em Estoque (Renave).

Produção de veículos cai 27,4% em janeiro, pior resultado em 19 anosProdução de veículos cai 27,4% em janeiro, pior resultado em 19 anos

O total de veículos emplacados em janeiro correspondeu a uma média por dia útil de 6 mil unidades, número que subiu para 7,2 mil nos primeiros dias de fevereiro, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, a jornalistas.

"Outros países afetados pela Ômicron tiveram quedas parecidas com a nossa, próximas de 20%", disse o executivo. "O nível de absenteísmo (de trabalhadores) aumentou bastante... isso significa ritmo de produção menor. Imaginamos que talvez para fevereiro isso possa melhorar", afirmou Moraes, indicando nível de ausências de 6% a 7%.

Produção de veículos no Brasil — Foto: Economia g1
Produção de veículos no Brasil — Foto: Economia g1

Em janeiro, a produção de veículos do Brasil desabou 31,1% ante dezembro, para 145,4 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus e as vendas de novos tombaram 38,9%, para 126,5 mil unidades. Frente a janeiro de 2021, a produção teve queda de 27,4% e os emplacamentos recuaram 26,1%.

As exportações de veículos montados, porém, cresceram 6,6% no comparativo anual em janeiro, para 27.638 unidades.

O segmento de caminhões seguiu sendo menos atingido pelos problemas na oferta de componentes, com a produção recuando 23,7% em janeiro sobre dezembro, mas crescendo 7,5% na comparação anual, para 9.463 unidades.

Já a produção da categoria de veículos leves, formada por carros, picapes, utilitários esportivos e vans, teve quedas de 31,7% e 29,2% nas comparações mensal e anual, respectivamente, em janeiro.

Elétricos

Apesar do alto custo, mais de R$ 150 mil, os carros elétricos e híbridos continuaram ganhando espaço em janeiro, segundo os dados da entidade.

Os modelos elétricos registraram vendas de 368 unidades em janeiro e os híbridos 2.190 ante emplacamentos de 140 e 1.181 unidades um ano antes. Já as vendas dos veículos flex recuaram de 138,3 mil para 94,9 mil.

A participação dos modelos elétricos e híbridos no total das vendas de novos em janeiro foi de 2,2% ante 1,8% no total de 2021 e 1% em 2020, segundo os dados da Anfavea.

Questionado se o país poderá ter no horizonte de cinco anos alguma fábrica de modelos híbridos ou elétricos, Moraes citou dados de levantamento da entidade que apontam que em 2035 é possível que a demanda nacional justifique a instalação de pelo menos um linha de produção.

Segundo o levantamento, se o mercado nacional de veículos atingir um volume de 4,1 milhões de unidades, as vendas de elétricos e híbridos obrigatoriamente serão de cerca de 1,3 milhão de unidades, dada a legislação que obriga que pelo menos 30% "tenham algum grau de eletrificação".

"É muito difícil carimbar quando vai acontecer (produção nacional de elétricos e híbridos), mas essas dimensões vão facilitar", disse Moraes. "É inevitável, não vai ser na velocidade da Europa, mas vai acontecer", acrescentou.

Ele citou que programas como o Finame Baixo Carbono, linha de crédito recentemente flexibilizada pelo BNDES, devem estimular a produção local de tecnologias de baixa emissão de poluentes no país, algo que também inclui motores que usam biogás e gás natural.

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Número de pedidos de seguro-desemprego em 2021 é o menor desde 2006

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Entre os motivos está o programa de suspensão e redução de jornada, que garantiu estabilidade a milhares de trabalhadores.
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Por Marta Cavallini, g1

Postado em 04 de fevereiro de 2022 às 10h05m

Post. N. =  0.423

O número de pedidos de seguro-desemprego em 2021 foi o menor registrado desde 2006, segundo levantamento do g1, após análise dos números do Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência.

A queda pode ser creditada, em grande parte, ao Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm), segundo o ministério. Os dados também sofrem influência da alta taxa de informalidade no mercado de trabalho brasileiro – de 40,6% segundo os últimos dados disponíveis.

A todo, foram feitos 6.087.576 requerimentos no ano passado – 10,3% menos que em 2020 (6.784.120) e o menor número registrado desde 2006 (5.857.986).

Pedidos de seguro-desemprego entre 2006 e 2021 — Foto: Economia g1
Pedidos de seguro-desemprego entre 2006 e 2021 — Foto: Economia g1

O total de parcelas pagas também foi o menor desde 2006. No ano passado, a quantidade chegou a 22.382.788. Em 2006, o total foi de 22.182.022.

Parcelas pagas de seguro-desemprego entre 2006 e 2021 — Foto: Economia g1
Parcelas pagas de seguro-desemprego entre 2006 e 2021 — Foto: Economia g1

BEm freou pedidos

De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência, os pedidos de seguro-desemprego resultam do total de demissões sem justa causa, e boa parte desses desligamentos foi freada pela vigência do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm), que permitiu a preservação de 11,1 milhões de vínculos de trabalho, com a garantia provisória de emprego para 10,5 milhões de trabalhadores.

O programa que permitiu a redução de jornada e salário ou suspensão do contrato de trabalho ficou em vigência de abril a dezembro de 2020 e de abril a agosto de 2021. O Benefício Emergencial prevê que os trabalhadores têm direito à estabilidade pelo tempo equivalente à suspensão do contrato ou redução da jornada.

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), havia mais de 2,1 milhões de trabalhadores com estabilidade provisória no emprego em dezembro do ano passado.

Assim, somando-se os efeitos da retomada da atividade com os da garantia provisória [estabilidade no emprego], tem-se uma menor taxa de demissões sem justa causa, o que enseja uma menor solicitação do benefício. O nível de desligamentos está bem abaixo do registrado em 2016. Com isso, houve a queda na demanda pelo benefício", informou o ministério.

O economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, concorda que a queda no número de pedidos do benefício está atrelada ao programa de redução da jornada e suspensão dos contratos.

Muitos trabalhadores ficaram dentro de uma garantia provisória de emprego por conta do programa. Mas, com cada vez menos influência da medida, que tem uma parcela menos significativa de trabalhadores com essa garantia, é possível que vejamos esses números de seguro-desemprego voltarem a um patamar mais ‘normal’ em 2022. Aos poucos as demissões estão retornando ao patamar pré-pandemia, com cada vez menos efeitos do BEM, um cenário doméstico mais deteriorado e menos opções, afirma.

Segundo levantamento da LCA Consultores, em 2020 e 2021, uma parcela significativa de trabalhadores teve a garantia provisória de emprego, e nos primeiros quatro meses deste ano ainda é possível verificar uma quantidade residual de contemplados com a estabilidade. Veja abaixo:

São Paulo liderou criação de vagas em 2021; veja cidades que mais abriram e fecharam postos formais no ano

Número de trabalhadores com estabilidade provisória no emprego — Foto: Reprodução
Número de trabalhadores com estabilidade provisória no emprego — Foto: Reprodução

Informalidade

A alta informalidade do trabalho no Brasil também pesa sobre os números do seguro-desemprego: de cada dez postos de trabalho do país, 4 não têm carteira assinada – nem direito ao benefício.

Depois de ser o mais afetado pelo desemprego em 2020, o informal também liderou a criação de vagas desde então: dados do IBGE mostram que o número de trabalhadores sem carteira assinada ocupados cresceu 18,7% entre entre novembro de 2020 e o mesmo mês de 2021. Já entre os trabalhadores com carteira, a alta foi de 8,4%.

Pedidos de seguro-desemprego não chegam à metade das demissões

Apesar de o número de desligamentos dos empregos com carteira assinada terem chegado a quase 18 milhões em 2021, apenas 6,1 milhões de pedidos de seguro-desemprego foram feitos no ano passado – ou seja, apenas 33,9% dos que saíram do emprego solicitaram (ou tinham direito a) o benefício.

O número de pedidos de seguro-desemprego mês a mês variou em 2021 no patamar de 30% a 40% do total de demissões, com exceção de dezembro, que ficou em 28%. Veja abaixo:

  • Janeiro: 33%
  • Fevereiro: 33,22%
  • Março: 36,63%
  • Abril: 40,19%
  • Maio: 38,27%
  • Junho: 35,22%
  • Julho: 33,54%
  • Agosto: 32,56%
  • Setembro: 32%
  • Outubro: 31,35%
  • Novembro: 33,8%
  • Dezembro: 28,26%

O período de março a junho, que coincidiu com o agravamento da pandemia e a consequente piora do mercado de trabalho, teve a maior quantidade de requerimentos do benefício em relação ao total de demissões. Os meses de abril e maio tiveram a maior quantidade de pedidos de seguro-desemprego do total de demissões.

Pedidos de seguro-desemprego em relação às demissões — Foto: Economia g1
Pedidos de seguro-desemprego em relação às demissões — Foto: Economia g1

Já em 2020, o número de demissões foi de quase 16 milhões, e o número de pedidos de seguro-desemprego se aproximou de 6,8 milhões, ou 43% do total de desligamentos, proporção maior que a do ano passado.

O pico de requerimentos do benefício se deu em abril e maio, com o recrudescimento da pandemia e quando o Benefício Emergencial ainda começava a ser implantado pelas empresas.

Pedidos de seguro-desemprego em relação às demissões — Foto: Economia g1
Pedidos de seguro-desemprego em relação às demissões — Foto: Economia g1

De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência, existe uma correlação entre o número de desligamentos apresentados no Caged e o número de solicitações de seguro-desemprego, mas essas proporções não são novidade.

O Caged mostra os desligamentos de todo o tipo, sem distinção de critérios, enquanto o seguro-desemprego possui condições legais para que possa ser concedido, como necessidade de ter sido dispensado sem justa causa e períodos mínimos de trabalho com carteira assinada para poder ter direito (leia mais abaixo).

Além disso, existe o fator de decisão dos trabalhadores dispensados, que podem não optar pelo benefício, e até mesmo aqueles que saem de um emprego e vão para outro sem passar pelo seguro-desemprego.

Os trabalhadores têm de 7 até 120 dias após a data do desligamento para requerer o benefício, segundo o governo.

Quem tem direito

Tem direito ao seguro-desemprego o trabalhador que atuou em regime CLT e foi dispensado sem justa causa, inclusive em dispensa indireta - quando há falta grave do empregador sobre o empregado, configurando motivo para o rompimento do vínculo por parte do trabalhador.

Também pode requerer o benefício quem teve o contrato suspenso em virtude de participação em programa de qualificação profissional oferecido pelo empregador, o pescador profissional durante o período defeso e o trabalhador resgatado da condição semelhante à de escravo.

Não é permitido receber qualquer outro benefício trabalhista em paralelo ao seguro nem possuir participação societária em empresas.

Como funciona

O trabalhador recebe entre 3 a 5 parcelas, dependendo do tempo trabalhado. O trabalhador recebe 3 parcelas do seguro-desemprego se comprovar no mínimo 6 meses trabalhado; 4 parcelas se comprovar no mínimo 12 meses; e 5 parcelas a partir de 24 meses trabalhado.

Para solicitar o seguro-desemprego pela 1ª vez, o trabalhador com carteira assinada precisa ter atuado por pelo menos 12 meses com carteira assinada em regime CLT nos últimos 18 meses imediatamente anteriores à data de dispensa.

Para solicitar pela 2ª vez, precisa ter trabalhado por 9 meses nos últimos 12 meses imediatamente anteriores à data de demissão.

Já na 3ª e demais, precisa ter atuado na empresa por no mínimo 6 meses.

Valores do seguro-desemprego

O valor máximo das parcelas do seguro-desemprego é de R$ 2.106,08, pago aos trabalhadores com salário médio acima de R$ 3.097,26.

O valor recebido pelo trabalhador demitido depende da média salarial dos últimos três meses anteriores à demissão. No entanto, o valor da parcela não pode ser inferior ao salário mínimo vigente (R$ 1.212). Veja abaixo:

Valores do seguro-desemprego em 2022 — Foto: Economia g1
Valores do seguro-desemprego em 2022 — Foto: Economia g1

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

PIX: quais dados foram vazados, quais os riscos e como se proteger

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Banco Central já informou três casos de vazamento de dados desde que a tecnologia passou a funcionar.
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Por Luiz Guilherme Gerbelli e Raphael Martins, g1

Postado em 03 de fevereiro de 2022 às 19h35m

Post. N. =  0.422

Entenda como mandar e receber dinheiro pelo Pix
Entenda como mandar e receber dinheiro pelo Pix

Nesta quinta-feira (3), o Banco Central revelou mais um vazamento de dados relacionados ao PIX. É o terceiro caso já divulgado pela instituição desde que a tecnologia começou a funcionar.

Saiba mais sobre os casos registrados até o momento e como se proteger caso seus dados tenham sido vazados. Em vídeo mais abaixo um especialista explica como evitar os golpes.

Por que esses vazamentos acontecem?

O BC é o responsável técnico pelo PIX, mas quem opera e faz a gestão dos dados são as instituições financeiras. Os vazamentos acontecem por vulnerabilidades na proteção de dados dentro das empresas.

Partindo desse pressuposto, os vazamentos podem acontecer de várias formas, das mais simples às complexas: invasão ou divulgação indevida de bancos de dados, exposição dos dados fora dos sistemas da instituição, e-mails para remetentes desprotegidos e assim por diante.

Até o momento, todos os vazamentos não foram do BC. Foram falhas de segurança da própria instituição, afirma Marcelo Chiavassa, professor de direito digital da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Em geral, esses vazamentos ocorreram por falha humana, provocado, por exemplo, por alguém que clica num link capaz de roubar toda base de dados, acrescenta.

Entenda o PIX Saque e o PIX TrocoEntenda o PIX Saque e o PIX Troco

Quantos vazamentos já aconteceram com o PIX?

Foram registrados três vazamentos envolvendo o PIX.

Que dados foram vazados?

Cada vazamento é diferente, mas as últimas ocorrências envolvendo o PIX deram acesso às chaves de cliente das instituições financeiras, junto com dados relacionados, como CPFs.

De acordo com o Banco Central, as chaves PIX são apenas uma identificação facilitada para recebimento de recursos, como instituição de relacionamento, agência, conta e tipo da conta. Não há, portanto, acesso a saldo, fluxos de pagamentos e outras movimentações bancárias.

Como saber se meus dados foram vazados?

O BC informou, ainda, que as pessoas que tiveram seus dados cadastrais expostos a partir do incidente serão notificadas "exclusivamente por meio do aplicativo de sua instituição de relacionamento".

"Nem o BC nem as instituições participantes usarão quaisquer outros meios de comunicação aos usuários afetados, tais como aplicativos de mensagem, chamadas telefônicas, SMS ou e-mail", acrescentou.

Especialista responde como não cair em golpes com o PIXEspecialista responde como não cair em golpes com o PIX

Quais os riscos?

O vazamento foi de chaves PIX e dados relacionados. Sem acesso às senhas ou tokens, não é possível movimentar as contas.

Isoladamente, é um problema muito baixo, porque, mesmo com o número do celular ou do CPF, a pessoa não poderá acessar a conta bancária, diz Chiavassa.

Mas o BC alerta que a exposição das informações pode ser utilizada para aplicação de golpes de engenharia social, isto é, quando o golpista tentar persuadir a vítima a entregar a liberação ao acesso da conta em questão.

Um exemplo comum é o indivíduo, em posse das informações, fingir ser um funcionário do banco para tentar obter as credenciais do cliente.

Além disso, criminosos podem fazer o cruzamento desses dados com vazamentos antigos de bases de dados e dar mais sofisticação a outros golpes. Podem tentar se passar por alguém em interações com empresas ou praticar golpes como o saque indevido do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

"Esse não é um vazamento de informações sensíveis, o grande problema é a combinação desses dados com outros, que podem municiar um contato com mensagem falsa ou uso de 'phishing'", afirma Bruno Diniz, sócio da consultoria de inovação Spiralem.

Uma tática comum de "phishing" é enviar e-mails ou mensagens falsas para vítimas, em nome de empresas como bancos e tentar obter vantagens financeiras.

É possível, por exemplo, que criminosos enviem faturas falsificadas (como telefone, internet, IPVA, IPTU, entre outras) por e-mail. A vítima, identificando uma série de dados pessoais corretos, acredita que aquele débito é real e faz o pagamento.

Como proteger meus dados?

Não há uma forma específica de proteção dos dados fora da escolha de instituições financeiras. "Esse é o paradigma dos tempos atuais. Creio que, em um futuro próximo, o elemento de segurança digital será visto como diferencial, inclusive nas campanhas de marketing dos bancos", afirma Diniz.

Por ora, existe a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrou em vigor em 2020, e tem como objetivo garantir mais segurança e transparência no uso de informações pessoais coletadas por empresas públicas e privadas.

"Temos punições previstas pela LGPD, mas é preciso observar como esses casos serão tratados pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Até agora, os vazamentos não foram graves. Mas podem ser piores no futuro", diz o especialista. 

Para quem já teve dados vazados, o BC já fez alguns alertas:
  • sempre suspeitar de mensagens SMS ou em aplicativos enviadas por números desconhecidos e nunca clicar em links enviados por tais números;
  • ter atenção redobrada ao receber ligações de pessoas se passando por bancos e jamais fornecer informações pessoais, códigos recebidos via SMS ou senhas bancárias, nem tampouco autorizar acesso remoto ao aplicativo ou internet banking;
  • ter cuidado com e-mails e páginas falsas que tentem se passar por qualquer instituição financeira;
  • nunca utilizar senhas fáceis de serem descobertas.
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