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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

El Salvador vai reconhecer Bitcoin como moeda legal

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Maioria da população, no entanto, rejeita a criptomoeda e prefere continuar usando o dólar, segundo as últimas pesquisas.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 06 de setembro de 2021 às 13h20m

  .*  Post. N. = 0.323  *.  

El Salvador se tornará o primeiro país do mundo a reconhecer o bitcoin como moeda legal na terça-feira (7), em meio a forte ceticismo e advertências de economistas e organizações financeiras internacionais.

O governo de Nayib Bukele garante que a polêmica medida contribuirá para a bancarização da população e evitará uma perda de US$ 400 milhões nas remessas que os salvadorenhos enviam do exterior e que representam 22% do PIB, embora alguns especialistas questionem.

Em El Salvador, que dolarizou sua economia há duas décadas, a maioria dos 6,5 milhões de salvadorenhos rejeita o bitcoin promovido por Bukele e prefere continuar usando o dólar, segundo as últimas pesquisas.

"Esse bitcoin é uma moeda que não existe, é uma moeda que não vai favorecer os pobres e sim os ricos, porque o pobre, que mal tem pra comer, não pode investir", comentou à AFP José Santos Melara, veterano da guerra civil (1980-1992) que na sexta-feira participou de um protesto contra a criptomoeda.

Bitcoin: Saiba o que é e como funciona a mais popular das criptomoedas
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Sete em cada 10 salvadorenhos indicaram que "discordam ou discordam veementemente" do bitcoin, que circulará ao lado do dólar, apontou uma pesquisa recente da Universidade Centro-Americana (UCA), que consultou 1.281 pessoas em meados de agosto.

Dos mais de 1.500 consultados em outra pesquisa do jornal La Prensa Gráfica, 65,7% disseram que desaprovam a criptomoeda.

A diretora do Instituto de Opinião Pública da UCA, Laura Andrade, garante que a população resiste ao bitcoin por não considerá-lo uma forma de melhorar sua situação econômica.

"São decisões sem consulta que este governo têm tomado em conjunto com os legisladores, e que as pessoas não percebem um impacto positivo para transformar significativamente suas condições de vida", apontou Andrade à AFP.

A pesquisa da UCA indicou que 65,2% da população não tem interesse em baixar a carteira eletrônica "Chivo" necessária para fazer compras e vendas em bitcoins, e não concorda que o governo conceda o equivalente a US $ 30 como incentivo aos usuários da criptomoeda.

Mas Jorge García, um cabeleireiro de 34 anos que usa bitcoin há três, acredita que "tem futuro" e espera que "aumente seu valor".

A Assembleia Legislativa aprovou a lei do bitcoin em junho e no final de agosto endossou um fundo de 150 milhões de dólares para garantir a "conversibilidade automática" do bitcoin em dólar.

Por lei, o bitcoin terá "poder libertário ilimitado em qualquer transação". A lei estabelece que o câmbio entre o bitcoin e o dólar "será livremente estabelecido pelo mercado" e obriga "a aceitar o bitcoin como forma de pagamento".

Em todo o país, o governo instala mais de 200 "pontos Chivo", caixas eletrônicos bitcoin, alguns protegidos pelo exército para evitar possíveis depredações.

Economistas e organizações como o Banco Mundial, o FMI e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) são céticos quanto à adoção do bitcoin como moeda ao lado do dólar.

Terá um "impacto negativo" nas condições de vida da população dada a "alta volatilidade da cotação" e "afetará os preços de bens e serviços", afirma o economista Óscar Cabrera, da Universidade de El Salvador.

O fato de ser determinado "exclusivamente pelo mercado" torna o bitcoin "altamente volátil", alertou a Fundação Salvadorenha para o Desenvolvimento Econômico e Social (Fusades). A Fundação também considera "inconstitucional" impor "a aceitação obrigatória do bitcoin como forma de pagamento quando oferecido" em qualquer transação econômica.

Incentivado por uma alta aprovação pública, mas criticado por várias medidas consideradas autoritárias e que afetam a independência entre os poderes do Estado, Bukele defende sua decisão e acusou a oposição de "assustar" a população sobre a criptomoeda.

Os Estados Unidos pediram a El Salvador para ter um uso "regulamentado", "transparente" e "responsável" do bitcoin e "para se proteger de atores malignos".

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domingo, 5 de setembro de 2021

Guedes diz que país atravessa 'o pior da inflação' e projeta 7% no acumulado até o fim do ano

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Ministro vê inflação de 4% em 2022, mas reconhece que crise hídrica é obstáculo. Guedes também defendeu novo Bolsa Família para repor o poder de compra corroído pela inflação.
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Por Jamile Racanicci, TV Globo — Brasília

Postado em 05 de setembro de 2021 às 09h45m

  .*  Post. N. = 0.322  *.  

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira (3) que a inflação atingiu o seu "pior" e deve cair, até o final do ano, para o patamar de 7% em 12 meses. Para 2022, a projeção do ministro é que a inflação chegue a 4% entre janeiro e dezembro.

Eu imagino que o pior da inflação nós estamos atravessando agora. Daqui para frente a taxa deve começar a cair lentamente. Está agora em 8,8%, 8,9%, quase batendo os 9%. A gente espera que esse ano feche lá em torno dos 7%, já descendo, disse em evento transmitido pela internet.

"Chegar em torno de 4% no final do ano que vem, é o que nós estamos tentando", complementou.

Ao lado da atuação do Banco Central na definição dos juros, Guedes destacou que a austeridade no controle de gastos públicos por parte do governo federal ajudará a conter a alta dos preços. Porém, avaliou que a crise energética dificulta a tarefa.

A crise de recursos hídricos aumenta o desafio, disse.

Veja abaixo análise sobre a inflação atual:

Economista diz que inflação é motivo de preocupação: 'Falta zelo com as contas públicas'
Economista diz que inflação é motivo de preocupação: 'Falta zelo com as contas públicas'

Na pior estiagem dos últimos 91 anos, estão sendo acionadas usinas termelétricas – mais caras e poluentes -- para garantir o fornecimento da energia elétrica e preservar os reservatórios das hidrelétricas. Como o custo de geração de energia aumentou, o valor é repassado para os consumidores na conta de luz e na alta dos preços dos produtos e serviços. 

Após reajustar a bandeira tarifária em junho deste ano, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou um novo patamar de taxa extra para as contas de luz de todo o país, com a entrada em vigor, nesta quarta-feira (1º), da "bandeira tarifária escassez hídrica", que adicionou R$ 14,20 às faturas para cada 100 kW/h consumidos.

Nesse sentido, o ministro da Economia reconheceu que um eventual aumento nos valores do Bolsa Família não significaria um ganho real de renda para famílias mais pobres. Em vez disso, o reajuste serviria apenas para repor o poder de compra que foi corroído pela inflação.

Temos que controlar essa inflação e temos que repor justamente o poder aquisitivo dos mais frágeis, e aí entra o Bolsa Família, afirmou.

Peso de itens essenciais no orçamento das famílias é o maior em 16 anos
Peso de itens essenciais no orçamento das famílias é o maior em 16 anos

Auxílio emergencial

Por considerar que os índices de mortes decorrentes da pandemia estão diminuindo, o ministro disse que não considera estender o auxílio emergencial por meio de uma nova rodada para além de outubro.

Eu sinceramente não considero nova rodada, não, afirmou.

Apesar de avaliar que os números da Covid estão em queda, o ministro reconheceu que no início do ano a equipe econômica não contava com uma segunda onda da pandemia. Nesse sentido, afirmou que o auxílio emergencial poderia voltar caso a variante delta crie uma terceira onda.

Se vier variante delta, ela subir, aumentar de novo a taxa de mortalidade, a infecção estiver fazendo vítimas, aí tudo bem, vamos embora de novo para o auxílio. Mas não é o que estamos vendo no momento, disse.

A primeira onda parecia que tinha ido embora e voltou, complementou.

Após três altas seguidas, economia brasileira cai 0,1% no segundo trimestre
Após três altas seguidas, economia brasileira cai 0,1% no segundo trimestre

Reforma do Imposto de Renda

Questionado sobre as mudanças aprovadas pela Câmara na reforma do Imposto de Renda, o ministro afirmou que os princípios mais importantes do texto original foram mantidos.

Nosso eixo era: mais impostos sobre os rendimentos de capital, que pagavam 0 e vão pagar modestos 15%, aliviando 32 milhões de brasileiros assalariados e 5 milhões de empresas que também vão pagar menos. Esse era o eixo da reforma e, nesse sentido, foi aprovada lá, afirmou.

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quinta-feira, 2 de setembro de 2021

PIX Saque e PIX Troco começam a funcionar em 29 de novembro, informa Banco Central

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Limite máximo das transações será de R$ 500 durante o dia e R$ 100 no período noturno. Clientes terão direito a oito operações mensais gratuitas.
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Por Alexandro Martello, Jéssica Sant'Ana e Jamile Racanicci, G1 e TV Globo — Brasília

Postado em 02 de setembro de 2021 às 16h15m

  .*  Post. N. = 0.321  *.  

O Banco Central regulamentou nesta quinta-feira (2) duas novas modalidades do PIX: o PIX Saque – que permitirá o saque em dinheiro em estabelecimentos comerciais – e o PIX Troco – que também permitirá o saque, mas associado a uma compra ou à prestação de um serviço.

Os novos serviços estarão disponíveis a partir de 29 de novembro.

Todas as pessoas que tiverem conta em uma das instituições participantes do PIX poderão utilizar os novos serviços, informou o Banco Central. Serão oito operações gratuitas por mês para as pessoas físicas, incluindo os saques tradicionais.

Atualmente, o PIX permite apenas pagamentos e transferências instantâneas em todo o país entre pessoas, empresas e governo 24 horas por dia, sete dias da semana.

O limite máximo das transações do PIX Saque e do PIX Troco será de R$ 500,00 durante o dia, e de R$ 100,00 no período noturno (das 20 horas às 6 horas), segundo o Banco Central.

Haverá, no entanto, liberdade para que os ofertantes dos novos produtos do PIX trabalhem com limites inferiores a esses valores caso considerem mais adequado aos seus fins.

Pix já é a segunda forma de pagamento mais utilizada no Brasil
Pix já é a segunda forma de pagamento mais utilizada no Brasil

Como vai funcionar

O PIX Saque funcionará assim:

  1. O cliente vai ao estabelecimento comercial e demais agentes de saques que ofertam o PIX Saque.
  2. O cliente faz um PIX a partir da leitura de um QR Code mostrado ao cliente, ou a partir do aplicativo do prestador do serviço.
  3. Após a autenticação do pagamento, cliente recebe o valor da transferência em dinheiro.

O PIX troco funcionará de forma semelhante. A diferença é que o saque de recursos em espécie pode ser realizado durante o pagamento de uma compra ao estabelecimento. Nesse caso, o PIX é feito pelo valor total (compra + saque).

No extrato do cliente, aparecerá o valor correspondente ao saque e ao valor da compra. Por exemplo, o cliente compra um produto de R$ 100, faz um PIX de R$ 150 e recebe R$ 50 em dinheiro.

Poderão ofertar as novas modalidades:

  • estabelecimentos comerciais
  • instituições financeiras com rede própria de ATM
  • terminais de auto atendimento, como caixas 24 horas
  • entidades que ofertam rede independente (compartilhada) de ATM

Os estabelecimentos comerciais e demais agentes de saque terão liberdade de definir se querem ofertar apenas o PIX Saque, apenas o PIX Troco ou ambos; os dias e períodos que pretendem disponibilizar o serviço; e informações sobre os valores (exemplo, apenas múltiplos de R$ 10).

Se o comércio não tiver o dinheiro em caixa, basta que ele informe ao cliente a indisponibilidade do serviço.

"Não estamos impondo nenhum tipo de obrigatoriedade ao comércio, o comércio oferece esse serviço se ele achar que faz sentido", explicou o Chefe da Gerência de Gestão e Operação do PIX do Banco Central, Carlos Eduardo Brandt.

Banco Central anuncia novas regras para aumentar segurança do PIX
Banco Central anuncia novas regras para aumentar segurança do PIX

Vantagens

A instituição afirma que, com os novos serviços, o cidadão terá mais opções de acesso ao dinheiro físico quando assim o desejar, pois os saques poderão ser feitos em diversos locais (padarias, lojas de departamento, supermercados etc.), e não apenas em caixas eletrônicos.

Questionado se o PIX Saque vai incentivar o uso do papel moeda, ao contrário do que prega o Banco Central, Bandt afirmou que não.

"A conveniência, facilidade de fazer saque a qualquer momento de forma gratuita em vários locais passa a ser grande incentivo para pessoa manter recursos na forma eletrônica, se precisar de dinheiro em espécie, de forma muito fácil ela vai conseguir", disse.

"Sem essa facilidade, a tendência é que as pessoas façam saque de valores maiores, guardem de forma desnecessária pra quando aparecer situação que precise realizar pagamento em dinheiro", completou.

Para o comércio que disponibilizar o serviço, as operações do PIX Saque e do PIX Troco representarão o recebimento de uma tarifa que pode variar de R$ 0,25 a R$ 0,95 por transação, a depender da negociação com a sua instituição de relacionamento, informou o Banco Central.

A instituição de relacionamento do usuário sacador é quem fará o pagamento dessa tarifa. O cliente não pagará essa tarifa.

Para o comércio que já aceita o PIX atualmente, basta um ajuste contratual para poder oferecer o PIX Saque, explicou Brandt.

"A oferta do serviço diminuirá os custos dos estabelecimentos com gestão de numerário, como aqueles relacionados à segurança e aos depósitos, além de possibilitar que os estabelecimentos ganhem mais visibilidade para seus produtos e serviços (efeito vitrine)", diz o Banco Central.

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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

PIB do Brasil recua 0,1% no 2º trimestre e recuperação perde fôlego

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Maior queda foi da agropecuária (-2,8%), seguida pela Indústria (-0,2%). Serviços cresceram 0,7% e consumo das famílias ficou estagnado. Apesar do resultado frustrante, economia brasileira se manteve no patamar pré-pandemia.
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1 — São Paulo e Rio de Janeiro
01/09/2021 09h00 
Postado em 01 de setembro de 2021 às 13h55m

  .*  Post. N. = 0.320  *.  

Movimentação na Ladeira Porto Geral, no Centro de São Paulo (SP), no dia 30 de agosto. — Foto: Romeo Campos/Futura Press/Estadão Conteúdo
Movimentação na Ladeira Porto Geral, no Centro de São Paulo (SP), no dia 30 de agosto. — Foto: Romeo Campos/Futura Press/Estadão Conteúdo

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil recuou 0,1% no 2º trimestre de 2021, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, conforme divulgado nesta quarta-feira (1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os números do IBGE mostram que a economia brasileira perdeu fôlego, após ter avançado de 1,2% nos 3 primeiros meses do ano, completando 3 trimestres seguidos de alta.

Apesar do resultado frustrante, o PIB se manteve no patamar entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, período pré-pandemia, segundo o IBGE. Porém, ele está 3,2% abaixo do ponto mais alto da série histórica, alcançado no primeiro trimestre de 2014.

Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 2,1 trilhões. Ele é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e durante um certo período e serve como uma espécie de termômetro da evolução da atividade e da capacidade de uma economia gerar riqueza e renda.

resultado veio mais fraco que o esperado pelos analistas. A expectativa em pesquisa da Reuters era de um crescimento de 0,2% no segundo trimestre, na comparação trimestral.

Variação trimestral do PIB desde 2016 — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1
Variação trimestral do PIB desde 2016 — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1

A surpresa negativa é explicada principalmente pela retração da agropecuária, indústria e dos investimentos, e pela estagnação do consumo das famílias. 

Principais destaques do PIB no 2º trimestre:
  • Agropecuária: -2,8%
  • Indústria: -0,2%
  • Serviços: 0,7%
  • Consumo das famílias: zero
  • Consumo do governo: 0,7%
  • Investimento (FBCF)-3,6%
  • Importação: -0,6%
  • Exportação: 9,4%
  • Construção: 2,7%
  • Comércio: 0,5%
PIB brasileiro encolhe 0,1% no segundo trimestre
PIB brasileiro encolhe 0,1% no segundo trimestre

Alta de 6,4% no semestre

Frente ao 2º trimestre de 2020, o PIB cresceu 12,4% – maior taxa trimestral de toda a série histórica do PIB, iniciada em 1996.

O IBGE ponderou, no entanto, que este salto se deve à comparação com o trimestre que registrou a taxa negativa mais intensa de toda a série histórica, de -9% na comparação com o trimestre imediatamente anterior e -10,9% na comparação anual.

Estamos comparando este resultado [interanual] com o pior trimestre da pandemia, destacou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

No primeiro semestre, o PIB acumulou alta de 6,4% na comparação com os 6 primeiros meses do ano passado. No acumulado dos quatro trimestres terminados em junho, o avanço foi de 1,8%.

VÍDEO: 'O PIB decepcionou', diz Miriam Leitão
VÍDEO: 'O PIB decepcionou', diz Miriam Leitão

Agricultura e indústria em queda

A maior queda foi da agropecuária (-2,8%), afetada por quebra de safras , seguida pela Indústria (-0,2%), que vem sendo abalado pela falta de insumos e custo elevado das matérias-primas.

Por outro lado, os serviços cresceram 0,7% na comparação com o 1º trimestre, diante da reabertura da economia com o alívio nas medidas de contenção da Covid-19.

Entre as atividades industriais, o pior desempenho foi o das indústrias de transformação (-2,2%) e da atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,9%). Por outro lado houve avanço de 5,3% nas indústrias extrativas e de 2,7% na construção.

"O consumo de energia está acompanhando a retomada da economia, mas os custos, com o acionamento das termelétricas por conta da crise hídrica, estão puxando para baixo o valor adicionado ao PIB", destacou Palis.

PIB pela ótica dos setores da economia — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1
PIB pela ótica dos setores da economia — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1

Setor de serviços ainda não recuperou patamar pré-pandemia

Dentre os três grandes setores da economia, apenas o de serviços não recuperou o patamar pré-pandemia, operando ainda 0,9% abaixo do 4º trimestre de 2019. Já indústria e agropecuária ficaram, respectivamente, 1,6% e 3,3% acima do patamar observado antes da crise sanitária. Lembrando que a agropecuária não sofreu quase nenhum efeito da pandemiaponderou a gerente da pesquisa.

Sobre o baixo desemprenho dos serviços, a pesquisadora destacou que as atividades listadas como outros serviços ficaram 7,2% abaixo do patamar pré-Covid, enfatizando os efeitos provocados pela crise sanitária sobre a economia.

"Os outros serviços são aqueles mais dependentes do atendimento presencial e têm um peso bastante grande dentro do próprio setor. Ou seja, são eles que estão puxando para baixo o setor, segurando o retorno dos serviços ao patamar pré-pandemia", explicou Palis.

Os destaques positivos do setor de serviços na composição do PIB do segundo trimestre foram as atividades de informação e comunicação (5,6%), e outras atividades (2,1%), que englobam os serviços prestados às famílias. Comércio (0,5%), atividades imobiliárias (0,4%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,3%) e transporte, armazenagem e correio (0,1%) também avançaram.

Apenas administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social ficou estagnada (0,0%) no trimestre, na comparação com os 3 primeiros meses do ano.
PIB pela ótica da demanda — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1
PIB pela ótica da demanda — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1

Consumo estagnado

Pela ótica da despesa, consumo das famílias teve variação zero na comparação com o 1º trimestre. Os investimentos tiveram queda de 3,6%. Já o consumo do governo teve alta de 0,7%.

O desemprego elevado e a alta da inflação observada desde o começo do ano tiveram impacto negativo direto sobre a retomada da economia.

Apesar dos programas de auxílio do governo, do aumento do crédito a pessoas físicas e da melhora no mercado de trabalho, a massa salarial real vem caindo, afetada negativamente pelo aumento da inflação. Os juros também começaram a subir. Isso impacta o consumo das famílias, destacou Palis.

Segundo a pesquisadora, o consumo das famílias, que pesa mais de 60% do PIB, ainda se encontra 1,6% abaixo do patamar pré-pandemia. A gente vem observando melhora no mercado de trabalho, com geração de empregos, mas não houve crescimento da massa salarial. E a inflação tem um impacto bastante relevante sobre a renda, destacou.

Rebeca ressaltou, ainda, que a alta da inflação vinha sendo puxada, desde o final do ano passado, pela alta de preços de alimentos e bebidas e este ano passou a ser muito impactada também pelo encarecimento dos combustíveis.
Bares cheios na zona norte do Rio de Janeiro, em imagem do dia 10 de julho — Foto: Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo
Bares cheios na zona norte do Rio de Janeiro, em imagem do dia 10 de julho — Foto: Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo

Exportações têm alta de 9,4%

A balança comercial brasileira teve uma alta de 9,4% nas exportações de bens e serviços no 2 trimestre, a maior variação desde o 1º trimestre de 2010.

Segundo o IBGE, o principal destaque foi a safra de soja estimulada pelos preços favoráveis. Por outro lado, as importações caíram 0,6% na comparação com os 3 primeiros meses do ano.

Investimentos em queda

Os investimentos medidos pela formação bruta de capital fixo (FBCF), que reúnem os gastos das empresas e do governo com máquinas e equipamentos, infraestrutura, construção e inovação, voltaram a cair (-3,6%) após 3 trimestres seguidos de alta.

taxa de investimento no segundo trimestre de 2021 foi de 18,2% do PIB, contra 15,1% no mesmo período do ano anterior (15,1%), mas ainda distante do patamar de 2013 (20,9%).

A gerente da pesquisa ponderou que os resultados negativos investimentos, assim como das importações, comparados ao primeiro trimestre do ano refletem a incorporação de bens pelo Repetro.

O Repetro ainda estava impactando esses dois componentes no primeiro trimestre. Agora no segundo trimestre, essa entrada pelo Repetro diminuiu bastante, refletindo negativamente quando se compara as taxas do segundo trimestre contra o primeiro. Com o passar do tempo, essa influência vai diminuindo, apontou.

Poupança recorde

taxa de poupança bateu recorde histórico neste segundo trimestreEla ficou em 20,9%, ante 15,7% no 2º trimestre de 2020, e foi a maior já registrada na série histórica que, para este indicador, teve início em 2000.

De acordo com a gerente da pesquisa, esse resultado tem relação direta com os efeitos da pandemia sobre o consumo, sobretudo, de serviços, paralisados diante das medidas de restrição à circulação de pessoas.

Os serviços são mais consumidos pelas famílias mais ricas que, segundo a pesquisadora, não o reverteram em consumo de bens, mas em poupança.

O que disse o governo

Em nota, a Secretaria de Política Econômica (SPEdo Ministério da Economia avaliou que o resultado negativo do PIB no segundo trimestre ocorreu no período de três meses com maior número de mortes pela Covid-19 e com efeitos setoriais relevantes, acrescentando que o crescimento do PIB acumulado em 4 trimestres mostra "boa posição da economia brasileira".

"Mais relevante do que observar o número do crescimento, é analisar a sua qualidade. Importantes reformas pró-mercado e medidas de consolidação fiscal estão sendo aprovadas, lançando as bases para o crescimento sustentável do país no longo prazo", afirmou. 
Piora das expectativas

Apesar do avanço da vacinação contra a Covid-19 e do fim das medidas de restrição de horários e público em boa parte do país, a inflação persistente, a tensão política e "riscos fiscais(sustentabilidade das contas públicas) têm elevado nas últimas semanas o nível de incerteza sobre o ritmo da retomada e provocado revisões para baixo das previsões econômicas.

A expectativa do mercado financeiro para o crescimento da economia em 2021foi reduzida de 5,27% para 5,22%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central. Para 2022, a média das projeções está em 2%, mas parte dos analistas já vê um crescimento mais próximo de 1,5%.

Em 2020, no primeiro ano da pandemia, a economia brasileira caiu 4,1%, registrando a maior contração desde o início da série histórica atual do IBGE, iniciada em 1996, o que tirou o Brasil da lista das 10 maiores economias do mundo.

Economistas avaliam que o aquecimento do setor de serviços – o que mais emprega no país e com maior peso no PIB – deve ajudar na melhora do mercado de trabalho e garantir que o PIB do terceiro e do quarto trimestre fiquem no azul, mas alertam para o riscos de novos freios para a recuperação, incluindo a perspectiva de novas elevações na taxa básica de juros (Selic), de agravamento da crise hídrica e piora do ambiente político, em razão das reiteradas ameaças do presidente Jair Bolsonaro à ordem democrática.

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