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terça-feira, 27 de abril de 2021

Quase metade dos trabalhadores viram renda diminuir ou acabar na pandemia, diz CNI

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Para os próximos meses, levantamento mostra que 3% dos entrevistados esperam uma perda total da renda e 9% acreditam numa redução parcial.
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Por G1

Postado em 27 de abril de 2021 às 23h35m

 .*  Post. N. = 0.259  *. 

 Um morador de rua caminha pelo centro de São Paulo em março de 2020 — Foto: Marcelo Brandt/G1
Um morador de rua caminha pelo centro de São Paulo em março de 2020 — Foto: Marcelo Brandt/G1

Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (28) mostrou que 46% dos trabalhadores viram a renda diminuir ou acabar durante a pandemia provocada pelo coronavírus.

De acordo com o levantamento, 32% dos entrevistados observaram uma queda na renda obtida pelo salário, e 14% uma perda total. Para 41%, a renda ficou estável, e 10% registraram um aumento.

Para os próximos meses, 3% dos trabalhadores esperam uma perda total da renda, 9% projetam uma redução parcial e 83% acreditam que não haverá mudança.

Oito em cada 10 famílias de classe média perdem renda, na pandemia
Oito em cada 10 famílias de classe média perdem renda, na pandemia

Recuperação só em 2022

O levantamento também apontou que 71% dos brasileiros acreditam que a economia só deve se recuperar no ano que vem dos efeitos da pandemia de coronavírus.

A pesquisa ainda apurou que 70% dos entrevistados dizem que o impacto da pandemia na atividade econômica tem sido muito grande. Para 20%, tem sido grande.

A pesquisa divulgada pela CNI - batizada de Os brasileiros, a pandemia e o consumo - foi realizada pelo Instituto FSB Pesquisa. Esta é a terceira edição do levantamento. Foram entrevistadas 2.010 pessoas por telefone entre 16 e 20 de abril. A margem de erro do estudo é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Redução de gastos

Com um cenário tão adverso, 71% dos entrevistados dizem ter reduzido seus gastos desde o início da pandemia. Entre os motivos apontados, estão:

  • 30% perderam parte ou toda renda;
  • 38% se dizem inseguros quanto ao futuro; e
  • 27% alegam o fechamento do comércio.

Segundo o levantamento, 37% dizem que essa redução será permanente.

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segunda-feira, 26 de abril de 2021

Vale registra R$ 30,5 bilhões de lucro líquido no 1º trimestre de 2021

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Avanço nos resultados foi superior a 3.000% e surpreendeu mercado. No mesmo período do ano passado, a mineradora reportou ganhos de R$ 984 milhões.
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Por G1

Postado em 26 de abril de 2021 às 22h10m

 .*  Post. N. = 0.258  *. 

Logotipo da Vale em sede da empresa no Rio de Janeiro — Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Logotipo da Vale em sede da empresa no Rio de Janeiro — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

A Vale informou nesta segunda-feira (26) que registrou lucro líquido de R$ 30,5 bilhões no primeiro trimestre de 2021. No mesmo período do ano passado, a mineradora reportou ganhos de R$ 984 milhões. Avanço no resultado foi superior a 3.000%.

Em 2020, a empresa teve lucro de R$ 26,7 bilhões.

O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia foi de R$ 45,74 bilhões, no primeiro trimestre de 2021, contra um resultado de R$ 12,9 bilhões em igual intervalo de 2020.

Já a receita líquida mais que dobrou (121,8%): passando de R$ 31,3 bilhões entre janeiro e março de 2020 para R$ 69,3 bilhões no mesmo período deste ano.

O resultado da mineradora foi motivado pelo aumento na produção do minério de ferro e pelo avanço no preço da commodity no mercado estrangeiro.

De acordo com a Vale, o preço médio foi de US$ 166,9 por tonelada nos primeiros três meses deste ano, 25% superior ao quarto trimestre de 2020.

Estou confiante de que nossos resultados financeiros positivos refletem nossa consistência no cumprimento de nossas promessas de redução dos risco da Vale", afirmou Eduardo Bartolomeo, presidente da mineradora, no balanço financeiro.


Últimos resultados financeiros da Vale
Lucro trimestral, em R$ bilhões

7,897,890,060,067,147,142,532,535,15,10,3060,3065,755,7514,4814,48-6,4-6,4-0,384-0,3846,56,5-6,4-6,40,9840,9845,2895,28915,615,64,8254,82530,530,51º tri/20172º tri/20173º tri/20174º tri/20171º tri/20182º tri/20183º tri/20184ºtri/20181º tri/20192º tri/20193º tri/20194º tri/20191º tri/20202º tri/20203º tri/20204º tri/20201º tri/2021-10010203040
Fonte: Vale
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sábado, 24 de abril de 2021

Alemanha elevará projeções de crescimento para 2021

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No ano passado, a maior economia europeia sofreu uma queda de 4,9% em seu PIB.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 24 de abril de 2021 às 14h25m

 .*  Post. N. = 0.257  *. 

Pedestre passa por hotel e restaurante fechado na parte velha da cidade de Colônia, na Alemanha, em 18 de março de 2021 — Foto: Martin Meissner/AP
Pedestre passa por hotel e restaurante fechado na parte velha da cidade de Colônia, na Alemanha, em 18 de março de 2021 — Foto: Martin Meissner/AP

O governo alemão vai elevar sua projeção de crescimento para 2021 graças à resistência da indústria e apesar das novas restrições impostas pela crise sanitária, informou o ministro da Economia em entrevista nesta sexta-feira (23).

"Em janeiro, projetamos um crescimento de 3%. Os números atuais mostram que será mais do que isso", afirmou Peter Altmaier à assessoria de imprensa Funke, dias antes de o governo divulgar suas novas projeções, o que deve acontecer na próxima terça-feira.

No ano passado, a maior economia europeia sofreu uma queda de 4,9% em seu PIB.

"Há motivos para otimismo", acrescentou, enfatizando um "desempenho econômico mais forte do que o esperado", graças principalmente à industria, que se beneficia da recuperação da economia mundial.

A notícia é dada em um momento em que as medidas de combate à pandemia afetam fortemente o comércio, a gastronomia e a hotelaria, reconheceu Altmaier, numa Alemanha que neste sábado irá reforçar as restrições a nível nacional.

O retorno aos níveis pré-pandêmicos ocorrerá "ao mais tardar em 2022", garantiu, devido ao impacto da terceira onda da crise sanitária, marcada por uma rápida disseminação de variantes do coronavírus.

Há uma semana os principais institutos econômicos estimavam que a terceira onda "atrasaria a recuperação", mas estão mais otimistas que o governo e apostam na alta de 3,7% do PIB neste ano.

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quarta-feira, 21 de abril de 2021

Oito em cada dez famílias de classe média perdem renda na pandemia, diz estudo

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O estudo do IDados, a partir da Pesquisa Nacional de Domicílios, mostra que a maior parte perdeu entre 10% e 50% da renda do trabalho.
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g1.globo.com/jornal-nacional/noticia

Postado em 21 de abril de 2021 às 23h10m

 .*  Post. N. = 0.256  *. 

Oito em cada 10 famílias de classe média perdem renda, na pandemia
Oito em cada 10 famílias de classe média perdem renda, na pandemia

Na pandemia, a maior parte das famílias brasileiras de classe média teve alguma perda de renda com a pandemia e precisou se adaptar.

Se a cidade mais rica do país é cenário de uma crise, as famílias brasileiras são os personagens. Sofrem primeiro os mais vulneráveis e depois a chamada classe média. Pelo Critério Brasil, da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisas, famílias com renda mensal entre R$ 3,3 mil e R$ 6 mil. Com a pandemia estacionada, veem a vida andar para trás.

Eu tive que vender meu apartamento que eu tinha acabado de comprar. Estava financiado e eu não ia conseguir mais pagar. Tenho dois condomínios atrasados, tem meus convênios que eu estou fazendo uma jogada, eu pago um, atraso o outro, pago um atraso o outro. E agora, eu estou planejando, ou eu vendo um ônibus ou eu vendo meu carro particular para poder ter aquele dinheiro extra para poder me manter, conta José Acir Momesso, transportador escolar.

Um estudo do IDados, a partir da Pesquisa Nacional de Domicílios, mostra que oito em dez famílias de renda média se apertaram para viver com menos no fim do ano passado. A maior parte perdeu entre 10% e 50% da renda do trabalho. Para duas em dez famílias, a pandemia levou entre 50% e 80% da renda familiar. E um em dez domicílios viu a fonte de renda secar entre 80% e 100%.

São pessoas na verdade que se bancam com a renda do próprio trabalho, são famílias que sofreram bastante com a diminuição da população ocupada e posteriormente com o aumento do desemprego. É uma população que não é apta a receber o auxílio emergencial, explica Mariana Leite Moraes da Costa, economista e pesquisadora da Consultoria IDados.

E com os planos dessas famílias fica adiada também a retomada econômica.

A classe média representa o maior quinhão, a maior parte do consumo daquilo que entra nas residências, diz Simão Silber, professor de Economia da USP.

Foi pela via do emprego e renda que o vírus contaminou a economia. Nessa doença que mina" o crescimento da atividade, difícil dizer o que é causa e o que é sintoma. Com o prolongamento da pandemia e menos dinheiro no fim do mês, as famílias deixam de consumir, e os empresários, de investir, e as chances de abertura de vagas diminuem. É mais do que uma crise econômica, dizem os economistas.

É uma tragédia social, porque as pessoas estão perdendo os seus status, sua autoestima. Não se esqueçam: muitas pessoas são estudadas, se prepararam para trabalhar e, de uma hora para outra, a porta do emprego se fechou. Então isso é uma enorme frustração, do ponto de vista familiar, do ponto de vista pessoal, você se sente muito diminuído, rejeitado dentro da sociedade, afirma Simão Silber.

Eu estou perdendo. Eu estou tendo que desfazer das coisas que eu tenho, então está muito ruim. A gente comia bem, agora come o suficiente para poder se manter. A gente está abrindo mão de muitas coisas, sair final de semana, comer uma pizza, numa sexta-feira, isso acabou, não tem mais. Isso já não me pertence mais por enquanto, conta José Acir Momesso.

E a saída dessa crise econômica passa por medidas de saúde pública, explicam os economistas.

Várias regiões do mundo que vacinaram melhor, isolaram melhor e estão saindo muito mais fortes na recuperação econômica. É rastreamento, vacinação, isolamento para acabar com um grande surto para depois ressurgir. Elas precisam ser ajudadas, porque senão morrem de fome. E feito isso de maneira suficiente, com imunização, você ressurge. Vai ter uma outra primavera, é óbvio que tem, os países fizeram isso, explica o professor Simão Silber.

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sábado, 17 de abril de 2021

Classe média 'encolhe' na pandemia e já tem mesmo 'tamanho' da classe baixa

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Percentual de brasileiros na classe média caiu de 51% em 2020 para 47% em 2021, segundo estudo do Instituto Locomotiva. Levantamento estima que cerca de 4,9 milhões de famílias caíram para a classe baixa no último ano.
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Por Darlan Alvarenga e Raphael Martins, G1

Postado em 17 de abril de 2021 às 10h00m

 .*  Post. N. = 0.255  *. 

A pandemia do coronavírus fez aumentar não só o número de brasileiros que vivem na extrema pobreza como diminuiu a classe média ao seu menor patamar em mais de 10 anos em relação ao total da população. Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que, com o aumento do desemprego e o tombo da renda, esse grupo social deixou de compreender a maioria dos brasileiros.

De acordo com o estudo inédito antecipado ao G1, o percentual da população brasileira pertencente à chamada classe média tradicional caiu de 51% em 2020 para 47% em 2021 – mesmo 'tamanho' da classe baixa. A maior marca, segundo o Locomotiva, foi registrada em 2011, quando a classe média era 54% da população brasileira.

A pesquisa considera como classe média famílias com renda mensal per capita (por pessoa) entre R$ 667,87 e R$ 3.755,76.

Classe média encolhe com a pandemia — Foto: G1 Economia
Classe média encolhe com a pandemia — Foto: G1 Economia

O percentual de 47% foi calculado a partir de projeções e análises estatísticas do Locomotiva com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) e da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em números absolutos, a "classe média tradicional" foi estimada em 100,1 milhões de pessoas em março, contra 105 milhões em 2020. Ou seja, a crise trazida pela pandemia empurrou 4,9 milhões de brasileiros da faixa intermediária de renda para a classe baixa.

"Essa camada da população não tinha poupança, nem os recursos da elite para passar bem por essa pandemia. Também não contaram com auxílios emergenciais ou políticas voltadas para a base da pirâmide, que foi quem mais sofreu durante a crise", afirma o economista Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

Ele, que pesquisa há 20 anos as mudanças nas classes sociais do país, explica que o processo de expansão da classe média no Brasil foi interrompido desde a crise que se iniciou em 2014. Mas foi a primeira vez em mais de 10 anos que a classe média deixou de representar mais da metade da população.

"Esses brasileiros, que mudaram de vida no início do século, hoje estão tendo um sentimento que há muito tempo não se via no país, o sentimento de perda. E perder dói muito mais do que deixar de ganhar", diz.

Critério de classificação econômica — Foto: Economia G1
Critério de classificação econômica — Foto: Economia G1

Renda em queda e endividamento em alta

Nena e sua família: Jéssica e Lorrany, os gêmeos Maxsuell e Rikelmy, e a neta Eloah — Foto: Arquivo pessoal
Nena e sua família: Jéssica e Lorrany, os gêmeos Maxsuell e Rikelmy, e a neta Eloah — Foto: Arquivo pessoal

Maria José de Almeida, a Nena, sofre esse impacto negativo da crise nos rendimentos. Aos 44 anos, ela tem quatro filhos: Jéssica, Lorrany e os gêmeos Maxsuell e Rikelmy. Como as meninas haviam saído de casa, o salário de R$ 2,5 mil por mês como empregada doméstica sustentava três pessoas.

Ainda na primeira onda da Covid-19 no Brasil, os dias de trabalho de Nena foram reduzidos à metade. Os ganhos passaram a ser de cerca de um salário mínimo. Não bastasse, Lorrany e o marido perderam o emprego. Sem dinheiro para o aluguel, cada membro do casal voltou para a casa dos pais. Nena recebeu a filha e a neta, Eloah.

"Meus filhos ficavam na escola, não tinha a filha em casa. Manter cinco pessoas com um salário mínimo é bem difícil. As contas começaram a atrasar", diz Nena.

Em tempos pré-pandemia, as contas da casa eram quitadas com R$ 1,8 mil. Agora, não há sobras. Eventualmente, recebe doação de cestas básicas da Central Única das Favelas (Cufa), que ajuda no orçamento.

Ainda assim, Nena foi obrigada a recorrer à antecipação do saque do FGTS para zerar os débitos e não sofrer corte de luz, por exemplo, cujo valor mensal triplicou. Ela não teve acesso ao Auxílio Emergencial, pois tinha registro em carteira na época das inscrições.

"Todo mês sobra uma conta para pagar. Até agora, deu tudo certo. Mas não sei como será nos próximos meses se essa vacina não vier logo", afirma Nena.

Uma pesquisa de opinião realizada pelo Locomotiva mostra que 6 de cada 10 brasileiros da classe média tradicional afirmam que a renda diminuiu no último ano. Desse recorte, 19% das famílias estão sobrevivendo com metade ou menos da sua renda pré-pandemia.

Ainda de acordo com o levantamento, 58% da classe média afirma que recorreu a bicos, vendeu algum bem ou abriu um negócio para obter renda extra após a chegada da pandemia. Mais endividados, 71% disseram ter ao menos uma conta em atraso. Na média, são 4,6 contas em atraso entre os inadimplentes.

O levantamento ouviu 1.620 pessoas, nos dias 21 e 22 de março, em 72 cidades em todos estados do país.

Entre os brasileiros de classe média entrevistados, 35% dos não conseguiram manter a doméstica ou a babá, 23% abriram mão ou perderam o plano de saúde e 18% daqueles que pagavam escolas particulares transferiram os filhos para escolas públicas.

Em seis meses, extrema pobreza quase triplicou no Brasil
Em seis meses, extrema pobreza quase triplicou no Brasil

Crise de perspectiva

Com o encolhimento da renda da população, o Locomotiva estima que a classe média deixará de consumir cerca de R$ 100 bilhões em 2021, representando um fator de dificuldade adicional para a recuperação da economia brasileira.

"A classe média quando não enxerga uma luz no fim do túnel, não investe no seu negócio, em uma faculdade, não faz crediário... E a crise de perspectiva faz com que a retomada da economia demore muito mais do que gostaríamos", afirma Meirelles.

Analistas têm destacado que o grande número de desempregados, a inflação acima do teto da meta, preocupação com a saúde das contas públicas e o chamado risco fiscal dificultam uma retomada da economia.

A consultoria Tendências, por exemplo, projeta o retorno da recessão técnica em 2021, com quedas no PIB de 0,6% para o primeiro e 0,9% para o segundo trimestre deste ano. Para o ano todo, a projeção é de alta de 2,7%, uma recuperação fraca, e que ainda depender do ritmo de vacinação contra a Covid-19. A estimativa média dos analistas do mercado financeiro está atualmente em 3,08%.

Para quem permaneceu na classe média, essa estagnação complica a criação de novos empregos e uma situação mais confortável. Mas, para quem 'cai', a chance de retorno fica ainda mais distante. Um crescimento em xeque somado à redução de benefícios sociais dão a equação de dificuldades extras para as classes de renda mais baixa, tirando de perspectiva uma ascensão.

No ano passado, o Auxílio Emergencial mais que compensou a queda de rendimentos do brasileiro, mas o prospecto para esse ano, com parcelas menores, é negativo. Nos cálculos da Tendências, a massa de renda ampliada na economia (que agrega salários, benefícios sociais, previdência e rentabilidade de investimentos) subiu 5,3% em 2020, apoiada no auxílio. Neste ano, a queda deve ser de 3,8%, com depósitos menores e geração de empregos que não compensará as perdas da pandemia.

Nas classes D e E, a variação de renda entre um ano e outro será uma montanha russa. A primeira rodada do Auxílio Emergencial, com parcelas de R$ 600 e redução no fim do ano para R$ 300, elevou a renda desse extrato social em 23,4%. Com as quatro parcelas de R$ 250 previstas para a segunda rodada, a queda de rendimentos deve chegar a 14,4% em 2021.

"Quase 50% da renda dessas famílias das classes D e E vem de previdência e transferências sociais. Com o quadro fiscal do país, que prevê apenas recomposição de inflação para o salário mínimo e aumento sensível do Bolsa Família, a mobilidade social fica muito mais difícil", diz Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia da Tendências Consultoria.

VÍDEO: Saiba as novas datas para o saque em dinheiro da 1ª parcela do Auxílio Emergencial
VÍDEO: Saiba as novas datas para o saque em dinheiro da 1ª parcela do Auxílio Emergencial

Problemas estruturais

Para os economistas consultados pelo G1, o aumento da desigualdade social durante a pandemia traz ainda efeitos de longo prazo na formação educacional do brasileiro.

A absorção do currículo básico na escola e as relações interpessoais são apenas dois dos fatores prejudicados pela pandemia e que compõem o desenvolvimento de habilidades de crianças e adolescentes. Estudantes mais limitados nessa formação inicial resultam em profissionais com menor qualificação e, por consequência, menor produtividade e renda.

"A disparidade educacional, que existe entre diferentes nível socioeconômicos, será intensificada nessa geração e carregada ao longo da vida. O grande desafio da política educacional dos próximos anos é tentar minimizar esse processo", diz Rodrigo Soares, economista e professor do Insper.

"E a situação das finanças públicas vai ter implicações para a capacidade do governo de fazer política pública nesse sentido", prossegue Soares.

Após um ano de pandemia e com campanhas de vacinação em marcha lenta, 18 estados brasileiros ainda mantém aulas de forma remota, o que limita acesso de estudantes mais pobres. Segundo a Unicef, um total de mais 5 milhões de crianças e adolescentes não estão participando de maneira regular da escola no país.

"Isso está nos levando para trás. Já calculamos que isso nos fez regredir duas décadas em número de crianças e adolescentes desvinculados da escola", disse Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil, no último dia 5.

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sexta-feira, 16 de abril de 2021

Exportações do agronegócio brasileiro batem recorde de US$ 11,57 bilhões em março

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Segundo Ministério da Agricultura, setor nunca havia ultrapassado a marca de US$ 10 bilhões em março na série histórica iniciada em 1997.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 16 de abril de 2021 às 22h50m

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Exportações do agronegócio do Brasil batem recorde de US$ 11,57 bilhões em março, diz Ministério da Agricultura — Foto: Marcos Serra Lima/G1
Exportações do agronegócio do Brasil batem recorde de US$ 11,57 bilhões em março, diz Ministério da Agricultura — Foto: Marcos Serra Lima/G1

As exportações brasileiras do agronegócio alcançaram o faturamento total de US$ 11,57 bilhões em março, um recorde para o mês que nunca havia ultrapassado a marca de US$ 10 bilhões na série histórica iniciada em 1997, afirmou o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em nota nesta sexta-feira (16).

O resultado ainda representa alta de 28,6% em relação ao valor obtido no mesmo período do ano passado.

Segundo o ministério, os preços dos produtos exportados subiram 8,7% na comparação com março de 2020, enquanto o volume embarcado aumentou 18,3%.

O complexo soja foi o setor de maior destaque, com avanços de 18,9% em volume, para 14,8 milhões de toneladas, e 38,2% em receita, para US$ 6,01 bilhões. Somente os embarques da oleaginosa em grão saltaram 24,3% e 43,1%, respectivamente, para 13,49 milhões de toneladas e US$ 5,36 bilhões.

"As condições climáticas da safra 2020/2021, que geraram atrasos na colheita do primeiro bimestre de 2021, em função do excesso de chuvas, concentraram os embarques da soja em grãos para março", disse o comunicado.

O ministério ressaltou o desempenho do setor de carnes, que também bateu recorde de exportações, ao totalizar US$ 1,60 bilhão, alta de 16,1%, considerando as proteínas in natura de frango, bovina e suína.

"O setor de criação animal para produção de carne na China possui histórico de enfermidades nos anos recentes, com destaque para peste suína africana e a gripe aviária de alta patogenicidade, que assolaram e afetam os rebanhos chineses, sendo o principal fator responsável pela expansão das exportações brasileiras de carnes."

A principal carne exportada foi a bovina, com US$ 711 milhões em vendas externas (+11,9%) e volume recorde de 158 mil toneladas (+7,8%).

Os embarques de carne suína também bateram recorde, com aumento de 51,2% no volume exportado, alcançando 108 mil toneladas equivalentes a US$ 260 milhões (+57,4%).

O governo ainda destacou as vendas externas de açúcar, cujo volume atingiu recorde de 1,97 milhão de toneladas em março de 2021 (+39,6%). O ministério disse que esse recorde de volume, em conjunto com o aumento de 9% no preço médio, gerou US$ 638,96 milhões em exportações (+52,1%).

As importações do agronegócio também aumentaram, passando de US$ 1,28 bilhão em março de 2020 para US$ 1,34 bilhão no mês passado, alta de 4,5%.
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