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sábado, 11 de janeiro de 2025

Entenda como era e o que mudou na fiscalização da Receita para o PIX, cartão e outras operações

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Monitoramento de movimentações financeiras já existia. Agora, mais instituições financeiras serão obrigadas a informá-las ao Fisco. Medida não implica cobrança direta de nenhum imposto, nem deve alterar o dia a dia dos clientes.
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Por Júlia Nunes, g1
11/01/2025 01h00 
Postado em 11 de Janeiro de 2.025 às 06h35m

$.#  Postagem  Nº     0.950  #.$


Entenda o que muda na fiscalização da Receita sobre compras com cartões e PIX

A notícia de que a Receita Federal ampliou as regras de fiscalização sobre transações financeiras dos contribuintes gerou confusão nesta semana.

O monitoramento dessas movimentações já existia. O que muda é que mais instituições serão obrigadas a informá-las ao órgão.

Ao contrário do que circulou pelas redes sociais, a medida não implica a cobrança direta de nenhum imposto. Mas o contribuinte deve estar atento porque movimentações atípicas podem gerar problemas para quem não declara seus rendimentos de forma correta.

Entenda como era a regra e o que mudou a partir das perguntas abaixo:

A Receita Federal recebe informações consolidadas dos bancos sobre as movimentações financeiras dos contribuintes desde 2003, quando foi instituída a Decred. Na época, o foco era as operações de cartão de crédito.

Conforme a Receita, "a evolução tecnológica e as novas práticas comerciais" trouxeram a necessidade de atualizar a norma, para alcançar outros tipos de operação financeira. A Decred foi substituída pela plataforma "e-Financeira", criada em 2015.

O sistema funciona da mesma forma: serve para que as instituições financeiras informem as operações à Receita, sem que o contribuinte tenha que fazer nada.

Desde então, os bancos tradicionais (públicos e privados) passaram a ser obrigados a informar ao Fisco os montantes globais mensalmente movimentados pelos contribuintes quando os valores fossem, por tipo de operação financeira:

  • maiores que R$ 2 mil por mês, por pessoa física (CPF);
  • maiores que R$ 6 mil por mês, por empresa (CNPJ).
2. O que mudou agora?

Além dos bancos tradicionais, outras instituições foram incluídas na obrigação de repassar à Receita Federal os dados das movimentações financeiras dos seus clientes.

São elas: as operadoras de cartão de créditoque cuidam das famosas "maquininhas", e as instituições de pagamento (IP), empresas de menor porte como os bancos virtuais, que viabilizam a movimentação de recursos, mas não oferecem empréstimos e financiamentos.

A norma também trouxe uma especificação de que as transações via PIX, cartões de débito, cartões de loja e moedas eletrônicas passaram a fazer parte das operações que devem ser informadas.

O valor mínimo que o contribuinte precisa movimentar para que a instituição seja obrigada a enviar seus dados à Receita também foi estipulado: na soma de todas as transações, por cada tipo de operação financeira, precisa ser:

  • maior que R$ 5 mil por mês, por pessoa física (CPF);
  • maior que R$ 15 mil por mês, por empresa (CNPJ).
3. Quando foi anunciada a mudança?

A ampliação da fiscalização foi anunciada em setembro do ano passado e entrou em vigor em 1º de janeiro de 2025.

O envio dos dados à Receita começa em agosto, relativos às transações feitas entre janeiro e julho deste ano. As informações referentes ao segundo semestre serão enviadas até fevereiro de 2026.

Receita Federal aumenta monitoramento das transações financeiras

4. O PIX será taxado?

As novas regras não implicam a cobrança direta de nenhum imposto. Conforme a Receita, "não existe tributação sobre o PIX e nunca vai existir, até porque a Constituição não autoriza imposto sobre movimentação financeira".

O órgão, inclusive, emitiu um alerta para uma nova tentativa de golpe sobre o assunto que está circulando nas redes sociais.

Criminosos estão abordando possíveis vítimas dizendo que há uma suposta cobrança de taxas pela Receita Federal sobre transações via PIX em valores acima de R$ 5 mil e, por isso, pedem que um boleto seja pago.

No entanto, a notícia é falsa. A Receita não envia cobranças ou comunicados por WhatsApp, SMS ou redes sociais.

5. A que dados a Receita tem acesso?

A Receita tem acesso a informações fundamentais para cumprir a sua função de órgão do governo responsável por administrar tributos federais, além de atuar no combate à pirataria, à sonegação fiscal, ao tráfico de drogas e ao contrabando.

Entre essas informações estão:

  • Dados pessoais como: nome, nacionalidade, residência fiscal, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ);
  • Número da conta bancária ou equivalente;
  • Número de Identificação Fiscal (NIF) no exterior, caso seja adotado pelo país de residência fiscal informado;
  • Valores movimentados mensalmente;
  • Moeda utilizada em movimentações financeiras;
  • Demais informações cadastrais, entre outras.

No entanto, segundo a Receita, no repasse das informações pelas instituições financeiras e administradoras de cartão de crédito, não existe "qualquer elemento que permita identificar a origem ou a natureza dos gastos efetuados". O segredo das operações é garantido pelo sigilo bancário.

"Por exemplo, quando uma pessoa realiza uma transferência de sua conta para um terceiro, seja enviando um PIX ou fazendo uma operação do tipo DOC ou TED, não se identifica, na e-Financeira, para quem ou a que título esse valor individual foi enviado", informou a Receita Federal.

O que a Receita pretende com a mudança nas regras é prender pessoas que buscam ocultar a origem ilícita de recursos, muitas vezes oriunda de crimes como lavagem de dinheiro ou do crime organizado.

Em entrevista ao g1, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, negou que as alterações anunciadas tenham por objetivo multar as pessoas físicas, como os pequenos trabalhadores que trabalham por aplicativo ou no mercado informal, por exemplo. (veja abaixo os cuidados a tomar)

Ele também lembrou que o órgão possui há décadas informações sobre as transações financeiras dos contribuintes, mas que elas têm se concentrado principalmente no PIX nos últimos anos.

Receita Federal passa a monitorar movimentações acima de R$ 5 mil no PIX; entenda

6. O que eu preciso fazer?

Em relação ao envio dos dados sobre movimentações financeiras à Receita, não há nada que o contribuinte precise fazer. A responsabilidade de repassar as informações é das instituições bancárias e de pagamento.

Agora, como já ocorria antes, quem recebe rendimentos tributáveis acima de R$ 2.824 por mês tem a obrigação de entregar a declaração anual do Imposto de Renda.

Com a declaração, a Receita já consegue saber se as transações do contribuinte são compatíveis com os rendimentos do trabalho.

"Os dados recebidos poderão, por exemplo, ser disponibilizados na declaração pré-preenchida do Imposto de Renda da pessoa física no ano que vem, evitando-se divergências", diz a Receita.
7. Devo me preocupar?

O aumento da fiscalização da Receita sobre o pagamento de impostos pode atingir quem não declara os seus rendimentos de forma correta.

"A omissão de receitas pode levar à inclusão na malha fina, cobrança de multas e, em casos mais graves, processos por sonegação fiscal", alerta o advogado Gabriel Santana Vieira, especialista em direito tributário.

O secretário Robinson Barreirinhas negou que as alterações tenham por objetivo multar as pessoas físicas, que trabalham por aplicativo ou no mercado informal, por exemplo.

De acordo com ele, "uma pessoa que tem um salário de R$ 10 mil e gasta R$ 20 mil todos os meses no cartão de crédito", durante vários anos seguidos, pode vir a chamar a atenção da Receita. No entanto, antes de chamá-la para explicar os gastos, o órgão ainda vai cruzar outras informações.

"A Receita Federal tem as informações das empresas ligadas a ela, dos parentes relacionados a ela, e pode, nesse cruzamento especial", ver que ela está simplesmente pagando a despesa de um familiar, disse Barreirinhas.

"E vamos dizer que, mesmo depois de todo esse cruzamento, ainda haja uma inconsistência relevante. Nesse caso, e somente nesse caso, ela pode ser notificado para explicar. E vai poder explicar. Às vezes tem outras razões para esse tipo de despesa."
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Brasil tem saída recorde de recursos financeiros em 2024, mas ingresso de dólares por conta de exportações atenua saldo negativo

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Números do fluxo cambial do ano passado foram divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira. Saída de recursos se concentrou no fim do ano, quando houve disparada do dólar.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 08 de Janeiro de 2.025 às 16h40m

$.#  Postagem  Nº     0.949  #.$

#dolar — Foto: Marcello Casal Jr/ABr
#dolar — Foto: Marcello Casal Jr/ABr

A saída de dólares do país pela conta financeira em 2024 totalizou US$ 87,2 bilhões e bateu recorde, segundo números divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (8).

  • Foi a maior saída de recursos por essa conta desde o início da série histórica do BC, em 1982, ou seja em 43 anos.
  • Até então, a maior retirada havia sido foi registrada em 2019, quando US$ 65,8 bilhões deixaram o Brasil por esta via.

A conta financeira inclui: compra e venda de dólares relativas a serviços, como de turismo, alugueis, transportes, além de rendas (remessas de filiais ao exterior), investimentos e aplicações financeiras no exterior (bolsas de valores, moedas ou mercado futuro, por exemplo).

Entretanto, essa é somente uma das contas que forma todo o fluxo cambial brasileiro.

Além da financeira, o fluxo total de dólares que entra e sai do país também engloba outra conta: a conta comercial — que registra as compras e vendas de dólares relacionadas com as exportações e com as importações.

Por meio da conta comercial, em 2024, ingressaram US$ 69,2 bilhões no Brasil por conta das exportações.

Considerando toda movimentação de dólares em 2024, incluindo as contas comercial e financeira, houve a retirada de US$ 18 bilhões do país. Essa é a maior saída de recursos anual desde 2020, quando US$ 27,9 bilhões deixaram a economia brasileira.

Somente no mês de dezembro, ainda de acordo com o Banco Central, US$ 28,8 bilhões saíram do país pela conta financeira, enquanto outros US$ 2,45 bilhões ingressaram pela conta comercial. Ao todo, o mês passado terminou com a retirada total, envolvendo as duas contas, de US$ 26,4 bilhões do Brasil.

Disparada do dólar


Como a alta do dólar impacta o dia a dia de consumidores

Com a forte saída de recursos do país, principalmente em dezembro do ano passado, o dólar operou pressionado, atingindo cotações máximas, chegando a operar acima de R$ 6,20.

A escalada da moeda norte-americana em 2024 é resultado de uma série de fatores externos e internos, como conflitos internacionais, nível de juros nos Estados Unidos, eleição de Donald Trump e expectativas em torno das contas públicas brasileiras.

Especialmente no fim do último ano, os holofotes ficaram com o quadro fiscal do Brasil, em meio a receios do mercado financeiro sobre a efetividade do pacote de corte de gastos anunciado pelo governo no fim de novembro.

Por conta disso, o BC vender cerca de US$ 19 bilhões, em dezembro, no mercado à vista, o que contribuiu para baixar as reservas internacionais brasileiras no ano passado.

Além da retirada de recursos, analistas avaliam que dúvidas sobre a capacidade de pacote de corte de gastos conter a alta da dívida pública também pesaram, influenciando a moeda norte-americana.

A saída atípica de recursos do país, no fim do ano passado, foi apontada pelo ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Na ocasião, ele reafirmou que o câmbio é flutuante no Brasil, ou seja, que o dólar sobe e desce de acordo com as operações no mercado, mas explicou que, diante da saída de divisas, o BC resolveu intervir no câmbio, por meio de leilões de venda de moeda.

"Há saída maior de pessoa físicas, por plataformas, com volumes menores. A gente discute entre a gente e tenta fazer uma intervenção que se contrabalenceie o fluxo que está vendo [de saída]. Geralmente a gente fatia [as intervenções] em alguns dias, o volume [equivalente às retiradas]", acrescentou Campos Neto, no fim do ano passado.


Campos Neto e Galípolo consideraram que não existe um ataque especulativo contra o real

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domingo, 5 de janeiro de 2025

Com disparada do dólar e leilões do BC, reservas internacionais do Brasil caem 7,1% em 2024

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Queda foi de US$ 25,3 bilhões em relação ao patamar de 2023 (US$ 355 bilhões); BC leiloou US$ 20 bilhões no mercado à vista no fim do ano por conta da forte saída de recursos do país.
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Por Alexandro Martellog1 — Brasília

Postado em 05 de Janeiro de 2.025 às 14h10m

$.#  Postagem  Nº     0.948  #.$

BC vendeu US$ 20 bilhões das reservas internacionais em 2024 — Foto: Marcello Casal Jr/ABr

BC vendeu US$ 20 bilhões das reservas internacionais em 2024 — Foto: Marcello Casal Jr/ABr

O Brasil fechou o ano de 2024 com US$ 329,7 bilhões em reservas internacionais – uma "poupança" que o governo faz em moedas estrangeiras, e que funciona como um seguro contra crises externas.

O número representa uma queda de 7,1%, ou US$ 25,3 bilhões, em relação ao patamar do ano anterior (US$ 355 bilhões).

recuo das reservas em 2024 está relacionado, principalmente, com a venda de dólares pelo Banco Central no fim do ano – ao todo, foram US$ 20,07 bilhões injetados no mercado à vista.

Além disso, também foi contabilizada a venda de outros US$ 15 bilhões por meio dos chamados leilões de linha, que são um tipo de empréstimo. Nesse caso, porém, os valores retornam posteriormente para as reservas cambiais.

Essas operações se concentraram em dezembro, em meio à disparada do dólar — que fechou 2024 com alta de 27%, a R$ 6,17.

Reservas internacionais brasileiras
em US$ bilhões


Fonte: Banco Central

A escalada da moeda norte-americana em 2024 é resultado de uma série de fatores externos e internos, como conflitos internacionais, nível de juros nos Estados Unidos, eleição de Donald Trump e expectativas em torno das contas públicas brasileiras.

Especialmente no fim do último ano, os holofotes ficaram com o quadro fiscal do Brasil, em meio a receios do mercado financeiro sobre a efetividade do pacote de corte de gastos anunciado pelo governo no fim de novembro.


Dólar acumula alta de quase 28% em 2024

Colchão contra choques externos

💵 As reservas internacionais, ou cambiais, são um volume de dólares que o país tem em caixa.

💵´Esses recursos ficam aplicados fora do país, em ativos considerados seguros, geralmente em títulos do tesouro norte-americano.

A vantagem de ter esses dólares guardados é que isso dá garantias contra eventuais crises no mercado internacional, como a da Rússia em 1998, ou eventuais retiradas de recursos por investidores.

Com os dólares, o país tem mais autonomia e não fica dependente, por exemplo, de empréstimos externos como os do Fundo Monetário Internacional (FMI) – buscado recentemente pela Argentina.

O governo acumula a moeda norte-americana de três formas:

  • comprando dólares no mercado,
  • recebendo por suas aplicações (geralmente em títulos do Tesouro norte-americano), ou
  • fazendo emissões de títulos da dívida pública no mercado internacional.

Alguns analistas apontam, entretanto, que as reservas muito altas também representam um peso para a sociedade. Como são aplicadas em investimentos no exterior, que rendem juros muito mais baixos do que aqueles que governo paga ao emitir papéis no mercado interno (dentro do Brasil), há um chamado "custo de carregamento".

Segundo Sérgio Gobetti, economista do IPEA, esse custo de carregamento no Brasil é de cerca de R$ 40 bilhões por ano.

"O ataque especulativo que vivemos no Brasil abriu uma ótima janela de oportunidade para o BC lucrar vendendo dólares", avaliou, por meio de rede social. Essa venda de dólares, por sua vez, pode reduzir a dívida pública.

Câmbio flutuante

A administração da política cambial é uma atribuição do Banco Central, que possui autonomia legal desde 2021.

Dentro de uma política de livre flutuação do real, a instituição tem esclarecido que intervêm no câmbio somente em momentos específicos: para evitar movimentos bruscos no dólar, quando há uma falta de divisas no mercado ou quando vê algum tipo de distorção na formação de preço, por exemplo.

No fim do ano passado, o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, explicou que a instituição resolveu vender dólares porque houve uma saída atípica de recursos do país naquele momento. E reiterou que não ha defesa de preço do dólar por parte do BC.

"Mas há a percepção que, se o BC não atuar, pode haver uma disfuncionalidade de preços [no dólar]. Para isso que existem as reservas", concluiu Campos Neto, que foi substituído por Gabriel Galípolo no começo de 2025.

"Não é correto tentar tratar o mercado como um bloco monolítico, uma coisa só, coordenada. Mercado funciona geralmente com posições contrárias, tem alguém comprando e alguém vendendo. Quando o preço de ativo [como o dólar] se mobiliza em uma direção, têm vencedores e perdedores. Ataque especulativo não representa bem como o movimento está acontecendo no mercado hoje", declarou Galípolo, na ocasião.



Campos Neto e Galípolo consideraram que não existe um ataque especulativo contra o real

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    sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

    Regra da União Europeia que exige conexão USB-C em todos os celulares já está em vigor

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    Medida, que também vale para fones, câmeras, computadores e até teclados, visa reduzir o desperdício de carregadores obsoletos e gerar economia para os consumidores.
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    Por Redação g1

    Postado em 03 de Janeiro de 2.025 às 11h00mm

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    O fim da 'salada de cabos'

    A partir de agora, todos os novos aparelhos eletrônicos vendidos na União Europeia devem sair de fábrica com a conexão USB-C. A regra, que entrou em vigor em 28 de dezembro de 2024, é considerada inédita, sendo a primeira lei desse tipo no mundo.

    Com a mudança, o bloco europeu busca reduzir custos e diminuir a produção de resíduos, segundo a agência France Presse (AFP).

    "Desde hoje, todos os novos telefones móveis, tablets, câmeras fotográficas, fones de ouvido, alto-falantes, teclados e muitos outros dispositivos eletrônicos novos vendidos na UE deverão estar equipados com uma porta de carregamento USB tipo C", publicou o Parlamento Europeu no X.

    A lei foi aprovada em 2022 após um embate com a gigante Apple, dona do iPhone. Todas as empresas tiveram até o fim de 2024 para se adaptar às novas regras.

    Os fabricantes de computadores, porém, terão um prazo adicional, a partir de 2026, para se adequar.

    A maioria dos aparelhos eletrônicos, especialmente os celulares Android, já utiliza esse tipo de carregador. No entanto, a Apple demonstrou resistência, argumentando que regulamentações desse tipo "sufocam a inovação".

    Em 2023, com o lançamento do iPhone 15, a Apple passou a adotar o USB-C em todos os seus novos smartphones.

    O que é USB-C

    Samsung Galaxy S24 Ultra e iPhone 15 conectados por um cabo USB-C — Foto: Henrique Martin/g1
    Samsung Galaxy S24 Ultra e iPhone 15 conectados por um cabo USB-C — Foto: Henrique Martin/g1

    A tecnologia USB tipo C surgiu em 2014, criada pelo USB Implementers Forum (USB-IF), grupo que reúne fabricantes de softwares líderes do mercado.

    Juntas, essas empresas desenvolvem os padrões a serem adotados nas especificações técnicas do Universal Serial Bus (USB).

    Nos anos seguintes, o USB-C conquistaria o mercado pela praticidade, tamanho e velocidade de transmissão de dados. A própria Apple já tinha adotado o padrão para Macbook, iPad e os fones de ouvido Airpod.

    "Além de alimentar (energizar aparelhos), o USB-C tem diversos protocolos, que permitem transmitir dados de áudio, vídeo e redes (internet), por exemplo", conta ao g1 Murilo Zanini de Carvalho, professor de engenharia de computação do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).

    Uma das inovações da tecnologia também é que o cabo é reversível. Ou seja, pode ser inserido "de cabeça para cima" ou "para baixo" nos dispositivos e funciona da mesma forma.

    A lei do carregador único também busca simplificar a vida dos europeus e reduzir custos para os consumidores, permitindo a compra de aparelhos eletrônicos sem a necessidade de adquirir um novo carregador, segundo a União Europeia.

    A iniciativa ainda pretende diminuir a quantidade de carregadores obsoletos. A Comissão Europeia estimou que a nova lei pode gerar uma economia de pelo menos 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão) por ano.

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