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quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Elon Musk, Zuckerberg, Jeff Bezos: saiba quem são os 10 bilionários que mais enriqueceram em 2023

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Levantamento feito pelo g1 com base em ranking da Bloomberg mostra predominância de magnatas da tecnologia na lista dos que mais ganharam dinheiro ao longo do ano.
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Por André Catto, g1

Postado em 27 de dezembro de 2023 às 07h25m

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Veja quem são os bilionários que mais enriqueceram em 2023

O homem mais rico do mundo é também o que mais enriqueceu em 2023. Elon Musk, dono da Tesla e do X (antigo Twitter), elevou seu patrimônio em quase US$ 95 bilhões (R$ 45,9 bilhões) só este ano, fazendo sua fortuna chegar a nada menos que US$ 232 bilhões (R$ 1,1 trilhão).

Musk lidera uma lista ocupada majoritariamente por magnatas da tecnologia, conforme levantamento feito pelo g1 com base no ranking de bilionários da Bloomberg.

O segundo bilionário que mais ganhou dinheiro em 2023 foi Mark Zuckerberg, dono da Meta (controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp). Zuck ficou US$ 82 bilhões (R$ 396,5 bilhões) mais rico, e atingiu US$ 128 bilhões (R$ 619 bilhões) de patrimônio.

Mesmo com o aumento, o empresário norte-americano ocupa "apenas"sexta colocação entre os mais endinheirados do mundo.

Enquanto isso, o terceiro homem mais rico do planeta foi o terceiro que mais enriqueceu neste ano. Jeff Bezos, fundador da Amazon, encorpou seu patrimônio em US$ 71,2 bilhões, garantindo um total de US$ 178 bilhões.

Entre os dez bilionários que mais ganharam dinheiro em 2023, nove são do setor de tecnologia. A lista tem apenas um representante do varejo (veja mais abaixo). Juntos, os empresários enriqueceram mais de US$ 502 bilhões (R$ 2,4 trilhões) só neste ano, com uma fortuna somada de US$ 1,310 trilhão (R$ 6,3 trilhões).

Oito dos dez bilionários que mais enriqueceram em 2023. — Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters/Arquivo | Mark Lennihan/AP Photo | Pablo Martinez Monsivais/AP Photo | Arquivo pessoal |  Oracle PR via Hartmann Studios |  Divulgação | Paul Sakuma/AP Photo | Reprodução/Instagram/NVIDIA
Oito dos dez bilionários que mais enriqueceram em 2023. — Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters/Arquivo | Mark Lennihan/AP Photo | Pablo Martinez Monsivais/AP Photo | Arquivo pessoal | Oracle PR via Hartmann Studios | Divulgação | Paul Sakuma/AP Photo | Reprodução/Instagram/NVIDIA

Para efeito de comparação, o valor representa mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2022 — que totalizou R$ 9,9 trilhões no ano.

Quando considerada a lista dos 10 mais ricos do mundo (independentemente do avanço patrimonial em 2023), a soma da riqueza dos bilionários chega a US$ 1,480 trilhão — 37% acima da cifra registrada no ano passado, de US$ 1,077 trilhão.

Veja abaixo os 10 bilionários que mais elevaram suas fortunas em 2023, considerando atualização do ranking da Bloomberg na terça-feira (26):

1. Elon Musk

Elon Musk durante evento em Paris no dia 16 de junho de 2023 — Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters/Arquivo
Elon Musk durante evento em Paris no dia 16 de junho de 2023 — Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters/Arquivo

Elon Musk, de 52 anos, é dono e cofundador de seis empresas, incluindo a fabricante de veículos elétricos Tesla — uma das primeiras a apostar somente em elétricos.

O portfólio do bilionário ainda inclui a rede social X (antigo Twitter) e a empresa de voos espaciais SpaceX, com a qual o magnata manifestou seus planos de colonizar Marte.

Atualmente com US$ 232 bilhões, a fortuna do magnata saltou quase US$ 95 bilhões neste ano. Ele é o primeiro colocado no ranking da Bloomberg de mais ricos do mundo.

Apesar da cifra astronômica, esse não é o pico financeiro de Musk. Em 2021, o empresário chegou a acumular US$ 335 bilhões.

2. Mark Zuckerberg

Mark Zuckerberg, dono da Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp. — Foto: Mark Lennihan/AP Photo
Mark Zuckerberg, dono da Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp. — Foto: Mark Lennihan/AP Photo

Mark Zuckerberg, de 39 anos, é cofundador do Facebook, a maior rede social do mundo. Em 2021, o norte-americano mudou o nome da empresa controladora do site para Meta — dona também do Instagram e do WhatsApp.

Sediada na Califórnia, a Meta teve receita de US$ 117 bilhões em 2022 e registra, atualmente, 3,7 bilhões de usuários ativos em suas plataformas por mês.

A fortuna de Zuck é de US$ 128 bilhões, após ganhos de US$ 82,2 bilhões em 2023. Com a cifra, ele é a sexta pessoa mais rica do mundo, segundo ranking da Bloomberg.

O pico financeiro do criador do Facebook foi registrado em meados de 2021, quando ele atingiu US$ 140 bilhões.

3. Jeff Bezos

Jeff Bezos sofreu perdas bilionárias com queda das ações da Amazon — Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP Photo
Jeff Bezos sofreu perdas bilionárias com queda das ações da Amazon — Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP Photo

Jeff Bezos, de 59 anos, é fundador da Amazon, a maior varejista online do mundo. Sediada em Seattle, a empresa oferece serviços de computação em nuvem e streaming, além de ser controladora da rede de supermercados Whole Foods.

Só em 2022, a Amazon teve uma receita de US$ 514 bilhões.

A fortuna de Bezos é de US$ 178 bilhões, após ganhos de US$ 71,2 bilhões em 2023. Com a cifra, Jeff Bezos é a terceira pessoa mais rica do mundo, segundo ranking da Bloomberg.

O pico financeiro do empresário foi registrado em meados de 2021, quando ele atingiu US$ 212 bilhões.

4. Larry Page

Larry Page, cofundador da Alphabet, proprietária do Google. — Foto:  Divulgação
Larry Page, cofundador da Alphabet, proprietária do Google. — Foto: Divulgação

Larry Page, de 50 anos, é cofundador da Alphabet, proprietária do Google. A empresa com sede em Mountain View, Califórnia, registrou receita de US$ 283 bilhões em 2022. As divisões do grupo também incluem Gmail, Android e YouTube.

O norte-americano deixou o cargo de CEO da Alphabet em dezembro de 2019, mas continua sendo membro do conselho e acionista controlador.

A fortuna de Page é de US$ 128 bilhões, após ganhos de US$ 44,7 bilhões em 2023. Com a cifra, Larry Page é a sétima pessoa mais rica do mundo, segundo ranking da Bloomberg.

5. Steve Ballmer

Steve Ballmer — Foto: Arquivo pessoal
Steve Ballmer — Foto: Arquivo pessoal

Steve Ballmer, de 67 anos, é ex-CEO da Microsoft, maior fabricante de software do mundo. Ele deixou o cargo em 2014, mas continua como acionista da empresa com sede em Redmond, Washington.

Ballmer também é dono do time de basquete Los Angeles Clippers.

O patrimônio do norte-americano é de US$ 130 bilhões, após crescimento de US$ 44,5 bilhões em 2023. Com a cifra, Steve Ballmer é a quinta pessoa mais rica do mundo, segundo ranking da Bloomberg.

Vale observar que Ballmer está em seu auge financeiro. De acordo com o levantamento, foi neste ano que o empresário atingiu seu patrimônio mais alto, chegando a US$ 131 bilhões.

6. Sergey Brin

Sergey Brin — Foto: Paul Sakuma/AP Photo
Sergey Brin — Foto: Paul Sakuma/AP Photo

Cofundador da Alphabet (Google) ao lado de Larry Page, o empresário Sergey Brin, de 50 anos, é um dos imigrantes mais ricos dos Estados Unidos. Ele chegou ao país com 6 anos de idade após deixar a antiga União Soviética, fugindo do antissemitismo.

O patrimônio de Brin é de US$ 121 bilhões, após crescimento de US$ 41,8 bilhões em 2023. Com a cifra, Sergey Brin é a nona pessoa mais rica do mundo, segundo ranking da Bloomberg.

7. Amancio Ortega

Amancio Ortega, fundador da Zara. — Foto: Reuters/Miguel Vidal/Foto de arquivo
Amancio Ortega, fundador da Zara. — Foto: Reuters/Miguel Vidal/Foto de arquivo

Amancio Ortega, de 87 anos, detém 59% da Inditex, a maior varejista de roupas do mundo. A empresa sediada em Arteixo, na Espanha, é controladora da Zara e de sete outras marcas de varejo.

Nos 12 meses encerrados em 31 de janeiro de 2023, a Inditex teve receita de 32,6 bilhões de euros.

O patrimônio do empresário é de US$ 86,4 bilhões, após crescimento de US$ 31,8 bilhões em 2023. Com o montante, Amancio Ortega é a 14ª pessoa mais rica do mundo, segundo ranking da Bloomberg.

8. Larry Ellison

Larry Ellison, fundador da Oracle. — Foto: Oracle PR via Hartmann Studios
Larry Ellison, fundador da Oracle. — Foto: Oracle PR via Hartmann Studios

Larry Ellison, de 79 anos, é o fundador e maior acionista da gigante de software Oracle. O empresário detém mais de 40% da empresa com sede em Austin, no Texas, além de participação na Tesla e de investimentos no setor imobiliário.

A fortuna de Ellison é de US$ 124 bilhões, após crescimento de US$ 31,7 bilhões em 2023. Com a cifra, Larry Ellison é a oitava pessoa mais rica do mundo, segundo ranking da Bloomberg.

O pico financeiro do empresário foi registrado este ano, quando ele atingiu US$ 140 bilhões.

9. Bill Gates

Bill Gates durante Fórum Econômico Mundial de 2018 em Davos. — Foto: Denis Balibouse/Reuters
Bill Gates durante Fórum Econômico Mundial de 2018 em Davos. — Foto: Denis Balibouse/Reuters

Bill Gates, de 68 anos, cofundou a Microsoft, maior fabricante de software do mundo. Só em 2022, a empresa teve receita de US$ 198 bilhões.

O restante do patrimônio do empresário é administrado por meio da Cascade Investment, que possui participações em dezenas de empresas, incluindo Canadian National Railway, Deere e Ecolab.

A fortuna de Bill Gates é de US$ 140 bilhões, após crescimento de US$ 30,3 bilhões em 2023. Com a cifra, Gates é a quarta pessoa mais rica do mundo, segundo ranking da Bloomberg.

O pico financeiro do empresário foi registrado em meados de 2021, quando ele atingiu US$ 154 bilhões.

10. Jensen Huang

Jensen Huang, fundador da empresa de tecnologia NVIDIA. — Foto: Reprodução/Instagram/NVIDIA
Jensen Huang, fundador da empresa de tecnologia NVIDIA. — Foto: Reprodução/Instagram/NVIDIA

Jensen Huang, de 60 anos, é presidente da Nvidia, empresa de tecnologia com atuação em processamento de dados, processamento gráfico para jogos eletrônicos, sistemas em chip para carros autônomos, entre outros.

Nos 12 meses encerrados em 30 de janeiro de 2023, a empresa cofundada por Huang em 1993 somou receita de US$ 27 bilhões.

A fortuna do empresário é de US$ 43,4 bilhões, após ganhos de US$ 29,6 bilhões em 2023. Com a cifra, Jensen Huang é a 29ª pessoa mais ricado mundo, segundo ranking da Bloomberg.

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terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Ibovespa fecha acima dos 133 mil pontos pela 1ª vez na história; dólar cai ao menor nível desde agosto

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O principal índice da bolsa de valores avançou 0,59%, aos 133.533 pontos. Já a moeda norte-americana recuou 0,79%, cotada a R$ 4,8220.
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Por g1

Postado em 26 de dezembro de 2023 às 11h15m

            Post. N. =  0.752           

Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik
Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik

O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, fechou alta nesta terça-feira (26) e superou os 133 mil pontos, atingindo um novo recorde.

Ao longo da sessão, investidores repercutiram a divulgação do último Boletim Focus de 2023. A publicação mostrou, mais uma vez, redução nas expectativas para a inflação deste e do próximo ano. As projeções para o preço do dólar também caíram.

Nesta semana — a última do ano e com menor volume de negócios —, o mercado ainda aguarda algumas divulgações importantes, com destaque para dados de inflação e emprego no Brasil e da atividade econômica nos Estados Unidos.

No mesmo cenário, o dólar fechou em baixa e atingiu o menor patamar desde agosto.

Veja abaixo o dia nos mercados.

Entenda o que faz o dólar subir ou descer

Dólar

O dólar caiu 0,79%, cotado a R$ 4,8220, no menor patamar desde 2 de agosto, quando fechou em R$ 4,8039. Veja mais cotações.

Na última sexta-feira (22), a moeda norte-americana fechou em baixa de 0,54%, vendida a R$4,8606. Com o resultado de hoje, passou a acumular quedas de:

  • 1,90% no mês;
  • 8,64% no ano.

Ibovespa

O Ibovespa subiu 0,59%, aos 133.533 pontos.

Na última sexta-feira, o índice fechou com alta de 0,43%, aos 132.753 pontos. Com o resultado de hoje, passou a acumular ganhos de:

  • 4,87% no mês;
  • 21,69% no ano.

O que está mexendo com os mercados?

A semana começou com uma agenda econômica mais fraca, com destaque apenas para o tradicional Boletim Focus, relatório do Banco Central do Brasil (BC) que reúne as projeções de economistas do mercado financeiro para os principais indicadores do país.

Na última edição do ano, as estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do Brasil, voltaram a cair tanto para 2023 quanto para 2024.

Para este ano, as expectativas são de que o IPCA acumule 4,46% de alta. Com a baixa, a estimativa dos analistas para a inflação de 2023 se mantém abaixo do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) - a meta é de 3,25% e pode oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Já para o ano que vem, a estimativa de inflação caiu de 3,93% para 3,91% na última semana. No próximo ano, a meta de inflação é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

Também houve uma redução nas projeções para o preço do dólar em 2023. Agora, os economistas acreditam que a moeda norte-americana deve encerrar o ano cotada a R$ 4,90.

A principal razão para essa queda nas projeções do dólar é a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode começar a cortar suas taxas de juros, hoje entre 5,25% e 5,50% ao ano, já no primeiro semestre do ano que vem.

Juros mais baixos nos Estados Unidos reduzem a rentabilidade entregue pelos títulos públicos americanos, considerados os mais seguros do mundo, o que impulsiona os investidores a migrarem para os ativos de risco, que oferecem retornos maiores, como os mercados de ações e títulos de países emergentes, como o Brasil.

Ao longo da semana, outros indicadores serão divulgados e podem mexer com os ânimos do mercado, principalmente o IPCA-15 e o CAGED por aqui, e os pedidos de seguro-desemprego e vendas de moradias nos Estados Unidos.

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terça-feira, 19 de dezembro de 2023

S&P eleva nota de crédito do Brasil de BB- para BB

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Agência de risco sobe o rating do país e destaca a aprovação da reforma tributária junto com melhores perspectivas de crescimento econômico. Por outro lado, diz que o déficit nas contas públicas segue elevado, e passa por correção muito gradual.
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Por g1

Postado em 19 de dezembro de 2023 às 18h20m

            Post. N. =  0.751           

Sede da Standard & Poor's (S&P) — Foto: Brendan McDermid/Reuters
Sede da Standard & Poor's (S&P) — Foto: Brendan McDermid/Reuters

A agência de classificação de risco S&P Global Ratings elevou a nota de crédito do Brasil de BB- para BB nesta terça-feira (19). A perspectiva é estável.

Essa classificação ainda indica uma posição de "grau especulativo". Isso significa que o país ainda enfrenta incertezas em relação a condições financeiras, mas a subida de nota agora coloca o Brasil a dois degraus do "grau de investimento"(saiba mais abaixo)

Em nota, a S&P destaca a aprovação da reforma tributária brasileira e melhores perspectivas de crescimento econômico neste ano como pontos positivos do cenário brasileiro. Por outro lado, a agência destaca que o déficit nas contas públicas segue elevado, e passa por correção muito gradual.

Veja abaixo o resumo do que diz a S&P:

  • Uma reforma tributária recentemente aprovada no Brasil amplia o histórico do país de implementação pragmática de políticas nos últimos sete anos.
  • As perspectivas de crescimento econômico melhores, mas ainda moderadamente fracas, e uma situação fiscal fraca continuam a restringir a qualidade de crédito do Brasil.
  • A nossa perspectiva estável reflete a nossa expectativa de que o país realizará progressos lentos na resolução dos desequilíbrios fiscais e de perspectivas econômicas ainda fracas, equilibradas por uma posição externa forte e uma política monetária que está ajudando a reancorar as expectativas de inflação.

"A perspectiva estável (da notareflete nossa expectativa de que o Brasil manterá uma posição externa forte, graças à forte produção de commodities e às necessidades limitadas de financiamento externo", diz a agência.

"Acreditamos também que a estrutura institucional do Brasil pode sustentar a formulação de políticas estáveis e pragmáticas, com base em amplos freios e contrapesos nos poderes executivo, legislativo e judiciário do governo. Esperamos uma correção fiscal muito gradual, mas antecipamos que os déficits fiscais permanecerão elevados."

Ainda sobre a questão fiscal, a S&P pondera que poderia revisar para baixo as perspectivas e a nota do Brasil em caso de uma má implementação de políticas públicas, que pudessem levar o país a ter maior deterioração fiscal e aumento da dívida pública acima do esperado.

"Uma deterioração na sinalização política também poderia reduzir os fluxos de investimentos diretos estrangeiros e, assim, enfraquecer a posição externa do Brasil", diz o relatório.

Por outro lado, a agência aponta que pode rever a avaliação para cima caso o quadro fiscal se estabilize antes do esperado ou caso as reformas estruturais e microeconômicas implementadas nos últimos anos se transformem em impulso ao crescimento econômico de longo prazo.

Veja as notas de crédito do Brasil (ratings) em todas as agências de risco — Foto: Arte g1
Veja as notas de crédito do Brasil (ratings) em todas as agências de risco — Foto: Arte g1

Reforma tributária

A S&P dá destaque especial à aprovação da reforma tributária, dizendo que o texto representa uma revisão significativa do sistema fiscal e deve se traduzir em ganhos de produtividade no longo prazo.

"A reforma (tributária) se junta a um extenso histórico de reformas estruturais e microeconômicas que acontece desde 2016. Na nossa opinião, isso é reflexo de um quadro institucional cada vez mais pragmático, que ajuda a ancorar a estabilidade macroeconômica", diz a S&P.

"Esperamos que as instituições brasileiras continuem a abordar lentamente as ineficiências econômicas que retardam o crescimento, bem como a rígida estrutura orçamental do país, que contribui para grandes déficits fiscais e uma elevada dívida pública".

A agência ainda destaca que o respeito do país ao regime de metas de inflação, com política monetária conduzida por um banco central autônomo, ajuda a sustentar a melhora recente do rating brasileiro.

"Além disso, o desenvolvimento do mercado de capitais atenua o risco de rolagem do governo e permite manter uma composição favorável da dívida pública, maioritariamente denominada em moeda local."

Em contraponto, a S&P aponta que houve pouco progresso em lidar com os "rígidos e ineficientes" gastos públicos. "Ao longo do tempo, isto resultou em déficits fiscais consistentes, espremendo recursos do setor financeiro e explicando parcialmente o fraco crescimento do Brasil".

Haddad comemora decisão

Em conversa com jornalistas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que acredita que a S&P estava aguardando o desfecho das reformas que foram propostas ao Congresso Nacional para alterar a nota de crédito do Brasil, e que a reforma tributária realmente foi o "ponto alto dessa trajetória".

"Temos muito trabalho ano que vem, nada é simples, mas é uma sinalização importante que as agências promovem nesse sentido", disse Haddad.

"Eu nunca me conformei de o Brasil não ter grau de investimento. Nunca me conformei com isso, porque um país que não deve, tem mais do que US$ 300 bilhões de caixa, não pode não ter grau de investimento. Tem que ter que grau de investimento".

Além da S&P, a agência Fitch elevou a nota de crédito do país em julho deste ano. Em nota, a empresa afirmou que a melhora foi possível porque o governo Lula conseguiu garantir governabilidade para encaminhar sua agenda política e econômica.

Na classificação das três principais agências de risco, contando também a Moody's, o Brasil está a dois passos do grau de investimento.

Mudança em junho

O Brasil havia sido rebaixado pela S&P para a nota BB- em 2018. Apenas em junho deste ano, a agência de risco mudou a perspectiva da nota para positiva, indicando que o país poderia melhorar sua classificação.

A perspectiva positiva para o país não acontecia desde 2019. À época, a S&P afirmou que o movimento refletia sinais de maior certeza sobre a estabilidade das políticas fiscal e monetária, que poderiam acabar beneficiando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

De acordo com a S&P, apesar de o Brasil ainda registrar grandes déficits fiscais, o avanço da atividade e um caminho mais claro para a política fiscal podem resultar em um ônus da dívida do governo "menor do que o inicialmente esperado."

"Isso poderia dar suporte à flexibilização monetária e à posição externa líquida do Brasil", afirmou a empresa na ocasião, em comunicado.

"Tais evoluções reforçariam nossa visão sobre a resiliência da estrutura institucional do Brasil, com uma formulação de políticas estável e equilibrada entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do governo", acrescentou.

A agência indicava em seu cenário positivo que, se o governo conseguisse implementar políticas econômicas "pragmáticas" e que fossem capazes de conter as vulnerabilidades nas finanças públicas do país, seria possível projetar um aumento de nota.

"A chave para isso seria a aprovação de reformas adicionais — entre elas, a reforma tributária atualmente em debate", acrescentou.

O que essa mudança significa?

A elevação da nota de crédito do país reflete a solidez e a saúde das finanças do Brasil, indicando sua capacidade em honrar com seus compromissos financeiros ao longo do tempo. Quanto maior é essa classificação, mais confiável o país é.

Com a melhora da nota, o país fica a dois degraus do grau de investimento, segundo a S&PEsse "selo de qualidade" é o que assegura aos investidores um menor risco de calotes, e essa classificação é uma nota dada por instituições especializadas em análise de crédito a um país emissor de dívida.

Ter o selo de bom pagador é importante porque alguns fundos de pensão internacionais, de países da Europa ou os Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estão classificados com grau de investimento por agências internacionais, o que favorece a entrada de recursos.

O Brasil conquistou o grau de investimento pela S&P pela primeira vez em 2008, mesmo ano em que a Fitch reconheceu o país como um local seguro para investimentos financeiros. Em 2009, conseguiu a classificação pela Moody's. A S&P também foi primeira a tirar o selo de bom pagador do Brasil, em setembro de 2015, ação que foi seguida pelas outras duas grandes agências internacionais.

Sem esse grau de investimento, muitos investidores estrangeiros não aplicam mais dinheiro no país ou perdem o estímulo a deixar o dinheiro aqui. Segundo analistas de mercado, historicamente, países costumam levar cerca de 5 a 10 anos para recuperar o selo de país bom pagador.

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domingo, 17 de dezembro de 2023

Desemprego em queda, alta do PIB, inflação: o que os números do fim de 2023 dizem sobre a economia

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Economistas consultados pelo g1 apontam saldo positivo para a economia brasileira em 2023, mas sinalizam crescimento menor em 2024.
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Por Lais Carregosa, g1 — Brasília

Postado em 17 de dezembro de 2023 às 10h45m

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Com taxa de desemprego em queda, crescimento da atividade econômica e inflação menor, o ano de 2023 deve terminar com um saldo positivo para a economia brasileira, afirmam especialistas consultados pelo g1.

O Produto Interno Bruto (PIB) deve fechar o ano em 2,9%, enquanto a inflação deve chegar a 4,2% –menor que os 5,6% de 2022. As estimativas são da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Desemprego cai a 7,6% no trimestre terminado em outubro, diz IBGE

Quando se começa a pensar no início do ano, esperávamos menos crescimento e mais inflação. Então, acho que é uma boa notícia, afirma a coordenadora do Boletim Macro da FGV, Silvia Matos.

"Entendo que os indicadores econômicos em geral mostram uma situação positiva em 2023, inclusive melhor do que nós economistas, em grande maioria, projetávamos para este ano, declarou o economista-chefe da Warren Investimentos e ex-diretor executivo do Instituto Fiscal Independente, Felipe Salto.

Salto explica que o PIB potencial – ou seja, a capacidade produtiva — está se recuperando depois de cair durante a pandemia de Covid-19.

O que permite que você tenha uma coisa que parece contraditória, quando olhamos à primeira vista, mas não é: o desemprego em patamares muito baixos e a inflação não pressionada, ao contrário, a inflação em redução, até surpreendendo positivamente a cada resultado mensal, destacou.

Efeito das commodities

Segundo Matos, da FGV, os fatores para a redução da inflação passam pelo choque de preços das commodities -- que aumentaram cerca de 20% em 2022, mas caíram em 2023 --, pela política monetária do Banco Central e pela valorização da moeda nacional.

Matos destaca, contudo, o aumento na oferta de alimentos. A supersafra deste ano teve efeitos tanto na inflação quanto na atividade econômica.

Inflação tem leve acelerada em novembro, mas fica abaixo do esperado pelos economistas

A inflação domiciliar, que afeta principalmente alimentos e tem impacto direto sobre as contas das famílias mais pobres, deve ter uma deflação de 0,8% este ano, segundo Matos. Em 2022, houve inflação de 13,2%.

Isso é uma coisa muito boa. Sabemos que alimentos são uma base importante, principalmente para famílias de mais baixa renda. [...] Para famílias de baixíssima renda, pensando aí no Bolsa Família, um terço da cesta deles é esse tipo de alimentação. É muito alto, afirmou.

Além disso, Matos destaca a redução na inflação de bens industriais de 9,5% em 2022 para 1% este ano, segundo estimativa da FGV.

Uma parte relevante da inflação vem com uma desaceleração e muito mais creditado, não só [porque] teve a política monetária, mas muito efeito desse choque de preços. Não foi só no Brasil, todo mundo foi beneficiado por essa redução de preços industriais, commodities, energia, declarou.

Atividade econômica

Para Matos, a trajetória do PIB desse ano conta uma história diferente de 2022, apesar de os resultados serem parecidos: 3% em 2022 (valor revisado) e 2,9% este ano.

A diferença entre os dois anos está nos setores que mais contribuíram para a atividade econômica. A maior parte da contribuição com o PIB em 2022 veio da indústria e dos serviços. Já neste ano, o agronegócio e as atividades de extração devem responder por mais da metade do PIB.

Foi um ano muito bom, sem dúvida, pelo clima. Apesar do Rio Grande do Sul ter tido seca no início do ano, tivemos uma brutal safra de soja, de milho, isso ajudou a baratear ração, ajudou nas carnes, afirmou.

Já a indústria e os serviços foram afetados pela política monetária, com a manutenção dos juros a taxas mais altas. O ano começou a taxa básica de juros da economia, a Selic, a 13,75%. Na quarta-feira (13), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu a taxa de 12,25% para 11,75%.

Perspectivas para 2024

Segundo Salto, a taxa de crescimento em 2024 deve ser menor, mas é uma dinâmica que provavelmente vai ser puxada pelo consumo e pelo investimento no ano que vem em razão da redução dos juros que já está acontecendo há algum tempo.

Já para a inflação, a projeção da Warren é de 3,5% no ano que vem, sem o efeito do El Niño. A meta do governo é de 3%, mas a avaliação é que há uma desaceleração ou controle da inflação.

A FGV projeta uma inflação de 4,1% para 2024. Para Matos, o cenário para a inflação de alimentos deve ser menos animador que em 2023, com elevação nos preços por causa dos fenômenos climáticos no final deste ano.

Estamos vendo já previsões de uma safra menor e o risco é negativo porque vemos o Centro-Oeste, que produz bastante soja e milho, com chuva irregular, clima bastante quente. Pode ser que tenhamos uma leve queda do agro, depois de crescer (...) esse ano, afirmou.

O crescimento menor do agronegócio também deve afetar o PIB. A projeção atual da FGV é de um crescimento de 1,4% em 2024 -- quase metade do previsto para 2023.

"Se tiver uma queda maior do agro, temos o risco de termos um PIB muito fraco no início do ano porque ele depende muito de agro", afirmou Matos.

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