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quinta-feira, 10 de novembro de 2022

'É libertador': as pessoas que abandonam redes sociais

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Um número pequeno, mas crescente de pessoas está desistindo de Facebook, Twitter e Instagram.
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TOPO
Por BBC

Postado em 10 de novembro de 2022 às 17h00m

#         Post. N. =  0.548        #

Gayle Macdonald lembra que 'existem outras coisas na vida' além de postar conteúdo nas redes sociais — Foto: Iain MacDonald/Arquivo pessoal via BBC
Gayle Macdonald lembra que 'existem outras coisas na vida' além de postar conteúdo nas redes sociais — Foto: Iain MacDonald/Arquivo pessoal via BBC

Quando Gayle Macdonald chegou ao pico da Sierra Nevada, na Espanha, no início deste ano, ela não parou apenas para apreciar a paisagem.

Em vez disso, ela, que tem 45 anos de idade, fez o que muitas pessoas fariam: procurou o melhor lugar para tirar uma selfie e postar nas redes sociais. Ela admite até que chegou perigosamente perto do precipício para isso.

Foi depois daquele momento, quando foi repreendida pelo seu marido, que ela decidiu abandonar as redes sociais.

"Foi como se [alguém dissesse] 'isso tem que parar'", relembra Macdonald, cidadã britânica que mora perto de Granada, na Espanha.

"Tirar foto era a primeira coisa em que pensava quando saía do carro", ela conta. "Pensar todo o tempo em criar conteúdo e me preocupar com o que dizer estava ocupando espaço demais na minha cabeça e me deixando deprimida."

Uma semana depois, ela postou no Facebook e no Instagram que estava deixando as plataformas.

"Foi surpreendente ver que foi a minha postagem mais curtida no Instagram. Todos estavam comentando 'eu queria poder fazer o mesmo' e 'você é muito corajosa'."

Macdonald é coach pessoal, especializada em ajudar as pessoas a parar de beber. Ela percebeu que passava, em média, cerca de 11 horas por semana nas redes sociais.

E afirma que a ideia de abandonar os aplicativos era muito mais assustadora do que a ação real de sair.

"Depois que saí, não tive mais vontade de voltar", ela conta. "Foi bem libertador. Estou agora há mais de seis meses sem acessar as redes sociais e recuperei parte daquela sensação de paz e liberdade que experimentei quando parei de beber."

Número pequeno, mas crescente de pessoas está deixando Facebook, Twitter e Instagram — Foto: Alessandro Feitosa Jr/g1
Número pequeno, mas crescente de pessoas está deixando Facebook, Twitter e Instagram — Foto: Alessandro Feitosa Jr/g1

Muitos de nós passamos uma parte enorme do tempo nas redes sociais. Um estudo global em julho de 2022 estimou que uma pessoa passa, em média, duas horas e 29 minutos por dia nesses aplicativos e websites — cinco minutos a mais do que no ano passado.

Algumas pessoas podem achar que este é um mau hábito que deveria ser eliminado. Mas, para outras, é uma forma real de dependência que elas precisam de ajuda para superar.

A organização UK Addiction Treatment (UKAT), que mantém centros de tratamento de dependência em redes sociais, afirma que houve um aumento de 5% da quantidade de pessoas que buscam auxílio para o problema nos últimos três anos.

"Sem dúvida, a sociedade desenvolveu forte dependência das redes sociais e da internet, de forma geral, durante a pandemia", afirma Nuno Albuquerque, consultor da UKAT.

O aumento da conscientização sobre essas preocupações levou mais pessoas como Macdonald a abandonar as redes sociais ou pelo menos reduzir o tempo gasto nelas. E os provedores estão observando a tendência.

No início do ano, a empresa Meta, proprietária do Facebook, informou que seu número diário de usuários ativos diminuiu pela primeira vez na sua história.

E um relatório interno do Twitter que vazou em outubro afirmava que seus usuários mais ativos agora estão tuitando menos. O Twitter não desmentiu a autenticidade do vazamento.

Até o novo dono do Twitter, o bilionário Elon Musk, especulou no início do ano: "o Twitter está morrendo?"

E, recentemente, sua aquisição fez com que celebridades de Hollywood declarassem que irão sair do Twitter, por estarem insatisfeitas com as opiniões de Musk sobre a liberdade de expressão e seus planos para o serviço.

Mas, de volta ao mundo real, quais são as outras razões que estão levando as pessoas a abandonar as redes sociais?

'Cada vez menos privacidade'

A empresária Urvashi Agarwal saiu do Instagram em 2014, mas sua ausência durou apenas cerca de um ano.

Até que, em agosto de 2022, ela excluiu sua conta pessoal pela segunda vez e afirma categoricamente que, desta vez, não haverá retorno.

Urvashi Agarwal está decidida a abandonar o Instagram - desta vez, para sempre — Foto: Arquivo pessoal via BBC
Urvashi Agarwal está decidida a abandonar o Instagram - desta vez, para sempre — Foto: Arquivo pessoal via BBC

"Saí definitivamente", afirma a fundadora da marca britânica de chás JP's Originals, que mora em Londres.

"Cem por cento. Não é só uma grande perda de tempo, mas parece que simplesmente há cada vez menos privacidade no mundo. Tudo o que você faz é constantemente publicado."

Agarwal também não usa mais o Twitter, nem o Facebook. Ela acha libertador: "Adoro. Agora, leio 15 páginas de um livro todas as noites."

A psicoterapeuta de Londres Hilda Burke, autora do livro The Phone Addiction Workbook ("Livro de exercícios sobre a dependência do telefone", em tradução livre), afirma que existe atualmente maior consciência sobre a quantidade de tempo que as pessoas estão "desperdiçando" nas plataformas das redes sociais.

"Agora, isso pode ser quantificado facilmente, pois a maioria dos telefones mostra detalhadamente como você está passando seu tempo online", afirma ela.

"Ver a soma de tudo isso pode ser um alerta poderoso", explica Burke. "Muitos dos meus clientes expressaram correlação entre o uso intenso das redes sociais, má qualidade de sono e aumento da ansiedade."

Ela aconselha às pessoas que saírem das redes sociais que informem todos os seus amigos, para que eles não continuem tentando entrar em contato por meio das plataformas.

"Ofereça outras formas de contato. Talvez uma ligação telefônica à moda antiga possa atender melhor ao relacionamento na ausência de mensagens diretas", aconselha Burke.

Já a executiva de relações públicas Kashmir, que prefere não informar seu sobrenome, tem 27 anos de idade e mora em Rochester, no Reino Unido. Ela saiu do Instagram 10 meses atrás e, antes, também já havia abandonado o Snapchat.

"O principal fator foi minha saúde mental", afirma ela. "Existe muita pressão para acompanhar o que as outras pessoas estão fazendo, o que realmente não é representativo, nem a realidade daquela pessoa."

"Eu ficava rolando a tela à noite para depois ter uma noite de sono ruim e não me sentir revigorada quando acordava", conta Kashmir.

"Agora, não estou fazendo comparações na minha vida diária e realmente não sei o que as celebridades estão fazendo."

"Isso me permite estar mais firme e presente, comprometida com as decisões que tomo, em vez de ser influenciada", ela conta.

Kashmir acrescenta que não estar no Instagram, nem no Snapchat, não afetou seu trabalho em relações públicas e que ela ainda usa o LinkedIn sempre que está procurando um novo emprego.

Você costuma postar selfies em alguma rede social? Com que frequência? — Foto: Getty Images via BBC
Você costuma postar selfies em alguma rede social? Com que frequência? — Foto: Getty Images via BBC

Nuno Albuquerque, da UKAT, afirma que as redes sociais podem causar dependência por muitas razões. A principal delas é que as redes servem de forma de escape, especialmente para a geração mais jovem.

"É simplesmente uma forma de conectar-se sem conexão, um conforto disponível a todo momento para fazer companhia a muitas pessoas", explica ele.

"Mas a dependência alimenta o isolamento e, se alguém passar mais tempo vivendo online que no mundo real, naturalmente ela ficará isolada, o que pode gerar mais dependência."

Ele aprova o fato de que mais pessoas estão abandonando as redes sociais. "É provável que, em algum momento, começaremos a perceber os danos que elas podem causar aos nossos relacionamentos, à nossa saúde mental e à nossa experiência dos momentos da vida real."

De volta à Espanha, Gayle Macdonald afirma que está mais feliz sem as redes sociais.

"É tão libertador sentar e tomar uma xícara de chá sem me preocupar com a imagem, a legenda e se deve ou não ser um story, reel ou postagem. Realmente, existem outras coisas na vida além disso."

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Dólar fecha em alta de mais de 4%, na maior alta diária desde março de 2020

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Moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 4,10%, cotada a R$ 5,3942, enquanto o Ibovespa caiu 3,35%, aos 109.775 pontos
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Por g1

Postado em 10 de novembro de 2022 às 14h25m

#         Post. N. =  0.547        #

Mercado financeiro está bem cauteloso em relação ao aumento do gasto público e pelo teto de gastos, diz economistaMercado financeiro está bem cauteloso em relação ao aumento do gasto público e pelo teto de gastos, diz economista

O dólar fechou em forte alta nesta quinta-feira (10), com os investidores reagindo às incertezas em relação ao controle das contas públicas no governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. Também pesou contra o real neste pregão a divulgação da inflação de outubro, que subiu acima das expectativas do mercado.

A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 4,10%, cotada a R$ 5,3942a maior cotação de fechamento desde 29 de setembro, quando encerrou a R$ 5,3950, e maior alta diária desde 16 de março de 2020, quando subiu 5,16%, durante o início da crise provocada pela Covid-19. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,4129. Veja mais cotações.

Com o resultado, a moeda acumula alta de 6,63% na semana, e de 4,43% no mês. No entanto, no ano, o dólar ainda apresenta queda de 3,24% frente ao real.


O que está mexendo com os mercados?

No começo da manhã o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), que representa a inflação oficial do país. Em outubro, o indicador teve avanço de 0,59%, após três meses consecutivos de deflação.

O mercado já esperava uma alta na inflação brasileira, mas o avanço nos preços foi superior às expectativas de especialistas, que projetavam uma alta média de 0,50%.

A maior influência no índice geral veio do grupo "Alimentação e bebidas", com crescimento de 0,72% e impacto de 0,16 ponto percentual no índice geral.

Na sequência das maiores influências estão os grupos de "Saúde e cuidados pessoais" (1,16% e 0,15 p.p.) e "Transportes" (0,58% e 0,12 p.p.). Já o grupo "Vestuário" teve a alta mais intensa, de 1,22%.

A nova alta dos preços no Brasil ocorre em um momento em que investidores estão cautelosos com os gastos do novo governo a partir de 2023.

"O mercado está preocupado com a dinâmica dos gastos públicos. Tem que ser uma dinâmica sustentável", afirmou Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria, em entrevista a GloboNews.

Além disso, Alessandra Ribeiro pontua, também, que ainda não há definição sobre quem estará na equipe econômica de Lula a partir do próximo ano, o que adiciona incertezas e volatilidade ao mercado.

Investidores esperam a nomeação de uma pessoa mais alinhada ao centro do que a esquerda para as pastas da economia.

Para cumprir com as principais promessas de campanha de Lula – com destaque para a continuidade do Auxílio Brasil de R$ 600, um auxílio extra de R$ 150 para crianças pequenas e reajuste do salário mínimo –, o governo de transição planeja criar a PEC da Transição, que liberaria cerca de R$ 175 bilhões no Orçamento de 2023 além do teto de gastos.

Para o assessor de investimentos na Phi Investimentos Gabriel Cordeiro, o discurso adotado pelo presidente eleito vai na contramão dos desejos do mercado e impactou diretamente a desvalorização do real frente ao dólar nesta quinta-feira.

"Caso essas ideias que apoiam o furo do teto de gastos e criticam a estabilidade fiscal sejam colocadas em prática, esse cenário afetará negativamente qualquer investidor que tenha o 'risco Brasil' em seu patrimônio. Isso porque o país tende a se endividar com esse tipo de política, trazendo uma inflação maior, forçando o Banco Central a manter as taxas de juros elevadas e desvalorizando os ativos brasileiros", disse o assessor.

Dólar — Foto: REUTERS/Lee Jae-Won
Dólar — Foto: REUTERS/Lee Jae-Won

Exterior

Já no cenário externo, o destaque do dia também fica por conta da inflação, desta vez nos Estados Unidos. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de outubro subiu 0,4%, segundo o Departamento do Trabalho do país. O resultado veio um pouco abaixo das expectativas do mercado, de alta de 0,6%.

Uma inflação muito elevada na maior economia do mundo pesa contra a valorização do real frente ao dólar. Quando os preços disparam, a estratégia dos bancos centrais é elevar as taxas de juros.

Nos EUA, os juros já subiram até um patamar entre 3,75% e 4,00% ao ano, e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sinalizou que novas altas devem ocorrer nos próximos meses.

Juros mais altos impactam positivamente a rentabilidade dos títulos públicos de um país, que passam a entregar retornos maiores e mais atrativos.

Como os títulos americanos são considerados os mais seguros do mundo, se a rentabilidade deles sobe, há uma tendência global de migração dos investidores para esses investimentos, em detrimento dos ativos de risco. Nesse sentido, o dólar ganha força ante a moeda nacional.

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quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Estatais perderam R$ 67 bilhões em valor de mercado desde as eleições, mas Ibovespa acumula alta

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Perda foi concentrada na Petrobras, por temores sobre mudanças na política de preços e na distribuição de dividendos da companhia; empresas do setor elétrico tiveram alta no período.
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Por g1

Postado em 09 de novembro de 2022 às 09h30m

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Painel de cotações da B3, em imagem de arquivo — Foto: SUAMY BEYDOUN/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Painel de cotações da B3, em imagem de arquivo — Foto: SUAMY BEYDOUN/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

As estatais brasileiras com ações negociadas na B3 perderam R$ 67 bilhões em valor de mercado desde as eleições, segundo dados da TradeMap compilados a pedido do g1.

Essas perdas, no entanto, foram na contramão do resto do mercado: no mês, a bolsa acumula alta, ainda que tímida, de 0,10% – e o valor de mercado total das empresas listadas nela cresceu R$ 58 bilhões.


Petrobras e BB concentram perdas

Entre as estatais, as perdas foram concentradas na Petrobras e no Banco do Brasil: o valor somado das ações da petroleira 'encolheu' R$ 67,57 bilhões no período, enquanto as do banco caíram R$ 2,1 bilhões.

Já as estatais do setor de energia viram seu valor de mercado crescer, com destaque para Copel, com ganho R$ 1,7 bilhão, e Eletrobras, com R$ 1,48 bilhão.

A queda na Petrobras vem na esteira da desconfiança de que a gestão petista possa interromper a vigência da política de preços da petroleira ou mexer na distribuição de dividendos da empresa.

A estatal distribuirá, ao todo, mais de R$ 217 bilhões em dividendos aos acionistas no ano de 2022. O montante total é três vezes maior do que o dividendo pago no ano passado. A União, que detém 28,7% dos papéis, ficará com R$ 62 bilhões desse valor.

Mas a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, criticou a decisão da empresa e disse que ela visa pagar parte da gastança eleitoral do governo neste ano eleitoral. "Isso é uma irresponsabilidade com a empresa e com o país. É a farra do [ministro da Economia] Paulo Guedes, para cobrir os gastos eleitorais do governo Bolsonaro", afirmou.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Dólar fecha em alta em dia marcado por volatilidade no exterior

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Moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 2,22%, vendida a R$ 5,1714.
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Por g1

Postado em 07 de novembro de 2022 às 11h10m

#         Post. N. =  0.545        #

Dólar — Foto: Freepik
Dólar — Foto: Freepik

O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (7), em um dia marcado pela alta volatilidade no exterior. No radar dos investidores, dados econômicos que serão divulgados no Brasil, nos Estados Unidos, Europa e China ao longo da semana.

A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 2,22%, vendida a R$ 5,1714. Veja mais cotações.

Com o resultado, passou a acumular alta de 0,12% no mês – mas segue em queda de 7,24% no ano frente ao real.


O que está mexendo com os mercados?

Embora a segunda-feira esteja com uma agenda mais vazia, a semana é marcada pela divulgação de indicadores econômicos importantes no Brasil e no mundo. Entre os indicadores que serão divulgados, os de maior impacto no mercado nacional e, consequentemente, no preço do dólar, são os dados de inflação aqui e nos EUA.

Segundo a edição desta semana do Boletim Focus, relatório em que o Banco Central do Brasil reúne as expectativas de especialistas do mercado para a economia do país, as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2022 voltaram a subir. As estimativas para a inflação oficial no final do ano passaram de 5,61% para 5,53%.

Já nos EUA, onde a inflação anual está nos maiores patamares em quatro décadas, as previsões para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de outubro é de uma alta de 0,6%, segundo estimativas consolidadas pelo Investing. Em setembro, o CPI avançou 0,4%, acima do esperado por especialistas.

Uma inflação maior nos EUA é um peso negativo contra a valorização da moeda brasileira em relação ao dólar. Com os preços altos no país, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) continua sua trajetória de elevação das taxas de juros, hoje entre 3,75% e 4,00% ao ano, após uma alta de 0,75 ponto percentual na última reunião do comitê de política monetária estadunidense.

Antonio van Moorsel, sócio e diretor do Advisory da Acqua Vero Investimentos, explica que, quanto maiores são os juros nos EUA, maior é o rendimento dos títulos públicos americanos - que são considerados os mais seguros do mundo.

Assim, se as taxas sobem por lá, a tendência é que os investidores retirem suas reservas de ativos de risco, como o moeda brasileira, e coloquem nos títulos que oferecem menos risco por um retorno atrativo, favorecendo o dólar.

Também nos EUA, amanhã acontecem as eleições de meio de mandato, que renovam a Câmara dos Deputados do país e parte do Senado.

Na China, o governo reafirmou sua política de tolerância zero contra os casos de covid-19, "esfriando as especulações da semana passada sobre flexibilização das restrições", afirmam analistas do BTG Pactual. Essa política de tolerância zero impacta o crescimento econômico do país, que é um dos principais demandantes por commodities e outros diversos tipos de produtos no mundo.

No Brasil, além das expectativas com os dados de inflação e outros indicadores econômicos, as atenções permanecem voltadas ao cenário político, em um momento em que a equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva negocia com o governo de Jair Bolsonaro para realizar a transição dos poderes.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Dólar tem queda de 4,5% na primeira semana após a eleição e vai aos R$ 5,05

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Nesta sexta-feira, a moeda norte-americana teve queda de 1,29%, vendida a R$ 5,0590.
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Por g1

Postado em 04 de novembro de 2022 às 11h05m

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Dólar — Foto: REUTERS/Lee Jae-Won
Dólar — Foto: REUTERS/Lee Jae-Won

O dólar teve nova queda nesta sexta-feira (4), com os investidores repercutindo a divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos, os resultados da Petrobras e o avanço nas negociações para a transição do governo.

A moeda americana recuou 1,29%, vendida a R$ 5,0590. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,0233. Veja mais cotações.

Na primeira semana após as eleições presidenciais, o dólar chegou ao menor valor desde 29 de agosto (R$ 5,0329) e acumulou queda de 4,56%.

Na quinta-feira (3), o dólar subiu 0,13% e fechou o dia vendido a R$ 5,1253. Com o resultado de hoje, a moeda acumulou queda de 2,06% no mês e de 9,25% no ano frente ao real.


O que está mexendo com os mercados?

O mercado financeiro reagiu bem aos primeiros fatos políticos após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para seu terceiro mandato. As negociações para transição de governo começaram a caminhar, enquanto a possibilidade de contestação de resultados minguou, dando mais segurança aos investidores.

"A partir de agora, o que ganha importância para o mercado é a indicação de quem será o futuro Ministro da Economia. Os agentes econômicos aguardam se o nome será de um político ou de um técnico e isso será determinante para a direção dos ativos nas próximas semanas", diz Gabriel Cunha, especialista em mercados internacionais do C6 Bank.

No cenário político, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), encontrou-se nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, no que foi a primeira reunião para tratar da transição para o governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Alckmin foi escolhido por Lula para coordenar a equipe de transição. Ciro, por sua vez, chefia os trabalhos pelo lado do governo Bolsonaro. O vice-presidente informou que nomes da equipe de transição devem ser anunciados a partir da próxima segunda-feira (7).

Como mostrou o blog da Andréia Sadi, o terceiro governo de Lula (PT) deve começar sem a figura de um superministério — como ocorre com a pasta da Economia na gestão de Jair Bolsonaro (PL). Terá, por outro lado, uma vice-presidência empoderada. Alckmin será nome forte do governo e terá influência direta, por exemplo, na Economia e no Ministério da Defesa.

Integrantes da campanha de Lula defendem, inclusive, que Alckmin venha a comandar uma dessas pastas. Mas, mesmo que isso não venha a ocorrer – ele é resistente à ideia –, os nomes escolhidos vão passar pelo crivo do vice-presidente eleito.

Para a Economia, por exemplo, assessores de Alckmin defendem o nome de Pérsio Arida, um dos criadores do Plano Real. Arida declarou voto em Lula em 2022 e não descartou integrar o novo governo do petista.

Em contrapartida, o PT ficaria com o Ministério do Planejamento, que é responsável pela execução do Orçamento da União. Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e candidato derrotado ao governo de São Paulo, é cogitado para ocupar a pasta.

No exterior, o dia nos mercados globais é mais positivo nesta sexta, o que gera um maior apetite a risco - ou seja, os investidores tendem a investir em outros ativos além daqueles considerados mais seguros, como é o caso do próprio dólar e dos títulos públicos dos EUA. Assim, moedas de outros países ganham força contra a moeda americana, como o real.

Nos EUA, investidores repercutem os números do payroll, o relatório de empregos mais importante do país. O desemprego cresceu 0,2% na maior economia do mundo em outubro, chegando a 3,7%. No entanto, foram criadas 261 mil vagas de trabalho, acima das expectativas do mercado, que apontavam para cerca de 200 mil novos postos.

Na China, notícias positivas sobre o controle dos casos de covid-19 também ajudam a animar os investidores. De acordo com informações da Reuters, o ex-epidemiologista-chefe do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças afirmou que, em breve, o país terá mudanças na política de covid zero.

Com melhores perspectivas para a economia chinesa, que um dos principais países demandantes de diversos produtos do mundo, o petróleo e o minério de ferro operam em alta nesta sexta, o que também beneficia o Brasil, segundo especialistas.

Como o país é um importante exportador de commodities, algumas das maiores empresas brasileiras listadas em bolsa são exportadoras e ganham atratividade em momentos de valorização dos produtos no exterior. Assim, mais investidores internacionais alocam seus recursos nesses papéis, gerando uma variação positiva para a moeda nacional.

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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Fed eleva juros em 0,75 pontos percentuais e sinaliza possível aumento menor

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Nova linguagem no comunicado de política monetária observa o impacto ainda em evolução do rápido ritmo de aumento de juros do Fed.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 02 de novembro de 2022 às 18h20m

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Bandeira dos EUA — Foto: Getty Images
Bandeira dos EUA — Foto: Getty Images

O Federal Reserve aumentou nesta quarta-feira (2) a taxa de juros em 0,75 ponto percentual conforme continuou a combater a inflação em máximas de 40 anos, mas sinalizou que futuros aumentos nos custos de empréstimos podem ser menores para levar em conta o "aperto acumulado da política monetária" até agora.

A nova linguagem no comunicado de política monetária observa o impacto ainda em evolução do rápido ritmo de aumento de juros do Fed, e um desejo de focar em um nível para os juros "suficientemente restritivo para levar a inflação a 2% ao longo do tempo".

"Aumentos contínuos na meta de juros serão apropriados", disse o banco central dos EUA ao final de sua última reunião de política monetária.

Apesar de não excluírem qualquer decisão futura, as autoridades disseram: "Ao determinar o ritmo de aumentos futuros, o Comitê (Federal de Mercado Aberto) levará em conta o aperto acumulado da política monetária, a defasagem com que a política monetária afeta a atividade econômica e a inflação, e acontecimentos econômicos e financeiros".

A linguagem reconhece o amplo debate que surgiu em torno do aperto pelo Fed, seu impacto sobre as economias norte-americana e mundial, e o perigo de que grandes aumentos contínuos dos juros possam estressar o sistema financeiro ou desencadear uma recessão.

Embora seus rápidos aumentos recentes tenham sido feitos em nome de um movimento "rápido" para alcançar a inflação em mais de três vezes a meta de 2% do Fed, o banco central está agora entrando em uma fase mais sutil - ajuste fino.

A decisão deixou a taxa de juros em uma faixa entre 3,75% e 4,00%, a mais alta desde o início de 2008. O banco central dos Estados Unidos aumentou os juros em suas últimas seis reuniões desde em março, marcando a rodada mais rápida de aumentos de juros desde a luta do ex-presidente do Fed Paul Volcker para controlar a inflação nos anos 1970 e 1980.

O comunicado do Fed disse que as autoridades permanecem "altamente atentas aos riscos inflacionários", abrindo as portas para novos aumentos.

A economia, observou o Fed, parece estar crescendo modestamente, com ganhos de empregos ainda "robustos" e desemprego baixo.

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