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domingo, 23 de janeiro de 2022

Brasil empobrece em 10 anos e tem mais da metade dos domicílios nas classes D e E

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Levantamento da consultoria Tendências mostra que 37,7 milhões de domicílios compõem a base social do país neste ano, com uma renda mensal de até R$ 2,8 mil.
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Por Luiz Guilherme Gerbelli, g1

Postado em 23 de janeiro de 2022 às 11h25m

Post. N. =  0.415

O Brasil ficou mais pobre em dez anos. Entre 2012 e 2022, a fatia de domicílios brasileiros que integra as classes D e E aumentou de 48,7% para 51%, mostra um levantamento realizado pela consultoria Tendências.

Em números absolutos, são 37,7 milhões de domicílios compondo a base social neste ano.

O país não tem um critério único para classificar as classes de renda. Pelo levantamento da Tendências, as classes D e E são compostas pelos domicílios com renda mensal de até R$ 2,8 mil.

Nesse levantamento de 10 anos, a piora da mobilidade social mostra um importante revés para o Brasil. Desde o início dos anos 2000 até meados da década passada, o país viu o fortalecimento da classe C e parecia, enfim, se consolidar como uma economia de classe média – em 2004, 64% dos domicílios integravam as classes D e E, enquanto 22,4% pertenciam ao grupo da classe C.

Mas a recessão observada entre 2014 e 2016 e os efeitos econômicos detonados pela pandemia de coronavírus interromperam esse processo.

"A crise do biênio 2015 e 2016 provocou efeitos negativos na mobilidade social. Houve a ampliação das classes D e E e o enxugamento da classe média", afirma Lucas Assis, economista da Tendências. "O quadro já não era tão favorável, e a pandemia ampliou ainda mais as desigualdades."

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Mobilidade social — Foto: Economia g1
Mobilidade social — Foto: Economia g1

Em 2021, com o agravamento da crise sanitária, a fatia de domicílios nas classes D e E chegou a 51,6%. A ligeira melhora que será observada neste ano será fruto de um mercado de trabalho um pouco mais favorável.

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Vida já foi melhor

No melhor momento, o casal Steffany Aparecida Neves Prado, de 30 anos, e Juliano Prado Silva, de 31, chegou a ter uma renda conjunta mensal superior a R$ 3 mil. Ele trabalhava com o pai, como auxiliar de marceneiro, e ela era vendedora numa loja de roupas.

Hoje, o cenário é completamente diferente. Desempregados, os dois vivem de bicos. Juntos, conseguem uma renda mensal de R$ 400. "Quando aparece um bico, a gente vai correndo", diz Steffany, que hoje faz faxina num consultório odontológico.

"Eu posso falar que a nossa vida já esteve melhor, bem melhor. A gente já teve carro e tudo dentro de casa. Hoje, estamos sem geladeira. Vivemos de doação de cesta básica", afirma.

Steffany Aparecida Neves Prado, de 30 anos, o marido e os seis filhos. Renda mensal da família é de R$ 400  — Foto: Steffany Aparecida Neves Prado/Acervo pessoal
Steffany Aparecida Neves Prado, de 30 anos, o marido e os seis filhos. Renda mensal da família é de R$ 400 — Foto: Steffany Aparecida Neves Prado/Acervo pessoal

Os dois moram na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo, e são pais de três casais de gêmeos. Por dia, gastam um quilo de arroz e um quilo de feijão para alimentar toda a família.

"O dinheiro do bico vai para comprar arroz, feijão, mistura, essas coisas baratas. Faz tempo que não entra carne dentro de casa. Se for comprar um quilo de carne, vou deixar R$ 100 no mercado", diz ela.

Com uma renda baixa, a família de Steffany vai acumulando dívidas – o atraso na conta de luz já soma cerca de R$ 9 mil. "Não pago aluguel porque moro na casa da minha sogra e não tenho como pagar outras contas. A internet também está cortada."

Sem renda fixa

Na Brasilândia, zona norte de São Paulo, a cabelereira Janaina Alves de Sousa, de 32 anos, também sentiu uma piora na qualidade de vida nos últimos anos. Sem conseguir um emprego formal há três anos, vive do seu trabalho como trancista e, num bom mês, consegue uma renda de R$ 700.

Janaina Alves de Sousa, de 32 anos, é cabelereira  — Foto: Acervo pessoal
Janaina Alves de Sousa, de 32 anos, é cabelereira — Foto: Acervo pessoal

"Eu não tenho um valor fixo do meu trabalho. Depende muito da procura das clientes. Tem mês que eu consigo fazer dois, três cabelos. Tem mês que eu só faço um", diz Janaina, que tem um filho de 10 anos e mora de aluguel.

No fim de janeiro, ela deve ter um alívio no orçamento ao receber a parcela do Auxílio Brasil.

"Quando eu tenho um bom mês no trabalho, consigo pagar o meu aluguel e as contas de água e luz", afirma Janaina. "Em janeiro, já paguei tudo. Agora, vem fevereiro e estou juntando dinheiro para pagar as contas do próximo mês."

Antes de atuar como cabelereira, Janaina trabalhou com carteira assinada e chegou a ganhar um salário líquido de R$ 1,1 mil, além dos benefícios. Com a queda na renda, precisou parar a faculdade de pedagogia porque não conseguiu mais pagar as parcelas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

"Sem o Fies, eu não consigo voltar para a faculdade. Eu fui tentar fazer uma negociação, mas só querem o valor à vista." 
O que explica a fragilidade

Uma combinação de fatores leva a população mais pobre a sofrer com as sucessivas crises econômicas.

  • A informalidade é muito mais comum nas classes D e E e, portanto, elas têm uma renda bastante volátil. Na pandemia, os informais foram um dos grupos mais afetados com o fechamento de serviços e comércios para evitar a propagação da doença e, consequentemente, não colapsar os hospitais.

"Em períodos de crise, essas famílias têm dificuldade em gerar renda, o que foi amplificado nos momentos de lockdowns. A renda dessas classes é uma renda da rua, de quem trabalha como conta própria", afirma Maurício Prado, diretor da consultoria Plano CDE.

  • As famílias mais pobres moram em áreas muito periféricas das cidades. Dessa forma, surgem entraves diários para essa população ter acesso à renda e ao trabalho, problemas que também foram amplificados durante a crise sanitária.
  • Os domicílios das classes D e E costumam ser compostos por muitos integrantes, sendo apenas uma pessoa a responsável por trazer alguma renda.

"Uma grande parcela dessa população é composta por famílias com vários moradores na casa e poucos geradores de renda, ainda mais em famílias com filhos pequenos e monoparentais – mora a mãe com os filhos pequenos, por exemplo", diz Prado.

"A pobreza é multidimensional. Tem várias dimensões: além da falta uma renda, envolve habitação precária, problema de saúde, a escolaridade baixa", acrescenta.

30,2 milhões de trabalhadores brasileiros sobrevivem com até um salário mínimo30,2 milhões de trabalhadores brasileiros sobrevivem com até um salário mínimo

E como fica a situação?

Uma melhora do quadro da desigualdade do Brasil não deve ocorrer tão cedo, segundo a avaliação dos especialistas.

Nos próximos anos, a expectativa é que a economia brasileira colha um baixo crescimento econômico, dificultando um fortalecimento do mercado de trabalho e, consequentemente, da mobilidade social.

Em 2022, os analistas consultados pelo relatório Focus, do Banco Central, estimam uma alta de apenas 0,29% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2023, a economia brasileira deve crescer 1,75% e, nos dois anos seguintes, avançar 2%.

"O Brasil vai encarar nos próximos anos um crescimento do PIB de 2%, 2,5%, o que dificulta a mobilidade social", afirma Assis.

No cenário de longo prazo traçado pela consultoria, o Brasil vai chegar com 45,6% dos domicílios nas classes D e E em 2031.

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sábado, 22 de janeiro de 2022

Contribuição ao INSS muda em fevereiro: saiba quanto você vai pagar

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Faixas de contribuição dos empregados com carteira assinada, domésticos e trabalhadores avulsos foram atualizadas para 2022; novos valores deverão ser recolhidos apenas em fevereiro.
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Por Marta Cavallini, G1

Postado em 22 de janeiro de 2022 às 13h00m

Post. N. =  0.414

Benefícios do INSS sobem 10,16%
Benefícios do INSS sobem 10,16%

O valor das contribuições dos trabalhadores ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vai mudar a partir de fevereiro. Com o reajuste do teto dos benefícios, de R$ 6.433,57 para R$ 7.087,22, foram atualizadas também as faixas de contribuição dos empregados com carteira assinada, domésticos e trabalhadores avulsos.

Com o reajuste de 10,16% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), quem ganha menos vai contribuir menos para o INSS, e quem ganha mais, vai contribuir mais.

Esses novos valores deverão ser recolhidos apenas em fevereiro, pois são relativos aos salários de janeiro. Os recolhimentos relativos aos salários de dezembro de 2021 e efetuados em janeiro deste ano ainda seguem a tabela anterior.

Com a reforma da Previdência de 2019, as alíquotas de contribuição passaram a ser progressivas, ou seja, cobradas apenas sobre a parcela do salário que se enquadrar em cada faixa. Assim, se o trabalhador ganha mais de um salário mínimo, ele paga 7,5% de alíquota de contribuição sobre R$ 1.212 e outros percentuais no que exceder esse valor, de acordo com a tabela abaixo:

Novos valores de contribuição ao INSS — Foto: Juan Silva/G1
Novos valores de contribuição ao INSS — Foto: Juan Silva/G1

Por exemplo: um trabalhador que ganha R$ 1.500 pagará 7,5% sobre R$ 1.212 (R$ 90,90), mais 9% sobre os R$ 288 que excedem esse valor (R$ 25,90), totalizando R$ 116,82 de contribuição.

Já quem ganha R$ 4.500 terá a seguinte contribuição, seguindo as faixas de valores da tabela acima:

  • Paga 7,5% sobre R$ 1.212: R$ 90,90 de contribuição
  • Mais 9% sobre R$ 1.215,35, que é a diferença de R$ 2.427,35 de R$ 1.212: R$ 109,38
  • Mais 12% sobre R$ 1.213,68, que é a diferença de R$ 3.641,03 de R$ 2.427,35: R$ 145,64
  • Mais 14% sobre R$ 858,97, que é a diferença de R$ 4.500,00 de R$ 3.641,03: R$ 120,26
  • Total de contribuição: R$ 466,18
Simulações de contribuições

A pedido do g1, Emerson Lemes, diretor do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), calculou como fica a contribuição para pessoas com diversos salários. Quem ganha até 1 salário mínimo pagará R$ 1,68 a menos por mês em relação ao ano passado.

Já todos que recebem acima de R$ 7.087,22 pagarão a contribuição máxima de R$ 828,39 - R$ 76,40 a mais em relação ao ano passado (R$ 751,99). Isso ocorre porque a contribuição é limitada ao teto da Previdência Social.

Veja na tabela abaixo:

Valores de contribuição ao INSS — Foto: Economia g1
Valores de contribuição ao INSS — Foto: Economia g1

Benefícios do INSS têm reajuste de 10,16% e teto sobe para R$ 7.087Benefícios do INSS têm reajuste de 10,16% e teto sobe para R$ 7.087

Mudança com reajuste de salários

De acordo com os cálculos de Lemes, somente os salários a partir de R$ 6.541,55 terão aumento no valor da contribuição em relação a 2021.

Isso ocorre, segundo ele, porque, com a tabela progressiva, momentaneamente os trabalhadores que não tiveram reajuste de salário terão a redução de contribuição. A exceção fica por conta dos trabalhadores que, em janeiro de 2022, tiverem reajustes de salários.

A tabela foi reajustada, mas os salários das pessoas ainda não foi, então elas pagarão menos até que seus empregadores lhes deem reajuste, explica.

Se houver reajustes dos salários durante o ano, haverá mudança nas contribuições por conta do reenquadramento nas faixas de contribuição.Se o trabalhador recebe R$ 2 mil e, em abril, tiver seu salário reajustado para R$ 2.200, até março ele vai pagar R$ 161,82, e a partir de abril pagará R$ 179,82, exemplifica.

"Em resumo, quem ainda não teve reajuste de salário e recebe entre o mínimo e o teto terá redução de contribuição. No caso de salário de R$ 1,3 mil, por exemplo, vai pagar R$ 1,68 a menos do que pagava no ano passado até ter o reajuste. No caso de salário de R$ 6 mil, vai pagar R$ 15,11 a menos", explica.

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Dólar tem forte queda e fecha cotado a R$ 5,41, menor valor desde novembro

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Nesta quinta-feira (20), moeda norte-americana recuou 0,92%, a R$ 5,4150.
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Por g1

Postado em 20 de janeiro de 2022 às 10h00m

Post. N. =  0.413

O dólar fechou em queda de 0,92%, cotado a R$ 5,4150, nesta quinta-feira (20), menor valor para um fechamento desde 11 de novembro do ano passado (R$ 5,403), em meio a um novo rali de moedas de risco patrocinado por otimismo sobre a China e acomodação nas taxas de juros nos EUA.

No mercado local, o mercado aproveitou para seguir desmontando posições contra a divisa brasileira, atento ao cenário político.

Com o resultado, a moeda norte-americana passou a acumular queda de 2,87% na parcial do mês e do ano. Veja mais cotações. Na mínima da sessão, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,3780.


Cenário

Investidores continuaram atentos a preocupações domésticas, com destaque para reivindicações de servidores públicos, que participaram de manifestações em Brasília na terça-feira para exigir reajustes salariais.

No ano passado, a confiança dos investidores na saúde das contas públicas foi chacoalhada pela promulgação da PEC dos Precatórios, que alterou a regra do teto de gastos para permitir mais despesas do governo.

No exterior, a expectativa de que os juros dos Estados Unidos começariam a subir na próxima reunião do Federal Reserve perderam força, uma vez que o crescimento da variante ômicron do coronavírus trouxe preocupações de desaceleração da economia.

Prévia do PIB tem resultado positivo, mas demanda cautelaPrévia do PIB tem resultado positivo, mas demanda cautela

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Inflação foi menor para classes de renda mais altas em 2021, aponta Ipea

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Diferença entre as taxas das faixas de maior e menor renda, no entanto, ficou mais estreita em 2021 do que em 2020.
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Por g1

Postado em 19 de janeiro de 2022 às 09h55m

Post. N. =  0.412

As classes de renda mais alta foram as que menos sentiram os efeitos da inflação no ano passado. Segundo dados divulgados nesta nesta terça-feira (18) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)as faixas de renda média-alta e alta foram as únicas a registrarem inflação abaixo de 10% no ano passado.

A diferença entre as taxas da faixas de maior e menor renda, no entanto, ficou mais estreita em 2021 do que em 2020. No último ano, a distância entre uma e outra foi de 0,54 ponto percentual. Um ano antes, havia ficado em 3,48 pontos.

Veja no gráfico abaixo:

Inflação por faixa de renda — Foto: Economia g1
Inflação por faixa de renda — Foto: Economia g1

As diferentes taxas de inflação se explicam porque para cada faixa de renda os grupos de consumo têm pesos diferentes: para as classes de renda mais baixas, por exemplo, habitação e alimentação usualmente representam uma fatia maior dos gastos do que entre as que têm renda mais alta, onde lazer e viagens exercem maior peso.

Faixas de renda — Foto: Economia g1
Faixas de renda — Foto: Economia g1

Assim, a inflação para a classe de renda mais baixa sofreu principalmente o impacto dos reajustes de 21,2% nas tarifas de energia elétrica e de 37% do gás de botijão. Já para o segmento de renda mais alta, o foco residiu no grupo transportes, com o aumento de 47,5% da gasolina e de 62,2% do etanol.

Inflação em dezembro

Na passagem de novembro para dezembro, a inflação perdeu força em quase todas as faixas de renda. A exceção ficou por conta da classe de menor renda: na faixa de renda muito baixa, o indicador acelerou no último mês do ano.

Nas classes de renda mais baixas, além da alta do grupo alimentos e bebidas, os grupos habitação e saúde e cuidados pessoais também exerceram pressões adicionais. No caso dos alimentos, pesaram os reajustes das carnes (1,4%), das frutas (8,6%) e dos óleos e gorduras (2,2%). Já nos gastos com habitação, houve pressão dos aumentos de energia (0,50%), da tarifa de água e esgoto (0,65%), do gás encanado (6,6%) e dos aluguéis (0,65%).

Já as famílias de renda mais alta foram impactadas pelo aumento no preço das passagens aéreas (10,3%), do transporte por aplicativo (11,8%) e do aluguel de veículos (9,3%). Além disso, a alta dos serviços pessoais, principalmente os relacionados à recreação, como hospedagem (2,3%) e pacote turístico (2,3%) também contribuíram para a inflação desta classe no último mês de 2021.

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terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Brasil encerrou 2021 com número recorde de famílias endividadas, diz CNC

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Pesquisa aponta que percentual de lares com dívidas subiu para 76,3% em dezembro. Já a inadimplência teve leve recuo na comparação com 2020.
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Por g1

Postado em 18 de janeiro de 2022 às 12h25m

Post. N. =  0.411

Sete em cada dez famílias contraíram dívidas em 2021, diz pesquisa
Sete em cada dez famílias contraíram dívidas em 2021, diz pesquisa

O nível de endividamento médio das famílias brasileiras em 2021 foi o maior em 11 anos. É o que aponta a pesquisa divulgada nesta terça-feira (18) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo o levantamento, o último ano apresentou recorde do total de endividados, registrando uma média de 70,9% das famílias brasileiras, enquanto dezembro alcançou 76,3% do total de famílias – patamar máximo histórico já registrado pela CNC.

Ou seja, 7 em cada 10 famílias contraíram algum tipo de dívida com o sistema financeiro em 2021.

Em 2020, o nível médio de endividamento foi de 66,5%.

Percentual de endividamento das famílias — Foto: Economia g1
Percentual de endividamento das famílias — Foto: Economia g1

"Em 2021, observou-se aumento de 4,4 pontos percentuais no número médio de famílias com dívidas em pelo menos uma das principais modalidades - cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnês, financiamento de carro e financiamento de casa, entre outras", destacou a CNC. 
Inadimplência tem leve recuo

Apesar do aumento do número de endividados no país, o percentual médio de famílias inadimplentes – com contas ou dívidas em atraso – diminuiu de 25,5% em 2020 para 25,2% em 2021.

"No último trimestre do ano, entretanto, o indicador de contas em atraso acirrou, indicando tendência de alta para o início de 2022", destacou a CNC.

Em dezembro alcançou 26,2% ante 26,1% em novembro. O nível recorde no percentual do indicador ocorreu em agosto de 2020, quando alcançou 26,7%.

percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas e que, portanto, devem permanecer inadimplentes recuo de 11% em 2020 para 10,5% dos lares no país, na média do ano passado.

O comprometimento médio da renda com o pagamento mensal das dívidas teve apenas uma leve alta e alcançou a média de 30,2% no ano, contra 30% em 2020.


Cartão de crédito segue como principal dívida

Assim como nos anos anteriores, o cartão de crédito foi o tipo de dívida mais citado pelas famílias, alcançando o patamar de 82,6% na média anual.

Em segundo lugar, focara, os carnês de lojas, apontado por 18,1% das famílias, e, em terceiro, o financiamento de carro, por 11,6%. Na sequência, aparece o financiamento de casa (9,1%) e o crédito pessoal (9%).

O aumento do endividamento, porém, foi impulsionado por fatores diferentes em cada tipo de faixa de renda.

"A inflação ao consumidor mais elevada provocou o maior endividamento entre as famílias de menor renda, pela necessidade de recomposição dos rendimentos. Entre as famílias consideradas mais ricas, a demanda represada, em especial pelo consumo de serviços, fez o endividamento aumentar ainda mais expressivamente, em especial no cartão de crédito", destacou o relatório. 
Expectativas para 2022

Apesar da piora do cenário macroeconômico e das condições financeiras mais acirradas (orçamento doméstico comprimido, inflação alta, fragilidade no mercado de trabalho sem ganhos reais nos rendimentos), a CNC destacou que uma "parcela menor de consumidores relatou estar muito endividada" e que também diminuiu a proporção de consumidores na faixa de menor renda com mais de 50% da renda comprometida com dívidas.

"O início de 2022 é marcado pelo alto endividamento, em que os consumidores seguirão enfrentando os desafios financeiros da segunda metade de 2021, principalmente inflação e juros elevados, assim como o mercado de trabalho formal ainda frágil. Soma-se a isso o vencimento de despesas típicas do primeiro trimestre, as quais apertarão ainda mais os orçamentos domésticos neste período", avaliou a CNC.

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

PIB da China cresce 8,1% em 2021, mas desacelera no 4º trimestre

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Foi o maior crescimento em uma década. Nos 3 últimos meses do ano passado, expansão foi de 4% frente aos 3 meses anteriores, após uma alta de 4,9% no 3º trimestre.
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Por g1

Postado em 17 de janeiro de 2022 às 11h00m

Post. N. =  0.410

Profissional com roupa de proteção pulveriza desinfetante em uma fila para testes de Covid-19 em massa na cidade de Tianjin, no norte da China, em 9 de janeiro de 2022 — Foto: Chinatopix via AP
Profissional com roupa de proteção pulveriza desinfetante em uma fila para testes de Covid-19 em massa na cidade de Tianjin, no norte da China, em 9 de janeiro de 2022 — Foto: Chinatopix via AP

A economia da China se recuperou em 2021, registrando a maior taxa de crescimento em uma década, mas o resultado do 4º trimestre do ano mostrou desaceleração frente ao 3º trimestre, de acordo com os dados da Agência Nacional de Estatísticas divulgados nesta segunda-feira (17)

O Produto Interno Bruto (PIB) da segunda maior economia do mundo cresceu 8,1% em 2021, a maior expansão desde 2011. O resultado ficou bem acima da meta do governo de "acima de 6%" e do crescimento de 2020, que foi revisado para de 2,2% – taxa mais fraca em 44 anos.

A forte expansão em 2021 foi impulsionadas por exportações robustas. A China é o maior parceiro comercial do Brasil e registrou superávit comercial recorde no ano passado.

No 4º trimestre, a expansão em ritmo anual foi de 4%, após uma alta de 4,9% no 3º trimestre, em meio a sinais de enfraquecimento do consumo e de desaceleração do setor imobiliário. O resultado veio acima do esperado mas ainda no ritmo mais fraco desde o 2º trimestre de 2020.

Desempenho trimestral do PIB da China — Foto: Economia g1
Desempenho trimestral do PIB da China — Foto: Economia g1

Frente aos 3 meses anteriores, o PIB cresceu 1,6% no 4º trimestre, ante expectativas de um aumento de 1,1% e após uma expansão de 0,7% no 3º trimestre, mostraram os dados oficias pouco depois de o banco central agir para impulsionar a economia com um corte na taxa de empréstimo pela primeira vez desde o início de 2020.

"No momento, a pressão de baixa sobre a economia da China ainda é relativamente grande, e o crescimento do emprego e da renda é limitado", disse Ning Jizhe, chefe da agência, segundo informou a agência Reuters.

Corte na taxa de empréstimo

A economia da China começou 2022 com força, mas economistas projetam que o crescimento vai desacelerar nos próximos meses.

O banco central cortou inesperadamente os custos de seus empréstimos de médio prazo pela primeira vez desde abril de 2020, levando alguns analistas a esperar mais afrouxamento da política monetária este ano para proteção contra o crescente risco de calote das incorporadoras.

O Banco do Povo da China informou que vai reduzir a taxa de juros sobre 700 bilhões de iuanes (US$ 110,19 bilhões) em empréstimos de seu instrumento de médio prazo de um ano (MLF, na sigla em inglês) para algumas instituições financeiras em 10 pontos básicos, de 2,95% para 2,85%.

"Esperamos que o suporte impeça o crescimento de cair abaixo de 5% de forma significativa em 2022. Isso inclui o corte do MLF (instrumento de empréstimo de médio prazo) hoje. De forma mais geral, projetamos fortes gastos com infraestrutura, crescimento robusto do crédito e suporte para o setor imobiliário este ano", disse Louis Kuijs, chefe de economia da Ásia da Oxford Economics.

O presidente da China, Xi Jinping, afirmou nesta segunda-feira que seu país está totalmente confiante em relação a seu desenvolvimento econômico e que a força geral da economia é sólida.

A China continuará com reformas e sua abertura, acrescentou Xi durante discurso na conferência virtual Davos Agenda do Fórum Econômico Mundial. O evento anual acontece online novamente devido à pandemia de coronavírus.

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