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terça-feira, 23 de novembro de 2021

Queda das expectativas pioram o clima econômico na América Latina, diz FGV

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Falta de confiança na política econômica é o principal problema nos países da região, com percentual de 67,4%, seguido por instabilidade política (36,9%) e corrupção (25,2%).
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TOPO
Por Valor Online

Postado em 23 de novembro de 2021 às 1440m

Post. N. =  0.374

Falta de confiança na política econômica é o principal problema nos países da América Latina com percentual de 67,4%, seguido por instabilidade política (36,9%) e corrupção (25,2%), segundo a Sondagem da América Latina divulgada nesta terça-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

Nesse cenário, as incertezas quanto à retomada de um crescimento econômico da região levam a expectativas pela falta de confiança nas diretrizes da política econômica. Soma-se ainda problemas estruturais como: falta de inovação, infraestrutura inadequada e aumento na desigualdade de renda são destacados como questões relevantes para o crescimento econômico dos países.

Indicador de clima econômico da América Latina — Foto: Economia g1
Indicador de clima econômico da América Latina — Foto: Economia g1

O resultado do quarto trimestre de 2021 interrompe a recuperação que vinha sendo observada desde o segundo trimestre de 2020. O Indicador de Clima Econômico da América Latina (ICE), que havia passado para a zona de clima econômico favorável (101,4 pontos) na Sondagem do terceiro trimestre, recuou 20,8 pontos no quarto trimestre.

O clima econômico da América Latina piorou e passou para a zona de avaliação desfavorável liderado pela piora das expectativas que se aproximaram da zona limite entre avaliações favoráveis e desfavoráveis. O ICE é medido pela média geométrica entre o Indicador da Situação Atual (ISA) e o Indicador de Expectativas (IE).

O ISA registrou uma pequena queda de 1,1 ponto, ao passar de 59,1 pontos para 58,0 pontos e continua na zona desfavorável. O que influenciou a queda desse trimestre foi o resultado do IE que despencou 45,5 pontos, ao passar de 150,6 pontos no 3º trimestre para 105,1 pontos no quarto trimestre.

Observa-se que essa é a segunda maior queda entre duas Sondagens consecutivas desde o início da série histórica, em janeiro de 1989. Antes, a maior queda no valor de 58,8 pontos foi entre o 1º e o 2º trimestre de 2020 associada às expectativas pessimistas e incertezas trazidas pela covid-19.

Nesse último trimestre do ano de 2021, a questão da pandemia, embora ainda causadora de incertezas e com resultados distintos em termos de imunização entre os países da região, não pode ser destacada como a principal razão para a reversão das expectativas. Essa questão será analisada na seção sobre os principais problemas que os países enfrentam em relação ao crescimento econômico.

No terceiro trimestre, todos os países registraram melhora no ICE em relação ao trimestre anterior, e o Brasil liderou a lista da maior variação do ICE, conforme reportado na última Sondagem. Agora, na comparação entre o terceiro e o quarto trimestre, o Brasil liderou a queda na variação do ICE, 55,1 pontos. Em seguida com registros de queda estão os seguintes países: Argentina, Chile, Peru e México.

As quedas observadas no ICE coincidem para esse grupo de países com recuos nas expectativas e na avaliação da situação atual. O Chile é a exceção quanto ao resultado do ISA que melhorou. O Brasil lidera a deterioração das expectativas, 104,2 pontos, com o IE passando de 176,9 pontos para 72,7 pontos.

A magnitude da reversão das expectativas levou o país para uma zona desfavorável do clima econômico. No caso, da situação atual, os recuos foram menores para os países com queda no ICE, no caso do Brasil foi de 14,7 pontos.

Paises

Dos dez países analisados, cinco melhoram na avaliação do clima econômico: Equador; Uruguai; Colômbia; Bolívia; e Paraguai. Todos apresentam ICE na zona favorável, exceto a Bolívia. A melhora no ICE é explicada em todos os países pelos ganhos no Indicador da Situação Atual que atingiu variações superiores a 40 pontos em todos os países desse grupo. Por outro lado, todos registraram piora nas expectativas, exceto a Colômbia.

Cinco países com queda no ICE registraram piora tanto nas avaliações sobre a situação atual quanto nas expectativas, exceção do Chile para a situação atual. No entanto, a principal contribuição para a piora do ICE veio do recuo nas expectativas. Em adição enquanto o resultado do ISA indica melhora para seis países e piora para quatro, o das expectativas mostra piora em todos os países, exceto a Colômbia.

O quarto trimestre analisado pelos indicadores da Sondagem aponta a possibilidade de uma piora no clima econômico para a América Latina para os próximos seis meses, embora com intensidades distintas entre os países. O pior ICE e ISA são os da Argentina e o menor IE, do Chile. No entanto, a liderança do Brasil na queda das expectativas sugere um quadro pouco promissor para a economia do país.

Em relação à última consulta no terceiro trimestre para todos os países, o crescimento para 2021 foi revisto para cima. A única exceção foi o Brasil, mas a diferença é de 0,1 ponto.

A desaceleração para 2022 é esperada considerando a base de comparação sobre 2021, um ano de recessão em todos os países em função da pandemia. Na opinião dos especialistas, o Brasil registra o menor crescimento em 2022, o que é compatível com o cenário de expectativas desfavoráveis da sondagem.

Principais problemas

Uma outra leitura realizada foi analisar quais são os três principais problemas que os países enfrentam. Para a América Latina, falta de confiança na política do governo, seguido de instabilidade política e corrupção são os três principais problemas da região.

Observa-se o elevado percentual de 67,4% da falta de confiança na política do governo. No Brasil, falta de confiança na política econômica e instabilidade política receberam o mesmo percentual de 66,7%, seguido de infraestrutura inadequada e aumento da desigualdade de renda.

Os resultados da sondagem mostram um quadro que remete às expectativas desfavoráveis em quase todos os países. Não confiar na política econômica do governo e a instabilidade política como principais problemas são fatores que dificultam a perspectiva de um cenário favorável para o crescimento econômico.

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segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Mercado financeiro passa a prever inflação acima de 10% em 2021, diz Banco Central .

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Se confirmada a previsão, 2021 será o primeiro ano, desde 2015, em que a inflação atingirá o patamar de dois dígitos. Estimativas colhidas pelo BC ainda revisaram para baixo a previsão do PIB em 2022 
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 22 de novembro de 2021 às 11h30m

Post. N. =  0.373

O mercado financeiro elevou novamente a estimativa para inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e passou a prever um valor acima de 10% neste ano.

Se confirmada a previsão, essa será a primeira vez que a inflação atinge o patamar de dois dígitos desde 2015 — quando o IPCA somou 10,67%.

A expectativa do mercado consta do relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada, em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

De acordo com o BC, a projeção dos analistas para o IPCA de 2021 subiu de 9,77% para 10,12%. Foi a trigésima terceira semana seguida de aumento.

Expectativa do mercado para o IPCA de 2021

04/01/20…29/01/202119/02/202119/03/202123/04/202104/06/202109/07/202106/08/202120/08/202103/09/202017/09/202101/10/202115/10/202129/10/202112/11/202124681012
Fonte: Banco Central

O centro da meta de inflação em 2021 é de 3,75%. Pelo sistema vigente no país, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Com isso, a projeção do mercado já está acima do dobro da meta central de inflação (7,5%).

Para 2022, o mercado financeiro subiu de 4,79% para 4,96% a estimativa de inflação. Foi a 18ª alta seguida. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%. Com isso, a estimativa se aproxima mais do teto do sistema de metas.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.

  • Em 2020, pressionado pelos preços dos alimentos, o IPCA ficou em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância. Foi a maior inflação anual desde 2016.
Risco de Estagflação: Economistas alertam para cenário de inflação alta e economia fraca
Risco de Estagflação: Economistas alertam para cenário de inflação alta e economia fraca

Produto Interno Bruto

Além de uma alta maior na inflação, o mercado financeiro também baixou a previsão de crescimento do PIB deste ano, que passou de 4,88% para 4,80%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Para 2022, o mercado reduziu a previsão de alta do PIB de 0,93% para 0,70%. No começo deste ano, a previsão dos analistas era de uma alta de 2,5% para a economia no próximo ano. A expectativa começou a ser revisada para baixo somente em setembro.

O Ministério da Economia insistiu, na semana passada, em manter a previsão de crescimento do PIB de 2022 acima de 2% alegando que isso se deve à "melhora no mercado de trabalho e no investimento privado, principalmente em infraestrutura".

Taxa de juros

O mercado financeiro também manteve em 9,25% ao ano a previsão para a Selic no fim de 2021. Para o fim de 2022, os economistas do mercado financeiro elevaram a expectativa para a taxa Selic de 11% para 11,25% ao ano, o que pressupõe alta maior do juro básico da economia no próximo ano.

A previsão do mercado de alta maior nos juros acontece após o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter proposto em outubro flexibilizar o teto de gastos (mecanismo que limite o aumento da maior parte das despesas à inflação do ano anterior).

Guedes tem dito que as mudanças no teto de gastos têm por objetivo ampliar a proteção social, por meio do Auxílio Brasil, mas analistas têm apontado que seria possível incrementar o programa sem estourar o limite para despesas. E apontam que as emendas parlamentares seriam um dos destinos dos recursos extras.

Em outubro, o BC elevou a taxa Selic para 7,75% ao ano. Foi a sexta elevação seguida. Em março, na primeira elevação em quase seis anos, a taxa subiu para 2,75% ao ano. Em maio, o Copom elevou o juro para 3,5% ao ano e, em junho, a taxa avançou ara 4,25% ao ano. Em agosto, a taxa subiu para 5,25% ao ano e, em setembro, foi elevada para 6,25% ao ano.

Outras estimativas

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2021 permaneceu em R$ 5,50. Para o fim de 2022, ficou estável também em R$ 5,50 por dólar.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2021 caiu de US$ 70,30 bilhões para US$ 70 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado permaneceu em US$ 63 bilhões de superávit.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano permaneceu em US$ 50 bilhões. Para 2022, a estimativa recuou de US$ 60 bilhões para US$ 59 bilhões.
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domingo, 21 de novembro de 2021

China: como a política da 'prosperidade comum' está afetando bilionários e empresas

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Iniciativa do presidente Xi Jinping que visa reduzir a desigualdade econômica no país ocupa lugar central nas políticas de Pequim.
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TOPO
Por BBC

Postado em 21 de novembro de 2021 às 10h15m

Post. N. =  0.372

Iniciativa do presidente Xi Jinping que visa reduzir a desigualdade econômica no país ocupa lugar central nas políticas de Pequim — Foto: Getty Images/Sean Gladwell
Iniciativa do presidente Xi Jinping que visa reduzir a desigualdade econômica no país ocupa lugar central nas políticas de Pequim — Foto: Getty Images/Sean Gladwell

Nos últimos meses, dificilmente um dia se passa sem que haja o anúncio de alguma resolução governamental que enquadra um ou outro setor da economia chinesa.

As duras medidas regulatórias e o cumprimento rigoroso de regras já existentes têm como alvo muitas das maiores companhias do país.

Como explicamos na primeira parte desta série sobre as recentes mudanças na China, essas ações fazem parte de uma iniciativa política do presidente Xi Jinping conhecida como "prosperidade comum".

A frase não é nova na China. Ela tem sido usada desde a década de 1950, quando foi empregada pelo líder chinês Mao Tsé-Tung.

A escalada nas referências ao termo em 2021, ano em que o Partido Comunista Chinês celebra seus 100 anos, tem sido interpretada como um sinal de que a "prosperidade comum" ocupa um lugar central nas políticas de Pequim.

O objetivo é encurtar a imensa distância entre os cidadãos mais ricos e mais pobres da nação. Alguns avaliam que essa desigualdade coloca em risco a ascensão da segunda maior economia do mundo e representa uma ameaça existencial para o Partido Comunista Chinês.

As medidas recentes também são enxergadas como uma maneira de colocar limites nos bilionários donos das maiores empresas do país e de dar mais voz a consumidores e trabalhadores na forma como essas empresas operam e distribuem seus ganhos.

Mudanças locais com impacto global

A subida de tom nos últimos meses se traduziu em ações tomadas contra interesses das companhias chinesas. Tudo vem passando por uma grande reformulação - desde seguros, educação privada, empreiteiras e até planos de companhias parar abrir capital nos Estados Unidos.

A indústria tecnológica, em particular, tem observado um grande número de medidas e ações com vistas à atuação de empresas de e-commerce, serviços financeiros online, plataformas de mídias sociais, companhias de games, apps de transporte e operadores de criptomoedas.

Essas medidas têm tido um grande impacto tanto na economia quanto na sociedade chinesa - e os efeitos também são sentidos pelo mundo.

A incerteza sobre como são regulados os negócios na China tem tornado difícil para empresas no exterior tomar decisões a respeito de investimentos no país.

Outras análises apontam que essa incerteza é de curto prazo, apenas para o período de implementação das novas regras - é essa, aliás, a forma como o governo chinês vê o tema.

Jack Ma não foi visto por vários meses após criticar os sistemas regulatórios da economia chinesa — Foto: Getty Images via BBC
Jack Ma não foi visto por vários meses após criticar os sistemas regulatórios da economia chinesa — Foto: Getty Images via BBC

Bilionários enquadrados

Mesmo antes de a nova política de Xi Jinping para a economia chinesa ser totalmente revelada, Pequim colocou em ação uma tática de "choque e pavor", como demonstração de poder.

Menos de um ano atrás, Jack Ma, o multibilionário da Alibaba conhecido por suas aparições chamativas em eventos corporativos, aguardava a estreia de uma de suas principais empresas na bolsa de valores.

A oferta pública inicial (IPO) do Ant Group - braço financeiro da Alibaba e dono da maior plataforma de pagamento digital na China - tinha estimativa de alcançar US$ 34,4 bilhões.

A soma teria feito de Ma a pessoa mais rica da Ásia, mas ele fez um discurso em que criticava o sistema financeiro chinês.

Dias depois, a estreia da empresa na Bolsa foi cancelada e Jack Ma não foi visto em público novamente por vários meses.

Desde então, a Alibaba recebeu uma multa recorde de US$ 2,8 bilhões após uma investigação apontar abuso de poder econômico. O Ant Group também teve de anunciar uma redução drástica para o seu plano de negócios.

Não estava claro se o episódio estava ligado à iniciativa governamental de "prosperidade comum", mas a queda espetacular de Jack Ma e as medidas adotadas contra seus negócios foram uma amostra poderosa do que estava para acontecer em cada canto da economia chinesa.

Grupo Evergrande é outro gigante dos negócios na China que se viu às voltas com a política de 'prosperidade comum'. — Foto: Getty Images via BBC
Grupo Evergrande é outro gigante dos negócios na China que se viu às voltas com a política de 'prosperidade comum'. — Foto: Getty Images via BBC

A torre de dívidas que balança

O grupo Evergrande é outro gigante dos negócios na China que se viu às voltas com a política de "prosperidade comum".

Sua área de atuação principal é o desenvolvimento imobiliário, mas a companhia também tem marcado território em campos como gestão patrimonial, carros elétricos e fabricação de bebidas. É também dona de um grande time de futebol, no qual já atuaram o brasileiro Paulinho e o argentino Darío Conca (ex-Fluminense).

Quem comanda a empresa é o multibilionário Hui Ka Yan, que, segundo a revista Forbes, se tornou por um breve período em 2017 a pessoa mais rica da Ásia.

Neste ano, uma crise de endividamento atingiu em cheio a Evergrande, com grandes repercussões em mercados internacionais.

Em meio aos planos para se tornar uma das maiores forças do setor de construção na China, a companhia acumulou dívidas que ultrapassam US$ 300 bilhões.

Pequim agora avalia que firmas com grandes endividamentos são uma ameaça para a economia. Foi com o caso da Evergrande em mente que o governo chinês introduziu medidas para cortar empréstimos no setor imobiliário.

Agora, sem a possibilidade de contrair novas dívidas, a empresa tem dificuldades para saldar as já existentes.

Sob a doutrina da "prosperidade comum", autoridades parecem tender mais a ajudar quem comprou imóveis da Evergrande ou clientes da área de gestão de patrimônio do que a companhia em si e instituições credoras.

Essa impressão foi confirmada em setembro, quando o Banco Central da China, sem mencionar diretamente a Evergrande, disse que clientes do mercado imobiliário receberão proteção contra eventuais solavancos.

Isso tudo se soma a uma grande dor de cabeça para os investidores internacionais, que viram as ações da empresa perderam mais de 80% em valor de mercado no intervalo de 6 meses.

Indústria dos games na mira

Quando, no começo de agosto, a mídia estatal chinesa classificou os jogos on-line de "ópio espiritual", a mensagem foi interpretada como um sinal de alerta. A notícia fez desabar ações de empresas de games como Tencent e NetEase e forçou a indústria do setor se preparar para medidas de Pequim.

Para surpresa de ninguém, pouco tempo depois autoridades divulgaram planos para disciplinar jovens fãs dos games e impor regulações mais rígidas em plataformas.

Menores de idade foram informados que só poderiam jogar durante uma hora nas sextas-feiras, em fins de semana e feriados e apenas entre 20h e 21h.

As novas medidas significam que é responsabilidade das empresas de games evitar que as crianças descumpram as regras. A fiscalização sobre as firmas foi reforçada.

Pequim também sinalizou que a vigilância sobre a atuação das empresas não vai parar por aqui. Em agosto foi publicado um plano de 10 pontos com uma programação até o fim de 2025 de mais ações regulatórias sobre a economia chinesa.

Ainda não está claro como essa nova abordagem vai influenciar a segunda maior economia do mundo. O resultado terá efeitos profundos em todos, vivendo ou não na China.

Essa é a segunda de uma série em três partes que examina as transformações da China e seu papel no mundo. A parte três vai explorar as implicações globais das modificações nos negócios e operações do país.

ONU e Anistia Internacional pedem prova à China sobre paradeiro de tenista
ONU e Anistia Internacional pedem prova à China sobre paradeiro de tenista

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terça-feira, 16 de novembro de 2021

PIX completa 1 ano com novas medidas de segurança

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Entre as mudanças que entram em vigor a partir desta terça-feira (16), estão o bloqueio preventivo de recursos e devolução de valores em casos de fundada suspeita de fraude ou falha operacional.
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Por g1 — São Paulo

Postado em 16 de novembro de 2021 às 11h00m

Post. N. =  0.371

Pix — Foto: ADRIANO ISHIBASHI/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO
Pix — Foto: ADRIANO ISHIBASHI/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO

O PIX, o sistema de pagamento instantâneo do Banco Central (BC), completa 1 ano de funcionamento no país e ganha nesta terça-feira (16) um conjunto de novas medidas de segurança.

Entre as novas medidas, estão o bloqueio preventivo dos recursos em caso de suspeita de fraude, notificações obrigatórias de transações rejeitadas e devolução de valores pela instituição recebedora, em casos de fundada suspeita de fraude ou falha operacional nos sistemas das instituições participantes.

As novas medidas foram anunciadas no final de setembro. Segundo o Banco Central, os mecanismos "criam incentivos para que os participantes aprimorem cada vez mais seus mecanismos de segurança e de análise de fraudes".

O PIX é um mecanismo de transferência de recursos que opera em tempo real, 24 horas por dia.

Atualmente já são quase 350 milhões de chaves cadastradas, sendo 334 milhões delas de pessoas físicas. Segundo o Banco Central, mais de 104 milhões de usuários pessoas físicas já realizaram alguma transação via PIX.

PIX completa 1 ano de funcionamento; veja os números
PIX completa 1 ano de funcionamento; veja os números

Neste 1 ano de PIX, o Banco Central estima que mais de 45 milhões de pessoas que não realizavam transações eletrônicas agora fazem PIX com frequência e que o sistema já conseguiu reduzir em quase R$ 5 bilhões os custos bancários para as empresas. Veja no vídeo acima.

Veja os novos mecanismos

  • Bloqueio cautelar: medida vai permitir que o banco que detém a conta do usuário possa efetuar um bloqueio preventivo dos recursos por até 72 horas em casos de suspeita de fraude. Sempre que o bloqueio cautelar for acionado, a instituição deverá comunicar imediatamente ao cliente.
  • Notificação de infração: notificação de infração deixará de ser facultativa e passará a ser obrigatória. Mecanismo visa permitir que os bancos registrem uma marcação na chave PIX, no CPF/CNPJ do usuário e no número da conta quando há "fundada suspeita de fraude". Essas informações serão compartilhadas com as demais instituições financeiras para aumentar aos mecanismos de prevenção a fraudes;
  • Ampliação do uso de informações para fins de prevenção à fraude: será criada uma nova funcionalidade que permitirá a consulta de informações vinculadas às chaves PIX. Assim, informações de notificação de fraudes estarão disponíveis para todos os participantes do PIX, que poderão utilizar essas informações em seus processos como, por exemplo, abertura de contas;
  • Mecanismos adicionais para proteção dos dados: mecanismos adotados pelos bancos devem ser, no mínimo, iguais aos mecanismos implementados pelo BC. Os bancos também terão de definir procedimentos de identificação e de tratamento de casos em que ocorram excessivas consultas de chaves PIX;
  • Devolução de valores em caso de fraude ou falha: a devolução poderá ser iniciada pelo prestador de serviço de pagamento do usuário recebedor, por iniciativa própria ou por solicitação do prestador de serviço do usuário pagador, em casos de fundada suspeita de fraude ou falha operacional nos sistemas das instituições participantes.

O Banco Central também mudou o regulamento do PIX para deixar claro que os bancos devem ser responsabilizados por "fraudes decorrentes de falhas nos seus próprios mecanismos de gerenciamento de riscos".

Limite de transferências à noite

Desde 4 de outubro, passou a valer o limite de R$ 1 mil para transferências e pagamentos realizados por pessoas físicas das 20h às 6h, incluindo o PIX. Pessoas jurídicas (empresas) não serão atingidas com a medida.

O limite poderá ser alterado a pedido do cliente, através dos canais de atendimento eletrônicos. Porém, a instituição financeira deve estabelecer prazo mínimo de 24 horas para a efetivação do aumento.

Segundo o Banco Central, os bancos devem oferecer aos seus clientes a opção de cadastrar previamente contas que poderão receber transferências acima dos limites estabelecidos.

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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Irmãos indianos ganham prêmio internacional por sistema de separação de resíduos

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A iniciativa, que começou com 15 domicílios em 2018 utilizando grupos no WhatsApp, envolve hoje 1.500 domicílios. Mesmo prêmio já foi vencido por Greta Thunberg e Malala Yusafzai
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TOPO
Por France Presse

Postado em 15 de novembro de 2021 às 18h10m

Post. N. =  0.370

Vihaan e Nav Agarwal, de 17 e 14 anos, o Prêmio Internacional da Paz Infantil 2021  — Foto: Phil nijhuis / ANP / AFP
Vihaan e Nav Agarwal, de 17 e 14 anos, o Prêmio Internacional da Paz Infantil 2021 — Foto: Phil nijhuis / ANP / AFP

Dois jovens irmãos indianos incentivaram os líderes mundiais a agirem contra a mudança climática depois de ganharem um prestigioso por seu combate à poluição causada pelo lixo doméstico em Nova Délhi.

Vihaan e Nav Agarwal, de 17 e 14 anos, receberam neste sábado (13) o Prêmio Internacional da Paz Infantil 2021 por desenvolver um sistema para separar o lixo reciclável e organizar a coleta de lixo em milhares de residências.

A fundação holandesa KidsRights, organizadora do evento, elogiou a "coragem e compromisso no combate à poluição em sua cidade natal" de Nova Délhi, a mais poluída do mundo.

Os irmãos indianos começaram em casa, separando materiais recicláveis de outros resíduos, e então criaram um grupo no WhatsApp em sua vizinhança para se juntar a várias famílias. — Foto: One Step Greener
Os irmãos indianos começaram em casa, separando materiais recicláveis de outros resíduos, e então criaram um grupo no WhatsApp em sua vizinhança para se juntar a várias famílias. — Foto: One Step Greener

Greta e Malala

Os irmãos seguem os passos da ativista ambiental sueca Greta Thunberg e Malala Yusafzai, uma ativista educacional paquistanesa, ambas vencedoras do prêmio em edições anteriores.

Desde 2005, o KidsRights premia um menor a cada ano por seu compromisso com os direitos da criança.

"Nossa mensagem é que é preciso agir. Muitas crianças no mundo estão agindo", afirmou Vihaan, ao ser questionado sobre o que diria aos líderes mundiais na cúpula do clima COP26.

"Outra mensagem seria: não fiquem no nosso caminho", acrescentou ele à AFP em uma entrevista em vídeo.

"Para todos os jovens que podem assistir e ler isto, eles nunca devem temer as mudanças climáticas", continuou.

Colapso do lixo

Crescer em Nova Délhi afetou a saúde de Vihaan, que é asmático, e os irmãos gostariam de poder brincar ao ar livre com mais frequência e desfrutar da natureza.

A ideia de sua iniciativa, "One Step Greener" (Um passo mais verde), surgiu após o colapso do aterro de Ghazipur em 2017, que matou duas pessoas e causou aumento da poluição.

Montanha de lixo de Ghazipur prejudica a saúde dos moradores de Nova Délhi, na Índia, em imagem de 2019 — Foto: Money Sharma/AFP
Montanha de lixo de Ghazipur prejudica a saúde dos moradores de Nova Délhi, na Índia, em imagem de 2019 — Foto: Money Sharma/AFP

Os irmãos começaram em casa, separando materiais recicláveis de outros resíduos, e então criaram um grupo no WhatsApp em sua vizinhança para se juntar a várias famílias.

A iniciativa, que começou com 15 domicílios em 2018 - quando tinham 14 e 11 anos -, envolve hoje 1.500 domicílios, além de escritórios e escolas.

Conheça os robôs que cuidam de manjericão:

Robôs 'agricultores' cuidam de manjericão
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