A iniciativa, que começou com 15 domicílios em 2018 utilizando grupos no WhatsApp, envolve hoje 1.500 domicílios. Mesmo prêmio já foi vencido por Greta Thunberg e Malala Yusafzai --------+++-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------+++--------- Por France Presse
Postado em 15 de novembro de 2021 às 18h10m Post. N. =0.370
Vihaan e Nav Agarwal, de 17 e 14 anos, o Prêmio Internacional da Paz Infantil 2021 — Foto: Phil nijhuis / ANP / AFP
Dois jovens irmãos indianos incentivaram os líderes mundiais a agirem contra a mudança climática depois de ganharem um prestigioso por seu combate à poluição causada pelo lixo doméstico em Nova Délhi.
Vihaan e Nav Agarwal, de 17 e 14 anos, receberam neste sábado (13) o Prêmio Internacional da Paz Infantil 2021 por desenvolver um sistema para separar o lixo reciclável e organizar a coleta de lixo em milhares de residências.
A fundação holandesa KidsRights, organizadora do evento, elogiou a "coragem e compromisso no combate à poluição em sua cidade natal" de Nova Délhi, a mais poluída do mundo.
Os irmãos indianos começaram em casa, separando materiais recicláveis de outros resíduos, e então criaram um grupo no WhatsApp em sua vizinhança para se juntar a várias famílias. — Foto: One Step Greener
Greta e Malala
Os irmãos seguem os passos da ativista ambiental sueca Greta Thunberg e Malala Yusafzai, uma ativista educacional paquistanesa, ambas vencedoras do prêmio em edições anteriores.
Desde 2005, o KidsRights premia um menor a cada ano por seu compromisso com os direitos da criança.
"Nossa mensagem é que é preciso agir. Muitas crianças no mundo estão agindo", afirmou Vihaan, ao ser questionado sobre o que diria aos líderes mundiais na cúpula do clima COP26.
"Outra mensagem seria: não fiquem no nosso caminho", acrescentou ele à AFP em uma entrevista em vídeo.
"Para todos os jovens que podem assistir e ler isto, eles nunca devem temer as mudanças climáticas", continuou.
Crescer em Nova Délhi afetou a saúde de Vihaan, que é asmático, e os irmãos gostariam de poder brincar ao ar livre com mais frequência e desfrutar da natureza.
A ideia de sua iniciativa, "One Step Greener"(Um passo mais verde), surgiu após o colapso do aterro de Ghazipur em 2017, que matou duas pessoas e causou aumento da poluição.
Montanha de lixo de Ghazipur prejudica a saúde dos moradores de Nova Délhi, na Índia, em imagem de 2019 — Foto: Money Sharma/AFP
Os irmãos começaram em casa, separando materiais recicláveis de outros resíduos, e então criaram um grupo no WhatsApp em sua vizinhança para se juntar a várias famílias.
A iniciativa, que começou com 15 domicílios em 2018 - quando tinham 14 e 11 anos -, envolve hoje 1.500 domicílios, além de escritórios e escolas.
Queda foi puxada pelo recuo nos serviços de transportes em meio à alta dos preços. Diferentemente da indústria e do varejo, setor fechou o 3º trimestre no azul, com avanço de 3%. No ano, alta acumulada é de 11,4%. --------+++-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------+++--------- Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, g1 12/11/2021 09h00 Atualizado há 27 minutos Postado em 12 de novembro de 2021 às 09h45m Post. N. =0.369
Saguão do aeroporto de Congonhas, em SP, em imagem de outubro. — Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo
O volume de serviços prestados no Brasil caiu 0,6% em setembro, na comparação com agosto, interrompendo uma sequência de 5 meses de crescimento, mostram os dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação com setembro do ano passado, entretanto, houve avanço de 11,4% – a sétima taxa positiva consecutiva.
"Com o resultado de setembro, o setor ainda ficou 3,7% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro do ano passado, mas está 8% abaixo do recorde alcançado em novembro de 2014", destacou o IBGE.
Setor de serviços registra queda em setembro após cinco taxas positivas seguidas — Foto: Economia/g1
O resultado frustrou as expectativas. A mediana de 25 projeções captadas pelo Valor Data projetava avanço 0,5% em setembro ante agosto. O intervalo de projeções ia de queda de 0,4% a alta de 0,8%.
Mesmo com a queda de setembro, o setor ainda acumula avanço de 11,4% no ano e conseguiu fechar o 3º trimestre no azul (3%). Em 12 meses, registra alta de 6,8%, maior taxa da série histórica, iniciada em dezembro de 2012.
Setor de serviços recua 0,6% após 5 meses de crescimento
Alta de 3% no 3º trimestre
Diferentemente da indústria e do varejo, o setor de serviço fechou o 3º trimestre no azul, com avanço de 3% na comparação com os meses anterior, após alta de 2,1% no 2º trimestre, chegando a 5 trimestres seguidos de crescimento.
Na comparação com o 3º trimestre do ano passado, o avanço foi de 15,2%.
Volume de serviços acumulado em 12 meses - setembro/21 — Foto: Economia g1
Inflação pesa nos serviços de transportes
Quatro das 5 atividades pesquisadas tiveram queda na passagem de agosto para setembro, com destaque para os transportes (-1,9%), que registraram o resultado negativo mais intenso desde abril de 2020 (-19%), impactado, segundo o IBGE, pela alta nos preços das passagens aéreas, no transporte rodoviário de cargas e também no ferroviário de cargas.
“Especificamente no item passagens aéreas, cujos preços tiveram alta de 28,19% em setembro, sim, o fator inflacionário trouxe um reflexo negativo sobre o número de passageiros”, destacou o gerente da pesquisa.
Veja o resultado dos subgrupos de cada grande atividade:
Serviços prestados às famílias: 1,3%
Serviços de alojamento e alimentação: 1,7%
Outros serviços prestados às famílias: zero
Serviços de informação e comunicação:-0,9%
Serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC): -1,2%
Telecomunicações: -1,4%
Serviços de tecnologia da informação: -0,5%
Serviços audiovisuais: 0,8%
Serviços profissionais, administrativos e complementares: -1,1%
Serviços técnico-profissionais: 1,7%
Serviços administrativos e complementares: -1,6%
Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio:-1,9%
Transporte terrestre: -1%
Transporte aquaviário: -1,7%
Transporte aéreo: -9%
Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: 0,6%
Outros serviços:-4,7%
“A queda do setor de serviços se deu de maneira relativamente disseminada. Quando observamos por segmentos, as principais pressões negativas vieram, além do transporte aéreo de passageiros, de serviços financeiros auxiliares, investigado dentro de outros serviços, e de telecomunicações, dentro do setor de serviços de informação e comunicação”, afirmou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.
Houve queda no volume de serviços em 20 das 27 unidades da federação. O maior impacto veio de São Paulo (-1,6%), seguido por Minas Gerais (-1,3%), Rio Grande do Sul (-1,3%), Pernambuco (-2,2%) e Goiás (-2,2%). Já Rio de Janeiro (2,0%), Distrito Federal (2,9%) e Mato Grosso do Sul (3,6%) tiveram as maiores altas.
Distância (em %) do patamar pré-pandemia por atividade de serviços — Foto: Economia g1
Serviços às famílias têm 6ª alta, mas segue abaixo do nível pré-pandemia
Com a sexta taxa positiva consecutiva, o setor de serviços prestados às famílias (1,3%) foi o único que manteve avanço na passagem de agosto para setembro.
“Esses são justamente os serviços que mais sofreram com os efeitos econômicos da pandemia e têm mostrado algum tipo de fôlego, de crescimento", afirma Lobo, que destaca que o setor ainda está 16,2% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro do ano passado.
O pesquisador apontou, ainda, que sobre os serviços prestados às famílias, é esperado um impacto maior inflação nos próximos meses. “Esses serviços têm crescido até um ponto onde, aí sim, o efeito inflacionário pode interferir na escolha das famílias em relação ao consumo”, disse.
Segmento de turismo cresce 0,8%
O índice de atividades turísticas cresceu 0,8% frente a agosto, quinta taxa positiva consecutiva, acumulando ganho de 49,9%. Contudo, o segmento ainda se encontra 20,4% abaixo do patamar pré-pandemia.
Desempenho trimestral do setor de serviços — Foto: Economia g1
Piora das expectativas
O setor de serviços é o que possui o maior peso na economia brasileira e foi o mais atingido pela pandemia de Covid-19. Nos últimos meses, tem sido o principal destaque de recuperação, favorecido pelo avanço da vacinação e maior mobilidade da população.
"Com o número de hoje temos os dados fechados do 3º trimestre das principais pesquisas do IBGE e é seguro dizer que a economia parou no trimestre encerrado em setembro", avaliou o economista-chefe da Necton, André Perfeito.
A XP avaliou o resultado do setor de serviços em setembro como "frustrante" e passou a projetar uma alta de apenas 0,1% do PIB no 3º trimestre, na comparação com o 2º trimestre.
A inflação persistente, a crise hídrica, o desemprego ainda elevado e as elevadas incertezas fiscais e politicas têm piorado as perspectivas para a economia brasileira. O mercado financeiro tem revisado para baixo as projeçõesde crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e elevado as estimativas para a inflação e para a taxa básica de juros (Selic).
A expectativa do mercado financeiro para o crescimento do PIB em 2021está atualmente em 4,93%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, após tombo de 4,1% em 2020. Para 2022, a média das projeções está em 1%.
O mercado projeta atualmente uma Selic em 9,25% ao ano no fim de 2021. Entretanto, para o fim de 2022, os economistas subiram a expectativa para a taxa Selic para 11% ao ano, o que pressupõe crédito mais caro e mais freios para o consumo e investimentos.
Ebitda ajustado da empresa atingiu R$ 13,9 bilhões, avanço de 74,2% na mesma base de comparação. --------+++-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------+++--------- Por Reuters 10/11/2021 21h55 Atualizado há 1 hora Postado em 10 de novembro de 2021 às 22h55m
Post. N. =0.368
JBS — Foto: Divulgação
A JBS reportou lucro líquido de R$ 7,6 bilhões no terceiro trimestre,
expressiva alta de 142% no comparativo anual, novamente impulsionado
pelo desempenho das operações na América do Norte que compensaram
adversidades no Brasil, conforme balanço divulgado nesta quarta-feira
(10).
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda)
ajustado da empresa atingiu R$ 13,9 bilhões, avanço de 74,2% na mesma
base de comparação.
O
desempenho foi impulsionado pela JBS USA Beef, unidade norte-americana
de bovinos, cujo Ebitda subiu expressivos 203,9% para R$ 8,4 bilhões.
"A perfomance dos EUA está excelente", disse à Reuters o CEO global da
JBS, Gilberto Tomazoni, em referência à maior unidade da companhia em
faturamento.
A receita líquida da companhia somou R$ 92,62 bilhões no trimestre,
avanço de 32,2% no ano a ano, registrando um crescimento em reais em
todas as unidades de negócios da empresa: Seara (+38,2%), JBS Brasil
(+35,3%), JBS USA Bovinos (+34,2%), JBS USA Suínos (+42,2%), e PPC
(+21%).
Das vendas totais, cerca de 75% do valor teve origem em operações com sede na América do Norte.
No período, cerca de 73% das vendas da JBS foram realizadas nos
mercados domésticos em que a companhia atua e 27% por meio de
exportações — nos EUA, uma parcela relevante do resultado se deve ao
consumo local, principalmente após o retorno do food service.
Questionado sobre a suspensão temporária de embarques de carne bovina
do Brasil para seu principal comprador, a China, Tomazoni afirmou que a
JBS possui uma plataforma global, e que momentos como o atual no mercado
brasileiro são compensados por ciclos positivos em outros lugares em
que a companhia atua, como os Estados Unidos.
"Por ser essa plataforma global, o impacto da JBS é relativo, ele tem
uma dimensão diferente de uma empresa que só atua no Brasil e exporta
para China", disse ele.
"A gente reduziu significativamente nossa operação no Brasil (devido à
suspensão chinesa) porque é uma conjuntura de mix de produtos. Adequamos
nossas fabricas à produção e há uma adequação à demanda do mercado
interno. Não tomamos nenhuma medida de férias coletivas porque
acreditamos que deve haver a abertura", acrescentou.
Neste contexto, a JBS aprovou a distribuição de dividendos
intercalares, com base no lucro líquido do exercício em curso, no
montante total de R$ 2,37 bilhões.
A JBS comentou que o lucro líquido acumulado em 2021 chegou a R$ 14
bilhões, valor que já implicaria um dividendo mínimo de em torno de
R$3,5 bilhões a serem pagos em 2022, dos quais R$ 2,5 bilhões foram
adiantados em agosto.
No terceiro trimestre, o fluxo de caixa livre, após adição de ativo
imobilizado, juros pagos e recebidos, totalizou R$ 7,3 bilhões,
acrescentou a empresa, que disse também que os investimentos somaram R$
7,7 bilhões.
A companhia também ressaltou que encerrou o trimestre com R$ 23,3 bilhões em caixa.
A dívida líquida aumentou de R$ 51,5 bilhões no terceiro trimestre do
ano passado para R$ 61 bilhões, com a alavancagem reduzindo de 1,83 vez
para 1,52 vez no período.
O CFO e diretor de Relações com Investidores na JBS, Guilherme
Cavalcanti, disse que mesmo diante dos pagamentos de dividendos
realizados pela empresa e das aquisições realizadas ao longo do ano, a
expectativa é manter a alavancagem abaixo de 1,6 vez ao final do quarto
trimestre.
Levantamento é do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O governo federal tem se beneficiado da disparada do preço nas bombas via arrecadação, dividendos e royalties. --------+++-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------+++--------- Por Bianca Lima e Luiz Guilherme Gerbelli, GloboNews e g1 09/11/2021 06h00 Atualizado há 4 horas Postado em 09 de novembro de 2021 às 10h00m
Post. N. =0.367
O caixa da União tem se beneficiado fortemente da alta do preço da gasolina, do diesel, do etanol e do botijão de gás: o aumento dos preços dos combustíveis 'engorda' os cofres do governo federal, que devem arrecadar ao menos R$ 70,1 bilhões até o fim deste ano com os recursos vindos do setor.
O cálculo foi realizado pelo sócio fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.
"O governo está numa posição muito confortável. Nunca arrecadou tanto na área de óleo e gás como hoje em dia", afirma Pires.
O governo ganha em três frentes: via arrecadação, dividendos e royalties. Veja em detalhes:
R$ 15,2 bilhões com arrecadação de PIS e Cofins até setembro. São os tributos federais que incidem sobre os combustíveis.
R$ 23 bilhõescom dividendos da Petrobras. A parcela do lucro que a estatal distribui para os acionistas – o governo federal é o maior deles.
R$ 31,9 bilhões
com participação especial e royalties previstos até o fim deste ano.
Esse dinheiro é pago pelas petroleiras à União para ter direito a
explorar o petróleo.
Em todo o ano de 2020, aUnião recebeu R$ 36,2 bilhõescom arrecadação de PIS e Cofins de combustíveis, dividendos da Petrobras e participação especial e royalties.
Gasolina sobe novamente e preço máximo já encosta em R$ 8 por litro
Escalada de preços
Neste ano, o Brasil lida com uma escalada de preços dos combustíveis.
Nas bombas do país, o preço médio do litro da gasolina chega a R$
6,710, o do diesel está em R$ 5,339, e o do etanol é de R$ 5,294,
segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP).
Botijão de gás já consome 10% do salário mínimo em 16 estados
A alta do preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha pode ser
explicada, sobretudo, pelo aumento da cotação do petróleo no mercado
internacional e pela desvalorização do real em relação ao dólar.
Hoje, a cotação do barril do petróleo supera os US$ 80 no mercado internacional, e o dólar está acima de R$ 5,50.
Esse cenário tem levado a Petrobras a promover sucessivos aumentos no
preço dos combustíveis vendidos para as refinarias – e esses reajustes
acabam sendo repassados por toda a cadeia, até chegar ao consumidor. O último deles foi anunciado no fim de outubro: o litro da gasolina teve alta de 7,04%, e o do diesel subiu 9,15%.
"É um momento de tempestade perfeita, com petróleo muito caro e o câmbio muito elevado", destaca Pires.
O reforço ao caixa da União fica evidente quando se olha o Projeto de Lei Orçamentária de 2021. Na
época, o governo estimava que o barril de petróleo teria um preço médio
de US$ 44,49, praticamente metade do valor atual, e que a cotação do
dólar encerraria o ano em R$ 5,11.
"O
governo (federal) e os estados estão ganhando mais com os preços
altos", afirma David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP. "E há um
ponto interessante: a gente não percebe uma redução drástica de consumo
mesmo com os preços elevados."
No caso do etanol, a alta dos preços se deve a questões climáticas,
como seca e geada, que vêm impactando a safra de cana-de-açúcar, a
matéria-prima do combustível.
União versus estados
A disparada dos valores nas bombas abriu mais uma crise entre o
presidente Jair Bolsonaro e os governadores. Bolsonaro passou a cobrar
publicamente que os estados reduzissem o Imposto sobre a Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) para que, dessa forma, os preços da
gasolina e do diesel recuassem.
Flávia sobre o congelamento do ICMS dos combustíveis por 90 dias: ‘Decisão é política’
"Não vai acontecer nada demais (com o preço). Os estados já tiveram uma
arrecadação extra bastante importante, assim como o governo federal e a
Petrobras também tiveram", afirma Zylbersztajn. "Todo mundo que vive do
mercado de petróleo ganhou dinheiro."
"Meses
atrás, o presidente Bolsonaro determinou que não se recolhesse PIS e
Cofins. E a queda no preço foi quase nenhuma porque a Petrobras
continuou aumentando o preço do diesel", pondera Pires.
O que pode ser feito?
Aumento dos preços de combustíveis para consumidor final fica a
critério de distribuidoras e postos — Foto: Marcelo Brandt / G1
Os analistas dizem que são necessárias medidas estruturais para resolver a disparada do preço dos combustíveis.
Fundo de estabilização
Na avaliação de Pires, o governo deveria criar um fundo de
estabilização para evitar repasses de preço ao consumidor nos momentos
de forte alta da cotação do petróleo.
"O
fundo não vai resolver o problema de aumento do preço do combustível",
pondera o diretor do CBIE. "Mas ele vai ajudar em duas coisas: diminuir a
volatilidade, ou seja, não vai haver um repasse tão rápido para o
consumidor. E pode reduzir um pouco o preço. Tem de fazer a conta, mas é
possível reduzir."
Hoje, nos cálculos dele, se o governo quiser dar botijão de graça para
17 milhões de famílias - população que deve passar a ser beneficiada com
o Auxílio Brasil a partir de dezembro -, o custo será de R$ 10 bilhões
por ano. Já uma redução de 10% no preço do diesel teria um gasto
estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões.
"É muito dinheiro, mas o dividendo da Petrobras foi de R$ 23 bilhões."
Nos períodos de baixa da cotação do petróleo, esse fundo seria
capitalizado, segundo Pires, com o governo não reduzindo o preço do
combustível na mesma intensidade da queda da cotação do barril.
"Como
o petróleo é volátil, ele pode ir a US$ 50 (o barril) daqui a pouco e
aí todo mundo se esquece do problema que estamos vivendo hoje. Mas
lembraremos dele na próxima crise", alerta Pires.
Para Zylbersztajn, o fundo de estabilização não é o melhor caminho.
Segundo ele, só valeria a pena um subsídio para a compra do gás de
cozinha pela "questão emergencial e social".
"É uma questão de solidariedade com pessoas que não têm como pagar R$ 100, R$ 120 num botijão de gás."
O Brasil, afirma o ex-diretor da ANP, deveria investir em políticas de
médio e longo prazos e isso passa por acabar com o monopólio da
Petrobras na área de refino, por exemplo.
"Mesmo que o preço esteja relativamente alinhado (com o mercado
externo), o fato de não ter competição não traz clareza e transparência
na formação dos custos e de quanto efetivamente ela poderia vender (o
combustível)."
Ele também ressalta que o país deveria discutir medidas para acabar com a dependência do petróleo.
"Até que ponto, com essa discussão enorme sobre a substituição dos
combustíveis fósseis, o país vai subsidiar combustíveis que têm origem
no petróleo e no gás natural", questiona Zylbersztajn. "Uma política
responsável passa por criar mecanismos (de solução) de médio e longo
prazos."