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terça-feira, 8 de junho de 2021

Investidores estrangeiros ingressam com recursos na B3 pelo 3º dia seguido

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Ao mesmo tempo, pessoas físicas e institucionais realizam retiradas da Bolsa.
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TOPO
Por Valor Online

Postado em o8 de junho de 2021 às 17h00m

 .*  Post. N. = 0.287  *. 

Painel da B3 - Bovespa — Foto: Nelson Almeida/ AFP
Painel da B3 - Bovespa — Foto: Nelson Almeida/ AFP

Os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 2,117 bilhões no segmento secundário da Bolsa (ações já listadas) em 4 de junho, segundo informações divulgadas pela B3. Trata-se do terceiro ingresso diário consecutivo do mês, com aportes expressivos no período, todos superiores a R$ 1,8 bilhão cada.

Com isso, o saldo positivo de fluxo externo no mês subiu a R$ 6,043 bilhões — resultado de R$ 59,479 bilhões em compras e R$ 53,436 bilhões em vendas. No acumulado de 2021, o saldo líquido nessa conta é positivo, agora em R$ 37,423 bilhões.

Na outra ponta, o investidor pessoa física retirou R$ 142,8 milhões líquidos na B3 no mesmo dia 4, na terceira saída diária seguida. Com isso, o saldo no mês seguiu negativo, agora em R$ 2,223 bilhões. No ano, porém, o saldo dos investidores individuais continua superavitário, mas caiu a R$ 6,853 bilhões.

Já o investidor institucional retirou R$ 1,758 bilhão da B3 no dia 4 de junho, também na terceira saída diária consecutiva. No mês até esta data, o saldo segue negativo, em R$ 4,936 bilhões. No ano, está deficitário em R$ 40,246 bilhões.

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segunda-feira, 7 de junho de 2021

Dono da Louis Vuitton, Bernard Arnault passa Jeff Bezos novamente como homem mais rico do mundo

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Fortuna do francês alcançou US$ 191,1 bilhões, contra estimados US$ 186,2 bilhões do fundador da Amazon. É a segunda vez que Arnault assume a liderança depois que chegou a passar Bezos por um dia, no fim de maio.
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Por G1

Postado em 07 de junho de 2021 às 12h50m

 .*  Post. N. = 0.286  *. 

Quem é Bernard Arnault, que se tornou o homem mais rico do mundo
Quem é Bernard Arnault, que se tornou o homem mais rico do mundo

O francês Bernard Arnault, diretor-executivo do grupo LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy), tornou-se novamente o homem mais rico do mundo nesta segunda-feira (7), segundo o ranking de bilionários da revista Forbes.

O dono do grupo que reúne marcas de luxo, como Louis Vuitton e Dior, acumula fortuna de US$ 191,1 bilhões. O empresário de 72 anos ultrapassa, assim, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, que detinha o posto de liderança com US$ 186,2 bilhões.

É a segunda vez que Arnault assume a ponta do ranking da Forbes. O mesmo aconteceu no fim de maio, mas o francês foi logo ultrapassado por Bezos. O americano reassumiu a ponta no mesmo dia.

A variação aconteceu tão rápido porque a Forbes mede a fortuna estimada de acionistas das grandes empresas ao redor do mundo. A variação da cotação das ações, portanto, impulsiona e derruba o patromônio de bilionários muito rapidamente.

Inclusive, como as bolsas de valores europeias abrem mais cedo que as americanas, a fortuna de Arnault se move primeiro. Foi o que aconteceu no dia 24 de maio: depois da abertura de mercado nos EUA, o fundador da Amazon já estava de volta ao topo do ranking com a valorização da empresa no pregão.

Ainda assim, o evento foi um marco. De acordo com a Forbes, foi primeira vez que um europeu alcançou o topo da lista da Forbes desde outubro de 2015, quando o espanhol Amancio Ortega, do grupo Inditex, dono da Zara, ultrapassou o líder Bill Gates.


Bernard Arnault

Bernard Arnault, CEO do grupo LVMH, em foto de janeiro de 2020 — Foto: Thibault Camus/AP/Arquivo
Bernard Arnault, CEO do grupo LVMH, em foto de janeiro de 2020 — Foto: Thibault Camus/AP/Arquivo

A Louis Vuitton é apenas uma das 70 marcas do poderoso império do francês Arnault, a LVMH, que inclui ainda nomes como Sephora e a joalheria Tiffany's, que ele adquiriu em janeiro deste ano por US$ 15,8 bilhões, no que a Forbes considerou a maior compra de uma marca de luxo até hoje.

Nascido em 1949 em uma família de pequenos industriais, Arnault nunca foi exatamente pobre, mas multiplicou inúmeras vezes os US$ 15 milhões iniciais que conseguiu de seu pai, um construtor, para investir em seu próprio negócio. Com esse dinheiro, ele comprou a grife Christian Dior, sua primeira marca. Ainda hoje, a Dior é a principal holding da LVMH.

A ela, porém, se somam outros grandes nomes da moda como Fendi, Givenchy, Marc Jacobs e Kenzo, entre outros. E o grupo reúne ainda marcas de relógios, acessórios e bebidas, como Bulgari, Tag Heuer, Moët&Chandon, Veuve Clicquot e Dom Pérignon, citando alguns. Em 2019, adquiriu o grupo Belmond, dono de 46 hotéis, trens e cruzeiros fluviais.

Bernard Arnault tem cinco filhos, e quatro deles - Frédéric, Delphine, Antoine e Alexandre - trabalham com o pai. Em 2012, ele se naturalizou cidadão belga, embora atualmente viva em Paris.

O empresário dedica parte de sua fortuna ao patrocínio de uma série de projetos de incentivo às artes e, em 2019, doou US$ 11 milhões para auxiliar o combate aos incêndios na Amazônia. Durante a pandemia de Covid-19, parte da produção de perfume e bebidas alcoólicas de marcas do grupo foram convertidas em produção de álcool gel, e 12 toneladas do produto foram doadas a hospitais da capital francesa.

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domingo, 6 de junho de 2021

Mundo está entrando em uma nova fase do capitalismo?

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Concentração de riqueza, injustiças sociais e destruição ambiental fazem crescer os questionamentos ao modelo capitalista atual; em artigo de opinião, pesquisador avalia que é hora de repensar o contrato social com o capitalismo e numera quais são as saídas possíveis.
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TOPO
Por BBC

Postado em o6 de junho de 2021 às 14h00m

 .*  Post. N. = 0.285  *. 

'Abolir o capitalismo', pede manifestante em um protesto em 1º de maio de 2021 em Berlim — Foto: Getty Images
'Abolir o capitalismo', pede manifestante em um protesto em 1º de maio de 2021 em Berlim — Foto: Getty Images

Quase 250 anos atrás, o economista e filósofo Adam Smith escreveu o livro A Riqueza das Nações, em que descreveu o nascimento de uma nova forma de atividade humana: o capitalismo industrial.

Porém, ele e seus contemporâneos não imaginavam o quanto o novo sistema criaria um acúmulo de riqueza em poucas mãos.

O capitalismo alimentou as revoluções industrial e tecnológica, remodelou o mundo e transformou o papel do Estado em relação à sociedade.

Ele tirou inúmeras pessoas da pobreza nos últimos dois séculos, aumentou significativamente os padrões de vida e levou ao desenvolvimento de inovações que melhoraram radicalmente o bem-estar humano, além de tornar possível a ida à Lua e a leitura deste artigo de opinião.

No entanto, a história do capitalismo não é totalmente positiva.

Nos últimos anos, as deficiências do sistema se tornaram cada vez mais evidentes.

Priorizar ganhos de curto prazo para as pessoas às vezes fez com que o bem-estar de longo prazo da sociedade e do meio ambiente fosse jogado fora, especialmente porque o mundo está lutando ao mesmo tempo contra uma pandemia de coronavírus e as mudanças climáticas.

E como a agitação política e a polarização em todo o mundo demonstraram, há sinais crescentes de descontentamento com o status quo capitalista.

Uma pesquisa de 2020, produzida pela empresa de marketing e relações públicas Edelman, apontou que 57% das pessoas entrevistadas em todo o mundo disseram que "o capitalismo como existe hoje faz mais mal do que bem ao planeta".

"O desempenho do capitalismo ocidental nas últimas décadas tem sido profundamente problemático em relação à desigualdade e aos danos ambientais", escreveram os economistas Michael Jacobs e Mariana Mazzucato em Rethinking Capitalism ('Repensando o capitalismo', sem versão em português).
Mercados — Foto: Getty Images
Mercados — Foto: Getty Images

No entanto, isso não significa que não haja soluções. "O capitalismo ocidental não está desesperadamente fadado ao fracasso, mas precisa ser repensado", argumentam Jacobs e Mazzucato.

Então, o capitalismo como o conhecemos continuará em sua forma atual ou poderia ter outro futuro pela frente?

Foco no indivíduo

O capitalismo gerou milhares de livros e milhões de palavras, então seria impossível explorar todas as suas facetas.

Dito isso, podemos começar a entender para onde o capitalismo irá no futuro, explorando onde ele começou. Isso nos mostra que o capitalismo nem sempre funcionou como hoje, especialmente no Ocidente.

Entre os séculos 9 e 15, monarquias autocráticas e hierarquias eclesiásticas dominaram a sociedade ocidental.

Esses sistemas começaram a desmoronar à medida que as pessoas afirmavam cada vez mais seu direito à liberdade individual.

Essa busca por um foco maior no indivíduo favoreceu o capitalismo como sistema econômico por causa da flexibilidade que deu aos direitos de propriedade privada, escolha pessoal, empreendedorismo e inovação.

Ele também favoreceu a democracia como um sistema de governo por causa de seu foco na liberdade política individual.

A mudança em direção a uma maior liberdade individual mudou o contrato social.

Anteriormente, os que estavam no poder forneciam muitos recursos (terra, comida e proteção) em troca de contribuições significativas dos cidadãos (por exemplo, de trabalho escravo a trabalho duro com pouca remuneração, altos impostos e lealdade incondicional).
Em 1851, Londres sediou a 'Grande Exposição das Obras da Indústria de Todas as Nações' — Foto: Getty Images
Em 1851, Londres sediou a 'Grande Exposição das Obras da Indústria de Todas as Nações' — Foto: Getty Images

Com o capitalismo, as pessoas esperavam menos das autoridades governantes, em troca de maiores liberdades civis, incluindo liberdade individual, política e econômica.

Mas o capitalismo evoluiu de maneira significativa durante os séculos seguintes e especialmente durante a segunda metade do século 20.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Mont Pelerin Society, um grupo de especialistas em política econômica, foi fundada com o objetivo de enfrentar os desafios que o Ocidente tinha à vista.

Seu foco específico era a defesa dos valores políticos de uma sociedade aberta, o estado de direito, a liberdade de expressão e as políticas econômicas de livre mercado, aspectos centrais do liberalismo clássico.

Com o tempo, essas ideias deram origem à escola macroeconômica de "economia de abastecimento".

Ela se baseava na crença de que impostos mais baixos e regulamentação mínima do livre mercado levariam a um maior crescimento econômico e, portanto, melhores condições de vida para todos.

Na década de 1980, junto com a ascensão do neoliberalismo político, a economia da oferta se tornou uma prioridade para os Estados Unidos e muitos governos europeus.

Essa nova tendência do capitalismo levou a um maior crescimento econômico em todo o mundo, ao mesmo tempo que tirou um número substancial de pessoas da pobreza absoluta.

Mas, ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que os princípios de redução de impostos e desregulamentação empresarial pouco fizeram para apoiar o investimento político em serviços públicos, enfrentar o colapso da infraestrutura pública, melhorar a educação e mitigar riscos.

Desigualdade

Em muitos países, o capitalismo do final do século 20 contribuiu para criar uma lacuna significativa entre a riqueza dos mais ricos e dos mais pobres, medida pelo Índice de Gini.
Protesto no Chile; criação de privilégios é um dos fatores que fizeram crescer os questionamentos ao capitalismo atual — Foto: Getty Images
Protesto no Chile; criação de privilégios é um dos fatores que fizeram crescer os questionamentos ao capitalismo atual — Foto: Getty Images

Em alguns países, essa lacuna está aumentando. Os Estados Unidos são um exemplo: os americanos mais pobres não veem crescimento real da sua renda desde 1980, enquanto a renda dos ultra-ricos cresceu cerca de 6% ao ano.

Quase todos os bilionários mais ricos do mundo residem nos Estados Unidos e acumularam fortunas impressionantes, enquanto, ao mesmo tempo, a renda familiar média no país aumentou modestamente desde o início deste século.

A diferença de desigualdade pode ser mais importante do que alguns políticos e líderes corporativos gostariam de acreditar.

O capitalismo pode ter tirado milhões de pessoas em todo o mundo da pobreza extrema, mas a desigualdade pode ser corrosiva dentro de uma sociedade, diz Denise Stanley, professora de economia da Universidade do Estado da Califórnia.

"A pobreza absoluta é basicamente a situação em que uma pessoa vive com menos de US$ 4 (cerca de R$ 20) por dia (sob os critérios em vigor nos EUA))", explica Stanley. Ela alerta que a pobreza e a desigualdade podem desequilibrar uma sociedade a longo prazo.

Mesmo que a economia esteja crescendo, a desigualdade de renda e a estagnação dos salários podem fazer com que as pessoas se sintam menos seguras à medida que sua posição relativa na economia diminui.

"Economistas comportamentais mostraram que nosso status em comparação com outras pessoas, nossa felicidade, deriva mais de medidas relativas e de distribuição do que de medidas absolutas. Se isso for verdade, então o capitalismo tem um problema", diz Stanley.

Como resultado do aumento da desigualdade, "as pessoas confiam menos nas instituições e experimentam um sentimento de injustiça", segundo o relatório Edelman.

Mas o impacto na vida das pessoas pode ser mais profundo. "O capitalismo em sua forma atual está destruindo a vida de muitas pessoas da classe trabalhadora", argumentam os economistas Anne Case e Angus Deaton em seu livro Deaths of Despair and the Future of Capitalism.

"Durante as últimas duas décadas, as mortes de desespero por suicídio, overdose de drogas e alcoolismo aumentaram dramaticamente e agora centenas de milhares de vidas de americanos são perdidas a cada ano", escrevem eles.

A crise financeira de 2007 e 2008 exacerbou esses problemas. A crise foi provocada pela desregulamentação excessiva e atingiu principalmente a classe trabalhadora de países desenvolvidos.
Pobreza e a desigualdade podem desequilibrar uma sociedade a longo prazo — Foto: Getty Images
Pobreza e a desigualdade podem desequilibrar uma sociedade a longo prazo — Foto: Getty Images

Depois, os resgates dos grandes bancos feitos pelos governos após a crise financeira de 2008 geraram ressentimento e "ajudaram a alimentar o surgimento da política polarizada que vimos na última década", de acordo com Richard Cordray, primeiro diretor do US Consumer Financial Protection Bureau (agência de proteção ao consumidor dos EUA) e autor de Watchdog: Como a proteção dos consumidores pode salvar nossas famílias, nossa economia e nossa democracia.

Protestos anticapitalistas

As democracias liberais podem agora estar em um ponto de inflexão, no qual os cidadãos questionam as normas capitalistas de hoje com maior intensidade política em todo o mundo.

J. Patrice McSherry, professor de ciência política na Long Island University, em Nova York, observou essa mudança no Chile, por exemplo.

"A mobilização social dos chilenos começou com um aumento nas tarifas do metrô em outubro de 2019, gerando protestos de base ampla que atraiu mais de um milhão de pessoas às manifestações", diz ele.

"O movimento social expôs as profundas fontes de descontentamento no Chile: desigualdade arraigada e crescente, o custo de vida sempre crescente e a privatização extrema em um dos Estados mais neoliberais do mundo."

Essas queixas remontam ao final do século 20, quando a ditadura militar do Chile introduziu reformas que institucionalizaram a dominação econômica e consagraram uma estrutura neoliberal que apagou o papel do Estado nas áreas sociais e econômicas. A participação política deu ao direito (político) poder desproporcional e instalou um papel tutelar para as Forças Armadas", escreveu McSherry em um artigo para o Congresso Norte-Americano na América Latina, uma organização sem fins lucrativos que acompanha as tendências na região.

Da mesma forma, o movimento de coletes amarelos que começou na França em 2018 inicialmente se concentrou no aumento dos custos do combustível, mas rapidamente se expandiu para incluir reclamações semelhantes às do Chile: o custo de vida, o aumento da desigualdade e uma demanda para que o governo pare de ignorar as necessidades dos cidadãos.

E nos Estados Unidos, o movimento político que gerou o trumpismo é possivelmente impulsionado tanto pela desigualdade econômica quanto pela ideologia de direita.

O governo Trump obteve amplo apoio político por suas abordagens mais fechadas ao comércio mundial, incluindo a retirada do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica e tarifas retaliatórias sobre bens e serviços chineses, indianos, brasileiros e argentinos importados para os Estados Unidos.

Até mesmo os aliados históricos dos Estados Unidos foram o alvo dessa agenda, incluindo Europa, Canadá e México.

Embora uma resposta às desvantagens do capitalismo em sua forma atual seja que as nações adotem uma postura defensiva, buscando se proteger minimizando os laços externos, o protecionismo "é míope, especialmente quando se trata de comércio", de acordo com Anahita Thoms, chefe da Baker McKenzie's International Trade Practice, na Alemanha, e do Young Global Leaders, do Fórum Econômico Mundial.

"Embora possa trazer alguns benefícios temporários, no longo prazo (o protecionismo) coloca em risco a economia global como um todo e ameaça desfazer décadas de progresso econômico. Manter os mercados abertos para investimentos é crucial", disse Thoms.

Um desafio central para os governos no século 21 será encontrar uma maneira de equilibrar esses benefícios de longo prazo do comércio mundial com os danos de curto prazo que a globalização pode trazer às comunidades locais afetadas por baixos salários e pelo desemprego.

As economias não podem ser completamente divorciadas das demandas das maiorias democráticas em busca de empregos, moradia acessível, educação, saúde e um meio ambiente saudável.

Como mostram os movimentos chileno, os coletes amarelos e os trumpismo, muitas pessoas estão pedindo uma mudança no sistema existente para dar conta dessas necessidades, em vez de apenas enriquecer os interesses privados.

Em suma, pode ser hora de repensar o contrato social para o capitalismo, de modo que ele se torne mais inclusivo de um conjunto mais amplo de interesses além dos direitos e liberdades individuais.

Isso não é impossível. O capitalismo já evoluiu antes e, se for para continuar no futuro de longo prazo, pode evoluir novamente.
Os coletes amarelos tomaram as ruas de Paris em protesto contra o governo — Foto: Getty Images
Os coletes amarelos tomaram as ruas de Paris em protesto contra o governo — Foto: Getty Images

O futuro do capitalismo

Nos últimos anos, várias ideias e propostas surgiram com o objetivo de reescrever o contrato social do capitalismo.

O que elas têm em comum é a ideia de que as empresas precisam de medidas mais variadas de sucesso do que apenas lucro e crescimento.

Nos negócios, existe o "capitalismo consciente", inspirado nas práticas das chamadas marcas "éticas".

Na política, existe um "capitalismo inclusivo", defendido tanto pelo Banco da Inglaterra quanto pelo Vaticano, que advoga pelo aproveitamento do "capitalismo para o bem comum".

E na sustentabilidade, existe a ideia da "economia donut", teoria da economista Kate Raworth, que sugere ser possível prosperar economicamente como sociedade sem deixar de lado as demandas sociais e planetárias.

Depois, há o modelo dos "cinco capitais", articulado por Jonathan Porritt, autor de Capitalism As If The World Matters.

Porritt pede a integração de cinco pilares do capital humano: natural, humano, social, manufaturado e financeiro, nos modelos econômicos existentes.

Um exemplo tangível de onde as empresas estão começando a abraçar "os cinco capitais" é o movimento B-Corporation. As companhias certificadas cumprem a obrigação legal de considerar "o impacto de suas decisões sobre seus trabalhadores, clientes, fornecedores, comunidade e meio ambiente".

Suas fileiras agora incluem grandes corporações como Danone, Patagonia e Ben & Jerry's (que é propriedade da Unilever).

Essa abordagem se tornou cada vez mais comum, refletida em uma declaração de 2019 divulgada por mais de 180 CEOs corporativos, redefinindo "o propósito de uma corporação".
Protesto no Chile fez crescer discussões sobre justiça social em um dos países mais neoliberais do mundo, diz autor — Foto: Getty Images
Protesto no Chile fez crescer discussões sobre justiça social em um dos países mais neoliberais do mundo, diz autor — Foto: Getty Images

Pela primeira vez, os CEOs que representam o Wal-Mart, Apple, JP Morgan Chase, Pepsi e outros reconheceram que devem redefinir o papel dos negócios em relação à sociedade e ao meio ambiente.

Sua declaração propõe que as empresas devem fazer mais do que oferecer benefícios aos seus acionistas.

Além disso, devem investir em seus funcionários e contribuir para a valorização dos elementos humanos, naturais e sociais do capital a que Porritt se refere em seu modelo, ao invés de focar apenas no capital financeiro.

Em uma entrevista recente ao Yahoo Finance sobre o futuro do capitalismo, o CEO da Best Buy, Hubert Joly, disse que "o que aconteceu é que por 30 anos, da década de 1980 a 10 anos atrás, tivemos essa abordagem única sobre os lucros excessivos. Isso causou muitos desses problemas. Precisamos afrouxar esse modelo. Se tivermos uma refundação de negócios, também pode ser uma refundação do capitalismo... Eu acho que isso pode ser feito, tem que ser feito."

Uma nova direção

Mais de três décadas atrás, a Comissão Brundtland das Nações Unidas escreveu no documento "Nosso Futuro Comum" que havia ampla evidência de que os impactos sociais e ambientais são relevantes e devem ser incorporados aos modelos de desenvolvimento.

Ora, é óbvio que essas questões também devem ser consideradas dentro do contrato social que sustenta o capitalismo, para que ele seja mais inclusivo, holístico e integrado aos valores humanos básicos.

Em última análise, vale a pena lembrar que os cidadãos em uma democracia liberal capitalista têm poder.

Coletivamente, eles podem apoiar empresas alinhadas com suas crenças e exigir continuamente novas leis e políticas que transformem o cenário competitivo das empresas para que possam aprimorar suas práticas.

Quando Adam Smith observava o nascente capitalismo industrial, em 1776, ele não podia prever o quanto ele transformaria nossas sociedades hoje. Portanto, era aceitável sermos tão cegos quanto ao que o capitalismo se transformaria nos dois séculos seguintes.

No entanto, isso não significa que não devamos nos perguntar como ele pode evoluir para algo melhor no curto prazo. O futuro do capitalismo e de nosso planeta depende disso.

*Matthew Wilburn King é um consultor internacional e conservacionista baseado no Colorado, Estados Unidos, e presidente e diretor da Common Foundation.

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sábado, 5 de junho de 2021

Entenda os principais pontos do acordo do G7 para tributar multinacionais

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Sete países mais ricos do mundo se comprometeram com um imposto mínimo global para grandes empresas de, pelo menos, 15%, além de ajuda a países pobres e agenda climática.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 05 de junho de 2021 às 17h40m

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O chanceler do Tesouro da Grã-Bretanha, Rishi Sunak, fala em uma reunião de ministros de finanças de todas as nações do G7 antes da cúpula dos líderes do G7, em Londres — Foto: Stefan Rousseau/PA Wire/Pool via REUTERS
O chanceler do Tesouro da Grã-Bretanha, Rishi Sunak, fala em uma reunião de ministros de finanças de todas as nações do G7 antes da cúpula dos líderes do G7, em Londres — Foto: Stefan Rousseau/PA Wire/Pool via REUTERS

As potências do G7 chegaram, neste sábado (5), a um acordo histórico sobre um imposto para as grandes empresas. Além disso, comprometeram-se com as mudanças climáticas, a ajuda aos países pobres e a recuperação da pandemia.

A seguir, veja os principais pontos do comunicado divulgado após o encontro de dois dias em Londres.

1. Rumo a um imposto mínimo global

Esse foi o tema principal do encontro dos países do G7 (Reino Unido, França, Itália, Canadá, Japão, Alemanha e Estados Unidos).

Todos apoiaram uma reforma tributária baseada em dois pilares.

O primeiro pilar define os métodos de tributação dos lucros das empresas e de distribuição mais justa dessas receitas fiscais.

O objetivo é que as multinacionais paguem impostos onde obtêm lucros e não apenas nos países onde estão registradas, os quais, muitas vezes, têm baixa carga tributária.

A medida será aplicada a empresas internacionais com margem de lucro de pelo menos 10%. O acordo estabelece que, acima desse limite, 20% dos lucros obtidos serão tributados nos países em que as empresas operam.

A medida é voltada especialmente aos grandes grupos de tecnologia americanos, que estão colhendo lucros recordes e, em muitos casos, se beneficiando com a pandemia.

2. Alíquota mínima

O segundo pilar prevê uma taxa mínima global de imposto sobre as empresas de, pelo menos, 15%, a fim de criar regras comuns e evitar a concorrência fiscal excessiva.

O comunicado não diz se os países que já têm um imposto sobre os gigantes digitais, como o Reino Unido, terão que abandoná-lo para abrir caminho para a reforma. Mas o ministro das Finanças britânico, Rishi Sunak, disse que essa era a intenção de Londres.

Apesar do acordo histórico, o projeto ainda não foi concluído e o G7 da Finanças está pressionando por um acordo na reunião do G20, que será realizada na Itália em julho.

"Este é um momento histórico, mas não é o fim da estrada", disse Sunak.

3. Agenda climática

A mudança climática é outro grande tema da agenda do G7 e deve ser abordada na cúpula de chefes de Estado e de Governo que acontecerá na próxima semana na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra.

O G7 das Finanças apoia o plano de obrigar as empresas a divulgar seus riscos climáticos.

Trata-se de uma ferramenta fundamental na transição energética que deve permitir que os investidores tenham mais informações ao financiar grandes grupos.

Um acordo mais amplo poderia ser alcançado na conferência climática COP26, a ser realizada em Glasgow no final do ano.

Os ministros das Finanças do G7 também são a favor de um ajuste dos padrões globais de contabilidade para harmonizar a publicação desses riscos relacionados ao clima.

Por fim, aplaudem a futura criação de um grupo de trabalho para incentivar as empresas a divulgar seu impacto não só no clima, mas também na natureza

4. Ajuda aos países pobres

O G7 continua comprometido em ajudar os países mais vulneráveis a se recuperarem da crise de saúde.

Aprova a nova atribuição de direitos de saques especiais do FMI no valor de US$ 650 bilhões.

Essa emissão, a primeira desde a crise financeira de 2008, aumentará a capacidade de empréstimo do FMI.

Os ministros também acolhem favoravelmente os esforços do Banco Mundial para melhorar o acesso às vacinas nos países pobres.

5. Recuperação econômica após crise sanitária

O comunicado final reitera o compromisso dos membros do G7 de continuar ajudando a recuperação de suas economias, conforme a atividade econômica melhora e as restrições sanitárias são suspensas.

Assim que a recuperação estiver em curso, pretendem garantir que as finanças públicas estejam em condições de responder a crises futuras.

A única maneira de sair da pandemia, dizem, é por meio da implantação massiva de vacinas e testes em escala global.

Os ministros da Saúde do G7 se comprometeram na sexta-feira a compartilhar as doses com os países em desenvolvimento por meio do programa internacional Covax.

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