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terça-feira, 11 de maio de 2021

IPCA: inflação desacelera em abril, mas atinge 6,76% em 12 meses e segue acima do teto da meta

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Taxa ficou em 0,31% no mês passado, ante 0,93% em março. Principal pressão em abril veio da alta nos preços dos remédios. Carnes acumulam alta de 35% em 12 meses. Já a gasolina teve 1ª queda depois de 10 meses seguidos de alta.
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1 — São Paulo e Rio de Janeiro

Postado em 11 de maio de 2021 às 10h00m

 .*  Post. N. = 0.268  *. 

Inflação de abril fica em 0,31%, diz IBGE
Inflação de abril fica em 0,31%, diz IBGE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,31% em abril, abaixo da taxa de 0,93% registrada em março, conforme divulgado nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar de ter perdido força, no acumulado em 12 meses o IPCA subiu para 6,76%, chegando ao nível mais alto em quase quatro anos e meio e permanecendo acima do teto da meta do governo para a inflação no ano – o centro da meta é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

"No ano, o índice acumula alta de 2,37% e, em 12 meses, de 6,76%, acima dos 6,10% observados nos 12 meses imediatamente anteriores", informou o IBGE.

Inflação oficial fica em 0,31% em abril — Foto: Economia/G1
Inflação oficial fica em 0,31% em abril — Foto: Economia/G1

Em 12 meses, IPCA atinge máxima em 4 anos e meio

A taxa acumulada em 12 meses é mais alta desde novembro de 2016, quando ficou em 6,99%. Naquele ano, porém, o teto da meta de inflação era de 6,5%.

O resultado de abril veio dentro do esperado. Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,30%.

Indicador acumulado em 12 meses segue acima do teto da meta do Banco Central — Foto: Economia/G1
Indicador acumulado em 12 meses segue acima do teto da meta do Banco Central — Foto: Economia/G1

Veja o resultado para cada um dos grupos pesquisados

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta de preços em abril. O maior avanço foi em Saúde e cuidados pessoais (1,19%). Já a inflação de alimentos e bebidas (0,40%) teve o segundo maior impacto no índice e acelerou em relação ao mês anterior (0,13%). Confira abaixo:

  • Alimentação e bebidas: 0,40%
  • Habitação: 0,22%
  • Artigos de residência: 0,57%
  • Vestuário: 0,47%
  • Transportes: -0,08%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,19%
  • Despesas pessoais: 0,01%
  • Educação: 0,04%
  • Comunicação: 0,08%
Remédios mais caros

A principal pressão em abril, segundo o IBGE, veio da alta nos preços dos produtos farmacêuticos, com alta de 2,69% e impacto de 0,09 ponto percentual no IPCA de abril.

No dia 1º de abril, o governo autorizou o reajuste de até 10,08% no preço dos medicamentos, dependendo da classe terapêutica.

A maior variação nos produtos farmacêuticos veio dos remédios anti-infecciosos e antibióticos (5,20%). Houve alta também em produtos como perfumes (3,67%), artigos de maquiagem (3,07%), papel higiênico (2,90%) e produtos para cabelo (1,21%).

Carnes acumulam alta de 35% em 12 meses

Já nos alimentos, os principais impactos em abril partiram das proteínas, em especial carnes (1,01%), leite longa vida (2,40%), frango em pedaços (1,95%). Em 12 meses, as carnes acumulam alta de 35%.

Isso tem a ver com os custos de produção, sobretudo por causa da ração animal, produzida com milho e soja, que são commodities que estão com os preços em alta, explicou o gerente da pesquisa.

Outra alta relevante no mês foi do preço médio do tomate (5,46%).

No lado das quedas, as frutas (-5,21%) foram o principal destaque. Já a alimentação fora do domicílio desacelerou (0,23%), após subir 0,89% no mês anterior.

Preço das carnes dispara mais uma vez e consumidor diminui compra
Preço das carnes dispara mais uma vez e consumidor diminui compra

Combustíveis têm deflação

Apenas o grupo transportes (-0,08%) registrou queda de preços em abril, favorecido pela deflação nos combustíveis (-0,94%). O gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, lembrou que foi justamente este grupo que, nos dois meses anteriores, havia puxado a inflação no país.

Após 10 meses consecutivos de alta, a gasolina recuou 0,44% em abril. Mas a queda mais intensa no grupo veio do etanol (-4,93%).

"Nós tivemos, em abril, uma queda de quase 5% no preço do etanol e de 0,44% da gasolina, que é o item de maior peso no IPCA", apontou o pesquisador. Ele lembrou, ainda, que o preço médio da gasolina havia aumentado em 11% em março.

Em 12 meses, gasolina e etanol ainda acumulam avanço de 35,57% e 37,61%, respectivamente.

Já o gás de botijão (1,15%) registrou, em abril, a 11ª alta consecutiva, acumulando avanço de 21,11% em 12 meses.

Inflação de serviços desacelera

A inflação de serviços também desacelerou na passagem de março para abril – de 0,12% para 0,05%. Dentre os principais serviços investigados pelo IBGE, transporte por aplicativo foi o que apresentou o maior recuo (-11,12%).

Já os maiores aumentos de preços foram observados nas passagens aéreas e aluguel de veículos – respectivamente de 6,41% e 6,20%. Apesar da alta em abril, as passagens aéreas ainda acumulam queda de quase 20% (19,37%) em 12 meses.

Inflação por regiões do país

Todas as áreas investigadas pelo IBGE apresentaram variação positiva no mês. O menor índice foi observado em Brasília (0,11%). Já o maior resultado ocorreu em Rio Branco (1,06%). Em São Paulo, o indicador ficou em 0,75% e no Rio de Janeiro, em 0,63%.

INPC tem alta de 0,38% em abril

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado como referência para reajustes salariais e benefícios do INSS, ficou em 0,38% em abril, ante 0,86% em março.

No ano, o indicador acumula alta de 2,35% e, nos últimos doze meses, de 7,59%, acima dos 6,94% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Meta de inflação e estimativas do mercado

A meta central do governo para a inflação em 2021 é de 3,75%, e o intervalo de tolerância varia de 2,25% a 5,25%. Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que agora está em 3,50% ao ano.

Na semana passada, o Banco Central elevou a taxa básica de juros Selic em 0,75 ponto percentual e indicou a intenção de fazer novo aperto da mesma magnitude em sua próxima reunião, marcada para junho.

Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1
Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1

Por ora, os analistas das instituições financeiras projetam para o ano uma inflação de 5,06%, portanto abaixo do teto, conforme aponta a última pesquisa Focus do Banco Central. O mercado mantém a expectativa para a taxa Selic em 5,5% ao ano, o que pressupõe novas altas do juro básico.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central avaliou nesta terça-feira, na ata da sua última reunião, que a despeito da intensidade da segunda onda da pandemia ter sido maior que a esperada, o segundo semestre do ano deve mostrar uma "retomada robusta da atividade, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente".

Na avaliação do economista da Necton, André Perfeito, a inflação no momento atual é eminentemente de custos e dificilmente a política monetária poderá, sozinha, dar conta dos desafios. " A aposta do BCB, reiterada na ata divulgada hoje pela instituição, é que a alta recentemente observada é transitória. Vemos com mais ceticismo este fenômeno uma vez que com as principais economias em alta o choque em commodities deve continuar", avaliou.

Em 2020, a inflação fechou em 4,52%, acima do centro da meta do governo, que era de 4%. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Mercado eleva previsão de inflação para 5,06% em 2021
Mercado eleva previsão de inflação para 5,06% em 2021

sábado, 8 de maio de 2021

Vendas e produção de veículos disparam ante abril de 2020, aponta Anfavea

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Na comparação com março, no entanto, houve queda de 7,5% nas vendas. No acumulado nos 4 primeiros meses do ano, crescimento é de 14,5%.
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TOPO
Por Valor Online

Postado em 08 de maio de 2021 às 11h15m

 .*  Post. N. = 0.267  *. 

Produção de veículos na fábrica da Stellantis em Goiana (PE) — Foto: Divulgação/Stellantis
Produção de veículos na fábrica da Stellantis em Goiana (PE) — Foto: Divulgação/Stellantis

As vendas e a produção de veículos cresceram em abril, segundo dados divulgados besta sexta-feira (7) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Numa base de comparação muito fraca, o aumento na venda de veículos no Brasil em abril reflete o forte impacto do início da pandemia, há um ano, na atividade da indústria automobilística no país. O licenciamento de 175,1 mil veículos em abril representou um avanço de 214,2% na comparação com o mesmo mês de 2020.

Na comparação com março de 2021, no entanto, houve queda, de 7,5%.

Durante a apresentação do desempenho do setor no quadrimestre, que acontece neste momento, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos de Moraes, lembrou que abril teve três dias menos que março, o que traz impacto no licenciamento diário.

No acumulado do ano, a venda de 703 mil veículos, um crescimento de 14,5%, também revela a paralisação das linhas de produção e das vendas nessa época em 2020.

Salto na produção

A produção de veículos estava quase que completamente paralisada há um ano. Por isso, a produção de abril deste ano deu o impressionante salto de 10.236,1% na comparação com o mesmo mês de 2020.

No quarto mês de 2020, foram produzidos apenas 1,8 mil veículos e, em abril de 2021, 190,9 mil. unidades. Na comparação com março, porém, houve queda de 4,7%.

No acumulado do ano, houve um crescimento também expressivo, de 34,2%, com 788,7 mil veículos produzidos no primeiro quadrimestre.

O presidente da Anfavea considerou os resultados positivos para um setor que enfrenta dificuldades de produção em razão da falta de componentes, principalmente os semicondutores.

Isso tem provocado redução nos estoques. Com 97,1 mil veículos nos pátios das fábricas e das concessionárias, o estoque do setor atende a 17 dias de vendas, menos da metade do que numa situação normal.

Exportações

O resultado das exportações de veículos no Brasil em abril trouxe crescimento expressivo, de 369,7%, na comparação com o mesmo mês de 2020. Mas isso revela apenas uma base de comparação muito baixa em período em que toda a atividade econômica sofreu paralisações com o início da pandemia.

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, exibiu durante a apresentação dos resultados do setor gráficos que revelam a baixa posição do Brasil no ranking dos exportadores de veículos.

O país ocupa a 26ª posição entre os países que vendem veículos ao exterior, atrás de duas nações pequenas como Portugal e Emirados Árabes Unidos. Com US$ 158 bilhões em receita com vendas externas em 2019, a Alemanha, primeira colocada do ranking exportou o equivalente a 27 vezes mais que o Brasil, com US$ 5,8 bilhões.

A receita com exportação de veículos somou US$ 655 milhões em abril, uma alta de 359,2% ante mesmo mês de 2020.

Empregos

O nível de emprego praticamente não se alterou na indústria de veículos de março para abril, mas, em relação a abril de 2020, houve uma retração de 1,8%.

As fábricas de veículos instaladas no Brasil terminaram o quarto mês de 2021 com 104,6 mil empregados. Em 2019, eram 109,3 mil. Em 2018, 112,2 mil pessoas estavam empregadas na indústria de veículos.

O emprego em nosso setor é de alta qualidade e treinamento; mas só podemos ter uma retomada robusta da atividade com a vacinação da população e a agenda das reformas, destacou o presidente da Anfavea.

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quinta-feira, 6 de maio de 2021

Vendas da B2W quase dobram no primeiro trimestre, mas prejuízo cresce

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Dona dos sites Submarino e Americanas.com teve alta de 90,4% nas vendas brutas totais.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 06 de maio de 2021 às 2340

 .*  Post. N. = 0.266  *. 

Submarino, empresa do grupo B2w — Foto: Divulgação
Submarino, empresa do grupo B2w — Foto: Divulgação

A B2W teve forte aumento das vendas no primeiro trimestre, ainda sob impulso do comércio eletrônico na esteira das medidas de isolamento social, mas seu prejuízo cresceu diante de maiores subsídios para fretes grátis.

O grupo de comércio eletrônico anunciou nesta quinta-feira (6) que teve prejuízo líquido de R$ 163,6 milhões no primeiro trimestre, perda maior do que os R$ 108 milhões em igual período de 2020.

A companhia, dona dos sites Submarino e Americanas.com, informou ainda que teve alta de 90,4% nas vendas brutas totais (GMV, na sigla em inglês) ano a ano, a R$ 8,68 bilhões.

A empresa, que no mês passado anunciou proposta de combinação de negócios com a Lojas Americanas para criação da companhia a ser listada em bolsa nos Estados Unidos, reportou receita líquida de R$ 2,94 bilhões no trimestre, crescimento de 73,5% em um ano.

Por outro lado, as despesas gerais ajustadas somaram R$ 808 milhões, representando 9,3% das vendas totais, um aumento de 0,5 ponto percentual ano a ano, refletindo investimentos maiores em entrega gratuita. Só as despesas com vendas dispararam 130%.

Assim, o resultado operacional medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 129,4 milhões, alta de 1,4% em 12 meses.

No trimestre, o consumo de caixa foi de R$ 897,4 milhões, um aumento de 38,9% em um ano, com a companhia atribuindo essa evolução a fatores sazonais e ao aumento dos estoques.

"Para os próximos trimestres e para o ano como um todo, reforçamos nosso compromisso de seguir gerando caixa", afirmou a B2W no relatório.

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quarta-feira, 5 de maio de 2021

Produção industrial cai 2,4% em março e setor fecha 1º trimestre com retração

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Nos 3 primeiros meses do ano, setor teve queda de 0,4%, na comparação com o 4º trimestre, interrompendo dois trimestres seguidos de recuperação. Resultado de março foi pressionado principalmente pelo tombo de 8,4% na produção de veículos automotores.
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1

Postado em 05 de maio de 2021 às 10h00m

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Produção de veículos na fábrica da Stellantis em Goiana (PE); segundo o IBGE, segmento teve queda de 8,4% em março — Foto: Divulgação/Stellantis
Produção de veículos na fábrica da Stellantis em Goiana (PE); segundo o IBGE, segmento teve queda de 8,4% em março — Foto: Divulgação/Stellantis

produção industrial brasileira caiu 2,4% em março, na comparação com fevereiro, segundo divulgou nesta quarta-feira (5) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da segunda queda mensal seguida e de um recuo mais intenso do que o observado em fevereiro (-1%), quando houve a interrupção de uma trajetória de 9 meses consecutivos de recuperação.

Na comparação com março de 2020, porém, houve alta de 10,5% – sétima taxa positiva consecutiva nessa base de comparação.

Indústria registra, em março, segundo queda seguida — Foto: Economia/G1
Indústria registra, em março, segundo queda seguida — Foto: Economia/G1

Indústria perde o que ganhou em 9 meses

Com o resultado de março, o setor industrial encontra-se 16,5% abaixo do patamar recorde registrado em maio de 2011, voltando para o nível "exatamente igual ao pré-pandemia, ou seja, àquele observado em fevereiro de 2020", destacou o gerente da pesquisa, André Macedo.

O pesquisador lembrou que, de maio de 2020 a janeiro de 2021, houve ganho acumulado de 40,1%, o que fez a produção industrial superar o patamar pré-pandemia. "Com as perdas de fevereiro e março deste ano, nós zeramos esse acumulado que tinha até o mês de janeiro", explicou.

A interrupção da trajetória de recuperação da indústria acontece em meio à intensificação das medidas para frear o avanço da pandemia de coronavírus.

Esses dois resultados negativos têm como pano de fundo o próprio recrudescimento da pandemia. Isso faz com que haja maior restrição das pessoas, o que provoca a interrupção das jornadas de trabalho, paralisações de plantas industriais e atrapalha toda a cadeia produtiva, levando ao encarecimento e à falta de insumos para o processo produtivo. Isso afeta o processo de produção como um todo, destacou o gerente da pesquisa. 
Queda de 0,4% no 1º trimestre e perda de 3,1% em 12 meses

Com o resultado, a indústria encerrou o primeiro trimestre do ano com queda de 0,4% na comparação com o 4º trimestre de 2020.

Essa queda interrompe dois trimestres seguidos de crescimento, enfatizou Macedo.

Indústria encerra 1º trimestre de 2021 com queda na produção — Foto: Economia/G1
Indústria encerra 1º trimestre de 2021 com queda na produção — Foto: Economia/G1

Já na comparação com os 3 primeiros meses de 2020, houve alta de 4,4%. "Esse resultado acentua o crescimento observado no 4º trimestre de 2020, que teve alta de 3,4%. Estes dois trimestres de crescimento interromperam uma sequência de oito trimestres seguidos de taxas negativas nesta base de comparação [trimestre contra trimestre imediatamente anterior]", enfatizou o pesquisador.

Em 12 meses, o setor acumula uma perda de 3,1%, com taxas negativas em 11 das 26 atividades industriais. O IBGE destacou, porém, que a taxa nesta métrica foi a menos intensa desde abril de 2020 (-2,9%).

desempenho da indústria em março, porém, foi melhor do que o esperado. As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de queda de 3,5% na variação mensal e de alta de 7,6% na base anual.

Produção de veículos recua 8,4%

A retração da indústria em março foi disseminado, alcançando 3 das 4 quatro das grandes categorias econômicas e 15 dos 26 ramos pesquisados.

15 dos 26 ramos industriais pesquisados pelo IBGE tiveram queda em março — Foto: Divulgação/IBGE
15 dos 26 ramos industriais pesquisados pelo IBGE tiveram queda em março — Foto: Divulgação/IBGE

Entre as atividades, a maior pressão negativa veio de veículos automotores, reboques e carrocerias (-8,4%), terceiro resultado negativo consecutivo nessa comparação, acumulando perda de 15,8% no período.

Outras quedas expressivas foram observadas na produção de artigos do vestuário e acessórios (-14,1%), de outros produtos químicos (-4,3%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,4%), de couro, artigos para viagem e calçados (-11,2%), de produtos de borracha e de material plástico (-4,5%), de bebidas (-3,4%), de móveis (-9,3%), e de produtos têxteis (-6,4%).

Na outra ponta, as altas com maior impacto no resultado do mês partiram do crescimento na produção, indústrias extrativas (5,5%), outros equipamentos de transporte (35,0%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,7%).

Análise por grandes categorias

Entre as grandes categorias econômicas, a queda mais intensa foi em bens de consumo semi e não duráveis (-10,2%), que inclui a produção de alimentos, bebidas, calçados e produtos têxteis e combustíveis.

Os segmentos de bens de consumo duráveis (-7,8%) e bens de capital (-6,9%) também recuaram em março. Já o setor produtor de bens intermediários (0,2%) foi o único a registrar avanço.

Das quatro grandes categorias da indústria, somente as de bens intermediários e bens de capital superaram em março o patamar pré-pandemia – estão, respectivamente, 4,2% e 9% acima do observado em fevereiro do ano passado. Já bens de consumo semiduráveis e não duráveis se encontra e bens de consumo duráveis ficaram com o patamar, respectivamente, 8,6% e 12,1% abaixo do pré-pandemia.

Repercussão e perspectivas

"Estes dados confirmam mais uma vez que o PIB do 1º trimestre deve recuar de fato, mas lembramos que a perspectiva era já de queda devido, entre outras coisas, a piora da pandemia e as medidas de isolamento social", avaliou o economista-chefe da Necton, André Perfeito.

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o resultado de março mostrou que "a recuperação em 'V' da indústria durou pouco""A entrada de 2021, com a piora da pandemia e o fim dos programas emergenciais em um quadro dramático do emprego, inaugurou uma nova fase de retrocesso para o setor. Com isso, tudo aquilo que vinha sendo conquistado em termos de retomada da produção ficou comprometido", avaliou em nota.

Apesar da perda de fôlego da economia neste começo de ano, a indústria segue como um dos setores com melhor performance de recuperação. De acordo com Sondagem da FGV, a indústria continua sendo o único setor a registrar níveis elevados de confiança entre os empresários.

Além da demanda fraca e queda da renda das famílias, o também tem sido pressionado pelo aumento de preços de insumos. A inflação da indústria ficou em 4,78% em março e atingiu taxa recorde de 33,52% em 12 meses, indicando que as margens de lucro estão comprimidas e que os empresários não estão conseguindo repassar os custos aos preços.

Os economistas do mercado financeiro estimam atualmente uma taxa de 5,04% para o IPCA (inflação oficial do país) em 2021. Para o PIB (Produto Interno Bruto), a previsão é de crescimento de 3,14% no ano. Para boa parte dos analistas, porém, a economia deve registrar retração no 1º semestre.

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terça-feira, 4 de maio de 2021

Endividamento dos mais pobres cresce e volta a patamar recorde

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Em abril, 22,3% dos brasileiros com renda de até R$ 2.100 estavam se endividando, aponta um levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas. População mais pobre tem sido afetada pela queda no valor do Auxílio Emergencial e pela fraqueza do mercado de trabalho.
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Por Luiz Guilherme Gerbelli, G1

Postado em 04 de maio de 2021 às 10h30m

 .*  Post. N. = 0.264  *. 

Com a redução do valor do Auxílio Emergencial e o mercado de trabalho afetado pela pandemia de coronavírus, o endividamento dos brasileiros mais pobres deu um salto e voltou a patamar recorde.

Em abril, 22,3% da população com renda de até R$ 2.100 se dizia endividada, segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Esse mesmo patamar de endividamento para a classe mais baixa só foi observado em junho de 2016, quando o Brasil enfrentava uma combinação de crise política e econômica por causa do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A série histórica do levantamento do Ibre começa em maio de 2009.

Corda no pescoço — Foto: Economia/G1
Corda no pescoço — Foto: Economia/G1

Nos últimos meses, o endividamento cresceu para todas as faixas de renda, mas o quadro tem sido dramático para os mais pobres porque a capacidade desse grupo de construir uma poupança precaucional – recursos destinados para algum imprevisto – é bem menor.

"Na verdade, não é nem uma poupança. É guardar um dinheiro este mês para poder pagar as suas contas no mês que vem e ter um pouco mais de tranquilidade", diz Viviane Seda, pesquisadora do Ibre.

Numa análise mais detalhada por faixa de renda, apenas 3,9% dos brasileiros com ganho superior a R$ 9.600 afirmam estar se endividando. (Veja tabela abaixo)

O vídeo abaixo mostra iniciativa de mais de 50 empresas para oferecer desconto no pagamento de contas em atraso.

Vídeo de abril mostra iniciativa que reúne mais de 50 empresas que oferecem descontos para quem tem contas em atraso
Vídeo de abril mostra iniciativa que reúne mais de 50 empresas que oferecem descontos para quem tem contas em atraso


Endividamento por faixa de renda — Foto: Economia G1
Endividamento por faixa de renda — Foto: Economia G1

O aumento do endividamento marca uma importante mudança de trajetória. No ano passado, com as parcelas de R$ 600 do Auxílio Emergencial, muitas famílias conseguiram ter o mínimo para sobreviver durante a pandemia e até puderam equilibrar o seu orçamento doméstico.

"A capacidade das famílias de baixa renda de construir uma poupança foi se esgotando conforme houve uma interrupção de vários programas do governo", afirma Viviane.

Para a maioria da população, o governo pagou a primeira rodada do auxílio emergencial até dezembro do ano passado. O benefício voltou em abril deste ano, mas num formato bem mais enxuto. Em 2020, o auxílio custou quase R$ 300 bilhões. Neste ano, está orçado em R$ 44 bilhões.

Oito em cada 10 famílias de classe média perdem renda, na pandemia
Oito em cada 10 famílias de classe média perdem renda, na pandemia

Auxílio é alívio na compra do mês

Em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, Railane Santana, de 32 anos, sabe bem o que é integrar o grupo dos endividados no país. Ela e o marido – que trabalha com cerâmica – têm uma renda mensal de R$ 2 mil e carregam uma dívida que chega a R$ 20 mil em dois bancos.

"Eu fui usando o cartão de crédito para comprar o enxoval da minha filha. Só que eu fiquei desempregada há um ano e meio e não consigo pagar mais nada", conta Railane. Antes de perder o emprego, ela trabalhava como babá e manicure.

Railane Santana, de 32 anos, está desempregada e tem uma dívida de R$ 20 mil — Foto: Acervo Pessoal
Railane Santana, de 32 anos, está desempregada e tem uma dívida de R$ 20 mil — Foto: Acervo Pessoal

Beneficiária do Bolsa Família, hoje ela recebe o Auxílio Emergencial. É com o dinheiro que chega pelo benefício que ela faz as compras do mês.

O que entra da renda do trabalho do marido vai para uma casa que os dois reformam, também em Paraisópolis. Até ela ficar pronta, Railane, o marido e a filha de dois anos moram com a cunhada.

"Assim que eu recebo o auxílio, eu faço a compra do mês. Não dá uma compra completa porque sempre falta alguma coisa, mas dá pra comprar o básico", afirma Railane .

"Quando eu conseguir emprego, eu vou pegar a proposta que eles (bancos) dão e vou tentar pagar essa dívida em parcelas mínimas. Eu até já recebi uma proposta boa para quitar a dívida, mas desempregada não tem como", diz.

Quadro deve piorar

A fraqueza da atividade econômica e, consequentemente do mercado de trabalho, deve fazer com que o orçamento das famílias ainda continue bastante fragilizado.

Os últimos dados mostram a taxa de desocupação do país em 14,4%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o maior patamar já registrado. São 14,4 milhões de desempregados.

"No ano passado, a renda do emprego foi compensada pelo Auxílio Emergencial, mas este ano deve ser apenas parcialmente compensada", afirma Luiz Rabi, economista da Serasa. "Isso gera um buraco no orçamento das famílias."

Desemprego atinge 14,4 milhões de brasileiros e bate recorde
Desemprego atinge 14,4 milhões de brasileiros e bate recorde

De fevereiro para março, a Serasa computou mais de 1 milhão de inadimplentes no país, para 62,56 milhões de pessoas. Foi o segundo maior avanço mensal de toda a série histórica.

"Esse aumento de março foi um sinal de que a tendência de alta continua ao longo do ano", afirma Rabi. "Nos primeiros seis meses deste ano, a inadimplência vai para cima."

No recorte por setor, a inadimplência apurada pelo Serasa é maior nos gastos com cartão de crédito e em contas básicas, como água e luz.

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