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terça-feira, 16 de março de 2021

Brasileiros dizem que país deve ter indústria forte e que setor precisa de apoio, diz estudo

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De acordo com o levantamento realizado pela CNI, para a população, a indústria segue como o setor mais importante para o crescimento do país.
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Por G1

Postado em 16 de março de 2021 às 23h05m

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Linha de montagem da Fiat em Betim  — Foto: Patrícia Fiúza/G1
Linha de montagem da Fiat em Betim — Foto: Patrícia Fiúza/G1

Os brasileiros acreditam que o país deve ter como prioridade uma indústria forte e que o setor precisa de apoio e é importante na criação de empregos.

Os dados integram uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional Indústria (CNI) nesta quarta-feira (17). Os principais pontos do levantamento são:

  • 97% da população avalia que, para a economia do Brasil crescer, é necessário que a indústria também cresça; e
  • 94% dos entrevistados concordam totalmente ou em parte que o Brasil precisa investir mais em sua indústria.

O levantamento da CNI ouviu 2 mil pessoas entre os dias 5 e 8 de dezembro do ano passado. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

A pesquisa apontou que, na avaliação da população, a indústria segue como o setor mais importante para o crescimento do país, embora essa percepção tenha recuado nos últimos anos.

Em 2020, 24% dos entrevistados classificaram a indústria como o setor mais importante para o crescimento, seguida pela agricultura, citada por 22%. Em 2014, essa relação era de 33% e 17%, respectivamente.

Setores mais importantes para a economia — Foto: Economia G1
Setores mais importantes para a economia — Foto: Economia G1

Competitividade

O levantamento mostrou que os brasileiros reconhecem a dificuldade da indústria. Segundo a CNI, 85% dos entrevistados concordam totalmente ou em parte que a indústria brasileira enfrenta custos elevados.

A pesquisa capturou ainda que 79% da população concorda totalmente ou em parte que o setor industrial brasileiro prejudicado pela concorrência com produtos importados.

"Apesar de reconhecer os problemas enfrentados pela Indústria brasileira, 68% concordam totalmente ou em parte que a Indústria brasileira é capaz de concorrer com as de outros países. Em 2014, 71% concordavam total ou parcialmente com essa afirmativa, de modo que se verifica uma oscilação para baixo, mas dentro da margem de erro da pesquisa", destacou o estudo da CNI. 
Emprego

A pesquisa também relevou que a indústria aparece na segunda posição (16%) como o setor preferido para iniciar a carreira. A liderança é do comércio (22%).

Em 2014, a liderança era da indústria (23%), seguida pela administração pública (18%).

Setor preferido para iniciar a carreira profissional — Foto: Economia G1
Setor preferido para iniciar a carreira profissional — Foto: Economia G1

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segunda-feira, 15 de março de 2021

'Chego com experiência, mas querem juventude': desemprego entre mais velhos dispara com pandemia

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Taxa de desemprego dos brasileiros com 50 anos ou mais superou 7% pela primeira vez em 2020. Em um ano, mais de 400 mil brasileiros nessa faixa etária entraram no desemprego, segundo dados do IBGE.
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TOPO
Por BBC

Postado em 15 de março de 2021 às 11h25m

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Alberto Gobato Filho trabalhou por 35 anos em uma empresa têxtil, onde entrou como auxiliar de almoxarifado e saiu como gerente de compras — Foto: Arquivo Pessoal/Alberto Gobato
Alberto Gobato Filho trabalhou por 35 anos em uma empresa têxtil, onde entrou como auxiliar de almoxarifado e saiu como gerente de compras — Foto: Arquivo Pessoal/Alberto Gobato

A foto informal de um homem de 58 anos, concentrado no notebook, na mesa da sala de casa, acompanhado por uma cadelinha, chamou atenção na rede social onde geralmente aparecem os engravatados. Foram mais de 110 mil reações em menos de uma semana.

A autora da postagem chamava atenção para o fato de o pai dela estar, às 22h, dedicado a um processo seletivo — o primeiro que ele conseguiu ingressar nos últimos dois anos e meio, ela escreveu.

"Não sei se ele vai conseguir passar, estou torcendo muito! Afinal, ele tem 58 anos e sabemos como o mercado é competitivo e tem baixas oportunidades para essa faixa etária, mas a vaga do meu coração ele já preencheu!", escreveu Flávia Gobato no LinkedIn.

O pai fotografado é Alberto Gobato Filho, de 58 anos. Ele passou 35 anos trabalhando em uma empresa têxtil, onde entrou como auxiliar de almoxarifado, aos 18 anos, e saiu como gerente de compras. Ele chegou a trabalhar por períodos mais curtos em outras duas empresas, mas agora procura recolocação no mercado.

O sucesso da postagem reflete uma busca que hoje é comum para mais famílias. Do fim de 2019 até o fim de 2020, mais 400 mil brasileiros com idades a partir de 50 anos passaram a ser desempregados, segundo dados oficiais.

Se for considerado o aumento da taxa desde 2012, quando tem início a série histórica, a alta do desemprego foi proporcionalmente maior para o grupo de 50 anos ou mais, segundo levantamento do IDados feito a pedido da BBC News Brasil com base na Pnad Contínua (veja mais dados abaixo). Em 2020, ano que surgiu a pandemia de coronavírus, a taxa de desemprego para esta faixa etária superou 7% pela primeira vez.

E o que é mais difícil quando se procura emprego aos 58? "É a idade. A tecnologia, isso está aberto para todo mundo, é questão de aprender e se adaptar", respondeu Gobato, em conversa por telefone com a BBC News Brasil.

Morador de São Carlos, no interior de São Paulo, ele se aposentou no fim de 2015, mas conta que houve uma queda na renda. Quase metade da aposentadoria, ele diz, vai só para o plano de saúde dele e da esposa.

"Busco um complemento de renda. Poderia ser útil em algum lugar, quem sabe mesclando minha experiência com a de profissionais mais jovens, com o ímpeto da juventude, e a gente estaria ali para balancear."

Na mesma casa, ele vê dois extremos: o filho sentindo a dificuldade de ser um jovem recém formado na busca por uma colocação no mercado e ele, aposentado, procurando uma recolocação.

"Se ele vai buscar uma colocação no mercado, falta-lhe a experiência. No meu caso, eu chego com a experiência, e falta-me a juventude."

Mensagem publicada por Flavia Gobato, filha de Alberto, no LinkedIn — Foto: Reprodução/LinkedIn
Mensagem publicada por Flavia Gobato, filha de Alberto, no LinkedIn — Foto: Reprodução/LinkedIn

Gobato conta que sente que a idade é uma barreira na visão dos empregadores, que podem contratar mais jovens por salários mais baixos e que, na avaliação dele, muitas vezes não se sentem confortáveis em contratar alguém com mais tempo de experiência. Por outro lado, ele diz que não pensa em um prazo para deixar o mercado de trabalho.

"Não faço plano de parar, não. Tenho dois filhos, já formados, mas a gente gosta de se sentir útil. A gente mantendo o tempo ocupado, a cabeça trabalhando… até quando eu tiver saúde e se não tiver atrapalhando, eu gostaria de estar trabalhando", diz. "A gente não quer ostentar luxo. Quero ter uma vida normal, uma vida tranquila."

Com o sucesso inesperado da postagem na rede social, os dias seguintes ao compartilhamento foram cheios de mensagens de apoio à empreitada de Gobato. Ele conta que recebeu até a ligação de uma pessoa de 72 anos, que vive em Portugal, e quis dividir a própria experiência com ele. "Conversamos mais de uma hora. Nunca vi a pessoa na vida", conta.

"Fiquei surpreso com a repercussão. As pessoas se solidarizaram ou se espelharam, muitas delas, na busca pela recolocação no mercado, que muitas estão sentindo na pele."

A foto postada pela filha de Alberto em rede social, na qual ele aparece na sala de casa com a cachorrinha, Helô — Foto: Arquivo Pessoal/Alberto Gobato
A foto postada pela filha de Alberto em rede social, na qual ele aparece na sala de casa com a cachorrinha, Helô — Foto: Arquivo Pessoal/Alberto Gobato

Recorde de desemprego até para os mais velhos

A taxa de desemprego de pessoas com 50 anos ou mais no Brasil chegou ao seu nível mais alto em 2020, quando ultrapassou 7% pela primeira vez desde 2012, quando começa a série histórica da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em um ano, do fim de 2019 até o fim de 2020, mais de 400 mil brasileiros nessa faixa etária caíram no desemprego.

O movimento de alta no desemprego para essa idade nos últimos anos acompanha a piora registrada para as demais faixas etárias. No entanto, chama atenção que, proporcionalmente, o aumento da taxa de desemprego foi maior para o grupo de 50 anos ou mais, conforme mostra levantamento elaborado, a pedido da BBC News Brasil, pelo economista Bruno Ottoni, pesquisador do IDados e do Ibre/FGV, com base na Pnad Contínua.

Para quem tem 50 anos ou mais, a taxa de desemprego saltou de 2,7% no último trimestre de 2012 para 7,2% no fim de 2020. No mesmo período, a taxa de desemprego das pessoas com menos de 24 anos passou de 15,1% para 31,4% e, para quem tem de 25 a 49 anos, subiu de 5,6% para 12,2%.

Desemprego entre mais velhos — Foto: BBC
Desemprego entre mais velhos — Foto: BBC

Comparado às outras faixas etárias, o nível de desemprego entre os mais velhos é historicamente mais baixo, porque muitas vezes eles já estão empregados ou já recebem outro tipo de renda, como aposentadoria ou pensão, e deixaram o mercado de trabalho. E aqui é importante lembrar que, para uma pessoa ser considerada desempregada nos dados do IBGE, não basta não ter um emprego: tem que ser uma pessoa que não está trabalhando e que está disponível e procurando um trabalho.

Embora a pandemia de coronavírus tenha afetado fortemente o mercado de trabalho, é verdade também que antes dela a taxa de desemprego não estava em seus patamares mais baixos.

Ottoni lembra que a crise gerada pela pandemia chegou em um cenário que já não era muito bom. Ele destaca que a taxa de desemprego havia atingido níveis recordes há cerca de três anos e caiu muito lentamente "porque a recuperação econômica que aconteceu após crise de 2015 e 2016 não foi super acentuada".

"Depois da crise anterior, a taxa de desemprego caiu, mas permaneceu em patamares elevados. Aí você pega outra crise e joga em cima dessa situação... Isso leva um mercado de trabalho que já está ruim para um nível ainda pior."

Os números disponíveis até agora vão até o fim de 2020. Para o começo deste ano, o economista, especialista em mercado de trabalho, prevê uma situação ainda pior. "Acho que ainda vai piorar, de forma geral, para todo mundo. Mas é aquilo que já sabemos: infelizmente, no Brasil, quem acaba sofrendo mais são os grupos mais vulneráveis. Quem vai sofrer mais, muito provavelmente, serão os jovens, os idosos na questão da desocupação, pessoas negras, com baixa escolaridade, mulheres".

Ottoni acredita que o Brasil verá recordes negativos no início de 2021, como taxa de desemprego e proporção de pessoas ganhando menos que salário mínimo. Ele diz que a situação atual da economia brasileira, a retirada de estímulos como o auxílio emergencial neste momento, e o recrudescimento da pandemia formam "o caldeirão perfeito".

Ottoni diz não ser "totalmente contra" a retirada de estímulos fiscais, mas avalia que "o governo demorou a organizar, principalmente aquelas ajudas mais essenciais, como auxílio emergencial e o BEM (programa de redução de salários e suspensão de contratos)".

Efeitos da reforma da Previdência

'A reforma da previdência tende a fazer com que esses indivíduos mais velhos precisem ficar mais tempo no mercado de trabalho, porque vão se aposentar mais tarde', diz Ottoni — Foto: Getty Images via BBC
'A reforma da previdência tende a fazer com que esses indivíduos mais velhos precisem ficar mais tempo no mercado de trabalho, porque vão se aposentar mais tarde', diz Ottoni — Foto: Getty Images via BBC

A piora da pandemia e das condições da economia afetam o mercado de trabalho como um todo. Mas quais são os fatores que afetam especificamente as pessoas mais velhas? O primeiro ponto é o momento da aposentadoria (ou quão distantes as pessoas estão dele).

"A reforma da previdência tende a fazer com que esses indivíduos mais velhos precisem ficar mais tempo no mercado de trabalho, porque vão se aposentar mais tarde", diz Ottoni.

A reforma da previdência promulgada em 2019 mudou regras de aposentadoria e pensão. Uma das principais alterações foi a obrigatoriedade de uma idade mínima para aposentar - de 62 anos para mulheres e de 65 para homens. Também ficou mais difícil conseguir valores mais altos de aposentadoria.

No entanto, a reforma prevê diferentes regras de transição para quem está mais perto da aposentadoria. É por isso que os economistas apontam que, nos próximos anos, veremos os efeitos da reforma se intensificarem - já que gradualmente será exigido que as pessoas passem mais anos no mercado de trabalho.

Outro fator que tem especial impacto sobre os mais velhos, segundo Ottoni, está relacionado ao nível de escolaridade.

"Conseguimos aumentar o nível educacional da população em um período muito curto no Brasil. Nesse sentido, as pessoas mais velhas saem prejudicadas, porque é uma geração que teve um nível educacional menor. E aí, num momento como o atual, em que educação está se tornando cada vez mais importante para você ser bem sucedido no mercado de trabalho, essas pessoas acabam saindo mais prejudicadas ainda", diz. "A escolaridade é cada vez mais importante e a crise exacerbou essa importância."

Além disso, considerando a piora do nível de emprego em geral e o fato de muitas famílias brasileiras viverem em arranjos com várias gerações na mesma casa, o economista diz que "é possível que a piora generalizada da situação, inclusive para pessoas mais jovens, acabe, de certa maneira, gerando necessidade de os mais idosos também procurarem emprego para tentar contribuir com as finanças da casa."

Preconceito contra os mais velhos

O preconceito contra profissionais mais velhos e o fato de eles muitas vezes eles terem melhores remunerações também pesam nessa equação, segundo Ottoni.

"Acredito também que existe certo preconceito no mercado de trabalho brasileiro. No setor privado, principalmente, acabamos observando empresas que a partir de certa idade forçam a saída do indivíduo, muitas vezes baseadas na visão de que o profissional é caro. As empresas muitas preferem contratar um adulto (idade intermediária) que tem experiência e pagam mais barato por ele."

Simon: 'Sempre houve preconceito contra pessoas mais velhas, e não apenas com 60 anos ou mais. A partir de 54, 55 anos, a depender da atividade, já há esse preconceito' — Foto: Getty Images via BBC
Simon: 'Sempre houve preconceito contra pessoas mais velhas, e não apenas com 60 anos ou mais. A partir de 54, 55 anos, a depender da atividade, já há esse preconceito' — Foto: Getty Images via BBC

Em entrevista à BBC News Brasil em 2020, a subprocuradora-geral do Trabalho Sandra Lia Simon também destacou que, especialmente em trabalhos que exigem menos qualificação, há uma preferência por mais jovens, com mais preparo físico, além de uma substituição por mão de obra mais barata. "Como os mais velhos têm mais experiência e já têm patamar de salário mais alto, esse salário acaba sendo o motivo de discriminação."

Simon, que foi a primeira mulher a comandar o Ministério Público do Trabalho, de 2003 a 2007, também apontou a questão da saúde como um motivo de discriminação. "Antes da pandemia, já se considerava que a pessoa mais velha é mais propensa a ter problemas de saúde. Imagina agora."

Ela disse que o preconceito contra pessoas mais velhas no mercado de trabalho pode começar antes dos 60 anos. "Sempre houve preconceito contra pessoas mais velhas, e não apenas com 60 anos ou mais. A partir de 54, 55 anos, a depender da atividade, já há esse preconceito", disse ela.

No Brasil, o Estatuto do Idoso define como tal a pessoa que tem 60 anos ou mais. No entanto, outras políticas, como o Benefício de Prestação Continuada, são aplicadas para quem tem a partir de 65 anos. E, com a população vivendo cada vez mais e a medicina avançando, especialistas também apontam que há uma grande diferença entre alguém que tem 60 anos hoje e uma pessoa de 60 anos décadas atrás.

Em relatório divulgado em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já apontava que o combate à discriminação etária deve ser uma resposta de saúde pública ao envelhecimento da população. A entidade defende campanhas para aumentar conhecimento sobre envelhecimento, aprovação de leis contra discriminação baseada na idade e uma visão equilibrada do envelhecimento nos meios de comunicação.

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quarta-feira, 10 de março de 2021

Desemprego bate recorde em 20 estados brasileiros em 2020, diz IBGE

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As maiores taxas médias do ano foram registradas em estados do Nordeste e as menores, no Sul do país. Na passagem do terceiro para o quarto trimestre, desemprego recuou em apenas cinco estados.
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Por Daniel Silveira, G1 — Rio de Janeiro

Postado em 10 de março de 2021 às 12h05m

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Foto registrada em 25 de março de 2020 mostra mulher caminhando no centro de Madureira, na Zona Norte do Rio, com comércio fechado — Foto: Marcos Serra Lima/G1
Foto registrada em 25 de março de 2020 mostra mulher caminhando no centro de Madureira, na Zona Norte do Rio, com comércio fechado — Foto: Marcos Serra Lima/G1

Os impactos negativos da pandemia do coronavírus sobre o mercado de trabalho levaram 20 estados brasileiros a registrarem recorde da taxa média de desemprego em 2020. É o que apontam os dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os resultados regionais acompanharam a média nacional. Conforme divulgado pelo IBGE na última semana de fevereiro, a taxa média anual de desemprego do país em 2020 foi de 13,5%, a maior de toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

As maiores taxas foram registradas em estados do Nordeste e as menores, no Sul. Somente em sete estados a taxa de desemprego média do ano não bateu recorde. São eles: Pará, Amapá, Tocantins, Piauí, Pernambuco, Espírito Santo, e Santa Catarina.

Somente sete estados não registraram taxa de desemprego recorde em 2020, segundo o IBGE — Foto: Economia/G1
Somente sete estados não registraram taxa de desemprego recorde em 2020, segundo o IBGE — Foto: Economia/G1

Dentre os 20 estados que registraram recorde, 12 tiveram taxa superior à média nacional. Os estados nos quais a taxa foi menor que a média do país são: Rondônia, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.

A pesquisa mostrou, também, que:

  • Em 15 estados, mais da metade da população estava desempregada;
  • RJ foi o único estado fora do Norte e Nordeste com menos da metade da população ocupada;
  • Queda disseminada da informalidade pelo país puxou alta do desemprego;
  • No 4º trimestre, desemprego caiu em apenas cinco estados;
  • Desemprego foi maior entre mulheres, jovens, pretos e pardos;
  • Bahia tinha o maior número de desalentados do país;
  • Piauí teve a maior taxa de trabalhadores subutilizados; Santa Catarina, a menor;
  • Amapá tinha a maior proporção de trabalhadores por conta própria; DF, a menor;
  • Maranhão tinha o menor percentual de carteira assinada; Santa Catarina, o maior;
  • Rendimento médio caiu no Sudeste e Nordeste no 4º trimestre.
IBGE: 20 estados batem recorde de desemprego em 2020
IBGE: 20 estados batem recorde de desemprego em 2020

Menos da metade da população ocupada

Em 15 estados, a maioria do Norte e Nordeste, o nível de ocupação ficou abaixo de 50% em 2020. Isso significa que menos da metade da população em idade de trabalhar nestes estados estava ocupada no ano. Na média nacional, foi a primeira vez que isso aconteceu.

O nível de ocupação mais baixo foi registrado em Alagoas. O Rio de Janeiro foi o único estado fora do Norte e Nordeste onde o nível de ocupação ficou abaixo de 50%.

Na maioria dos estados, mais da metade da população em idade de trabalhar estava desempregada em 2020 — Foto: Economia/G1
Na maioria dos estados, mais da metade da população em idade de trabalhar estava desempregada em 2020 — Foto: Economia/G1

De acordo com o IBGE, a população ocupada em todo país foi reduzida em cerca de 7,3 milhões de pessoas na comparação com 2019. São Paulo foi o estado com o maior contingente de trabalhadores perdidos - quase 2 milhões (1.994 milhão) em um ano. Em seguida, vem Minas Gerais, com 820 mil a menos, e Bahia, com redução de 626 mil ocupados no período.

Queda da informalidade reduziu a ocupação no país

O IBGE destacou que a crise no mercado de trabalho afetou, inclusive, o trabalho informal no país, considerado a porta de mais fácil acesso à ocupação. E foi a queda do número de trabalhadores informais a principal responsável pelos recordes da taxa de desemprego e baixo nível de ocupação.

A queda da informalidade não está relacionada a mais trabalhadores formais no mercado. Está relacionada ao fato de trabalhadores informais terem perdido sua ocupação ao longo do ano, explicou Adriana Beringuy.

São considerados trabalhadores informais, segundo o IBGE, aqueles ocupados sem carteira, os trabalhadores domésticos sem carteira, os empregadores sem CNPJ, os que trabalham por conta própria sem CNPJ e os trabalhador familiar auxiliar.

O levantamento mostrou que a taxa média de informalidade do país caiu 41,1% em 2019 para 38,7% em 2020.

Entre os estados, 19 superaram a média nacional - variou de 39,1%, em Goiás, até 59,6% no Pará. Em sete desses estados, a taxa ultrapassou 50%.

Apenas São Paulo (29,6%), Distrito Federal (28,2%) e Santa Catarina (26,8%) tiveram taxas de informalidade abaixo de 30%.

No 4º trimestre, apenas cinco estados registraram queda do desemprego

Na média nacional, a taxa de desemprego caiu de 14,6% para 13,9% na passagem do terceiro para o quarto trimestre. Entre os estados, no entanto, essa redução foi observada em apenas cinco: Minas Gerias, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Maranhão e Roraima.

Em alguns outros estados, embora tenha havido uma tendência de redução da taxa, ela não foi significativa estatisticamente. A realidade da grande maioria dos estados brasileiros é de taxas bem maiores do que era um ano atrás, afirmou a analista da pesquisa Adriana Beringuy. 
Desemprego maior entre mulheres, jovens e pretos e pardos

No último trimestre de 2020, o desemprego atingia mais as mulheres, os jovens e os pretos e pardos, segundo o IBGE.

A taxa de desemprego entre os homens foi de 11,9%, enquanto entre as mulheres ela chegou a 16,4% - uma diferença de 4,5 pontos percentuais (p.p.) - e ficou acima da média nacional.

Entre as pessoas autodeclaradas pretas, a taxa foi de 17,2%, enquanto a dos pardos foi de 15,8%, ambas acima da média nacional. Já entre os brancos a taxa foi de 11,5%.

Ao analisar a população desempregada por faixa etária, o IBGE identificou que a taxa foi maior entre os mais jovens. Para o grupo de 14 a 17 anos de idade, ela foi de 42,7%, para o de 18 a 24 anos, de 29,8%, e para o de 25 a 39 anos, de 13,9%.

O desemprego também foi maior entre as pessoas com ensino médio incompleto, cuja taxa de desemprego foi de 23,7%, superior à dos demais níveis de instrução. Entre pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi estimada em 16,9%, mais que o dobro da verificada entre aqueles com nível superior completo, de 6,9%.

Rendimento médio cai no Sudeste e Nordeste

Ainda de acordo com a pesquisa, na passagem do 3º para o 4º trimestre foi observada queda do rendimento médio real dos trabalhadores nas Regiões Sudeste e Nordeste de, respectivamente, 5,3% e 3,7%. Nas demais regiões, o indicador ficou estável.

Na média nacional, a redução foi de 4,2% no período, passando de R$ 2.616 para R$ 2.507. No Sudeste e Nordeste o rendimento médio no 4º trimestre foi, respectivamente, de R$ 2.903 e R$ 1.683.

Já a massa de rendimento médio real de todos os trabalhos foi estimada em R$ 210,7 bilhões, ficando estável em relação ao 3º trimestre, quando foi estimada em R$ 210,3 bilhões.

Desalento maior na Bahia

Conforme divulgado anteriormente pelo IBGE, o país encerrou o 4° trimestre de 2020 com cerca de 5,8 milhões de pessoas desalentadas, que são aquelas que desistiram de procurar emprego, embora tivessem condições de assumir um trabalho caso surgisse uma oportunidade. O maior número de pessoas nesta condição estava na Bahia - 813 mil desalentados, o que corresponde a 14% de todo o contingente em desalento no país.

Na média nacional, o percentual de desalentados em relação à força de trabalho foi de 5,5%. No Maranhão e Alagoas, essa proporção mais que triplicava - 20,7% e 18,4%, respectivamente. Já os menores percentuais foram registrados por Mato Grosso (1,4%), Santa Catarina e Distrito Federal (ambos com 1,5%).

Menos carteira assinada no MA, e mais conta própria no AP

Ao analisar regionalmente a condição da ocupação, o IBGE identificou que, no 4º trimestre, as Regiões Nordeste (59,6%) e Norte (58,2%) apresentaram as menores taxas de carteira de trabalho assinada – na média nacional, essa taxa foi de 75%.

Entre os estados, o Maranhão foi o que registrou a menor taxa, de 48,5%, seguido pelo Pará (51,4%) e Piauí (52,0%). Já os maiores percentuais de carteira assinada foram observados em Santa Catarina (87,9%), Paraná (85,3%) e Rio Grande do Sul (83,9%).

Já os trabalhadores por conta própria em todo o país representavam 27% do total de ocupados. Os maiores percentuais de pessoas nesta condição de ocupação foram registrados nas regiões Norte (32,3%) e Nordeste (31,0%).

Entre os estados, o Amapá foi o que apresentou o maior percentual de conta própria (36,7%) seguido por Maranhão (34,3%) e Amazonas (34,2%).

Os menores percentuais de conta própria estavam no Distrito Federal (20,0%), São Paulo (23,2%), Alagoas (23,8%) e Mato Grosso do Sul (23,9%), sendo que os dois últimos foram os únicas com percentual abaixo de 25%.

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terça-feira, 9 de março de 2021

Dólar perde força e fecha em alta de 0,23%, com informações sobre PEC Emergencial

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Nesta terça-feira (9), moeda norte-americana registrou avanço de 0,23%, cotada a R$ 5,7919.
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Por G1

Postado em 09 de março de 2021 às 10h00m

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Painel eletrônico mostra o valor da cotação do Dólar, Euro e Libra Esterlina nesta terça-feira, 09 — Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Painel eletrônico mostra o valor da cotação do Dólar, Euro e Libra Esterlina nesta terça-feira, 09 — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

O dólar perdeu força na tarde desta terça-feira (9) e fechou em alta de 0,23%, cotado a R$ 5,7919, em meio a informações de que o texto da PEC Emergencial será mantido, após temores de desidratação depois de declarações do presidente Jair Bolsonaro na véspera.

Também impactou o mercado a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, de anular todas as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Justiça Federal no Paraná relacionadas às investigações da Operação Lava Jato.

Na máxima do dia, o dólar chegou a R$ 5,8744. Veja mais cotações. No mês, a moeda acumulou avanço de 3,34%. No ano, de 11,66%.

Já a bolsa opera em alta após o tombo da véspera.

'Mercado vai ficar cada vez mais tenso' com polarização, diz economista
'Mercado vai ficar cada vez mais tenso' com polarização, diz economista

Cenário

Com a decisão de Fachin, o ex-presidente Lula recupera os direitos políticos e volta a ser elegível para as eleições presidenciais de 2020. A decisão de Fachin será posteriormente avaliada pelo plenário do STF.

No fim de semana, a imprensa publicou levantamento do Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) segundo o qual Lula teria mais potencial de voto do que Bolsonaro.

Mônica Waldvogel: Bolsa cai e dólar sobe após anulação de condenações de Lula
Mônica Waldvogel: Bolsa cai e dólar sobe após anulação de condenações de Lula

O receio de investidores de que o governo enverede por um caminho mais populista aumentou nas últimas semanas, depois de uma série de episódios em que, para o mercado, o presidente Jair Bolsonaro agiu deixando de lado princípios de uma política econômica liberal.

Destaque para a decisão do presidente de trocar o comando da Petrobras e os alertas feitos por ele de atuação em outras estatais e setores da economia, como energia.

Os mercados esperam ainda pela PEC Emergencial, que será discutida nesta terça-feira na Câmara, com possibilidade de ter sua admissibilidade analisada, para então ter o mérito votado em dois turnos no plenário da Casa na quarta, afirmou o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Variação do dólar em 2021 — Foto: G1
Variação do dólar em 2021 — Foto: G1

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