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sábado, 1 de agosto de 2026

Embraer vive 'oportunidade rara' para desafiar Airbus e Boeing, diz The Economist

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Artigo publicado pela revista britânica destaca que fabricante brasileira de aviões tem vivido "anos extraordinários", o que gera especulação que pode disputar no mercado de aviões maiores.
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TOPO
Por BBC

Postado em 01 de Agosto de 2.026 às 06h00m
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Embraer é a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo — Foto: Divulgação/Embraer via BBC
Embraer é a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo — Foto: Divulgação/Embraer via BBC

A Embraer — fabricante brasileira de aviões — vive um momento que pode representar sua melhor oportunidade em décadas para desafiar o domínio de Airbus e Boeing no mercado global de aviação comercial, avalia a revista britânica The Economist.

Em artigo publicado na quinta-feira (30/7), a revista afirma que, embora tenha apenas uma fração do tamanho das duas gigantes da aviação, a empresa brasileira "tem vivido alguns anos extraordinários" — o que tem levado analistas a especular que a fabricante possa disputar o mercado de aviões maiores.

"A demanda cresce não apenas por seus aviões comerciais de menor porte, mas também pelos jatos executivos e militares que fabrica", escreve a The Economist.

Números citados pela publicação mostram que a Embraer entregou 141 aeronaves em 2021 e pode chegar a 255 neste ano. Em julho, a empresa anunciou uma carteira recorde de pedidos de US$ 34,5 bilhões.

Além disso, desde o início de 2021, as ações da companhia se valorizaram cerca de dez vezes, desempenho muito superior ao de Airbus e Boeing. E, segundo Francisco Gomes Neto, presidente da empresa, ainda há espaço para "um crescimento substancial" nos próximos anos.

A Embraer é beneficiada por diversos "ventos favoráveis", afirma a revista. Entre eles estão os atrasos nas entregas de Airbus e Boeing — que acumulam cerca de 16 mil encomendas e prazos de espera de até dez anos para alguns modelos —, o aumento da procura por voos diretos entre aeroportos menores e a expansão do mercado de jatos executivos e militares.

Segundo a publicação, esse contexto abre caminho para um passo mais ambicioso: desenvolver um jato executivo de grande porte.

"Um passo ainda mais ousado — e arriscado — seria lançar um avião comercial maior para competir diretamente com Airbus e Boeing, que devem apresentar substitutos para seus principais modelos de corredor único apenas no fim da década de 2030", acrescenta.

A revista observa que, como as aeronaves atuais continuam vendendo bem, as duas gigantes têm poucos incentivos para fazer grandes investimentos no curto prazo, o que poderia abrir uma oportunidade rara para a Embraer.

Nova versão do jato Phenom 300, da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer
Nova versão do jato Phenom 300, da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer

Ao mesmo tempo, pondera que "romper esse duopólio seria um desafio enorme".

O texto lembra a tentativa fracassada da canadense Bombardier e o fato de que o presidente da Airbus, Guillaume Faury, já alertou a Embraer para "pensar duas vezes" antes de seguir esse caminho.

Em contrapartida, avalia que uma iniciativa desse tipo levaria a fabricante brasileira "a outro patamar".

"Talvez a empresa nunca mais tenha uma oportunidade tão favorável para aproveitar sua experiência no desenvolvimento e comercialização de aviões comerciais."

Apesar disso, a The Economist destaca que a decisão divide opiniões dentro da própria Embraer e exigiria parceiros para financiar um projeto estimado em cerca de US$ 10 bilhões.

Enquanto isso, Gomes Neto afirma que a companhia está "muito confortável com a situação que temos hoje".

A origem da Embraer

A Embraer é hoje a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo, atrás da Boeing e da Airbus, e líder mundial no segmento de aeronaves até 150 assentos.

Com sede em São José dos Campos (SP), fabrica aviões militares, comerciais, executivos e agrícolas. De acordo com a empresa, em toda a sua história já produziu e entregou mais de 9 mil aeronaves para mais de 100 países.

A empresa foi fundada em 1969, com o apoio do governo brasileiro, após décadas de esforços privados e governamentais para desenvolver uma indústria aeronáutica competitiva no Brasil.

Além de criar um setor industrial de alta tecnologia, havia o objetivo de facilitar a conexão de diferentes partes do país.

Fundada em 1969 e com sede em São José dos Campos (SP), a Embraer fabrica aviões militares, comerciais, executivos e agrícolas — Foto: Getty images
Fundada em 1969 e com sede em São José dos Campos (SP), a Embraer fabrica aviões militares, comerciais, executivos e agrícolas — Foto: Getty images

As origens da então chamada Empresa Brasileira de Aeronáutica estão ligadas ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Foram técnicos formados pelo instituto que, em 1965, começaram a trabalhar em um projeto liderado pelo engenheiro aeronáutico e então major da Força Aérea Brasileira (FAB) Ozires Silva.

O projeto envolvia um avião bimotor turboélice com capacidade para cerca de 20 passageiros. Um protótipo da aeronave, batizada de Bandeirante, fez seu primeiro voo em 1968.

O Bandeirante tinha entre suas vantagens a capacidade de operar em pistas curtas e não pavimentadas, chegando a aeroportos menores, que não tinham estrutura para receber jatos de grande porte. Assim, poderia conectar regiões mais isoladas, impulsionando a aviação regional e a integração do país.

Foi nesse contexto que, em 19 de agosto de 1969, nasceu a Embraer, criada para a produção em série do Bandeirante — inicialmente desenvolvido pelo CTA — e tendo Ozires Silva como presidente.

A partir de 1970 e ao longo daquela década, outras aeronaves desenvolvidas pela empresa ganharam destaque, entre elas o monomotor EMB-200 Ipanema, para pulverização agrícola.

Bandeirante é um avião bimotor turboélice com capacidade para cerca de 20 passageiros — Foto: André Luís Rosa/TV Vanguarda
Bandeirante é um avião bimotor turboélice com capacidade para cerca de 20 passageiros — Foto: André Luís Rosa/TV Vanguarda

Altos e baixos

Ao longo de sua trajetória, a Embraer enfrentou altos e baixos. A empresa quase chegou à falência em meio à crise financeira do final da década de 1980.

"Um período mais intenso de turbulência financeira marcou o início da década de 1990 e levou à privatização da Embraer em dezembro de 1994", lembrou a empresa no ano passado, ao comemorar seus 55 anos.

A Embraer foi privatizada no fim do governo do presidente Itamar Franco, depois de um longo processo, por R$ 154,1 milhões (em valores da época).

O acordo de privatização garantiu ao governo brasileiro a chamada golden share, ação preferencial que dá direito a veto a decisões estratégicas, como a transferência de controle acionário — e que permanece em vigor.

Entre os projetos que impulsionaram a recuperação após a reestruturação está o do ERJ-145, jato comercial para até 50 passageiros, além de outros modelos da mesma família.

Também teve papel importante o programa de E-jets de aviões comerciais, focado no segmento de 70 a 120 assentos.

No início dos anos 2000, a Embraer estava entre os maiores exportadores do Brasil.

Modelo da Embraer será incorporado à frota da companhia Latam a partir do último trimestre de 2026 — Foto: Embraer
Modelo da Embraer será incorporado à frota da companhia Latam a partir do último trimestre de 2026 — Foto: Embraer

A empresa diz que a expansão global "acompanhou uma estratégia de diversificação" e destaca a criação da divisão de aviação executiva — com o lançamento dos jatos da família Legacy 600/650, Phenom 100, Phenom 300, Lineage 1000, e Legacy 450/500, além do EMB-314 Super Tucano na área de defesa.

O processo de internacionalização ganhou força a partir de 2010, incluindo atividades industriais nos EUA, em Portugal e no México. Também nessa década, foram lançados produtos como os E-Jets de segunda geração, os jatos executivos Praetor 500 e Praetor 600 e o C-390.

Em 2018, foi anunciada a aprovação dos termos de uma parceria entre a Embraer e a gigante americana Boeing. Pelo acordo, seria criada uma nova empresa de aviação comercial, com participação de 80% da Boeing e 20% da Embraer.

A americana pagaria US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 16,4 bilhões na época) pela compra. Com a parceria, a Boeing ganharia vantagens no segmento de aeronaves de médio e pequeno porte, para voos regionais, no qual a Embraer é líder.

A empresa brasileira considerou a rescisão indevida e disse que a americana havia fabricado "falsas alegações como pretexto para tentar evitar seus compromissos".

O fracasso da parceria com a Boeing ocorreu em meio à pandemia de covid-19 e ao subsequente encolhimento no mercado de aviões civis, com restrições e proibições de viagens.

*Com informações de Alessandra Corrêa.

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Rombo das estatais federais soma R$ 7,8 bilhões no 1º semestre e bate recorde histórico

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Resultado parcial do ano também já supera o déficit recorde para um ano fechado, de 2024, quando houve déficit de R$ 6,73 bilhões. Resultado ruim das estatais federais tem sido agravado, principalmente, pela situação dos Correios, que passa por grave crise fiscal.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 31 de Julho de 2.026 às 11h40m
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O Banco Central informou nesta sexta-feira (31) que as empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre deste ano.

🔎O termo "déficit" significa que o gasto somado dessas estatais foi maior que a receita que elas conseguiram gerar no ano.

➡️Esse é o pior resultado para o período da série histórica do BC, que tem início em 2002. Até então, o maior rombo para este período havia ocorrido em 2025 (R$ -3,9 bilhões, sem correção pela inflação).

➡️O resultado, na parcial deste ano, também já supera o resultado negativo recorde para um ano fechado, de 2024, quando foi registrado um déficit de R$ 6,73 bilhões.

Gestão: déficit é tradução de investimentos em estatais
Gestão: déficit é tradução de investimentos em estatais

A série do Banco Central não considera a Petrobras, a Eletrobras e nem as empresas do setor financeiro (bancos públicos).

  • O BC lembra que a Petrobras e a Eletrobras foram excluídos do cálculo das estatais federais em 2009, mas explica que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia — sendo válida, portanto, de 2002 em diante.
  • Entram nesse cálculo empresas como Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea.
  • O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, conceito amplamente utilizado em análises fiscais internacionais, enquanto o governo se utiliza do conceito conhecido por "acima da linha" (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida).

➡️No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, encaminhado ao Congresso Nacional em abril deste ano, o governo federal admite que as empresas estatais federais, em déficit desde 2023, continuarão no vermelho até 2030.

RESULTADO AS EMPRESAS ESTATAIS FEDERAIS
EM R$ BILHÕES


Fonte: BC ATÉ 2025 E PROJEÇÕES DO GOVERNO NO PLDO 2027

➡️ Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, os indicadores financeiros confirmam uma "deterioração perceptível" da saúde financeira de "parte relevante" das empresas estatais federais — o que eleva o risco para o Tesouro Nacional.

"Essa deterioração não é uniforme nem decorre de uma única causa, mas os dados levantados pela IFI permitem identificar padrões que merecem atenção do ponto de vista da gestão fiscal", acrescentou o órgão, por meio do Relatório de Acompanhamento Fiscal de julho.

Coletiva de imprensa dos Correios. — Foto: Clerton Cruz/ TV Globo
Coletiva de imprensa dos Correios. — Foto: Clerton Cruz/ TV Globo

Correios

➡️O resultado ruim das estatais federais tem sido agravado, principalmente, pela situação dos Correios, que passa por grave crise fiscal, com forte piora do seu resultado financeiro em 2025, quando foi registrado um rombo de R$ 8,5 bilhões.

"Entre as medidas do referido plano [de restruturação financeira], estão a redução de custos, com medidas de saneamento de seus planos de previdência complementar, reestruturação de planos de saúde, programas de demissão voluntária, alienação de imóveis ociosos e reajuste tarifário, dentre outras, mas a tendência é de que a empresa ainda apresente elevado prejuízo em 2026", diz o governo, no projeto da LDO de 2027.

Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deu espaço para os Correios conseguirem captar um novo empréstimo com garantias da União. Pela decisão, a estatal poderá buscar mais R$ 8 bilhões em empréstimo.

Para enfrentar rombo financeiro, o governo autorizou, em maio deste ano, a estatal a vender seguros, títulos de capitalização e a atuar no mercado de telefonia. A ideia é que a empresa faça convênios com instituições financeiras para ofertar os serviços.

➡️Para a Instituição Fiscal Independente, a piora na situação dos Correios está relacionada com:

  • As receitas de encomendas subiram muito no período da pandemia, tendo se acomodado a partir de 2023. As receitas de mensagem e de postagem internacional sofreram quedas importantes nos últimos quatro anos, especialmente as de postagem.
  • Alterações regulatórias nas compras de produtos importados (criação do programa Remessa Conforme) provocaram uma retração significativa no volume de postagens internacionais, reduzindo as receitas desse setor, que também enfrenta concorrência crescente.
  • Ao mesmo tempo em que registrou queda em receitas, os Correios indicaram algumas pressões de custos com pessoal e benefícios no período de 2022 a 2025. Acordos coletivos elevaram as despesas com pessoal.
  • Além disso, o reconhecimento de obrigações com o Postalis (fundo de pensão). pressionou as despesas financeiras em razão do pagamento de juros e atualizações monetárias do déficit equacionado.
  • Crescimento expressivo da despesa de precatórios e de requisições de pequeno valor (RPVs) nos últimos anos.
  • Outros elementos de pressão sobre as despesas da ECT nos últimos quatro anos foram: provisionamento de novas obrigações de benefício pós -emprego após a identificação da existência de subsídio cruzado entre beneficiários ativos e aposentados no Plano Correios Saúde II, além da elevação de gastos com o plano de saúde; reajustes em valores de contratos de transporte aéreo e terrestre em função de aumentos nos preços dos combustíveis; aumento no saldo de provisões devido a novas ações judiciais e revisões de risco em processos trabalhistas e cíveis; e geração de elevadas despesas com juros e multa em razão de atraso em recolhimentos de tributos e contribuições, devido à falta de liquidez.
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quinta-feira, 30 de julho de 2026

'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos

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Estudo aponta que a maior concorrência reduziu os reajustes e aumentou os descontos nas concessionárias. Juros altos e renda estagnada, porém, ainda dificultam a compra do zero km.
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Por Ismael Jales, g1 — São Paulo
30/07/2026 03h00 
Postado em 30 de Julho de 2.026 às 10h25m
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JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos
JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos

Um estudo da Bright Consulting mostra que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos no Brasil subiu menos do que a inflação em 2026. O valor dos veículos zero km teve uma queda real — descontada a inflação — de 1,5% neste ano.

Nominalmente, o preço médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4% e chegou a R$ 166,9 mil. Mas o reajuste ficou abaixo da inflação oficial acumulada no período, de 3,18%. Houve uma forte desaceleração em relação aos 5,5% registrados no ano anterior.

De acordo com os analistas, a expansão das montadoras chinesas no país foi o principal fator por trás da queda dos preços, já que aumentou a competição no mercado brasileiro e forçou as fabricantes tradicionais a reduzirem suas margens.

💰 Por outro lado, a renda estagnada e os juros elevados do crédito veicular ainda mantêm a compra do automóvel zero km distante do bolso da maioria da população. (entenda os detalhes abaixo)

Margem para negociação

Segundo Cássio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, a queda dos preços fica ainda mais evidente após a negociação na concessionária. O valor efetivamente pago no balcão — conhecido como preço de transação — caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,6 mil para R$ 152,1 mil.

A diferença de quase R$ 15 mil entre a tabela oficial de fábrica e o preço final registrado na nota fiscal mostra o esforço do comércio para reduzir os estoques acumulados.

Essa diferença é viabilizada por bônus de fábrica, maior valorização do carro usado dado na troca e cortes pontuais nas taxas de financiamento.

Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil — Foto: g1
Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil — Foto: g1
Efeito China

Como previsto, a entrada agressiva de marcas chinesas no país começou a provocar impactos no mercado.

Segundo Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), as fabricantes chinesas se beneficiam principalmente da grande escala de produção em seu país de origem.

"Estamos falando de um mercado de cerca de 34 milhões de veículos por ano, 10 vezes maior do que o brasileiro. A BYD, por exemplo, fabricou cerca de 4 milhões de carros só em 2025. Essa escala fabulosa reduz drasticamente o custo médio por veículo", explica Martins.

Com mais de 140 marcas disputando espaço no mercado chinês — que já apresenta demanda enfraquecida e oferta ainda elevada —, a busca por rentabilidade em outros países virou prioridade para as fabricantes chinesas. Para ganhar espaço rapidamente no Brasil, a estratégia foi entrar com preços mais baixos.

  • 🔍 O movimento já coloca o Brasil no topo: o país tornou-se o maior importador de carros chineses no primeiro semestre de 2026, com US$ 5,2 bilhões em comprasDo total, US$ 4,5 bilhões foram destinados a veículos elétricos e híbridos. Além da forte demanda por veículos mais tecnológicos, as montadoras anteciparam estoques antes do aumento das alíquotas do imposto de importação por aqui.

O professor da FGV aponta ainda que as fabricantes chinesas mudaram o jogo ao verticalizar a produção e fabricar internamente parte dos componentes mais importantes dos veículos, como as baterias. Isso elimina margens de intermediários e garante mais qualidade a um custo menor.

"Nos anos 90, os carros chineses sofriam com rejeição por falta de qualidade. Hoje, eles unem alto volume, controle da cadeia e muita tecnologia embarcada", destaca o professor da FGV. 
Carro mais barato não é fácil de comprar

Apesar da queda no valor médio dos carros, a dificuldade de acesso ao financiamento ainda limita um avanço maior dos emplacamentos.

As taxas cobradas pelos bancos para o financiamento veicular ainda variam entre 18% e 22% ao ano. A expectativa do setor é de que o crédito só ganhe fôlego à medida que caia a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25%.

"Em momentos normais do mercado, cerca de 60% das vendas de carros no Brasil dependem de financiamento bancário. Quando o crédito fica caro, os bancos reduzem a concessão por receio da inadimplência", avalia Martins, da FGV.

BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil — Foto: Divulgação / BYD
BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil — Foto: Divulgação / BYD

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terça-feira, 28 de julho de 2026

Avião de rota mais longa do mundo bate recorde com voo direto de 24 horas

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Aeronave fabricada pela Airbus fez trajeto de mais de 23 mil km. Ele é projetado para permitir futuros voos comerciais sem escalas entre a Austrália e destinos como Reino Unido e EUA.
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 Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 28 de Julho de 2.026 às 17h30m
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Avião que fará rota mais longa do mundo faz voo direto de 24 horas
Avião que fará rota mais longa do mundo faz voo direto de 24 horas

O avião projetado para fazer a rota comercial mais longa do mundo bateu um recorde nesta terça-feira (24) ao completar um voo direto de 24 horas e 24 minutos, informou a fabricante europeia Airbus.

Segundo a companhia, a aeronave A350-1000ULR fez um trajeto de 23.075 km, entre Melbourne, na Austrália, e Toulouse, na França. Para isso, cruzou três continentes, dois oceanos e acompanhou o nascer e o pôr do sol duas vezes.

A Airbus tem um acordo para vender 12 unidades do A350-1000ULR para companhia aérea australiana Qantas, que será capaz de fazer voos sem paradas entre a Austrália e destinos como o Reino Unido e os Estados Unidos.

O voo comercial mais longo em operação neste momento é o da Singapore Airlines, entre Singapura e Nova York, com aproximadamente 15.350 km e mais de 18 horas de duração. O voo entre Sidney, na Austrália, e Londres, no Reino Unido, por exemplo, alcançaria 18.500 km.

A350-1000ULR, da Airbus, durante voo de mais de 24 horas de duração — Foto: Divulgação/Airbus
A350-1000ULR, da Airbus, durante voo de mais de 24 horas de duração — Foto: Divulgação/Airbus

A aeronave identificada pelo código MSN707 já tinha completado na última sexta-feira (24) um voo de 19 horas e 12 minutos no sentido inverso, de Toulouse e Melbourne. Seu primeiro voo de teste foi feito no início de junho, com um voo de 3 horas e 43 minutos.

O A350-1000ULR (ULR é a sigla em inglês para "alcance ultralongo") é uma variação do A350-1000. Uma das diferenças para a versão padrão é um tanque adicional com capacidade para mais 20 mil litros de combustível, o que aumenta a autonomia em mais de 1.800 km, segundo a Airbus.

Após atrasos na entrega, a Qantas espera começar a operação comercial da aeronave em outubro de 2027 – o prazo inicial para inaugurar a rota era 2025 e já tinha sido adiado para o final de 2026. 

O investimento faz parte do que a empresa chamou de Projeto Sunrise ("nascer do sol"). Ele ganhou esse nome porque, devido à diferença do fuso horário entre a Austrália e o restante do mundo, os passageiros poderão ver o nascer do sol duas vezes nos voos mais longos.

A350-1000ULR, da Airbus, durante voo de mais de 24 horas de duração — Foto: Divulgação/Airbus
A350-1000ULR, da Airbus, durante voo de mais de 24 horas de duração — Foto: Divulgação/Airbus

Como será o voo mais longo do mundo

A Qantas informou em 2025 que, para oferecer mais conforto, levará até 238 passageiros por voo, abaixo dos cerca de 300 lugares da versão padrão da aeronave.

O projeto da Qantas inclui uma zona de bem-estar com opções para passageiros alongarem as pernas, se alimentarem e se hidratarem. Além disso, todos terão acesso a Wi-Fi durante o voo.

O avião terá 6 assentos na primeira classe, 52 na classe executiva, 40 na classe econômica premium e 140 na classe econômica. Saiba mais sobre cada uma delas:

  • Primeira classe com quarto privativo com poltrona reclinável, cama, TV de 32", seis áreas para armazenar objetos, guarda-roupa e espaço para trabalhar e comer;
  • Classe executiva com poltrona larga de 2 metros de comprimento (que pode virar cama), TV de 18", mesa de apoio, carregador sem fio, área de armazenamento e opção para fechar a cabine;
  • Classe econômica premium com apoios para pernas e cabeça, tela de 13,3" e porta-luvas pessoal;
  • Classe econômica com apoio para cabeça, espaço extra para pernas, tela de 13,3".

A empresa também disse ter trabalhado com especialistas em sono para reduzir os efeitos do jet lag com a adoção de iluminação e horários de refeição mais adequados.

Primeira classe do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Primeira classe do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas


Zona de bem-estar do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Zona de bem-estar do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas


Classe executiva do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Classe executiva do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas


Classe econômica premium do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Classe econômica premium do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas


Classe econômica do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Classe econômica do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Tráfego no Mar Vermelho diminui após ataque dos Houthis à Arábia Saudita

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Fluxo de embarcações por Bab el-Mandeb atinge o menor nível em meses, enquanto Ormuz segue com movimento reduzido
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Da Reuters
27/07/26 às 03:49 | Atualizado 27/07/26 às 03:49
Postado em 27 de Julho de 2.026 às 05h00m
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Praia de Aqaba, que serve como janela da Jordânia para o Mar Vermelho
Praia de Aqaba, que serve como janela da Jordânia para o Mar Vermelho  • MItz

O tráfego de navios pelo estreito de Bab el-Mandeb caiu no domingo (26) após os rebeldes Houthis, do Iêmen, atacarem instalações petrolíferas da Arábia Saudita na costa do Mar Vermelho. Já a passagem pelo Estreito de Ormuz permaneceu em níveis baixos durante o fim de semana, segundo dados da empresa de inteligência marítima Kpler divulgados nesta segunda-feira (27).

De acordo com os dados, 11 embarcações de transporte de commodities atravessaram o estreito de Bab el-Mandeb no domingo, o menor número registrado em meses.

A navegação no Mar Vermelho vem sendo afetada desde a semana passada pelos Houthis, grupo alinhado ao Irã, que busca bloquear as exportações sauditas, ampliando o conflito entre Estados Unidos e Irã, que já comprometeu o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

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A interrupção no transporte marítimo fez os preços das cargas físicas de petróleo bruto no Oriente Médio, Europa e África atingirem os maiores níveis em dois meses na semana passada.

Dos sete navios-tanque que passaram por Bab el-Mandeb no domingo, três entraram no Mar Vermelho. Dois deles são superpetroleiros do tipo VLCC (Very Large Crude Carrier), com destino ao porto saudita de Yanbu para carregar petróleo. O terceiro é uma embarcação ligada à Rússia, segundo os dados.

As quatro embarcações que deixaram o Mar Vermelho no domingo incluíam o superpetroleiro New Explorer, de bandeira de Hong Kong, transportando 2 milhões de barris de petróleo saudita e dos Emirados Árabes Unidos para o porto de Ningbo, no leste da China. Também estavam entre elas um navio levando 1 milhão de barris de petróleo russo para a China e outro transportando cerca de 750 mil barris de petróleo saudita para o Paquistão.

Outro superpetroleiro de bandeira de Hong Kong, o New Pearl, carregando 2 milhões de barris de petróleo saudita, também deixava o Mar Vermelho pelo estreito de Bab el-Mandeb com destino ao porto chinês de Zhoushan. Trata-se do quarto superpetroleiro chinês a deixar a região desde que os Houthis anunciaram um bloqueio naval.

A empresa Associated Maritime Hong Kong, responsável pela gestão dos navios New Explorer e New Pearl, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito fora do horário comercial.

O porta-voz militar dos Houthis, Yahya Saree, afirmou que o grupo atacou, no sábado (25), instalações da estatal petrolífera saudita Aramco nas cidades de Jizan e Yanbu.

Estreito de Ormuz

Menos de 10 embarcações de transporte de commodities atravessaram diariamente o Estreito de Ormuz durante o fim de semana, apesar da pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, segundo os dados da Kpler.

No domingo, apenas sete navios passaram pela região, incluindo três petroleiros ligados ao Irã que deixaram o estreito.

No sábado, somente três embarcações fizeram a travessia com seus transponders desligados. Entre elas estavam um superpetroleiro a caminho do Catar para carregar petróleo, um navio de transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) com destino ao porto de Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos, e um petroleiro transportando nafta do Catar rumo ao Japão.

Na sexta-feira (24), sete embarcações cruzaram o Estreito de Ormuz, a maioria deixando o Golfo Pérsico, incluindo dois superpetroleiros carregados com petróleo do Iraque e dos Emirados Árabes Unidos, além de um navio transportando óleo combustível.

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