Na sexta-feira, o principal índice do mercado de ações brasileiro caiu 1,38%, aos 103.618 pontos. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por g1 Postado em 13 de março de 2023 às 12h15m Post. N. = 0.605
Ibovespa — Foto: Pexels
O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3,
opera em queda nesta segunda-feira (13), com atenções voltadas à
atuação dos agentes econômicos americanos em meio à crise de quebra do
maior órgão financeiro desde 2008, o Silicon Valley Bank (SVB), banco
financiador de startups.
Às 13h10, o índice recuava 0,25%, aos 103.361 pontos. Veja mais cotações.
Na sexta-feira, o Ibovespa teve queda de 1,38%, aos 103.618 pontos. Com o resultado, o índice encerrou a semana em queda de 0,24%. No mês, o recuo é de 1,25% e, no ano, de 5,57%.
O que está mexendo com os mercados?
O mercado segue atento ao cenário de juros nos Estados Unidos, conforme dados econômicos do país reforçam a perspectiva que o Fed
deve continuar elevando as taxas de juros para tentar conter a inflação
na maior economia do mundo e com o novo risco de crédito no setor
bancário no país.
O impacto do fim do SVB ainda não está claro, mas especialistas em
economia dos EUA afirmam não acreditar que a falência do banco cause um
efeito dominó semelhante ao que levou à crise financeira de 2008.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse neste domingo que está
monitorando as potenciais implicações para a estabilidade financeira do
colapso do Silicon Valley Bank, mas disse estar confiante de que
Washington está tomando as medidas reguladoras apropriadas.
"Estamos
monitorando de perto os desenvolvimentos e potenciais implicações para a
estabilidade financeira, e temos plena confiança de que os formuladores
de políticas nos Estados Unidos estão tomando as medidas apropriadas
para enfrentar a situação", disse um porta-voz do FMI à Reuters em
comunicado.
No domingo, autoridades dos Estados Unidos lançaram medidas de
emergência para reforçar a confiança no sistema bancário após a falência
do Silicon Valley Bank ter ameaçado desencadear uma crise financeira
mais ampla.
Depois de um fim de semana dramático, reguladores disseram que os
clientes do banco falido terão acesso a todos os seus depósitos a partir
desta segunda-feira, e criaram um novo instrumento para dar aos bancos
acesso a fundos emergenciais. O Federal Reserve também tornou mais fácil
para os bancos tomarem empréstimos em emergências.
O fechamento do banco ocorreu após aumentos nas taxas de juros que
afetaram empresas de tecnologia iniciantes e uma tentativa de aumento de
capital da instituição que estimulou uma corrida de saques.
Embora as medidas tenham fornecido algum alívio para as empresas do
Vale do Silício e para os mercados globais nesta segunda-feira, as
preocupações com os riscos bancários permanecem e lançam dúvidas sobre
se o Fed manterá seu plano de aumentos agressivos da taxa de juros.
"Acreditamos
que as medidas tomadas pelo Fed, Tesouro e (Federal Deposit Insurance
Corp - FDIC) quebrarão decisivamente o 'ciclo da desgraça' psicológico
no setor bancário regional", disse Karl Schamotta, estrategista-chefe de
mercado da Corpay à agência Reuters.
"Mas, de forma justa ou não, o episódio contribuirá para níveis mais
altos de volatilidade, com os investidores observando com cautela o
surgimento de outras rachaduras à medida que o aperto da política do Fed
continua."
Já analistas da Órama dizem em relatório que desde 2008 não se via
revés de tão expressiva magnitude no sistema bancário americano.
"O
FDIC (espécie de FGC dos EUA), garantiu que honrará depósitos de até U$
250 mil já na segunda-feira, dia 13. O problema nessa história é que
cerca de 90% dos valores depositados na instituição estão acima desse
montante", diz o texto.
"Para piorar o quadro, como esse banco era muito importante no contexto
do setor de tecnologia, muitas empresas do segmento, bem como fundos de
private equity e fintechs, detinham depósitos significativos na
instituição."
Juros mais altos nos Estados Unidos elevam a rentabilidade dos títulos
públicos do país, que são considerados os mais seguros do mundo. Isso
prejudica os ativos de risco, como o mercado de ações.
No Brasil, o boletim Focus mostra que os economistas do mercado financeiroelevaram a estimativa de inflação deste ano de 5,90% para 5,96% e também passaram a projetar uma expansão maior do Produto Interno Bruto (PIB), de 0,85% para 0,89% na última semana.
Segmento teve alta de mais de 6% no mês com o reajuste de mensalidades de cursos regulares. Índice acumula 5,60% em 12 meses. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Raphael Martins, g1 10/03/2023 09h00 Atualizado há 01 hora Postado em 10 de março de 2023 às 10h00m Post. N. = 0.604
IPCA: mais uma vez, destaque para o grupo de Educação, em virtude dos reajustes de preços praticados no início do ano. — Foto: Júlio César Costa/g1
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador considerado a inflação oficial do país, subiu 0,84% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado vem na sequência de um avanço de 0,53% em janeiro e foi mais brando que em fevereiro de 2022, mês que havia fechado com alta de 1,01%
Com isso, o país passa a ter uma inflação acumulada de 5,60% na janela de 12 meses.
Os dois primeiros meses de 2023 acumulam alta de 1,37% nos preços. Neste mês, oito dos nove grupos de preços registraram alta. A exceção foi vestuário (-0,24%), que também teve queda em janeiro (-0,27%).
Na outra ponta, o grande peso para o resultado do IPCA de fevereiro foi o grupo de Educação, que teve alta de 6,28% no mês. Segundo o IBGE, essa foi a taxa mais alta desde fevereiro de 2004, quando houve variação de 6,70%.
Na composição geral, o grupo representou 0,35 ponto percentual do total do índice no mês. A alta elevada reflete os reajustes de mensalidade praticados no início do ano.
Veja o resultado dos nove grupos que compõem o IPCA:
Alimentação e bebidas: 0,16%
Habitação: 0,82%
Artigos de residência: 0,11%
Vestuário: -0,24%
Transportes: 0,37%
Saúde e cuidados pessoais: 1,26%
Despesas pessoais: 0,44%
Educação: 6,28%
Comunicação: 0,98%
Educação em forte alta
A abertura do grupo de Educação mostra que o ensino médio registrou a alta percentual mais relevante (10,28%), mas foi acompanhado de perto pelo ensino fundamental (10,06%), pré-escola (9,58%) e creche (7,20%). O maior peso, contudo, vem do ensino fundamental, que trouxe impacto de 0,15 ponto percentual no índice do mês.
O IBGE ainda destaca altas relevantes no ensino superior (5,22%), em cursos técnicos (4,11%) e pós-graduação (3,44%). Os cursos regulares, que reúnem todas essas categorias, tiveram aumento médio de 7,58%.
“Fevereiro é sempre muito marcado pela educação, pois os reajustes efetuados pelos estabelecimentos de ensino na virada do ano são contabilizados nesse mês. Normalmente, essa alta de educação fica indexada ao próprio IPCA, ou seja, o reajuste das mensalidades é baseado na inflação do ano anterior”, explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.
Produtos de higiene, energia e aluguel pesaram
O grupo Saúde e cuidados pessoais (1,26%) também teve peso importante no resultado do IPCA de fevereiro, em especial por conta dos itens de higiene pessoal, que tiveram alta de 2,80%. Dentro da composição do índice, o grupo teve peso de 0,16 ponto percentual para o resultado final.
Já o grupo Habitação, que subiu 0,82% em fevereiro, teve contribuição importante dos preços de energia elétrica residencial (1,37%). Ainda dentro de grupo, houve alta de 0,88% vinda do aluguel residencial. Ambos são aumentos sazonais que costumam pesar nesta época do ano.
IPCA sobe 0,84% em fevereiro e acumula 5,60% em 12 meses
De olho nos combustíveis
O grupo Transportes ainda não foi pressionado em fevereiro pelareoneração dos impostossobre combustíveis, que será de R$ 0,47 para a gasolina e de R$ 0,02 para o etanol. O retorno dos impostos federais só foi anunciado no dia 28, e deve se refletir nos preços apenas em março.
Ainda assim, a maior contribuição para a alta de Transportes (0,37%) veio da gasolina, que subiu 1,16%. Já etanol (-1,03%), gás veicular (-2,41%) e óleo diesel (-3,25%) tiveram quedas superiores a 1%, ressalta o IBGE.
Outro destaque foi a redução expressiva de preços de passagens aéreas: queda de 9,38%.
Vestuário em queda
O único grupo que registrou redução de preços nesta medição do IBGE foi Vestuário. Trata-se de um setor que acumulou sucessivas altas desde o impacto da pandemia de Covid-19, em virtude da redução de compra causada pelo isolamento social e por conta das quebras da cadeia logística.
“Esse grupo vinha apresentando sucessivas altas há muito tempo. É natural, portanto, que os preços comecem a baixar”, diz Kislanov, pesquisador do IBGE.
Neste mês, destaque para as quedas das roupas masculinas (-0,58%) e femininas (-0,45%).
INPC tem alta de 0,77% em fevereiro
Por fim, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — que é usado como referência para reajustes do salário mínimo, pois calcula a inflação para famílias com renda mais baixa — teve alta de 0,77% em fevereiro. Em janeiro, a alta foi de 0,46%.
Assim, o INPC acumula alta de 1,23% no ano e de 5,47% nos últimos 12 meses. Em fevereiro de 2022, a taxa foi de 1%.
Recuperação recente do mercado de trabalho fez diminuir parcela de quem não chega ao mínimo e aumentar, a nível recorde, população que ganha mais que dois salários mínimos. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Raphael Martins, g1 07/03/2023 05h03 Atualizado há 49 minutos Postado em 07 de março de 2023 às 06h00m Post. N. = 0.603
Cédulas de real nas mãos de uma pessoa. notas, dinheiro, reais, dólares, cotação, câmbio, valor, economia. -HN- — Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Com a taxa de desemprego na casa dos 7,9% em dezembro, o país fechou o ano de 2022 com o menor nível de desempregados desde o início de 2015. Ainda assim, um terço dos trabalhadores brasileiros vivem com rendimento menor do que um salário mínimo.
Em números absolutos, são mais de 33,2 milhões de pessoas vivendo com menos do que o mínimo. Trata-se de uma realidade que vem desde o baque no mercado de trabalho, causado pela pandemia de Covid-19 e retratado à época pelo g1.
A boa notícia é que, agora, a tendência é de melhora dos números: desde junho, a quantidade de trabalhadores que recebem entre meio e um salário mínimo está em queda. De lá para cá, são quase 2 milhões a menos nesta faixa de renda.
E não é só: no trimestre final de 2022, o número de trabalhadores que recebem mais que dois salários mínimos bateu recorde da série histórica, chegando a 32,9 milhões de pessoas. A expectativa é que esse grupo se torne a maior parcela dos trabalhadores já no próximo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores e autor do levantamento com base nos dados da PNAD, a trajetória do mercado de trabalho deve manter a tendência de queda entre os que recebem menos que um salário mínimo, mesmo sem um aumento expressivo do número de empregados.
Isso reflete, em parte, as trocas de emprego dentro do mercado de trabalho, conforme trabalhadores qualificados retornam para empregos com remuneração mais alta, ou à medida que fica mais previsível a formação de empregos em setores mais afetados pela pandemia — como no setor de serviços.
“O ano de 2022 foi um ano forte do ponto de vista de ocupação, mas nem tanto pelo lado da renda. Já 2023 deve ser o contrário: um aumento de renda sem tanta criação de vagas”, diz o economista.
A vida com menos de 1 salário mínimo
Desaceleração da economia
Enquanto os números do mercado de trabalho trazem algum alento, a perspectiva de crescimento da atividade faz o contraponto de preocupação para os economistas.
Na semana passada, os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) mostram que o 4º trimestre de 2022 foi o primeiro a registrar queda em relação aos três meses anteriores desde o 2º trimestre de 2021. O recuo foi de 0,2% contra a janela passada.
Variação trimestral do PIB brasileiro — Foto: Editoria de Arte/g1
A economista-chefe da A.C. Pastore, Paula Magalhães, acredita que será muito difícil não acontecer uma desaceleração brusca, contando que o país tem um patamar de juros altos e que há uma falta de motor para o consumo com o alto endividamento da população.
“A desaceleração da economia já se mostra com os dados de crédito, inadimplência subindo, e isso vai impactar o consumo. Por enquanto, o mercado de trabalho vai bem, mas os dados são muito defasados e ele responde por último entre os termômetros que temos”, diz a economista.
Agência da ONU vê 55% de chance de fenômeno voltar em junho, elevando as temperaturas globais. No Brasil, pode afetar produção de grãos, cana de açúcar e outros setores. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 04/03/2023 07h59 Atualizado há 2 horas Postado em 04 de março de 2023 às 10h40m Post. N. = 0.602
Agência da ONU vê 55% de chance de El Niño voltar em junho — Foto: Getty Images
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das
Nações Unidas (ONU) para a meteorologia, alertou em 1º de março para um
possível retorno este ano do fenômeno atmosférico El Niño.
Segundo a agência, há uma probabilidade de 15% de o El Niño voltar
entre abril e junho. As chances sobem para 35% entre maio e julho, e são
de 55% de junho a agosto.
O El Niño provoca um aquecimento fora do normal das águas do Oceano
Pacífico na parte equatorial, elevando as temperaturas globais.
Nos últimos três anos, o mundo esteve sob influência do La Niña, que
esfria as águas do Pacífico na mesma região e contribuiu para frear
temporariamente o aumento das temperaturas no planeta, segundo o
secretário-geral da OMM, Petteri Taalas – ainda que os últimos oito anos
tenham sido alguns dos mais quentes já registrados.
A última vez em que o mundo enfrentou um forte El Niño foi entre 2015 e 2016.
Aquele foi o segundo El Niño mais poderoso desde 1950, atrás apenas do ocorrido em 1997 e 1998.
Sob influência do fenômeno e das mudanças climáticas, o ano de 2016 foi
o mais quente já registrado na história, segundo a OMM.
No Brasil, o El Niño naquele biênio intensificou a seca no Nordeste e
provocou estiagem prolongada no Norte, centro-norte de Minas e de Goiás e
no Distrito Federal.
Além disso, houve fortes inundações no Sul, e impactos sobre o setor elétrico e a produção de alimentos.
E agora? O que pode vir pela frente no Brasil com a volta do El Niño?
Entenda como o fenômeno pode influenciar do cafezinho ao etanol que abastece o carro.
Como El Niño afeta o clima no Brasil
O "Niño" que dá nome ao fenômeno é ninguém menos do que o menino Jesus
(el niño Jesús, em espanhol). O evento climático recebeu esse nome por
ser primeiro identificado por pescadores do Peru e Equador na época do
Natal.
"O El Niño e a La Niña são duas fases opostas do mesmo fenômeno, que
chamamos de El Niño Oscilação Sul [ou ENSO, na sigla em inglês]",
explica Vinícius Lucyrio, meteorologista da Climatempo.
Aquecimento e resfriamento do Pacífico equatorial entre 1950 e 2022 — Foto: METEREOLOGIA UNIFEI
"É um fenômeno que acopla condições oceânicas e atmosféricas. Ou seja: é
o oceano influenciando diretamente na condições atmosféricas."
O El Niño é a fase quente deste fenômeno, que traz águas de temperatura
mais elevada para a faixa equatorial do Pacífico Sul, na costa norte do
Peru e do Equador, se estendendo ao sul da linha imaginária até quase a
Oceania.
Isso ocorre por um enfraquecimento dos ventos alísios, um sistema de
ventos que sopram de leste para oeste na região equatorial, explica
Lucyrio.
Já a La Niña é a fase fria do fenômeno, com temperaturas abaixo da
média nas água do Pacífico Sul, sob efeito de ventos alísios
fortalecidos que favorecem a ressurgência de águas profundas mais frias
na costa do Peru e do Equador.
"É uma ótima fase para pesca, porque traz águas mais ricas em
nutrientes das profundezas do oceano para as áreas mais superficiais",
observa.
No Brasil, a La Niña afeta as chuvas nos dois extremos do país.
No Sul, ficam mais irregulares, favorecendo períodos de estiagem e
seca. Já no Norte e Nordeste, há um aumento das precipitações,
principalmente entre agosto e fevereiro.
A La Niña também traz temperaturas abaixo da média ao país, ao
favorecer a passagem de frentes frias. Isso ajuda a explicar, por
exemplo, o verão mais ameno esse ano no Sudeste, observa o especialista
da Climatempo.
Já o El Niño traz tempo mais quente em todo o Brasil, principalmente
entre o final do inverno e o verão. E, nas chuvas, o sinal se inverte.
No Norte e Nordeste, a chuva tende a ficar abaixo da média, enquanto no
Sul, fica acima.
"Pode haver inundações severas e solo encharcado no Sul, trazendo
prejuízos à produção agrícola", diz Lucyrio, ponderando porém que a
produtividade na região também pode ser beneficiada pela maior
quantidade de chuvas.
Segundo o meteorologista, os modelos apontam uma probabilidade acima de
60% de ocorrência de El Niño no período de junho, julho e agosto. E a
transição entre o La Niña e o El Niño deve acontecer de forma mais
acelerada do que o padrão histórico.
Em vermelho, a probabilidade de El Niño; em azul, de La Niña; em cinza,
a fase neutra, conforme os trimestres, com a inicial de cada mês (ex:
FMA = fevereiro, março e abril) — Foto: IRI/CPC
Impactos do cafezinho ao etanol
Os analistas são cautelosos em apontar possíveis impactos do El Niño na
produção agrícola brasileira, já que ainda não é possível saber qual
será a intensidade do fenômeno que pode ter início esse ano.
Mas, com base na ocorrência do evento climático no passado, é possível obter algumas pistas.
Um dos cultivos que podem ser afetados é o do café, segundo Natália
Gandolphi, analista da consultoria HedgePoint Global Markets.
'O El Niño historicamente afetou negativamente a produção de café no Brasil', diz analista — Foto: Getty Images
Essa é uma possível má notícia para os apreciadores da bebida, já que o
café moído chegou a acumular alta de preços de mais de 60% em 12 meses
em meados de 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), sob efeito de secas e geadas que afetaram a safra.
Desde então, a inflação do café perdeu força, mas o produto nunca
retomou o patamar anterior de preços, com o pacote de 500g vendido a um
preço médio de R$ 15,48 ao fim de 2022, de acordo com a Fundação
Procon-SP.
"No geral, quando observamos os eventos de El Niño, há uma redução
média de 5% na produção de [café do tipo] Arábica", diz Gandolphi,
analista da HedgePoint especialista neste produto.
Isso acontece, segundo ela, porque o El Niño provoca um inverno mais
quente, prejudicando o desenvolvimento vegetativo do pé de café.
A época de florada, após setembro, e de crescimento, desenvolvimento e
maturação dos frutos também pode ser prejudicada pelas temperaturas mais
elevadas, diz a especialista.
"O El Niño historicamente afetou negativamente a produção de café no
Brasil e isso é um fator altista [para os preços do produto]. Mas, hoje,
a perspectiva para a safra 2024-2025, que seria a afetada pelo El Niño,
é muito boa", pondera.
Na cultura de cana-de-açúcar, o pico da safra no Brasil ocorre entre abril e agosto.
"Se vier um El Niño forte, ele pode levar a um inverno mais úmido. Isso
é ruim para o ritmo da safra de açúcar, porque, se chove demais, as
usinas não conseguem moer", explica Lívea Coda, analista de açúcar e
etanol da HedgePoint.
'Um evento climático que afete a moagem afeta tanto o açúcar como o etanol', diz analista — Foto: Getty Images
"Também é ruim para a concentração de sacarose, porque, nessa etapa do
desenvolvimento da cana, se chove muito, ela fica mais 'aguada', com
menor concentração de açúcar. Então, poderia ser ruim para a safra
2023-2024 do Brasil", diz Coda.
Segundo ela, se o fenômeno se estender de dezembro a fevereiro, a
precipitação no Centro-Sul pode diminuir, principalmente no norte de São
Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, comprometendo a próxima
safra.
"Havendo um evento climático que afete a moagem, afeta tanto para o
açúcar, como para o etanol. Se tiver um El Niño muito forte, que
atrapalhe o ritmo da safra, pode ter um impacto na disponibilidade total
de produto, e isso é uma pressão inflacionária para preços", explica.
"Mas precisaria ter um evento muito forte, muito relevante, para isso
acontecer e termos de fato um problema na safra brasileira de cana."
Grãos e proteína animal
Pedro Schicchi, analista de grãos e proteína animal da consultoria,
explica que um inverno mais úmido pode ser benéfico para a safra de
milho de inverno no Mato Grosso e Goiás.
'Uma maior produção de milho pode reduzir o custo da ração para
produtores de frango e suínos', diz analista — Foto: Getty Images
O evento também pode favorecer a safra de soja no Sul do país, com
maior volume de chuvas, embora possa prejudicar o grão no Centro-Oeste,
devido ao tempo mais seco.
"Se a chuva realmente vier e tivermos maior produção de milho, isso
pode reduzir o custo da ração para os produtores de frango e suínos",
diz Schicchi.
"Para o gado bovino, a chuva amplia a área de pastagem, então, o efeito também pode ser positivo."
Mas isso pode não necessariamente impactar o consumidor final, afirma o analista.
"Pode ser que essa redução de custos não seja repassada por diversos
motivos, como o alto volume de exportação, real desvalorizado. Então,
isso interage com outros fatores de mercado."
E o setor elétrico?
No Brasil, os principais reservatórios hidrelétricos ficam nas regiões Sudeste e central do país.
"Para o setor elétrico, geralmente a La Niña é melhor, porque favorece a
formação de zona de convergência do Atlântico Sul e frentes
estacionárias nessas regiões", explica o meteorologista Filipe Pungirum,
mestre em Clima pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
"O El Niño favorece um tempo mais quente e seco na porção centro-norte
do país e, por isso, não costuma ser positivo para a manutenção dos
reservatórios de energia."
Reservatório de Furnas opera atualmente com volume útil de 96%, segundo ONS — Foto: Divulgação/Eletrobras
Por regiões, os reservatórios de Norte, Nordeste e Minas Gerais
costumam ser prejudicados por um El Niño forte, enquanto o Sul é
beneficiado – mas a região tem poucos reservatórios.
O fenômeno também costuma elevar as temperaturas nas capitais,
pressionando a demanda, já que o ar condicionado se tornou o principal
fator de pico do consumo elétrico nacional.
O meteorologista pondera, porém, que os reservatórios do país se encontram em excelente momento.
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios
do Sudeste e Centro-Oeste encerraram fevereiro em patamares superiores a
70%, maior nível desde 2012. Enquanto no Sul e Nordeste, os níveis
estão acima de 80%, e no Norte, em quase 100%.
"Mesmo se esse próximo El Niño for bem rigoroso e tivermos poucas
chuvas, não vai ser tão grave quanto nas últimas crises", acredita o
especialista.
- Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c14n1d7dlexo