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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Dólar opera em alta e bate R$ 5,10, de olho em tarifas dos EUA e guerra no Irã; Ibovespa cai

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Na véspera, a moeda americana teve variação positiva de 0,01%, cotada a R$ 5,0780. Já o principal índice da bolsa brasileira recuou 0,36%, aos 176.011 pontos.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 16 de Julho de 2.026 às 10h00m
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Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros
Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros

O dólar opera em alta nesta quinta-feira (16), com um avanço de 0,45% perto das 10h50, cotado a R$ 5,1004. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, opera em queda de 1,15% no mesmo horário, aos 173.980 pontos.

▶️ Os Estados Unidos confirmaram a nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros na noite de ontem. A decisão é resultado de uma investigação comercial do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana e foi publicada junto a uma extensa lista de itens isentos. (entenda mais abaixo)

▶️ Já no noticiário geopolítico, as atenções seguem voltadas para o conflito no Oriente Médio. Os EUA lançaram novos ataques contra o Irã. Os dois países continuam a disputar pelo Estreito de Ormuz e na véspera, o presidente americano, Donald Trump, chegou a afirmar que o governo iraniano quer "chegar a um acordo desesperadamente".

  • O aumento do conflito na região continua a trazer volatilidade para o mercado internacional de petróleo. Perto das 10h10, o barril do Brent, referência internacional, subia 1,15%, cotado a US$ 85,93. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, tinha um avanço de 1,17%, cotado a US$ 80,53 por barril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,60%;
  • Acumulado do mês: -1,64%;
  • Acumulado do ano: -7,48%.
📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: -1,04%;
  • Acumulado do mês: +2,32%;
  • Acumulado do ano: +9,24%.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Tarifaço de Trump

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou na noite desta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho.

A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.

Mesmo com as acusações, itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da nova cobrança. A lista inclui produtos considerados sensíveis para a economia americana, seja pelo potencial impacto sobre preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente.

Segundo o USTR, o governo Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas.

No Brasil, o governo prevê um impacto macroeconômico reduzido com as novas taxas, reiterando que as exportações mostraram resiliência mesmo após o tarifaço em agosto do ano passado, com recuperação gradual desde novembro.

"Como o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a menos de 2% do PIB antes do choque, e o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma", afirma análise da Secretaria de Política Econômica (SPE), publicada no "Boletim MacroFiscal".

Segundo a Fazenda, as exceções para diversos produtos previstas pela medida tende a manter o impacto agregado modesto.

Escalada das tensões no Oriente Médio

O Irã acusou nesta quinta-feira (16) os Estados Unidos de realizarem um ataque bárbarodepois que um hospital oncológico no sudoeste do Irã foi forçado a evacuar seus pacientes devido a ataques nas proximidades.

Este ataque bárbaro, que remete às atrocidades de Israel contra instalações de saúde, causou intenso sofrimento e ansiedade nas crianças hospitalizadas, publicou no X o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmando que 211 pacientes em tratamento de quimioterapia foram evacuados.

Na véspera, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que concluiu uma nova rodada de ataques contra alvos no Irã. Além de centros de comando, a ofensiva também mirou posições de defesa aérea, capacidades de mísseis e drones e instalações de vigilância costeira iranianas.

Em comunicado, o Centcom afirmou que os ataques tiveram como objetivo reduzir a capacidade do Irã de ameaçar embarcações comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo.

As forças americanas informaram ainda que utilizaram munições de precisão contra alvos em diferentes localidades, incluindo Bandar Abbas.

A escalada das tensões no Oriente Médio nos últimos dias volta a trazer preocupações sobre a oferta mundial de petróleo, principalmente por conta do tráfego limitado no Estreito de Ormuz.

Nesta quinta-feira, o Irã afirmou que o canal é uma "linha vermelha" inviolável e alertou que caso Trump cumpra sua ameaça de atacar a infraestrutura iraniana, o país retaliará contra toda a infraestrutura na região do Golfo.

Com o bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz, dados do setor de transporte marítimo já mostraram que menos navios conseguiram atravessar o estreito. Não foram avistados petroleiros de grande porte nem navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL).

Bolsas globais

Em Wall Street, os índices operavam mistos nesta quinta-feira (16), em meio ao enfraquecimento das ações de chips e enquanto os investidores analisavam novos dados econômicos em busca de pistas sobre a saúde da economia.

Perto das 10h50, o Dow Jones tinha alta de 0,14%, enquanto o S&P 500 subia 0,38% e o Nasdaq Composite tinha perdas de 1,04%.

Já na Europa, o dia era majoritariamente negativo, em meio aos temores sobre o conflito no Oriente Médio.

O DAX, da Alemanha, caía 0,91% no mesmo horário, enquanto o CAC-40, da França, tinha queda de 0,79% e o FTSE 100, do Reino Unido, tinha perdas de 0,50%.

Na Ásia, a maioria das ações da região fechou em queda, puxadas pelo fraco desempenho dos papéis de fabricantes de semicondutores.

O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 1,85%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve queda de 2,03%.

Entre as demais bolsas da região, no entanto, o dia foi mais positivo. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,33%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve perdas de 2,79% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 6,37%.

*Com informações da agência de notícias Reuters.

Dólar — Foto: freepik
Dólar — Foto: freepik

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