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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Correios fecharam 2025 com um prejuízo financeiro de R$ 8,5 bilhões; série negativa vem desde 2022

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Empresa chegou ao 14º trimestre seguido apresentando prejuízos. Expectativa dos Correios é que plano de reestruturação traga resultados positivos para a empresa no longo prazo.
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Por Vinícius Cassela, Thiago Resende, g1 e TV Globo — Brasília

Postado em 23 de Abril de 2.026 às 15h20m
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Os Correios apresentaram nesta quinta-feira (23) os resultados financeiros de 2025.

No ano passado, a empresa registrou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, sendo R$ 6,4 bilhões só com despesas com precatórios, que são dívidas que precisam ser pagas por determinação da Justiça.

O valor superou em mais de três vezes o prejuízo registrado em 2024, que foi de R$ 2,6 bilhões.

Foi o 14º trimestre consecutivo de prejuízo da empresa desde o 4º trimestre de 2022. O prejuízo acumulado no primeiro semestre de 2025 tinha sido de R$ 4,36 bilhões.

Empréstimo de R$ 12 bilhões

Nos últimos dias de 2025, os Correios conseguiram fechar um empréstimo de R$ 12 bilhões. A maior parte dos recursos entrou ainda em dezembro daquele ano.

A chegada do dinheiro, no entanto, pouco afetou o resultado financeiro da empresa, já que o crédito teve que ser usado para cobrir despesas emergenciais.

A assinatura do contrato de empréstimo foi publicada no dia 27 de dezembro, no Diário Oficial da União (DOU), e envolveu um consórcio com os bancos Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A operação contou com a garantia do Tesouro Nacional.

De acordo com presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Bradesco aportaram individualmente R$ 3 bilhões. Já Itaú e Santander emprestaram outros R$ 1,5 bilhão, cada um.

Em 26 de fevereiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a abertura de mais espaço para que os Correios consigam captar um novo empréstimo com garantias da União.

Pela decisão, os Correios ficaram habilitados a um novo empréstimo no valor de R$ 8 bilhões. O martelo para a nova operação de crédito só deve ser batido, segundo pessoas que participam das discussões, no fim do primeiro semestre.

O que explica o resultado de 2025?

De acordo com as demonstrações financeiras da estatal, o principal fator por trás do aumento bilionário das despesas foi o pagamento de precatórios decorrentes de decisões judiciais já transitadas em julgado (leia mais abaixo).

Sem aprofundar as causas desse crescimento — que atingiu R$ 6,4 bilhões em 2026, alta de 55,1% em relação a 2024 —, representantes da estatal afirmaram que parte do valor, equivalente a R$ 2,63 bilhões, está relacionada a dívidas herdadas de gestões anteriores.

🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica.

Ainda segundo informações apresentadas pela empresa, a receita bruta no ano passado foi de R$ 17,3 bilhões, —11,35% menor que a registrada em 2024.

A queda nas receitas foi provocada, principalmente, pela redução de encomendas internacionais transportadas, em 66%, em relação ao ano anterior.

"O maior fator isolado da queda de receita foi a redução de 65,6% nas encomendas internacionais, provocada por mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor que alteraram os fluxos do comércio global", diz o comunicado.

Segundo esse mesmo documento, os Correios reservaram R$ 2,63 bilhões para cobrir possíveis perdas em ações trabalhistas que tratam do pagamento do adicional de atividade de distribuição e coleta externa (AADC) e do adicional de periculosidade.

Esse tipo de reserva, chamada de provisão, é usada quando a empresa avalia que pode ter de pagar esses valores mais adiante.

Plano de Demissão Voluntária

Segundo os Correios, entre 3 de fevereiro e 7 de abril deste ano, 3.181 funcionários aderiram ao programa, o que gerou uma expectativa de redução de gastos de cerca de 40%.

O Plano de Demissão Voluntária (PDV) faz parte do conjunto de medidas adotadas pelos Correios para reduzir despesas com pessoal e equilibrar as contas da estatal.

"Como vocês podem ver, o PDV [Plano de Demissão Voluntária] que abrimos este ano teve uma duração menor que o outro, que durou o ano todo e atingiu a mesma quantidade de funcionários", afirmou o presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon.

🔎O PDV é um mecanismo pelo qual o trabalhador opta por deixar a empresa de forma voluntária, mediante o recebimento de indenizações e benefícios previstos em regulamento, prática recorrente em processos de reestruturação de estatais.

Considerando os PDVs lançados em 2024 e 2025, o total de adesões chega a 3.756 empregados, com uma economia estimada em R$ 147,1 milhões neste ano e uma projeção de R$ 775,7 milhões em 2026, ainda de acordo com dados divulgados pela empresa.

Sede dos Correios em Palmas, Tocantins — Foto: Djavan Barbosa/TV Anhanguera
Sede dos Correios em Palmas, Tocantins — Foto: Djavan Barbosa/TV Anhanguera

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