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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Ouro sobe mais de 6% e registra maior avanço diário desde 2008; prata dispara

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Os metais preciosos haviam recuado nos últimos dias após a indicação de Kevin Warsh para assumir a presidência do Federal Reserve, no lugar de Jerome Powell, que deixará o cargo em maio.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 03 de Fevereiro de 2.026 às 14h50m
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Incertezas geradas pela política externa de Trump voltam a pressionar o ouro
Incertezas geradas pela política externa de Trump voltam a pressionar o ouro

Após dois dias de fortes quedas, os preços do ouro e da prata voltaram a disparar nesta terça-feira (3). O metal dourado teve sua maior valorização diária desde novembro de 2008, à medida que investidores voltaram a aproveitar níveis de preço mais baixos.

O ouro à vista avançou mais de 6%, negociado a US$ 4.953,35 por onça.

O resultado representa uma recuperação em relação à mínima registrada na véspera, de US$ 4.403,24. Ainda assim, ficou abaixo do recorde histórico alcançado na semana passada, de US$ 5.594,82.

No mercado futuro, os contratos de ouro para entrega em abril subiam 6,8%, para US$ 4.968,70 por onça.

A alta foi ainda mais intensa no mercado de prata: o metal avançou 10,8%, cotado a US$ 85,33 por onça, depois de ter sofrido uma queda de 27% na sexta-feira e novo recuo de 6% na sessão de segunda-feira.

Para Peter Grant, vice-presidente e estrategista sênior de metais da Zaner Metals, as perdas recentes fazem parte de um ajuste dentro de uma tendência mais ampla. Segundo ele, os fatores que sustentaram a valorização do ouro nos últimos anos seguem presentes.

Grant avalia ainda que o mercado pode passar por um período de estabilização, com o patamar de US$ 4.400 funcionando como referência de suporte e a região próxima de US$ 5.100 como um possível limite de resistência.

Os metais preciosos haviam recuado nos últimos dias após a indicação de Kevin Warsh para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), no lugar de Jerome Powell, que deixará o cargo em maio.

A expectativa do mercado é de que Warsh apoie cortes de juros, mas adote uma postura mais restritiva em relação ao tamanho do balanço do banco central americano.

Ativo de proteção aos investidores

Outro fator que pesou sobre os preços foi a decisão da CME Group de elevar as exigências de margem para contratos futuros de metais preciosos, o que tende a reduzir a alavancagem dos investidores.

Apesar da volatilidade recente, analistas seguem projetando a continuidade do movimento de alta no médio e longo prazo, com possibilidade de novos recordes ao longo do ano.

Jeffrey Christian, sócio-gerente da CPM Group, afirma que a expectativa é de retomada gradual da valorização, à medida que persistem as preocupações dos investidores com o cenário econômico e político.

  • 🪙 O ouro costuma ser visto como uma forma de proteção em momentos de incerteza e, historicamente, tende a se beneficiar de ambientes de juros mais baixos.

Em meio a isso, o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos informou que o relatório de emprego de janeiro não será divulgado nesta sexta-feira, em razão da paralisação parcial do governo federal.

Entre outros metais, a platina à vista subiu 4,8%, negociada a US$ 2.227,85 por onça, enquanto o paládio avançou 2,9%, para US$ 1.755,00.

* Com informações da agência de notícias Reuters

Barras de ouro — Foto: Fábio Venâncio / Tv Globo
Barras de ouro — Foto: Fábio Venâncio / Tv Globo

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Trump lança estoque estratégico de minerais críticos de US$ 12 bilhões para conter a China

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O projeto combinará US$ 2 bilhões de recursos privados e um empréstimo de US$ 10 bilhões do Banco de Exportação e Importação dos EUA para adquirir e armazenar minerais destinados a montadoras, empresas de tecnologia e outros fabricantes.
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TOPO
Por Reuters — São Paulo

Postado em 02 de Fevereiro de 2.026 às 22h50m
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em evento em Mar-a-Lago, em 16 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em evento em Mar-a-Lago, em 16 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (2) a criação de um estoque estratégico de minerais críticos, com US$ 10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos EUA (U.S. Export-Import Bank).

Por anos, empresas americanas correram o risco de ficar sem minerais críticos durante interrupções de mercado, disse Trump durante um evento no Salão Oval.

Hoje, estamos lançando o que será conhecido como Project Vault [Projeto Caixa-Forte], para garantir que empresas e trabalhadores americanos nunca sejam prejudicados por qualquer escassez", acrescentou.

Washington tem se mobilizado para contrabalançar o que os formuladores de políticas consideram manipulação chinesa nos preços de lítio, níquel, terras raras e outros minerais críticos, essenciais para a produção de veículos elétricos, armamentos de alta tecnologia e diversos outros produtos industrializados. Essa situação tem dificultado a operação das mineradoras americanas há anos.

O projeto reunirá US$ 2 bilhões de recursos privados e um empréstimo de US$ 10 bilhões do EXIM Bank para adquirir e armazenar minerais destinados a montadoras, empresas de tecnologia e outros fabricantes, afirmou Trump. O banco de exportação confirmou a aprovação do empréstimo nesta segunda-feira.

As ações de empresas de terras raras e outros minerais críticos, como MP Materials e USA Rare Earth Inc, subiram após notícias de que um anúncio sobre a iniciativa de US$ 12 bilhões era iminente.

A CEO da General Motors, Mary Barra, e o bilionário da mineração Robert Friedland, que representam produtores e consumidores de minerais críticos, estiveram presentes no evento no Salão Oval.

O projeto atraiu o interesse de diversas empresas americanas de setores automotivo e tecnológico.

Empresas de comércio de commodities, incluindo Hartree Partners, Traxys North America e Mercuria Energy Group, seriam encarregadas da compra das matérias-primas para o estoque, disse à Reuters um funcionário da administração Trump familiarizado com o plano.

O Project Vault visa apoiar a indústria automobilística dos EUA, permitindo que as empresas mantenham os riscos fora de seus balanços. A logística do projeto foi comparada a uma associação da Costco, que possibilita compras em grandes volumes.

Outro objetivo é garantir um estoque de minerais suficiente para 60 dias em caso de emergência, acrescentou o funcionário, destacando que a estocagem já estava em andamento.

Uma estrutura executiva será criada para o projeto, e o EXIM deve ocupar um assento no conselho, disse o funcionário à Reuters.

No mês passado, um grupo bipartidário de legisladores americanos propôs um projeto de lei para criar um estoque de US$ 2,5 bilhões em minerais críticos, com o objetivo de estabilizar os preços do mercado e estimular a mineração e o refino nacionais.

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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Investir em ouro é boa saída em tempos de turbulência na economia?

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O preço do ouro subiu acima de US$ 5 mil por onça pela primeira vez na história, com os investidores buscando segurança em meio às incertezas políticas e econômicas. Mas o ouro realmente é um porto seguro?
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TOPO
Por BBC

Postado em 01 de Fevereiro de 2.026 às 06h00m
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O preço do ouro bateu uma série de recordes nos últimos tempos, em meio à incertezas da geopolítica global. — Foto: Reuters via BBC
O preço do ouro bateu uma série de recordes nos últimos tempos, em meio à incertezas da geopolítica global. — Foto: Reuters via BBC

O preço do ouro ultrapassou os US$ 5 mil (cerca de R$ 26,4 mil) por onça troy (31,1034768 gramas) pela primeira vez na história, dando continuidade a uma alta inédita que fez o metal subir em mais de 60% em 2025.

O aumento vem em um momento em que as tensões entre os Estados Unidos e a Otan em relação à Groenlândia fizeram crescer as preocupações mundiais em relação às incertezas financeiras e geopolíticas.

A política comercial do presidente americano, Donald Trump, também vem preocupando os mercados. No sábado (24/1), ele ameaçou impor uma tarifa de importação de 100% ao Canadá, se o país celebrar um acordo comercial com a China.

O ouro e outros metais preciosos são considerados ativos seguros para os investidores em tempos de incerteza.

Na sexta-feira (23/1), a prata atingiu US$ 100 (cerca de R$ 530) a onça pela primeira vez, em novo aumento somado aos quase 150% do ano passado.

Diversos outros fatores também alavancaram a demanda por metais preciosos. Eles incluem a inflação mais alta que o habitual, a fraca cotação do dólar americano, a compra dos metais por bancos centrais de todo o mundo e a expectativa de que o Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) venha a reduzir novamente as taxas de juros este ano.

'As pessoas vão para o ouro'

As preocupações com a economia podem ajudar a elevar o preço do ouro, mas a cotação do metal também tende a subir quando os investidores esperam redução das taxas de juros.

Taxas mais baixas normalmente indicam menores retornos para investimentos como títulos do governo. Por isso, os investidores buscam ativos como o ouro e a prata.

Grande parte do mercado espera que o Federal Reserve reduza sua principal taxa de juros duas vezes em 2026.

"A relação é inversa porque o custo de oportunidade de manter o dinheiro em um título do governo, na verdade, não vale mais a pena. Por isso, as pessoas vão para o ouro", explica o estrategista de pesquisa Ahmad Assiri, da corretora australiana Pepperstone.

Será que o ouro é realmente um porto seguro? — Foto: Reuters via BBC
Será que o ouro é realmente um porto seguro? — Foto: Reuters via BBC

As guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza, além da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por Washington, também ajudaram a elevar o preço do ouro.

Quando os mercados financeiros desabam, pode haver uma súbita "corrida do ouro", com um grande número de compradores (incluindo governos e investidores individuais) buscando comprar o metal precioso, segundo o historiador da economia Philip Fliers, da Universidade de Belfast, no Reino Unido.

O ouro teve um ano de destaque em 2025. Muitos investidores migraram para os metais preciosos, gerando o maior aumento anual do preço do ouro desde 1979.

Com os mercados financeiros assustados por diversas preocupações, como as tarifas de importação de Donald Trump e o receio de que as ações relacionadas à inteligência artificial estejam supervalorizadas, o ouro atingiu repetidos recordes de alta.

Susannah Streeter é a estrategista-chefe de investimentos do Wealth Club, uma plataforma de investimentos voltada a clientes de alto padrão. Ela afirma que o ouro "parece não conhecer fronteiras", em meio às atuais incertezas políticas.

"A corrida para o porto seguro dourado continua, com o preço do metal precioso subindo cada vez mais", segundo ela.

Streeter destaca as tensões comerciais geradas pela ameaça de tarifas de Trump contra o Canadá, que "deixaram os investidores inquietos".

Disparada

Nem todos os que investem em ouro compram o metal precioso em forma física. Alguns investidores colocam seu dinheiro em produtos financeiros, como fundos de investimento negociados em bolsa (ETFs), que são atrelados ao ouro.

"O ouro é um investimento 'seguro', mas isso não significa que ele não apresente riscos", explica Fliers.

Em janeiro de 2020, no início da pandemia de covid-19, os preços do ouro dispararam. Mas, em março do mesmo ano, eles começaram a cair.

"Quando a confiança nos ativos financeiros e na estabilidade política começa a oscilar, o ouro tende a reagir primeiro, como o principal metal monetário", explica a planejadora financeira Anita Wright, da empresa britânica Ribble Wealth Management.

O ouro sempre teve importância simbólica e religiosa ao longo da história humana. — Foto: Reuters via BBC
O ouro sempre teve importância simbólica e religiosa ao longo da história humana. — Foto: Reuters via BBC

Da máscara mortuária do faraó Tutancâmon, no Egito Antigo, até o Banco de Ouro da nação Asante, em Gana, e os Tronos de Ouro do Templo Padmanabhaswamy, na Índia, o metal sempre teve importância simbólica e religiosa ao longo da história humana.

Um dos maiores apelos do ouro é sua relativa escassez.

Foram mineradas até hoje apenas cerca de 216.265 toneladas do metal, segundo o Conselho Mundial do Ouro. Esta quantidade é suficiente para encher três a quatro piscinas olímpicas.

A maior parte deste volume só foi extraída de 1950 para cá, com os avanços da tecnologia de mineração e a descoberta de novos depósitos.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos calcula que outras 64 mil toneladas de ouro ainda poderão ser extraídas das reservas subterrâneas. Mas a previsão é que o abastecimento do metal atinja um nível estável nos próximos anos.

Compras em volume

Não surpreende que muitas pessoas busquem o investimento em ouro como uma forma confiável de proteger seu patrimônio.

O valor dos objetos e joias de ouro guardados em casa, muitas vezes, não é afetado pelas alterações dos mercados financeiros globais.

"Quando você tem ouro, não está preso à dívida de outra pessoa, como um título ou ação, quando o desempenho de uma empresa define o desempenho" do investimento, explica Nicholas Frappell, chefe global de mercados institucionais da empresa ABC Refinery. "É uma ótima opção de diversificação, em um mundo com muitas incertezas."

Mas qualquer grande investimento pode ficar à mercê das ações dos grandes operadores financeiros.

Fliers suspeita que grande parte do recente aumento dos preços do ouro "seja causado pelos bancos centrais dos governos, aumentando seus estoques de ouro".

Eles costumam comprar ouro em grandes volumes para ampliar suas reservas, fugindo de investimentos em ações em tempos de incerteza.

Longo prazo

No ano passado, os bancos centrais acumularam centenas de toneladas de lingotes nas suas reservas, segundo o Conselho Mundial do Ouro.

"Existe um claro afastamento do dólar americano, o que beneficia imensamente o ouro", segundo Nikos Kavalis, diretor-gerente da consultoria de metais preciosos Metals Focus.

No início deste ano, o ouro continuou a subir, mas Frappell alerta que as notícias, que "orientam o mercado", também poderão resultar na queda das cotações.

"É preciso haver escopo para notícias inesperadas que poderão realmente ser positivas para o mundo, mas não necessariamente para o ouro", afirma ele.

Ou seja, investir no metal precioso pode trazer seus riscos.

"Ainda é uma estratégia arriscada especular no aumento do preço do ouro, pois, assim que os mercados se acalmarem e os governos recobrarem o juízo, as pessoas irão deixar novamente o ouro", explica Fliers.

"Eu diria que o investimento em ouro é algo que se faz a longo prazo."

Em muitas culturas, o ouro é comprado durante festivais ou oferecido como presentes em comemorações. — Foto: Getty Images via BBC
Em muitas culturas, o ouro é comprado durante festivais ou oferecido como presentes em comemorações. — Foto: Getty Images via BBC

Mas nem todos compram ouro puramente por razões de investimento.

Em muitas culturas, o metal é adquirido durante festivais ou oferecido como presente em comemorações, como casamentos.

Na Índia, o festival anual Diwali é considerado uma ocasião auspiciosa para comprar metais preciosos que irão trazer sorte e riqueza.

Segundo o banco de investimentos americano Morgan Stanley, as famílias indianas possuem US$ 3,8 trilhões (cerca de R$ 20 trilhões) em ouro. Este valor equivale a 88,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Já a vizinha China é o maior mercado consumidor de ouro do mundo. Muitos acreditam que comprar o metal traz boa fortuna.

"Costumamos observar um pico sazonal da demanda perto do Ano Novo Chinês, como estamos verificando no momento, até certo ponto", explica Kavalis. Ele se refere ao Ano do Cavalo, que começa em fevereiro.

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